Teste

teste

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Churrasco de Gronelândia

ALAAAAAAAARME: Nunca nos últimos 200 anos a Gronelândia aqueceu tanto.

OOPS: Nos últimos 200 anos a Gronelândia esteve mais quente pelo menos por duas vezes.

OOOOOOOOOPPPPSSSSS: Nos últimos 4000 anos a Gronelândia esteve mais quente uma enormidade de vezes.

PRIMAVERA ÁRABE: SHARIA OU SHARIA LIGHT...

O Egipto, a Tunísia e a Líbia vão ter que escolher entre Sharia ou sharia light, mais cores não há, e o melhor é os islamistas ganharem as primeiras eleições, é o que nos diz Hamed Abdel-Samad, um alemão de origem egípcia que dá aulas no Instituto de História Judaica na Universidade de Munique e permaneceu meses seguidos na praça Tahrir.



Será que o Norte de África, depois do esperançoso sinal de revolução, vai escolher novamente a via da ditadura? Temo que sim. Será que os bombardeamentos da NATO aplainaram o caminho para a instauração da sharia na Líbia? Será que Bouazizi, o vendedor de legumes tunisino, se imolou para que os integristas islâmicos agora tomem o poder no seu país? Será que milhões de egípcios se manifestaram para que finalmente os militares partilhem o poder com os Irmãos Muçulmanos? Será que o sonho árabe acerca de democracia e liberdade não passa de um sonho? É perfeitamente possível responder com um SIM a todas estas perguntas, mas a situação é mais complexa.

Sharia como cavalo de Tróia

No Norte de África estamos perante um normal desenrolar de acontecimentos em período pós-revolucionário. Em primeiro lugar vêm à tona os males da própria sociedade, que a ditadura encobriu durante muitos anos: uns querem voltar ao período despótico, onde tudo era previsível, outros abraçam a primeira alternativa que se cristaliza. E como nos três países acima referidos não há muito por onde escolher, as pessoas neste momento hesitam entre sharia e sharia light. Uns querem integrar a lei islâmica em estruturas democráticas, outros querem que a sharia seja logo de início o metro padrão. Em ambos os casos a sharia é um cavalo de Tróia que pode fazer estagnar todo o processo renovador e fazer recuar em séculos estes três países.

Em todo o caso, será o Islão compatível com democracia? A resposta tem que ser um claro NÃO. Atrás da euforia provocada pela revolução árabe, muitos viram, cedo de mais, nos movimentos de libertação um sinal de que Islão e democracia são conciliáveis. Mas estes observadores desconhecem possivelmente a essência do Islão e desta revolução - ela não foi possível graças ao Islão, mas apesar dele. Antes e durante as revoltas as autoridades religiosas no Egipto, Líbia, Síria e Marrocos insistiam junto da população para não participarem nestas manifestações, porque seriam ‘anti-islâmicas’ e poderiam conduzir ao desmembramento dos respectivos países. Até mesmo a oposição islâmica no Egipto, como os Irmãos Muçulmanos, mantiveram inicialmente uma distância cautelosa – até ao momento em que era mais do que evidente que a ditadura tinha os dias contados. Só nesse momento é que se atreveram a sair à rua tentando monopolizar a revolta, e ultimamente, para ganhar a simpatia da juventude, até falam em democracia.

A religião é parte do problema

Mas a democracia nunca nasceu do ventre de uma religião, quase sempre se instaurou contra a vontade de autoridades religiosas. O Vaticano não se democratizou nem nunca liderou movimentos democráticos, foi simplesmente despojado do seu poder pelo Iluminismo. Mas este tipo de cepticismo em relação à religião é, na maioria das sociedades muçulmanas, ainda inexistente. A maioria dos árabes dizem que a religião tem que fazer parte da solução. Eu digo que a religião é parte do problema. O Islão, por razões muito simples, não se ajusta com uma democracia: o Islão parte do princípio que Deus é o legislador sobre cujas leis, obviamente, não pode haver discussão. Isto significa uma equidade entre a lei e a moral. A democracia, ao contrário, vê o homem como legislador e confere-lhe toda a liberdade, enquanto isso não afectar a liberdade dos outros. Mas o Islão também não precisa de ser adaptado a um sistema democrático para que a democracia funcione num país muçulmano. É apenas necessário compreender o contexto histórico do Corão, para assim se poder relativizar o conteúdo. Mas a maioria no mundo árabe ainda lá não chegou, e a minoria consciente deste problema evita o confronto. É verdade que a maioria é a favor de um estado de direito, separação de poderes e eleições livres. Mas sobre a defesa da liberdade individual as opiniões divergem bastante.

Uma democracia que respeite a tradição islâmica

Há uns meses atrás falei no Cairo com Abd al-Munem Abu Futuh, o candidato à presidência no Egipto e ex-líder dos Irmãos Muçulmanos. Ele não é a favor de uma república islâmica, porque nenhum homem se pode pronunciar em nome de Deus. Não é adepto do modelo persa mas sim do modelo turco: quer uma democracia que respeite a tradição islâmica e sobretudo as particularidades, como ele diz, da sociedade egípcia. Por isso é que ele, como presidente, não toleraria ‘liberdades desregradas’ que não se coadunem com o Islão. Porque, segundo ele, nenhuma democracia pode sobreviver se não tiver em conta as particularidades culturais de um país. Precisamente a mesma argumentação é utilizada por Rachid Al-Ghanouchi, o líder do Partido Tunisino para o Renascimento Muçulmano Islâmico (Ennahda). Mas os integristas religiosos, que querem impor a sharia na totalidade do mundo árabe com enorme apoio financeiro da Arábia-Saudita, pensam de uma maneira completamente diferente.

Na Líbia, Mustafa Abdul Jalil, o vitorioso Presidente do Conselho Nacional de Transição, não quer esperar que um parlamento eleito crie uma constituição para o país. Segundo ele o Corão será a futura constituição do país. Pelos vistos a Líbia não tem outra alternativa a não ser basear-se na sharia, porque até à queda de Kaddafi o país nunca teve uma constituição, nem tampouco instituições políticas que pudessem servir de modelo para o novo estado. Nesta situação os novos dirigentes podem apenas copiar a constituição de um ou outro país europeu, ou fazer um apelo a uma legislação que é aceite pela maioria. Mustafa Abdul Jalil acredita que a sharia poderia servir para manter a lei e a ordem. Ele não percebe que está a trocar uma forma de opressão por outra. Um problema adicional é a chegada ao poder de uma geração que nunca fez outra coisa senão combater: jovens islamistas que nunca tiveram um emprego, mas aprenderam a manejar uma metralhadora.

E a NATO? O que é a NATO pode ainda fazer pela Líbia? A NATO formou uma aliança com o Conselho de Transição sem capacidade de decisão sobre as regras para o período após a morte de Kaddafi. Além disso a Líbia tem muito petróleo e não está especialmente dependente do Ocidente. Se a Europa começar a implicar, os líbios podem, nas calmas, estabelecer relações comerciais com os chineses ou os russos.

Na Tunísia e no Egipto a situação é diferente

Para obter rendimentos estes dois países estão dependentes do turismo e de investimentos estrangeiros e não se podem dar ao luxo de se isolarem. É por isso que os integristas islâmicos no Cairo e em Tunis se comportam de forma moderada, sublinhando que não querem introduzir a sharia, mas simplesmente alguns princípios inspirados na sharia: justiça, solidariedade e a preservação da espécie. Fazem-no por puro pragmatismo, sabem muito bem que as expectativas dos jovens egípcios e tunisinos são enormes. Estes últimos querem emprego e prosperidade, não querem mais promessas vagas. Os integristas, por seu lado, vêem-se confrontados com um sério dilema: se abandonarem os seus slogans agressivos, para melhor se integrarem na vida política estabelecendo compromissos, perdem, em relação às massas, imediatamente a auréola de gente pura. Mas se se mantiverem fiéis à lei islâmica, com por exemplo uma proibição ao consumo do álcool e cobrança de juro, isso vai afastar os turistas e os investidores e destruir milhões de postos de trabalho. Por isso é que o jogo democrático é uma armadilha, em que os integristas podem cair.

Por esta razão penso que o melhor é os islamistas ganharem estas eleições e ficarem eles com a responsabilidade política e económica, para que as massas finalmente percebam que política em nome de Deus não vai dar rios de mel e de leite. Muito pior seria os liberais ganharem as eleições e perderem-se no grande desafio que têm pela frente. Sobre os escombros desta experiência falhada os integristas poderiam construir o seu projecto divino.




P.S. Neste link podem ver uma curta entrevista (em inglês) com um íman sírio que é a favor de um estado livre mas com sharia! Porque, segundo ele, “a finalidade da sharia é apenas dar liberdade, dignidade e paz às pessoas…”

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Otelo Saraiva De Carvalho - Nova Revolução

"Occupy Whatever but the Whitehouse"

Os participantes dos movimentos Occupy Wall Street querem ocupar tudo menos a Casa Branca, a sede do poder executivo americano. Estranho? Nem por isso.

Os movimentos Occupy são ações de rua da esquerda americana e contam com a condescendência do presidente Obama. Com o “Ocupar Tudo Menos a Casa Branca”, o Governo desvia a atenção dos americanos dos resultados desastrosos das suas políticas de esquerda: intervencionismo económico, degradação do dólar com a impressão ininterrupta de notas para pagar a dívida externa, aumento incomportável das responsabilidades futuras do Estado. Os resultados deste socialismo americano estão aí: níveis de desemprego elevadíssimos, empobrecimento, transferência de poder e potencial da América para outros lugares do mundo onde a Liberdade é uma miragem.

Para poder prosseguir impune no sentido do fracasso, a esquerda necessita intimidar subliminarmente os americanos e fazê-los “ver” o volante nas mãos do passageiro do banco de trás. Para tanto, os movimentos Occupy Wall Street, além de crescerem em violência, acusam e perseguem fisicamente os conservadores e liberais pela degradação económica a que o socialismo vai conduzindo o país; é importante a visualização dos vídeos na notícia deste link.

Todos perdem com o socialismo da Administração americana? Não, os mais ricos ganham e financiam os serviços prestados pelos idiotas que, além de úteis, os fazem rir.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O Que Acontece Se Portugal Sair Do Euro?

Fukushima - Xenon

Tudo continua no bom caminho. O último alerta ocorreu pelo aparecimento de Xenon (1, 2), mas a temperatura dos reactores continua bem abaixo dos 100 graus e a baixar. Tudo indica que o Xenon tem origem no decaimento natural de produtos cindidos.

Entretanto, na Alemanha, começam a fazer-se contas. Não tarda nada reactivam as centrais nucleares.

Últimas sobre Fukushima: Fukushima Status, WNN, MIT NSE Nuclear Information Hub, BNC, WNA, IAEA, ACNEN

Roma, Germanos e Árabes


Há dias, numa tertúlia com amigos, o tema da ameaça islâmica suscitou acesa discussão. Um dos argumentos brandidos por um dos intervenientes é o de que, como aconteceu com outros invasores e outras migrações, os valores do Ocidente acabam por ser aceites e impôr-se.
E referia, a propósito, o período das invasões e migrações germânicas sobre o Império Romano que levaram, não à germanização da Romania, mas à romanização dos bárbaros.

O argumento é poderoso mas derrota-se a si mesmo, como iremos ver.

Os germanos, apesar de terem sido os maiores responsáveis pela destruição do governo imperial, não queriam substituir o Império por algo novo e, de facto, o direito, a moral, a economia, a moeda, o equilíbrio social, a língua, as artes, etc, mantiveram as referências romanas. Até a religião cristã, a religião do Império, acabou por desalojar o arianismo.

Os reis bárbaros eram geralmente vistos pelas populações como generais de mercenários, ao serviço de Roma. E mesmo quando vitoriosos, iam ao encontro dos vencidos, adquiriam os seus hábitos e os seus valores, governavam à romana, ou tentavam. As suas cortes estavam cheias de poetas e retóricos,
Recesvinto, Rei dos Visogodos, proclamou em 634 um Liber Judiciorum, completamente tributário do direito romano. Sigismundo, Rei dos Burgúndios, dizia-se um soldado do Império.
O Norte de Africa estava completamente romanizado e até os Vândalos, que ali se instalaram, aceitaram a vida tal como ela era, ao estilo romano.
A imagem que melhor descreve a situação é a de um belo solar, cujo dono está ausente, e que foi dividido interiormente em vários apartamentos. Apesar dos sinais de decadência, apesar de já não existir um único proprietário, o edifício mantém-se de pé, com a sua original traça exterior.

Isto numa altura em que os árabes começavam a sua grande jihad.
Mas com os árabes, nada disto se passou.
Em 632, quando Maomé morreu, ninguém estava preocupado com os árabes. Eram umas tribos de selvagens, para lá da Síria.
Os grandes poderes da época eram o Império Bizantino, o Império Persa e, na Europa, os reis germânicos mantinham mais ou menos viva a ideia do Império Romano.
Trinta anos depois já os árabes, galvanizados por uma nova religião, carregavam sobre o Norte de Africa, e conquistavam Creta, Chipre e Sicília. O Mediterrâneo era deles e os Impérios Persa e Bizantino batiam em retirada.

A questão que se coloca é: porque razão não foram os árabes absorvidos pelos valores de populações e regiões, muitas das quais com civilização superior, como tinha acontecido com os germanos?

A razão é, claramente, religiosa. Os germanos nada tinham a opor ao cristianismo do Império, queriam apenas poder e o brilho que o Império projectava, eram como traças atraídas por uma lâmpada, mas os árabes combatiam por uma nova fé e foi a natureza dessa fé que impossibilitou a assimilação.
Na verdade os árabes nada tinham a opor à civilização superior dos povos que conquistam, e assimilaram-na com grande rapidez, indo beber directamente ao legado helénico.
Nem sequer pretendiam converter os conquistados, apenas que eles obedecessem a Alá. Ou seja, exigiam a simples e, para eles, natural, submissão de seres inferiores, degradados, desprezíveis, e abjectos.
Onde chegaram, instalaram-se como dominadores. Os vencidos eram seus súbditos, pagavam impostos especiais (jyzia) e não faziam parte da umma, da comunidade dos crentes. Nenhuma fusão podia acontecer entre conquistados e conquistadores, nenhum esforço os vencedores faziam para agradar aos vencidos. Eram estes que tinham de ir ao encontro dos seus novos senhores e não podiam ir de outro modo que não fosse como servidores de Alá.
A fé dos vencidos não era atacada, não merecia sequer a dignidade de ser rebatida. Era simplesmente ignorada, já que um predador não argumenta com a presa. E esta era a melhor maneira de afastar o vencido do seu estado de jahiliyyah e conduzi-lo a Alá e à dignidade da comunidade dos crentes.
Tudo isto implica que onde o muçulmano se instalou como vencedor, a antiga civilização desapareceu. O germano romanizou-se ao entrar no Império. Os povos onde entrou o muçulmano, islamizaram-se, porque a rotura com o passado foi total. Uma nova língua, novos costumes, um novo direito (sharia), novos valores, instituições e, acima de tudo, uma nova religião, dominadora e intratável.
A sociedade civil desapareceu, sendo substituída por uma sociedade religiosa e totalitária.
Foi isto que aconteceu em todas as regiões onde o Islão chegou, desde a Pérsia a Marrocos. E esteve prestes a acontecer na Península Ibérica, não tivesse havido algumas circunstâncias fortuitas que impediram esse desfecho.

É por isso que o argumento daquele meu amigo é falacioso. Mas é a mesma falácia em que assenta a doutrina multiculturalista dominante no pensamento politicamente correcto ocidental. A ideia que, de algum modo, as comunidades muçulmanas são como as outras, serão assimiladas, e acabarão por se converter aos nossos valores, às nossas leis, ao nosso modo de vida.
Nada na História corrobora tal esperança, bem pelo contrário, pelo que a sua prevalência se deve apenas à profunda ignorância ocidental, relativamente aos fundamentos doutrinários do Islão.
E, como dizia Sun Tzu, quem não conhece o seu inimigo, nem se conhece a si mesmo, perderá todas as batalhas.

A Itália descobre a solução milagrosa para resolver os problemas de financiamento: substituir Berlusconi

Fartos de ouvir dizer que o aumento das taxas de juro de colocação de mais dívida resulta do sobre endividamento e da desconfiança da solvabilidade do endividado, fartos de ouvir dizer que o problema só se resolve deixando de gastar o que não se tem, os políticos italianos descobriram a panaceia indolor que vai resolver todos estes problemas: substituir Berlusconi.

Com tudo isto, Berlusconi vai tornar-se num sucesso de exportação italiano superior àqueles carros baixinhos e às garrafas de vinho forradas a palhinha. Assim, diversos países sobre-endividados solicitaram já a sua presença nos respetivos Governos por um par de semanas para depois ser substituído provocando uma imediata e definitiva quebra nas taxas de colocação mais dívida para níveis próximos de 0 (zero). O alinhamento na agenda governativa de Berlusconi após a sua demissão de PM italiano pode bem ser o seguinte: Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha, Bélgica, França e, last but not least, EUA

Medina Carreira - Maria Josão Valente Rosa - Olhos nos Olhos 08

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Escola inclusiva

Vai-se o Grego Garganeiro, Fica a Construção Europeia

A distância que separa a proposta do primeiro-ministro grego de realização de um referendo sobre a aplicação do pacote de austeridade e a descoberta de que, afinal, esse mesmo referendo não é necessário, é a distância que separa o audaz do garganeiro (*).

Afastado o grego garganeiro, segue-se um Governo dito de “Salvação Nacional” mas que, na prática, é essencialmente um governo de Salvação do Euro.

Segue-se também o agravamento das consequências económicas da participação da Grécia na união política e monetária europeia: mais impostos, mais desemprego, maior inviabilidade do auto-emprego, aprofundamento da falta de competitividade, exiguidade crescente das classes médias, empobrecimento geral.

De resto, há outras coisas que não mudam:
- o endividamento grego vai continuar a aumentar, como antes;
- a dívida grega continua tão impagável quanto antes;
- os Bancos credores da Grécia continuam tão inimputáveis pelas más decisões de concessão de crédito quanto antes;
- a decadência da Grécia como Estado, economia e sociedade continua a agravar-se, como antes.

Passado o sobressalto grego, pode continuar a insanidade política de escala continental chamada “Construção Europeia”

(*) Garganeiro: termo muito frequente no Algarve usado para designar aqueles que quanto mais valentes se dizem mais cobardes se mostram.

Palavras proibidas

A Google auto-infestou-se em militância aquecimentista que se dedica, entre outras acções terroristas, a censurar.

Outra das zenitais "missões" dos mesmo idiotas é a "luta" contra quem não alinha pelo homossexualismo.

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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Da Europa...

Goya, Disparates

Atacar o Irão


Volta a falar-se insistentemente na elevada probabilidade de um ataque às infra-estruturas nucleares iranianas, uma vez que já ninguém ( nem sequer russos e chineses) duvida de que se trata de obter a arma nuclear.
Os iranianos são um estado revolucionário, não hesitam em projectar terror para fora das suas fronteiras e toda a gente treme só de pensar no dia em que o Irão esteja em condições, não só de lançar um míssil com uma cabeça nuclear, como também de municiar os seus proxies e as suas células adormecidas, com alguns quilogramas de urânio enriquecido.
Basta saber que uma bomba convencional normal, junto a alguns quilogramas de bolo amarelo, são suficientes para tornar inabitável, durante anos a fio, largas porções de cidades. Imaginar uma bomba "suja" em Jerusalem, Riad, Londres ou Nova York, é um cenário aterrador para os dirigentes políticos que não terão agido preventivamente face a indícios inescapáveis.

Os israelitas querem atacar e contam até com a colaboração do seu arqui-inimigo, a Arábia Saudita, que sabe estar também na linha da frente. George Bush recusou dar luz verde aos israelitas, a ideia era lograr uma solução diplomática, mas está-se a chegar ao ponto de não regresso. Os iranianos não cedem, o relógio faz tic-tac, e Obama e a sua entourage parecem aceitar uma lógica de contenção semelhante à usada contra a URSS. Podem dar-se a esse luxo, mas não Israel, cujas exíguas dimensões não lhe permitem encaixar um ataque deste tipo, mesmo que depois varram da superfície da terra o país dos aiatolas..
O problema é que as instalações nucleares iranianas são múltiplas e não estão tão facilmente acessíveis como o reactor iraquiano em 1981. Pelo contrário, estão enterradas e disseminadas, algumas delas em áreas populacionais, utilizando as pessoas como escudos humanos, numa deliberada exploração dos tabus morais da nossa civilização.

Contudo, apesar do gesticular ameaçador dos iranianos, e do coro daqueles que os querem apaziguar a todo o custo ( e que, alguns deles, até rejubilariam intimamente caso Israel fosse destruído) , clamando que não há opção militar para resolver o caso iraniano, trago aqui um a actualização de um post que escrevi há 5 anos.
Assim a voo de pássaro, e discorrendo sem preocupações de pormenor, antevejo algumas possibilidades:

1ª- Ataque aéreo prolongado.
A Força Aérea iraniana é incapaz de fazer frente a forças aéreas modernas e bem treinadas, como a israelita, ou americana. A sua boa escola de pilotagem, ao modelo ocidental, herdada do Xá, foi destruída e purgados quase todos os pilotos. Não terá quaisquer hipóteses de sobrevivência no ar. Cada avião que levante voo será imediatamente detectado pelos AWACS e abatido com mísseis ar-ar, ainda antes de o seu radar ter detectado o que quer que seja.
Quanto ao sistema de defesa aérea, apesar de melhorado nos últimos anos com a compra de mísseis russos, não terá hipótese de importunar as esquadrilhas americanas ou israelitas, porque será posto fora de combate logo nos primeiros momentos da operação, provavelmente com mísseis de cruzeiro do tipo AGM-154 e mísseis anti-radiação do tipo AGM-88, disparados de aviões a mais de 90 km de distância
Lograda a supremacia aérea, a aviação atacante poderá executar bombardeamentos estratégicos quando e onde entender, não só sobre as infra-estruturas nucleares, mas também sobre rampas de lançamento de mísseis e unidades militares dos Pasdaran.
O simples facto de aviões americanos ou israelitas se passearam à vontade sobre Teerão, constituirá uma humilhação terrível para um regime arrogante que assenta a sua dominação no medo e na imagem de força que transmite para dentro. Poucas ditaduras sobrevivem a semelhante humilhação…

2ª- Atacar a liderança
Um ataque massivo e de surpresa sobre os principais líderes militares, políticos e religiosos, asseguraria a morte de 2/3 da liderança iraniana, cortando a cabeça ao regime, lançando a confusão e tornando possível o desencadear de um golpe interno que leve a uma mudança de regime. Tem de ser um ataque na mais completa surpresa, porque à menor desconfiança, toda esta gente se enterra e protege.
É o que farão os líderes sobreviventes mas isso é em si muito negativo para um regime que necessita que o poder seja visível e infunda medo. O simples facto de se saber que os aiatolas estão escondidos nos bunkers, mostra que o regime tem medo, o que ajudará a galvanizar as forças anti-regime, que as há.

Há certamente mais opções em cima da mesa, mas estas duas são suficientes para mostrar que a opção militar é viável e que se não é aplicada a tempo é apenas por falta de vontade e suicida tendência para o apaziguamento.

Israel é perfeitamente capaz de levar a cabo uma operação deste tipo. Não só tem uma força aérea capaz de operar a tão grande distância ( tem aviões de reabastecimento), como dispõe de gigantescos drones ( Heron), capazes, também eles, de lançar poderosas bombas anti-bunker, repetidamente sobre os objectivos.
A acompanhar um ataque destes, será provavelmente enviada uma mensagem a avisar que o ataque é de objectivo limitado e que qualquer retaliação com mísseis balísticos, desencadeará a resposta das forças estratégicas de Israel, com mísseis Jericho e, eventualmente (caso o Irão ataque cidades e utiliza armas químicas) armas nucleares, a princípio numa zona deserta.

A eventual resposta utilizando o Hezbolah e o Hamas, será o pretexto para a derradeira destruição destes movimentos.
Se o Irão, como ameaça fazer, cair no erro de atacar interesses americanos ou bloquear as rotas marítimas no Golfo Pérsico, a resposta americana será devastadora e incluirá a paulatina destruição de todas as capacidades militares do Irão.

Com o Irão é necessário não mostrar o mesmo tipo de complacência que permitiu a Hitler tornar a Alemanha numa formidável potência militar em 3 ou 4 anos.
O que podia ter sido resolvido com umas centenas de mortes, acabou solucionado depois de 60 milhões de pessoas terem perdido a vida.

O Triplo "Win" de Papandreou

O Primeiro-Ministro grego tomou a decisão política de realizar um referendo sobre o acordo com a U.E. de perdão de 50% da dívida grega e a imposição de novas medidas de austeridade. Seja qual for o resultado, Papandreou sairá vencedor:

- Se os gregos votarem SIM, o Governo grego fica democraticamente legitimado para aplicar as decisões do acordo com a U.E e esvazia a contestação parlamentar e de rua;

- Se os gregos votarem NÃO, o Governo grego fica democraticamente legitimado para aplicar as decisões económicas de regresso ao dracma e também esvazia a contestação parlamentar e de rua. A Grécia entrará em incumprimento mas as opiniões públicas e publicadas, internas e externas, passarão a responsabilidade do facto para a “falta de solidariedade da U.E.”.

-Mas há ainda uma terceira hipótese: Merkel e Sarkosy pedem hoje a Papandreou que não faça um referendo porque: referendos e União Europeia são conceitos incompatíveis, e; a U.E. vai perdoar a totalidade da dívida grega e ainda aligeirar os rigores das medidas de austeridade decididas aquando do anterior haircut de 50%. (É possível que fique um remanescente pequeno, tipo 10%, só para fingir que o perdão não é total).

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Canadian Naval Aviator - Bob Murray, Lieutenant-Commander

"DAR TESTEMUNHO"


Ainda um outro email de Nicolau Saião:

DAR TESTEMUNHO

(Os textos seguintes foram originariamente dados a lume no Fórum do Diário de Notícias”)

“O POVO, NUMA DEMOCRACIA, É SOBERANO”

Alexis de Tocquevile

1. Vilaverde Cabral, sociólogo, veio a público num acto de retórica em que se tornou conhecido acumular razões para dizer que os políticos (manifestamente referia-se ao ex-premier lusitano) não deviam ser responsabilizados criminalmente por, a seu ver, não terem culpa de erros de governação cometidos durante os seus consulados.

Venho dizer, também aqui, a Vilaverde Cabral: o que se pretende, e deve ser julgado nos ex-políticos, (concretamente Sócrates e seus ajudantes, para começar) não é o terem cometido erros, incompetências e mediocridades. É terem malversado e malbaratado, por abuso de poder e arrogância culposa, o erário público.

No limite, terem depredado e alegadamente roubado, por sentimento de impunidade, o património de que deviam cuidar por imperativo constitucional.

Isso é de delito comum!

Não é possível que Vilaverde Cabral não saiba isto.

Portanto, o que diz visará apenas eventualmente eximi-los à Lei e torná-los impunes.

E isso é lamentável.

2. (Minutos depois de ter passado a limpo este texto, os órgãos de comunicação começaram, com grande soma de pormenores – que vão continuar a ser emitidos nas diversas estações de rádio e televisão e em cadernos específicos de jornais e revistas – a difundir que o ex-deputado, ex-governante e ainda figura poderosíssima do milieu político nacional Duarte Lima tinha, após aturada investigação de meses, sido formalmente acusado pela Promotoria brasileira do assassinato de Rosalina Ribeiro, abatida com vários tiros na região de Maricá, em circunstâncias especialmente penosas por, conforme consta do despacho, se ter recusado a assinar um documento que garantia ao indivíduo em causa a apropriação de mais de cinco milhões de euros.)

Comentei como segue:

O caso deste indivíduo, barão da política - arrogante, prepotente e hábil gestor de jogadas claras ou obscuras de acordo com os mídia - é paradigmático. Por isso, não estranha ver que aparecem aqui escrevinhantes, sem ele ter sido julgado, defendê-lo acerbamente como inocentinho...apesar do seu currículo dar que pensar a quem tivesse um pouco de argúcia.

Sejamos claros, embora moderados: este teve alegadamente necessidade de matar. Mas o pior é o acervo dos que não precisam de matar com sangue para "matarem o quotidiano" e nos irem matando na prática. Em "O crime e a sociedade", ensaio publicado aqui e lá fora, vem tudo explicado. É assim o dia a dia numa "sociedade criminal"! Está em linha/arquivo no TriploV e pode lê-lo facilmente.

A Promotoria brasileira descreve-o como arrogante e prepotente. Pois é... Os brasileiros dizem isto, mas por cá (basta ler-se e ver-se na santa TV os amigos ou conhecidos do homem a "amaciarem" as coisas) é um prestigiado advogado, um cordialíssimo senhor e, acima de tudo, um cristão devotado, um cidadão de fina estirpe católica e uma mais-valia na magnífica sociedade lusa.

Tenho a certeza de que será nem digo absolvido pois nem a julgamento irá, seguirá sendo um esteio social respeitado e passará um resto de vida regalado.

O destino velará por ele...e não só!

3. “Sócrates pede a deputados para chumbar o OE – dos jornais”. O ex-premier telefonou a deputados da sua linha para que votassem contra o orçamento de Estado, para não dar razão ao “desvio colossal” que se lhe atribui.

Não se estranha, mas entranha-se - parafraseando com dolorosa ironia a célebre frase de Fernando Pessoa. A quem tivesse dúvidas sobre o carácter político deste senhor, a expressão do seu sentir aqui fica na pura claridade...

Que mais dizer para o caracterizar? Creio que o acto é por si só suficiente.

E, para maior e mais exacta definição, referir que A.J.Seguro - como diversos mídias se têm feito eco - na realidade é no PS um mero eventual enquanto líder, uma quase figura decorativa para os embates imediatamente a seguir ao exílio de Sócrates, que é na verdade quem continua a mandar nesta formação partidária. Repare-se que após ter sido desmascarado o seu mau governo (digamos sem crueldade...) ninguém ali se atreve a criticá-lo!

Continua a ser, indubitavelmente, no coração político dos mais potentes, o seu deles “menino de oiro”, apesar de já não ser, pela circunstância que o ultrapassou (ter sido varrido eleitoralmente) o “animal feroz da política”. Agora será apenas, eventual e alegadamente, um tigre de papel que contudo continua a querer arranhar a nação…

Resende

6ª feira passada vim do Porto pela Resende que parece estar relacionada com a Renex.

O autocarro teimava em não querer andar. A caixa de velocidades berrava, cheirava a queimado, as mudanças não entravam, o autocarro andava mais para trás que para a frente. De cada vez que parava era a fita total para voltar a engrenar uma mudança. Muito embora fosse óbvio que a caixa de velocidades do autocarro estava partida, o condutor assegurava que tudo estava bem. A cada nova mudança um novo regabofe de rodas dentadas triturando-se mutuamente.

O condutor parecia não ter autonomia para decidir que fazer, ao telemóvel pedia que alguém por ele decidisse e a marcha continuava, atribulada com cheiro a queimado.

Os passageiros, dezenas, começavam a fica preocupados. Na auto-estrada a necessidade de evitar usar a caixa de velocidades fazia com que o condutor fosse fazendo gincana para manter uma velocidade uniforme ziguezagueando por entre o tráfego tanto quanto possível.

Os passageiros começaram a exigir que o autocarro fosse parado numa área de serviço e trocado por outro. O condutor, ao telefone e aparentemente por instruções do chefe dele, ia fazendo orelhas moucas. Dizia que iria parar na próxima mas as “ordens” do chefe pareciam ditar que toda aquela gente teria que participar numa catástrofe.

Com o sempre presente cheiro a queimado o ambiente começou a toldar-se. Os passageiros começaram a falar grosso e a ameaça ligar para o 112 para informar a Policia que um autocarro desgovernado conduzido por um louco ao serviço do seu não menos louco chefe de uma irresponsável empresa ia avançando rumo a um destino fatal. Finalmente o autocarro parou finalmente numa área de serviço onde, pouco tempo depois, chegou um autocarro de substituição.

O autocarro avariado já dali não conseguiu sair tendo o ?condutor? seguido também no autocarro de substituição. Se o chefe dele ali tivesse aparecido teria levado porrada.

A viagem prosseguiu sem mais incidentes.

domingo, 30 de outubro de 2011

Coisas do Dr. Jagodes


Recebi, três dias atrás, um email de Nicolau Saião, que passo a transcrever juntamente com o texto em anexo:

Caros confrades
Foi há minutos distribuído aos órgãos de comunicação mundiais o Comunicado que, em primeiríssima mão, vos enviamos com justificado orgulho e também patriótico.
O caso não é para menos!
Demorámos uns minutos mais a passá-lo a limpo porque o texto nos tinha sido enviado pelo telex e, como sabem, ultimamente o meu telefone tem tido uns problemitas de gestão estrutural a que sou inteiramente alheio, mas adiante pois o mesmo está a suceder a milhentas pessoas e não só sportinguistas...Vejam lá que até adeptos do golfe se tem andado a queixar...
Mesmo nos computadores isso anda a suceder, ]e tugdo uma salgalhada e mesmo jsvc bksdkzvgsjxsdlxnbgsjsxkl.

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“UM INVERNO GLORIOSO”

Do Gabinete Internacional de Relações Públicas (Gabirela) do Professor Doutor José Jagodes, remetido pelo seu assessor e hoje director da sua task force de guarda-costas Comandante Tomás Figueira, recebemos tal como aliás os principais órgãos de informação mundiais o seguinte Comunicado, que passamos a dar, em praticamente primeira mão, aos nossos leitores amigos e mesmo inimigos ou nem tanto.

Recorde-se que o Comandante Tomás Figueira, que é hoje por hoje o delegado e subsecretário-geral, junto à Onesco, das Associações Vigiadas Pelos Serviços Semisecretos, foi o relator do livro branco elaborado no âmbito das investigações governamentais despoletadas pela descoberta fortuita de que agentes duma prestigiada Corporação se entregavam ao acto, a nossos olhos meritório, de estabelecerem verbetes exaustivos sobre todo o cidadão que piasse (praticamente a totalidade da população adulta em exercício) verbetes esses que foram posteriormente fornecidos, para não se inutilizar o trabalho, às secretarias das apostas mútuas, que assim puderam ver os seus ficheiros actualizados (tendo retirado, claro, os muitos pormenores íntimos que neles constavam).

Segue a importante peça estórica:

“Caros concidadãos, salvé!

Volto de novo ao vosso contacto neste Inverno glorioso (que ainda é Outono, mas a meteorologia é felizmente incontrolável e, a propósito, a manifestação antecedendo a Greve Geral é já no dia 24 pf), para desde já desfazer uma atoarda, entre várias outras que aliás garanto nem tiveram origem no gabinete do Monteiro – atoarda essa que rezava ter eu passado à clandestinidade uma vez que, conforme referiu prudentemente o Dr. Rui Rio na Rádio e no JN e cito “parece que se aproxima o fim do regime”.

Desminto formalmente.

E desminto com tanto maior vigor quanto é bem conhecido, podendo mesmo ser atestado por muita gente incluindo os polícias que ciclicamente espreitram o meu chalé/casa de campo sito nos arredores do Bois de Boulogne, que todas as manhãs bem cedinho, aí pelas 11 horas TMG, saio do lar para ir dar as minhas aulas na Sourbonne, onde como se sabe rejo Mecânica Existencial (não correspondendo também à verdade que estaria a dar explicações particulares de Filosofia Peripatética, fora do meu período de serviço oficial, a um moço muito conhecido nos arredores de S. Bento e de Bruxelas que neste momento desempenha o cargo de representante do Brasil, para efeitos comerciais e de prestígio, junto do milieu parisiense absolutamente legal.

Admito que a atoarda, que inclusivamente e sem maldade foi referida até pelo consabido professor Marcelino Ribeiro da Silva no seu programa humorístico domingueiro “As ópiniães do Marcelino”, teria partido duma frase minha emitida durante uma conversa telefónica privada com um confrade alentejano, frase essa que uma vez relatada aos chefes do agente e plantada argutamente no mídia habitual, deu origem ao boato.

Mas nessa conversa, que sem temor e porque não tenho nada a esconder como o não tem 20 por cento da população, aqui dou com toda a frontalidade, eu limitara-me a dizer fazendo referencia ao meu querido e actual Sporting e à onda de bons resultados que já vai nas nove vitórias consecutivas que e auto-cito “isto não está para brincadeiras e piadas e chegou a altura de passarmos ao ataque”.

Como qualquer pessoa bem formada, conhecedora dos meandros do futebol e, mesmo, do contexto em que a frase foi pronunciada, facilmente podia conferir, eu fazia alusão à necessidade de gravidade nos treinos e nos derbys para o grande clube de Alvalade aspirar a ser mais uma vez Campeão Nacional.

Os operacionais, que muito possivelmente torcem por um qualquer clube nortenho rival, não tinham o direito de distorcer, como segundo os periódicos usam fazer com frequência (e não estou a citar o Marinho Ipinto) a minha frase inteiramente inocente.

Mas quiseram, de forma tortuosa, dar a entender que eu achava que a malta devia começar a preparar-se para a bernarda, nomeadamente vigiando associações magistrais e irregulares, bem como as outras que não vou aqui referir e que, no anterior consulado do actual habitante de Montparnasse ou de Montmartre, tantos bons serviços prestaram à quadri…ou seja, aos locatários dos edifícios do Terreiro do Paço.

Independentemente disso, já agora refiro, já que me falaram no assunto, que o Dr. Rui Rio, sendo para além de presidente da mais importante autarquia do País (outros dizem que não, que a mais importante é Vila Nova de Gaia e, outros ainda mas em menor número, Lisboa) e também um cidadão bem informado, deverá ter as suas razões para fazer aquela futurologia, pelo que – pois cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém – talvez seja prudente conservarmos um estadulho ou mesmo uma moca alentejana detrás da porta. Mas isto sou eu a falar…

Recebam, caros concidadãos e meus futuros votantes (pois a revelação em primeira mão aqui fica: vou candidatar-me às eleições para Presidente da República Ibérica, que segundo outro que não o Rui Rio sucederá ao actual reino de Portugal depois da bernarda), recebam dizia eu os protestos da minha profunda estima e, já agora, porque calha em conversa, olhem que a Greve Geral começa já no dia 24 pf, embora antecedida por uma manifestaçãozita).

Com amor patriótico proto-existencial, fica o vosso

José Jagodes (Esquire, Ph.D. e M.D)

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sábado, 29 de outubro de 2011

A nossa musiquinha de sábado

Halloween burka

SCUT - Paulo Campos É Um Caso De Polícia

Pedro Arroja - Estado Português Pode Ficar em Dinheiro

Convocados pela crise*

No Blasfémias:

Os funcionários públicos e os empresários vieram para a ribalta. De ambos espera-se o mesmo: que paguem a crise. Os primeiros ganhando menos. Os segundos investindo mais. Comecemos pelos empresários. Não há como uma crise para que o país se volte para o sector privado e lhe pergunte pelos lucros, pelos investimentos e pelos postos de trabalho. Todos aqueles políticos, sociólogos e legisladores que nos tempos de abastança olham sobranceiramente para o sector privado como se este estivesse contaminado pelo princípio do lucro, que inventam dezenas de taxas, licenças, certificações e comprovativos que mantenham sob a rédea estatal a actividade económica, uma vez chegada a crise mostram-se despeitados pelo facto de os privados não estarem a gerar riqueza. Como as empresas privadas não nascem assim por invectiva do pensamento mágico, as fases seguinte destes estatistas à beira de um ataque de nervos pelo decréscimo do dinheiro que sustenta aqueles serviços ditos gratuitos e projectos intervencionistas tanto do seu agrado passa, em primeiro lugar, por sugerir aos empresários que invistam em projectos da rentabilidade tão óbvia mas tão óbvia que só apetece perguntar àqueles  que assim falam porque não aplicam eles mesmos as suas poupanças em tais empreendimentos. Em segundo lugar vem a acusação de que o governo não tem um plano que faça crescer a economia ou que tendo-o ele não funciona (note-se que nos dezanove governos constitucionais da democracia e nos seis governos provisórios de tutela militar não houve um executivo que no seu programa não se propusesse apoiar o crescimento económico e que para esse apoio não tivesse um plano de crescimento. E vê-se onde chegámos!). Por terceiro e último entra-se na fase do desespero: acusam-se os empresários portugueses de serem dos mais atrasados e menos qualificados da Europa e de sobretudo parecerem destituídos de ambição, como se se tivessem conformado com o que têm. Às vezes a zanga é tanta que quase se é levado a acreditar que há quem se sinta tentado a adaptar a figura pretérita dos trabalhos forçados à dos empresários forçados.
 
Curiosamente, enquanto na crise se sugere, implora e exige aos empresários que sejam empresários, que sff tenham lucros milionários e que constituam grandes grupos económicos, aos funcionários públicos pede-se-lhes que se esqueçam que o são. Coisa absolutamente irrealista pois sendo o despedimento uma impossibilidade técnica na função pública como poderá alguém esquecer que é uma das raras coisas que além de ser para toda a vida ainda lhe garante um estatuto relativamente privilegiado?

Convém recordar que os funcionários públicos têm mais dias de férias do que os trabalhadores do sector privado; trabalham menos horas e só há três anos foi possível que o sistema de cálculo das suas pensões passasse a ser associado à esperança média de vida. Quanto à idade da reforma, que era de 62 anos para os funcionários públicos e 65 para o sector privado, foi necessário que chegassem os PEC e seguidamente a troika para que se acelerasse o calendário de convergência entre os dois sectores. Ser funcionário público é ainda particularmente vantajoso para quem tem menos habilitações pois ganha mais do que se estivesse no sector privado.  Claro que isto não teria relevância de maior, caso os funcionários em funções públicas não se contassem pelas centenas de milhar e muito particularmente se o pagamento dos seus ordenados não dependesse do esforço dos contribuintes. Estas duas circunstâncias garantem privilégios e protagonismo aos funcionários públicos naqueles momentos em que os governos acreditam ou querem fazer acreditar que tudo vai bem – em 2009, quando o sector privado já estava a apertar o cinto, os funcionários públicos tiveram aumentos de 2,9% – mas torna-os no bode expiatório da questão quando o dinheiro acaba. Nesses momentos o que anteriormente era banal ganha foro de escândalo. Veja-se, por exemplo, o que sucedeu aquando da divulgação dos números do absentismo de 2010 nas três principais direcções regionais de educação: as 750 pessoas que ali trabalhavam registaram seis mil dias de ausência ao trabalho. Nesse mesmo ano, 2010, os encargos com o pessoal nestas três estruturas estatais ultrapassaram os 23 milhões de euros, dos quais 57 mil em prémios de desempenho. Apesar dos seis mil dias de ausência ao trabalho parecerem um escândalo em 2011, a verdade é que nos anos anteriores o absentismo até fora superior. Só que então tudo isso e muito mais aparecia se não como normal pelo menos como uma natural fatalidade.

Para cúmulo do estereótipo os funcionários em funções públicas chegam a esta crise representados por delegados sindicais que são eles mesmos um grupo fechado, constituído por pessoas que se mantêm há anos e anos afectos a funções sindicais, nas mais das vezes completamente desligados daqueles que dizem representar e com um discurso que é invariavelmente o mesmo: os trabalhadores estão sempre a perder qualquer coisa e estão sempre a ser vítimas de mais um ataque. Uma mudança de instalações, uma tecnologia diferente ou a mais leve reformulação dos serviços são sempre apresentadas como uma ameaça aos direitos dos trabalhadores. Já a arrogância do poder não os preocupa desde que se mantenha o que designam como direitos e por isso não vimos os sindicatos dos professores questionando a legitimidade do  Governo Regional da Madeira para avaliar administrativamente os professores, pela simples razão de que nota atribuída foi Bom.

É fácil concluir que toda esta discussão sobre o que se espera dos empresários e dos funcionários públicos devia ter sido possível antes, e não estar a ser feita agora na urgência de arranjar o dinheiro que não existe. (Cabe perguntar se sem esse sentimento de urgência seria possível mudar alguma coisa: por exemplo, o Tribunal Constitucional que em 2010 aprovou sem mais os cortes aos salários dos funcionários públicos, em 2002 considerou inconstitucional a proposta da então ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, para penalizar as reformas antecipadas). Mas já que foi assim que aconteceu não esqueçamos uma vez terminado este calvário que não somos um país rico e que ninguém nos paga não só as crises mas também as consequências do que inscrevemos no “Diário da República”, sejam direitos que não se podem sustentar sejam os planos dos nossos governos para fazer Portugal crescer.

*PÚBLICO

Nigel Farage United States of Europe insane politics

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Da morte de Kadhafi e do Tribunal de Haia



Um novo artigo de Luís Dolhnikoff:

VIVA A MORTE DA TIRANIA

1.

A morte brutal de Muamar Kadafi, registrada em vídeo, levou a que vários comentaristas questionassem sua legalidade. Não vou perder tempo analisando as platitudes genéricas e politicamente idiotas que o governo brasileiro sempre manifesta nessas horas, tentando manter a imagem de país ultra-humano ou humanista ou legalista ou o que seja, quando é, na realidade e no dia a dia, um dos países mais brutais e ilegalistas do mundo. Enfim, Dilma Doucheff afirmou que “Não se pode comemorar a morte de nenhum líder”. Dito assim, não se poderia comemorar a morte de Adolf Hitler... A frase não comporta outro adjetivo além de imbecil. Não por acaso, Obama declarou que o mundo fica melhor sem Kadafi. Concordo. E por isso comemoro sua morte. A questão relevante, porém, não é se se pode ou deve comemorá-la, mas se ela foi legal. No sentido popular do termo, não tenho dúvida que sim. Em termos jurídicos, é mais complicado.

Muitos líbios afirmaram que a morte de Kadafi encerra de modo correto, e portanto legítimo, seu período histórico, abrindo assim as portas para uma nova fase. Enquanto muitos analistas ocidentais disseram que, ao contrário, sua morte ilegal mancha de ilegalidade e de uma atitude antidemocrática o reinício líbio.

Começando pelo antidemocratismo dessa morte, ele residiria no fato de se tratar uma execução política sumária, o que democracias não fazem. Trata-se, porém, de uma inversão da relação de causa e efeito. Democracias não fazem isso, de fato. Mas desde quando a Líbia é uma democracia? Ah sim: deveria começar a sê-lo no próprio ato hiper-simbólico da captura do tirano deposto, assim como os nazistas foram levados ao Tribunal de Nuremberg... É ainda a mesma inversão. Pois as potências aliadas, com exceção da URSS, eram democracias. Logo, se tal decisão é desejável e quase inevitável em se tratando de democracias vitoriosas, não vale para a Líbia. O problema fundamental da Líbia pode ser resumido, aliás, como a falta absoluta de democracia. E o responsável por isso tem nome, Muamar Kadafi, déspota nada esclarecido ao longo de 42 anos. Sua morte, de fato, nada teve de democrática. Até porque, neste sentido, não poderia ser diferente.

Quanto à ilegalidade dessa morte, posto que o governo líbio fora declarado ilegítimo pela insurreição popular e por decreto da ONU, que reconheceu o Conselho Nacional de Transição (CNT), os únicos tribunais possíveis eram os revolucionários, dos próprios rebeldes, e o de Haia. Como tribunais revolucionários são tribunais de exceção, e como justiça de exceção não é justiça, restava apenas o caminho de Haia.

Mas esse caminho estava, na verdade, desde sempre fechado. Uma importante liderança do CNT matou a charada: declarou que o Tribunal de Haia “não servia”, porque não previa a pena de morte. Isso não quer dizer que Kadafi estivesse condenado a ela a priori. Neste caso, tal porta-voz sequer consideraria um tribunal. O que ele manifestou sintética e inequivocamente foi que, para Kadafi ser levado a julgamento, a pena máxima deveria ser uma possibilidade. Caso contrário haveria, agora sim, um a priori: a de que sua vida estaria salva. O que não era politicamente possível.

Ao contrário da declaração belamente inócua do governo brasileiro, não só se pode comemorar a morte de certos líderes, como é inevitável desejá-la. Porque esse desejo nasce e é alimentado pelo sofrimento monstruoso e pelo medo atroz que tal líder impôs a partes importantes da população. Quando isso acontece, o desejo de vê-lo morto torna-se uma manifestação política. Além disso, uma manifestação política legítima, porque representativa de anseios mais do que legítimos de parcela importante da população.

É aqui que toda a argumentação sobre a legalidade exclusiva e portanto condicionante de Haia, que condena automaticamente qualquer ato realizado à sua revelia à ilegalidade, se torna quase tão inócua quanto a declaração do governo brasileiro. Porque Haia não é, como pretendem subentender seus defensores incondicionais, um tribunal comum.

2.

Apenas para um tribunal comum, que julga segundo a letra da lei atos ilegais previstos por essa mesma lei, vale toda a argumentação sobre o necessário condicionamento legal dos julgamentos perfeitamente jurídicos. Acontece que Haia é um tribunal político, que julga crimes políticos praticados, senso lato, contra o povo, ou contra a própria humanidade, no caso do crime de genocídio. Ignorar que Haia é um tribunal político, temendo com isso abrir as portas para o questionamento de sua legitimidade, é a forma mais forte de questionar sua legitimidade, que não pode então ser sustentada às claras. Haia é um tribunal político porque instituído não por uma Lei fundamental, uma Constituição, votada democraticamente, sequer por um Estado legítimo, mas sim por um órgão político, uma assembleia não eleita de líderes, indiferentemente democráticos e ditatoriais, legítimos e ilegítimos, a ONU. E porque julga crimes políticos praticados por lideranças políticas. Haia é um tribunal político sob todos os aspectos.

Seus defensores pretendem lhe garantir robustez metajurídica afirmando que, à diferença de Nuremberg, tribunal ad hoc instituído pelos vencedores sem qualquer ordenamento jurídico prévio, ou seja, um tribunal de exceção, Haia foi votado pelo ONU e se baseia em tratados (leis) internacionais. Mas isso apenas lhe retira o caráter de tribunal de exceção. Não pode, pois nada pode, lhe retirar a natureza de tribunal político. Afinal, por que criminosos comuns não são julgados em Haia?

O Tribunal de Haia deve ser defendido, mas não por uma suposta legalidade perfeita. Ao contrário. Sua defesa só pode ser e deve ser política. Defender o Tribunal de Haia significa, na verdade, defender uma forma de fazer política, ou seja, a democracia representativa e o Estado de direito. Porque Haia só pode julgar tiranos. Um líder eleito, porque eleito, é um líder legítimo, além de agir, como regra, dentro da lei. Não significa que líderes eleitos não possam cometer crimes (Hitler foi eleito). Mas significa que, enquanto se mantiverem dentro da legalidade e da legitimidade política, não as confrontando (e não se tornando, assim, tiranos, como Hitler ao dar um golpe de Estado), seus crimes eventuais podem e portanto devem ser julgados em seu próprio país, então um Estado de direito. Nada disso vale para um tirano e para uma tirania. Daí Haia existir para julgar tiranos em geral, além de criminosos de guerra em particular.

Mas se Haia é um tribunal político, não há como defender suas disposições legais apenas juridicamente. O porta-voz do CNT líbio que declarou sua não serventia, por não prever a pena de morte, fez um questionamento político perfeitamente legítimo.

3.

Costuma-se invocar os direitos humanos e seu universalismo (o que não é o mesmo que universalidade) para sustentar, igualmente, a legalidade inquestionável do banimento da pena de morte. Mas isso sequer é um fato: a pena de morte não foi banida da imensa maioria dos países, todos eles signatários das declarações da ONU envolvendo os direitos humanos. A pena de morte continua em vigor nos códigos e nos tribunais militares da maioria desses países. Afirmar que ela foi banida da maioria dos países, e que deve inclusive por isso ser banida de todos, é meramente falso. Ela foi banida de seus códigos civis. Mas os códigos civis não representam a totalidade dos códigos da maioria dos países, que possuem forças armadas. Trata-se de uma omissão deliberada, que falseia toda a discussão.

Colocando na balança o fato de que, em seus tribunais militares, a maioria dos países mantém a pena de morte, por exemplo, por crime de traição em tempo de guerra, a maioria dos países mantém a pena de morte. Isto, somado ao fato de que se trata de um tribunal político, mina os argumentos dos criadores de Haia e de seus defensores também quanto às suas penas. O banimento da pena de morte nada tem de necessário, ideal etc. Mais uma vez, a manifestação do porta-voz do CNT líbio mostra-se correta. Haia não serve a priori ou necessariamente, apesar do que pretendem seus defensores. Portanto, não condiciona a legitimidade ou a legalidade.

Há, de fato, circunstâncias políticas que questionam o tribunal internacional a partir de sua própria natureza política (das circunstâncias e do tribunal). Tais circunstâncias podem levar a atos que, se não são legais, pois não previstos por lei nem executados por um tribunal regular, nem por isso são necessariamente ilegais, posto que Haia não detém, por sua politicidade, um condicionamento legal perfeito, automático ou absoluto. Esses atos talvez fossem melhor definidos como alegais, à semelhança de amoral em relação a imoral. Entre tais circunstâncias e tais atos, destaca-se a morte de um tirano.

Como um tirano, por definição, é a morte da liberdade e da legitimidade, não é falto de razão o argumento que afirma ser sua morte, se não o renascimento em si da legitimidade e da liberdade, das condições para o parto. Mesmo porque, um tirano, também por definição, personaliza o poder e personaliza o Estado. Ao personalizá-los, sua sobrevivência e sua morte deixam de ser um fato comum para se tornar um fato político. Neste sentido, nada pode ser mais legítimo do que a morte de um tirano. Mesmo porque, nada pode ser mais democrático do que o fim de uma tirania. E a morte da tirania, pela própria natureza desse regime, comumente passa pela morte do próprio tirano.

Kadafi foi, circunstancialmente, capturado vivo. Mas, em primeiro lugar, jamais renunciou ao poder, ao contrário, até o fim reafirmava sua condição de Grande Líder e demandava a morte de seus oponentes. Em segundo lugar, como poucos tiranos atuais, Kadafi tornou-se, ao eliminar qualquer forma de organização política e civil, a personificação mais acabada do Estado ilegítimo que comandava. Sua morte não é apenas politicamente compreensível. Ela é, também politicamente, perfeitamente comemorável.

4.

O vídeo mais detalhado da morte de Kadafi demonstra que, ao contrário do afirmado pelo CNT, ele não morreu em um tiroteio, mas foi, de fato, capturado, agredido, linchado e executado. Em certo momento, de joelhos, rendido e com o olhar mudo, com um misto de medo, compreensão e incompreensão, o rosto e os cabelos ensanguentados, lembra certas figuras de tiranos shakespeareanos caídos, como em Titus Andronicus, Ricardo III e mesmo Macbeth. O que, naturalmente, nada diz de seu caráter trágico (ele era apenas grotesco, além de insano, pequeno usurpador de um país apequenado), mas sim da monstruosa capacidade criativa de Shakespeare. Ao mesmo tempo, as imagens lembram as fotos do fim semelhante de Mussolini. Mussolini que, a depender do governo brasileiro e dos defensores “apolíticos” de Haia, não seria linchado e morto, mas entregue a um tribunal para ser depois encarcerado. Com isso, se feriria de morte a reconstrução italiana pós-Segunda Guerra, pois as forças fascistas seriam muito mais dificilmente desbaratadas. Seria tragicamente injusto com a Itália e com o povo italiano. Prefiro a “injustiça” aplicada ao tirano.

A intervenção na Líbia


Tentando responder à pergunta do JPP, qualquer observador desapaixonado percebeu que a intervenção da NATO não se destinou a “proteger civis” e que este objectivo serviu apenas como eufemismo politicamente correcto através do qual o vício pagou tributo à virtude.
Também é claro como a água que o que aí vem é, com grande probabilidade, um poder tão ou mais hostil do que o de Kadafi, e certamente mais duradouro, porque enraizado na visão maniqueísta típica do Islão (Dar al Islam versus Dar al Harb).

Não é razoável que os poderes ocidentais ignorassem estas realidades. Elas eram óbvias a qualquer pessoa minimamente interessada nas relações internacionais.

A questão que, no fundo, Pacheco Pereira coloca é: porque razão se avançou nesta direcção?

Ele fala de hipocrisia, num tom claramente condenatório, e no fundo, acaba por falar do petróleo.

A meu ver há duas respostas possíveis:

1- O petróleo e o gás.
A determinada altura acreditou-se na teoria do dominó e algumas chancelarias europeias previram que Kadafi cairia tão facilmente como Ben Ali e Mubarak. Dados os importantes interesses económicos em jogo, e os vitais fluxos de hidrocarbonetos, alguns países europeus, nomeadamente a França, apressaram-se a colocar as suas fichas nas casas vencedoras ou seja, deitaram os foguetes antes da festa. Uma vez feita a aposta estratégica, e como Kadafi não colaborou, não havia alternativa racional senão forçar activamente a sua saída, a não ser que se quisesse viver com um louco vingativo aqui ao lado. Relembre-se que Kadafi não só apoiu o terrorismo (de extrema esquerda e islâmico) na Europa, como criou um programa nuclear e chegou mesmo a alvejar, com mísseis Scud, território italiano.
Esta hipótese explica bem o empenhamento dos países europeus e o facto de ter sido a França a lançar as hostilidades enviando a sua aviação, minutos depois de uma resolução do CS.

2- Eurábia
Há tempos li um livro de Bat Ye'or, que dava conta de um documentado conluio euro-árabe, para institucionalizar uma entidade euro-árabe a que ela chamou Eurábia (o termo não é dela, mas sim do Comité Europeu de Coordenação das Associações de Amizade com o Mundo Árabe).
Este conluio teria inspiração francesa, (os franceses, na sua proverbial mania de grandeza, acreditariam que uma Eurabia dominada por eles seria uma potência que estaria em pé de igualdade com as outras superpotências) dataria da década de 70, e incluiria a imigração massiva de muçulmanos para a Europa, (a verdade é que o número de muçulmanos na Europa cresceu de 50 000 para mais de 25 milhões, em menos de 40 anos) a doutrinação multiculturalista, o reescrever dos livros de história para os tornar mais amigáveis em relação ao Islão, acções educativas e intervenções nos media. Apesar de profusamente documentado e até já bastante institucionalizado ( há um “parlamento” euro-árabe) confesso que vi neste livro pouco mais do que uma sofisticada teoria da conspiração.

Neste momento já não tenho tantas certezas. E temo que, a existir tal objectivo, se tenha criado um monstro que está a escapar ao nosso controle e que pode muito bem vir inverter os papéis que estavam no guião.

O que está a acontecer no Norte de Africa é o pior dos pesadelos. Líbia, Tunísia e Egipto vão cair maduros nas mãos da Irmandade Muçulmana e seus proxies. Nada de bom podemos esperar a não ser, talvez, o definitivo acordar dos líderes europeus para a ameaça muçulmana, de fora e de dentro que, desde há 1300 anos, com avanços e recuos, tem a Europa como natural objectivo.