sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Quanto vale Portugal?

No Ab-Logando:

Não se trata de uma pergunta em termos patrimoniais históricos, culturais, etc, mas, quanto vale Portugal em termos de algo que é capaz de se suster a si próprio? Ninguém sabe.

No pós 25 de Abril, havia uma ideia de quanto valia o país. Menos com nacionalizações, mais com privatizações, havendo alguma indústria mais substancial noutros menos, havia uma ideia do que valia Portugal.

Valia pouco, a avaliar pela necessidade que então havia em reparar manualmente uma guarda-lamas em alternativa à pura substituição, demasiado cara, mas valia alguma coisa e, principalmente, havia uma noção do que valia.

Com a fluxo de dinheiro da então CEE, foi deixando de se perceber quanto valia o país. Passou a valer também por pertencer, mais ou menos formalmente à "europa". Traduzindo por miúdos, passo a valer também em função do dinheiro com que era alimentado: a chamada solidariedade "europeia". Passou a valer por ... acompanhar com ricos.

Percebeu-se finalmente que a solidariedade é uma estrada de dois sentido e, quem se solidariza, gosta de ver que algo concreto resulta dessa solidariedade. À falta de melhor, a solidariedade para com Portugal apenas gerou, numa primeira fase, necessidade de mais solidariedade, numa segunda, necessidade de dinheiro fosse como fosse o que quer dizer, em dívida até à raiz dos cabelos.

O valor (aparente) de Portugal aumentou mas não se teve em atenção que património construido com dinheiro alheio só seria do país quando estivesse pago. Também não se teve em atenção que a maioria desse património não geraria riqueza, apenas despesa, pelo que se tratava não só de investimento encravado como infectado. Todos os disparatados investimentos foram feitos (virtuosos, como se lhes chamava) que não só não geravam per si riqueza, mas a torravam (eólicas, PPPs, Parque Escolar etc).

Paralelamente o pais foi ficando empestado em regulamentação proveniente da "europa", sempre localmente levada às últimas consequências.Os reguladores, manifestamente incompetentes, tudo desregularam e tudo fazem parar, para além de próprias estruturas de inspecção do cumprimento da regulamentação que quanto mais actuam mas cacos espalha.

O país vai consumindo cada vez mais, cada vez mais pagando esse consumo com dinheiro injectado na economia pelas mais diversas vias mas todo proveniente de dívida, até chegar o momento em que os emprestadores desconfiam que o rei vai nu e que o país está absolutamente dependente não só de eterna dívida mas de endividamento galopante. Apertam ligeiramente a torneira e a reacção das "forças vivas" do pais é de tal ordem que fica estabelecida a certeza de que Portugal vivia basicamente à custa de dinheiro alheio.

Quanto vale Portugal agora? Ninguém sabe. Ninguém sabe mas todos sabemos ou devíamos saber que o valor é baixo e que teremos que nos começar a habituar a viver com aquilo que valemos e, já agora, em, matéria de investimento, que mais importante que gastar é ter um alto grau de certeza que o retorno desse investimento não tardará a surgir.

Há um valor de riqueza criado anualmente. Esse valor terá que chegar para se viver. Esse valor será distribuído pelos canais habituais, que vão dos impostos à peixaria, onde sardinha asada ou por assar, mais uns quantos nacos de carvão, transformarão a pouca riqueza criada em mais umas horas de energia no sistema circulatório humano. Se o dinheiro não chegar, há que distribuir menos, o que provocará um retracção do consumo com reflexos na criação de riqueza criada. E isto pode acabar no zero? Pode. Seria sinal de que nada valeríamos. E pode acabar abaixo de zero? Pode. Parece-me ser o caso da Grécia. E qual é o valor de Portugal incluindo a dívida na equação? Suponho que abaixo de zero. Daí a importância voltar aos mercados apenas para a manter estabilizada (pedir apenas para pagar dívidas antigas).

Na minha opinião, valemos ainda qualquer coisa, mas valeríamos mais se o estado deixasse de chatear, de estar em toda a parte e de meter o bedelho em tudo - soltem a malta e deixem de chatear. Se a "europa" deixa ou não, não sei. Eles gastaram connosco rios de dinheiro em solidariedade e são bem capazes de não gostar de coabitar com precedentes no extraordinário castelo nazi-socialista que, entretanto, têm vindo a montar, e que, aliás, também lhes está a deixar o couro pejado de carraças.

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