Teste

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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Fundamentos da democracia

Por vezes há que voltar ao fio de prumo.
As conversas são como as cervejas, as ideias enrolam-se e às tantas as palavras já não significam aquilo que significavam.
Se acha esta introdução sofisticada, tem toda a razão, quer a ache boa, quer lhe pareça uma razoável merda, porque a palavra "sofisticado", é uma daquelas que tem hoje um significado exactamente oposto ao seu significado original.

Adiante!
Há dias assisti a uma conferência do Dr João Carlos Espada, sobre os Fundamentos da Democracia.
O Dr Carlos Espada usa a velha tecnologia de escrever no quadro e vê-lo ali, de pequena estatura, fato, lacinho e modos suaves, a tropeçar nos fios, capta a atenção e faz esboçar alguns sorrisos.
Depois ele começa a falar e a sua estatura aumenta e ocupa toda a sala. E o que diz , escreve e apaga, torna-se tão simples e claro que nos perguntamos porque é que nunca pensámos nas coisas daquela maneira.

Ah, sobre a democracia.
O Dr JCE falou essencialmente de Popper, Hayek ,Oakeshott e Leo Strauss.

A coisa é simples:

Há 3 formas de exercício do poder:
Monarquia, em que governa um
Aristocracia, em que governam alguns
Democracia, em que governam todos

Estas formas são como cores básicas....podem combinar-se em muitos cambiantes. E todas elas admitem variantes perversas:
A monarquia tem como variante degenerada, o despotismo,, a ditadura de um
A aristocracia, o governo dos melhores, degenera na oligarquia
A democracia tem como perversão, o "rule of the mob", no limite a anarquia.

Popper (A sociedade aberta e os seus inimigos) formula sobre estes conceitos um paradoxo notável:
Estas formas podem ser auto-destrutivas em si mesmas. Por exemplo, se se considerar que a melhor forma de governo é a monarquia, então o monarca pode decidir delegar poder em alguns ou em todos, isto é, a melhor forma de governo, no exercício da sua virtude, introduz formas de governo que são , nesta hipótese, "piores"

Claro que Popper considera que a melhor forma é a democracia, mas uma democracia que não seja transformável, na aplicação, noutras formas de governo.
Tem de haver limites e é aqui que ele diverge radicalmente de Rousseau, que pensava que a maioria do povo tem toda a legitimidade para decidir o que entender.
Os limites de Popper são , simplificando, a possibilidade de "despedir os maus", ou seja, as eleições, os direitos individuais, como esfera inviolável que nem a vontade de uma maioria democratica pode tomar de assalto, os "checks and balances" e, enfim, o "rule of law".
É a democracia constitucional, aquela que ainda vamos tendo, aquela que Louçãs, Chavez, Jerónimos e afins, consideram "burguesa", super estruturas que o capitalismo usa para sobreviver.

O que se está a observar na América Latina, a "chavização", é expurgado o fumo da retórica, uma rejeição da democracia constitucional, usando a máscara de Rousseau.
Introduz-se a paródia da chamada "democracia popular" que, obviamente, vai terminar, segundo o Paradoxo de Popper, em oligarquias, anarquias ou ditaduras.

Para acabar, onde é que entra aqui Hayek?
Hayek explicou ( e ganhou um Nobel por isso) que as sociedades onde o governo não controla tudo, a informação que circula entre os agentes é muito mais volumosa e rica do que a que é possível num sistema centralizado, onde os canais são verticais e de sentido único.
Por isso as sociedades centralizadas podem ser mais eficazes na realização de um objectivo concreto e limitado mas, a médio e longo prazo, falham no resto.
Por exemplo, a URSS propôs-se ultrapassar o Ocidente na produção de aço, e conseguiu-o, mobilizando os esforços da sociedade.
Mas quando o conseguiu, já o Ocidente tinha passado a usar plásticos em muitas aplicações, e o aço que produzia era melhor e mais barato.

Ou como aquela história verídica do responsável pelo abastecimento do pão a Moscovo ter, numa visita a Londres, ficado maravilhado com o facto de não só não haver faltas de pão, como ser possível escolher e comprar infinitas variedades de pão a qualquer hora do dia.
Quis contactar o seu homólogo londrino e abanou a cabeça, aturdido, quando lhe explicaram que ninguém era responsável, que não havia homólogo.

O verdadeiro comunista toma banho de água fria*

Há dois anos Chavez nacionalizou o que restava da produção de energia eléctrica (a indústria tinha diabólicos e sulfurosos fumos Bussssh) sucedendo-se, desde então, os apagões a nível nacional.

Apesar do consumo de electricidade ter aumentado 4.5% ao ano, a necessidade de combater o império levou Chavez a neglienciar a manutenção de 4 de 5 turbinas termoeléctricas que se encontram paradas.

Chavez guardou 75% do investimento necessário para garantir fontes alternativas de electricidade confiando, alternativamente, na superioridade do socialismo. As verbas retidas foram gastas em lambidelas aos tomates de Putin.

No reino dos socialismos a culpa de tudo o que acontece de errado nunca é do socialismo e Chavez já disse: 'comunista que se prese toma banhos de menos de 3 minutos'. Esperam-se medidas revolucionárias que limpem o sebo aos sabotadores.

Há quem diga que a culpa é do El Niño que teima em não aparecer, não fazendo chover.

Eu acho que El Niño é culpado em duas vertentes: por um lado porque sabota o socialismo, por outro porque não permite mais umas quantas cheias, derrocadas e afogamentos absolutamente necessários para que a verdalhada berre "aí está o aquecimento global estão as alterações climáticas que nos vão torrar vivos vão afogar todos os ursos".

... ai, ai, ai. Só os ursos deste planeta não se esfumam em CO2.

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*A Sibéria foi, em tempos, um excelente local de treinos.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

No plano inclinado besuntado a cebo

Excertos (Plano Inclinado - SIC):
Está-se a repetir, rigorosamente, o Portugal de 1926.

... e depois não se janta.

Estamos a gastar o crédito que nos é concedido sem fazer nada.

... investimentos de retorno negativo [pode sempre demolir-se]

A minhoca é mais cara que o peixe.

O jovens vão perceber que não têm lugar em Portugal porque vão ser sugados nos seus impostos para pagar um activo que não vale a pena.

Na fase final da 1ª república pagavam a pensão [...] quando havia dinheiro. Depois de Salazar vir para as finanças passaram a pagar a horas.



Medina Carreira, Nuno Crato e João Duque

Dos "desestruturados"

"Trata-se de um agregado desestruturado, com um quadro familiar muito complexo. Enriqueceram subitamente e não demonstraram ter as competências necessárias à gestão do património, bem como à perspectivação do seu futuro. Para além da falência da empresa que criaram, viram-se sem qualquer tipo de rendimentos líquidos, embora com património".
Coitados, são umas vítimas e, como tal, devem gozar de todo o tipo de ajudas começando por rendimento mínimo garantido para a malta toda.

O bezerro da família 'diz' ainda:
"Isso que as pessoas dizem não interessa, porque a Segurança Social sabe de tudo o que se passa, está lá tudo escrito"
Via ... (já não me lembro).

Muro de Berlim - Certificado de Inferioridade



Imagem para Eurico Moura:
Condutas da EPAL, em Sacavém, devidamente protegidas (a arama farpado) contra roubos de água israelitas.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Da terra dos esqueletos

Por onde o socialismo real viveu e jaz agora morto, resta 1 comunista para cada letra.

Para o ano terão que simplificar a mensagem.

Da fartura

Há 20 anos estava em casa de alguém que, por motivos profissionais, tinha ido regularmente à República Democrática Alemã.

A determina altura ele cala-se e, de olhos esbugalhados e queixada caída, olha a TV e exclama: não é possível ... não acredito ... nunca pensei ver isto antes de morrer.

A conversa resvalou, de imediato, para os acontecimentos e, a certo passo, disse-me: meu caro, quem há 10 anos fosse à RDA e conseguisse entrar com 10 pares de meias de nylon conseguia ir para a cama com as primeiras 10 mulheres que lhe aparecessem.

Esquerda, Estúpidos




Não sei alemão, mas adivinho.

Quem toca? Rostropovich.

Esquerda, Estúpidos




... eu sei que estou a ser injusto para com a esquerda em geral (não necessariamente a maioria), mas 'eles' sabem que a carapuça lhe serve na perfeição.

Esquerda, Estúpidos

Da dignidade e da prosperidade

Título alternativo: O que 'os' irrita até à medula.



Claro que, entretanto, aqui, neste jardim cuja relva vai sendo invadida por água salgada, os desígnios socialistas vão sendo implementados pela mais sacrossanta redistribuição.

Atraindo e constituindo novas empresas, os polacos afastam-se de Portugal a alta velocidade enquanto nos mostramos incapazes de aguentar as nossas ou, sequer, de segurar as que cá estão.

E Thatcher já não nos pode visitar ...

O Muro Caiu Há 20 Anos

Faz hoje 20 anos, o muro caiu. Imaginava-se ao tempo que aquele muro só seria derrubado num dia distante, num futuro incerto, imprevisível. Mais difícil era acreditar que fosse possível a morte súbita da União Soviética.

Em 1989 o comunismo fracassava estrondosamente e caía aos pés dos povos que dominava. Esse ano magnífico de 1989 evidenciou também que toda a aberração política, por mais forte que seja, é sempre mais frágil do que o colapso a que a natureza do mundo a condena.

Os construtivismos políticos têm pelo menos o mérito de um dia terem um final condignamente comemorado:

(imagem picada aqui)


sábado, 7 de novembro de 2009

The Who - Who's next? - Baba O'riley - 1971



Esta música foi atacada por uma 'reincidência' há poucos anos.

Deep Purple - Stormbringer - Lady Double Dealer - 1974


Lady Double Dealer - Se a memória me não falha foi esta a faixa do album Stormbringer apresentada por Carlos Paredes num programa de rádio como música de que gostava e exemplo de música consistente.

Esta gravação não é tão boa como a do album, mas não encontrei outra em melhor estado.

Na fronteira da violência que consigo suportar, é de ver o filme que serve de suporte à música (cujo nome me não recordo). Contendo doses equivalentes de violência, é também de ver o filme Gangs of New York.

Um Mário encrespado


... e um comentário de Mecago Endioz - aqui.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Se Israel tem, porque é que o Irão não pode ter?


Quando se aborda a questão do nuclear iraniano, é recorrente o argumento de que o Irão na posse da arma atómica, não será substancialmente diferente de outros países que também a têm, e surge quase sempre o argumento de que “se Israel tem, então o Irão também tem direito a ter”.

Há quem se questione mesmo se a preocupação com o Irão, não será um caso de “dois pesos e duas medidas”.

Há aqui questões políticas e jurídicas complexas e que não se deixam aprisionar em narrativas tão simplistas.

Politicamente falando, todos os estados soberanos reservam para si o direito de desenvolver programas nucleares para fins civis e militares. EUA, Rússia, China, Índia, etc., fazem-no. Israel não se sabe, porque mantém uma politica deliberada de “não confirmo nem desminto”, por razões estratégicas, mas presume-se que sim.

Há vários anos que, no quadro das Nações Unidas, se procura controlar estes programas, tendo como racional a ideia de que a proliferação tornará o mundo inseguro, pela multiplicação das possibilidades de erro, irracionalidade e escalada.

Nesse quadro, muitos países comprometeram-se voluntariamente com o Tratado de Não Proliferação. O Irão foi um deles. Tal como Portugal.

Assinar o TNP implica a expressa renúncia a programas militares e a aceitação de inspecções dos programas civis por parte da AIEA.

Ou seja, Portugal e o Irão podem ter um programa atómico, podem enriquecer urânio, mas têm de seguir os procedimentos e limitações decorrentes do tratado que assinaram.

O problema com o Irão, é que não está a fazer nada disso.

O Irão pode, a qualquer momento, dizer que não está mais limitado pelas cláusulas do NPT, retirar-se do tratado, e prosseguir com os seus programas de forma soberana.

Não o faz, porque quer manter-se na luz da legalidade e sabe que se dela se retirar antes de ter disponíveis vectores nucleares, será tratado como o vizinho perigoso da rua, e os vizinhos podem mexer-se para o impedir.

Em termos de Direito Internacional, existe um problema: o Irão, ao ocultar sistematicamente à AIEA, partes do seu programa nuclear, e ao colocar obstáculos às actividades de inspecção, violou e viola os compromissos que assinou,

Por isso é perfeitamente natural que se instale a suspeita de que as suas intenções não são claras. E é daí que brota o alarme e a mobilização de uma grande parte da comunidade internacional, perante aquilo que percebem naturalmente como uma ameaça à sua segurança.

No plano político a questão é incontornável: quais as razões pelas quais o Irão prossegue tais actividades e, especialmente, por que razão tenta ocultá-las?

A diferença entre o Irão e Israel (ou o Reino Unido), é que os poderes destes países não passam a vida a ameaçar outros países de que vão fazê-los “desaparecer do mapa”. São actores racionais.

A França está aqui perto, os seus aviões, submarinos e mísseis alcançam o local onde moro, e nem por isso me sinto preocupado. Na verdade Portugal está mais seguro pelo facto de países aliados terem armas destas.

Na inversa, não acredito que um iraquiano, um saudita, um egípcio, etc., se sinta mais seguro por ter como vizinho um Irão dotado de armas nucleares.

Pelo que se sabe, é justamente o contrário, de tal forma que até os sauditas, inimigos figadais de Israel, permitem discretamente que aviões israelitas sobrevoem o seu território, no caso de um ataque ao Irão.

O programa israelita é uma ameaça para os vizinhos? Alguns acreditam que sim e, no limite é-o mesmo, uma vez que Israel usará o seu arsenal se a sua sobrevivência estiver em causa, mas limitemo-nos aos factos: os belicosos vizinhos de Israel manifestam-se contra, obviamente, mas não com grande indignação, porque sabem que Israel é um actor racional, pelo que nem sequer tentaram iniciar uma corrida ao nuclear, para contrabalançar, coisa que já estão a fazer relativamente ao Irão.

Porquê? Pelas mesmas razões que levam a Alemanha a não criar um programa nuclear militar para equilibrar o inglês. Porque tanto a Alemanha como os vizinhos de Israel percebem tratar-se de programas defensivos, meras forças de dissuasão, que não se destinam a ser usadas, mas sim a dissuadir ataques.

Se o Irão preocupa, é porque é percebido como um estado revolucionário; porque sabemos que, quando dispuser de um guarda-chuva nuclear, o irá utilizar para incrementar o apoio a movimentos terroristas nos países vizinhos, sem temer sofrer retaliações; porque tememos que possa encaminhar para estes grupos, alguma dessa tecnologia; porque se trata de um governo repleto de fanáticos religiosos e não confiamos que gente desta seja capaz de gerir racionalmente uma situação de tensão; porque sabemos que os vizinhos irão, também eles, tentar dotar-se dos mesmos meios, numa imparável corrida ao nuclear que, mais tarde ou mais cedo, se descontrolará e terminará numa catástrofe global.

O martírio é o caminho para a salvação

Não posso deixar dar relevo a este artigo do Eco-Tretas relativo a vários artigos de Fernando Gabriel, no Diário Económico.

http://economico.sapo.pt/noticias/ursos_73553.html
http://economico.sapo.pt/noticias/o-ecocapitalismo_8659.html
http://economico.sapo.pt/noticias/a-profecia-xhosa_13574.html
http://economico.sapo.pt/noticias/espelhos-para-principes_67297.html
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/752290.html

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Da desconstrução do "aquecimento global"

Vamos lá insultar a sensibilidade da "classes educadas".

Richard S. Lindzen

Em caso de dificuldade, os 6 pedaços do vídeos podem ser vistos, sequencialmente, aqui.

... o último pedaço é muito interessante. Corrobora o que tem aqui sido dito desde há muito tempo, por exemplo, aqui.

Entretanto, Zéi chamou a atenção que estão aqui parte das declarações de Lord Monckton legendadas em português. A totalidade da apresentação pode ser vista aqui (em inglês).

Via WUWT.

Amen


Foi oficialmente estabelecido que aquecimento global alterações climáticas é uma nova religião.

Virão também a ser proibidos, nas escolas e edifícios públicos, os respectivos símbolos?

Como evitar enrascadelas

Há quem diga que aos que não sabem f.... até os c..h..s incomodam.

Das aulas de educação sexual no contexto do sentido da vida, segundo todos os santos Monthy Python.

#reengenharia social

George Bush rumo à destruição do planeta Terra

International negotiators lost one of the key elements to a successful deal on global warming today after Democratic leaders in the US Congress ruled out passing a climate change law before 2010.
Pelosi deve estar possessa.

Aqui.

Leitura complementar.

Nanotecnoligia

Aposto que esta vai também parar às garras do malvado capitalismo

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Dos construtores de castelos

Dos abanadores de castelos



Tinha-me enganado no vídeo. De qualquer forma, o anterior é este.

Um filme mais antigo sobre o SR-71 ... aqui.

Outro sobre o U-2.

Do certificado de malandro

SP:
Ah, agora é quando prometem um homem novo? Curioso, que nunca vi o BE com essas aspirações.

Hum, pois, totalitário. Quer fazer o obséquio de indicar, por exemplo, pontos do programa para as legislativas que sustentem tão categórica afirmação? Ou chegou a esta conclusão quando estava sob o efeito das mesmas substâncias que o levaram a colar o Mugabe ao BE?
Isto faz-me lembrar uma história que a malta da judiciária conta.

Um belo dia um caramelo resolve assaltar um banco. Chegado, depara com muita gente e, para não se meter em demasiada confusão, puxa do BI, pega um formulário e preenche, queimando tempo.

Já com pouca gente passa à acção. Assalta a caixa e vai-se embora deixando o BI em cima do balcão.

SEM PAPAS NA LÍNGUA...



Passaram cinco anos depois do assassinato de Theo van Gogh (2 de Novembro 2004) e ainda não me consegui habituar há falta dele. Amesterdão sem Theo não é a mesma coisa.

Uma resposta de Theo van Gogh a um jornalista que mencionava o facto de ele amiúde se dirigir a muçulmanos como ‘os enraba-cabras’.

A minha opinião, segundo você sem papas na língua, sobre muçulmanos (sejam eles quem forem) é realmente para insultar; não podemos insultar suficientemente os crentes que ameaçam a nossa liberdade de pensamento, sejam eles muçulmanos, cristãos ou outros. No entanto, gostaria de sublinhar que os meus ataques nunca serão desferidos apenas porque alguém é muçulmano, porque não considero meus inimigos os seguidores de Alá que são tolerantes e que se comportam como democratas.

Alle Menschen werden Brüder - die juden auch?


Biergarten (recomendo a toda a gente) na Baviera em Agosto de 2007


ml: «…importa-se de retirar os über- e unter- e deixar toda a gente simplesmente Menschen?»


Senhora dona ml,

Importo-me sim senhora, quero aproveitar enquanto posso a minha liberdade de colunista, porque quando o José Saramago (o outro semelhante) for ministro da cultura deste país só você e o Sérgio Pinto terão direito de antena.

ml: «…eu que descendo de uma raça de descobridores/globalizadores e sou um bocadinho ‘nacionalista’»

Em todo o caso nacionalista suficiente para chatear a mona a uma pessoa – sobre a colocação de verbos numa frase - que gosta da sua língua mas que apenas viveu nove anos (dos 9 aos 18) no seu jardim à beira-mar plantado!

ml: «…da última vez que uns tipos altos e louraços se consideraram os mais inteligentes e capazes, deu no que deu, …»

Tem toda a razão, é o que dá os socialismos-nacionalistas. Todos eles começam sempre por ser um bocadinho nacionalistas, mas depois misturam-lhe socialismo e a coisa torna-se explosiva e dá no que dá.

ml: «…e as vítimas de ontem já se candidataram a carrascos de hoje.»

Você ainda não percebeu bem a coisa! As vítimas de ontem não têm vontade nenhuma de serem, mais uma vez, as vítimas que sempre foram ao longo da história. Que diabo, querem evitar que os seus filhos ou netos venham a escrever um dia em blogues ‘que da última vez que uma religião (da paz) se considerou a única deu no que deu’.

Acerca do Dawkins nada tenho contra e continua para mim a ser muito popular, é um ateu que explica muito bem e com bastante humor como desmantelar o Altíssimo – e normalmente percebo tudo o que ele diz, que mais desejar?

Acerca de raças creio que o Eça era anti-semita, mas era anti-semita da mesma forma que Camões era racista. Para compreender é preciso ver as coisas no seu contexto e na sua época. Na época de Eça, e no meio em que ele se movia, era pura e simplesmente ‘bon ton’ este tipo de referências à raça judaica, e tem tudo a ver com o excelente p.r. do Vaticano a que anteriormente fiz referência.

O anti-semitismo só deixou abruptamente de ser ‘salonfähig’ – para se tornar tabu – depois do Holocausto, mas inspirado actualmente pela religião da paz retoma o seu curso ‘normal’ em meios de esquerda, mas não só. Só assim é que se compreende a percepção e indignação terrivelmente selectiva em relação às supostas maleficências do judeu.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Da óptica

No Blasfémias,
Segundo a Subdirectora-geral de Saúde, Graça Freitas, «os partidos “fazem parte da nossa democracia e devem ser vacinados“». Concordo que os partidos devem ser vacinados. Duvido é que existam vacinas para as doenças que os afectam.

Aproveitando a boleia do Range-o-Dente: Não sei se tenho mais saudades de Jacques Tati se das férias daqueles tempos...

domingo, 1 de novembro de 2009

Então, vá!


Sem comentários, transcrevo aqui, na íntegra, um texto com o mesmo título, hoje publicado por Joaquim Simões, no seu Portugal e Outras Touradas.

Folheando o PÚBLICO de ontem, pus-me a ler um texto de Eduardo Cintra Torres que me deixou em estado criativo de verdadeira graça. Dispôs-se Cintra Torres, com ele, temerariamente, a arrostar com o provável anátema dos mentores de uma nova moda literária, adoptada por um grupo de letrados portugueses que vozeiam num blog, os quais, em apoio ao que é dito por Pedro Mexia num ou dois de textos seus sobre o assunto, decidiram excluir da respectiva prosa os pontos de exclamação, afirmando que continuará a usá-lo como sempre o tem feito, dada a inquestionável utilidade desse sinal de pontuação.
Não se pense, todavia, confidencia-nos, que ele próprio está isento de manias igualmente questionáveis e susceptíveis de serem postas em causa, exemplificando com a sua natural tendência a excluir liminarmente da vista os romances em cujo título figure um verbo. Algo assaz singular, sem dúvida, mas que é nele irreprimível. E lança-se, em seguida, numa aventura da memória em direcção ao tempo em que vivia com a sua família parental, durante o qual se deu conta dessa sua idiossincrasia, de que só se tornou consciente mais tarde, quando, por influência de Lídia Jorge, leu As Velas Ardem Até ao Fim, de Sandór Márai, Lídia Jorge que, apesar de possuir «uma folha de serviço impecável, apenas com romances sem verbos nos títulos, perdeu as estribeiras» e publicou Combateremos a Sombra. Disparando, depois, para a vastidão das viagens literárias que a existência lhe proporcionou já, registando o exemplo dos inúmeros e consagrados autores, nacionais e estrangeiros, que, no decorrer dos séculos XIX e XX, não caíram nesse pecadilho, desastroso para a aspiração a serem lidos. Camilo, nota, soçobrou somente três vezes, entre dezenas de títulos que publicou, Aquilino, outras tantas. Quanto a Dinis Machado, é certo que, cito uma vez mais, «escreveu O que Diz Molero, mas quando a forma verbal se segue a uma conjunção subordinativa “que” ou “quando” aceita-se melhor». A condenação de Miguel Sousa Tavares é, porém, irremediável, ao escrever «qualquer coisa com David Crockett que dá vontade de deixar morrer a personagem sem mesmo começar a leitura»
Termina Cintra Torres com o seguinte passo, onde é possível escutar subliminarmente uma inflexão e uma ênfase de voz que como que pretendem despertar a nossa atenção para a indesmentível cientificidade das razões que determinam a sua intuitiva aversão: «Que títulos com verbos são próprios de certa literatura não é um preconceito meu. Um título com verbo promete xarope. Consultei na Wikipédia os 145 títulos da espanhola Corín Tellado editados em 1972 e 1973 (sim, em apenas dois anos). Desses, 105 têm um verbo no título (72%). Em Barbara Cartland a percentagem é menor, mas facilmente encontrei dezenas.». E remata: «Contudo, até agora nunca tinha visto um título com dois verbos, ainda por cima com ponto de interrogação. Ia morrendo ao ler o título do novo António Lobo Antunes: Que Cavalos São Aqueles que Fazem Sombra no Mar?. Eu não sei que cavalos, nem nunca saberei.».
Devo confessar que, até chegar a esta última parte, me senti literalmente assaltado pela sensação do jornal PÚBLICO me procurar enganar no que toca à qualidade intelectual daqueles a quem proporciona guarida. Lembrei-me, até, da frase rude proferida por José Mourinho, a propósito do seu colega de profissão Jaime Pacheco: “O cérebro dele só tem um neurónio e, mesmo esse, funciona mal”. Aos poucos, contudo, foi-me cedendo a resistência da mente face à luminosidade singularmente persuasiva do que lera. Mea culpa!, digo agora. É que a genialidade intrínseca ao funcionamento holístico de Eduardo Cintra Torres, através do qual o corpo se sintoniza tão perfeitamente com o acto de desvendar cerebralmente os mistérios da estrutura inerente ao real que nos sustenta e no qual nos cumprimos, deslumbrou-me a um ponto tal que somente a poesia poderia exprimir o que sinto agora. Mas quando o génio é pouco e o talento não ajuda, o que fazer? O que fui incapaz, também eu, de reprimir.
Um modesto poema, um singelíssimo poema, de um só verso composto, coincidente, inclusive, com o título, que se me afigurou adequado, no qual, porém, não fui capaz de evitar a inclusão não de duas, mas de quatro formas verbais e mesmo da presença de um ponto de interrogação e outro, de exclamação, associados. Com os meus maiores pedidos de desculpas, pela forma, mas sabendo-o eventualmente desculpável porque eivado de total sinceridade, aqui lho deixo:

Oh, filho! E se fosses c… ao Bilhar Grande, a ver se isso te passa?!

Stormy Weather

[Desculpem o desfasamento]


... ou de como se dança na corda da simplicidade musical, sem rede e parecendo voar.

Trocas e baldrocas?




Tenho dificuldade em perceber porque são sempre aqueles que pagam os corruptores.

Definição legal?

Do caos e das formas

Caos e significação
por Paulo Tunhas, Publicado em 28 de Outubro de 2009
Não compreender que a criação conjuga caos e significação é não compreender, além da arte e da religião, a sociedade

Não há muito a acrescentar ao que Vasco Pulido Valente optimamente escreveu sexta-feira passada no "Público" a propósito do recente caso Saramago: aquelas pouco elaboradas opiniões sobre a Bíblia não deviam surpreender, vindas de quem vinham; o verdadeiramente extravagante foi a atenção que lhes foi prestada. Algo, no entanto, se pode dizer mais. Não, é claro, sobre Saramago - um mau escritor talentoso, se a opinião me é permitida -, mas sobre aquilo que, na sua maneira de pensar, é comum a muita gente.

Em primeiro lugar, a dificuldade em perceber aquilo que nas grandes criações é caos, caos a partir do qual nascem as formas (entre outras, as do bem e do mal). Isto, que vale para o Antigo Testamento, vale igualmente para a tragédia grega e para toda a grande arte, seja ela qual for. É a dificuldade em compreender isto que gera uma visão unívoca e chã das coisas e que permite a cegueira face ao modo como o sublime e o terrível convivem no interior do coração humano.

Depois fala-se da religião como se ela fosse uma peça descartável que não tivesse senão uma relação puramente conjuntural com a arte e a cultura europeias.

Expulsaríamos a fé, ou a possibilidade de conceber a fé, para distantes plagas e poderíamos, livres da infame excrescência, continuar, por exemplo, a apreciar impecavelmente a "Paixão segundo S. Mateus". Acontece que isso é um sonho de zombie. Não é possível, mesmo para um ateu (falo do que sei), ouvir o coro de Bach gritar "Barrabam!" sem entrar ao mesmo tempo, quase fisicamente, num universo imaginário bíblico de significações. A grandeza de Bach não é, pura e simplesmente, dissociável desse universo, dessa ordem, desse cosmos. É uma parte desse magma.

Esta insensibilidade ao carácter imaginário das significações (judaicas, gregas, cristãs) que governam as nossas vidas - uma delas, por exemplo, é a exigência de justiça - impede, como é natural, um bom entendimento da religião e da arte, mas induz igualmente a mais completa cegueira face ao que caracteriza propriamente o modo de existência das sociedades. As sociedades mantêm-se porque os seus membros, por elas criados, partilham, para falar como Cornelius Castoriadis (que tenho vindo, de resto, a citar implicitamente), "significações imaginárias sociais". Sem a partilha dessas significações, elas não subsistiriam. Que essas significações devam ser continuamente reinterpretadas, é uma coisa. Que sejam vistas - como pretende um progressismo muito militante hoje em dia - como simples barreiras a transgredir em benefício da felicidade universal, isso resulta já do mais puro analfabetismo. Inclusive sobre aquilo que nos permite desejar mais liberdade.

Professor do Departamento de Filosofia da Universidade do Porto

Enfim, do tempo em que se faziam filmes.

Do próximo mundo "novo"

The larch

Do Ilumnado nº 1 e do idiota-útil norte-americano

Fidel Castro responsabiliza o Presidente dos EUA pela propagação da gripe A em Cuba, na medida em que facilitou as viagens de cubanos residentes nos EUA à ilha, noticia a «Associated Press».

Carta a Eurico Moura


O Diogo, em mais uma das suas muito badaladas idiotices baseadas em sítios na Internet e livros obscuros que não se cansa de ler, voltou recentemente a lançar mais algumas das suas pérolas no Fiel Inimigo. Venero, desde já, o esforço heróico dos meus companheiros de blog, que parecem ter paciência para argumentar com o iluminado Diogo. Eu prefiro manter-me afastado desta maré de comentários intelectualmente degradantes por parte do Diogo, não vá eu ser contagiado com o bicho.


Prefiro, dada a desonestidade e fraqueza intelectual do Diogo, responder ao meu caro Eurico Moura, que recentemente também tem comentado no Fiel. Louve-se a participação, como é óbvio, aliás até lhe peço desculpa pelo facto de estar a dirigir-me a si neste post que começa a falar do iluminado Diogo. Acredite, não é qualquer tipo de comparação aquilo que estou a fazer.


Comecemos, pois:


"Que há um lobbie judeu, há"


Como bem referiu o Lidador, nada difere os lobbies Judaicos/Israelitas dos restantes lobbies à face da Terra. Estes lobbies, ao qual o caro Eurico se refere com um estranho desdém, são uma característica das Sociedades Modernas mais desenvolvidas, onde muitas vezes o Poder Político vai contra os interesses/objectivos de grupos de diversa índole. Estes, como forma de defesa e como forma de tentar alterar as premissas e actuações do Poder Político, emitem as denominadas pressões sobre o Poder Político, por forma a verem os seus objectivos atingidos.


Problema para mim são as sociedades sem lobbies e as sociedades onde os lobbies são menos transparentes, sendo de destacar neste último caso as sociedades Europeias. Porque o lobbie é a expressão da insatisfação de minorias e de grupos diversos, que se sentem injustiçados pelo poder político ou por outro qualquer poder que lhes incute ordens com as quais não concordam.


Falará com esse desdém o meu caro Eurico do lobbie sindical? Do lobbie ambiental? Do lobbie gay? Ou não os considera lobbies? Não concorda com o protesto? Acredita que o Estado manda e que nós devemos obedecer? E olhe que eu digo isto e estou longe de ser de esquerda.


"que há extremismo judeu"


Há extremismos de diversa índole, como mais uma vez lhe apontou o Lidador. A diferença é que uns extremismos cortam-nos a cabeça, outros fazem manifestações e pressionam o poder político de forma legal, eu bem sei que é chato, mas sempre é melhor do que nos cortarem a cabeça, não acha? Por isso, não se preocupe com o extremismo Judeu, algo que só existe de forma efectiva em Israel e nos Estados Unidos (aqui muito residual também), porque os Judeus foram alvo de extremismo na Europa e então têm de estar caladinhos...


Você veja que, até em Israel, os extremistas Judeus são impossibilitados de concorrer a eleições. Assim aconteceu com o Rabino Meir Kahane e com o seu partido político, o Kach. O que aconteceu a Kahane depois já nós sabemos: foi assassinado por um Egípcio nos Estados Unidos da América, um daqueles tipos que lhe falava acima, aqueles que cortam as cabeças...


"Parece-me que as posições aqui defendidas, sempre a favor de uma das facções do conflito, se aproximam de uma categoria ou de outra."


Olhe, eu religioso não sou; já de lobbie, creio que me apanhou. Ainda há dias formei um grupo de pressão do qual eu sou o único membro, chamemos-lhe RB pelo aumento da mesada, tendo em vista o aumento da minha mesada, fornecida pelo meu pai. Apesar dos meus grandes argumentos e dos subornos à minha mãe, a quem prometi limpar o quarto caso me ajudasse a pressionar o poder monetário cá de casa, não recebi nada. Mas ao menos não desatei aos cortes de cabeça...


"É muito fácil tomar posição nesta fase do conflito, ignorando décadas de opressão, de invasão territorial de sonegação de direitos a uma população existente no território antes de ele ser ocupado."


Permita-me discordar caro Eurico. É muito mais difícil tomar posição nesta fase do conflito, dado o conhecimento e estudo necessários para nos pronunciar-mos sobre ele. São mais de 4000 anos de história porra. Há 60 anos era mais fácil tomar uma posição, depois das atrocidades Nazis e antes de todas as Guerras travadas, ou estarei eu enganado?


Nunca irei ignorar milénios de opressão ao povo Judeu, esteja descansado. Nem tão pouco vou ignorar as décadas de opressão da Jordânia, do Egipto e da Síria aos "refugiados" Palestinianos, se era a isso que se referia. E muito menos vou ignorar quem em Israel é cidadão Israelita não Judeu e possui direitos que nunca possuíria caso vivesse num qualquer país muçulmano.


Essa história da invasão territorial confesso que não me entra. Não me entra, em primeiro lugar, porque o Sionismo é muito mais antigo que qualquer espécie de nacionalismo Palestino, algo que só surgiu efectivamente em oposição ao Sionismo e, mais concretamente, mais de dez anos depois da fundação do Estado de Israel; não me entra porque quem tem o direito de se queixar de invasão territorial é o Império Otomano ou o Império Britânico, e nós bem sabemos que este último não o vai fazer, não só porque autorizou a sua denominada invasão, a que eu chamo imigração motivada por perseguição, como também porque agora já não manda nos referidos territórios; não me entra porque a esmagadora maioria das terras foi negociada e comprada por Judeus aos habitantes árabes daquela região, que nunca se chamaram Palestinianos, até porque a Palestina nem existia enquanto Estado, sendo até a sua referência geográfica bastante ténue; não me entra porque, apesar de todas as perseguições, continuaram a viver Judeus por aquelas bandas durante 4000 anos; não me entra porque quem foi invadido e foi privado de direitos foram os Judeus (sendo escravizados), há muito tempo atrás, naquela área do Globo, onde já possuíam um Estado com Rei quando a Europa só teve isso muito tempo depois.


Já que fala em sonegação de direitos, reparo que não está indignado com a persistência das autoridades Jordanas em não atribuir cidadania Jordana aos denominados "refugiados" Palestinianos que habitam o país há mais de 50 anos. Reparo, da mesma forma, que você não repara que em Israel 1,5 milhões de árabes têm o direito de voto e, consequentemente, o direito de elegerem os seus representantes. E, mais curioso ainda, note que estes representantes adoptam posições bem anti-Sionistas, conseguindo mesmo assim, apesar daquilo que diz a Constituição (que não existe de facto), não ser ilegalizados, como o foi o Kach do Rabino Kahane. Mas afinal em Israel há direito e direitos, enquanto nos países Muçulmanos há a Sharia e há a negação dos direitos e da liberdade individual. Assim, sugiro que se preocupe com os direitos de quem não tem direitos, e não com os direitos de quem os tem.


Quanto à história da existência de população residente, creio que já frisei acima o que precisa entender sobre o assunto: não existia identidade nacional Palestiniana quando o Sionismo foi criado (1897, embora as pretensões dos Judeus fossem muito mais antigas), quando os Judeus começaram a imigrar e até mesmo quando o Estado de Israel foi criado. O território não foi ocupado como diz, a não ser que considere que os imigrantes Ucranianos estão a ocupar o nosso rico Portugal desde a década de 1990. É de frisar, aliás, que o relacionamento entre Judeus e os Árabes locais foi inicialmente bastante proveitoso para ambos; as coisas descambaram depois, com razões diversas que lhe posso explicar. E, pasme-se(!), até o relacionamento com os Estados vizinhos se afigurava positivo no início da imigração. Ou como justifica o acordo de Emir Faisal com Weizmann, em 1919?


"5- As justificações históricas invocadas pelos israelitas de direita e estrema-direita para ocupar aquele território baseiam-se num livro não histórico, a Bíblia, e portanto são de cariz religioso."


Discordo. São várias as justificações históricas, mas o que é mais importante é analisar o porquê da imigração. Os Judeus durante séculos cantaram o suposto regresso a Sião, onde as perseguições acabariam; Os Judeus tiveram um Estado naquela zona durante mais de um século de história, Estado esse que acabou pela força; Os Judeus são originários daquela zona do Globo e sempre foram maioria lá até à I e II Diáspora Judaica, sendo os árabes ainda não islamizados uma minoria; Os Judeus têm lá os seus lugares sagrados. Como é possível você negar a ligação histórica do povo Judeu àquelas terras? Já assinou a ficha de militante do Hamas?


Os Judeus não teriam necessidade de migrar para aquela zona, importunando os pobres árabes que por acaso até faziam negócios com eles, se não fóssemos nós Europeus a fazer as nossas judiarias...


"6- No seio da sociedade israelita são cada vez mais os que defendem um estado israelo-palestino. Corre muito sangue árabe nas veias de Israel."


Totalmente falso. São cada vez mais aqueles que defendem o Eretz Israel.


"Uma coisa eu sei: o elo mais forte tem sido Israel, apoiado pelo lobbie internacional da alta finança judia e pela poderosa comunidade judaica americana"


Uiiiiiiiiiiiiiii! Alô, Diogo?


"Mas o poder dos países Árabes vizinhos tem vindo a aumentar e a extravasar a região e o conflito tem aumentado o número de extremistas islâmicos."


Partilho a sua preocupação. Mas repare que uma análise mais crua da realidade tornam as coisas bem melhor para Israel, ainda para mais com um Irão nuclear. Os países vizinhos raramente se conseguíram unir para alguma coisa, só o conseguíram para atacar Israel, com os resultados catastróficos para eles que conhecemos. Como se isso não bastasse, o quadro internacional actual dá a Israel grandes vantagens nas relações com as elites políticas do Mundo Árabe e Muçulmano, apesar da necessidade que estes têm de agradar aos extremistas religiosos. Só assim se justifica a existência de um amigável Mubarak, de um amigável Erdogan (com alguns tiques, é certo), de um amigável Abdullah Hussein II da Jordânia e até de um amigável Rei Abdullah Aziz, que propôs a abertura do espaço aéreo Saudita aos caças Israelitas caso estes pretendessem bombardear as instalações nucleares Iranianas. E, repare, nem lhe falei dos Governos relativamente pró-Ocidentais do Iraque, do Afeganistão e do Paquistão. Os problemas dão-se com os extremistas religiosos, com os grupos terroristas e com as organizações criminosas, não com as elites políticas mais esclarecidas, que têm tendência para se ocidentalizar no futuro. São os prazeres mundanos...


"Quantos à boa vida dos palestinos em Israel, deve estar a gozar comigo, não? Vá dizer isso aos que vivem nos territórios ocupados."


Para lhe responder a isto, preciso que me defina territórios ocupados. Porém, vou supor que está a falar da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, sendo que a primeira já não está sob comando Israelita desde 2005 e sendo que a segunda possui já grande autonomia, sendo administrada pela OLP. Quanto a Jerusalém Oriental, não entra para as contas.


Os Árabes Israelitas têm condições de vida muito maiores em Israel do que qualquer árabe nos restantes países Árabes. Por aqui não se discute.


Quanto aos territórios ocupados, não tem que atribuir culpa a Israel, que aliás fornece água, alimentos e energia aos territórios e até abriu um corredor humanitário por altura da Operação Chumbo Endurecido. Como se isso não bastasse, parece que a economia da Cisjordânia vai crescer 7% este ano, dados os esforços das autoridades Israelitas para facilitar a circulação no território. As culpas do ainda baixo nível de vida das populações deve-se mais à incompetência e corrupção da elite política Palestiniana (tente ver as contas de Arafat na Suíça) do que aos Israelitas.


"Sempre ao lado dos mais fracos, que neste caso é o das populações que suportam um sofrimento crescente."


Muito bonito essas suas palavras. O que me tem a dizer sobre o Darfur então? Será que pensa mais naquilo que se passa no Darfur do que no que se passa em Israel, quando já morreram dezenas de milhar de pessoas no primeiro sem que o caso tenha tido a atenção que têm as já conhecidas "atrocidades" Israelitas? Será que se preocupa com os tâmiles no Sri Lanka? Será que se preocupava com os Curdos no regime de Saddam? Será que se preocupou com o número avultado de mortes que ocorreram no Congo no mesmo dia em que se iniciou a Operação Chumbo Endurecido ou, tal como a ONU, preocupou-se mais com um conflito direccionado e justificado no Médio Oriente? Será que se preocupa com os presos políticos Cubanos e Norte-Coreanos?


"A constituição e independência do estado de Israel, as guerras com a anexação de mais território e a criação de milhares de refugiados, criaram uma situação de reacendimento do ódio dos extremistas islâmicos, cada vez mais numerosos, com um fim imprevisível."


A velha história da anexação de território. Israel é atacado e é suposto reagir com falinhas mansas e sem infligir golpes nos adversários? É suposto sair de uma Guerra sem retirar os devidos dividendos estratégicos, políticos e territoriais, ainda para mais quando até à luz do Direito Internacional se considera justíssimo que um país atacado possa, em caso de vitória, anexar território?


Será que o Eurico nutre algum tipo de compaixão pelos refugiados Judeus expulsos dos países árabes em que viviam depois da criação do Estado de Israel? Será que o Eurico sabe que todas as terras sem as quais estes Judeus ficaram davam para fazer 5 Estados de Israel? Será que sabe que estes refugiados (cerca de 1 milhão e 100 mil) são mais do que os "refugiados" Palestinianos (cerca de 700000 em 1950), muitos dos quais nem o são, porque são filhos de refugiados e não verdadeiros refugiados, para além de que muitos saíram pelo próprio pé porque achavam que Israel ia ser esmagado na Guerra de Independência?


Não me parece que saiba. E sabe porque não me parece que saiba? Porque, para um conflito de tamanha natureza e complexidade, o caro Eurico fornece aos leitores do seu blog links da wikipedia para estes formarem opinião sobre o assunto, em vez de bibliografia clara e amplamente recomendada. Talvez por isso a sua posição seja tão débil neste assunto como afirma. Se quiser eu recomendo-lhe uns livros e, aí, voltaremos a falar.