quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

1º de Dezembro - Uma Comemoração Inconveniente

O Governo pretende acabar com os feriados de 5 de Outubro e de 1 de Dezembro. Como justificação, é dito que é necessário trabalhar mais e assim responder às dificuldades geradas pela crise. Não é dito que o problema de fundo da produtividade não tem a ver com mais ou menos quatro feriados, muito menos é dito que a crise foi criada pelos políticos e não se resolve com eliminação de feriados.

Fica a questão política e simbólica do assunto.

Terminar com a comemoração de uma revolução que levantou ódios e violências raras na sociedade portuguesa e que substituíu as cores de Portugal pelas cores do federalismo iberista (leia-se, espanholista) na bandeira nacional - o 5 de Outubro de 1910 - é louvável.

Terminar com a comemoração de uma revolta de todos os portugueses (excepto a maior parte da alta nobreza e alto clero) contra o domínio estrangeiro em Portugal e que, ao tempo, foi tido como impossível de sustentar em todos os países europeus - o 1º de Dezembro de 1640 - é lamentável.

No entanto, à luz do projeto político que os delegados da UE no Governo representam em Portugal, há algo de inconveniente nestas datas:
- o 5 de Outubro relembra o facto de um punhado de homens entrincheirados num descampado em Lisboa ter sido suficiente para derrubar um regime caracterizado pela fraca participação da sociedade civil na política e pela fragilidade dos seus fundamentos democráticos;
- o 1º de Dezembro relembra o facto de uma pequena nação ter sido capaz de derrotar num esforço que durou quase 30 anos aquele que era o maior e mais forte império do tempo, para mais em território contíguo.

A bem da estabilidade da nossa República da Roubalheira, oblast da União das Repúblicas Socialistas Europeias, o derrube de regimes sem fundamentos democráticos sólidos e vitórias de pequenas nações sobre impérios não devem ser relembrados, muito menos comemorados.

8 comentários:

Afonso disse...

“ter sido suficiente para derrubar um regime caracterizado pela fraca participação da sociedade civil na política e pela fragilidade dos seus fundamentos democráticos;”

Ahhhhhhhh, querem ver que a monarquia tem fundamentos democraticos .

A monarquia tem com ela o pecado original, (falando em termos de religião) a monarquia recusa a igualdade aos seus cidadãos de chegarem a ocupar teoricamente um cargo de estado, ser chefe de estado. A monarquia pelo berço, nascimento, ou genealogia. exclui todos os outros dessa possivel “ambição”. A monarquia establece distinçoes por titulos no entanto a monarquia e a sua restauração deve manter-se a a celebração da republica não.

Ha cada coisa

O Raio disse...

Por mim o destino do Miguel de Vasconcelos está mas é a assustar o Passos Coelho e o que se pretende é esconder a data do 1º de Dezembro.
(http://cabalas.blogspot.com/2011/12/o-simbolismo-do-fim-do-feriado-do-1-de.html)

Paulo Porto disse...

@ Afonso, aka Amilcar Alho, aka Amilcar Fernandes, aka Zé da Tasca, aka... varreram-se-me.

Se acha que as monarquias de hoje são ditaturas então acha que quase metado dos países europeus são ditaduras.

De resto, parece-me pacífico que há mais liberdade e democracia na monarquia sueca do que, por exemplo, na república russa. Os exemplos disto mesmo são diversos.

Fundamental é que seja possível, por via democrática, alterar a forma de chefia do Estado. Essa possibilidade está constitucinalmente vedada na República Portuguesa.

Para clarificar a minha opinião prefiro que Portugal seja uma Republica que uma Monarquia.

Afonso disse...

“Se acha que as monarquias de hoje são ditaturas então acha que quase metado dos países europeus são ditaduras.”

Pobreza de raciocinio e entendimento.
Ok voce não sabe o que são fundamentos democraticos eu ensino-lhe.
Deixe la os akas e companhia e discuta a ideia se for capaz.

Ora o senhor disse:

“Se acha que as monarquias de hoje são ditaturas então acha que quase metado dos países europeus são ditaduras.”

Isto são os parlamentos nas monarquias constitucionais parlamentares, os reizinhos tiveram que abdicar do poder absoluto e modernizar o estado lembra-se das lutas liberais de certeza, agora preste atenção, eu disse:

“A monarquia tem com ela o pecado original, (falando em termos de religião) a monarquia recusa a igualdade aos seus cidadãos de chegarem a ocupar teoricamente um cargo de estado, ser chefe de estado. A monarquia pelo berço, nascimento, ou genealogia. exclui todos os outros dessa possivel “ambição”. A monarquia establece distinçoes por titulos no entanto a monarquia e a sua restauração deve manter-se a a celebração da republica não.”

Conteste so isto, sem akas nem meios akas, se quer continuar a argumentar comigo.

Se acha que o senhor numa monarquia podia passar a frente dos descendentes do D. Duarte Pio, só lhe posso dizer para aprender mais um bocado, percebeu o raciocinio. A republica poe os cidadãos em pé de igualdade, voce pelas suas capacidades persuação, competencias pode ser chefe de estado,o cavaco é, teoricamente todos nós podemos, numa monarquia nem sequer teoricamente podemos pensar ou falar disso, porque ha uns sujeitinhos nas monarquias que nasceram com o C. virado para a lua, e faça sol ou chuva o seu lugar esta reservado.

Não discuto mais consigo a não ser que me fale de monarquias electivas. Em que depois de o rei morrer não ha rei posto mas eleito.

Engraçado como se admite a entrada de um regime não democratico sem sequer o saber.

“Fundamental é que seja possível, por via democrática, alterar a forma de chefia do Estado. Essa possibilidade está constitucinalmente vedada na República Portuguesa.”

Por via democratica davamos a possibilidade de se restabelecer um regime monarquico não? não electivo nem democratico.

Agreement debts disse...

Oh Afonso, não te irrites com esta malta.

“Fundamental é que seja possível, por via democrática, alterar a forma de chefia do Estado. Essa possibilidade está constitucinalmente vedada na República Portuguesa.”

"Por via democratica davamos a possibilidade de se restabelecer um regime monarquico não? não electivo nem democratico."

Era uma forma de termos monarquia até la para o ano 3000 de novo.

Mentes brilhantes, pensam que os outros dormem. Para apear depois essa familia monarquica de novo tinhamos que fazer outro 5 outubro, ou eles permitiriam mandatos reais com eleiçoes de 5 em 5 anos? ;)

Vitor disse...

Vejo que os jacobinos republicanos estão atentos aos escritos do fiel inimigo.
É bom.
Claro que a acabar com feriados politicos estes deveriam ser os que comemoram a alteração de sistema politicos ou de regimes politicos, isto é, os feriados do 25Abr e o de 05Out.
Mas nunca o 1.º de Dezembro, pois esta data comemora a recuperação da independência nacional depois de 6o anos. Este periodo corresponde a várias gerações subjugadas ao reino de Castela e ainda assim o sentimento nacional não morreu.
Esta sim é uma data a comemorar.

Afonso disse...

“”Claro que a acabar com feriados politicos estes deveriam ser os que comemoram a alteração de sistema politicos ou de regimes politicos, isto é, os feriados do 25Abr e o de 05Out.”

E o 1 dezembro não é um feriado poltico? Ora ora.

Isto de entregar a historia na mão de economistas para abolir feriados da nisto. nenhum feriado que implique alteração de sistema poltico, regime politico, mudanças na sociedade, na sua historia, deviam ser abolidos, isso é memoria colectiva goste-se ou não dos regimes. Há feriados que não mudaram nada na nossa hsitoria, ou seja celebram-se sem nenhuma mudança historica por exemplo 10 junho, a morte de um poeta transformado em dia da raça. Não houve nenhuma altercação na historia. O 1º maio dia do trabaçlhador, não ha dias de muita coisa? Há, mas não se celebram, mas não houve também nenhuma mudança na historia. Todos os outros, 25 abril, 5 outubro, 1 dezembro, são datas em que houve acontecimentos que alteraram a historia.

Outra coisa e saber qual o regime que nos da a partida a todos as mesmas hipoteses de chegar ao topo, ou seja não ha uma familia predestinada mas todas as familias da nação tem as mesmas hipoteses, sujeitando-se a mandatos universais electivos. Que haja pessoas ou que voces defendam sistemas politicos que não são, ou não obedecem a fundamentos democraticos é uma opção. Mas a democracia é que não pode permitir que regimes que não obedecem a padroes democraticos se possam apoderar do poder porque depois expulsam-na a ela. Regimes extremistas de direita e esquerda, nazis, fascistas, comunistas, monarquicos. uns por uns motivos outros por outros, não obdecem a fundamentos democraticos. A democracia não pode permitir que entrem no poder pela sua via democratica,apesar de ser democracia, é preciso aprender com a historia, hitler subiu ao poder por eleiçoes, em espanha uma familia chegou ao poder, mas ja não sai, não se sujeita aos mandatos universais electivos.

Só um aparte e ja agora os escritos do fiel inimgo são de uma pobreza confrangedora.

José Gonsalo disse...

Paulo Porto:

Chapelada. Uma vez mais.