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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Once upon a time in Alentejo

 

 
Lidador disse: Mas é isso mesmo que lhe estou a dizer. Essa amizade, esse conhecimento, surgiram de quê, homem de Deus? De convívio civilizado, de tratamento educado, de confiança que se foi ganhando.. 

Não obrigatoriamente. Convívio civilizado e tratamento educado são conceitos que cada um preenche à sua maneira e que se prestam a todo o tipo de interpretações, por vezes mesmo fazendo um apelo ao Espírito Santo. Mas a sua ideia (interpretação) de convívio civilizado e tratamento educado, no que diz respeito à relação com mulheres é, mais coisa menos coisa, parecida com a minha – falamos a mesma língua, apanhamos com a mesma religião encima do lombo, lemos os mesmos romances (do Eça) e a educação que os nossos pais nos deram não deve divergir 180 graus, penso eu!

Mas isto já não serve para o meu filho, por exemplo. Ele tem obrigatoriamente outra ideia da coisa. Porque fala outra língua, leu outros textos, tem outras referências e teve uma educação diferente. O ponto da questão é saber se houve uma evolução, e se ideia dele (sobre relações com mulheres) é melhor, ou pelo menos diferente da nossa...

Eu penso que sim, você pensa que não – faz da sua interpretação o metro padrão! (pelo menos é a impressão que me dá).

Lidador disse: No fundo, o CdR, em vez de ver a coisa como um processo, quer isolar o momento do truca truca. Mas você normalmente não chega ao truca-truca, assim, como nos filmes pornográficos, com um estalar de dedos.

Mas quem lhe disse que chego à queca estalando os dedos? Isso é a sua interpretação, porque a palavra queca, ainda por cima dito por uma mulher, choca tremendamente com a sua ‘Weltanschauung’, visão do mundo e termo querido de Freud. Por falar em Freud, ao meu filho nunca lhe ocorreria utilisar neste caso o eufemismo truca truca! Será por isso menos civilizado? 

Lidador disse: Pronto, se quer chamar "contexto" , ao modo como seduziu a senhora, está à vontade. Tenho já a certeza que não foi de chofre e à mocada, mas com conversa e simpatia..

Terrível ó primo? você quer à viva força tirar a iniciativa à mulher! Já lhe disse que foi ela que me seduziu. E o mais grave é que eu no momento nem sequer me dei conta!

Prooooooonnnnntú.

Como estamos entre família vou-lhe contar como a coisa se passou e depois você tira as conclusões que quiser e também pode dizer que tenho prisões (de ventre) ideológicas – deve ser das salsichas hahahaha.

Once upon a time in Alentejo

Estando eu de férias em casa de um casal amigo - ele português, ela holandesa - que conheço de longa data, uma noite foram estes convidados para jantar em casa de uma amiga (deles) que eu não conhecia de lado nenhum. Como estava alojado em casa resolveram levar-me. A amiga que nos recebeu não estava sozinha em casa, éramos umas oito pessoas à mesa, mas eu era a única que ela não conhecia. Durante, entre e depois do jantar houve conversa animada, guitarradas e cantares (a dona da casa é cantora). Mas a partir do momento em que fui apresentado à senhora ela veio sentar-se perto de mim e notei vagamente que me dava bastante atenção. Também notei que já me estava a irritar com as suas constantes imitações do meu sotaque do Porto (isto passou-se no Alentejo).

Quando chegou a hora das pessoas voltarem para suas casas, despedi-me da senhora e entrei no carro do casal amigo em cuja casa estava alojado. Durante a viagem de volta queixei-me ao meu amigo pelo facto da bacana durante o jantar me gozar constantemente imitando o meu sotaque. O meu amigo, ao mesmo tempo que conduzia, exclamou: ‘ó seu cara de caralho, a gaja passou a noite inteira a tentar engatar-te e tu nada!’ A engatar! Respondi perplexo! 'Sim senhora', confirmava agora a mulher do meu amigo a partir do banco da frente - ‘eh pá, tens os olhos na nuca’.

Na manhã seguinte lá me enchi de coragem, pedi o número de telefone da senhora ao meu amigo e combinei ir a casa dela tomar o pequeno almoço. O resto já você sabe, culminando na frase de uma mulher perspicaz, inteligente, independente e emancipada (e aleijadinha de boa): ‘o que tu queres é dar uma queca’. 

Esta mulher poderia muito bem ser a mulher representada neste filme brasileiro – e eu o marido que recusa tomar Viagra. Uma mulher que em questões relacionais está a anos luz da minha avó, a anos luz da minha mãe …

Graças a quem?

Aqui as opiniões divergem e cada um diz a sua conforme a sua visão do mundo. Eu diria graças aos Beatles, com a canção Why Don't We Do It in the Road?

18 comentários:

Unknown disse...

CdR,ainda bem que reconhece que existem técnicas de sedução.
É exactamente isso que lhe estou a dizer há não sei quantas luas. Mas aos poucos, vejo que começa a assentar na basesinha.

E, claro, volta a caricaturar quando me acusa de usar técnicas de outro tempo. É que eu nem me recordo de ter falado daquilo que fiz ou deixei de fazer, pelo que não sei onde é que o CdR foi desencantar esta pérola.

O que eu lhe disse, e repeti à exaustão, é que se tem de usar com as mulheres a sinalética adequada. Aliás, isso é válido para toda a gente. Aqui este seu amigo, por exemplo, é perfeitamente capaz das expressões mais shakespereanas e cavalheirescas, dirigidas a quem as aprecia, e no momento seguinte, dirigir-se à estrebaria e usar frases de 5 palavras, com 4 caralhadas cada.
Há-de reconhecer que a minha antiga profissão assim o exigia e, sem falsas modéstias, sempre estive à altura.

Dito isto, deve adequar-se a linguagem, oral e gestual, a cada alvo.
E o que eu lhe estou a dizer é que as mulheres, em abstracto, apreciam a deferência, a amabilidade, a atenção e tendem a derreter.
Sejam as de agora, sejam as de há 200 anos.

E, já agora, respondi-lhe adequadamente quanto à iniciativa feminina.
E disse-lhe que é quase sempre delas.
O problema é que há gajos daltónicos que não vêm o sinal verde e é preciso apitar-lhes e, por vezes, empurrá-los.

Parece ter sido esse o seu caso, e lamento que seja daltónico.

ml disse...

Pregador: "Pelo contrário, explica o Alberoni, as mulheres não apreciam essa pornografia. A "pornografia" delas, envolve envolvimento romântico."

Não há nada como ir passando por aqui nas horas vagas... :))) E não é que eu aprecie lá muito este Alberoni, mas pelo menos teve a coragem de sair das rendas do Renascimento e chegar ao séc. XXI e à Margaret Mead, que deve estar a rir-se no túmulo. Também para um professor universitário que se diz sociólogo não era lá muito conveniente mostrar que vivia de olhos fechados ao que se passa em volta.

Alberoni, aquando do lançamento do último livro, "Amor e sexo".
"Pensei que valeria a pena estudar as várias sociedades, as várias combinações entre sexo e sociedade. Fiz vários retratos, a partir de centenas de entrevistas, e com eles tentei transmitir aquilo que os homens e as mulheres de hoje sentem, desejam, querem, repudiam [...] Na sociedade actual, em que o acesso à Internet está cada vez mais facilitado, o sexo ficou, por isso mesmo, mais vulgarizado [e] é muito frequente que sejam as raparigas a terem mais cedo relações sexuais do que os rapazes. [...] Ao contrário do que acontecia há um século, nos dias de hoje há cada vez mais uma tendência para chegar ao amor através do sexo."

Quanto às diferenças de comportamento entre mulheres e homens neste domínio, incluindo o consumo de pornografia, 'niente de niente', diz o senhor Alberoni. A única diferença é mesmo a resposta biológica/anatómica.

Bye bye, estarei atenta ao próximo sermão... Se não quiserem, façam aquilo que diziam que nunca fariam mas que afinal até fazem: bloqueiem. Era uma pena ao fim de tantos anos de verdadeira amizade, mas que fazer?, os homens são volúveis...

Unknown disse...

Francesco Alberoni ( O Erotismo):

"O erotismo apresenta-se sob a marca da diferença. Uma diferença dramática, violenta, exagerada e misteriosa.

O imaginário feminino cria outros mitos, alimenta-se de outras imagens e de outros acontecimentos.

Quase todos os autores que escrevem sobre estes temas, propoem recitar destinadas a superar [as diferenças]. Não as estudam, não as tomam a sério. Esforçam-se por demonstrar o absurdo"

Como vê, CdR, o Alberoni não o conhece, mas conhece a ideologia que lhe serve de referência.
E antecipa aquilo que o CdR tem estado a fazer: a tentar demonstrar o absurdo!

E continua, no prefácio:

" Neste momento da história, as mulheres e os homens procuram aquilo que os torna comuns, sufocando as diferenças. Mas têm tb, diferentes sensibilidades, diferentes desejos, diferentes fantasias.
Frequentemente, ambos imaginam o outro como ele, na realidade, não é, e pretendem coisas que ele não pode dar"

E a frase com que começa o Cap II;

"1. A pornografia é uam figura do imaginário masculino [...]. As mulheres não estão particularmente interessadas em ver a fotografia de um homem nu. Não é costume excitarem-se sexualmente por isso"


and so, and so, and so.

I rest my case!

Unknown disse...

Ah, quanto ao truca-truca, não fui eu que criei o termo.
Foi Natália Correia,uma notável poetisa açoriana, feminista dos 4 costados, não especialmente conhecida pela contenção verbal.

Como vê, até aí a sua critica falha o alvo por vários parsec.

Unknown disse...

"é você não querer reconhecer a existência de uma evolução"

Completamente falso. Não disse nada disso, ora prove lá essa afirmação.

Creio que continua a confundir a substância com a forma.

Use a linguagem que usar, como repeti à exaustão (até lhe disse que tem da ajustar a linguagem ao alvo), não pode deixar ir ao encontro da sensibilidade feminina.

Isso é a substância do conceito de cortesia.
A linguagem que usa, depende das pessoas envolvidas, do momento, do local, etc.

Mas já lhe expliquei isso várias vezes, estou a ficar farto de me repetir.

Unknown disse...

"Que diabo, não podemos ser todos machões implacáveis"

Não devia chamar isso aos seus amigos.
Eles, pelo que relata, perceberam os sinais.
Você não.
Provavelmente porque a tal ideologia não lhe permite ver o óbvio.

Unknown disse...

Mais sobre as diferenças:

Alberoni (Sex and love):

"O sexo masculino tem indubitavelmente uma componente de agressão e dominância"

"Nenhuma sociedade jamais existiu sem um conjunto de tabus, proibições, formas de cortejamento, rituais de acasalamento, etc. O sexo nunca é neutral,"

" O horror das mulheres à violação, é uma consequência da sua necessidade filogenética de não ser possuída por um parceiro de fracas características genéticas, em vez de ser ela a escolher um macho mais valioso."

etc, etc, etc

Quanto à "igualdade", estamos conversados.

ml disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ml disse...

Como é que o meu comentário anterior desapareceu?????
Vou repeti-lo.

Unknown disse...

Desapareceu, da mesma maneira que desaparecerão todos os que não respeitarem regras mínimas de educação, e que eu tenha poder para fazer desaparecer.

Se quer respeito, respeite as pessoas a quem interpela.

Não tenho paciência para lhe responder no mesmo registo.

Se se limitar ao assunto,sem apartes sardónicos, os seus comentários não só ficarão, como até poderão merecer resposta.

Caso contrário, vão para o caixote do lixo.

ml disse...

TESTE 1

Francesco Alberoni, em entrevista aquando do lançamento de 'Amor e Sexo'.

"Este livro representa um ponto de viragem. [...] Assistimos a mudanças profundas na relação entre sexo e amor nas várias etapas da vida. Antigamente, as raparigas tinham a primeira relação sexual com 18 anos, com o namorado. Os rapazes tinham a primeira experiência com prostitutas. No caso das raparigas, o sexo estava relacionado com o amor, nos rapazes nem tanto. Actualmente, as raparigas têm a primeira experiência sexual com 13 ou 14 anos, com rapazes da mesma idade. O amor e o sexo aproximaram-se, mas estes amores adolescentes, apesar de emocionalmente muito intensos, são frágeis e de curta duração.
Com 20 e 30 anos, homens e mulheres estão dedicados aos estudos, à carreira e trocam de cidade e de trabalho, viajam, querem divertir-se. Têm numerosas experiências amorosas, mas só muito dificilmente se entregam e fazem do amor a razão de ser da vida. Muitos adiam o casamento e o momento de ter filhos."

ml disse...

TESTE 2

"[...] homens e mulheres interagem como pessoas concretas influenciadas pela história, cultura e pelas suas experiências particulares" (tese comprovada por Margaret Mead há mais de meio século).

"Tendo estado outrora confinada a um público masculino, a pornografia atrai cada vez mais e mais mulheres.

Nos anos mais recentes, na sequência da revolução sexual, também as mulheres, tal como os homens, começaram a separar sexo de amor. [...] Existe também um número crescente de romances escritos por mulheres tão cheios de palavras obscenas que a diferença entre literatura erótica e pornográfica se esbate completamente. Uma das razões para isto acontecer é a intenção de recriar a realidade do sexo na vida quotidiana.

A primeira razão é o crescente processo de igualização de comportamentos entre homens e mulheres. Durante dezenas de milhares de anos as mulheres precisaram dos homens para protecção enquanto os filhos eram pequenos. Tendo-se encontrado nesta posição de inferioridade durante todo este tempo, as mulheres acostumaram-se a procurar um homem rico e poderoso que fornecesse uma vida confortável para ela e para a sua prole. Já não precisam disso. A mulher que trabalha, a mulher com uma carreira, não tem necessidade absolutamente nenhuma deste tipo de protecção.

Outras mudanças significativas estão em curso[...]"

Alberoni, Amor e Sexo

Unknown disse...

OK, então há-de dizer-me, porque eu desconheço, quais os equivalentes femininos da Playboy, e das revistas mais hard.

Basta que indique os nomes, para eu poder confirmar o seu sucesso junto do público alvo.

De resto nada do que aqui colou, me contradiz.
Uma coisa é o que dita a moda politicamente correcta e que as pessoas tentam seguir.
Outra é a realidade que está a montante das modas.

É desse conflito que estamos a falar.

Sim, eu sei que as mulheres são compelidas a agir de determinado modo, ditado pela cultura prevalecente.
O que se discute é se esses ditames da moda, se ligam à realidade interior ou se são apenas isso: ditames da moda.

Parece, pelo que TODOS os especialistas escrevem, que o 2º caso é mais provável.

De qq modo, se eu não tiver razão, de certeza que é capaz de me indicar as tais revistas pornográficas que fazem sucesso ( medido pelas vendas), entre as mulheres.
Mais objectivo que isto, não vejo, uma vez que a compra de uma revista é sempre uma decisão individual e não uma actividade onde o grupo comanda.

Unknown disse...

CdR

A diferença entre pornografia masculina e feminina, reflecte as diferenças entre homens e mulheres.
Vou fazer um post sobre isso, mas para já, o que fica é que as mulheres não se excitam à vista (em termos gerais claro).

Um homem normal, vê uma mulher bonita e empina-se.
Está-se nas tintas para o estatuto, e as outras envolventes.
As mulheres, em geral, necessitam de mais do que isso.
Essa diferença, os progressisyas acham que é "cultural", deriva do papel que é imposto às mulheres.
Quem não olha o mundo pelo crivo dessa ideologia, sabe que não é assim, que essa diferença, se bem que atenuada ou agravada por multiplicadores culturais, é imanente, mergulha raízes numa identidade sexual que existe a montante da cultura.


Quanto à censura, lamento mas, se tiver poder, não aceito trolls que em vez de argumentarem, se dedicam a exorcizar frustrações, comentando em tom chocarreiro.
Não tenho paciência para isso e como não sou cristão, não tenho de dar a outra face. E tb não posso descer ao mesmo nível.

Reconheço, contudo, que o poste é seu. Mas então, se não confia na minha avaliação, e aceita os comentários insultuosos e incivilizados só me resta não voltar a compartilhar o espaço.
Não voltarei assim a comentar os seus postes e deixo o espaço completamente livre para os trolls.

Unknown disse...

Já agora, uma coisa é o humor e a ironia, outra é o insulto soez e vulgar.

Mas, lá está, pelos vistos temos noções diferentes sobre o que é a boa educação e a civilidade.

ml disse...

Sabe o que mais me espanta, camarada-geral? O seu descaramento. Uma pessoa com o seu historial ao longo dos anos queixar-se dos outros, que nunca sequer tiveram a duvidosa pretensão de chegar aos seus calcanhares, que se lamuriava e vociferava quando lhe cortavam os comentários por abusar de linguagem imprópria, de repente começar a chorar-se que lhe estragam os pergaminhos.
'Não peças a quem pediu, não sirvas a quem serviu' cof... cof... cof...

Boa semana, camarada-geral, que S. Estaline esteja contigo. No hard feelings, é da natureza humana, temos que ser complacentes, lol!

ml disse...

Nunca fui malcriada consigo porque nunca o sou com ninguém, ser irónica e sardónica só na sua cabecinha é má-educação. Má-educação foi o que o camarada-geral praticou anos a fio – basta ir a certos sites da net - e aqui mesmo, em relação aos comentadores não-alinhados em geral, e a um, que era a delicadeza em pessoa, em particular. Podemos repescar...
Má-educação é pressionar com longos sermões de moralidade política de modo a concordarem consigo, e insinuar que se não o fizerem são Belzebús aliados aos esquerdistas.
Má-educação é tentar fazer chantagem pueril com quem me responde educadamente, sem isso implicar qq concordância comigo. Educação, apenas.

Claro que lhe respondo e sempre respondi com argumentos, parece que sobre isso não há qq dúvida. Num dos comentários ontem eliminados eu explicava claramente que neste caso e mais uma vez, apenas pretendia mostrar-lhe que fundamentar-se em autores que conhece apenas por alto dá sempre este resultado que está à vista, pregar e moralizar sobre irrealidades.
Não gostou, não conseguiu dar a volta de modo a sair-se airosamente e pronto, carimbo de má-educação e tesoura.
Amuos, lol!...

ml disse...

Já aqui falei, lá para trás, na pílula e na iniciação no mercado de trabalho como os dois grandes transformadores da situação da mulher nas nossas sociedades.