Teste

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terça-feira, 25 de março de 2014

O fardo bancário




Não existem crises financeiras sem culpas avassaladoras da banca. Conceptualmente a possibilidade é admissível mas na realidade, para mais numa tão devastadora como esta, é quase impossível. A banca portuguesa tem alimentado o mito de que, apesar da convulsão mundial, o seu balanço está livre de lixo tóxico e portanto imune aos problemas das congéneres, nomeadamente espanholas. Surge assim como inocente da euforia que gerou o desastre, pretendendo-se apenas vítima dos apertos da recessão. Essa ideia, credível e conveniente durante a fase mais negra, começa a constituir um obstáculo à recuperação.

Deve dizer-se que esse mito foi-nos muito útil a todos. Ele tinha uma base de verdade, pois o sistema financeiro português esteve, por várias razões, bastante afastado do sub-prime americano, razão directa do colapso de 2008. Isso constituiu um bom argumento para manter a reputação dos nossos bancos, precisamente no período em que uma suspeita seria fatal. Em época de tanto tumulto e desconfiança, era crucial manter a credibilidade das instituições bancárias. A base desse negócio, como aliás de toda a moeda, é apenas a confiança; quando ela desaparece, tudo se dissolve em fumo, com resultados socioeconómicos catastróficos. É por isso que abalar a imagem da banca é sempre irresponsável, em especial em momentos de turbulência. Nada do que este artigo diga pretende criar a menor dúvida acerca a solidez dos nossos bancos, que são sólidos e credíveis. Mas isso não deve servir para esconder problemas e evitar ajustamentos dolorosos.

É verdade que a banca portuguesa esteve, na sua maioria, imune ao contágio financeiro global de há seis anos. Mas existiu também uma euforia financeira doméstica, que usou irresponsavelmente crédito interno e externo (este último canalizado através de instituições nacionais) em projectos vácuos e mirabolantes. É bom não esquecer a nossa década perdida do crescimento, desde a viragem do milénio, que paradoxalmente acompanhou o inflar da bolha de dívida. O mundo viveu um período de crescimento artificialmente alimentado por crédito; em Portugal aconteceu o mesmo, só que sem crescimento.

Quando no fim de 2008 as empresas privadas portuguesas atingiram um valor de endividamento de 172% do PIB e as famílias de 101%, a culpa principal é evidentemente delas; mas os bancos não se podem dizer inocentes. Eles tinham de saber que era irresponsável distribuir o dinheiro a tais fins, e que grande parte desses empréstimos iria dar mal, mais cedo ou mais tarde. Um crédito malparado desta dimensão nunca é erro apenas de um dos lados, e o seu custo tem de ser repartido.

É indubitável que existem muitos negócios desvalorizados, se não mesmo moribundos, no activo dos bancos. A segunda metade dos anos 1990 e primeiros anos do milénio foram férteis em projectos optimistas que realmente nunca chegaram a lado nenhum. Os mais conhecidos são as sagas públicas do TGV e o novo aeroporto de Lisboa, mas houve miríades de privados. Pior, muitos igualmente mirabolantes chegaram mesmo a ser criados, para depois nunca terem os efeitos pretendidos. Nesses de novo a fama recobre os exemplos estatais, como o Magalhães e as PPP, mas muitas empresas se meterem em tolices equivalentes, a todos os níveis. Tudo, público ou privado, acaba sempre a apodrecer na banca.

Quando se verifica um caso destes o que há a fazer é estripar o cancro e lavar a ferida. Isso é sempre doloroso mas inevitável. O pior é negação e ocultação, que só aumentam o tumor. Isso podia fazer sentido na época em que o estado geral do doente era tão frágil que a cirurgia era impensável. Agora parece ter chegado a altura de tratar desse assunto.

A economia precisa de crédito para se levantar. Existem até investidores interessados em comprar e recuperar os monos dos balanços bancários, desde que cotados a desconto. Quando a banca se recusa a vender para não assumir perdas, que são evidentes, ela surge como sabotadora da economia que devia servir. Só admitindo a verdade se sai da crise.

domingo, 23 de março de 2014

A Geração dos 70...







A ternura dos setenta


Não é novidade que o Governo apenas pareça sofrível por comparação com a empenhada toleima da oposição, mas não convém exagerar. Pôr o sr. Marco António às vezes Costa a reagir aos manifestos pela "reestruturação" da dívida - o indígena e o estrangeiro - já é forçar a nota.

Não sei se devido ao assombroso currículo do cavalheiro, se devido à respectiva envergadura (moral), ou se devido à convicção geral de que daquela cabecinha nunca sairá nada vagamente semelhante a um pensamento aproveitável, a verdade é que ver o sr. Marco António às vezes Costa refutar as críticas à governação do País não difere muito de promover o treinador Jorge Jesus a crítico literário. Por algum motivo, ou por inúmeros motivos, há a tendência para suspeitarmos que, quando o Governo de Portugal se deixa representar pelo sr. Marco António às vezes Costa, o Governo é uma anedota e Portugal está perdido. O sr. Marco António às vezes Costa quase inverte a ordem natural e, por contraste, transforma os opositores em gente ponderada e responsável. A sorte do Governo é que depois os opositores contra-atacam e devolvem a harmonia ao universo.

Atente-se, por exemplo e se não for pedir demasiado, em João Cravinho. O promotor do manifesto caseiro considera que o manifesto não caseiro "revela", cito, "que o que dizemos não é nenhum disparate". Tamanha franqueza comove. Sem o notar, o dr. Cravinho admite que a opinião dele e das outras 69 alminhas subscritoras do panfleto nacional importa pouco - pelo menos até que 70 e tal economistas "internacionais" assinem um panfleto a corroborá-la.

Nem vale a pena perder tempo com a evidência de que não custaria encontrar 70 ou 700 economistas de gabarito mundial capazes de ridicularizar o manifesto do dr. Cravinho. Se nas ciências exactas o consenso já é precário, nas artes de prestidigitação como a Economia, o consenso é por definição absurdo. Porém, o que aqui salta à vista é a ancestral submissão ao juízo de valor que chega de além-fronteiras: temos razão na medida em que "lá fora" nos dão razão.

Trata-se de um pequeno tique, infelizmente com consequências de gravidade diversa. Uma coisa é convencermo-nos de que precisamos de um Teatro Nacional porque "lá fora" existem teatros nacionais. Coisa diferente é acreditar no carácter essencial do "investimento" público porque "lá fora" é assim, na imortalidade do Estado "social" porque "lá fora" é assim ou, conforme o dr. Cravinho se lembrará, no sucesso das PPP porque "lá fora" as PPP são assado. E acreditar na "reestruturação" da dívida porque o sucesso do precedente grego salta à vista.

Brincadeiras à parte, o facto é que o Governo, coitado, tem vindo a renegociar a dívida dentro do possível e do aceitável pelos credores. O que os campeões da "reestruturação" pretendem é algo assaz diferente: um milagre que nos dispense de reformas, obrigações e maçadas afins. Um Estado irreformável e intocável. No fim de contas, uma falência colectiva apesar de tudo sem grandes precedentes locais. No fundo, é isto, embora isto soasse mais convincente se não fosse o sr. Marco António às vezes Costa a dizê-lo.


Decretar a prosperidade

Há pouco tivemos o manifesto pela "reestruturação" da dívida. Agora temos o BE, o PCP e o relevantíssimo pingente chamado PEV a pedir que as eleições europeias constituam um voto de protesto contra a austeridade. Sendo partidos parlamentares e pouco admiradores da democracia, não sei o que os leva a esperar pela decisão popular, inevitavelmente incerta e ambígua: a extrema-esquerda podia muito bem cortar caminho e submeter o voto de protesto à Assembleia da República. Com alguma sorte, e a abstenção ou a distracção de meia dúzia de deputados da maioria, talvez se conseguisse proibir a austeridade mediante decreto.

Aliás, é difícil perceber porque é que a austeridade, e não só a austeridade, ainda não foi abolida. Uma nação tão virtuosa e legalista já devia ter interditado por lei a austeridade, a dívida, o défice, a crise, a sra. Merkel, o FMI, a gripe sazonal e a família Carreira. Em contrapartida, urge considerar obrigatório: a felicidade; o salário médio luxemburguês; o crédito externo sem juros nem prestações; a solidariedade europeia; o direito às trufas; o Mercedes; o spa no jardim de casa; o jardim de casa; a casa e a abundância em geral.

É verdade que a Constituição já não anda longe de semelhantes desígnios, mas carece de uma ou duas revisões para consagrá--los. Excepto a realidade, o que nos impede?


A miséria

Não costumo alongar-me nas citações. E certamente não costumo alongar-me nas citações de José Sócrates. Mas corre pelos blogues liberais (não são muitos) um pequeno e esclarecedor vídeo extraído do debate entre o ex-secretário-geral do PS e o ex--chefe do Bloco de Esquerda durante a campanha eleitoral de 2011. O debate é moderado por Clara de Sousa. A certa altura, o eng. Sócrates propõe-se esmiuçar um tema hoje relativamente em voga:

"- Vamos ao essencial da sua proposta: o que é que Francisco Louçã propõe para resolvermos o problema? Diz assim: vamos reestruturar a dívida. O que é que significa reestruturar a dívida? Reestruturar a dívida é um termo técnico. Isto significa não pagar parte da nossa dívida.

- Isso seria trágico para Portugal, eng. José Sócrates?
- Absolutamente trágico!
- Quais eram as consequências para o País?
- Vou responder. Isso significa calote aos credores. Isso significaria, em primeiro lugar, Portugal passar imediatamente a fazer parte do lote de países que não cumprem, da lista negra. Isso significaria desde logo o colapso do sistema financeiro, porque nenhum dos nossos bancos, nenhuma das nossas grandes empresas se poderia, digamos assim, financiar. E isso teria consequências gravíssimas na nossa economia, nas empresas e nos trabalhadores. Pagaríamos isso com desemprego, com falências e com miséria, Francisco Louçã. É por isso que essa proposta é absolutamente irresponsável."

Por irresponsável que também tenha sido a governação do eng. Sócrates, houve momentos em que, por comparação com os delírios dos partidos comunistas, o homem passava por um estadista sensato (principalmente se esquecermos que a dívida em questão fora, em larga medida, criada por ele). Este é um desses momentos, por um lado abonatório para o antigo primeiro-ministro, por outro desanimador para Portugal, cujas alegadas elites, alegadamente de todas as cores políticas, exigem agora de modo oficioso a reestruturação da dívida, leia-se o tal calote, o tal colapso e a tal miséria.

Ou seja, à esquerda, à direita e ao centro, hoje existe pior do que o eng. Sócrates, incluindo o próprio, que um destes dias se declarou de acordo com o célebre manifesto dos 70, logo em desacordo consigo após meros 3 anos. Por cá, o pessimismo é uma aposta segura.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Dos espiraleiros "preocupados"


É muito interessante ver-se protestar contra o empobrecimento reclamando-se do estado que tome medidas.

A única medida que o estado pode tomar para promover a criação de riqueza para todos é saindo do caminho.

Como dizia o grande Reagan, o estado não é um problema, o estado é o problema.

A única ferramenta eficiente e eficaz na criação e distribuição/redistribuição de riqueza (sem excepções) é o capitalismo liberal. Em contraponto, a única que sistematicamente (sem excepções) faz o contrário, é o socialismo.

O capitalismo tem oscilações, mas são oscilações dentro do veio principal: cria e redistribui riqueza. O socialismo limita-se a ter sucesso enquanto não se acaba o dinheiro dos outros.

Quanto mais estado mais dinheiro torrado.

sábado, 15 de março de 2014

Informação e desinformação

Informação e desinformação: a mesma ferramenta usada na "educação" em Portugal pelos construtivistas. Duas coisas que eles adoram seringar:

1 - Que o PCP lutara contra Salazar para libertar o povo
2 - Que o regime de Hitler era de direita


sexta-feira, 7 de março de 2014

Campanha a favor do fundo "Vamos Trazer Fernando Tordo Para Portugal".

Excelente:




Já está disponível na Grande Loja Blasfema a linha de produtos Guarda Che, vocacionada para revolucionários de sofá, que vêem na polícia a oportunidade para se queixarem de brutalidade policial e/ou para serem os verdadeiros revolucionários defensores da verdadeira democracia, consoante os dias.
Ontem quase que houve uma verdadeira revolução nos sofás, com o frenesim a alternar entre SIC Notícias, RTP Informação e TVI 24, colocando o Twitter no limiar do selfie e o Facebook a igualar status pró-revolução aos de fotografias de gatos.

As telenovelas começaram quase 20 minutos depois do horário previsto, pondo em causa a hora de recolhimento ao leito da geração mais bem preparada de sempre, demonstrando a necessidade de mais espectáculo para entreter massas na defesa do Estado Social em vias de destruição ideológica por governos com incapacidade para obrigar estrangeiros a financiarem défices nacionais. Durante 20 minutos todos fomos, e por esta ordem, iranianos, iraquianos, tunisinos, gregos, islandeses, egípcios, sírios, cipriotas, ucranianos, venezuelanos, crimeios(?) e, por fim, adeptos de estados policiais.

O Blasfémias compromete-se a doar 20% dos lucros obtidos com esta colecção para o fundo Vamos Trazer Fernando Tordo Para Portugal.

quinta-feira, 6 de março de 2014

URSS versus EURSS com Obama no papel de apanha-bolas

Duvido que a coisa não esteja já resolvida. A Ucrânia sai da influência da URSS para entrar na da EURSS e a Crimeia passa a fazer parte da URSS.

Putin tem a dupla vitória de anexar a Crimeia e deixar no 'regaço' da EURSS um país completamente falido e cheio de russos.

Se tocarem nos russos da Ucrânia, Putin inferniza a vida aos ucranianos da Crimeia.

A realidade tem horror ao vazio

Os idiotas do politicamente correcto fazem de conta que desconhecem esta:
"Mas há um velho princípio de política internacional que Obama parece ter ignorado: não existe espaço vazio na comunidade internacional, e quando ele surge imediatamente é preenchido por alguém."

"Vou implantar o Socialismo no Brasil", diz Lula à Walesa


domingo, 2 de março de 2014

O PT roubou


Dos "adeptos da versão “bolivariana” do comunismo de sempre"



Só um golpe militar pode salvar o Brasil. Não é certo que salve, mas pelo caminho que por ali se trilha é uma boa hipótese alternativa.
"Os militares em reserva se têm somados aos civis que enxergam em uma atitude das Forças Armadas a tábua da salvação para a Pátria ameaçada, quando não são eles próprios os alvos do clamor daqueles que já identificam nas imagens dramáticas da capital venezuelana a cor fúnebre do nosso destino."

sábado, 1 de março de 2014

O STF do Brasil foi lobotomizado

O Brasil parece ter definitivamente entrado em ditadura comunista. O golpe armado pela esquerdalha no supremo, deixa poucas dúvidas.

O "professor" é Roberto Barroso, juiz do Supremo Tribunal Federal e toupeira do Foro de S. Paulo..


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

"Adeus tristeza"


(imagem obtida aqui)


Com "uma guitarra na mão", Fernando Tordo emigrou para o Brasil. Até aqui, descontada a louvável tolerância da TAP na bagagem de cabina, nada de especial: embora por regra mais jovens, muitos portugueses também emigram e, se atendermos à história, sempre emigraram. A circunstância de se tratar de um cantor e compositor popular não torna o gesto de Fernando Tordo diferente do gesto de tantos enfermeiros, biólogos e serralheiros, mesmo que estes raramente mereçam reportagens televisivas. É típico dos países pobres que as pessoas sem trabalho, ou com trabalho mal remunerado ou, como se afirmou no caso, com reformas pequeninas, procurem uma vida melhor. A culpa? É de todos e não é de ninguém, se me permitem o cliché. Não vale a pena apontar o dedo a quem votou no Governo da "austeridade". Nem a quem votou nos governos que forçaram a "austeridade". Por muito que nos custe, a "austeridade" é o nosso valor facial, o melhor que conseguimos se nos deixarem entregues a nós próprios e aos "fundos" e "tranches" que continuam a cair por aí. Sem os "fundos" e as "tranches", o valor facial será ainda menor. E, salvo um milagre, a "austeridade" maior.

Fujo do assunto. O interessante na partida de Fernando Tordo começa no pormenor de ele a ter anunciado no Facebook, em texto cheio de pretenso entusiasmo que as lamúrias em entrevistas posteriores (sim, teve direito a entrevistas) comprometeram. O interesse cresce quando o filho de Fernando Tordo publica no seu Facebook uma "carta-aberta" e terna ao seu pai, lamentando o ódio nas "caixas" de comentários online (ai, ai, que haveria imenso a dizer sobre o ódio nas "caixas" de comentários online). Por fim, a coisa atinge o sublime no momento em que Fernando Tordo responde ao filho - adivinhem - através de "carta-aberta" no Facebook.

Em suma, a internet é um refúgio de mal-intencionados, por isso vamos lá trocar intimidades na internet que as chamadas telefónicas estão pela hora da morte e os e-mails "fechados" não suscitam notícias de rodapé. À primeira vista, o maior problema da família Tordo não é a falta de dinheiro: é a falta de noção de privacidade, a falta de noção da sua insignificância. O problema da família Tordo é, afinal, o problema de incontáveis artistas caseiros, com e sem aspas: a lata. Dado que Fernando Tordo gosta de "cartas-abertas", cá segue outra.

Caro senhor (que não tenho o prazer de conhecer), emigrar não é um drama obrigatório. É uma decisão pessoal que, por definição, convém mantê-la assim ou limitá-la a círculos restritos. E se não é proibido espalhá-la aos ventos, é ridículo apresentarmo-nos ao público enquanto exemplo de sofrimento. Principalmente se o sofrimento é bastante relativo. É que também não é proibido que o público ache o exercício pretensioso e responda em conformidade. Além disso, já se sabe que quem abusa do acesso aos media arrisca-se a levar com os media em cima. Era escusado provocar a manchete do jornal i, que divulgou os 200 mil euros amealhados desde 2008 pela empresa que o senhor possui - só em concertos encomendados pelo Estado, com as autarquias à cabeça. Para quem se queixa dos "agentes públicos que desprezam as Artes (com maiúscula)", não está mal. Para quem insiste na relevância da Arte que produz, está péssimo: não haverá multidões ansiosas por encher auditórios de modo a assistir, sem patrocínios camarários, à enésima interpretação de Tourada? Pelos vistos, não. Por isso, o senhor rumou ao Brasil, onde decerto o aguardavam impacientes. E, ao que li, regressa em Abril. O senhor é um emigrante breve, mas o tempo que nos rouba já vai longo.

Adenda (26-02-2014) - Um esclarecimento de Fernando Tordo.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

De um país que é um sorvedouro de paciência...





...disse Alberto Gonçalves, aqui:



Perder na secretaria

Ou porque o seu presidente andou com problemas de saúde ou porque a equipa de futebol não anda a jogar bem, é voz corrente que o FC Porto está em fim de ciclo. Talvez esteja, talvez não, para mim tanto faz: fui do Benfica na idade em que liguei ao assunto, sou completamente neutro desde que deixei de ligar. De qualquer modo, se o fim do ciclo é discutível, o ciclo não é.

Nos últimos 35 anos, o FC Porto largou a irrelevância que o marcava e começou a discutir a hegemonia com os clubes da capital. Nos últimos 20, assumiu a hegemonia sozinho e deixou a irrelevância aos outros. Os processos utilizados não interessam muito e, sobretudo, não me interessam nada. À semelhança dos fundamentos do sucesso do Benfica de há meio século e, em menor escala, no sucesso do Sporting de há três quartos, suponho que o FC Porto é melhor dentro do campo e fora dele, incluindo-se aqui matéria lícita e, apesar do falso pudor das virgens que dominaram o sector em 1950 e em 1970, ilícita. Nestas coisas não há acasos: sem "ajudas" provadas, Lance Armstrong teria sido igualmente superior aos adversários, tal como antes o fora Merckx, evidentemente com "ajudas" por provar. Salvo pormenores ocasionais, nem o Benfica de Eusébio nem o FC Porto de, por exemplo, Deco, careciam de favores para humilhar a concorrência. Os adeptos, maioritariamente do Norte e ainda mais do Grande Porto, agradeceram a proeza e tomaram-na a título de desagravo do centralismo lisboeta. Fizeram mal.

Ao mesmo tempo em que celebravam as vitórias nos estádios, os portistas, portuenses e nortenhos viam-se derrotados no mundo real. As glórias do FC Porto coincidem com o período em que a região que o clube pretende representar perdeu influência nos destinos do País, peso no respectivo PIB e riqueza proporcional dos seus cidadãos. Trata-se, justamente, de uma coincidência, já que as mudanças devem-se menos às cabeçadas de Gomes e Jardel do que a factores um bocadinho alheios. A globalização desmantelou boa parte da estrutura produtiva do Norte, assente na indústria e nas exportações. Portugal tornou-se um lugar de serviços, crescentemente sediados a Sul. O desenvolvimento nacional passou a fazer-se a expensas dos "fundos" europeus, cuja distribuição, por fintas e mergulhos dignos de Paulo Futre, teima em concentrar-se nas imediações do proverbial Terreiro do Paço. Enquanto o FC Porto reinava, o Porto, cidade e área metropolitana, secava. Entretida com os remates certeiros, e orgulhosa de um clube caracterizado pela organização eficaz, taças em abundância e, por comparação aos rústicos rivais, um genérico ar "moderno", a população não reparou que, no que importa, Lisboa começava a golear o Porto.

Não falo apenas de política. Ou de economia. Ou, descontada a ridícula dimensão pátria, de cultura. Basta ver televisão, onde as referências sortidas ao Porto ou ao Norte, com frequência a cargo de criaturas nadas e criadas no Porto ou no Norte, crescentemente não dispensam a distância imposta pelo advérbio "lá": lá em cima, lá para aquelas bandas, lá no Porto, lá no Norte. De forma oficiosa, quase oficial, o Porto é província, quase ultramar (o Norte nem isso). Hoje, Lisboa só precisa do Porto na medida em que o Porto precisa do interior nortenho: para simular carências e açambarcar os apoios de "convergência". E o bom povo lá de cima (ou cá de cima, na minha perspectiva) convenceu-se de que os êxitos na bola, erguidos a símbolo e a orgulho regionais, compensam o resto. Não compensam, pelo que fica a esperança de que o alegado fim de ciclo do FC Porto aconteça e sirva para recordar que um esboço de equilíbrio geográfico não se alcança aos pontapés no famoso esférico.

Convém, para evocar um cliché, que o Porto - os cidadãos, não as autarquias, delegações e pechisbeques afins - desvie os olhos da baliza e veja o essencial. E o Norte, que cavalgou sem retribuição o apogeu do FC Porto e, repito, sofre em benefício do Porto o exacto desprezo que o Porto sofre em prol de Lisboa, também. O bairrismo é cretino, mas a demografia conta.


Escravos

"É cada vez maior o número de portugueses sujeitos a trabalho escravo no seu próprio país", lia-se num título do Público. No corpo da notícia, procurei as senzalas, os feitores, os chicotes, o sofrimento de sol a sol. Nada. Afinal, tratava-se apenas de sujeitos que, no Alentejo e no Douro, trabalham nas colheitas a troco de 30 euros diários, não declarados ou através de, cito, "falso recibo verde". Enquanto averiguo o que é um recibo verde autêntico (explico na próxima semana), adianto que, conforme reconhece a Autoridade para as Questões de Trabalho num momento de maior serenidade, a questão é sobretudo grave para o fisco e a Segurança Social. Que me lembre, não era esse o principal drama nos campos do Mississippi ou de Minas Gerais.

Podemos achar, e eu por acaso acho, que a profissão de assalariado agrícola não é das mais confortáveis, que 600 euros mensais é um rendimento curto e que desempenhar funções clandestinamente impede o acesso às prodigiosas reformas que aguardam a maioria dos nossos compatriotas. Porém, daqui à escravatura vai um salto tão grande quanto comparar a larica das seis da tarde com a fome em África ou o bullying (sic) nas escolas ao Holocausto.

Uma coisa é o Público apreciar espalhafato, outra é presumir que essa é a função de uma reportagem. Não é. Se o leitor não for irremediavelmente estúpido, a descrição rigorosa dos factos basta-lhe para formar uma opinião. Haverá leitores a considerar a "escravatura" alentejana e duriense uma vergonha; haverá leitores, principalmente entre os que procuram emprego em vão, a invejá-la. Por azar, vivemos numa época em que alguma imprensa (na televisão não vale a pena falar) tende a desaprender as regras básicas do ofício e, como um cómico que avisa que a piada seguinte é particularmente engraçada, a incluir no relato da realidade os sentimentos que a realidade nos deve inspirar. E isso não é jornalismo, mas uma ofensa, maior do que os portugueses "escravos" em Portugal. Uma dúvida: no estrangeiro a escravatura é tolerável?


Perigoso, porque ambicioso e utópico

"O ex-primeiro-ministro José Sócrates defendeu hoje que o Estado social libertou o indivíduo, numa intervenção em que fez um ataque cerrado ao neoliberalismo, advertindo que se trata de um sistema perigoso, porque "ambicioso e utópico"." O texto é da Lusa, que não se esqueceu de notar que o engenheiro Sócrates se apresentou "sem gravata e de calças de ganga". E apresentou onde? Ora essa: "Perante um auditório cheio no ISCTE." Ainda mais do que as "praxes", eis a prova de que o ensino superior vai pelas ruas da amargura.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Na Venezuela, o socialismo chega ao seu destino:

Os assassinatos pelos guardas da revolução e por motivos políticos são o dia-a-dia e em ritmo crescente.

A comunicação social ocidental, incluindo a portuguesa, assobia para o lado. A coisa vai ao arrepio da causa em que militam.




sábado, 15 de fevereiro de 2014

No mímino, aparvalhamento.




Esta surpresa perante uma "estudante" que reclama o direito à humilhação parece-me requentada. Não são a maioria dos programas das TVs nacionais (e se calhar não só), de há muitos anos a esta parte, com particular acutilância na TVI, um exercício de humilhação em função de espectadores que assumem o papel de humilhadores pelo método do voyeur?

Salazar deve rebolar a rir-se na tumba. É a cidadania marxista.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Mais uma parvoeira de pânico por causa dos amiantos?

Aproveitando mais uma febre contra os amiantos, alguém sabe explicar se os tipos de amianto em causa são azuis, castanhos ou brancos? Tal nunca é referido mas, na verdade, a variante branca é inofensiva:

MIRÓ, GRAVURAS E "COLTURA"



A propósito do Miró, um amigo referiu o caso de Foz Côa.
É uma excelente referência.
Na altura, com os cofres cheios do dinheiro cavaquista, Guterres, devidamente tocado à vara pela malta da "coltura" (a malta que pretende que os restantes cidadãos paguem, mesmo que não queiram, as mediocridades que produzem ou gostam), largou uma quantia pornográfica do nosso dinheiro para suspender uma barragem já em construção, porque "as gravuras não sabem nadar".
Ui, as gravuras, ia ser um ror de gente a desaguar ali, resmas de turistas iam transformar o vale do Coa numa Rupestrelândia, e não sei quê. Amanhãs cantariam, as gravuras iam ancorar o desenvolvimento da região, tudo para todos, todos ganham, todos têm prémio, como promete a Alice no seu país das maravilhas.
Calhei na altura ir lá ver as famosas gravuras e o melhor que posso dizer é que só as vi porque um dos arqueólogos que lá andavam, apontava para as pedras e explicava que aquelas sombras e entalhes eram as famosas gravuras. Contornava aquilo com os dedos e a gente via coisas, mais ou menos como o Maduro, da Venezuela, vê o Chavez nos entalhes dos túneis do metro.
E pensei para mim mesmo que só nos sonhos húmidos destes malucos é que aquilo atrairia turistas a sério.
A realidade está ai para provar este ponto.
Enfim, pagou-se principescamente para destruir uma barragem, pagou-se majestosamente para institucionalizar as gravuras e o resultado está à vista: só alguns nerds da arqueologia sairam a ganhar. Os mesmos da "coltura" que berram pelo dinheiro dos contribuintes mas que não metem o dinheiro deles no negócio. Se todos aqueles que berraram desalmadamente pelas gravuras tivessem pagado para as irem ver, se calhar até o prejuizo teria sido mínimo.
O mesmo com o Miró. Se os da "coltura" estão tão empenhados, porque não compram eles as pinturas e instalam um museu?

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Sobre a seita dos defensores da alter-família

[Corrigindo alguns 'erros' ortográficos - recebido por e-mail]

Co-adopção:
Por Marinho e Pinto

O que se está a passar em Portugal com o debate sobre a co-adopção revela a anomia cívica da nossa sociedade e, sobretudo, a degradação a que chegou o nosso regime democrático.

Um sector ultra-minoritário da sociedade, que age como uma seita, impõe arrogantemente as suas certezas e insulta e escarnece dos que exprimem opiniões diferentes.
O fanatismo heterofóbico dos seus prosélitos leva-os a apelidar de "ignorantes", "trogloditas" ou "homens das cavernas" todos os que ousam pôr em causa as suas certezas.

O que se viu no programa Prós e Contras da RTP, na semana passada, foi a actuação de um grupo bem organizado de pessoas lideradas por um fanático que, no intervalo do programa, subiu ao palco e se dirigiu a mim para me dizer que eu estava a usar no debate os mesmos métodos que os nazis tinham usado contra os judeus (!!!).
Esse delírio injurioso foi depois retomado em alguns órgãos de comunicação social, blogues e redes sociais, por outras pessoas imbuídas do mesmo fanatismo e da mesma desonestidade intelectual.

Já, em tempos, uma das próceres da seita, a Dra. Isabel Moreira, me chamara PIDE, para assim "vingar" a actual ministra da Justiça das críticas certeiras que eu lhe dirigia.

Afinal, parece que é nazi dizer que o movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) actua como um lobby que influencia os centros de decisão política devido à preponderância que muitos dos seus elementos têm no Governo, no Parlamento, na Comunicação Social, nas empresas e nos partidos políticos.

Sublinhe-se que os partidos de Esquerda aprovaram a lei sobre a co-adopção exactamente no momento em que o povo mais preocupado (distraído) está com a austeridade que lhe é imposta pelo Governo e pelo presidente da República.

Foi, portanto, assim, à sorrelfa, com a ajuda cirúrgica da Direita, que se aprovou uma lei que ofende a consciência da esmagadora maioria da população.

O que se viu naquele programa da RTP foram exercícios de manipulação, de intolerância e de victimização por parte dos defensores dessa lei e quem manifestou opiniões contrárias foi sumariamente apelidado de "ignorante" ou então brindado com estridentes risadas de escárnio.

Eu próprio fui, no final do programa, veementemente apelidado de ignorante pelo líder da seita e por algumas histéricas seguidoras que o rodeavam.

O casal de lésbicas que ali foi exibir triunfantemente a gravidez de uma delas e proclamar o seu orgulho por a futura criança ser órfão de pai é bem o exemplo da heterofobia que domina a seita.

Que direito tem uma mulher de gerar, deliberadamente, por fanatismo heterofóbico, uma criança duplamente órfã de pai (sem pai e sem nunca poderem vir a saber sequer a identidade dele)? Com que fundamento o Estado se prepara para entregar a essas pessoas crianças que, por tragédias familiares, perderam os seus verdadeiros pais?

É para que sejam destruídas (ou impedidas de nascer), no imaginário dessas crianças, todas as representações que elas têm (ou possam fazer) do pai ou da mãe que perderam?

Esse fanatismo mostra bem o que essas pessoas são capazes de fazer em matéria de manipulação genética com fins reprodutivos - como, aliás, uma das lésbicas deixou subtilmente anunciado no Prós e Contras.

Mas isso será mais tarde. Para já o que importa é garantir que, em nome da felicidade onanística de alguns adultos, se possam entregar crianças a "casais" em que o lugar e o papel da mãe são desempenhados por um homem e os do pai por uma mulher. Seguidamente, para não discriminar os gays e as lésbicas, substituir-se-ão nos documentos oficiais as palavras "mãe" e "pai" pelo termo "progenitores", tal como já se substituíram as palavras "paternidade" e "maternidade" pela neutra "parentalidade".

E quando estiver concluído o processo de "engenharia social" em curso, então passar-se-á à engenharia reprodutiva com vista a permitir que duas mulheres possam gerar filhos sem o repugnante contributo de um homem ou então que dois homens o possam fazer também sem a horrorosa participação de uma mulher.

Estarão, então, finalmente, corrigidos dois "erros grosseiros" da evolução: o de ter dividido os seres humanos em dois géneros e o de exigir o contributo de ambos para a fecundação e para a criação dos seus filhos.

(MP)v

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Vai abrir a época do vira-cassete?

A confirmar-se que há uma sensível retoma do consumo privado, está na altura da esquerdalha indignácara abandonar a cassete de proposta de crescimento por via do consumo para reactivar a cassete dos antros de consumismo desenfreado.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Da estrutura da fome




Poderia ser um título comum a estas três crónicas de Alberto Gonçalves:


A fome e a vontade de comer


O universo dos blogues recuperou um extraordinário texto do ordinário (no sentido não pejorativo do termo) Paulo Pedroso, antigo ministro da Solidariedade. O texto, velho de um ano na prática e de décadas na teoria, é um excelente exemplo dos argumentos por detrás do ódio ao Banco Alimentar (BA) em geral e à sua presidente, Isabel Jonet, em particular.

A tese, se tamanha infantilidade merece o nome, é a de que o BA não passa de um sistema de escoamento dos excedentes dos supermercados, o qual alivia "as consciências sem resolver nenhum problema estrutural". Através de evidências, meias-verdades e cabeludas mentiras (os que doam os serviços ao BA não se reduzem a "escuteiros e toda a rede de voluntários ligada à Igreja Católica"), só falta ao dr. Pedroso reproduzir a linda rábula do peixe, da cana e do pescador para concluir, cito, que prefere dedicar a sua "energia" a "perguntar-se" o que pode "fazer para que diminua este tipo de procura de bens alimentares enquanto a senhora Jonet escoa a oferta".

Talvez seja altura de questionar o dr. Pedroso sobre se a energia que dedica e as perguntas que se faz já deram frutos e respostas. Aposto que não deram: pensar "estruturalmente" a pobreza é tarefa de uma vida e, à semelhança de matutar acerca do destino desta, não leva a lado nenhum. Ou leva a cargos em governos, universidades, fundações, observatórios e empresas "públicas" empenhadas em não suprir as necessidades de nenhum desgraçado até que se possa satisfazer todos os desgraçados da Terra em simultâneo. A "caridade" que tanto repugna o dr. Pedroso compõe a barriga de mil, dez mil ou cem mil famintos, mas isso de nada serve quando não se resolve os problemas que tornam a fome possível, ainda que o processo demore séculos. E se, no entretanto, o pessoal continua à míngua, trata-se de um pormenor que não afecta a cósmica generosidade do dr. Pedroso, corajosamente indiferente a casos individuais e apenas interessado no "conceito". Em tempos, os ricos tinham, e alimentavam, o "seu" pobrezinho. Gente como o dr. Pedroso chama a si os pobrezinhos em peso - desde que não precise de alimentar nenhum.

Não acredito na bondade "pura". Não me custa aceitar que Isabel Jonet também se mova por ambições íntimas, incluindo desejos de notoriedade ou outros. A questão é que, no processo, há pessoas que infelizmente precisam do trabalho da senhora e dele aproveitam. Em contrapartida, abro uma excepção para o dr. Pedroso e similares, que possivelmente são guiados pelas melhores intenções e pelo mais cristalino altruísmo sem que daí resulte qualquer benefício para alguém - excepto, vejam lá a ironia, os benfeitores.

Agora a sério, mesmo que o dr. Pedroso dificulte a tarefa: não me esqueci do autor da maior acção de caridade da história do regime. Falo, evidentemente, do "rendimento mínimo", proeza de propaganda que incluía a "superficialidade" inconsequente que o dr. Pedro critica no Banco Alimentar sem incluir o voluntariado que, em prol da coerência, o dr. Pedroso continua a detestar: no RSI (eufemismo actual), os donativos são arrancados à força.


O reino dos céus


Perante as críticas do Papa Francisco ao capitalismo e aos "mercados", as pessoas que gostam do Vaticano recordam que isso não é mais do que a costumeira doutrina social da Igreja. As pessoas que abominam o Vaticano acham que a retórica é novidade e não só vai arrasar o capitalismo e os "mercados" como, se a coisa correr pelo melhor, arrasará a Igreja. Eu, neutro na matéria, prefiro notar que, apesar do aparente embaraço de uns e do evidente entusiasmo dos outros, o próprio Papa talvez fizesse melhor em começar por comentar o desemprego, a pobreza e a fome nos felizardos países sem inclinações capitalistas e nos quais os mercados se limitam aos lugares onde o povo compra, quando consegue comprar, hortaliças e galinhas. Se a devoção materialista tem muitos defeitos, uma virtude ninguém lhe nega: não se confunde com nenhuma das maravilhosas alternativas disponíveis.


Um caso



O Governo prepara o agravamento do IRC para as empresas com lucros superiores a 50 milhões. O PS defendia a subida da taxa para 7%, o Governo ficou-se pelos 6%, mesmo assim prova suficiente de que, entre nós, o crescimento económico é severamente castigado por lei. As empresas exemplares, dignas de comendas e carinhos fiscais, são as muito pequeninas ou as muito inviáveis. O resto, que felizmente já é pouco, é corrido a toque de impostos, às vezes literalmente e para lá da fronteira. Dado que nos contribuintes particulares a dimensão do saque é ainda maior, a mensagem de quem manda é claríssima: não prosperem. O "neoliberalismo" de sabor português é de facto um caso, não sei se de estudo se de polícia.

Essa ordem em que a UE é tratada sobraceiramete como irrelevante.

O funeral de Nelson Mandela parece o funeral da esperança na África, incluindo a do Sul.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Já nada é certo

O MRPP tardio continua a 'espernear' em jeito de mula grega.

Pensa que o coice é antídoto à burrice própria ...

De cada vez que leva nas orelhas, a criatura 'escoicinha' abundantemente e é dada a tiques que lembra um qualquer híbrido oscilante entre Boaventura Sousa Santos e o major Mário Tomé.Tem ainda umas quantas taras relativamente a Ramiro Marques, pressentindo-o a cada esquina.

Quanto mais lhe põem a verdade à frente dos queixos mais convoca as tripas ao exercício do "pensamento" levando-as sobreaquecimento. O resultado ... ffffff ....

Extreme Railways : Congos Jungle Railway


Jogo das pedrinhas


Cripto-esquerdalhada multiculturalista

A Guerra aqui vai brava, Rio de Prata (não sou eu) vai muito bem.

Neste caso, o espécimen em causa não é um idiota-útil. O idiota útil tem habitualmente problemas de consciência mas evita-os acreditando dogmaticamente. O espécimen em causa pode bem ser classificado como vigarista. Sabe que mente mas não tem qualquer problema de consciência.

Como cereja em bolo, pretende assumir-se como independente.

R.O'Sullivan vs. M.Campbell - UK Championship 2013

From the "I can not believe" department ...



sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Quanto mais armas menos assassinatos

Evidentemente:
According to the report, the "firearm-related murder and non-negligent homicide" rate was 6.6 per 100,000 Americans in 1993. Following the exponential growth in the number of guns, that rate fell to 3.6 per 100,000 in 2000.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Furiosos furacões?

A época de furacões de 2013 foi a mais calma desde 1960.
The 2013 hurricane season just ended as one of the five quietest years since 1960. But don’t expect anyone who pointed to last year’s hurricanes as “proof” of the need to act against global warming to apologize; the warmists don’t work that way.

E mais um cerco ...

... de professores à Assembleia da República acaba em flop total.

Isto tem vantagens. Parece que são cada vez menos os professores que não têm a noção do ridículo.

Burros e sindicalistas (ou vice-versa)




Eis do que se fala em duas crónicas de Alberto Gonçalves:



E o burro somos nós


Já quase toda a gente foi informada de que a edição europeia do New York Times cedeu boa parte da primeira página ao burro mirandês, um animal doce cuja preservação depende de subsídios e que o autor do artigo usou como metáfora para a situação portuguesa, ou pelo menos do interior português. Em vez de nos resignarmos à galhofa e a outras, e evidentes, metáforas, convinha ler o artigo com atenção e notar as palavras de Orlando Vaqueiro, ex-presidente da Junta de Freguesia de Ifanes (160 habitantes), que declarou ao NYT: "Os subsídios são necessários para manter os burros, mas sucede que todos se tornam completamente dependentes deles, logo não existe espírito de inovação nem vontade de modernizar ou produzir mais." Aqui, já nada é metafórico, mas a pura verdade, e é curioso que tenha sido um político a resumi-la. É natural tratar-se um político obscuríssimo e sem sombra de carreira. Para os hábitos caseiros e as vulgares perspectivas de ascensão, o homem é (preencham o resto com o nome de um animal da vossa, ou nossa, predilecção).


Humilhados e ofendidos

(imagem recolhida aqui)

Na falta de um povo que execute arruaças por eles, os próprios sindicalistas resolveram entreter o ócio e passar um dia a forçar a entrada em ministérios. Na falta de um Governo com vestígios de coragem, os sindicalistas não foram recebidos por uma ordem de detenção, conforme seria razoável, mas pelos governantes ou seus representantes, cheios de compreensão e agendas para marcar reuniões com os arruaceiros. Percebo a ideia. Se meia dúzia de larápios me invadirem a casa, a minha reacção natural é aprazar uma almoçarada com os ditos. E se, numa perspectiva diferente, o chefe da repartição de Finanças não me desempatar uma chatice qualquer com a brevidade desejada, furo-lhe dois pneus do carro e tudo terminará entre abraços. Ou não?

Se calhar, não. Num país em que as desigualdades são pasto da demagogia mas raramente preocupam mesmo alguém, é possível que o cidadão comum contemple este espectáculo e sinta que alguma coisa lhe escapa. Porque é que alguns são livres de violar a lei e outros não? Porque é que alguns são julgados instantaneamente após dirigirem uns remoques ao Presidente da República e outros incitam à violência popular sem que lhes aconteça nada? Porque é alguns vêem a vida a andar para trás a pretexto de uma mísera prestação à Segurança Social e outros vêem dívidas de 17 milhões "assumidas" pelos contribuintes em peso? Porque é que eu, você e o meu vizinho do lado devemos obediência à autoridade e um conhecido treinador da bola consegue tratar a autoridade ao tabefe sem consequências dignas do nome? Porque é que delinquentes sem posto são impedidos de trepar a escadaria do Parlamento e centenas de polícias em fúria não? Porque é que deputados recorrem à nostalgia revolucionária para montar "piquetes" e aos benefícios do cargo para evitar represálias?

A impunidade de que tanto se fala e que tanto se condena não se esgota no estereótipo do banqueiro anafado, de preferência com cartola e monóculo. Há imensos privilégios à solta, e cada um implica a humilhação dos que não os gozam. E um gozo a cada menção do lendário Estado de direito.

A guerra a todos e cada um

O ilusionista precisa de uma licença para ter um coelho ...


Os melancias amuaram!

Não tendo sido eleitos não precisam prestar contas:
For the first time ever, environmental groups have staged a mass walkout of a U.N. climate summit. Citing immense frustration…hundreds of people from dozens of environmental groups and movements from all corners of the Earth have voluntarily withdrawn from the talks. According to a spokesperson for Oxfam, around 800 civil society members (which is the label applied to all advocate and activist types at these meetings) have walked out.

Apesar de jamais terem sido eleitos, pretendiam mandar no mundo todo. Podem ter a certeza que vão rastejar para debaixo de um qualquer calhau e aparecer, algures, para tentar repetir a receita.

Afogou-se no próprio disparate

Charles Monnett, o cientista que "estudou" o afogamento dos ursos polares decorrente do "aquecimento global" acabou por se reformar depois de ter andado pelos tribunais a "debater" o caso ...