Em Março do ano passado a tradutora de Hebraico-Neerlandês Helen Turin, habitante de Ashdod (40 km a norte de Gaza), cansada de ver chover foguetes Qassam em Israel, e de isto ter o apoio conivente de uma parte da esquerda holandesa, escreveu esta carta (ver em baixo a vermelho) que foi publicada em vários blogues cá da praça.
Cartoon de Ad Kolkman: "hè pá, tenta lá pôr-te no lugar do inimigo"Para ilustrar o 'cansaço' da senhora veja-se por exemplo esta manifestação que teve lugar recentemente em Utreque: enquanto Harry van Bommel (digamos o Francisco Louçã holandês) visivelmente a medo titubeia o slogan mais neutral que conseguiu arranjar para a circunstância: INTIFADA INTIFADA, PALESTINA LIVRE, na fila logo a seguir, os salafistas locais empunhando cartazes com fotos de Nasrallah, Khomeini e outros democratas do género gritavam outras coisas bem mais giras: HAMAS HAMAS ALLE JODEN AAN HET GAS, que significa, Hamas
Hamas, todos os judeus têm que ser gazeados... (O Harry vai passar um mau bocado no parlamento, porque mesmo o líder do seu partido, a muito boa Agnes Kant (ver foto à direita), achou que o slogan que o pobre do Harry arranjou no meio daquela confusão toda foi ‘infeliz’) Há oito anos que os habitantes de Sderot e dos kibbutzim, que estão situados a menos de km e meio da faixa de Gaza, sofrem ataques quase diários de foguetes Qassam atirados a partir de Gaza. Nos últimos meses até mesmo a cidade costeira de Ashkelon (a 17 km a norte de Gaza) foi atingida por mísseis Gratt. A situação foi piorando de dia para dia e o Hamas chega cada vez mais longe com os seus foguetes e mísseis.
Foi um período exasperante, estes últimos 8 anos. Os habitantes de Sderot começaram a perder gradualmente os seus meios de subsistência: o pequeno comércio foi-se abaixo e na situação actual muitas fábricas fecharam. Além disso, os pais não deixam os filhos em casa sós e há muito tempo que as crianças de Sderot aprendem através da internet em vez de ir normalmente à escola.
Aqui em Ashdod (40 km a norte de Gaza) temos dias bons e dias maus. Morreu uma mãe de quatro filhos e mais pessoas ficaram feridas. Apesar de termos tido relativamente poucos alarmes, a maior parte das vezes 1-2 por dia, mas também temos dias de 4-5, não podemos pregar olho porque nunca se sabe quando é que vai tocar o alarme. Tão pouco se sabe onde vai cair o míssil. Já há gente que nas suas casas têm um quarto preparado como abrigo, o que a partir de agora vai ser obrigatório por lei. Mas há ainda muita gente que não tem. As pessoas que não têm um abrigo deste tipo em casa enfiam-se geralmente num quarto interior sem janelas, ou então, como eu o meu filho e os nossos vizinhos, debaixo das escadas do nosso prédio de três pisos.
As mães que, como eu e o meu filho, vivem em casas onde não há um abrigo e que por isso tem que ir a correr, por exemplo, para debaixo das escadas do prédio, estão sempre em estado de stress por falta de sono, impotência e constante preocupação. Durante o dia a coisa ainda vai, mas mal cai a noite temos medo de adormecer e não acordar os filhos a tempo para os arrastar em estado de sono para debaixo das escadas do prédio…
Tivemos um período de tréguas, mas no próprio dia em que este período terminou Ashkelon e Sderot sofreram uma chuva de foguetes e ficou tudo como dantes…
É preciso compreender uma coisa: o Hamas é quem põe e dispõe na faixa de Gaza, e mantêm a população em rédea curta. Toda a ajuda humanitária, apoios financeiros, carburante e o resto, passa primeiro pelas mãos do Hamas. Ao manter a população com fome, desempregada e sem educação, o Hamas tem a faca e o queijo na mão, e quem não colaborar com o Hamas leva um tiro. Nesta situação o resto da família é obrigada a escolher: trabalhar para o Hamas e ter de comer, ou não colaborar e passar fome!
O trabalho do Hamas consiste em cavar túneis (para fazer passar entre outras coisas armas), construir foguetes Qassam e rampas de lançamento, arranjar partes de casa para armazenar mísseis, e casas de onde os podem lançar em direcção de Israel. Outra grande parte dos mísseis e dos foguetes são armazenados em mesquitas…. Não se espantem, mas também em hospitais e escolas. Os ‘trabalhadores’ do Hamas andam nos hospitais disfarçados de bata branca como se fossem médicos ou enfermeiros! A aviação de Israel, que normalmente faz operações cirúrgicas, por muito cuidado que tenha dificilmente pode bombardear estes locais sem causar a morte de civis.
Todo o dinheiro que o Hamas recebe do estrangeiro, incluindo os 10 milhões de dólares que há três semanas receberam de Israel, não é destinado à população. Grande parte do dinheiro é gasto em mísseis vindos da China, acessórios para construir foguetes Qassam e adquirir outro tipo de mísseis vindos do Irão e da Síria. O dinheiro que sobra desaparece nos bolsos dos líderes do Hamas. Não é por nada que eles levam todos uma vidinha bastante próspera.
Se o Hamas se preocupasse realmente com a situação da população sob a sua tutela, utilizaria este dinheiro para construir escolas decentes, esgotos e hospitais. Ou para montar uma cadeia de negócios entre a faixa de Gaza e o Egipto, ou mesmo com Israel. Mas o Hamas é uma organização terrorista como o Hezbollah no Líbano que, com a ajuda do Irão e da Síria, têm como único objectivo riscar Israel do mapa. De outra forma não há explicação para o facto de armazenarem e dispararem mísseis a partir de casas de civis que têm pouco a ver com o assunto.
As pessoas perguntarão, mas porque razão os habitantes de Gaza suportam esta situação? Porque estão desempregados e têm fome… Mais uma vez, o Hamas só distribui alimentação a quem colabora com a organização… Aqueles que não colaboram com o Hamas ou, pior ainda, suspeitos de colaborar de alguma forma com Israel [ou com a Fatah. Trad.], são frequentemente mortos a tiro em praça pública como exemplo para o resto da população.
Ao financiar os terroristas do Hamas, a Europa e o resto do mundo, está implicitamente a dar-lhes autorização para comprar armas para riscar Israel do mapa. Se a Esquerda europeia está tão preocupada com os palestinos, não seria melhor, em vez de manter uma organização terrorista no poder, enviar profissionais para a faixa de Gaza com a perícia necessária para juntamente com a população local construir casas, hospitais, escolas e fábricas para que eles se tornem 100% independentes de Israel, e do Egipto, e do resto do mundo, podendo finalmente ganhar o pão trabalhando como faz toda a gente?
P.S. Vejam aqui as fotografias da manifestação de Lisboa tiradas pela e do site da Zabelinha. Noto que a manif em Lisboa foi bem mais soft que a de Utrecht.
Como se escreveu várias vezes no FI, esta é a verdadeira razão para a crise.








