quinta-feira, 17 de Abril de 2014

OS VAMPIROS NADA PODEM CONTRA BOLOS FINTOS E AMÊNDOAS



Publicado há pouco no Ablogando:

Caros/as confrades e amigos/as

   Na tradição, claro, eram flores de alho e rosas brancas. E os monstros tradicionais, literários ou doutra área incluindo a quotidiana, ficavam apardalados!

   Digamos desta forma. O que eles sentiam era um incómodo muito salutar (para os que eles queriam morder, claro, que para eles era uma apoquentação que, em geral, antecedia a picada da proverbial estaca de madeira bem no centro do meio do coração (que não tinham?).

  Mas os tempos, mesmo os literários ou de outras áreas...de retórica romba, mudaram. Ainda que não para melhor. E, vai daí, os antídotos contra a tropa vampiresca também diversificaram o seu cunho, a sua estrutura resistente.

  E é aí que entram as amêndoas, os bolos fintos, o coelho de cachafrio e o anho assado da minha região, as outras coisas todas, saborosas e delicadas, das regiões de cada um. 

 Festejando, fruindo, ora pois não, a Festa. A festa de cada um com aqueles que nos são queridos.

  E - querem crer?! - já que estamos em tempos de Páscoa e a alegria da confraternização nunca eles nos conseguirão tirar  (o que a vampiragem menos gosta é de gente determinada a não se quedar macambúzia, descoroçoada, inerme frente ao temporal destino duma pátria madrasta) insistamos em nos mantermos aprumados, vivos e ao alto pois, como dizia Teófilo, "não basta que se esteja na posição vertical, é preciso manter-se nela".

  Nesta altura, desta natural e específica maneira. E alma até Almeida!

  Muito Boas Festas vos deseja o vosso, com os proverbiais abrqs e bjh

ns


PÁSCOA


1.Vem dos tempos antigos a voz desse tempo - antigos para mim, do meu tempo e não da História: era eu que levava ao forno da padaria do senhor Júlio que fumava de boquilha e tinha um dente de ouro (padeiro fino, não sei se me entendem) as latas com os bolos-fintos e as "enxovalhadas" ou boleimas que a Mãe e a Mana artilhavam com saberes de magas.

  Eu não sabia que era feliz. Só sabia que naqueles dias, naquele tempo de férias da escola, me davam amêndoas, me davam bolinhos doces, me davam alegrias e o Pai até umas suaves moedinhas...

  Eu não sabia que era feliz - e na sexta-feira às 3 da tarde soava o apito da fábrica e isso assinalava que alguém, há muito tempo, morrera de morte triste numa terra do Oriente. E sentia-se um estranho silêncio enquanto o apito soava. E eu sentia um frémito porque eu gostava desse alguém que há muito tempo morrera - sem me preocupar se ele era isto ou aquilo.

  Era um estremecimento, digamos um abraço solidário que ia de mim para ele, porque eu era criança. Ou seja: tinha tantos séculos!

  E não sabia, nessa altura, muitas coisas - só um poucochinho, um poucochinho mais do que sei hoje.


2. Ao longe a serra, ao longe como os tempos que passaram. Tempos de páscoa, serras de páscoa, recordações de momentos que depois preencheriam dias e lembranças.

    Amêndoas, bolos desta terra e daquela, festarolas tradicionais? Sim, isso tudo. E o mais que a emoção dá, que é ir-se vivendo com um resto de inocência e de fraternidade vital.

    Dentro de nós, fora de nós: para nós e para os outros - que também tiveram/terão o seu tempo de maravilhamento e nostalgia.

Nicolau Saião, Ecce Homo, vitral



terça-feira, 25 de Março de 2014

O fardo bancário




Não existem crises financeiras sem culpas avassaladoras da banca. Conceptualmente a possibilidade é admissível mas na realidade, para mais numa tão devastadora como esta, é quase impossível. A banca portuguesa tem alimentado o mito de que, apesar da convulsão mundial, o seu balanço está livre de lixo tóxico e portanto imune aos problemas das congéneres, nomeadamente espanholas. Surge assim como inocente da euforia que gerou o desastre, pretendendo-se apenas vítima dos apertos da recessão. Essa ideia, credível e conveniente durante a fase mais negra, começa a constituir um obstáculo à recuperação.

Deve dizer-se que esse mito foi-nos muito útil a todos. Ele tinha uma base de verdade, pois o sistema financeiro português esteve, por várias razões, bastante afastado do sub-prime americano, razão directa do colapso de 2008. Isso constituiu um bom argumento para manter a reputação dos nossos bancos, precisamente no período em que uma suspeita seria fatal. Em época de tanto tumulto e desconfiança, era crucial manter a credibilidade das instituições bancárias. A base desse negócio, como aliás de toda a moeda, é apenas a confiança; quando ela desaparece, tudo se dissolve em fumo, com resultados socioeconómicos catastróficos. É por isso que abalar a imagem da banca é sempre irresponsável, em especial em momentos de turbulência. Nada do que este artigo diga pretende criar a menor dúvida acerca a solidez dos nossos bancos, que são sólidos e credíveis. Mas isso não deve servir para esconder problemas e evitar ajustamentos dolorosos.

É verdade que a banca portuguesa esteve, na sua maioria, imune ao contágio financeiro global de há seis anos. Mas existiu também uma euforia financeira doméstica, que usou irresponsavelmente crédito interno e externo (este último canalizado através de instituições nacionais) em projectos vácuos e mirabolantes. É bom não esquecer a nossa década perdida do crescimento, desde a viragem do milénio, que paradoxalmente acompanhou o inflar da bolha de dívida. O mundo viveu um período de crescimento artificialmente alimentado por crédito; em Portugal aconteceu o mesmo, só que sem crescimento.

Quando no fim de 2008 as empresas privadas portuguesas atingiram um valor de endividamento de 172% do PIB e as famílias de 101%, a culpa principal é evidentemente delas; mas os bancos não se podem dizer inocentes. Eles tinham de saber que era irresponsável distribuir o dinheiro a tais fins, e que grande parte desses empréstimos iria dar mal, mais cedo ou mais tarde. Um crédito malparado desta dimensão nunca é erro apenas de um dos lados, e o seu custo tem de ser repartido.

É indubitável que existem muitos negócios desvalorizados, se não mesmo moribundos, no activo dos bancos. A segunda metade dos anos 1990 e primeiros anos do milénio foram férteis em projectos optimistas que realmente nunca chegaram a lado nenhum. Os mais conhecidos são as sagas públicas do TGV e o novo aeroporto de Lisboa, mas houve miríades de privados. Pior, muitos igualmente mirabolantes chegaram mesmo a ser criados, para depois nunca terem os efeitos pretendidos. Nesses de novo a fama recobre os exemplos estatais, como o Magalhães e as PPP, mas muitas empresas se meterem em tolices equivalentes, a todos os níveis. Tudo, público ou privado, acaba sempre a apodrecer na banca.

Quando se verifica um caso destes o que há a fazer é estripar o cancro e lavar a ferida. Isso é sempre doloroso mas inevitável. O pior é negação e ocultação, que só aumentam o tumor. Isso podia fazer sentido na época em que o estado geral do doente era tão frágil que a cirurgia era impensável. Agora parece ter chegado a altura de tratar desse assunto.

A economia precisa de crédito para se levantar. Existem até investidores interessados em comprar e recuperar os monos dos balanços bancários, desde que cotados a desconto. Quando a banca se recusa a vender para não assumir perdas, que são evidentes, ela surge como sabotadora da economia que devia servir. Só admitindo a verdade se sai da crise.

domingo, 23 de Março de 2014

A Geração dos 70...







A ternura dos setenta


Não é novidade que o Governo apenas pareça sofrível por comparação com a empenhada toleima da oposição, mas não convém exagerar. Pôr o sr. Marco António às vezes Costa a reagir aos manifestos pela "reestruturação" da dívida - o indígena e o estrangeiro - já é forçar a nota.

Não sei se devido ao assombroso currículo do cavalheiro, se devido à respectiva envergadura (moral), ou se devido à convicção geral de que daquela cabecinha nunca sairá nada vagamente semelhante a um pensamento aproveitável, a verdade é que ver o sr. Marco António às vezes Costa refutar as críticas à governação do País não difere muito de promover o treinador Jorge Jesus a crítico literário. Por algum motivo, ou por inúmeros motivos, há a tendência para suspeitarmos que, quando o Governo de Portugal se deixa representar pelo sr. Marco António às vezes Costa, o Governo é uma anedota e Portugal está perdido. O sr. Marco António às vezes Costa quase inverte a ordem natural e, por contraste, transforma os opositores em gente ponderada e responsável. A sorte do Governo é que depois os opositores contra-atacam e devolvem a harmonia ao universo.

Atente-se, por exemplo e se não for pedir demasiado, em João Cravinho. O promotor do manifesto caseiro considera que o manifesto não caseiro "revela", cito, "que o que dizemos não é nenhum disparate". Tamanha franqueza comove. Sem o notar, o dr. Cravinho admite que a opinião dele e das outras 69 alminhas subscritoras do panfleto nacional importa pouco - pelo menos até que 70 e tal economistas "internacionais" assinem um panfleto a corroborá-la.

Nem vale a pena perder tempo com a evidência de que não custaria encontrar 70 ou 700 economistas de gabarito mundial capazes de ridicularizar o manifesto do dr. Cravinho. Se nas ciências exactas o consenso já é precário, nas artes de prestidigitação como a Economia, o consenso é por definição absurdo. Porém, o que aqui salta à vista é a ancestral submissão ao juízo de valor que chega de além-fronteiras: temos razão na medida em que "lá fora" nos dão razão.

Trata-se de um pequeno tique, infelizmente com consequências de gravidade diversa. Uma coisa é convencermo-nos de que precisamos de um Teatro Nacional porque "lá fora" existem teatros nacionais. Coisa diferente é acreditar no carácter essencial do "investimento" público porque "lá fora" é assim, na imortalidade do Estado "social" porque "lá fora" é assim ou, conforme o dr. Cravinho se lembrará, no sucesso das PPP porque "lá fora" as PPP são assado. E acreditar na "reestruturação" da dívida porque o sucesso do precedente grego salta à vista.

Brincadeiras à parte, o facto é que o Governo, coitado, tem vindo a renegociar a dívida dentro do possível e do aceitável pelos credores. O que os campeões da "reestruturação" pretendem é algo assaz diferente: um milagre que nos dispense de reformas, obrigações e maçadas afins. Um Estado irreformável e intocável. No fim de contas, uma falência colectiva apesar de tudo sem grandes precedentes locais. No fundo, é isto, embora isto soasse mais convincente se não fosse o sr. Marco António às vezes Costa a dizê-lo.


Decretar a prosperidade

Há pouco tivemos o manifesto pela "reestruturação" da dívida. Agora temos o BE, o PCP e o relevantíssimo pingente chamado PEV a pedir que as eleições europeias constituam um voto de protesto contra a austeridade. Sendo partidos parlamentares e pouco admiradores da democracia, não sei o que os leva a esperar pela decisão popular, inevitavelmente incerta e ambígua: a extrema-esquerda podia muito bem cortar caminho e submeter o voto de protesto à Assembleia da República. Com alguma sorte, e a abstenção ou a distracção de meia dúzia de deputados da maioria, talvez se conseguisse proibir a austeridade mediante decreto.

Aliás, é difícil perceber porque é que a austeridade, e não só a austeridade, ainda não foi abolida. Uma nação tão virtuosa e legalista já devia ter interditado por lei a austeridade, a dívida, o défice, a crise, a sra. Merkel, o FMI, a gripe sazonal e a família Carreira. Em contrapartida, urge considerar obrigatório: a felicidade; o salário médio luxemburguês; o crédito externo sem juros nem prestações; a solidariedade europeia; o direito às trufas; o Mercedes; o spa no jardim de casa; o jardim de casa; a casa e a abundância em geral.

É verdade que a Constituição já não anda longe de semelhantes desígnios, mas carece de uma ou duas revisões para consagrá--los. Excepto a realidade, o que nos impede?


A miséria

Não costumo alongar-me nas citações. E certamente não costumo alongar-me nas citações de José Sócrates. Mas corre pelos blogues liberais (não são muitos) um pequeno e esclarecedor vídeo extraído do debate entre o ex-secretário-geral do PS e o ex--chefe do Bloco de Esquerda durante a campanha eleitoral de 2011. O debate é moderado por Clara de Sousa. A certa altura, o eng. Sócrates propõe-se esmiuçar um tema hoje relativamente em voga:

"- Vamos ao essencial da sua proposta: o que é que Francisco Louçã propõe para resolvermos o problema? Diz assim: vamos reestruturar a dívida. O que é que significa reestruturar a dívida? Reestruturar a dívida é um termo técnico. Isto significa não pagar parte da nossa dívida.

- Isso seria trágico para Portugal, eng. José Sócrates?
- Absolutamente trágico!
- Quais eram as consequências para o País?
- Vou responder. Isso significa calote aos credores. Isso significaria, em primeiro lugar, Portugal passar imediatamente a fazer parte do lote de países que não cumprem, da lista negra. Isso significaria desde logo o colapso do sistema financeiro, porque nenhum dos nossos bancos, nenhuma das nossas grandes empresas se poderia, digamos assim, financiar. E isso teria consequências gravíssimas na nossa economia, nas empresas e nos trabalhadores. Pagaríamos isso com desemprego, com falências e com miséria, Francisco Louçã. É por isso que essa proposta é absolutamente irresponsável."

Por irresponsável que também tenha sido a governação do eng. Sócrates, houve momentos em que, por comparação com os delírios dos partidos comunistas, o homem passava por um estadista sensato (principalmente se esquecermos que a dívida em questão fora, em larga medida, criada por ele). Este é um desses momentos, por um lado abonatório para o antigo primeiro-ministro, por outro desanimador para Portugal, cujas alegadas elites, alegadamente de todas as cores políticas, exigem agora de modo oficioso a reestruturação da dívida, leia-se o tal calote, o tal colapso e a tal miséria.

Ou seja, à esquerda, à direita e ao centro, hoje existe pior do que o eng. Sócrates, incluindo o próprio, que um destes dias se declarou de acordo com o célebre manifesto dos 70, logo em desacordo consigo após meros 3 anos. Por cá, o pessimismo é uma aposta segura.

quarta-feira, 19 de Março de 2014

Dos espiraleiros "preocupados"


É muito interessante ver-se protestar contra o empobrecimento reclamando-se do estado que tome medidas.

A única medida que o estado pode tomar para promover a criação de riqueza para todos é saindo do caminho.

Como dizia o grande Reagan, o estado não é um problema, o estado é o problema.

A única ferramenta eficiente e eficaz na criação e distribuição/redistribuição de riqueza (sem excepções) é o capitalismo liberal. Em contraponto, a única que sistematicamente (sem excepções) faz o contrário, é o socialismo.

O capitalismo tem oscilações, mas são oscilações dentro do veio principal: cria e redistribui riqueza. O socialismo limita-se a ter sucesso enquanto não se acaba o dinheiro dos outros.

Quanto mais estado mais dinheiro torrado.

sábado, 15 de Março de 2014

Informação e desinformação

Informação e desinformação: a mesma ferramenta usada na "educação" em Portugal pelos construtivistas. Duas coisas que eles adoram seringar:

1 - Que o PCP lutara contra Salazar para libertar o povo
2 - Que o regime de Hitler era de direita


sexta-feira, 7 de Março de 2014

Campanha a favor do fundo "Vamos Trazer Fernando Tordo Para Portugal".

Excelente:




Já está disponível na Grande Loja Blasfema a linha de produtos Guarda Che, vocacionada para revolucionários de sofá, que vêem na polícia a oportunidade para se queixarem de brutalidade policial e/ou para serem os verdadeiros revolucionários defensores da verdadeira democracia, consoante os dias.
Ontem quase que houve uma verdadeira revolução nos sofás, com o frenesim a alternar entre SIC Notícias, RTP Informação e TVI 24, colocando o Twitter no limiar do selfie e o Facebook a igualar status pró-revolução aos de fotografias de gatos.

As telenovelas começaram quase 20 minutos depois do horário previsto, pondo em causa a hora de recolhimento ao leito da geração mais bem preparada de sempre, demonstrando a necessidade de mais espectáculo para entreter massas na defesa do Estado Social em vias de destruição ideológica por governos com incapacidade para obrigar estrangeiros a financiarem défices nacionais. Durante 20 minutos todos fomos, e por esta ordem, iranianos, iraquianos, tunisinos, gregos, islandeses, egípcios, sírios, cipriotas, ucranianos, venezuelanos, crimeios(?) e, por fim, adeptos de estados policiais.

O Blasfémias compromete-se a doar 20% dos lucros obtidos com esta colecção para o fundo Vamos Trazer Fernando Tordo Para Portugal.

quinta-feira, 6 de Março de 2014

URSS versus EURSS com Obama no papel de apanha-bolas

Duvido que a coisa não esteja já resolvida. A Ucrânia sai da influência da URSS para entrar na da EURSS e a Crimeia passa a fazer parte da URSS.

Putin tem a dupla vitória de anexar a Crimeia e deixar no 'regaço' da EURSS um país completamente falido e cheio de russos.

Se tocarem nos russos da Ucrânia, Putin inferniza a vida aos ucranianos da Crimeia.

A realidade tem horror ao vazio

Os idiotas do politicamente correcto fazem de conta que desconhecem esta:
"Mas há um velho princípio de política internacional que Obama parece ter ignorado: não existe espaço vazio na comunidade internacional, e quando ele surge imediatamente é preenchido por alguém."

"Vou implantar o Socialismo no Brasil", diz Lula à Walesa


domingo, 2 de Março de 2014

O PT roubou


Dos "adeptos da versão “bolivariana” do comunismo de sempre"



Só um golpe militar pode salvar o Brasil. Não é certo que salve, mas pelo caminho que por ali se trilha é uma boa hipótese alternativa.
"Os militares em reserva se têm somados aos civis que enxergam em uma atitude das Forças Armadas a tábua da salvação para a Pátria ameaçada, quando não são eles próprios os alvos do clamor daqueles que já identificam nas imagens dramáticas da capital venezuelana a cor fúnebre do nosso destino."

sábado, 1 de Março de 2014

O STF do Brasil foi lobotomizado

O Brasil parece ter definitivamente entrado em ditadura comunista. O golpe armado pela esquerdalha no supremo, deixa poucas dúvidas.

O "professor" é Roberto Barroso, juiz do Supremo Tribunal Federal e toupeira do Foro de S. Paulo..