domingo, 6 de outubro de 2013

Vacuidades

[Nota: Coloquei um link para este texto aqui mas Paulo Guinote, apagou. Gosta de dizer o que lhe apetece e não gosta de ser contrariado. Apenas adensa a noção de que gosta de vender banha da cobra mas não quer que se perceba que é banha da cobra. Trata-se de um ... professor ...??? ]


A propósito disto ...

1 - "o apelo ao exercício de uma cidadania plena"


O apelo ao exercício da cidadania que o apelante vê como cidadania. Implicitamente agrava o exercício que cada qual encara como a apropriada.

2 - "elogio do papel da Educação na formação de cidadãos conscientes, críticos e capazes de fazer viver o regime democrático para além das suas limitações circunstanciais"

Idem. O cidadão consciente é, aqui, novamente, a visão que o apelante tem de cidadão consciente, crítico, etc. Vacuidade atrás de vacuidade. É o pináculo daquilo que se conhece ser a promoção do mundo inexistente, o "cidadão" que julga pertencer a um mundo que não se lhe adapta.

3 - “o papel insubstituível dos professores”

Os professores são sempre insubstituíveis muito embora não se esgotem no mundo do ensino publico ou estatal. Professor é quem ensina algo a alguém. Trocado por miúdos resulta em mais uma vacuidade.



4 - Global Teacher Status Index

Nada daqui resulta em particular porque se no caso grego a excelente classificação que obtêm é proporcional à insipiência do país, em Portugal a insipiência do país revela-se no valor de apenas 27%. É a chamada estatística em circuite fechado em que cada qual se avalia a si próprio. O Brasil, uma das mais violentas e subdesenvolvidas (estando em acelerado recuo) sociedades do mundo (não vale a pena falar de África) mantém-se a par de Israel, uma das mais vibrantes economias e educadas sociedades. O Egipto ombreia com a Nova Zelândia. Mas, diz-se, em Portugal os professores estão "acima de outros actores sociais". Dá vontade de dizer que bosta produz bosta.

5 - "tem bastante confiança no seu desempenho"

Ter bastante confiança significa ter um papel medíocre mas no topo da medíocre media.

6 - "O problema é que a defesa da cidadania e o apelo ao seu exercício pelas gerações futuras não pode fazer-se ao mesmo tempo que se prolonga um constante ataque directo e indirecto às condições materiais e simbólicas do exercício da docência."

Quem diria que 27% de agrado não diz o contrário. Já parece a história dos 1% que representam 99%. É curioso que a fé nos dividendos futuros da "educação" é inversamente proporcional ao que dela resultou no passado. É o eterno futuro marxista.

7 - "Mais grave, quando há quem procure encontrar na Educação apenas o lucro, a hipótese de negócio, a mercantilização de uma função nobre, faltando-lhes o sentido ético e o apego à transparência de processos e argumentos."

É exactamente quem conta com os impostos pagos com lucro e até com o prejuízo dos outros, que se acha em condições para verter ódio à existência de lucro. O ódio à "mercantilização" explica a crescente incapacidade em perceber a armadilha que as luminárias montam na cabeça de quem mais longe vai na educação estatal. É esta gente que se propõe formar quem quer que seja para trabalhar de forma consistente e geradora de lucro (riqueza).

8 - "Atravessamos um período conturbado no qual o relativismo dos conceitos impera e as palavras são usadas de modo instrumental, arremessadas como armas ocasionais e não como algo com um significado próprio. Liberdade, democracia, cidadania, são conceitos que vão sendo manchados a cada vez que são mal usados, truncando ou distorcendo o seu real significado."

Vacuidade atrás de vaquidade. É o pináculo de 'o meu conceito é melhor que o teu' sem nada se consubstanciar.

9 - "Os professores têm como parte da sua missão ensinar e exemplificar o que eles significam, nem que seja do ponto de vista da História."

... nem que seja ... A caixa de pandora para venda de banha da cobra. Cabe aos professores ensinarem os factos históricos que se desenvolveram a partir desses conceitos. Tudo o resto é lavagem ao cérebro.

10 - "Mas, infelizmente, o tempo presente tinge de incredulidade os olhos dos alunos que, pelos exemplos quotidianos que lhes são dados a cada noticiário, desacreditam da eficácia do exercício da cidadania e da vida democrática."

Só pode. Quanto mais banha da cobra vender o professor mais o limbo escolar se afasta do mundo real, intra e além fronteiras. Essa desadequação vai virar-se contra quem está mais a jeito.

11 - "É função, explícita ou implícita, dos professores não deixar erodir em definitivo a crença das futuras gerações na bondade da democracia, na possibilidade de uma liberdade vivida com justiça e no imperativo de comportamentos éticos, praticados para além de credos ou interesses particulares."


Treta. Não é função dos professores venderem banha da cobra seja ela qual for. É função dos professores ensinarem a generalidade dos regimes políticos e a responsabilidade pela escolha caberá, a seu tempo, ao aluno. É exactamente por desconfiarem da democracia que os professores entendem ser seu dever injectar o seu particular entendimento de democracia.

12 - "Infelizmente, o seu trabalho é dificultado a cada dia, quase a cada noticiário, pelo exemplo degradante de quem tem do exercício de funções públicas uma noção estreita, facciosa e com uma perturbadora relação com a verdade, o rigor e a transparência, como se a manipulação, truncagem ou falsidade dos factos deixasse de ser mentira para se tornar mero detalhe de inadequação factual."

A perplexidade pelos desencontros que aos professores entram porta dentro colide com o espanto de quem fora do estado comenta "Mas estes gajos são parvos? Só agora perceberam o real significado e consequências de bancarrota? Pensam que somos obrigados a mantê-los no limbo para que possam continuar a disseminação de propostas que, implementadas, acabam sistematicamente em miséria e fome? Façam-se à vida. Se não sabem o que é ter que trabalhar para que haja resultados que permitam pagar os impostos que lhes servirão de salário e ainda sobrar para que tenhamos o nosso, já é tempo de irem aprendendo".

É o problema de quem insiste em manter-se isolado do mundo e da realidade. Nem percebem que se torna demasiado claro que pensam pertencer a uma casta chegando ao ponto de se convencerem que a própria propaganda é realidade.

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