sábado, 6 de julho de 2013

A teoria crítica em educação vista por um marxista português

No ProfBlog, por Ramiro Marques:


O autor é um conhecido e prolixo professor de ciências da educação da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto: José Alberto Correia. O título: "Para uma Teoria Crítica em Educação". A chancela é da Porto Editora. Leia-se: para um teoria marxista da educação. Os neomarxistas substituíram a palavra marxismo por teoria crítica. Na verdade, são uma e a mesma coisa. A mudança e atualização conceptual deu-se com a Escola de Frankfurt (Marcuse, Adorno e Habermas) e tomou fôlego com a reinvenção do marxismo feita por Antonio Gramsci.

A educação e as escolas tornaram-se o principal palco e instrumento, a par dos media, do processo de construção do socialismo; primeiro, criando as bases psicológicas e culturais para a rejeição do capitalismo; em segundo lugar, abrindo as consciências das novas gerações à utopia comunista. No primeiro caso, o controlo do currículo e dos programas de ensino pelos marxistas, agora travestidos de "nova esquerda", "críticos" e "intelectuais transformadores", assume primordial importância. Visa criar uma ruptura cognitiva com a tradição, reinventando a História, maldizendo o capitalismo, atribuindo-lhe todos os males, tendo em vista espalhar o vazio e do zero construir o novo mundo e o novo homem. Este esquema conceptual - ruptura cognitiva, rejeição da tradição, partir do zero e abertura das consciências à utopia comunista - conheceu o seu zénite e suprema desgraça com o genocídio perpetrado pelos Khmers Vermelhos no Cambodja e duas décadas antes na China com a célebre Revolução Cultural Proletária. Resultado: dezenas de milhões de mortos.

A este respeito, a leitura do capítulo 4 da parte III deste livro é elucidativa: formação e trabalho: da naturalização à historicidade; da descoincidência articulada à subordinação; da desarticulação à flexibilização; da flexibilização à interpelação. E também de toda a parte III: Para uma redefinição socioantropológica da cientificidade em educação; a periferialização dos centros e a centralidade da periferia.

Bom, seja lá o que isso for!

Um autêntico manual de escolástica marxista.

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