domingo, 20 de Julho de 2014

Ai batebate, bate com jeito! Ai batebate, esfrega ca mão! - ou Um muçulmano moderado

Das aventuras do Pato Donald







António, um rapaz de Lisboa





A cada semana, António Costa revoluciona a ciência económica. Primeiro foi a tese de que a riqueza é preferível à austeridade, inovadora aplicação na macroeconomia do princípio de Maria Antonieta. Depois, descobriu que o problema não é o excesso de licenciados, mas a falta de empregos para licenciados (criam-se os empregos e a chatice fica resolvida). Agora, explicou a uma embevecida plateia de sindicalistas que "não há crescimento sustentável com endividamento, mas também não há crescimento sustentável com empobrecimento", sentença que se comenta sozinha.

Se não se aproximassem as férias, o Dr. Costa ainda estaria a tempo de dizer que: 1) o investimento público é melhor do que o privado excepto nos casos em que o investimento privado é melhor do que o público; 2) o Estado social é sustentável desde que saia baratinho aos cidadãos; 3) Portugal não deve sair do euro enquanto os euros entrarem em Portugal; 4) pelo menos na perspectiva dos destinatários, os salários altos são preferíveis aos salários baixos; 5) o Pato Donald é um boneco.

Brincadeiras à parte, o que é isto? Não é de agora que Portugal não se pode queixar em matéria de produção de políticos absurdos. Mas entre as nulidades sem uma ideia na cabeça e o Dr. Costa, em cuja cabeça fervilham centenas de ideias desconchavadas, vai uma diferença considerável. Já nem falo da tentativa de vender o homem a título de salvador da pátria: falo do homem propriamente dito e da deprimente comparação com aqueles a quem sonha suceder. Ao pé do Dr. Costa, Passos Coelho passa por um modelo de estadista, Sócrates por um sujeito quase ponderado, Santana por um governante responsável, Barroso por um gigante do pensamento, Guterres por um paradigma da racionalidade financeira e Cavaco, ele sim, pelo salvador da pátria que nunca foi. Perante o Dr. Costa, até o jovem António José Seguro parece habitar o mesmo planeta que os restantes mortais.

Em suma, o Dr. Costa é um embaraço ambulante. Logo, provavelmente será depois do Verão o líder do PS e, se os amigos o mantiverem calado entretanto, hipotético primeiro-ministro no ano que vem. Um pessimista vê à distância e, na lógica do "depois de mim virá", tende a imaginar que espécie de calamidade pode aparecer ao País após o Dr. Costa. Um optimista desconfia que, após o Dr. Costa, é improvável haver País.



O BE que fica e o BE que parte




Em geral, tendemos a pensar no Bloco de Esquerda enquanto uma agremiação divertida. Dispõe bem contemplar à distância os movimentos de grupos, subgrupos e facções de um único indivíduo que diariamente abandonam esse partido moribundo a caminho do PS e das carreiras com que o PS, sobretudo o PS do Dr. Costa, lhes acena. O facto de todos os fugitivos se desculparem com a necessidade de "contribuir para convergências à esquerda" torna a brincadeira hilariante. O pormenor de todos se esconderem atrás de siglas, organizações, princípios e estatutos solenes eleva a brincadeira ao nível da grande comédia.

Ocasionalmente, porém, um pedacinho da realidade irrompe para nos lembrar da natureza do BE, e de que esta não é só galhofa. O Médio Oriente, por exemplo. Bastou Israel reagir aos constantes ataques sofridos a partir de Gaza para o BE vir falar em "banho de sangue" e propor as sanções económicas do costume. E o costume inclui o desprezo do BE face a um Estado civilizado e a simpatia pela barbárie mais à mão. O costume é o BE negar as "causas" que lhe valeram 15 minutos de fama em favor do seu exacto reverso.

O ódio aos ricos? Os líderes de Gaza passeiam-se em aviões de luxo e apascentam fortunas em contas offshore. Os direitos LGBT? Em Gaza a homossexualidade é punida por lei e os seus praticantes fogem da tortura rumo a uma certa nação vizinha. A igualdade de género? A islamização do território reduz as mulheres a um pechisbeque silencioso e reprodutivo. A violência doméstica? Calcula-se que mais de metade das mulheres locais seja espancada pelos maridos pelo menos uma vez por ano - tradicional e recatadamente. E há as restrições às artes e à internet. O racismo oficial. A imposição violenta da "virtude". As conversões forçadas de cristãos. E, numa prática que o BE lamentará não se usar por cá, o fuzilamento de dissidentes.

Sob o verniz da trupe burlesca e as mesuras progressistas para consumo dos simples, o BE, o que parte e o que resta, é essencialmente isto: criaturas avessas à democracia que usam o sistema democrático para ganhar a vida. Darmo-nos ao trabalho de as distinguir é tão inútil quanto perguntar-lhes porque é que a indignação que Gaza lhes suscita não se estende à Síria ou ao Egipto. Ou porque é que só nas recentes implosões eleitorais descobriram intolerante um partido que nunca foi outra coisa. Ou porque é que, em suma, se confere relevância pública a declarados ou dissimulados inimigos do público.



Um mundo de fantasia




Desde os 10 ou 11 anos que não leio banda desenhada, incluindo aquelas de super-heróis. Se lesse, não as reconheceria. Ao que consta, Thor (o semideus escandinavo com martelo de São João) é agora uma mulher. E o Capitão América vai ser preto, perdão, afro-americano. Mas, informam os autores da mudança, não será um afro-americano qualquer, e sim "um homem moderno em contacto com os problemas do século XXI". Isto é, o novo Capitão América "terá uma maior empatia com os mais desprivilegiados" já que, cito, "foi assistente social". Apetecia-me deixar um comentário sobre a terminal idiotia do nosso tempo. Porém, enquanto o Homem-Aranha não for "transgénero" e Hulk não acumular as aventuras com a presidência de um observatório, julgo ainda haver esperança.



sexta-feira, 18 de Julho de 2014

Os intelectuais de esquerda, o vento e o ouro


Aos intelectuais de esquerda, peso de ouro não se lhes aplica porque, segundo eles, o ouro é como o vento, um recurso natural, logo gratuito.

Dos órfãos de Piaget

É bom que aqueles que ao longo do tempo se foram habituando e propalando a pestilência das teorias de Piaget continuem com essa mesma conversa sem se apercebam que ... já deu. Enfim, habituara-se a falar sozinhos e convenceram-se que a sua própria voz lhes dava razão. Se continuarem assim é excelente, mas "amigo não empata amigo". O mundo em que cada um ouve o outro e tenta perceber se ele tem razão ou não sempre funcionou e continuará a funcionar, apesar dos tontos que insistem que afiar o sílex num sabonete é a melhor coisa que há.

Austrália enterra a totalidade da tralha legislativa climática

Daqui por 10, 15 anos faremos o mesmo e sem jamais perceber que andámos anos a fazer tonteiras. Fá-lo-emos porque todos os outros já terão feito.

quinta-feira, 17 de Julho de 2014

"Legislação" anti-SPAM

Há já uns bons anos, um garboso deputado fascista cripto-comunista e maçon, entretanto convertido a deputado fascista, cripto-socilaista e maçon, resolveu, na “qualidade” de especialista em Internet, propor legislação para proteger os cidadãos do SPAM.

Resultou da pestilenta coisa uma caterva de proibições mais ou menos idiotas e a obrigatoriedade de se incluir no hipoteticamente legítimo mail um “mecanismo” para que os destinatários pudessem optar por deixar de receber tal tipo de coisa.

Evidentemente que data a que o zenital deputado se auto-acometeu da ideia, já havia organizações que se dedicavam à fichagem de abusadores e à publicação generalizada de listas de fazedores de desacatos e de com quem com eles pactuava por passividade (ISPs). Os processos foram evoluindo e hoje a coisa está substancialmente controlada, a não ser que se seja particularmente tosco. De uma forma ou outra, a legislação nem para limpar o término inferior do tubo digestivo alguma vez serviu.

Para se perceber o nível de cretinice da ideia, a primeira coisa que alguém que aprenda algo sobre SPAM fica a saber é a jamais deve responder ao SPAM (nunca deve utilizar o tal “mecanismo”) porque esse gesto não é, para o prevaricador, mais do que a confirmação, fresquinha, de que o destinatário existe, lê o que lhe enviam e, consequentemente, o endereço dessa vítima adquire o valor especial de, digamos, certificada e disponível vítima.

Quem recorrer ao tal “mecanismo” passa a receber quantidades muito superiores de SPAM porque, sem saber, apenas aumentou o valor como alvo do seu endereço de e-mail. Ainda hoje a legislação serve para garantir um competente volume de carne fresca.

Mas é assim o mundo dos imbecis auto-acometíveis a descobridores de problemas e proponentes de soluções.

Cookies na "europa"

Os burros da "europa" resolveram inventar um problema chamado cookies.

Muitos sites usam cookies e as vacinas ou equivalente software são a única ferramenta capaz de avaliar a respectiva perigosidade, seja por agressividade aos sistemas seja por problemas de privacidade.

Mas os cretinos de Bruxelas resolveram inquietar-se e legislar sobre a obrigatoriedade de se ser avisado sobre a utilização de cookies.

Nada adianta saber-se que se usa ou deixa usar, tanto mais que se podem configurar todos os browsers para os aceitar ou não. Mas os cretinos inquietaram-se.

Está-se hoje a ser sistematicamente informado que cada site usa cookies perguntando se se concorda com a sua utilização e, naturalmente, ou a responder afirmativamente ou não ou a ignorar os avisos o que, para 99.999% das pessoas nada adianta. De qualquer forma, está-se constantemente a receber mensagens relativamente ao assunto.

Gente buuuuuuuurra. Quem me dera poder chapar um gato morto às trombas do imbecil que teve tal ideia, até que o gato miasse.

Ventos político-financeiros



Não consigo perceber a insistência histérica do PCP em exigir a nacionalização do BES.
Ou será que percebo...?

terça-feira, 15 de Julho de 2014

O PSD e a parvoeira das energias "verdes" ... mais uma vez

Aqui, aos 19:30, explica-se muito bem em que é que o governo além de estar a meter a pata na poça com esta coisa de manter a tralha verde a está a agravar acentuando o buraco.

Executando a política energética que se propõe, não se ajuda a indústria, afunda-se a indústria.

Não haverá indústria com o KW de energia ao preço do pão-de-ló.

A conclusão a tirar só pode ser uma. O PSD está, ombro a ombro com todos os restantes partidos (sem excepção), absolutamente dominado pelo lóbi das renováveis.

Portugal por...






Contracultura

Não vou mentir: houve um momento em que quase duvidei da capacidade de António Costa para regenerar o País. A culpa não é minha. Sucede apenas que, de tanto se habituar a políticos medíocres, uma pessoa sente dificuldade em distinguir a grandeza à primeira vista. Porém, à segunda não falha.

A minha epifania com o Dr. Costa aconteceu no dia em que li o manifesto "A Cultura apoia António Costa", e reforçou-se no dia em que o Dr. Costa se reuniu com "centenas de intelectuais" disposto a demolir convenções caducas. Em situação de crise, o populista comum falaria do desemprego e prometeria trabalho, falaria da dívida e prometeria crescimento, falaria dos pobres e prometeria compaixão. E melhor saúde e justiça mais equitativa, e educação mais capaz. O Dr. Costa ignorou estas palermices, foi directo ao que de facto importa e prometeu um Ministério da Cultura. A casa, no caso o Mercado da Ribeira, em Lisboa, veio abaixo - felizmente em sentido figurado.

Confesso que me rendi naquele momento. Não faz sentido pensar em distribuir benesses aos pobres ou à classe média sem antes assegurar que os intelectuais recebem a sua parte do bolo. Nas palavras, sempre belas, da escritora Lídia Jorge, "o sector cultural é um pulmão do corpo social", e ninguém de boa-fé deseja que Portugal sufoque. De que serviria uma economia pujante (as pernas da sociedade) ou o equilíbrio das contas públicas (os cotovelos) se a Cultura, com gigantesco C, agoniza com enfisema por falta de intervenção estatal? Dito de outra maneira, de que nos vale uma nação próspera em que a dona Lídia carece dos estímulos necessários à respectiva obra?

E quem diz a dona Lídia diz qualquer um dos intelectuais empenhados em consagrar o Dr. Costa, os quais, por definição, sabem aquilo que nos convém a todos. Se Virgílio Castelo recomenda o Dr. Costa, para mim chega. E se Luís Represas também o faz, para mim sobra. Eu quero estar onde estão Paco Bandeira e Tomás Taveira, Io Apolloni e Maria do Céu Guerra, Nicolau Breyner e Isabel Alçada, o Sr. Júlio do cavaquinho e António Mega Ferreira, Diogo Infante e Júlio Pomar. Por que carga de água duvidaria da superior percepção, face aos mortais, do realizador João Canijo e da fadista Mísia? Haverá alguém suficientemente burgesso para questionar o caminho apontado por Ana Zanatti e Alice Vieira?

Agora a sério. O ódio da "Cultura" à independência e à liberdade, passe a redundância, talvez não seja tão grande quanto o desprezo pela sociedade que diz ajudar a respirar. Ainda assim, não sei o que é pior, se a desmesurada presunção dos vultos citados, se a possibilidade de no eleitorado haver uma quantidade significativa de gente influenciável pelos vultos. Caso a haja, merece tudo de mau, incluindo a Cultura dos simples e o Dr. Costa.


O regresso das caravelas

Antes do jogo do Brasil com a Alemanha, um colunista do jornal Globo acusou a Presidente indígena de usar o Mundial de futebol como indicador do sucesso do seu Governo. Não sei quem vive mais fora da realidade, se o colunista se a dona Dilma. Em matéria de "projecção" internacional, realizar um evento daquelas dimensões no Brasil foi uma ideia tão luminosa quanto fazer um filme promocional de Dresden em 1945. Ao começar por chamar a atenção para a bola, o Mundial acabou a chamar a atenção para o resto: a miséria, a violência, a repressão, o caos, o atraso, a corrupção e uma economia que, há um par de meses, o responsável de um banco dinamarquês considerou a pior entre as dezenas de países que visita anualmente.

Aparentemente, a ideia, típica dos populismos latinos e de dois ou três regimes do hemisfério norte, era a de que o êxito desportivo disfarçaria o desastre fora do desporto. Ao que consta, o Brasil levou com sete golos e cada um ajudou a realidade a aproximar-se da superfície: o campeão mundial dos fracassos (cito de novo o Sr. Steen Jakobsen) conquistou mais um triunfo. E, se reeleger uma criatura com o esclarecimento e a seriedade da dona Dilma, não ameaça perder o título nos próximos tempos. Os tumultos e as lágrimas posteriores à goleada sugerem que a realidade local, submersa em doses variáveis de ressentimento e sentimentalismo, continua a ser um mistério para os autóctones.

E para muitos estrangeiros também. Numa daquelas rajadas de inanidades que alegram o dia de qualquer um, o sociólogo Boaventura de Sousa Santos apareceu a explicar que a União Europeia "morreu com a crise grega" e que Portugal e a Europa devem procurar "alternativas, olhando para o Sul global". Ao cuidado dos que já desataram a rir, informo que o melhor ainda vem aí. Ei-lo: é urgente um "regresso das caravelas", com uma "política renovadora de conhecimento", em busca da "inovação e das experiências de luta e de resistência do Sul".

Traduzido em português menos alucinado: a Grécia (e Portugal) arruinou-se, logo há que encobrir as causas da ruína - em suma o excesso de estatismo, a inépcia e a trafulhice - e proclamar a falência do projecto europeu, que por sua vez abre as portas à aprendizagem com calamidades em forma de nação, do Brasil à Venezuela, da Bolívia ao Uruguai. Num ápice, os gregos (e os portugueses) ficariam com saudades da penúria vigente, mas sofreriam uma penúria terminal arquitectada pelo Dr. Boaventura, obviamente um consolo. No fundo, dado que o prestígio dos idiotas aumenta em função da desgraça alheia, trata-se de convencer os alcoólicos a acrescentar ao currículo os prazeres do jogo e da cocaína.

Em princípio, é improvável que um adulto diga estas coisas a sério. Sucede que, no Sul das "alternativas", milhões de adultos não só dizem coisas similares: pensam-nas e votam em conformidade. Não admira que o Sul desperte a inveja da Terra. E não admira que, numa prolongada vénia ao absurdo, o Dr. Boaventura arrisque um comentário sobre a selecção portuguesa, que acha "o espelho do País: sem soberania e sem aspirações". Miremo-nos, pois, no Brasil. As caravelas estão prontas?


O que é preciso é saudinha

Só um coração empedernido não se comoveria face à greve dos médicos, sempre a zelar pelo bem-estar dos utentes. No Telejornal, um utente particularmente felizardo explicava que fizera 70 quilómetros para uma consulta que, afinal, não houve. Como ele, muitos viram as consultas adiadas ou canceladas. Aos mais afortunados aconteceu o mesmo com as cirurgias.

Em Portugal, morrem por ano cerca de três mil pessoas por negligência médica ou, para usar um termo brando, por "evento adverso". A Deco calcula que 60% dos portugueses receiam ser vítimas de erros médicos e que 58% já se queixaram formalmente dos ditos. Não é preciso ser sobredotado para perceber que um simples dia de greve reduz em 1/365 semelhante flagelo, que um mês e pouco de greve reduziria o flagelo em 10% e que uma greve permanente e ininterrupta acabaria com o flagelo de vez.

Quando se acusa a classe médica de corporativismo, esquece-se que nenhuma outra corporação assumiria com tamanha frontalidade as próprias limitações e falhas. E quando os médicos dizem que a sua "luta" é em defesa da nossa saúde, não estão a brincar. Até porque, é sabido, com a saúde não se brinca.

O PSD e o eco-terrorismo

O maior congestionamento das cidades são as toupeiras "ambientalistas".

Ainda ninguém percebeu que nenhuma cidade em Portugal se aproxima, nem a milhas, de uma cidade realmente congestionada?

Ainda ninguém percebeu que a vida nas cidades se tem tornado mais difícil porque as câmaras, mais ou menos todas, passaram a encarar a cidade como estado ao seu serviço e as tem gerido para potenciar as suas receitas?

Ainda ninguém se apercebeu que sendo as nossas cidades com problemas de trânsito, ou cidades antigas ou cidades em que se permitiu uma densidade de construção absurda (olhem para Massamá), as câmaras permitem sempre o aumento de densidade de construção desde que inclua estacionamento nas caves, exactamente para aumentar o tráfego e aparecerem agora com a solução ... "taxar" o tráfego?

Portugal continua a caminhar a passos largos rumo a uma formulação de estado fascista, tão ao agrado da esquerda, um estado em que cada departamento do estado é dono do país ao ponto de poder pôr e dispor não só do território como da propriedade privada incluindo a capacidade de inovar nas empresas via aplicação de regulamentação asfixiante.

Este tipo de medidas são tralha de cariz eco-terrorista, sem qualquer espécie de utilidade, destinadas a aplicar mais um garrote ao desgraçado do contribuinte a quem resta passar a pedir que lhe seja aplicada a legislação de protecção animal.

Ainda quanto ao "congestionamento" já alguém se 'congestionou' pensando que já se acabou com estacionamento para dar lugar ao transporte público e que seguidamente se derreterem centenas de faixas de BUS para implementar estacionamento que viabilizasse por exemplo o "projecto" EMEL de crescimento da dimensão do estado? Que durante a implementação desse mesmo projecto de "criação de emprego" se derreteram não só centenas de faixas BUS como centenas de passeios, tão necessários até então para que "a cidade tivesse espaços livres de carros"?

Já alguém reparou que esses "projectos" de "criação de emprego" provocam pobreza e problemas sem fim porque deles não resulta qualquer mais valia, apenas despesa da qual nenhuma criação de riqueza resulta?

Armem-se em marxistas e depois queixem-se que a malta não vota porque são apenas mais um muito parecido com os outros.

Se há coisa que pelo mundo civilizado fora está fora de combate na opinião pública são os "ambientalistas" marxistas do tipo QUERCUS ou GreenPeace. Portugal, nesse debate, está atrasado mais de 10 anos e assim vai continuando porque este governo continua infiltrado dessa escumalha.

O BES e as renováveis

Está a passar em branco, na imprensa nacional, que a encrenca que o BES atravessa deriva de negócios da família Espirito Santo, no Brasil, no campo das renováveis. Meteram-se com marxistas e em renováveis. Bastava um para irem à falência. Isto tresanda a tráfico de influências, financiamento partidário, marxismo internacional, tentativa de entre-cruzamento com o estado por troca de favores, as habituais habilidades do socialismo fascista.

Esperemos que as comadres se zanguem mesmo.

segunda-feira, 14 de Julho de 2014

Não, a culpa não é do Costa

Por Helena Matos (assino por baixo):

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Dizem os títulos que “Seguro culpa Costa pela descida do PS nas sondagens”. Mas não, a culpa não é de António Costa. Dizem outros títulos “Costa: sondagem revela necessidade de mudança” mas valha a verdade que a culpa também não é de Seguro. Apetece dizer que a culpa é do socialismo que enquanto ideologia assente na distribuição do dinheiro dos outros não encontra o seu caminho nestes tempos em que o dinheiro próprio acabou e o dos outros implica juros. Mas também isso não é suficiente enquanto explicação. Aliás não é impossivel construir um discurso socialista sobre justiça fiscal, estado social… Assim os socialistas o quisessem.

Mas voltemos à culpa ou, melhor dizendo, ao estado de estupefacção dos socialistas pelo facto de, caso as legislativas tivessem lugar agora, a coligação governamental sair vitoriosa. A culpa deste resultado é da burguesia. Não da burguesia que vota no PSD ou no CDS. Em primeiro lugar porque não é certo que a burguesia vote maioritariamente nesses dois partidos e sobretudo porque os votos da burguesia não são suficientes para ganhar eleições. Já a visão burguesa do mundo pode ser mais que suficiente para que se percam. E é esse o maior problema do PS e de muitos dos seus congéneres europeus: tornaram-se partidos burgueses.

Os socialistas vêem o mundo e os eleitores do interior da sua redoma de altos quadros da administração pública, dos institutos, das ordens, das fundações e dos observatórios e sobretudo vêem-no pelos olhos burgueses dos seus compagnons de route que fazem manifestos da cultura com as sucessivas personalidades em que a esquerda vê um D. Sebastião. A burguesia que tomou conta da esquerda em geral e dos socialistas em particular vem maioritariamente de um mundo estatal ou dependente dele em que o contribuinte paga o ordenado, o projecto, o sonho… e o logotipo.

Mais do que em qualquer outro campo ideológico a nomenclatura socialista vive num mundo confortável, civilizado e protegido, facto que em si mesmo nada tem de condenável mas que politicamente transforma os socialistas numa espécie de forasteiros no seu próprio país: arrancam as vestes pela escola pública mas não põem lá os filhos. Consideram-se pais do SNS mas vão tratar-se nos hospitais privados. Defendem mais impostos para financiar empresas públicas de transportes mas há anos que não andam de autocarro ou de comboio. E por isso não só falam do que não conhecem como prometem o que não podem.

Dir-se-á que os outros partidos fazem o mesmo. Mas do PCP e do BE não se espera que sejam governo, o que lhes permite que o seu discurso político seja uma espécie de ficção em causa própria. Quanto ao PSD e ao CDS estão por agora condenados a governar, o que para fúria das respectivas élites, cujo maior desejo era serem uma espécie de excêntricos num mundo naturalmente socialista, os obriga a um mínimo de senso. A culpa pela descida do PS nas sondagens não está portanto em quem os lidera ou aspira a liderar mas sobretudo no facto de os socialistas terem um discurso de oposição mas não de governo.

Burguesmente (só os burgueses sonham com revoluções!), muitos dos notáveis socialistas até sonharam com os subúrbios a arder. Alguns andaram a reler os textos sobre o Maio de 68. Os jornalistas inebriados davam conta de encontros fundadores, refundadores, dinamizadores e redinamizadores da esquerda, das esquerdas e das esquerdas das esquerdas. Os participantes chegavam a esses encontros em carros de serviço, fatos de bom corte e falavam de suicídios, país destruído e fome. Depois abraçavam-se, choravam os tempos em que tinham sido jovens e partiam apressados para o conforto das suas casas, de um bom restaurante ou de um outro seminário regiamente subsidiado para que eles se pronunciassem sobre a decadência do sistema. Em certos momentos tudo aquilo parecia um encontro de velhos escritores neo-realistas sem leitores mas com excesso de personagens e cada um deles a querer ser o narrador. Omnipotente, omnisciente e omnipresente.

A crise existiu e existe mas a esquerda em geral e os socialistas em particular falaram de uma crise que nunca existiu naqueles termos. Ou melhor dizendo, existiu mas há muitos anos. Mas como a esquerda portuguesa não só nunca se libertou de Salazar como vive obcecada com ele, por força entendeu que os portugueses estavam a regressar a padrões de vida semelhantes aos dos anos 30 do século passado (também poderia ser aos anos 20 mas isso não dá jeito porque no princípio dessa década ainda não existia o padrão-Salazar, logo a fome a repressão não são mencionáveis.)

À semelhança dos repórteres do New York Times que acharam adequado ilustrar a crise em Espanha com fotos onde se viam pessoas mexendo em caixotes de lixo, omitindo que a maior parte dos fotografados eram emigrantes que por sinal, e ao contrário do que acontece nos EUA, onde também podiam ser fotografados em situações similares, gozam de garantias legais e acesso a cuidados de saúde gratuitos, também os socialistas criaram uma ficção de país para os sound bytes que não coincide com o país real.

E assim não perceberam que esta crise estava a ser diferente. E curiosamente estava a ser diferente por causa de uma bandeira que o PS tanto reivindica: o estado social. A protecção social impediu que a crise tivesse os contornos desenhados nas aulas magnas da vida mas, ao apostarem na inevitabilidade de um segundo resgate e ao apresentarem um retrato de Portugal atravessado por hordas de esfomeados e candidatos ao suicídio, os socialistas ficaram reféns dos resultados necessariamente maus que o governo teria de apresentar. A este erro grosseiro de se colocar nas mãos do adversário, os socialistas juntaram outro: o de não apresentarem propostas credíveis àqueles que estavam e estão a pagar a crise com os seus ordenados que baixam, com os impostos crescentes, com a ameaça do desemprego e que por isso mesmo se tornaram muito mais cautelosos perante as promessas de crescimento e riqueza fácil.

Aprisionados no imaginário da Aula Magna e dos encontros das esquerdas, os socialistas esqueceram-se que o povo que antes não tinha nada a perder agora tem. Tem pensões, subsídios, apoios, reformas, medicamentos, ordenados, complementos… Logo o que está em causa não é Seguro, Passos ou Costa mas tão só quem garante que o edifício não se desmorona.

Ao entrarem em promessas miríficas de abrir serviços que encerraram, repor valores de pensões sem aumentar impostos e, por fim mas não por último, ao não serem capazes de assumir as suas responsabilidades nesta crise, que é o mesmo que dizer ao não terem sido capazes de se distanciar de Sócrates, os socialistas desbarataram aquele que era o seu verdadeiro trunfo: convencer os portugueses de que eles conseguiriam fazer melhor. Ao optarem por criticar cada medida como se ela fosse desnecessária e não errada os socialistas deixaram que seus críticos os apresentassem como tendo um único projecto: que Portugal regresse ao modo de vida que teve até 2012. O que politicamente é uma armadilha fatal enquanto por aí existirem os postes de abastecimento de carros eléctricos e o youtube mantiver disponível o vídeo de Sócrates a anunciar o pedido de ajuda externa.

E como não podia deixar de ser os socialistas iludiram-se com o facto de todos dizerem mal de Passos Coelho ou sobretudo de ninguém o defender. Mas esqueceram-se de duas coisas. Uma que é óbvia: só os eleitos de esquerda são susceptíveis de serem elogiados em Portugal. Os demais não só não se percebe como foram eleitos como não há alma nacional ou estrangeira que, para provar a sua cultura, a sua modernidade, enfim a sua cidadania, não se sinta na necessidade de os vituperar. (A propósito estão a imaginar o tumulto que iria agora na pátria caso o primeiro-ministro insultado pelos norte-americanos The Last Internationale no Alive não fosse Passos Coelho mas sim Sócrates ou outro qualquer notável socialista?) A segunda que não é menos óbvia e que em política é fundamental: o facto de não se dizer bem de um político não quer dizer que ele vai perder as eleições.

E nas próximas eleições legislativas o que está em causa é isto: quem garante que o dinheiro vem a tempo de pagar as pensões, as receitas dos medicamentos e o subsídio para mais não sei o quê? Dir-se-á que é pouco para programa de governo. Pois é. Mas a crise e o estado social geraram uma nova forma de estar: as franjas políticas que de modo algum coincidem com as sociais crescem em radicalismo e irrealismo. Ao centro vota-se em quem garantir que o sistema continua a funcionar. Por ironia do destino, Passos, que diziam neo-liberal, parece estar a conseguir convencer os portugueses de que ele garante melhor do que os socialistas a sobrevivência não apenas do estado social mas também de um estado constitucionalmente a caminho do socialismo.
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