segunda-feira, 22 de junho de 2009

DANIEL OLIVEIRA É DA (NOSSA) CORDA...



À volta da problemática do Irão surgiram no ARRASTÃO estas frases lapidares (coloquei-as a vermelho, como não podia deixar de ser). Não são minhas, não são do Lidador nem de um ou outro neo-con que de vez em quando por lá aparece. Pois é, nem vão acreditar mas é verdade, estas belas frases são da autoria de Daniel Oliveira!

Am I right or am I right? quando digo que ainda nada está perdido, que a esquerda ainda vai desempenhar o seu papel histórico decentemente...

De resto, começa a fazer impressão que alguma esquerda, a ter de escolher entre a esquerda democrática e laica e a direita anti-democrática e ultraconservadora escolha a segunda, apenas porque é anti-americana.

Eu acho que, originalmente, Umberto Delgado não era um democrata. Só que há experiências que mudam os homens. E, acima de tudo, o movimento que se gerou em torno de Moussavi é muito maior do que ele.

Ao ver os comentários de algumas pessoas que se dizem de esquerda fico pura e simplesmente deprimido.

Há uma parte da esquerda que passou para o lado de lá e nem sabe. Apoia o capitalismo sem democracia chinês, a cleptomania dos milionários de Angola, o capitalismo mafioso e nacionalista da Rússia, a monarquia coreana e a teocracia de extrema-direita no Irão. E acham que isto é tudo normal para pessoas de esquerda.

69 comentários:

Pi-Erre disse...

Não consigo perceber. Ultrapassa a minha capacidade de entendimento.

Range-o-Dente disse...

Caro CdR,

Eu diria que havia por lá muito tintol. Ou tintol é coisa de Bush?

Essa esquerda dos nenúfares quando apanhada nas transições não diz coisa com coisa. Mas não tardará muito dirá que é coisa de Bush e do bando das Lages.

Já agora, O Miguel Portas ainda não se apresentou a lamber as botas do Aiatola? Quando da história do Líbano já estava farto de lá estar.

Anónimo disse...

"Esquerda democrática"?!? Taí um exemplo perfeito de antítese.

Sérgio Pinto disse...

Carmo,

Essas frases só surpreendem quem não costume ler o Daniel Oliveira no Arrastão. Mas você, a fazer publicamente elogios a alguém que se sabe ser um dos militantes do BE com maior exposição pública, corre sérios riscos neste blogue.

Range-o-Dente disse...

SP:

"corre sérios riscos neste blogue"

O inverso aplicar-se-ia, mas nunca no caso do CdR.

Para a direita, uma discordância implica um assunto a analisar. Para a esquerda implica uma pessoa a analisar.

Os assuntos podem desmanchar-se, as pessoas não.

Carmo da Rosa disse...

@ range: “Eu diria que havia por lá muito tintol.”

Caro Range, por favor não me desiluda, não me diga que o D.O. se mete nos copos para dizer coisas de neo-con?

Não sei nada do Miguel Portas, mas estas frase indicam uma cisão no Bloco - o Bloco deixou de ser compacto...

ml disse...

"Daniel Oliveira é da (nossa corda)..."

1. Haja deus! Vamos ter novo blogueiro.
2. Há por aqui vozes que se soltaram ‘da corda’.
3. O ‘antiamericanismo’ já não é o que era.
4. O Delgado era da corda salazarista, depois estragou-se nos Estados Unidos.
5. Há cordas e cordas.

Carmo da Rosa disse...

@ Sérgio Pinto: “corre sérios riscos neste blogue”

Tem toda a razão Sérgio Pinto, mas sabe como é, uma vida sem riscos também não é vida...

Mas bem vistas as coisas, e isto fica entre nós os dois, correria mais riscos se o blog fosse de esquerda, e você sabe disso. Depois de ter votado no Pim Fortuijn e agora no Wilders, já me tinham feito a cama: tribunal popular, auto-crítica, psykucha e Gulag...

Voltando ao D.O., eu dou de vez em quando uma voltinha pelo ARRASTÃO e os comentários dele são - como é que eu agora vou dizer isto de maneira simpática – pouco surpreendentes, são geralmente um repetir dos slogans de Maio de 68, menos estes últimos claro! Talvez que os rapazes e as raparigas que se batem hoje nas ruas de Teerão lhe lembrem vagamente o quartier Latin e isso mexa com a sua sensibilidade – quem sabe?

José Gonsalo disse...

CdR e RoD:
A intenção de Marx e Engels, quando decidiram, a partir de certa altura, deixar de utilizar a expressão "fé comunista" (leia-se a introdução ao Manifesto do Partido Comunista, das edições Avante), era evitar que uma teoria que pretendiam cientificamente fundamentada, o materialismo dialéctico, pudesse ser confundida com uma doutrina, isto é, com algo do âmbito do religioso e das suas consequências morais. O problema de ambos, influenciados por Rousseau e o seu conceito de "bom selvagem" bem como pela filosofia optimista das Luzes, é que só alguns humanos têm uma postura de análise, a "esmagadora maioria" utiliza qualquer vulgata que lhe dê dinheiro ou, pelo menos, uma pretensa superioridade sobre o seu semelhante, assim se compensando das inseguranças profundas. O processo não é, na essência, diferente do que sucede na adolescência com a necessidade de se ser reconhecido e protegido pelo grupo.
São coisas comuns, aliás, à esquerda e à extrema-direita, messiânicas por definição, ambas socializantes de diferentes maneiras. Para a extrema-direita, uma discordância representa o mesmo que para a esquerda.
Mas isso fica para um postezito, um destes dias.

Sérgio Pinto disse...

Para a direita, uma discordância implica um assunto a analisar

Nota-se perfeitamente nas fórmulas mentais binárias que abundam neste blogue. Ou então se calhar vocês nem da direita são representativos.


Para a esquerda implica uma pessoa a analisar.

Bem, se você parte deste princípio, das duas, uma: a) ou as cúpulas do BE estão neste momento a fazer a folha ao DO; b)o BE pensa todo da mesma forma e concorda com o DO.

Agora vamos lá introduzir uma nova hipótese: e se o BE for um partido plural, como pareceria relativamente intuitivo, visto que resultou da confluência de diversas correntes e personalidades?
P.S. Pista, para o caso de ainda não ter entrado em curto-circuito com esta hipótese: quem foi a mandatária para a juventude do Mário Soares?

Sérgio Pinto disse...

Não sei nada do Miguel Portas, mas estas frase indicam uma cisão no Bloco - o Bloco deixou de ser compacto...

O que esta sua afirmação indica é que pouco ou nada conhece do Bloco.

Sérgio Pinto disse...

Talvez que os rapazes e as raparigas que se batem hoje nas ruas de Teerão lhe lembrem vagamente o quartier Latin e isso mexa com a sua sensibilidade – quem sabe?

Deixe-me juntar outra hipótese: talvez, se tivesse lido com mais atenção (ou frequência), soubesse à partida que as afirmações se enquadram perfeitamente em tudo o que ele tem dito no Arrastão (e no Expresso).
Aliás, se vocês se dessem ao trabalho de não se limitarem a colar rótulos desagradáveis a quem convosco não concorda, teriam há muito percebido que o BE não evoca qualquer anti-americanismo.
Podia juntar que o Louçã até já afirmou algo do genéro "se não tivesse nascido em Portugal, gostaria de ser americano", mas também não quero forçar muito o vosso poder de encaixe de nova informação.

Luís Oliveira disse...

"se vocês se dessem ao trabalho de não se limitarem a colar rótulos desagradáveis a quem convosco não concorda"

É preciso ter uma lata do c...

Sempre em forma, o Pinto.

Um abraço do amigo do amigo do Pinochet.

Sérgio Pinto disse...

Luisinho,

Já andava a estranhar a sua prolongada ausência. Então e sobre o post do Carmo, nada a dizer?

P.S. Vai mesmo querer que eu me dê ao trabalho de ir desenterrar os epítetos com que você brinda sistematicamente os comentadores de quem não gosta? Por acaso, quando falei em rótulos, estava a referir-me à generalidade das análises feitas nos vossos posts, nem sequer estava a referir-me aos comentários largados nas caixas - e olhe que, no seu caso, não será por aí que a coisa vai melhorar.

O-Lidador disse...

"ou as cúpulas do BE estão neste momento a fazer a folha ao DO"

O que diz Daniel OLiveira nestes comentários, é mais ou menos o que escreveu Nick Cohen em "Whats left ?", ou seja, constata que a esquerda se define hoje essencialmente por ter dois grandes faróis: o antiamericanismo e o anti-semitismo ( disfarçado de "anti-sionismo"), temas à volta do qual desenrola um argumentário do século passado, com repescagens vertiginosas ao séc XIX.
Tudo coisas que já deram provas do que valiam, ou seja, pouco.

Quanto ao DO, e ao BLoco, não sei se a história recente pode ajudar, mas o congénere bloquista da Galiza expulsou ou destacado dirigente por ter proferido algumas frases que expressavam alguma compreensão pelo ponto de vista israelita.
No nosso BE, a bela Ana Amaral Dias foi rapidamente posta com dono quando fugiu à ortodoxia e até o Zé sentiu na pela o peso o "debate de ideias".

Trata-se de gente perigosa. Trostky, o seu guru, foi o responsável pela reorganização e acção do Exército Vermelho e matiu gente como quem coça os tomates.

Range-o-Dente disse...

SP:

"Ou então se calhar vocês nem da direita são representativos."

Não diga!!!

Tenha cuidado não vá concluir que cada um representa cada qual.

Nada de especial concluir tal, mas tal, na sua moleirinha, abriria a possibilidade da existência de tal fenómeno ... o que poderia indiciar uma rachadura nas suas cósmicas certezas.

Carmo da Rosa disse...

@ Sérgio Pinto: “O que esta sua afirmação indica é que pouco ou nada conhece do Bloco.”

Tem toda a razão, não sei grande coisa do Bloco. E você acha que saber coisas do Bloco contribuiria muito para a minha felicidade? Por outro lado não é preciso saber muito, basta seguir as caricatas atribulações políticas do mano menos inteligente da família Portas, para saber o que a casa gasta. Não acha?

Mas não é verdade que não me dou ao trabalho de ler os posts do Daniel Oliveira no Arrastão! É claro que não os leio todos os dias, isso faz mal ao fígado, porque além de não serem muito bem escritos são muito chatos pá. Porque tudo o que tenho lido até agora, daí a minha actual surpresa, é, como já lhe disse, ‘du pareil au même’ como se costuma dizer em bom português, por outras palavras e citando o Lidador: “trata-se essencialmente de dois grandes faróis: o antiamericanismo e o anti-semitismo”.

E que eu saiba ainda não lhe colei (a si) nenhum rótulo, que fará um rótulo desagradável! Mas se me lembrasse de lhe colar um rótulo, teria certamente a ver com o seu ar pedante, de falar de alto, às massas, mas ainda não o fiz...

Essa do Louça querer ser americano não explica tudo, talvez ele quisesse ser americano, mas do género do nabo (lá me saiu um rótulo por inadvertência) Gore Vidal por exemplo...

ml disse...

...o Lidador: "trata-se essencialmente de dois grandes faróis".

Boa malha, sr. Carmo. Um farol a denunciar faróis. Deve ser o de Alexandria, sei lá.

O-Lidador disse...

Este artigo de Nick Cohen ( curiosamente da esquerda, pode dizer-se que é uma espécie de Carmo da Rosa mais conhecido) , explica bem o que está e causa.

Para além disso, leitura obrigatória para os Sérgios Pintos deste mundo ( e demais cripto-trostkystas enganados pela retórica louçânica) é What's Left .

De resto um bom título...de certo modo intraduzível..

Sérgio Pinto disse...

E você acha que saber coisas do Bloco contribuiria muito para a minha felicidade?

A sua felicidade não está no topo das minhas preocupações. No entanto, contribuiria para que não dissesse asneiras sobre coisas que não conhece.


basta seguir as caricatas atribulações políticas do mano menos inteligente da família Portas, para saber o que a casa gasta. Não acha?

Não, e o que já disse no post e na caixa de comentários prova-o.


E que eu saiba ainda não lhe colei (a si) nenhum rótulo, que fará um rótulo desagradável! Mas se me lembrasse de lhe colar um rótulo, teria certamente a ver com o seu ar pedante, de falar de alto, às massas, mas ainda não o fiz...

Como já expliquei ao luisinho, os rótulos que menciono nem sequer têm necessariamente que ver comigo - aliás, basta ver que define o BE como "antiamericano" sem nunca o demonstrar.
E para sua informação, tenho a impressão de, na primeira vez que lhe respondi aqui nas caixas de comentários, ter ouvido uns zumbidos acerca de "antiamericanismo". Obviamente, terei sido pedante e falado de alto às massas.


Porque tudo o que tenho lido até agora (...) antiamericanismo e o anti-semitismo”

Sim? Então não terá dificuldades em trazer afirmações dele que evidenciem esses rót... ahem, traços de carácter.

Range-o-Dente disse...

CdR:

"Essa do Louça querer ser americano"

Um dia destes conto a conversa de Louçã há uns anos frente à Embaixada dos EUA, quando da crise de Timor.

Sérgio Pinto disse...

O que diz Daniel OLiveira nestes comentários, é mais ou menos o que escreveu Nick Cohen em "Whats left ?",

Seria curioso que, se o DO não estivesse apenas a falar de sectores ou franjas da Esquerda (por oposição a TODA a Esquerda, como o seu comentário parece evidenciar), se mantivesse como militante de um partido que a mente brilhante deste blogue assevera ser 'trotskista'.

Para sua informação, lidado, a Joana Amaral Dias foi reeleita para a Mesa Nacional no Congresso que teve lugar depois das Presidenciais, mas calculo que isso já não dê tanto jeito à sua 'tese'.
E a retirada de confiança ao Sá Fernandes resultou de uma votação (em que, veja lá, o DO votou contra).
E, sei lá, para um partido que, segundo a sua mente brilhante, elimina pensamentos dissidentes, é estranha esta insistência em independentes.

Sérgio Pinto disse...

Nada de especial concluir tal, mas tal, na sua moleirinha, abriria a possibilidade da existência de tal fenómeno ... o que poderia indiciar uma rachadura nas suas cósmicas certezas.

Sim, sim. Tem piada é que é o indivíduo que praticamente não consegue fazer um post sem falar de 'estúpidos' e 'esquerda' a falar disto. Sim, porque vocês são um prodígio de abertura intelectual.

Range-o-Dente disse...

SP:

"Sim, sim. Tem piada é que é o indivíduo que praticamente não consegue fazer um post sem falar de 'estúpidos' e 'esquerda' a falar disto. Sim, porque vocês são um prodígio de abertura intelectual. "

Você pode chamar a uma bica, uma infusão hidrocompressa de café. Mas mesmo assim a bica continuará a ser bica.

.

Range-o-Dente disse...

... ou um cimbalino, carago.

... (carago não, carago.)

Sérgio Pinto disse...

É isso, Range. Só as certezas cósmicas dos outros é que são criticáveis. As visões binárias dos fiéis são, naturalmente, um mero reflexo da realidade.

Range-o-Dente disse...

SP:

"É isso, Range. Só as certezas cósmicas dos outros é que são criticáveis. As visões binárias dos fiéis são, naturalmente, um mero reflexo da realidade."

Demorou este tempo todo a descobrir isso?

Range-o-Dente disse...

... as binárias e as outras.

RB disse...

O que eu estou a ver é que o Sérgio Pinto é um entendido na vida política interna do Bloco...

Sérgio Pinto disse...

RB,

Desengane-se, não tenho acesso a mais informação do que aquela que está publicamente disponível.
No entanto, não sou é tão versado na arte da rotulagem como os fiéis, guiados pelo farol do lidado...

Range-o-Dente disse...

SP:

"rotulagem"

Eu prefiro 'carimbadela'. É mais pró tatuagem.

Sérgio Pinto disse...

Range,

Por mim, está à vontade para fazer uso de todo o tipo de esquemas que lhe permitam minimizar a utilização dos neurónios. De facto, um mundo não binário seria uma canseira, de tão complicado.

ml disse...

não sou é tão versado na arte da rotulagem como os fiéis

Mas temos que reconhecer que, só com dois carimbos, o trabalho também não rende. Tic...Toc, a repartir por todos.
Fazem turnos, sei lá.

Sérgio Pinto disse...

Deve ser isso, ml. Mas o trabalho deve estar a tornar-se de tal forma enfadonho que até já começa a haver ovelhas tresmalhadas.

Carmo da Rosa disse...

@ Sérgio Pinto: “talvez, se tivesse lido com mais atenção (ou frequência), soubesse à partida que as afirmações se enquadram perfeitamente em tudo o que ele tem dito no Arrastão (e no Expresso).”

A prova que li com atenção é que as ditas cujas frases me surpreenderam. E se me surpreenderam, por alguma razão foi! Não será assim? Porque as anteriores, eram, digamos assim, diferentes, doutra maneira não me teriam surpreendido...

Já lhe disse que muita frequência de esquerdices faz mal ao fígado. O dia só tem 24 horas e eu tenho mais que fazer. Além disso, prefiro de longe os vídeos do Pat Condell aos artigos do Daniel Oliveira – espero que compreenda, a diferença de qualidade...

@ Sérgio Pinto: “se vocês se dessem ao trabalho de não se limitarem a colar rótulos desagradáveis a quem convosco não concorda, teriam há muito percebido que o BE não evoca qualquer anti-americanismo.”

E você a dar-lhe com os ‘vocês’ - pelos vistos o colectivismo está-lhe no sangue, ou estou agora a colar um rótulo desagradável? Eu, Carmo da Rosa, não tenho nada contra pessoas com quem não concordo, pelo contrário, até lhes acho bastante piada...

O que não acho assim muita piada é à sua atitude, nunca lhe li uma crítica construtiva, sempre na negativa pá! Dá-me a impressão que você apenas lê o FI para ver se encontra algo que possa criticar. Uma suposta contradição e o Sérgio dá dois pulos, grita YES, toca ao bicho e acha que já ganhou o dia! Isto é uma coisa doentia! Se você não fosse tão binário, certamente que já tinha encontrado no FIEL – assim como eu encontrei no Arrastão – umas frasezitas em que estivesse de acordo. Não me diga que não há assim mesmo nada do seu gosto?

Já percebi que o anti-americanismo do BE não é um anti-americanismo qualquer, não é o anti-americanismo piroso e popularucho a cheirar a sardinha assada do PCP, é evidente que é um anti-americanismo beluga.

Carmo da Rosa disse...

Caro Sérgio,

Outra coisa, o Daniel Oliveira já vai acordando para a realidade, mas ainda vai dizendo umas coisitas, e não há muito tempo, que, queiramos ou não, somos obrigados a rotulá-las de esquerda tradicional.

Por exemplo:

"Quando, há 30 anos, a revolução islâmica derrubou a ditadura, foi recebida de braços abertos. Mas a festa acabou cedo. Os ayatollahs rapidamente provaram ser capazes da mesma brutalidade: à ocidentalização forçada sucedeu a islamização forçada, à brutalidade da polícia política sucedeu a brutalidade da polícia religiosa, ao poder arbitrário do Ocidente sucedeu o poder arbitrário do clero."

Foi realmente recebida de braços abertos, mas D.O. esqueceu-se de dizer por quem: pela esquerda tonta (tanto no Irão como no Ocidente) até Khomeiny se ter instalado bem no poder e ter começado a cortar cabeças - de esquerda...

E a OCIDENTAIZAÇÃO forçada - a utilização da palavra ‘forçada’ é, já em si, uma criação ideológica da esquerda tradicional na defesa do bom selvagem - foi muito diferente da ISLAMIZAÇÃO forçada. O Xá não obrigava os rapazes a vestir calças de ganga Levis e as raparigas a andarem de mini-saia...
E para confirmar a eterna e muito de esquerda defesa do bom selvagem, Daniel Oliveira, ainda sobre a mesma temática, diz: “O Ocidente não tem o direito de impor a ninguém a sua suposta superioridade cultural.”

O Ocidente não impõe a sua superioridade cultural - que de maneira nenhuma é SUPOSTA (isso só na cabecinha do D.O.), é até bem real - a influência cultural propaga-se por esse mundo fora de maneira natural, como o uso da Internet e do YouTube... Precisamente porque é natural, porque todas as pessoas, salvo casos patológicos, querem ser livres.

Se é suposta, então porque razão é que há milhões de Persas exilados no Ocidente (maioria nos EUA)? Não me parece que haja muita gente (mesmo de esquerda) com muita vontade de viver no Irão! Ou você acha que o Daniel Oliveira tem intenções de trocar Lisboa por Teerão, Gaza ou Pyongyang?

Mais um exemplo de esquerdices de Daniel Oliveira expressas acerca das eleições europeias na Holanda e que não se enquadram com as frases que eu escolhi:

"Na Holanda, a extrema-direita, alimentada pelo racismo que a direita moderada tolera - o da islamofobia -, conseguiu o segundo lugar nas eleições. Para quem tem sido conivente com o monstro e para quem tem alimentado o preconceito, aqui fica o resultado: a direita proto-fascista cresce num país tradicionalmente tolerante. E uma certeza: no passado foi o ódio aos judeus que alimentou os parasitas do medo, contando com o silêncio ou simpatia da maioria, hoje é o ódio aos muçulmanos. Mesmo que usem a memória do Holocausto e do nazismo para alimentar o racismo, o processo é o mesmo e o actores são semelhantes. Só não vê quem não quer."

Neste caso a asneira é tanta que eu nem sequer vou perder tempo a comentar, olhe vou ver o ténis em Wimbledon...

ml disse...

E a OCIDENTAIZAÇÃO forçada - a utilização da palavra ‘forçada’ é, já em si, uma criação ideológica da esquerda tradicional na defesa do bom selvagem

Sr. Carmo, nem de propósito, acabei de ouvir o esquerdista (BE? AOC-ml?) Ângelo Correia, acompanhado à guitarra por uma senhora não identificada, a comentar a ocidentalização forçada do Irão.
Segundo ele – que aparece sempre como ‘especialista’ em assuntos árabes e muçulmanos, não sei bem porquê, e que nunca critica a plenos pulmões o poder no Irão ou em qualquer país árabe, e sei bem porquê – andava a polícia do Xá de navalha na mão a cortar os chadors das mulheres que se atrevessem a vesti-los.
Como é evidente - essa não lhe saiu muito feliz - não obrigavam à mini-saia mas ‘desobrigavam’ o chador por meios carinhosos.

Para lhe dizer a verdade até nem posso dizer que lamento, muito pelo contrário, sou pouco sensível a religiões, nomeadamente as que se encarniçam contra as mulheres. Quase todas, afinal. O que talvez lamente é que uma política, seja ela qual for, que tem em mente determinados objectivos, resulte precisamente no seu contrário e faça recuar para as calendas o que deveria ser para ‘aqui e agora’. Para amanhã, vá lá.

Faço minhas as suas palavras (how nice I am today!) no que respeita às suas considerações sobre a esquerda em geral e o DO em particular, acho-lhes piada. Como diz a Clara Ferreira Alves (essa é de esquerda, cuidado), o neoliberalismo propaga-se como uma religião. Ela não se descose mas desconfio que tem a ver com dogmas, sei lá.
Vou é dormir que o meu mal é sono. De ténis não gosto.

Sérgio Pinto disse...

A prova que li com atenção é que as ditas cujas frases me surpreenderam. E se me surpreenderam, por alguma razão foi!

A mim, não. E, puxando do seu argumento, se não me surpreenderam, por alguma razão foi!


Além disso, prefiro de longe os vídeos do Pat Condell aos artigos do Daniel Oliveira – espero que compreenda, a diferença de qualidade...

Não tenho que compreender, você usa o tempo como muito bem entender. Por mim, até o pode usar a ler parvoíces escritas pelo lidado.


E você a dar-lhe com os ‘vocês’ - pelos vistos o colectivismo está-lhe no sangue, ou estou agora a colar um rótulo desagradável?

Se se sentir melhor, substitua o 'vocês' por "membros fundadores do blogue". Sim, porque no pretenso anti-americanismo do BE estão de acordo - e na absoluta incapacidade de o demonstrar também andam de mão dada.


O que não acho assim muita piada é à sua atitude,

Como facilmente imaginará, não me aquece nem arrefece que ache piada ou não. Se se sentir demasiado incomodado, tem sempre a hipótese de apagar os meus comentários.


Já percebi que o anti-americanismo do BE não é um anti-americanismo qualquer

Claro, claro. Agora explique lá onde viu o 'anti-americanismo', seja lá ele de que espécie for, no DO ou no BE.

Sérgio Pinto disse...

Caríssimo,

Essas afirmações não se enquadram com as afirmações que escolheu pela simples razão de que você não concorda com elas.

Quanto ao resto, tenha em mente que o Xá não chegou ao poder à conta de uma revolução popular, lembre-se de quem o antecedeu e do porquê da sua remoção. Ao mais, a ml já lhe respondeu.

Sérgio Pinto disse...

Ah, Wimbledon este ano é demasiado previsível...

O-Lidador disse...

"segundo ele – que aparece sempre como ‘especialista’ em assuntos árabes e muçulmanos, não sei bem porquê"

Se soubesse, não postaria este tipo de bacoradas, nem o invocaria como autoridade. Angelo Correia ´ganha o seu dinheiro a fazer negócios e favores aos muçulmanos.
É um dos mais conhecidos lobistas dos interesses muçulmanos. É, ou foi, Presidente residente da da Câmara de Comércio e Industria Árabe Portuguesa e Cônsul Honorário da Jordânia em Portugal.

Sobre assuntos muçulmanos, a opinião de Angelo Correia vale tanto como a do Barbas sobre a época do Benfica.

Quanto ao chador e quejandos, fez o xá muito bem. Aliás percebeu, tarde de mais, aquilo que Ataturk captou logo na Turquia ( proibiu o alfabeto árabe, proibiu as sacos de batatas como vestuário feminino, proibiu o "fez" e agarrou os clérigos pelo pescoço e mandou-os pregar apenas aquilo que ele autorizava. Para a Turquia deu bom resultado, embora agora os islamistas estejam outra vez a levantar a cabeça e a empurrar a Turquia para o beco.
Em França, deputados de todos os quadrantes, começaram agora a perceber que têm tb de proibir o uso de tais indumentárias e é provável que brevemente saia uma lei a condizer.
Porque não se trata apenas de vestuário, mas da exibição de bandeiras de uma ideologia retrógrada e obscena.
Corresponde, mutatis mutandis, a exibir em público swasticas ou foices e martelos.

Range-o-Dente disse...

SP:

"Range,

Por mim, está à vontade para fazer uso de todo o tipo de esquemas que lhe permitam minimizar a utilização dos neurónios."

Todo e qualquer recurso deve ser usado criteriosamente em função do fim que se pretende atingir.

No seu caso mobilizei um par de neurónios e um deles ainda ficou aborrecido por não tere que fazer.

"De facto, um mundo não binário seria uma canseira, de tão complicado."

Tá a ver, até o SP já percebeu que há canseiras no mundo não binário. Mas olhe, vou tentar convencer o tal meu neurónio que ficou aborrecido a dar-lhe uma ajuda.

Range-o-Dente disse...

ML:

"Mas temos que reconhecer que, só com dois carimbos, o trabalho também não rende. Tic...Toc, a repartir por todos."

Cuidado ML. Anda por aí negra sombra de coisa economicista.

[o bold é meu]

Miguel disse...

conclusão: o problema do Irão é falta de Xa... se possivel o nestea.
mudasti :)

Carmo da Rosa disse...

@ ML: “...andava a polícia do Xá de navalha na mão a cortar os chadors das mulheres que se atrevessem a vesti-los.”

Não tenho a certeza que isto se tenha passado mesmo assim, mas de qualquer maneira é preferível cortar os chadors do que cortar as cabeças... Isto dito por outras palavras, pelo Walid Shobat (ex-terrorista da PLO que se converteu ao cristianismo e que agora nunca mais pode beber chá com a família): ”os fundamentalistas cristãos dão-nos muitas dores de cabeça, é verdade, mas os fundamentalistas islâmicos cortam-nos a cabeça...”

Lá está, voltamos à discussão que tivemos há tempos: a política é sempre uma ESCOLHA, a escolha do menos pior... Totalmente ao contrário da visão da esquerda messiânica, que anda à procura de um mundo perfeito. O que é muito difícil, e é por isso que o Louçã e o Daniel Oliveira andam sempre com aquela cara de amargurados que os franceses designam por ‘mal baisée’.

@ ML: “sou pouco sensível a religiões, nomeadamente as que se encarniçam contra as mulheres. Quase todas, afinal.”

E porque razão as religiões se encarniçam contra as mulheres? Aqui está um tema que gostaria que você desenvolvesse – daria um post bem interessante e assim o Sérgio Pinto sempre encontraria no FI alguma frasezita com que estivesse de acordo e tornar-se-ia mais simpático, menos ‘mal baisée’...

Não gosta de futebol. Não gosta de ténis. Ai que desgraça, já não chega as nossas divergências ideológicas! Assim nunca nos vamos dar bem!
PS. Não me diga que também não bebe?

Sérgio Pinto disse...

Range,

Passo bem sem a sua ajuda. Mas mando as melhoras aí ao neurónio solitário. Tenha cuidado, não vá ele entrar em autofagia de tão atrofiado estar - enfim, ver o mundo a duas cores também não ajuda.

Carmo da Rosa disse...

@ Sérgio Pinto: “Agora explique lá onde viu o 'anti-americanismo', seja lá ele de que espécie for, no DO ou no BE.”

Para demonstrar teria que andar a espiolhar o enorme e bastante lento arquivo do Arrastão e ler artigos do D.O. sobre os EUA (anteriores a Obama). Uma pincelada... Mas mal tenha um pouco mais de tempo e pachorra faço-lhe a vontade pá...

@ Sérgio Pinto: “Se se sentir demasiado incomodado, tem sempre a hipótese de apagar os meus comentários.”

Apagar comentários! Isso nunca, isso seria utilizar métodos estalinistas muito do agrado da esquerda.

Sérgio Pinto disse...

Carmo,

Agradeço a preocupação com o meu nível de simpatia, mas eu estou óptimo, obrigado.

Se for assim tão importante, até lhe digo que achei que este seu post teve o seu quê de engraçado...

Sérgio Pinto disse...

Mas mal tenha um pouco mais de tempo e pachorra faço-lhe a vontade pá...

Vai perder tempo a procurar em vão, mas você é que sabe.


Apagar comentários! Isso nunca, isso seria utilizar métodos estalinistas muito do agrado da esquerda.

E de certa direita. Lamento que mantenha essa visão de túnel em que a Esquerda é necessariamente apreciadora de métodos estalinistas.

Range-o-Dente disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Range-o-Dente disse...

SP:

"Mas mando as melhoras aí ao neurónio solitário."

Aí está mais um erro de análise. A malta da esquerda não acerta uma.

Os meus neurónios têm muito com que se aplicar mas dar pancada na esquerdalha não envolve, de facto muitos.

De qualquer forma agradeço o desejo de melhoras não deixando de o informar que para os manter afinadinhos basta aplicá-los a coisa que não seja esquerdácea porque o mundo da esquerda está suspenso no interior de um ponto.

Desse "universo" brotam "ideais" de um mundo virtual, mas nesse mundo só há gambozinos.

Resumindo, faço aquilo que a ML sugere. Recorro ao economicismo.

ml disse...

Não tenho a certeza que isto se tenha passado mesmo assim, mas de qualquer maneira é preferível cortar os chadors do que cortar as cabeças...

Bem, eu também não estava lá, mas todos os registos apontam por aí. E claro que do ponto de vista das vítimas, ‘mais vale asno que me carregue do que cavalo que me derrube’ mas, se bem se lembra, estava apenas a responder à sua beatitude para com o regime dos Pahlevi. Uma ditadura, se é que não andamos todos enganados, e com ocidentalização forçada. E mais coisas, mas isso são outros quinhentos.
A propósito, é engraçado ler as entrevistas que a viúva e outros actores têm dado nos últimos tempos. Tudo good fellas.

O Sérgio Pinto sabe tão bem como eu por que é que as religiões se encarniçam contra as mulheres, portanto o que sugere é que chova sobre o molhado. Ora o interessante é fazer chover nas terras áridas.

E já agora e metendo-me no assunto, é engraçadíssimo que alguém aqui dos fiéis acuse o Sérgio de apenas se manifestar contra e não ter nunca uma palavra simpática de aprovação. Eu sei que aqui não são todos iguais, felizmente para os desiguais que sobressaem da massa homogénea, mas parece-me, sr. Carmo, que se fosse eu, também não gostaria da trabalheira de começar a campanha pela própria casa.
Isto sou eu a dizer, claro, pois provavelmente os resultados nem compensam a canseira. Só que para se falar, é por vezes necessário reforçar primeiro o telhado.


Assim nunca nos vamos dar bem!

Ponhamos as coisas assim: I’m not the sporty kind.

Quanto ao beber, talvez já esteja esquecido (???) porque santos da casa até fazem milagres, mas uma conversa entre si e mim há uns tempos deu origem a um dos comentários mais grosseiros que por aqui li, mesmo tendo em conta de onde veio.
É o que lhe digo e pode confiar, sr. Carmo: as religiões têm o condão de fazer vir ao de cima o pior que se encontra nas pessoas. É bizarro porque, teoricamente, deviam poli-las.

Sérgio Pinto disse...

Os meus neurónios têm muito com que se aplicar mas dar pancada na esquerdalha não envolve, de facto muitos.

Ao começar a sua análise com um uso indevido do plural estraga logo tudo. Enfim, como é fácil de imaginar, quando uma teoria assenta em premissas erradas o resultado final dificilmente será muito brilhante.

Range-o-Dente disse...

SP:

"uso indevido do plural"

E adonde?

ml disse...

Balhamedeus!!!

Sérgio Pinto disse...

Bem, Range, obrigado por confirmar o meu ponto.

Estava mesmo a referir-me ao facto de você começar a sua frase da seguinte forma: "Os meus neurónios". Pelo vistos o solitário já está em fase terminal, deve ter sido contagiado pelo do lidado. Livre-se das más companhias! Quem sabe, algo de extraordinário aconteceria e o processo entraria em reversão.

Range-o-Dente disse...

SP:

"Estava mesmo a referir-me ao facto de você começar a sua frase da seguinte forma: "Os meus neurónios"."

Eu sei que a esquerdalha gosta de matar moscas com canhão. Não pela eficácia mas pela falta de eficiência. Para a esquerdalha os recursos são sempre coisa a derreter.

Para uns quantos SPs que aqui polulam dedico um neuroniozito a cada um. Sendo uns quantos, terei que dedicar alguns. Mesmo assim, se brotar um de cada vez há time-share por neurónio.

"Livre-se das más companhias! Quem sabe, algo de extraordinário aconteceria e o processo entraria em reversão."

Não quero livrar-me das más companhias porque gosto de lhes afinfar forte e feio. Volte sempre, portanto.

Sérgio Pinto disse...

Range,

Depois da figura de urso que fez no comentário anterior, bem pode agora começar a ensaiar fugas em frente (ao melhor estilo do lidado), que isso de nada lhe serve.
E, vá, bater em mortos é monótono e eu tenho mais que fazer.

Carmo da Rosa disse...

@ Sérgio Pinto: «Lamento que mantenha essa visão de túnel em que a Esquerda é necessariamente apreciadora de métodos estalinistas.»

Eu também lamento, mas infelizmente estes métodos são mais frequentes à esquerda do que à direita. A não ser que...!? Não me vai dizer que o Estaline é de direita pois não? É verdade que era conservador e reaccionário quanto baste, mas à maneira dele...

@ ML: «o regime dos Pahlevi. Uma ditadura, se é que não andamos todos enganados, e com ocidentalização forçada.»

A ditadura dos Pahlevis era realmente muita má - entre Salazar e Brejnev, que acha? – mas os Persas estavam mais bem servidos do que com Khomeiny... Creio que já me estou a repetir demasiadamente.

Mas além das navalhadas nos chadors, em que é que consistia afinal a dita cuja ocidentalização forçada: saber ler e escrever (sobretudo as raparigas), comer de faca e garfo e ler outra coisa sem ser o Corão...

@ ML: «O Sérgio Pinto sabe tão bem como eu por que é que as religiões se encarniçam contra as mulheres, portanto o que sugere é que chova sobre o molhado. Ora o interessante é fazer chover nas terras áridas.»

A ideia não era escrever exclusivamente para o Sérgio Pinto – nesse caso eu faria uma cena de ciúmes -, a ideia era escrever para toda a gente que quisesse ler.

@ ML: «é engraçadíssimo que alguém aqui dos fiéis acuse o Sérgio de apenas se manifestar contra e não ter nunca uma palavra simpática de aprovação.»

Uma coisa é palavrinhas simpáticas de aprovação, o outro extremo é andar com uma lupa à procura de contradições e incongruências para botar abaixo – creio que até já existe em português o substantivo o ‘botarabaixismo’ (!)...

Quer dizer, é uma opção como outra qualquer, mas é um desperdício, um rapazinho inteligente como o Sérgio Pinto teria certamente coisas mais interessantes a dizer se tivesse uma atitude intermédia...

@ ML: «Quanto ao beber, talvez já esteja esquecido (???) porque santos da casa até fazem milagres, mas uma conversa entre si e mim há uns tempos deu origem a um dos comentários mais grosseiros que por aqui li,»

Sinceramente não faço ideia a que se refere!

Range-o-Dente disse...

SP:

"Depois da figura de urso que fez no comentário anterior, bem pode agora começar a ensaiar fugas em frente (ao melhor estilo do lidado), que isso de nada lhe serve."

Eu bem me pareci que já nem sobre neurónios consegue argumentar.

ml disse...

Que canseira, sr. Carmo, optar ao segundo entre ‘a rock and a very hard place’.
O Vesúvio ou o vulcão dos Capelinhos? A forca ou a guilhotina? O Átila ou o Gengis Kahn?
Eu não tenho ‘os meus ditadores’, mas os seus são imbatíveis, sempre os mais qualificados do mercado. O Ferguson tem um artigo impagável sobre isso, mas desconfio, sei lá porquê, que a opinião desse ‘nome de peso’ não é aqui bem-vinda.

Não sei se a ocidentalização incluiu etiqueta de mesa, mas comer de garfo e faca não deve fazer parte das normas, se não os Estados Unidos estavam fora do processo.
Mas isso das letras e da igualdade de direitos foi mais o Reza pai, o filho andou entretido com as polícias até que as polícias se entretiveram com ele. E catrapuz! As polícias negam, mas a viúva tem dúvidas. Eu cá não sei de nada, estava no cinema.

E antes que continue a correr para lado nenhum, sr. Carmo, lembro-lhe que lhe disse que até simpatizei com o processo, o esquerdista Ângelo Correia é que acha que os iranianos ficaram um bocadito chateados. E provavelmente ficaram. Se desligar de vez em quando o piloto automático, poupa na gasolina e nas voltinhas about nothing.


Uma coisa é palavrinhas simpáticas de aprovação, o outro extremo é andar com uma lupa à procura de contradições e incongruências para botar abaixo …

Hummm... E por acaso, num raio de 50 km, não está assim a ver ninguém que encaixe nessa descrição... Nah, não deve mesmo haver. E é pena, sr. Carmo, esses é que animam o circo e entretêm a clientela.


Sinceramente não faço ideia a que se refere!

Feliz memória a sua. Mas veja lá se não será aquele o sr. alemão a insinuar-se.

Carmo da Rosa disse...

@ ML: «...O Ferguson tem um artigo impagável sobre isso,»

Ferguson! só conheço o dos tractores...

@ ML: «Não sei se a ocidentalização incluiu etiqueta de mesa, mas comer de garfo e faca não deve fazer parte das normas, se não os Estados Unidos estavam fora do processo.»

Lá tinha que vir o Grande Sátão à baila! Mas mesmo que a ocidentalização forçada fosse apenas ‘american way of life’, também não estava mal, o oriente aprenderia assim a usar computadores.... Sempre é mais útil do que passar o tempo a rezar, a chatear as mulheres ou a queimar bandeiras de Israel...

Mas os islamitas (e infelizmente o esquerdalho vai atrás), quando se referem a ocidentalização forçada, têm sempre em mente um tipo de educação e uma maneira de encarar o sêxozinho das mulheres muito deles (homens). E também estão convencidos de que o Corão alberga toda a ciência do universo (é em suma a palavra de Deus), por isso, para quê ler Ferguson e aprender a utilizar tractores?

Por isso mesmo, é que O Arab Human Development Report (ligado às Nações Unidas) traça uma imagem dramática do mundo árabe. Três importantes lacunas foram assinaladas no relatório, que foi aliás redigido por cientistas árabes. Estas lacunas têm a ver com a falta de liberdade, a fraca posição da mulher e com um dramático atraso na ciência. Nestas três áreas o relatório dá exemplos. Por exemplo, a produção total de traduções no mundo árabe a partir do século nove é igual ao número de títulos traduzidos num país como a Espanha. E para ficarmos por Espanha: o PNB deste país é superior ao PNB de todos os países árabes!

Quanto ao resto: o filho, a viúva, o Reza e o catrapuz é informação demasiada críptica para a minha simplória caixa dos pirolitos poder entender!!!

@ ML: «Hummm... E por acaso, num raio de 50 km, não está assim a ver ninguém que encaixe nessa descrição... Nah, não deve mesmo haver. E é pena, sr. Carmo, esses é que animam o circo e entretêm a clientela»

Tem razão, estou a ver mais gente que encaixa na descrição, tanto dentro como fora do circo, mas sabe como é, quem anima o circo tem certos privilégios...

@ ML: «Feliz memória a sua. Mas veja lá se não será aquele o sr. alemão a insinuar-se.»

Qual alemão? Tenha piedade de mim, você não é capaz, uma vez por outra, de ser menos críptica – lembre-se que está a falar a um imigrante, às massas.

Sérgio Pinto disse...

Eu também lamento, mas infelizmente estes métodos são mais frequentes à esquerda do que à direita. A não ser que...!? Não me vai dizer que o Estaline é de direita pois não? É verdade que era conservador e reaccionário quanto baste, mas à maneira dele...

E afirma isso com base em quê? Naquela lógica 'do meu ditador é marginalmente menos mau que o teu'?

Esteja descansado, um seu colega de blogue é que gosta de ver no Hitler e no Mussolini comunistas incorrigíveis. Felizmente, a insanidade mental não atingiu ainda estatuto de pandemia.

Há 'n' correntes dentro da Esquerda, a generalidade democráticas, umas quantas nem por isso. Mas imagino que você não se sinta representado por neonazis. E, no entanto, eles pertencem ao espectro da Direita. Não me vai dizer que são de Esquerda, pois não?

P.S. Olhe que isso de elogiar o DO e agora até me lançar umas palavras simpáticas é perigoso. Sob a lupa de alguns códigos binários, isso pode ser indicativo de que você se anda a deixar tentar pelo 'dark side'...

Sérgio Pinto disse...

Eu bem me pareci que já nem sobre neurónios consegue argumentar.

Pois. Argumentar contra alguém que se baralha quando se fala de usos indevidos do plural é complicado. Dado o estado avançado de degradação aí do solitário, é quase como falar sozinho. E monólogos é com o lidado.

Carmo da Rosa disse...

@ Sérgio Pinto: «E afirma isso com base em quê? Naquela lógica 'do meu ditador é marginalmente menos mau que o teu'?»

Precisamente. Tá ver, se você optar por uma atitude mais construtiva ainda a gente se vai dar muito bem...

@ Sérgio Pinto: «um seu colega de blogue é que gosta de ver no Hitler e no Mussolini comunistas incorrigíveis. Felizmente, a insanidade mental não atingiu ainda estatuto de pandemia.»

E para mal dos meus (e pelos vistos dos seus) pecados parece que tem razão. Mas ele não vai tão longe de os designar por comunistas incorrigíveis, mas colectivistas e anti-capitalistas não é difícil de demonstrar. Aliás, eu tenho umas provas sobre isto que prometi mas ainda não apresentei por falta de tempo e de ocasião – Roland Garos, Irão, agora temos o Wimbledon, amanhã já me cravaram para ir ver a TT em Assem, e não vou perder esta ocasião de ver o Grande Valentino Rossi ‘life’ – mas o seu a seu dono.

Sabe como é caro Sérgio, nestas coisas o que é preciso é abertura de espírito, parar um pouco para pensar, contar até dez, e não começar logo pelo insulto. Deixe os insultos pró fim... Imagine que eu tinha insultado no passado (se calhar!) o Daniel Oliveira, com que cara ficaria agora?

@ Sérgio Pinto: «Há 'n' correntes dentro da Esquerda, a generalidade democráticas, umas quantas nem por isso.»

Eu considero-me de esquerda, por isso também devo fazer parte de uma dessas correntes, mas ainda não sei qual é !

@ Sérgio Pinto: «Olhe que isso de elogiar o DO e agora até me lançar umas palavras simpáticas é perigoso.»

Já lhe respondi!
Note que eu conheço os meus colegas de redacção como o conheço a si mas, como já disse, não me parece que sejam da tradição dos tribunais populares, das auto-críticas, das psikuchas e dos gulags. Esta malta de direita o que eles querem é copos...

Carmo da Rosa disse...

Correcção:

TT em Assen, of course...

Sérgio Pinto disse...

Precisamente. Tá ver, se você optar por uma atitude mais construtiva ainda a gente se vai dar muito bem...

Ok, embora tenha uma certa dificuldade em elaborar critérios que me permitam dizer que o Estaline foi pior que o Hitler (ou vice-versa). Aliás, é um exercício que não me parece particularmente interessante.


Mas ele não vai tão longe de os designar por comunistas incorrigíveis, mas colectivistas e anti-capitalistas não é difícil de demonstrar.

Como saberá certamente, ter características em comum não chega para dizer que duas coisas são iguais. Como também será fácil de perceber, as raízes que justificam esse anti-capitalismo (assumindo que ele fosse verdadeiro, o que é curioso, dada a algo frequente aliança entre as elites empresariais e os ditadores) importam bem mais que o facto em si.
Exemplificando, um neonazi terá exactamente o mesmo discurso sobre a o BE ou sobre o Islão que o Lidador (e, provavelmente, os restantes membros do blogue). No entanto, não creio que alguém aqui se veja como neonazi.


Sabe como é caro Sérgio, nestas coisas o que é preciso é abertura de espírito, parar um pouco para pensar

Certo. Mas daqui também decorre que não se deva assumir 'a priori', por exemplo, que o BE ou o DO são anti-americanos, sem que tal posição alguma vez seja sustentada, não?


Esta malta de direita o que eles querem é copos...

Alguma desta malta de direita é binária. Ao bom estilo do Bush, 'either you are with us, or you are with the terrorists'. E na cabecinha de alguma desta malta, terrorismo e Esquerda são sinónimos.

ml disse...

O Ferguson dos tractores? Não, é o primo, um ‘nome de peso’. Os tractores pesam mais, claro, mas este tem-se dedicado a mostrar as semelhanças entre os discursos dos fiéis e dos neonazis em relação ao Islão e ao BE.

(Oh Sérgio, então os fiéis são neonazis, é? E o pó que eles têm eles à esquerda!? E ao Obama!? Hummm... Vai-se a ver tens razão, as afinidades não mentem.)


E esse discursozinho sobre o Islão veio a propósito de quê, sr. Carmo? Em benefício da minha formação?

http://www.alfarrabista.eu/livros.php?artg=1039651

Quanto ao resto: o filho, a viúva, o Reza e o catrapuz é informação demasiada críptica para a minha simplória caixa dos pirolitos poder entender!!!

Lá vem a rábula do ingénuo, mas eu faço um resumozito como alternativa ali ao Pacheco Pereira, que é sempre dos primeiros e engolir as modas lexicais. A palavra que está na berra é ‘narrativa’.
Vai chegar aqui e já sei pela pena de quem.

Xá (pai) – defensor de um estado moderno e laico. Reformista. Ditatorial e repressivo. Caiu em desgraça por defender os seus próprios recursos.
Catrapuz, disseram soviéticos e ingleses.

Xá (filho) – muito mais friendly no que respeita ao petróleo, um selvagem apoiado na SAVAK. Há em torno da queda muitas zonas de penumbra que têm vindo a clarear. O que diz a viúva, Farah Diba, e o que a viúva diz que o Xá disse no exílio, não condizem exactamente com os relatos oficiais e oficiosos.
Catrapuz, disseram aparentemente todos.

Mossadegh (espírito santo) - travou uma luta sem tréguas com o clero para defender um estado laico, moderno e democrático. Está por detrás da nacionalização do petróleo. É apeado pela santa aliança clero + CIA + RU. Catrapuz. O terror volta às ruas e o pitrol às mãos anteriores.

Chega, sr. Carmo? Não quero maçá-lo com detalhes.


Tem razão, estou a ver mais gente que encaixa na descrição, tanto dentro como fora do circo, mas sabe como é, quem anima o circo tem certos privilégios...

Sim, sim, e eu concordo com esses privilégios e inside trading. Afinal, sem eles o espectáculo morria. Fica-lhe é a si um bocadinho mal apontar o dedo a outros, os fiéis podem sentir-se atingidos, sei lá.


Não me vai dizer que o Estaline é de direita pois não?

E não porquê? Com tantas afinidades com o Hitler, não vejo outra saída.
Vou telefonar ao Ferguson, ele vai adorar especular sobre isso e a Central vai esverdinhar de raiva.


Esta malta de direita o que eles querem é copos...

Já podia ter dito, eu até já andava meio descrente na inteligência humana. ‘Não pode ser’, dizia eu aos meus botões, ‘deus é infinitamente misericordioso e não ia ser avaro na distribuição do sopro divino’.

Carmo da Rosa disse...

Cara ML, ainda bem que me confortou neste momento, afirmando que eu já sou pelo menos 70% salonfähig... Como já deve ter reparado (vide post politicamente correcto), estou com pouca sorte com as mulheres.

Mas continuo sem resposta à minha pergunta:

As mordomias que a Holanda oferece aos seus cidadãos, deixam-me irritado! E então porque razão? Pode saber-se?