It is quite gratifying to feel guilty if you haven't done anything wrong: how noble! (Hannah Arendt).
Teste
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Fundamentos da democracia
O verdadeiro comunista toma banho de água fria*
Apesar do consumo de electricidade ter aumentado 4.5% ao ano, a necessidade de combater o império levou Chavez a neglienciar a manutenção de 4 de 5 turbinas termoeléctricas que se encontram paradas.
Chavez guardou 75% do investimento necessário para garantir fontes alternativas de electricidade confiando, alternativamente, na superioridade do socialismo. As verbas retidas foram gastas em lambidelas aos tomates de Putin.
No reino dos socialismos a culpa de tudo o que acontece de errado nunca é do socialismo e Chavez já disse: 'comunista que se prese toma banhos de menos de 3 minutos'. Esperam-se medidas revolucionárias que limpem o sebo aos sabotadores.
Há quem diga que a culpa é do El Niño que teima em não aparecer, não fazendo chover.
Eu acho que El Niño é culpado em duas vertentes: por um lado porque sabota o socialismo, por outro porque não permite mais umas quantas cheias, derrocadas e afogamentos absolutamente necessários para que a verdalhada berre "aí
... ai, ai, ai. Só os ursos deste planeta não se esfumam em CO2.
----
*A Sibéria foi, em tempos, um excelente local de treinos.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
No plano inclinado besuntado a cebo
Está-se a repetir, rigorosamente, o Portugal de 1926.
... e depois não se janta.
Estamos a gastar o crédito que nos é concedido sem fazer nada.
... investimentos de retorno negativo [pode sempre demolir-se]
A minhoca é mais cara que o peixe.
O jovens vão perceber que não têm lugar em Portugal porque vão ser sugados nos seus impostos para pagar um activo que não vale a pena.
Na fase final da 1ª república pagavam a pensão [...] quando havia dinheiro. Depois de Salazar vir para as finanças passaram a pagar a horas.
Medina Carreira, Nuno Crato e João Duque
Dos "desestruturados"
"Trata-se de um agregado desestruturado, com um quadro familiar muito complexo. Enriqueceram subitamente e não demonstraram ter as competências necessárias à gestão do património, bem como à perspectivação do seu futuro. Para além da falência da empresa que criaram, viram-se sem qualquer tipo de rendimentos líquidos, embora com património".Coitados, são umas vítimas e, como tal, devem gozar de todo o tipo de ajudas começando por rendimento mínimo garantido para a malta toda.
O bezerro da família 'diz' ainda:
"Isso que as pessoas dizem não interessa, porque a Segurança Social sabe de tudo o que se passa, está lá tudo escrito"Via ... (já não me lembro).
Muro de Berlim - Certificado de Inferioridade
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Da terra dos esqueletos
Da fartura
A determina altura ele cala-se e, de olhos esbugalhados e queixada caída, olha a TV e exclama: não é possível ... não acredito ... nunca pensei ver isto antes de morrer.
A conversa resvalou, de imediato, para os acontecimentos e, a certo passo, disse-me: meu caro, quem há 10 anos fosse à RDA e conseguisse entrar com 10 pares de meias de nylon conseguia ir para a cama com as primeiras 10 mulheres que lhe aparecessem.
Esquerda, Estúpidos
... eu sei que estou a ser injusto para com a esquerda em geral (não necessariamente a maioria), mas 'eles' sabem que a carapuça lhe serve na perfeição.
Da dignidade e da prosperidade
Claro que, entretanto, aqui, neste jardim cuja relva vai sendo invadida por água salgada, os desígnios socialistas vão sendo implementados pela mais sacrossanta redistribuição.
Atraindo e constituindo novas empresas, os polacos afastam-se de Portugal a alta velocidade enquanto nos mostramos incapazes de aguentar as nossas ou, sequer, de segurar as que cá estão.
E Thatcher já não nos pode visitar ...
O Muro Caiu Há 20 Anos
Em 1989 o comunismo fracassava estrondosamente e caía aos pés dos povos que dominava. Esse ano magnífico de 1989 evidenciou também que toda a aberração política, por mais forte que seja, é sempre mais frágil do que o colapso a que a natureza do mundo a condena.
Os construtivismos políticos têm pelo menos o mérito de um dia terem um final condignamente comemorado:
(imagem picada aqui)domingo, 8 de novembro de 2009
sábado, 7 de novembro de 2009
The Who - Who's next? - Baba O'riley - 1971
Deep Purple - Stormbringer - Lady Double Dealer - 1974
Esta gravação não é tão boa como a do album, mas não encontrei outra em melhor estado.
Na fronteira da violência que consigo suportar, é de ver o filme que serve de suporte à música (cujo nome me não recordo). Contendo doses equivalentes de violência, é também de ver o filme Gangs of New York.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Se Israel tem, porque é que o Irão não pode ter?
Quando se aborda a questão do nuclear iraniano, é recorrente o argumento de que o Irão na posse da arma atómica, não será substancialmente diferente de outros países que também a têm, e surge quase sempre o argumento de que “se Israel tem, então o Irão também tem direito a ter”.
Há quem se questione mesmo se a preocupação com o Irão, não será um caso de “dois pesos e duas medidas”.
Há aqui questões políticas e jurídicas complexas e que não se deixam aprisionar em narrativas tão simplistas.
Politicamente falando, todos os estados soberanos reservam para si o direito de desenvolver programas nucleares para fins civis e militares. EUA, Rússia, China, Índia, etc., fazem-no. Israel não se sabe, porque mantém uma politica deliberada de “não confirmo nem desminto”, por razões estratégicas, mas presume-se que sim.
Há vários anos que, no quadro das Nações Unidas, se procura controlar estes programas, tendo como racional a ideia de que a proliferação tornará o mundo inseguro, pela multiplicação das possibilidades de erro, irracionalidade e escalada.
Nesse quadro, muitos países comprometeram-se voluntariamente com o Tratado de Não Proliferação. O Irão foi um deles. Tal como Portugal.
Assinar o TNP implica a expressa renúncia a programas militares e a aceitação de inspecções dos programas civis por parte da AIEA.
Ou seja, Portugal e o Irão podem ter um programa atómico, podem enriquecer urânio, mas têm de seguir os procedimentos e limitações decorrentes do tratado que assinaram.
O problema com o Irão, é que não está a fazer nada disso.
O Irão pode, a qualquer momento, dizer que não está mais limitado pelas cláusulas do NPT, retirar-se do tratado, e prosseguir com os seus programas de forma soberana.
Não o faz, porque quer manter-se na luz da legalidade e sabe que se dela se retirar antes de ter disponíveis vectores nucleares, será tratado como o vizinho perigoso da rua, e os vizinhos podem mexer-se para o impedir.
Em termos de Direito Internacional, existe um problema: o Irão, ao ocultar sistematicamente à AIEA, partes do seu programa nuclear, e ao colocar obstáculos às actividades de inspecção, violou e viola os compromissos que assinou,
Por isso é perfeitamente natural que se instale a suspeita de que as suas intenções não são claras. E é daí que brota o alarme e a mobilização de uma grande parte da comunidade internacional, perante aquilo que percebem naturalmente como uma ameaça à sua segurança.
No plano político a questão é incontornável: quais as razões pelas quais o Irão prossegue tais actividades e, especialmente, por que razão tenta ocultá-las?
A diferença entre o Irão e Israel (ou o Reino Unido), é que os poderes destes países não passam a vida a ameaçar outros países de que vão fazê-los “desaparecer do mapa”. São actores racionais.
A França está aqui perto, os seus aviões, submarinos e mísseis alcançam o local onde moro, e nem por isso me sinto preocupado. Na verdade Portugal está mais seguro pelo facto de países aliados terem armas destas.
Na inversa, não acredito que um iraquiano, um saudita, um egípcio, etc., se sinta mais seguro por ter como vizinho um Irão dotado de armas nucleares.
Pelo que se sabe, é justamente o contrário, de tal forma que até os sauditas, inimigos figadais de Israel, permitem discretamente que aviões israelitas sobrevoem o seu território, no caso de um ataque ao Irão.
O programa israelita é uma ameaça para os vizinhos? Alguns acreditam que sim e, no limite é-o mesmo, uma vez que Israel usará o seu arsenal se a sua sobrevivência estiver em causa, mas limitemo-nos aos factos: os belicosos vizinhos de Israel manifestam-se contra, obviamente, mas não com grande indignação, porque sabem que Israel é um actor racional, pelo que nem sequer tentaram iniciar uma corrida ao nuclear, para contrabalançar, coisa que já estão a fazer relativamente ao Irão.
Porquê? Pelas mesmas razões que levam a Alemanha a não criar um programa nuclear militar para equilibrar o inglês. Porque tanto a Alemanha como os vizinhos de Israel percebem tratar-se de programas defensivos, meras forças de dissuasão, que não se destinam a ser usadas, mas sim a dissuadir ataques.
Se o Irão preocupa, é porque é percebido como um estado revolucionário; porque sabemos que, quando dispuser de um guarda-chuva nuclear, o irá utilizar para incrementar o apoio a movimentos terroristas nos países vizinhos, sem temer sofrer retaliações; porque tememos que possa encaminhar para estes grupos, alguma dessa tecnologia; porque se trata de um governo repleto de fanáticos religiosos e não confiamos que gente desta seja capaz de gerir racionalmente uma situação de tensão; porque sabemos que os vizinhos irão, também eles, tentar dotar-se dos mesmos meios, numa imparável corrida ao nuclear que, mais tarde ou mais cedo, se descontrolará e terminará numa catástrofe global.
O martírio é o caminho para a salvação
http://economico.sapo.pt/noticias/ursos_73553.html
http://economico.sapo.pt/noticias/o-ecocapitalismo_8659.html
http://economico.sapo.pt/noticias/a-profecia-xhosa_13574.html
http://economico.sapo.pt/noticias/espelhos-para-principes_67297.html
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/752290.html
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Da desconstrução do "aquecimento global"
... o último pedaço é muito interessante. Corrobora o que tem aqui sido dito desde há muito tempo, por exemplo, aqui.
Entretanto, Zéi chamou a atenção que estão aqui parte das declarações de Lord Monckton legendadas em português. A totalidade da apresentação pode ser vista aqui (em inglês).
Via WUWT.
Amen
Virão também a ser proibidos, nas escolas e edifícios públicos, os respectivos símbolos?
Como evitar enrascadelas
Das aulas de educação sexual no contexto do sentido da vida, segundo todos os santos Monthy Python.
#reengenharia social
George Bush rumo à destruição do planeta Terra
International negotiators lost one of the key elements to a successful deal on global warming today after Democratic leaders in the US Congress ruled out passing a climate change law before 2010.Pelosi deve estar possessa.
Aqui.
Leitura complementar.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Dos abanadores de castelos
Tinha-me enganado no vídeo. De qualquer forma, o anterior é este.
Um filme mais antigo sobre o SR-71 ... aqui.
Outro sobre o U-2.
Do certificado de malandro
Ah, agora é quando prometem um homem novo? Curioso, que nunca vi o BE com essas aspirações.Isto faz-me lembrar uma história que a malta da judiciária conta.
Hum, pois, totalitário. Quer fazer o obséquio de indicar, por exemplo, pontos do programa para as legislativas que sustentem tão categórica afirmação? Ou chegou a esta conclusão quando estava sob o efeito das mesmas substâncias que o levaram a colar o Mugabe ao BE?
Um belo dia um caramelo resolve assaltar um banco. Chegado, depara com muita gente e, para não se meter em demasiada confusão, puxa do BI, pega um formulário e preenche, queimando tempo.
Já com pouca gente passa à acção. Assalta a caixa e vai-se embora deixando o BI em cima do balcão.
SEM PAPAS NA LÍNGUA...
Passaram cinco anos depois do assassinato de Theo van Gogh (2 de Novembro 2004) e ainda não me consegui habituar há falta dele. Amesterdão sem Theo não é a mesma coisa.Uma resposta de Theo van Gogh a um jornalista que mencionava o facto de ele amiúde se dirigir a muçulmanos como ‘os enraba-cabras’.
A minha opinião, segundo você sem papas na língua, sobre muçulmanos (sejam eles quem forem) é realmente para insultar; não podemos insultar suficientemente os crentes que ameaçam a nossa liberdade de pensamento, sejam eles muçulmanos, cristãos ou outros. No entanto, gostaria de sublinhar que os meus ataques nunca serão desferidos apenas porque alguém é muçulmano, porque não considero meus inimigos os seguidores de Alá que são tolerantes e que se comportam como democratas.
Alle Menschen werden Brüder - die juden auch?
ml: «…importa-se de retirar os über- e unter- e deixar toda a gente simplesmente Menschen?»
Senhora dona ml,
Importo-me sim senhora, quero aproveitar enquanto posso a minha liberdade de colunista, porque quando o José Saramago (o outro semelhante) for ministro da cultura deste país só você e o Sérgio Pinto terão direito de antena.
ml: «…eu que descendo de uma raça de descobridores/globalizadores e sou um bocadinho ‘nacionalista’»
Em todo o caso nacionalista suficiente para chatear a mona a uma pessoa – sobre a colocação de verbos numa frase - que gosta da sua língua mas que apenas viveu nove anos (dos 9 aos 18) no seu jardim à beira-mar plantado!
ml: «…da última vez que uns tipos altos e louraços se consideraram os mais inteligentes e capazes, deu no que deu, …»
Tem toda a razão, é o que dá os socialismos-nacionalistas. Todos eles começam sempre por ser um bocadinho nacionalistas, mas depois misturam-lhe socialismo e a coisa torna-se explosiva e dá no que dá.
ml: «…e as vítimas de ontem já se candidataram a carrascos de hoje.»
Você ainda não percebeu bem a coisa! As vítimas de ontem não têm vontade nenhuma de serem, mais uma vez, as vítimas que sempre foram ao longo da história. Que diabo, querem evitar que os seus filhos ou netos venham a escrever um dia em blogues ‘que da última vez que uma religião (da paz) se considerou a única deu no que deu’.
Acerca do Dawkins nada tenho contra e continua para mim a ser muito popular, é um ateu que explica muito bem e com bastante humor como desmantelar o Altíssimo – e normalmente percebo tudo o que ele diz, que mais desejar?
Acerca de raças creio que o Eça era anti-semita, mas era anti-semita da mesma forma que Camões era racista. Para compreender é preciso ver as coisas no seu contexto e na sua época. Na época de Eça, e no meio em que ele se movia, era pura e simplesmente ‘bon ton’ este tipo de referências à raça judaica, e tem tudo a ver com o excelente p.r. do Vaticano a que anteriormente fiz referência.
O anti-semitismo só deixou abruptamente de ser ‘salonfähig’ – para se tornar tabu – depois do Holocausto, mas inspirado actualmente pela religião da paz retoma o seu curso ‘normal’ em meios de esquerda, mas não só. Só assim é que se compreende a percepção e indignação terrivelmente selectiva em relação às supostas maleficências do judeu.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Da óptica
Segundo a Subdirectora-geral de Saúde, Graça Freitas, «os partidos “fazem parte da nossa democracia e devem ser vacinados“». Concordo que os partidos devem ser vacinados. Duvido é que existam vacinas para as doenças que os afectam.
domingo, 1 de novembro de 2009
Então, vá!

Stormy Weather
... ou de como se dança na corda da simplicidade musical, sem rede e parecendo voar.
Do caos e das formas
por Paulo Tunhas, Publicado em 28 de Outubro de 2009
Não compreender que a criação conjuga caos e significação é não compreender, além da arte e da religião, a sociedade
Não há muito a acrescentar ao que Vasco Pulido Valente optimamente escreveu sexta-feira passada no "Público" a propósito do recente caso Saramago: aquelas pouco elaboradas opiniões sobre a Bíblia não deviam surpreender, vindas de quem vinham; o verdadeiramente extravagante foi a atenção que lhes foi prestada. Algo, no entanto, se pode dizer mais. Não, é claro, sobre Saramago - um mau escritor talentoso, se a opinião me é permitida -, mas sobre aquilo que, na sua maneira de pensar, é comum a muita gente.
Em primeiro lugar, a dificuldade em perceber aquilo que nas grandes criações é caos, caos a partir do qual nascem as formas (entre outras, as do bem e do mal). Isto, que vale para o Antigo Testamento, vale igualmente para a tragédia grega e para toda a grande arte, seja ela qual for. É a dificuldade em compreender isto que gera uma visão unívoca e chã das coisas e que permite a cegueira face ao modo como o sublime e o terrível convivem no interior do coração humano.
Depois fala-se da religião como se ela fosse uma peça descartável que não tivesse senão uma relação puramente conjuntural com a arte e a cultura europeias.
Expulsaríamos a fé, ou a possibilidade de conceber a fé, para distantes plagas e poderíamos, livres da infame excrescência, continuar, por exemplo, a apreciar impecavelmente a "Paixão segundo S. Mateus". Acontece que isso é um sonho de zombie. Não é possível, mesmo para um ateu (falo do que sei), ouvir o coro de Bach gritar "Barrabam!" sem entrar ao mesmo tempo, quase fisicamente, num universo imaginário bíblico de significações. A grandeza de Bach não é, pura e simplesmente, dissociável desse universo, dessa ordem, desse cosmos. É uma parte desse magma.
Esta insensibilidade ao carácter imaginário das significações (judaicas, gregas, cristãs) que governam as nossas vidas - uma delas, por exemplo, é a exigência de justiça - impede, como é natural, um bom entendimento da religião e da arte, mas induz igualmente a mais completa cegueira face ao que caracteriza propriamente o modo de existência das sociedades. As sociedades mantêm-se porque os seus membros, por elas criados, partilham, para falar como Cornelius Castoriadis (que tenho vindo, de resto, a citar implicitamente), "significações imaginárias sociais". Sem a partilha dessas significações, elas não subsistiriam. Que essas significações devam ser continuamente reinterpretadas, é uma coisa. Que sejam vistas - como pretende um progressismo muito militante hoje em dia - como simples barreiras a transgredir em benefício da felicidade universal, isso resulta já do mais puro analfabetismo. Inclusive sobre aquilo que nos permite desejar mais liberdade.
Professor do Departamento de Filosofia da Universidade do Porto
Do Ilumnado nº 1 e do idiota-útil norte-americano
Carta a Eurico Moura
O Diogo, em mais uma das suas muito badaladas idiotices baseadas em sítios na Internet e livros obscuros que não se cansa de ler, voltou recentemente a lançar mais algumas das suas pérolas no Fiel Inimigo. Venero, desde já, o esforço heróico dos meus companheiros de blog, que parecem ter paciência para argumentar com o iluminado Diogo. Eu prefiro manter-me afastado desta maré de comentários intelectualmente degradantes por parte do Diogo, não vá eu ser contagiado com o bicho.
Prefiro, dada a desonestidade e fraqueza intelectual do Diogo, responder ao meu caro Eurico Moura, que recentemente também tem comentado no Fiel. Louve-se a participação, como é óbvio, aliás até lhe peço desculpa pelo facto de estar a dirigir-me a si neste post que começa a falar do iluminado Diogo. Acredite, não é qualquer tipo de comparação aquilo que estou a fazer.
Comecemos, pois:
"Que há um lobbie judeu, há"
Como bem referiu o Lidador, nada difere os lobbies Judaicos/Israelitas dos restantes lobbies à face da Terra. Estes lobbies, ao qual o caro Eurico se refere com um estranho desdém, são uma característica das Sociedades Modernas mais desenvolvidas, onde muitas vezes o Poder Político vai contra os interesses/objectivos de grupos de diversa índole. Estes, como forma de defesa e como forma de tentar alterar as premissas e actuações do Poder Político, emitem as denominadas pressões sobre o Poder Político, por forma a verem os seus objectivos atingidos.
Problema para mim são as sociedades sem lobbies e as sociedades onde os lobbies são menos transparentes, sendo de destacar neste último caso as sociedades Europeias. Porque o lobbie é a expressão da insatisfação de minorias e de grupos diversos, que se sentem injustiçados pelo poder político ou por outro qualquer poder que lhes incute ordens com as quais não concordam.
Falará com esse desdém o meu caro Eurico do lobbie sindical? Do lobbie ambiental? Do lobbie gay? Ou não os considera lobbies? Não concorda com o protesto? Acredita que o Estado manda e que nós devemos obedecer? E olhe que eu digo isto e estou longe de ser de esquerda.
"que há extremismo judeu"
Há extremismos de diversa índole, como mais uma vez lhe apontou o Lidador. A diferença é que uns extremismos cortam-nos a cabeça, outros fazem manifestações e pressionam o poder político de forma legal, eu bem sei que é chato, mas sempre é melhor do que nos cortarem a cabeça, não acha? Por isso, não se preocupe com o extremismo Judeu, algo que só existe de forma efectiva em Israel e nos Estados Unidos (aqui muito residual também), porque os Judeus foram alvo de extremismo na Europa e então têm de estar caladinhos...
Você veja que, até em Israel, os extremistas Judeus são impossibilitados de concorrer a eleições. Assim aconteceu com o Rabino Meir Kahane e com o seu partido político, o Kach. O que aconteceu a Kahane depois já nós sabemos: foi assassinado por um Egípcio nos Estados Unidos da América, um daqueles tipos que lhe falava acima, aqueles que cortam as cabeças...
"Parece-me que as posições aqui defendidas, sempre a favor de uma das facções do conflito, se aproximam de uma categoria ou de outra."
Olhe, eu religioso não sou; já de lobbie, creio que me apanhou. Ainda há dias formei um grupo de pressão do qual eu sou o único membro, chamemos-lhe RB pelo aumento da mesada, tendo em vista o aumento da minha mesada, fornecida pelo meu pai. Apesar dos meus grandes argumentos e dos subornos à minha mãe, a quem prometi limpar o quarto caso me ajudasse a pressionar o poder monetário cá de casa, não recebi nada. Mas ao menos não desatei aos cortes de cabeça...
"É muito fácil tomar posição nesta fase do conflito, ignorando décadas de opressão, de invasão territorial de sonegação de direitos a uma população existente no território antes de ele ser ocupado."
Permita-me discordar caro Eurico. É muito mais difícil tomar posição nesta fase do conflito, dado o conhecimento e estudo necessários para nos pronunciar-mos sobre ele. São mais de 4000 anos de história porra. Há 60 anos era mais fácil tomar uma posição, depois das atrocidades Nazis e antes de todas as Guerras travadas, ou estarei eu enganado?
Nunca irei ignorar milénios de opressão ao povo Judeu, esteja descansado. Nem tão pouco vou ignorar as décadas de opressão da Jordânia, do Egipto e da Síria aos "refugiados" Palestinianos, se era a isso que se referia. E muito menos vou ignorar quem em Israel é cidadão Israelita não Judeu e possui direitos que nunca possuíria caso vivesse num qualquer país muçulmano.
Essa história da invasão territorial confesso que não me entra. Não me entra, em primeiro lugar, porque o Sionismo é muito mais antigo que qualquer espécie de nacionalismo Palestino, algo que só surgiu efectivamente em oposição ao Sionismo e, mais concretamente, mais de dez anos depois da fundação do Estado de Israel; não me entra porque quem tem o direito de se queixar de invasão territorial é o Império Otomano ou o Império Britânico, e nós bem sabemos que este último não o vai fazer, não só porque autorizou a sua denominada invasão, a que eu chamo imigração motivada por perseguição, como também porque agora já não manda nos referidos territórios; não me entra porque a esmagadora maioria das terras foi negociada e comprada por Judeus aos habitantes árabes daquela região, que nunca se chamaram Palestinianos, até porque a Palestina nem existia enquanto Estado, sendo até a sua referência geográfica bastante ténue; não me entra porque, apesar de todas as perseguições, continuaram a viver Judeus por aquelas bandas durante 4000 anos; não me entra porque quem foi invadido e foi privado de direitos foram os Judeus (sendo escravizados), há muito tempo atrás, naquela área do Globo, onde já possuíam um Estado com Rei quando a Europa só teve isso muito tempo depois.
Já que fala em sonegação de direitos, reparo que não está indignado com a persistência das autoridades Jordanas em não atribuir cidadania Jordana aos denominados "refugiados" Palestinianos que habitam o país há mais de 50 anos. Reparo, da mesma forma, que você não repara que em Israel 1,5 milhões de árabes têm o direito de voto e, consequentemente, o direito de elegerem os seus representantes. E, mais curioso ainda, note que estes representantes adoptam posições bem anti-Sionistas, conseguindo mesmo assim, apesar daquilo que diz a Constituição (que não existe de facto), não ser ilegalizados, como o foi o Kach do Rabino Kahane. Mas afinal em Israel há direito e direitos, enquanto nos países Muçulmanos há a Sharia e há a negação dos direitos e da liberdade individual. Assim, sugiro que se preocupe com os direitos de quem não tem direitos, e não com os direitos de quem os tem.
Quanto à história da existência de população residente, creio que já frisei acima o que precisa entender sobre o assunto: não existia identidade nacional Palestiniana quando o Sionismo foi criado (1897, embora as pretensões dos Judeus fossem muito mais antigas), quando os Judeus começaram a imigrar e até mesmo quando o Estado de Israel foi criado. O território não foi ocupado como diz, a não ser que considere que os imigrantes Ucranianos estão a ocupar o nosso rico Portugal desde a década de 1990. É de frisar, aliás, que o relacionamento entre Judeus e os Árabes locais foi inicialmente bastante proveitoso para ambos; as coisas descambaram depois, com razões diversas que lhe posso explicar. E, pasme-se(!), até o relacionamento com os Estados vizinhos se afigurava positivo no início da imigração. Ou como justifica o acordo de Emir Faisal com Weizmann, em 1919?
"5- As justificações históricas invocadas pelos israelitas de direita e estrema-direita para ocupar aquele território baseiam-se num livro não histórico, a Bíblia, e portanto são de cariz religioso."
Discordo. São várias as justificações históricas, mas o que é mais importante é analisar o porquê da imigração. Os Judeus durante séculos cantaram o suposto regresso a Sião, onde as perseguições acabariam; Os Judeus tiveram um Estado naquela zona durante mais de um século de história, Estado esse que acabou pela força; Os Judeus são originários daquela zona do Globo e sempre foram maioria lá até à I e II Diáspora Judaica, sendo os árabes ainda não islamizados uma minoria; Os Judeus têm lá os seus lugares sagrados. Como é possível você negar a ligação histórica do povo Judeu àquelas terras? Já assinou a ficha de militante do Hamas?
Os Judeus não teriam necessidade de migrar para aquela zona, importunando os pobres árabes que por acaso até faziam negócios com eles, se não fóssemos nós Europeus a fazer as nossas judiarias...
"6- No seio da sociedade israelita são cada vez mais os que defendem um estado israelo-palestino. Corre muito sangue árabe nas veias de Israel."
Totalmente falso. São cada vez mais aqueles que defendem o Eretz Israel.
"Uma coisa eu sei: o elo mais forte tem sido Israel, apoiado pelo lobbie internacional da alta finança judia e pela poderosa comunidade judaica americana"
Uiiiiiiiiiiiiiii! Alô, Diogo?
"Mas o poder dos países Árabes vizinhos tem vindo a aumentar e a extravasar a região e o conflito tem aumentado o número de extremistas islâmicos."
Partilho a sua preocupação. Mas repare que uma análise mais crua da realidade tornam as coisas bem melhor para Israel, ainda para mais com um Irão nuclear. Os países vizinhos raramente se conseguíram unir para alguma coisa, só o conseguíram para atacar Israel, com os resultados catastróficos para eles que conhecemos. Como se isso não bastasse, o quadro internacional actual dá a Israel grandes vantagens nas relações com as elites políticas do Mundo Árabe e Muçulmano, apesar da necessidade que estes têm de agradar aos extremistas religiosos. Só assim se justifica a existência de um amigável Mubarak, de um amigável Erdogan (com alguns tiques, é certo), de um amigável Abdullah Hussein II da Jordânia e até de um amigável Rei Abdullah Aziz, que propôs a abertura do espaço aéreo Saudita aos caças Israelitas caso estes pretendessem bombardear as instalações nucleares Iranianas. E, repare, nem lhe falei dos Governos relativamente pró-Ocidentais do Iraque, do Afeganistão e do Paquistão. Os problemas dão-se com os extremistas religiosos, com os grupos terroristas e com as organizações criminosas, não com as elites políticas mais esclarecidas, que têm tendência para se ocidentalizar no futuro. São os prazeres mundanos...
"Quantos à boa vida dos palestinos em Israel, deve estar a gozar comigo, não? Vá dizer isso aos que vivem nos territórios ocupados."
Para lhe responder a isto, preciso que me defina territórios ocupados. Porém, vou supor que está a falar da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, sendo que a primeira já não está sob comando Israelita desde 2005 e sendo que a segunda possui já grande autonomia, sendo administrada pela OLP. Quanto a Jerusalém Oriental, não entra para as contas.
Os Árabes Israelitas têm condições de vida muito maiores em Israel do que qualquer árabe nos restantes países Árabes. Por aqui não se discute.
Quanto aos territórios ocupados, não tem que atribuir culpa a Israel, que aliás fornece água, alimentos e energia aos territórios e até abriu um corredor humanitário por altura da Operação Chumbo Endurecido. Como se isso não bastasse, parece que a economia da Cisjordânia vai crescer 7% este ano, dados os esforços das autoridades Israelitas para facilitar a circulação no território. As culpas do ainda baixo nível de vida das populações deve-se mais à incompetência e corrupção da elite política Palestiniana (tente ver as contas de Arafat na Suíça) do que aos Israelitas.
"Sempre ao lado dos mais fracos, que neste caso é o das populações que suportam um sofrimento crescente."
Muito bonito essas suas palavras. O que me tem a dizer sobre o Darfur então? Será que pensa mais naquilo que se passa no Darfur do que no que se passa em Israel, quando já morreram dezenas de milhar de pessoas no primeiro sem que o caso tenha tido a atenção que têm as já conhecidas "atrocidades" Israelitas? Será que se preocupa com os tâmiles no Sri Lanka? Será que se preocupava com os Curdos no regime de Saddam? Será que se preocupou com o número avultado de mortes que ocorreram no Congo no mesmo dia em que se iniciou a Operação Chumbo Endurecido ou, tal como a ONU, preocupou-se mais com um conflito direccionado e justificado no Médio Oriente? Será que se preocupa com os presos políticos Cubanos e Norte-Coreanos?
"A constituição e independência do estado de Israel, as guerras com a anexação de mais território e a criação de milhares de refugiados, criaram uma situação de reacendimento do ódio dos extremistas islâmicos, cada vez mais numerosos, com um fim imprevisível."
A velha história da anexação de território. Israel é atacado e é suposto reagir com falinhas mansas e sem infligir golpes nos adversários? É suposto sair de uma Guerra sem retirar os devidos dividendos estratégicos, políticos e territoriais, ainda para mais quando até à luz do Direito Internacional se considera justíssimo que um país atacado possa, em caso de vitória, anexar território?
Será que o Eurico nutre algum tipo de compaixão pelos refugiados Judeus expulsos dos países árabes em que viviam depois da criação do Estado de Israel? Será que o Eurico sabe que todas as terras sem as quais estes Judeus ficaram davam para fazer 5 Estados de Israel? Será que sabe que estes refugiados (cerca de 1 milhão e 100 mil) são mais do que os "refugiados" Palestinianos (cerca de 700000 em 1950), muitos dos quais nem o são, porque são filhos de refugiados e não verdadeiros refugiados, para além de que muitos saíram pelo próprio pé porque achavam que Israel ia ser esmagado na Guerra de Independência?
Não me parece que saiba. E sabe porque não me parece que saiba? Porque, para um conflito de tamanha natureza e complexidade, o caro Eurico fornece aos leitores do seu blog links da wikipedia para estes formarem opinião sobre o assunto, em vez de bibliografia clara e amplamente recomendada. Talvez por isso a sua posição seja tão débil neste assunto como afirma. Se quiser eu recomendo-lhe uns livros e, aí, voltaremos a falar.
-
Cara ml, não sei porquê mas não consigo comentar na caixa de comentários deste artigo , por isso resolvi colocar a minha resposta aqui (qua...
-
A propósito do "Fitna", o delírio desculpabilizador instalou-se e uma certa esquerda afadiga-se em comparar livros sagrados , pesc...
-
O assunto é grave. Tão grave que o juiz chefe do Supremo Tribunal da Arábia Saudita, um tal Sheik Saleh al-Lihedan, clérigo daquela que é co...








