quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A União Europeia - Uma Cena Bestial

A U.E. já foi comparada a um cavalo alemão montado por um jockey francês. A imagem é feliz, mas tem a imprecisão que resulta de, supostamente, o jockey comandar o cavalo. Na verdade, o jockey francês não comanda o cavalo alemão, apenas vai montado nele para onde o cavalo o levar. Por outro lado, onde estão os outros países?

Então, é preciso corrigir a imagem.

A U.E. é um cavalo alemão sem rédea montado por um jockey francês de mãos atadas.

O cavalo puxa uma carroça onde vão os restantes países europeus. A maior parte destes passageiros estão acorrentados à carroça – os que aderiram ao Euro.

A carroça é incómoda e inapropriada a tantos e tão diferentes passageiros.

Os passageiros mais fracos – que, por infeliz coincidência, fazem parte do grupo dos acorrentados – começam a cair.

Como não conseguem acompanhar o passo do cavalo e continuam presos à carroça, os passageiros caídos são arrojados pelo chão.

É isto que os portugueses, os gregos e outros que se seguirão, são – passageiros caídos da carroça europeia e arrojados pelo chão por não conseguirmos acompanhar o passo do cavalo que puxa a carroça.

13 comentários:

Beltrão de Seabra disse...

Caro PP,

Será que os passageiros caídos da carroça não ficavam ainda mais aleijados se a corrente se partisse de vez? O impacto da queda não dava logo cabo deles?
É que a carroça, mal ou bem, sempre foi andando. E os passageiros mais fracos, a reboque dos mais fortes, embora tendo que calar e comer, sempre apanharam boleia. Ou não acha que estaríamos agora mais ao nível duma Albânia se tivéssemos ficado de fora?

Paulo Porto disse...

@Beltrão de Seabra. nome bastante improvável, mas o FI agradece a imaginação e o esforço de desdobramento de personalidade

"E os passageiros mais fracos, a reboque dos mais fortes, embora tendo que calar e comer, sempre apanharam boleia."
Esta frase é um bom conselho para homens que preferem viver dobrados pelo infortúnio e gratos pela migalhas e sobras deixadas pelos que preferem construir o seu próprio destino.


"Ou não acha que estaríamos agora mais ao nível duma Albânia se tivéssemos ficado de fora?"

Nem no tempo de Salazar Portugal estava ao nível da Albânia, muito menos agora.
Se não tivéssemos aderido ao € teríamos tido taxas de juro mais altas, logo, menos endividamento interno e externo. A moeda poderia acomodar-se ao nível de produtividade, logo, seríamos uma economia mais atraente para investidores. Com isto exportaríamos mais e importaríamos menos. É tb natural que fôssemos um dos principais exportadores de pescado do mundo, como já fomos.

Aproveito para responder aa habitual falácia de inacessibilidade ao mercado da EU que presumo se siga. A Islândia, a Noruega e a Suiça têm acordos de livre circulação de pessoas, bens e capitais com a UE. Os dois primeiros por pertencerem ao EEE. A Suíça por acordo bilateral com a EU.

Carlos Alberto Mendes disse...

(Nem no tempo de Salazar Portugal estava ao nível da Albânia,)

O pensamento implicito de facto é este, esquecendo-se que no tempo do salazar tinhamos as ex- colonias e todas as receitas das exportações directamente dos grandes portos africanos das nossas colonias para o resto do mundo com as correspondentes taxas alfandegarias que eram quer la quer cá uma fonte de receitas de que o continente beneficiava. Pois isso acabou ficando reduzidos ao talhão não iamos longe, esta-se a ver agora.

Beltrão de Seabra disse...

@Paulo Porto:
os passageiros mais fracos, como diz, caíram mais depressa porque não souberam gerir a casa, nem eleger quem a soubesse gerir bem. Por isso, ainda tiveram foi sorte em "apanhar as migalhas e sobras deixadas pelos que preferem construir o seu próprio destino".

Afonso disse...

Alcoólicos


http://www.jornaldenegocios.pt
/home.php?template=
SHOWNEWS_V2&id=525449


Eu ja tinha a ideia que isto era um caso e problema de bebida, e que o carroceiro também bebia , portanto os acoolicos só tem uma solução segundo estas mentes satisfazer o vicio na tasca do FMI. Eles mesmo o dizem.



“Questionado sobre se o BCE está disposto a aumentar a compra de dívida soberana para ajudar os Estados-membros do euro com problemas, Weidmann indicou que isso seria o mesmo que dar um último trago a um alcoólico, refere a agência Efe.”




“O presidente do Bundesbank disse que não há plano B para a Alemanha regressar ao marco e voltou a rejeitar um aumento da compra de obrigações dos países com problemas por parte do BCE.”


"É como um alcoólico dizer que a partir de amanhã vai estar sóbrio e a respeitar as regras, mas que esta noite precisa de beber", salientou o mesmo responsável, citado pela Reuters. "Não creio que seja bom dar uma garrafa a um alcoólico. Não servirá para o ajudar a resolver o seu problema", acrescentou.”

“Weidmann disse também que o Governo alemão defende o euro como uma divisa estável e qualificou de absurda a ideia de regressar ao marco. "Os únicos marcos que o Bundesbank tem estão no museu do dinheiro", salientou a propósito da alusão à possibilidade de o país regressar à sua anterior moeda nacional. "Não existe plano B", disse.”


“O Bundesbank está disposto a incrementar as linhas de crédito para o FMI, de modo a que o Fundo disponha de mais meios perante crises financeiras, mas impõe severas condições para evitar que esse dinheiro adicional resulte num financiamento de Estados - algo que o Tratado de Maastricht proíbe o BCE de fazer”


Ou seja o BCE é o banco central do FMI.

Carmo da Rosa disse...

Paulo Porto,

Excelente esta fábula e, tirando umas merdilhices, é a representação perfeita da situação…

Agora as merdilhices. Note que não é de maneira nenhuma uma crítica – a coisa, como pastiche, está muito bem como está, vou apenas acrescentar um detalhe importante que ninguém até agora parece querer ver. Não sei se vou conseguir!

O cavalo alemão tem rédeas sim senhor, só que as rédeas puxam uma para cada lado.

Temos a rédea-parte-do-eleitorado-nórdico (repare que eu não disse alemão, o que significa que me refiro aos vizinhos) que quer que a Merkel se deixe de merdas e que a Alemanha tome o comando das operações de salvação do Euro, porque são os únicos que têm economia e dinheiro para isso.

E temos a rédea dos que dizem (geralmente os próprios alemães) que a Merkel tem que tomar o comando sim, mas actuar com muito cuidado (o que tem feito até à data, e é por isso que a coisa nem ata nem desata!) para não ferir susceptibilidades relacionadas com a história recente. (Mas mesmo com todos os cuidados da senhora, já começaram a aparecer cartazes de origem socialista com referências ao período nacional-socialista. Vá lá uma pessoa entender esta gente?)

E ainda temos uma terceira-via-rédea, como por exemplo a do Prof. de economia da London School of Economics, o holandês Arnoud Boot, que diz que o melhor é ser o FMI a tratar da coisa, uma entidade neutra, precisamente para evitar susceptibilidades patrióticas.

A carroça é incómoda e inapropriada a tantos e tão diferentes passageiros.

Precisamente meu caro, está aqui sintetizado o problema da Europa.

Paulo Porto disse...

@CdR

Sobre a questão da rédea nórdica que refere, repare que é uma boa solução.

Há uns tempos, aqui no FI, eu deixei a ideia de que desta crise pode bem emergir uma espécie de liga hanseática de século 21, um núcleo de países do norte, com economias convergentes e orçamentos disciplinados.

Ganhariam eles e, num ambiente de movimentos livres de bens e capitais, ganharíamos nós também.

Paulo Porto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulo Porto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulo Porto disse...

@ Coletivo Afonso

A preferência da Alemanha em financiar as dívidas dos países em risco através do FMI é uma tentativa de evitar futuras desculpas de mau pagador dos prováveis caloteiros. Assim, quando chegar a altura de pagar, não pode haver a desculpa de que "não pagamos porque o dinheiro é europeu". Não, há que pagar a todos os países do FMI, a dívida não é inter-europeia. Assim vai a solidariedade europeia. Fazem eles muito bem.

O FMI é financiado pelos mais diversos países, incluindo a Alemanha. Quanto ao financiamento dos países europeus em risco na componente com origem no FMI, apenas uma parte daquele dinheiro vem dos financiadores europeus.
Portanto, a ideia de que o FMI só existe porque a "europa" põe lá dinheiro não qq fundamento.

Afonso disse...

O meu caro deixe-se disso

Quando voce perceber os problemas de funcionamento de estados federais e de um banco central federal, pode falar cá com o colectivo.

"não pagamos porque o dinheiro é europeu".

Ena boa boa. diziam isso? se fosse do bce? boa tirada, o carroceiro esta mesmo com os copos por isso a carroça vai aos zigue zagues.

Afonso disse...

"Não, há que pagar a todos os países do FMI, a dívida não é inter-europeia."

Pois e os paises financiadores do fmi não são todos europeus por isso, esta certo.

É isto, na europa tentou criar -se uma união politica, uma moeda, um banco, e depois não se criam estruturas e diz-se, há que pagar a todos os paises do Fmi a divida não é inter-europeia, pois é pelo caminho que traçaram, e por isso a carroça anda aos solavancos, a europa que tem autoridades sobre a sua politica neste caso monetarias. As ordens vem de fora, o Bce não é nada para os estados europeus no fundo é uma mistificação decorativa.

Afonso disse...

pequena corecção

"a europa que tem autoridades sobre a sua politica neste caso monetarias."

a europa que não tem autoridades sobre a sua politica neste caso monetarias.