segunda-feira, 18 de julho de 2011

A Lógica Alemã sobre a Criação de uma Agência de Rating Europeia, o Mistério da Pílula Dourada e a Cachaça que Não É Água


A Lógica Alemã
1º Se uma futura agência europeia de rating viesse a opinar que a dívida dos países periféricos é lixo, então estar-se-ia a reforçar a opinião das agências estabelecidas, o que seria uma espécie de tiro no próprio pé;
2º Se uma futura agência europeia de rating viesse a opinar que a dívida dos países periféricos não é lixo, então os mercados financeiros internacionais tomariam a opinião por fraude e apegar-se-iam mais à opinião das agências estabelecidas.

Num e noutro caso, as opiniões da bendita agência estariam basicamente a reforçar a opinião das agências malditas, contrariando o propósito inicial e desejado. Logo, a criação de uma bendita "agência europeia de rating regulada para pôr ordem nos mercados financeiros internacionais ávidos de lucro" seria mais um fator de descredibilização da zona euro, como se não bastassem os que já existem.


A Pílula Dourada e os Falsificadores de Bens de Luxo
Como a lógica alemã é uma pílula difícil de engolir a quem acredita que cachaça é água… mineral para ricos, a Chanceler resolveu “dourar a pílula” e declarar que “é importante que a médio prazo a Europa tenha uma agência de notação financeira". O realce é meu, o truque é dela.

É bom de ver que, para os alemães, a médio prazo (3 a 5 anos) a questão estará ultrapassada: provavelmente os países periféricos sobre-endividados estarão fora do euro, e/ou, definitivamente, todos terão percebido que cachaça não é água, pelo que é má ideia pôr rótulos “Kona-Nigari” nas garrafas.

2 comentários:

JOSÉ LUIZ SARMENTO disse...

Se uma futura agência europeia de rating viesse a opinar que a dívida dos países periféricos não é lixo, os mercados ver-se-iam obrigados a optar entre acreditar nela ou acreditar nas 'três grandes', o que só poderia ser feito com base na performance passada. Ora, como a agência europeia não teria performance passada, e as três grandes a têm muito fraca, qualquer das duas opções seria um salto no escuro.
Por mim, como pequeno aforrador e ínfima parte do mercado, estou a apostar contra as três grandes: ainda não pus as minhas poupanças na Alemanha.
O ideal, claro, seria que o mercado do rating fosse concorrencial: que em lugar de três agências cartelizadas houvesse três mil ou trezentas mil cuja sobrevivência dependesse duma performance decente.
À falta delas, a agência europeia, somada às chinesas que já existem e eventualmente a várias outras, parece uma segunda escolha bastante razoável - sobretudo se os seus responsáveis, tirando partido da insuperável fraqueza das três grandes, apostarem tudo na performance (que é o que interessa aos mercados). Mas isto exige tempo, e é assim que interpreto o 'longo prazo' da Sra Merkel.

O-Lidador disse...

Caro JLS, há literalmente centenas e talvez milhares de agências de rating. Até em Portugal existem.
O que valem, depende do valor que outrem lhe dá. É por isso que aquelas três são as mais importantes. Porque o mercado lhes atribui mais valor.
Cometem erros? Claro que sim, tirando o JLS e o papa, não conheço mais ninguém que não erre.
Fazem "inside trading"? Talvez, mas não está provado.

Acontece que, mesmo com um histórico em que existem algumas asneiras grossas, são esta 3 agências aquelas em que os agentes do mercado mais confiam. E não confiam nas chinesas porque é óbvio que as suas opiniões não são credíveis nem independentes. A tal agência europeia, teria de ser independente dos governos e dos interesses políticos. Ganharia credibilidade, hope so, e só então entraria na competição com as americanas.

Quanto a você por as poupanças na alemanha, explique-me lá como é que faria isso, sem residir na Alemanha, ou sem usar ofshores. É que eu gostaria imenso de tb o fazer.