Teste

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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Das turbas

Por Helena Matos
Ministério da Educação ou Agência de Funcionários Entretidos Consigo Mesmos?

A senhora ministra pediu desculpa aos professores mas esqueceu-se, ela e também os professores, que, para lá das acusações e pedidos de desculpa mais ou menos justificados que trocam entre si, aqueles a quem todos devem um pedido de desculpa são os portugueses. Exactamente, aqueles seres de quem nunca ninguém fala nesta discussão mas que pagam o ordenado da senhora ministra e respectivos secretários de Estado, sem esquecer os assessores e as mentes brilhantes da pedagogia alojadas na 5 de Outubro, os caciques das DREN’s, os sindicalistas vitalícios e os professores, estejam eles indignados ou não.

Apesar de tal ter deixado de ser referido há muito e de esta ministra ter feito quase ponto de honra de jamais falar do ensino em si mesmo para se dedicar quase em exclusivo à problemática dos funcionários, a verdade é que o Ministério da Educação não nasceu para empregar professores. O Ministério da Educação tinha como objectivo a educação e instrução das gerações mais novas. É certo que o ministério foi ganhando um fastio que posteriormente se transformou em irritação à transmissão de saberes. O ministério sonhou brincar às famílias e fazer de conta que era o melhor amigo dos alunos, quis ser divertido como os circos e lúdico como a praia. Mas por mais disparatadas que fossem as modas pedagógicas elas ainda se destinavam aos alunos, aqueles que, repito, constituem a razão de ser do Ministério da Educação. Ou constituíam porque o peso da máquina acabou por se tornar a razão de ser do próprio ministério. É essa máquina que em boa parte dita a sorte ou a desgraça dos ministros. Por outras palavras se Lurdes Rodrigues tivesse deixado tudo mais ou menos na mesma ou se tivesse optado por avaliar todos os professores com Bom, como fez Alberto João Jardim na Madeira, teria uma vida tranquilíssima. (O silêncio dos professores perante este abuso de poder daquele governo regional é simplesmente vergonhoso. Se Alberto João perdesse parte da esperteza política que o caracteriza, o que duvido que venha a acontecer, no próximo ano corria os professores daquela ilha a medíocre e talvez assim os docentes recuperassem a fala nesta matéria!)

Aquilo que, neste momento, sucede no ministério da Educação pouco ou nada tem a ver com ensino e muito menos é uma luta de trabalhadores no sentido convencional do termo. Aliás convirá recordar que o que chamávamos contestação laboral, reivindicações de trabalhadores face ao patronato e atitudes quejandas são cada vez mais acontecimentos do Canal Memória. Actualmente a indignação perante a figura do patrão só surge quando este pretende deixar de o ser, ou seja, quando desaparece, encerra as empresas ou pretende fazer despedimentos.

Quase sem darmos por isso a conflitualidade laboral foi transferida do sector privado para o Estado. E aí o que temos são guerras entre funcionários. Estas têm aspectos perversos como os que vimos naquela manifestação em que professores estiveram lado a lado com alunos que atiravam ovos à ministra ou quando o governo, transformado numa espécie de assembleia de ‘primeiros-funcionários’, desautoriza perante a opinião pública os grupos profissionais com quem vai ter de negociar, sejam eles os juízes ou os professores. As consequências disto vão custar-nos caríssimo.

Outra das características desta conflitualidade entre funcionários é que estes nunca ponderam questões tão prosaicas quanto o impacto real das suas acções. Ou seja, se a ministra da Educação dirigisse um colégio privado saberia não só que o modelo de avaliação que escolheu não serve para nada como também não ignoraria que impor uma reforma tão atabalhoadamente como fez a condenaria rapidamente à falência. Mas a senhora ministra está isenta dessa preocupação. No fim, o contribuinte que em nós ocupa cada vez mais o lugar do cidadão pagará as consequências da reforma mais os estudos para uma outra reforma que terá de colmatar os erros desta, os destacamentos dos sindicalistas que vão contestar as reformas futuras e defender as passadas… O pior é que o ‘cidadão quase só contribuinte’, neste ano lectivo de 2008/2009 também tem de pagar as explicações aos filhos para compensar a desmotivação dos professores, quiçá as greves, ou simplesmente as consequências da opção massiva pela reforma que está a deixar disciplinas vitais sem professor em muitas escolas.

O que actualmente sucede na educação em Portugal é uma espécie de teatro do absurdo, quer pela natureza da peça em si mesma – os arrazoados incongruentes designados como programas – quer ainda porque não só somos obrigados a custear as representações como igualmente obrigados a mandar os nossos filhos a todas as sessões. A estrutura mastodôntica e centralizadíssima do ministério da Educação dá à ministra e aos sindicatos um protagonismo e um poder únicos que certamente farão muito bem ao seu ego de funcionários mas que se servem vergonhosamente dos alunos como o quórum indispensável.

Não duvido que os professores devem ser avaliados mas o critério mais fiável de avaliação dos professores é a procura que a escola onde leccionam tem por parte das famílias. Mas disso ou seja da possibilidade de as famílias escolherem entre público e privado, graças ao cheque ensino, ou mesmo dentro do público escolherem a escola que pretendem simplesmente porque esta pode contratar os professores que quer, funciona bem e não porque é aquela que a sua morada determina, nem a ministra nem os sindicatos querem ouvir falar. Afinal, se há alguma coisa em que todos os ‘primeiros funcionários’ chamem-se eles Maria de Lurdes Rodrigues ou Mário Nogueira, estão de acordo é que o poder pode dividir-se entre eles, podem até lutar por ele na rua mas o que não podem aceitar é perdê-lo para outros.

No dia em que se permitir às famílias escolherem as escolas para os seus filhos, seja entre escolas públicas e privadas ou entre diferentes modelos no público, nesse dia começa a desmantelar-se a máquina da 5 de Outubro, a reconduzi-la aos seus objectivos – o ensino – e a reduzi-la a uma escala aceitável, nesse dia o poder dos funcionários esvai-se como um balão.
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terça-feira, 18 de novembro de 2008

Notícias Espantosas no FT

O Financial Times classificou Teixeira dos Santos como o pior ministro das Finanças da União Europeia.

Não admira. Em quatro anos ele não conseguiu acabar com o défice das contas públicas apesar do esbulho fiscal em crescendo a que os portugueses estão sujeitos. A redução do défice das contas públicas é a que resulta de nunca como antes termos pago tanto em impostos. Mas, ainda assim, o aumento dos impostos é insuficiente para cobrir o aumento da despesa pública.

Há ainda que não esquecer as manobras de desorçamentação como por exemplo a exclusão da EP (ex IEP, ex JAE) do défice público.

Com uma política financeira desta categoria não admira que estejamos tão ou mais pobres que antes e que continuemos a afastar-nos da média europeia (apesar da média europeia ser fraquita). E é assim porque a pouca riqueza que o país produz é sugada para sustentar um Estado cada vez mais gordo e gastador.

Mas se esta notícia não espanta, o que espanta na notícia do FT? Isto: Peer Steinbruck, esse pedaço de asno, foi considerado o segundo melhor ministro das finanças da UE. Ou o topo do ranking do FT está enganado, ou os ministros das finanças da UE são tão beruscas que se optou pelo menos mau.

Ainda a Escola

Com a guerra aberta entre professores e ministério da educação, muito se discute sobre o que vai mal na escola.
Os professores querem ser avaliados ou dizem que querem mas não querem?
As provas nacionais são cada vez mais fáceis para camuflar o menor nível dos alunos?
Quantos alunos vão à escola só porque lhes parece ser aquele o melhor lugar para espairecer as hormonas?
E afinal, porque está tudo pior se se gasta cada vez mais com a educação?


Talvez o assunto não tenha solução porque se está a tentar calcular a área do círculo usando o teorema de Pitágoras.


Mas, e se o paradigma mudasse?

Suponha-se que:
- a partir dos 14 anos só seria permitida a frequência da escola a quem demonstrasse interesse por fazê-lo (é razoável supor que 1/3 da população escolar deixaria assim de sobrecarregar os contribuintes e iria aplicar as suas habilidades noutros lugares e circunstâncias sem prejudicar a própria escola);

- o Governo passaria a pagar às entidades escolares (públicas ou privadas) o valor do custo dos alunos cujos encarregados de educação não tivessem (e na medida em que não tivessem) condições financeiras para suportar o encargo.

- os pais seriam livres de escolher a escola dos filhos, pública ou privada; tal escolha ficaria dependente de critérios de seleção das escolas;

- as escolas seriam livres de selecionar os professores, pelo que naturalmente escolheriam os melhores e rejeitariam os que dão aulas sem competência profissional para o fazer.

-as escolas inviáveis por os pais não querem lá os filhos seriam fechadas.


Quais as consequências de uma solução deste tipo? Parece que duas:

1.Responsabilização; responsabilização tanto de alunos, como de pais, professores, gestores das escolas. Todos entenderiam rapidamente que na vida tudo tem consequências e que a escola não é excepção à regra. Desde uma patada num colega, passando pela baixa médica três vezes por ano porque “não sei bem o que tenho, mas sei que preciso outra vez ficar de ‘baixa’ umas semanitas”, até à escola que tem 20 administrativos para gerir 100 alunos.

2.Diminuição da despesa pública (e consequente abaixamento de impostos se o governo não for socialista, claro). Seria interessante poder comparar o custo médio de um aluno no setor privado e no setor público. Aqui só deixo a ‘sensação’ que a despesa total do Ministério de Educação por aluno das escolas públicas é maior que a despesa por aluno de uma escola particular.


Tudo isto resultaria numa mudança radical de atitude de todos. A escola passaria a ser frequentada apenas por quem quer mesmo ir lá para aprender e por professores realmente capacitados para desempenhar com qualidade. Rapidamente se sentiriam os efeitos tanto no aproveitamento dos alunos como na eficiência do dinheiro gasto na educação.


Quem se atreveria a defender isto em eleições? Não se vislumbra ninguém. Portugal precisa de uma Margaret que diga tudo o que tem de ser dito e não tenha medo de perder eleições por isso.

Mete gelo!


"É chocante que homens que acompanharam Bush, faces de um passado recente que não deixou saudades, se queiram agora agarrar a Obama, sem largar Bush".
Mário Soares, "Diário de Notícias", 18-11-2008

Irracionalidade

Anda tudo numa fona a querer gastar milhões dos contribuintes para "ajudar" os construtores de automóveis.
A irracionalidade económica é assustadora.
A coisa é mais ou menos assim:

Os construtores fabricam automóveis.
Os consumidores compram.
Tanto uns como outros entregam ao Estado uma parte gorda do valor do produto em si.
O estado arrecada.
Para o estado arrecadar, os automóveis têm de ser mais caros.
Vendem-se menos.
Os construtores têm de fabricar menos e despedir gente.
O estado intervem para ajudar os construtores menos competentes a manter a fabricação de carros que não irão ser comprados, ou o emprego de funcionários que não irão fabricar nada que os consumidores comprem.
A situação desemboca nisto: o Estado sem o dinheiro que arrecadou, todos os construtores em dificuldades, os construtores incompetentes a serem premiados, e os consumidores a rodar em carros velhos.
É isto o socialismo!

Pergunta estúpida:
Não seria mais racional que o Estado, em vez de arrecadar tanto dinheiro para tratar uma doença que ele mesmo cria, evitasse onerar o preço dos carros?
Os consumidores comprariam mais e as fábricas fabricariam mais.
Ah, e haveria menos dinheiro disponível para os políticos de turno gastarem em demagogia, frotas automóveis, assessores e medidas imbecis.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A manife

Há dias fui levar a minha filha à Escola e uma pequena multidão de alunos estava aglomerada à entrada.
Ela foi averiguar e daí a momentos regressou com a notícia de que não se podia entrar porque havia um protesto qualquer.
Enquanto ela ficava por ali na conversa com amigos, incorporei-me no magote e cheguei à entrada da Escola.
Cinco raparigas vestidas com T-Shirt branca, ocupavam a linha do portão, dissuadindo os alunos de entrar. Cirandavam também por ali mais 10 ou 11 marmanjos com o mesmo uniforme, atarefados em obscuras acções de activismo. De quando em quando, grupos de 3 ou 4 alunos forçavam a entrada e eram vaiados e insultados pelo piquete da brancura.
3 ou 4 cartazes com as palavras de ordem habituais, algumas delas escritas com erros de palmatória, nomeadamente as também habituais confusões entre o "à" e o "há", serviam de pólo aglutinador dos movimentos da multidão.
Exceptuando a brigada da brancura, o ambiente geral era descontraído e bem disposto.
Calhei perguntar a vários alunos, activistas, incluídos, quem tinha convocado a acção e ninguém sabia em concreto. Que tinham sido "eles", que era a "nível nacional", que eram "os professores", etc,etc.
As razões eram também inúmeras e iam desde o "estatuto do aluno", às "más condições", passando pela "ministra" , pela "avaliação dos professores", contra os "professores", etc
Em concreto, o que ali estava a acontecer era simples: cerca de 20 pessoas impediam centenas de outras de ir às aulas e no ambiente de turba que se estava a gerar, os professores que tentavam entrar com os seus carros eram insultados, vaiados e os carros abanados.
Aproximando-se a hora da 1ª aula, a questão era que havia aulas e quem faltasse tinha falta.
Fui ter com a minha filha que, obviamente, não queria entrar isolada, por temer a vaia. Segundo percebi, vários alunos estavam no mesmo dilema.
A brigada da brancura zunia febrilmente pelo meio da multidão, debitando garantias de que ninguém ia apanhar falta.
Alguns acreditavam, ou queriam acreditar, bastantes outros sabiam que se tratavam de promessas vãs.
Entretanto eu tinha de ir à minha vida e não estava disposto a que a minha filha apanhasse uma falta porque 20 indivíduos se achavam no direito de impôr aos outros as suas ideias e intenções.
Trata-se de uma menor, pelo que a responsabilidade é minha. Havia ali mais encarregados de educação com a mesma visão das coisas, alguns mais timoratos que outros.
Disse-lhe que ou entrava de livre vontade ou entraria com ela, e que na prática estavam a ser usados e manipulados por alguém que nem sabiam quem era. O mesmo fizeram outros encarregados de educação.
Resolveu entrar. E com ela mais 9 ou dez colegas. As vaias foram colossais, mas outros grupos de alunos se decidiram e foram entrando também.
Os activistas da brancura abandonaram então a entrada e resolveram aproveitar os alunos que ainda não se tinham decidido para marcharem em direcção à Câmara Municipal.

Mais tarde disse à minha filha que há coisas pelas quais vale a pena lutar, mas que somos nós que decidimos as lutas em que entramos e que devemos estar sempre precavidos contra as tentativas de manipulação que nos procuram arregimentar em manadas acéfalas.

sábado, 15 de novembro de 2008

Colete salva-vidas

Estupidez em doses garrafais.

Excelente "zom-out" ao clima na Terra.

... um par de galhetas


É com surpresa que oiço que um ministério qualquer decidiu recuar em ralação à obrigatoriedade do uso daquelas estúpidas garrafinhas de azeite e vinagre que temos que aturar nos restaurantes. Parece que está aberta a possibilidade de retorno do galheteiro.

Os galheteiros foram retirados, à marretada legal, porque seriam pouco higiénicos. As garrafas viriam “garantir” a frescura do azeite.

A verdade é que, por um lado, passou a ser extremamente difícil dosear a quantidade de azeite ou vinagre que se verte. Por outro, deixa-se a tampa cheia de dedadas e fica-se com os dedos cheios de azeite. O contacto do azeite com a zona onde se segura a tampa é bem mais badalhoco que o uso de galheteiros. Mas os idiotas que tiveram a ideia estavam, certamente, cheios de boas intenções, a realidade das coisas mundanas não os preocupava. A acrescer a todos os inconvenientes, nada garantia a inviolabilidade das garrafilhas. Uma seringa contorna facilmente a inviolabilidade.

Os fornecedores de garrafinhas vêm agora protestar em dois vectores. Num deles argumentam que as garrafinhas “dão garantias”. Mais valia estarem sossegados. Por outro, que fizeram investimentos que agora vão pelo cano abaixo. Têm razão. De uma forma ou outra, lá acabará o contribuinte por pagar mais uma falha de regulação.

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Capitalistas de todo o mundo, uni-vos.

No passado Prós & Contras assisti à excepcional performance do 2º mais iminente estúpido-militante militante do Partido Comunista: aquele que, supõe-se, continua a braços com a perplexidade de saber se a Coreia do Norte é, ou não, uma democracia.

Segundo o caramelo, os accionistas do BPN só deveriam ser indemnizados caso não fosse demonstrada a sua culpabilidade no processo de derrocada. Mais, o perplexo defendia (supõe-se que na qualidade de relé do Partido Comunista), que mesmo no caso de vir a ser apurado ter sido o hipotético accionista culpado apenas por pequeno delito, perderia o direito à totalidade da diferença entre o valor das acções e o valor da reparação do delito.

A tirada constitui um marco histórico. O Partido Comunista passou a achar bem que se indemnizem capitalistas. Não ficou claro se a indemnização constituiria apenas uma forma alternativa de última refeição antes da sua execução.

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A CHINA E A INTERNET...














Mais uma chinesice de Oscar Garschagen, correspondente holandês do diário NRC na China, com umas bocas fantásticas na blogosfera local e numa revista semanal, até rima e faz com que o Grande Timoneiro dê duas voltas no caixão… E a mim incita-me a cantar:


Ai, esta China ainda vai cumprir seu ideal
Ainda se vai tornar um imenso regime, liberal.

Apesar da censura os jovens chineses na Internet são todos eles elogios sobre Barack Obama. “Please, caro Obama, também nós pobre chineses queremos democracia.”

“Eu tenho a certeza”, escreve a chinesa Mai Li na BBS.People.com, “que milhões de chineses ficaram muito sensibilizados pelo discurso de tomada de posse de Barack Obama. Eu imprimi logo o texto e dei-o a ler ao meu patrão, um alto funcionário do partido. Ele olhou-me com um ar confuso, envergonhado e não disse uma palavra. Choro pela China.”

Segundo uma sondagem da empresa americana Horizon Research os jovens chineses, caso isso fosse possível, teriam votado em massa em Obama porque ele é jovem, idealista e afro-americano. Os mais velhos permaneceram completamente indiferentes às eleições americanas. Seguiam as eleições através do canal nacional com um divertido distanciamento. O espanto impera, pelo facto dos americanos terem conseguido eleger um negro para presidente - produto da propaganda anti-americana.

É óbvio que a pergunta, se os jovens chineses também gostariam de ver introduzida esta forma de democracia ocidental, não foi feita pela Horizon Research. Mas que a espectacular vitória dos Democratas abriu o espírito à juventude chinesa é mais do que evidente, basta dar uma vista de olhos pelos blogues chineses mais concorridos (baidu.com; Sina.com; BBS.people.com) – todos eles controlados pela censura.

Por exemplo, Moluver003 de Changai posta: “Este sistema adulto dá a possibilidade aos americanos de fazerem as suas próprias escolhas. O sistema é dinâmico e possibilita a realização de sonhos. E é isso precisamente o que faz falta ao grande país deste lado do Oceano Pacífico. Apesar de sermos um grande país e os nossos líderes falarem constantemente em mudança (change), nunca acontece nada. Há sempre milhares de desculpas para não se fazer reformas.”

E este blogger continua: “Quantas mais vezes a gente vir o Obama, são quantas as vezes que seremos confrontados com esta carência. Os funcionários chineses são cada vez mais corruptos. Mas a história ensina-nos que mesmo os líderes que se recusam a fazer reformas, no final, vão ser obrigados a reformarem-se.”

Um blogger com o pseudónimo Dura Lição diz a coisa de maneira mais poética: “Veja-se Obama e compare-se com os nossos dirigentes do partido. Quem é a águia majestosa que voa lá nos altos, e quem são os miseráveis ratos que rastejam pelo solo.”

O blogger Patriota007, pelos vistos inspirado pelo novo filme de James Bond, que estreou na China na semana passada, acha que Obama ainda não tem problemas suficiente para resolver: “Por favor, caro Obama, os Chineses também estão ansiosos por ter democracia, por favor ajuda os pobres Chineses.”

Outro blogger com o nome Senator McCain: “Eu sei que nós na China não podemos contar muito com igualdade, democracia e uma relação social harmoniosa. É uma pena a gente viver num dos últimos dos grande países feudais do mundo, mas isso não significa que perdemos a esperança.”

X-Ray de Guangzhou perdeu a esperança: “Nós vimos esta semana a verdadeira liberdade em acção. Tenho a certeza que nós nunca iremos viver esta experiência. Por isso vou fazer todos os possíveis para fugir para os EU.”

O que é estranho é estes comentários na net não terem sido censurados, enquanto que a imprensa audiovisual e escrita sempre evitou abordar esta temática sob esta perspectiva.

O mais ousado foi o semanário Nafang Dushibau, do Sul da China, que enviou os seus correspondentes a Honolulu, ao liceu onde Obama estudou. Não apenas para recolher a história da sua juventude no Hawai, mas também porque na mesma escola, mas em 1879, o criador da China moderna, Sun Yat Sen, estudou inglês, história e matemática. Aliás, o Hawai foi a base de onde Sun Yat Sen iniciou a sua campanha anti-imperialista contra a dinastia Quing.

O periódico aproveita, e não deixa de sublinhar, que foi Sun Yat Sen quem pela primeira vez criou uma forma de democracia na China. Mais tarde, o seu movimento, o Kwomintang, perdeu a guerra contra os comunistas e teve que se refugiar em Taiwan.
Segundo este periódico, que normalmente busca os limites da censura: “O Dr. Sun Yat Sen e os Chineses aprenderam muito com os Americanos, e apesar de muitas dificuldades, os EU, sobretudo agora que Obama foi eleito, é o país de quem nós Chineses temos mais que aprender.”
O comentário da redacção prossegue: “Sr. Presidente Obama, a sua vitória ensinou à nossa juventude o que significa a força do idealismo, e lembra-lhes que é realmente possível reformar, mesmo um país de enormes dimensões”.

Brancura em Putridão Negocial


A falência do BPN destapou o mundo das larvas.

Um grupo de accionistas reclama ter, em devido tempo, esperneado abundantemente no sentido de fazer notar às quadradas e reguladoras cabeças que o graveto se estava a esfumar. Naturalmente nada aconteceu.

Fica-se a saber que, entre outras pérolas da criatividade, havia um banco inteiro instalado ... num portátil. (Shhhhiiiuuuu: que os magalhónicos rebentos não saibam.) Tudo indica que o virtual banco funcionava com mais eficiência que o BPN .

Não é ainda claro que a instituição foi tomada pelos desempregados do Banco D. Branca ou se foi obra de Bush. O que parece certo é que o contribuinte, o mesmo exacto contribuinte que pagou e continuará a pagar a regulação, pagará ainda a desregulação em regulação.

Evidentemente que a regulação foi, no processo, tão vítima quanto o accionista e o depositante. A regulação é especialista em regular mas não em saber como se foge ao regulador: uma espécie de pau de cabeleira careca.

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Omeletes

Uma anedótica silhueta governamental veio informar a ingrata plebe de que os pútridos alunos que atiraram ovos à Ministra da Inducação eram de outra escola.

Fica-se necessariamente a saber que o acto caberia perfeitamente no enquadramento da legitimidade se tivesse sido levado a efeito pelos alunos da própria escola.

Fica-se ainda a saber que, em matéria de escolas e de omeletes, a concorrência é inadmissível.

Em orgias de angústia são esperados os desenvolvimentos da história: virá a corajosa ministra, a exercitar o supremo exercício do intercâmbio multiculturalista pela via da visitação às ovócitas escolas da concorrência?

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Assembleia Regional da Madeira

Um obscuro deputado à Assembleia Regional da Madeira resolveu tentar embrulhar as rastejantes figuras do status-quo numa bandeira nazi. A relevante colecção de minhocas respondeu à parvoíce pela ilegalidade a duas cavadelas: barricou o deputado fora da assembleia e suspendeu a própria assembleia.

Esteve mal o Presidente da República por não ter dissolvido de imediato a assembleia pelo óbvio motivo de ter sido posto em causa o regular funcionamento da instituição. Perdeu, o Presidente, uma excelente oportunidade para demonstrar porque é imbecil a ideia do PS em pretender obrigar o Presidente da República a consultar, em plenitude, a assembleia de minhocas, antes de as remeter ao calabouço das toupeiras.

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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Resultados


Resultados com 99,9% dos votos contados:
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Barack Obama/Joe Biden - 66.672.090 (53,38%)
John McCain/Sarah Palin - 58.223.676 (46,62%)
.....
Diferença: 8.448.414 (6,76%)
.....
Estados com diferenças inferiores a 7,5%:
.....
Missouri (11): 0,1% - John McCain/Sarah Palin
Nebraska 2nd congressional district (1): 0,2% - Barack Obama/Joe Biden
North Carolina (15): 0,5% - Barack Obama/Joe Biden
Indiana (11): 0,9% - Barack Obama/Joe Biden
Florida (27): 2,5% - Barack Obama/Joe Biden
Montana (3): 3,8% - John McCain/Sarah Palin
Ohio (20): 4% - Barack Obama/Joe Biden
Georgia (15): 5,3% - John McCain/Sarah Palin
Virginia (13): 6,3% - Barack Obama/Joe Biden

Com mudanças destas não admira que esteja tudo na mesma..


Ai Obama, quem te viu e quem te vê...

O futuro Presidente dos Estados Unidos da América anda a dar cabo, já de início, da malta que pensava que o Mundo ia virar o Jardim da Celeste, escolhendo, para cargos altíssimos da sua administração, individualidades com vida feita em Washington, de capacidade, na minha modesta opinião, indiscutível.

Andam já por aí rumores que Hillary Clinton sucederá a Condoleezza Rice no cargo de Secretário de Estado. Há, no entanto, quem afirme que os nomes de John Kerry, Chuck Hagel e Colin Powell também se encontram em cima da mesa para possíveis cargos na Administração...

Mais: Obama encontrar-se-á com McCain nos próximos dias, para discutirem os mais variados assuntos..

Obama começa bem, procurando reunir consensos, pondo dessa forma de parte as ideias de que entraria em ruptura com o establishment. Parece até que a Administração Obama será uma espécie de Salvação Nacional, onde todos os interesses se juntam para a tentativa de resolução dos problemas dos Estados Unidos da América.

Quando tantos interesses se juntam, quando tantos tubarões entram na Administração...

Entretanto, a corrida aos Kompensans começa um pouco por toda a Europa, com especial foco entre os tolos.

Eu cá vou-me rindo.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Camile Paglia e Obama

Camile Paglia quase dispensa apresentações. Formada em Yale, autora de uma vasta obra, é um espírito inquieto que escreveu muito sobre o feminismo. Detesta Bush, é militante do Partido Democrata e apoiou Kennedy, Ralph Nader, Clinton e Obama, etc.
O que ela diz de Obama neste artigo é relevante. E não posso deixar de salientar que coincide, quase ipsis verbis, com as análises que eu próprio tinha aqui e aqui postado antes das eleições americanas.
Ainda bem que não fui só eu a reparar no estranho enviesamento com que a imprensa cobriu a canpanha de Obama.

Misticismos

Já aqui havia dado conta das visões místicas de Amadinejad, não porque pessoalmente acredite nelas (não acredito, sou um miserável céptico) mas porque ele acredita e está à frente de uma nação revolucionária que projecta o seu poder segundo uma lógica milenarista que se sustenta na crença.
A eleição de Obama, é gasolina para o misticismo iraniano.
Em Outubro, um site conotado com o governo iraniano publicou um hadith que consta de uma obra seminal do moderno shiismo, da autoria do Mullah Majlisi, do séc XVII.
Segundo o tal hadith, o Iman Ali , primo do Profeta, terá profetizado que no Fim dos Tempos, e justamente antes da vinda do 3º Iman, "um homem alto e negro assumirá o poder no Oeste. Comandando o exército mais poderoso da Terra, será portador de um sinal claro do 3º Iman", cujo nome era Hussein Ali, by the way.
O hadith conclui que os "shiitas não devem duvidar de que ele está connosco"

Curiosamente várias fontes referem que Barack Hussein significa em árabe e farsi, o "abençoado de Husssein". E Obama, no alfabeto farsi pode ser traduzido como "ele está connosco".
Esta história foi publicada num artigo de Amir Taheri , na Revista Forbes de 26 de Outubro.

Pode-se imaginar a loucura que vai naquelas cabeças, lá por Teerão.

Quem não vai ter saudades?


quarta-feira, 12 de novembro de 2008

LI YUAN DE SICHUAN...














Esta estatística do FMI demonstra, entre outras coisas, a total interdependência das diferentes economias. Quando os EUA expiram os chineses ficam constipados.
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A curva do crescimento económico dos últimos anos dos países em pleno desenvolvimento (China, Rússia, Brasil, Índia) segue a curva dos países ocidentais (EU, Europa, Japão) ocidental de forma perfeitamente paralela, só que a partir de 2008 6% acima. Assim é que a crise financeira nos EU está a provocar uma grande onda de desemprego na China.

Um resumo de um interessante artigo, e ilustrativo daquilo que acabo de dizer, do correspondente do NRC na China Oscar Garschagen. Li Yuan (37 anos) originária do interior rural da China e trabalhadora numa fábrica de brinquedos no sudoeste industrializado (Delta do Rio das Pérolas) não sabe nada dos EU nem da Europa e muito menos da crise financeira. Só sabe dizer duas palavras em inglês:
Merry Christmas.


O período de Natal numa fábrica de brinquedos como a Smart Union na cidade de Dongguan começa em Julho! Para Li Yuan isto é sinónimo de muitas horas extraordinárias, em que pode facilmente duplicar o seu salário de base: € 75 por mês. Mas azar do camandro, ela, e mais 6500 outros trabalhadores da Smart Union foram postos na rua de um dia para o outro e sem aviso prévio. Precisamente a mesma coisa aconteceu nas outras 3000 empresas de brinquedos, têsteis e de electrónica da região do Delta.

No dia 14 de Outubro, cansada, deitou-se como de costume à meia-noite: no dia seguinte às 7 da manhã só a deixaram entrar na fábrica para levantar a sua carta de despedimento. De repente a fábrica não consegue crédito do banco nem encomendas dos EU nem da Europa, e o encerramento da fábrica prova que a crise financeira no Ocidente afectou a China mais do que se previa. Os bancos chineses, devido a um grande controlo de entrada e saída de capital, ainda conseguiram mais ou menos escapar à crise, mas o sector ligado à exportação (40% do PIB) geme. O banco Credit-Suisse de Hong-Kong prevê para o fim deste ano uma baixa para 5,8% de crescimento e em 2009 prevêem que o crescimento económico se estabilize à volta dos 6%, quase metade dos números de 2007 e começo de 2008...

Os economistas chineses dizem que se o crescimento baixar mais do que os 8% a China não é capaz de criar o número suficiente de empregos para os milhões de trabalhadores que todos os anos deixam a província para virem trabalhar para as zonas industriais da costa oriental, e para os cinco milhões de estudantes que saem anualmente das universidades e dos institutos. O primeiro ministro, Wen Jiaobao, foi mesmo obrigado a dizer que uma baixa de crescimento económico pode mesmo ameaçar a estabilidade social.

Na região do Delta, onde são fabricados 30% dos brinquedos de todo o mundo, mais 35% do calçado e quase 50% dos micro-ondas fecharam, segundo as autoridades locais, 3.631 fábricas de brinquedos. Metade do número total de fábricas de brinquedos. Segundo o diário Nanfang Duoshau, se se acrescentar as fábricas de têxteis, calçado e de móveis, ultrapassa-se as 30.000 empresas que fecharam as portas. Segundo números oficiais publicados este mês, a quantidade de desempregados na China é de apenas 8 milhões, mas nestes números não estão incluídos os estudantes recém-diplomados nem os trabalhadores ‘migrantes’ que procuram emprego.

Li Yuan, de 37 anos, não está a par destas coisas, tão pouco sabe o que significa a frase estampada na sua camisa, You will never kiss him, sabe que nos últimos 15 anos sempre encontrou trabalho muito facilmente em Dongguan, mas ‘ultimamente ninguém me quer. Em todo o lado dizem-me que já não sou nova e que não tenho escolaridade suficiente’.

Quando a direcção da Smart Union (de Hong-Kong) abalou à socapa – parece ser prática corrente – as autoridades de Dongguan, para evitar uma revolta, foram obrigadas a pagar os salários, também os salários em atraso. Mas como diz Li Yuan, ‘não estou assegurada nem tenho uma reforma, além disso a cidade só pagou o salário de base, acerca das horas extras ficamos a ver navios’.

Uma coisa Li Yuan tem a certeza, não quer voltar para a sua aldeia na província de Sichuan, para junto dos seus pais de idade avançada que neste momento tomam conta da sua criança. Assim como Li Yuan, trabalham na região do Delta 5 milhões de migrantes originários da sua província, e as autoridades ficaram bastante assustadas quando viram as previsões para 2009. Muito destes trabalhadores vão ter que voltar para a sua aldeia natal, e este medo não é exclusivo de Sichuan. Na província de Chongqing (31 milhões de habitantes) estão já a contar com o retorno de 3 milhões de trabalhadores que já não são precisos no Delta do Rio das Pérolas. Paira a ameaça de uma indesejável migração contrária de desempregados.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Olmert rompeu. Alguém vai ter de concertar...


Já ninguém tem dúvidas que a Administração Bush vai deixar a ribalta sem qualquer tipo de avanço no que diz respeito ao conflito Israelo-Palestiniano: o mês de Janeiro aproxima-se a passos largos, estando Obama impacientemente à espera de ocupar o cargo de Presidente dos Estados Unidos da América. A instabilidade política vivida em Israel trama ainda mais Bush, sendo insensato tomar alguma decisão agora. Como tal, vai-se manter o status quo, tendo Obama que lidar com assunto mal aterre na Sala Oval.

Porém, George W. Bush não tem razões para se sentir culpado: ele é, afinal de contas, apenas mais um dos Presidentes que sai sem solução para o conflito, conflito esse que se arrasta no tempo há já longos milénios, tendo a última saga começado no final da Primavera de 48, quando David Ben Gurion declarou o justo regresso do Estado de Israel.

A História da última saga do conflito é feita de avanços e recuos, de tempos tensos e de tempos de esperança. Quem não acreditava na paz quando Bill Clinton conseguiu que Rabin e Arafat assinassem os Acordos de Oslo? Quem não acreditava que estava tudo estragado quando Ariel Sharon cometeu o crime de visitar a Mesquita de Al-Aqsa em Jerusalém, sendo declarada, como consequência deste terrífico acto, a 2ª Intifada?

Nunca ninguém chegou perto da resolução do conflito. Porém, algumas alminhas tontas não se cansam de pronunciar o nome de Jimmy Carter, como se ele fosse o Presidente que mais fez pela resolução do conflito.

Jimmy Carter foi um coitadinho que foi parar à Casa Branca por acaso, tendo o povo Americano consertado o erro quando lhe impingiu uma das maiores derrotas da História das Eleições Norte-Americanas (derrota 489-49, contra o obscuro Reagan). Foi "graças" a ele que, supostamente, Sadat se deslocou a Camp David para assinar a paz com Begin.

Jimmy Carter é portador de um Prémio Nobel da Paz, mas não é por isso que deixa de ser um dos Presidentes mais impopulares de sempre da História dos Estados Unidos. O amor por Jimmy Carter é coisa exclusiva deste lado do Atlântico.

Desmistificar este tontinho é a coisa mais fácil do Mundo. No que concerne ao conflito Israelo-Palestiniano, Jimmy Carter limitou-se a colher os frutos da recente boa relação entre Israel e o Egipto, que surgiu após o término da Guerra do Yom Kippur. Carter teve a audácia de perceber que era possível qualquer coisa de novo, único, mas o mais difícil já estava alcançado: Sadat já tinha inclusive visitado Israel (Novembro do ano em que Carter ascendeu ao cargo), estando pronto para reconhecer os Sionistas a qualquer momento. Jimmy Carter pouca influência teve na aproximação do Egipto a Israel, porque ela já estava, de facto, conseguída.

Porém, o que fica para a História é a data dos acordos: 17 de Setembro de 1978, durante o mandato de Carter. Ninguém se lembra do acordo celebrado por Rabin (durante o seu primeiro mandato, que foi de 1974 a 1977) no ano de 1975 com o Egipto, onde ambas as partes reconhecem que todos os conflitos entre os dois países devem ser resolvidos por meios não militares.

Mas e agora Israel? O que fará Obama por vocês? Dará apoio incondicional? Tentará encontrar o caminho para a paz sem incorrer em dolorosas penas para os Israelitas? Atacará o Irão?

O que Obama vai fazer dependerá muito de quem for o vencedor das eleições legislativas Israelitas. Aquilo que o Presidente dos Estados Unidos pensa e quer fazer é um factor importantíssimo, mas convém não tirar os olhos do homem/mulher que representará Israel. Por muito que o Presidente mova influências, encontrar outro Olmert não vai ser tarefa fácil...

Creio que se fechou um ciclo importante com a saída de Olmert. Será muito difícil encontrar alguém tão permeável à frente de Israel novamente: Ehud estava disposto a fazer concessões absolutamente incríveis, apesar da total ausência de credibilidade que tinha. Ehud era um Primeiro-Ministro bastante impopular, acusado de corrupção, frágil fisicamente e com uma carreira militar pouco extensa para o habitual num PM Israelita.

Considero que se afiguram dois candidatos fortes para Primeiro-Ministro de Israel: Tzipi Livni e Benjamin Netanyahu.

Livni ganhou as eleições para a liderança do Kadima a Shaul Mofaz, ministro dos Transportes do governo de Olmert, onde ela própria desempenhava as funções de Ministra dos Negócios Estrangeiros. A diferença entre os dois foi de 531 votos (1,1%), tendo Livni ganho sem maioria absoluta.

Livni é filha de um conhecidíssimo membro do Irgun, uma organização que dispensa apresentações. Pertenceu ao Likud e mudou-se para o Kadima juntamente com Olmert e Sharon, em 2005. Porém, não é da escola Olmertiana..

Já Benjamin Netanyahu é um velho conhecido: foi Primeiro-Ministro Israelita de 1996 até 1999. O irmão mais velho de Benjamin, Yonatan Netanyahu, foi o único soldado Israelita morto na operação Entebbe (1976), que se realizou em solo Ugandês. A operação foi um dos maiores sucessos das Forças de Defesa de Israel: foram resgatados com vida a esmagadora maioria dos reféns a bordo (102 dos 105) do voo 139 da Air France, que tinha sido desviado pela Frente Popular de Libertação da Palestina.

(Creio que esta operação era motivo para uma dissertação do Lidador...)

Benjamin pertence ao Likud, partido de onde saiu Livni, situado na direita "moderada" do espectro político Israelita.

Netanyahu foi um forte crítico do plano de Sharon de retirada da Faixa de Gaza. É bem mais conservador nas concessões, mais duro a negociar.

As sondagens mostram os dois muito próximos.

Livni tem o fardo Olmert; Netanyahu o fardo do osso duro de roer, algo péssimo numa altura em que a opinião pública Israelita parece procurar a paz a praticamente todo o custo.

Porém, creio que Netanyahu ganhará, fruto da divisão existente dentro do Kadima, do descontentamento com o governo Olmert e do voto necessário dos ultra-religiosos.

Se Netanyahu for eleito, maus dias virão para os Palestinianos e especialmente para o Irão. Netanyahu defende uma política muito agressiva em relação ao Irão, afirmando, até, que o regime Iraniano se assemelha ao Nazi.

Barack Obama irá ter que trabalhar com uma destas duas pessoas. Ele saberá, de antemão, que nenhum deles é Ehud Olmert e que ambos não vão estar dispostos a alinhar com a política seguida nos últimos tempos.

Obama, ele próprio, demonstrou-se radical em um ponto: afirmou, durante a campanha eleitoral, que Jerusalém deveria permanecer "indivisível" e "unida". Na Palestina, apesar destas declarações, continuam a achar que Obama vai ser o Presidente que vai pôr Israel entre a espada e a parede. A nomeação de Rahm Emanuel, apesar deste ser cidadão Americano, pode indiciar uma política bem pro-Israelita de Obama (olha o lobby...), que ele próprio já tinha confessado que queria seguir.

Creio que os desenvolvimentos dependerão muito mais dos Palestinianos do que dos Americanos e dos Israelitas. Os tempos de Olmert já lá vão e agora é Israel quem dita as regras do jogo.

Por acreditar que os desenvolvimentos vão depender muito dos Palestinianos acho que as coisas não irão evoluir consideravelmente. Os Palestinianos perderam uma oportunidade de ouro para conseguírem enormes benefícios, durante os anos de Olmert, e agora vão estar mal habituados à mesa das negociações.

Olmert rompeu. Alguém vai ter que concertar...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Os 12 trabalhos de Hercules-Guantanamo

Em Guantanamo estão arrecadados centenas de islamistas apanhados com a boca na botija, ou a caminho dela.
Não sendo esta uma guerra nos termos descritos nas Convenções Internacionais relevantes (um dos lados não é actor reconhecido do DI), não se aplicam aos prisioneiros, de forma automática, as Convenções de Genebra. Do lado dos islamistas isso foi sempre evidente, já que todos os soldados inimigos capturados foram aproveitados para acções de propaganda e liquidados a seguir, em bárbaros rituais de decapitação (no Afeganistão, os soviéticos capturados eram por vezes completamente esfolados da cintura para cima e deixados a morrer devagar).
Se os islamistas presos fossem considerados prisioneiros de guerra, seria legítimo aos EUA mantê-los detidos até ao fim do conflito.
Não o sendo, não são também cidadãos americanos sujeitos ao foro dos tribunais criminais comuns.
Perante este limbo legal, a administração Bush viu-se na necessidade de criar o conceito de "combatente inimigo", estabelecendo comissões militares para lidar juridicamente com o problema.
Esta situação de excepção foi como carniça e atraíu récuas de obcecados antiamericanos, que viram nela a oportunidade de cevar o seu ódio à “adminstração Bush” e ao “Império”, de um modo geral.
Desde a inacreditável Drª Ana Gomes ao Dr Mário Soares, foi um fartote de peido e coice, devidamente ecoado pelo esquerdismo mediático que assenta praça na generalidade dos meios de comunicação.
A palavra "Guantanamo" tornou-se assim um estímulo que, uma vez pronunciado, desencadeia abundantes salivações odiantes na esquerda mundial.
Por essa razão, tanto Obama como McCain prometeram fechar a prisão.
Todavia, fechar Guantanamo não se pode fazer com uma mera assinatura. A situação de fundo não se alterou.
Alguns dos malmequeres que lá se encontram não são cidadãos americanos e não podem ser julgados no sistema clássico, porque, entre outras coisas, teriam o direito de chamar a testemunhar agentes secretos, arrependidos, etc, e isso iria expor grande parte da intelligence.
E, se absolvidos por falta de prova, teriam de ser libertados em solo americano o que, obviamente, não passa pela cabeça de ninguém.
Por outro lado, a generalidade dos países dos quais são nacionais, ou recusam recebê-los, ou os esperam para lhes aplicarem outro tipo de mimos, pelo que os EUA não os podem legalmente extraditar para lá.
Libertá-los sem mais, tambem não faz sentido, uma vez que não basta abrir as portas da prisão e dizer-lhes que estão livres para irem espairecer no Malécon.
E, diga-se em abono da verdade, também há fundadas dúvidas de que aqueles que tanto apelam ao encerramento de Guantanamo, se cheguem à frente para receberem nas suas casas os amigáveis hóspedes da prisão.

Como vai Obama resolver o assunto?
Na minha opinião, vai ter de fechar Guantanamo o mais rapidamente possível, para se demarcar do “bushismo” e dar sinal de que cumpre o que promete.
Para isso, apesar de os democratas terem andado de boca cheia a protestar contra os tribunais militares especiais, a Administração Obama terá de transferir os prisioneiros para solo americano e criar também tribunais de excepção para lidar com o problema.
Ora tanto a transferência dos terroristas como a criação de um sistema de tribunais ad hoc, gerarão controvérsia.
À direita, porque os republicanos nem querem ouvir falar de terroristas a pisar solo americano e à esquerda porque no fundo os tribunais ad hoc serão vistos como uma versão remasterizada dos tribunais militares criados por Bush, tão criticados por serem uma “farsa”.
Ou seja, Obama terá de reinventar a roda, procurando sobretudo acabar com o estímulo que faz salivar a esquerda tonta.

domingo, 9 de novembro de 2008

Suicídio pós-moderno

Os Estados Unidos querem instalar um sistema de defesa anti-míssil na Europa argumentando pela necessidade de defender o ocidente de um eventual ataque iraniano ou de outro qualquer país islâmico.

Os russos atiram-se ao ar reclamando que esse acréscimo de capacidade de defesa desequilibra o status-quo.

Os idiotas de serviço vêm reclamar que os iranianos não têm misseis capazes de alcançar o ocidente. Fica-se a saber que os russos seriam incapazes de vender armamento aos países islâmicos, particularmente por serem incapazes de pensar em dinheiro.

Os mísseis não estão implementados e o efeito Obama pode (ou não) avacalhar o processo.

A Europa, especialmente depois as cenas macacas à volta dos oleodutos-gasodutos (aquelas que apenas os americanos seriam capazes de fazer) e de ter visto as unhas aos russos, deve estar a perceber que precisa do sistema anti-míssil. Talvez isso explique a razão pela qual Durão Barroso já não proteste por um eventual proteccionismo comercial americano e apenas lembre que convém que ele não seja implementado em "demasia". Talvez também por isso se não fale na mais que óbvia importação europeia dos putrefactos créditos à habitação concedidos pelos bancos americanos sob a batuta, entre outros, de Obama. Teria sido coisa previamente acordada face à vergonha de se ter negado apoio aos Estados Unidos no Iraque? Poder-se-á dizer que os Estados Unidos ficam a ganhar no que respeita ao balanço entrada/saída de capitais no sistema económico americano?

De uma ou de outra forma, a tendência da Europa para o suicídio volta a estar patente. Dizem as más línguas que se dependesse da Europa, Obama teria tido 90% da votação. Aliás, várias stranicas figuras acham que só os europeus têm competência intelectual para eleger o presidente dos Estados Unidos. De qualquer forma, a Europa tem-se colocado na posição ideal para levar nos cornos de todos os lados.

Mas não vos preocupais, caros concidadãos. Ainda hoje assisti, na RTP, a uma reportagem sobre uma exposição sobre o Holocausto. Muito bem. Curioso é, apesar de tudo, que se aborde o assunto apenas pelo 4º ou 5º classificado.

Felizmente, temos o Magalhães e a Lurdinhas.

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sábado, 8 de novembro de 2008

Das baratas


Portugal tem, em funções, um simulacro de governo.

Ouvir o Primeiro Ministro a tentar impingir computadores a governantes estrangeiros, ouvir a Ministra da Educação a dizer coisas absolutamente desconchavadas, inqualificáveis por absurdas,ouvir o Ministro das Finanças a dizer que no momento em que uma crise se agudiza encontra forma de ajudar quem anteriormente não podia ter ajudado por falta dos meios que agora aparecem, revela que o governo de Portugal tem a qualidade de uma barata tonta.

Pena é que a oposição, regra geral, tenha a mesma qualidade.

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Até Abril...


George W. Bush prepara-se para dar à sola da Casa Branca. Eu preparo-me, ao invés, para assistir aos primeiros capítulos da nova saga anti-Americana, saga essa que terá como principal alvo Barack Obama e a forma como este se deixou influenciar pelos lobbys. Graças a Deus que os tempos de Franklin Delano Roosevelt já lá vão, caso contrário tornava-se extremamente chato andar-se sempre a falar do mesmo “idiota”, “burro”, “estúpido”, “ignorante” e “maquiavélico”.

As primeiras más notícias para os estúpidos já saíram: Barack Obama tem vindo a escolher, para o seu gabinete, pessoas ligadas (e que bem ligadas...) à Administração Clinton. Uma destas pessoas é Rahm Emanuel, judeu (auch...), que foi a favor, em tempos, da Guerra do Iraque. Quando a Guerra, que pôs cobro ao regime de Saddam Hussein, se tornou fora de moda, o inteligente Rahm teve a magnífica ideia de se esconder atrás de uma árvore.

Com o decorrer do tempo, e à medida que os nomes forem anunciados, muita malta vai cair de cú no chão. É melhor começarem todos a pôr almofadas, antes que comece a sério o mandato Obama.

O Dadaísta clama por mudança para outros temas, alegando que as Eleições Americanas já se estão a tornar chatas. É verdade que o tema tem tido primazia no Fiel nos últimos tempos, mas isto é plenamente justificado: eu, o Carmo, o David, o Range, o Paulo, o Luís e o Lidador arriscamo-nos a ir para o fundo de desemprego. Pelo menos até Abril/Maio do próximo ano, altura em que a boa e velha esquerda Europeia e Mundial voltar a atacar em força nos blogues, jornais e programas de TV.

Enquanto isso não acontece caro Dadaísta, permita-nos que contínuemos com o rescaldo da vitória Obama e com as consequências que esta vitória terá para os Estados Unidos da América, para a Europa e para o Mundo.

Eu penso, cá com os meus botões, que Barack Obama, apesar de todos os seus truques de ilusionismo que me põem sempre em dúvida e de pé atrás, trará alguma espécie de mudança para o Mundo. Mudança de estilo, mudança do modo como os Estados Unidos da América são vistos no Mundo, mudança de acção dos governantes Europeus/Mundiais.

É errado pensar, porém, que esta mudança é algo que os governantes Mundiais querem obsessivamente. Na verdade, é muito fácil atribuir as culpas a alguém que está sentadinho na sala oval, a 4500kms de distância, em vez de assumir-mos nós a nossa quota-parte (significante) de culpas no cartório. Vai ser difícil dizer que a culpa é de Obama e da sua Administração, apostando eu que as baterias serão novamente apontadas para o estúpido do Bush e para o buraco que ele fez para tramar o coitadinho do Hussein.

Enquanto isso não acontece, chovem mensagens de toda a parte, estando tudo disposto a negociar com Obama, o Messias do Século XXI. Chego mesmo a pensar que Deus tem um novo emissário na Terra, cujos headquarters são em Washington DC. A complicada Jerusálem foi colocada de parte, aguardando-se uma descida considerável do turismo em Israel (sim, em Israel. Ou não se lembrarão os meus caros amigos do grande discurso do Messias, onde este afirmou que Jerusálem deveria permanecer indívisivel?).

As possíveis futuras mudanças das relações do Mundo com os Estados Unidos podem ser justificadas de várias formas: foi um indíviduo de uma minoria a ser eleito, não um qualquer senhor dos petróleos; o Bush foi-se embora, esse malvado, e agora tudo vai ser um mar de rosas; o Obama é do catano, vai mudar esta treta toda.

É o comum cidadão que vai fazer os seus governantes negociarem com Obama, porque agora não há desculpas: toca a mexer, toca a fechar Guántanamo, toca a trazer as tropas do Iraque para casa, toca a acabar com a fome em África e toca a fechar as multinacionais exploradoras na China e na Índia.

As pessoas sentem-se agora mobilizadas, confiantes. Essa é, de facto, uma vantagem que Obama trouxe consigo. Mas, já lá dizia a minha avó, “quanto mais alto estás maior é a queda”...

Obama trás, indiscutivelmente, um estilo novo: franzino, bem vestido, bronzeado (como diria Berlusconi), pomposo, sorridente, Barack Obama irá, até, construír um campo de basquetebol na Casa Branca. Talvez para fazer umas jogadas com LeBron James (jogador de basquetebol dos Cleveland Cavaliers e um dos maiores craques da NBA), que apareceu no último jogo da equipa com uma camisola de Obama, dizendo, aos repórteres, que estava inspiradíssimo pela vitória de Obama. Conclusão: facturou 42 pontos, derrotando dessa forma os outrora magníficos Chicago Bulls.

As mudanças serão sentidas maioritariamente a nível interno. Aquela coisa do spread the wealth around, é uma coisa nova nos Estados Unidos, podendo ser, a meu ver, a senteça de Barack Obama daqui a 4 anos.

As medidas proteccionistas aparecerão, o NAFTA será revisto, as relações comerciais com a Europa e com a Ásia também. Não sou economista, mas creio que o dólar valorizará (até porque já começou a valorizar, enquanto que a Europa ainda está a cortar nos juros) e o petróleo estabilizará. Os impostos aumentarão para as empresas e para os mais abastados e manter-se-ão para os mais pobres. O projecto de saúde universal será esquecido, sendo a educação um ponto a apostar.

Porém, os impostos aumentarão nunca de forma considerável, pondo de parte qualquer tipo de revolta. Nem o dinheiro será dado de mão beijada aos pobrezinhos, longe disso. Barack Obama não é nenhum estúpido, tem as suas convicções, será diferente de Bush, mas não quer assustar os empresários.

Os cortes no armamento vão aparecer mas Barack Obama terá o olho bem aberto para possíveis ameaças.

Quanto a política internacional, as medidas proteccionistas afectarão todos os outros países do Mundo. Os Estados Unidos da América importarão menos e continuarão a exportar, embora que a um nível menor.

Obama exigirá esforço no Afeganistão por parte da Europa, para pôr os Talibans no seu lugar. Invadirá o Paquistão se for preciso, violando o nosso querídissimo Direito Internacional. Porque é que ficou tão calado Obama aquando do bombardeamento estratégico, ocorrido há algumas semanas na Síria, por parte de forças Norte-Americanas? Ou estão connosco ou estão contra nós...

Quanto ao Iraque, manterá as forças Norte-Americanas até quando o General Petraeus assim o entender, porque este sim, percebe da poda.

Quanto à Rússia, creio que falará com Putin, integrando-o. Fomentará as políticas de amizade com vários estados no Médio Oriente, para asfixiar cada vez mais o Irão. E quando a hora chegar...

Quanto a Israel e ao conflito Israelo-Palestiniano, a sua política dependerá de quem vencer as eleições antecipadas: se for Tzipi Livni, a linha de Olmert tem tendência a manter-se, apesar de Livni ser uma tipa muito menos dócil que Olmert; se foi Benjamin Netanyahu, líder do Likud, a barraca poderá instalar-se. Netanyahu poderá fazer, hipoteticamente, uma ou outra cedência, mas nunca abdicará de Jerusálem nem permitirá o retorno dos refugiados (o retorno nem mesmo o mais liberal concentiria).

Quanto a Chávez, Castro e a outros governantes da América Latina, falará com todos eles. A América Latina é o vizinho mais próximo... Em tempos de proteccionismo toca a jogar em casa...

Veremos. Mas creio que uma Administração Obama será qualquer coisa parecida com este género. O tempo dirá se estou enganado.

Em 2012, os adversários poderão ser muitos. No campo Republicano aparecerão, possivelmente, nomes como Rudy Giuliani, Mike Huckabee, Mitt Romney ou Blomberg. Já para não falar de Sarah Palin...

A PARALISIA MORAL DA ESQUERDA...


Foi ontem dia 7 atribuído o prémio Erasmus ao publicista anglo-holandês Ian Buruma. Segundo a fundação que atribui o prémio, Stichting Praemium Erasmianum, o premiado corresponde perfeitamente ao tema deste ano: O Novo Cosmopolita. Estudou chinês em Leiden e filme em Tóquio, foi redactor do The Far Eastern Economic Revieuw e do Spectator e é desde 2003 professor catedrático de democracia, direitos humanos e jornalística no Bard College em nova Iorque.

Aqui temos um artigo que ele escreveu em 2003, e que foi publicado no New York Times e no NRC de Roterdão no mesmo ano. Eu já tinha traduzido e publicado este texto há uns tempos atrás (não me consigo lembrar quando!) no Triunfo dos Porcos, mas na minha opinião ainda não perdeu actualidade.

P.S. A meio do texto não se esqueçam de carregar no link “agit-prop”, verão um documentário em 9 fascículos na YouTube do ex-agente da KGB Yuri Bezmenov sobre a estratégia de subversão soviética: a não perder. Os vídeos, graças aos Jovens Democratas de Belo Horizonte, foram legendados em português.

Ian Buruma

Vejamos o que diz por exemplo Gore Vidal, o mais famoso ensaísta americano, que em meios de esquerda, sobretudo na Europa, passa pelo crítico mais progressista da política dos Estados Unidos. À pergunta, de que forma os Iraquianos se poderiam libertar de Saddam Hussein sem intervenção americana, respondeu ele há pouco: “Isso é o problema deles, não é o seu problema nem tão pouco o meu. O Mundo está cheio de maus regimes, e um deles é o regime de Bush”. E acerca da Coreia do Norte: “Pfff, as pessoas na Coreia vão continuar a morrer de fome. Pelo menos é o que diz a nossa imprensa”. E segue-se um ataque aos média americanos.


É evidente que há críticas a fazer à imprensa americana, e também àquilo que Vidal designa de “Junta Bush-Cheney”. Mas as afirmações de Gore Vidal revelam uma curiosa falta de proporções, como se Bush e Saddam se pudessem medir pela mesma bitola, ou então, que as atrocidades na Coreia do Norte, sejam baseadas na propaganda americana. E mesmo que não seja assim, não é o nosso problema, para quê ralarmo-nos? Isto é de certa maneira sintomático de muitas opiniões que passam por ser de esquerda ou progressistas. Criticar o Ocidente, nomeadamente os EUA, é fácil, mas quando se trata de ditadores não-ocidentais, neste caso muita boa gente embatuca. Porquê? Eu penso que isto se deve a um virulento e preponderante anti-americanismo, que conduz certas pessoas a uma forma de paralisia moral quando se trata de regimes sanguinários fora da esfera ocidental.

O anti-americanismo – e com isto não me refiro à crítica da política dos EUA, mas sim a um profundo sentimento de repugnância – tem uma longa história, em que na realidade a Direita teve uma maior contribuição do que a Esquerda. Aos olhos de defensores da cultura de antes da Guerra do tipo Evelyn Waugh, os Estados Unidos eram um país reles, só interessado em dinheiro, sem raízes, inculto e de mau gosto – resumindo, um perigo para a superior Cultura Europeia.

Martin Heidegger também tinha críticas em relação ao ‘Americanismo’, como sendo sem alma, interesseiro, um poder falso, com uma influência funesta sobre o espírito europeu. Para a extrema direita, a combinação de capitalismo, democracia e falta de homogeneidade étnica era totalmente incompatível com aquilo a que ela achava de mais sublime: pureza de raça, disciplina militar e respeito pela autoridade.

Mas o que está agora na moda em relação aos EUA, era no passado visto em relação à Inglaterra. No século dezoito e dezanove, tanto os reaccionários, como os românticos radicais da Europa continental, denunciavam a sociedade inglesa onde só o reles lucro contava. Londres era vista como uma cidade sem alma, uma cidade de banqueiros e jogadores na bolsa, que na sua sede de fortuna exploravam os pobres. O Imperialismo Britânico, diferentemente da Mission Civilisatrice francesa ou do expandir da Kultur alemã, era visto como uma empresa comercial, que apenas aspira a alargar o seu poderio económico e financeiro. Mas o pior de tudo, aos olhos de alguns, era a relativa mestiçagem da população Britânica. Veja-se o que opina o racista britânico Houston Stewart Chamberlain na presença de Guilherme II, seu protector: qualquer ‘Basuto-nikker’ com uma bolsa repleta, pode adquirir o estatuto de cidadão Britânico. Talvez a coisa não fosse bem assim, mas é sintomático.

O ódio visceral da Esquerda, em relação ao capitalismo anglo-saxónico, remonta pelo menos até Karl Marx, mas a passagem de anglofobia e anti-americanismo de direita, para a sua variante de esquerda, só se faz sentir depois da segunda Grande Guerra. Sem dúvida que isto se deve, em grande parte, à agit-prop soviética, e sobretudo à tradição anti-fascista que os russos bem souberam explorar. O capitalismo anglo-americano era, na propaganda soviética, directamente conectado com fascismo e apresentado como o grande inimigo dos povos explorados da Terra. Quem fosse de esquerda, era indubitavelmente a favor dos movimentos de libertação do Terceiro Mundo. Nem todos os partidários de Mao, Castro ou Ho Chi Minh eram pro-soviéticos, mas todos eles eram anti-americanos.

Quando muitos países se libertaram do jugo colonial, passaram rapidamente da alegria pela liberdade obtida para a chacina em larga escala. Instalaram ditaduras, umas com o apoio de Moscovo e outras de Washington. Na China, em África e no Sudeste-Asiático milhões de pessoas foram assassinadas, mortas à fome e saneadas pelos seus ‘libertadores’. Os ditadores do campo americano – Suharto e Pinochet – foram denunciados pela Esquerda, mas em relação aos protegidos dos soviéticos arranjavam-se sempre justificações.

Mas no fim dos anos oitenta já não havia no Ocidente muita gente de esquerda a defender a União-Soviética, ou com muita simpatia por revoluções violentas no Terceiro Mundo. Ainda estava muita fresca na memória a Revolução Cultural na China, os Killing Fields de Pol Pot e os refugiados Vietnamitas fugindo de barco. Isto era uma fonte de mal-estar silencioso. Na sequência de 1989 (queda do muro de Berlim) as promessas de Socialismo começaram a murchar. Mas uma coisa ficou: o anti-americanismo.

Hoje em dia o anti-americanismo até talvez se tenha tornado ainda mais virulento do que durante o período da guerra-fria. É um fenómeno conhecido: quando os anjos não conseguem fazer o que prometem, os diabos tornam-se ainda mais diabólicos. Neste caso o desmoronamento do Socialismo não fez que aumentar a dor de cotovelo em relação aos triunfos dos americanos. Mas ao mesmo tempo, dá-se outro fenómeno interessante. A Esquerda e a Direita começaram, curiosamente, a mudar de campo.

A expansão do capitalismo à escala mundial, sem dúvida com consequências negativas, fez com que os representantes da esquerda se tornassem defensores de cultura e política nacionalista. No tempo em que o marxismo ainda era uma ideologia poderosa, a Esquerda esforçava-se por encontrar soluções universais para os sofrimentos do Mundo. Actualmente, é, “globalização”, uma outra palavra para designar o que Heidegger chamava de “americanismo”, um atentado à cultura e identidade indígena. E desta forma, a velha Esquerda vai-se transformando gradualmente num bloco conservador.

Esta defesa da autenticidade cultural ganha forma de anti-imperialismo, e nos dias que correm, isto é evidentemente a mesma coisa que anti-americanismo. Israel desempenha aqui um papel preponderante, porque Israel é visto como um instrumento do imperialismo americano no Médio-Oriente, e como o inimigo colonial do nacionalismo palestino.

Israel e os Estados Unidos estimulam com uma tal intensidade o complexo de culpa colonial da Europa, que praticamente nada há que se lhe possa contrapor.
A política de Israel, assim como a dos EUA, é frequentemente errada, e algumas vezes até deplorável, mas mesmo que a política de ambos fosse sempre correcta, Israel seria sempre odiado como um intruso ocidental em território Árabe. Em relação a isto o anti-sionismo de hoje soa da mesma maneira que os velhos arabistas rabugentos da escola do Ministério dos Negócios Estrangeiros Britânico: que de socialismo nem sequer queriam ouvir falar. O actual fenómeno que consiste em comparar Judeus com Nazis, frequente hoje em dia, é ouro sobre azul para o complexo de culpa da Europa acerca de mais uma nódoa terrível na nossa consciência colectiva.

A paralisia moral da Esquerda, em relação a ditadores não-ocidentais, poderia ter também uma origem mais sinistra. O filósofo israelita Avishai Margalit chama-lhe “racismo moral”. Quando os indianos matam muçulmanos, africanos outros africanos ou árabes matam árabes, os sapientíssimos comentadores ocidentais fazem de conta que não é nada com eles, ou encontram justificações históricas, ou então dão as culpas dos massacres às dores de parto do colonialismo.

Mas quando brancos, sejam eles americanos, europeus, sul-africanos ou israelitas, fazem algo de mal a pessoas de cor, então aí temos o caldo entornado. Quem comparar as notícias dos acontecimentos na Palestina com as informações bem mais trágicas sobre a Libéria ou a África Central, dá-se rapidamente conta de uma desproporção que supõem outros critérios morais vigentes para povos não-ocidentais. Podemos aceitar isto como correcto, porque nós apenas podemos acarretar com a responsabilidade da nossa gente. Mas isto implica uma visão assaz racista do mundo.

Também neste caso a Esquerda e a Direita parecem terem trocado de campo. Desde longa data que a Direita Conservadora nunca teve uma vocação internacionalista, e muito menos revolucionária. Fazer negócio, estabilidade, os interesses nacionais e ‘Real Politik’ (são uns cabrões, mas são os nossos cabrões) sempre foi a norma. Democracia era, segundo conservadores realistas, uma coisa boa para nós, mas não para povos estranhos com nomes exóticos. A Esquerda, ao contrário, queria transformar o mundo, seja onde for. O internacionalismo de esquerda não reconhecia fronteiras culturais nem nacionais. Para eles libertação era um projecto universal. E agora que a “Junta Bush-Cheney” clama a revolução democrática, independentemente de cultura, cor ou religião, afirma o Gore Vidal que nada temos a ver com o assunto, outros há que gritam de ‘racismo’.

Tudo isto é evidentemente uma questão retórica. É bem possível que Paul Wolfowitz, o Secretário de Estado da Defesa americana, sinceramente acredite em revoluções democráticas, mas não é muito certo que os colegas mais conservadores do Governo Bush pretendam atingir fins em vista tão radicais. De qualquer forma é interessante observar quem os neo-conservadores de Washington conseguiram converter totalmente às suas ideias, ou pelo menos no que diz respeito à guerra contra Saddam Hussein. Um dos mais entusiastas jornalista a favor da Guerra de Bush foi Christopher Hitchens. Tendo em conta que ele, aliás como vários neo-conservadores americanos, têm um passado Trotskista, é, até certo ponto, consequente o facto de ele apoiar projectos revolucionários. Por outro lado, enviar o exército americano é uma estranha forma de promover uma revolução democrática.

Muito importante foi o apoio que Bush recebeu de Vaclav Havel, Adam Michnik e sobretudo de José Ramos Horta o prémio Nobel da Paz. Isto são homens, ao contrário dos comentadores em Londres ou Nova Iorque, que sabem o que é viver debaixo do jugo da ditadura. Eles pagaram um preço bem alto por ter tido opiniões divergentes, num momento em que isso era uma questão de vida ou de morte. Vaclav Havel e Adam Mischnik viveram no seio do Imperialismo Soviético, mas o senhor Ramos Horta é um caso interessante, porque ele resistiu ao regime Indonésio do General Suharto que tinha o apoio dos EUA. E Timor-Leste era um tema favorito de Chomsky e outros esquerdistas americanos.

Num artigo publicado pouco tempo antes do início da Guerra do Iraque, Ramos Horta lembrava o sofrimento do seu povo. Escrevia: ‘Não há praticamente no meu país uma família que não tivesse perdido um familiar. Muitas famílias foram dizimadas durante a longa ocupação e resistência à Indonésia. O Ocidente contribuiu para esta tragédia. Alguns são directamente responsáveis porque apoiaram a Indonésia com material militar’. Até aqui nenhum dos nossos críticos de esquerda deve estar em desacordo com Ramos Horta, mas a conclusão que ele tira faz a ruptura. Ramos Horta conclui que o Ocidente ‘redime’ a culpa que teve, ao libertar, de armas na mão, Timor-Leste dos seus opressores. Então porque razão é que os Iraquianos não podem ser também libertados?

Ramos Horta respeita os motivos que as pessoas possam ter para se manifestarem contra a Guerra, mas ao mesmo tempo pergunta, porque razão é que em todas essas manifestações ele nunca ‘viu um cartaz ou ouviu um discurso, onde se tivesse feito um apelo para acabar com as violações dos direitos humanos no Iraque, ou substituir o ditador e conceder a liberdade aos Iraquianos e aos Curdos’. Ele sabe que ‘diferenças de opinião e um debate público sobre uma questão de guerra e de paz são essenciais. Nós temos actualmente direito de manifestação e de livre expressão – o que durante 25 anos de terror nunca foi possível – porque Timor-Leste é hoje uma democracia independente. Felizmente para todos nós, que nesta época de globalização, os cidadãos em quase todas as questões importantes têm direito à palavra. Mas se o movimento contra a guerra conseguir que os Estados Unidos e os seus aliados desistam da guerra contra o Iraque, então eles contribuíram para a paz dos mortos’.

Não é obrigatório estar de acordo com esta afirmação. Mas ela tem uma autoridade moral, que em regra geral carece no conteúdo da polémica daqueles que fundamentalmente são contra uma intervenção dos Estados Unidos. Ramos Horta, apresenta uma visão da questão que exige uma resposta. À excepção daqueles que pensam que as pessoas que vivem nos confins do mundo deviam resolver pessoalmente os seus problemas, que pensam que não é nosso dever libertá-los de tiranos, e que cada tentativa nesse sentido é por definição inspirada por motivos racistas, coloniais ou financeiros.

Talvez seja este o ponto de vista mais pragmático, ver mesmo o mais realista. Mas quem defender esta visão, deveria ter pelo menos a honestidade de se assumir como conservador, à la Henry Kissinger, e não falar mais em nome da esquerda progressista.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Michael Crichton 1942-2008

Os 12 trabalhos de Hercules-Iraque

Antes de a economia ter irrompido na campanha com fragor, o grande leitmotiv de Obama era a promessa de retirar do Iraque, completamente, rapidamente e em força.
Cumprir essa promessa vai ser o seu primeiro trabalho de Hercules.

Se imitar Zapatero, o "fiel aliado", e retirar doa a quem doer, entregará de mão beijada o palco estratégico ao Irão, cujos interesses passam por um Iraque dócil e submisso que não tenha poder para lhe fazer frente.
Tal situação aumentará dramaticamente o poder iraniano, que projectará a sua sombra directamente sobre a Arábia Saudita e os campos onde se produz a spice.
É um cenário assustador para vários aliados americanos na região, como a Turquia , Jordânia e Israel, e atinge directamente os interesses vitais dos EUA. Estes aliados farão pressão sobre Obama e não se afigura fácil, ou sequer possível, aos EUA portarem-se como um "fiel aliado" ao estilo espanhol.

Obama irá certamente entrar em diálogo com o Irão e tentar contratar garantias à prova de tudo, o que não é fácil, dada a natureza do regime iraniano.
Falar com Teerão não é, em si, um objectivo. Obama terá de conseguir forçar os iranianos a abandonarem as suas políticas expansionistas e desestabilizadoras, e necessita melhores cartas que não apenas retórica hipnótica e um look simpático.
Num jogo de poker em que um dos contendores dá conta do seu jogo, o adversário sobe a aposta e, neste jogo em particular, não é fácil vislumbrar uma situação em que ambos possam ganhar.
Seja como fôr, no fim da conversa Obama pode decidir retirar e arrostar com as horríficas consequências geoestratégicas e políticas (haverá feroz oposição mesmo no interior do seu partido), ou pode seguir as linhas gerais da actual administração e manter forças residuais no Iraque, arrostando desta vez com o descontentamento daqueles que o apoiaram.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Change is coming

Obama escolheu para o importantíssimo cargo de chief of staff, da Casa Branca, o judeu Rham Emanuel, filho de um sionista ligado ao Irgun.
Rham Emanuel apoiou Bush no lançamento da Operação no Iraque.

Consta também que o modelo de sistema de saúde que pretende aplicar, é uma cópia do sistema do Estado do Massachussets, da autoria do republicano Mitt Romney.

Bons indícios.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Agenda esquerdista

Muita gente teme (e outra tanta anseia) a agenda esquerdista nos EUA, agora que a Casa Branca, o Senado e o Congresso estão em mãos democratas.
É preciso acalmar. Em 1994 aconteceu exactamente o mesmo com Clinton, mas a agressiva tentativa de avançar por esse caminho revelou-se dolorosa.
É que nos EUA, os congressistas e senadores não sofrem disciplinas partidárias, respondem perante os eleitores e muitos dos "deputados" democratas não partilham das ideias "avançadas e progressistas", pelo que algumas das "changes" radicais, morrerão certamente no Capitólio, como aconteceu nos dois primeiros anos da Administração Clinton. E o pior foi que os americanos não gostaram nada da agenda esquerdista quando ela ameaçou passar à prática, acabado por correr com as maiorias democráticas no Capitólio.
Uma coisa é a adoração por um mito, outra é a realidadezinha.

No, we can't

Foi bonita a festa pá, ainda irá ser até Janeiro, mas as ressacas são uma inevitabilidade das grandes bebedeiras.
Caído o pano, desmobilizada a orquestra, apagadas as luzes, acabou o tempo do espectáculo e agora é preciso voltar à realidade do dia-a-dia, que não se compadece com as irrealistas esperanças que Obama conseguiu plantar nos seus mais eufóricos apoiantes, como aquela de "mudar o mundo".
Agora há que regressar à terra porque a crise financeira não se compadece com a retórica da hope e da change.
Nas próximas semanas iremos assistir a um gradual abaixamento das expectativas, de modo a que os apoiantes mais fanáticos, não passem de chofre, da fase maníaca à fase depressiva.
O seu discurso de victória, expurgando a exaltação retórica e as excessivas referências a si mesmo, já o mostra. "O caminho será longo...talvez não cheguemos lá num ano ou até num mandato...haverá retrocessos e falsas partidas...e sabemos que o governo não pode resolver todos os problemas."
Não, não pode, mas durante a campanha, Obama convenceu os americanos que yes we can.
Agora tem de lhes ir dizendo que não é bem assim e que por vezes, no we can't.
O Iraque, o Afeganistão, a crise financeira, o Médio Oriente, o Irão, a realidade, irão inevitavelmente corroer o mito salvífico.
É sempre assim.

Mas algumas coisas jamais voltarão a ser como dantes. Por uns tempos o antiamericanismo psicótico não poderá ser disfarçado com "não sou antiamericano, sou contra esta administração", o "blame America first" perderá o seu carácter apelativo, o que deixará muita gente orfã de um belzebu a quem culpar pelos males do mundo e, na América, os negros perderão a boleia fácil da vitimização racial.
Se um mestiço consegue chegar à Casa Branca pelos seus méritos, se a 1ª dama do país mais poderoso do mundo é uma negra, os factos falam por si .

Eleições Norte-Americanas XXX


Um dos futuros melhores amigos de Barack Obama no Senado será o senhor de cabelos brancos da imagem.

Durante estes meses estudei a fundo o Senador McCain: a sua história, as suas virtudes, as suas convicções. Cheguei à conclusão que estamos perante um indíviduo invulgar: o Senador John McCain é uma pessoa digna, honesta, patriota, bem-disposta, diria mesmo que a rossar a espectacularidade. Poderia muito bem ter sido o 44º Presidente dos Estados Unidos: fico triste por não ser.

Reagindo a quente, apesar da tristeza pela derrota de McCain, tenho que elogiar Barack Obama pela enorme campanha que fez, pelas barreiras que ultrapassou, pelas mentalidades que abriu. No fundo, ele merece ser Presidente dos Estados Unidos da América. Talvez não agora..

Desejo toda a sorte para o Presidente Obama, toda a sorte para os Estados Unidos. Disso depende o nosso futuro.

Apesar de tudo, tenho que qualificar, dadas todas as circunstâncias, o resultado de McCain como bom: McCain terá, creio, 59 milhões de votos. Ficou pertíssimo em praticamente todos os estados divididos: perderá Florida por 2%; perderá Ohio também por 2%; perderá Vírginia por 3%; perderá Colorado por 7/8%; perderá Iowa por 8%; perderá Pennsylvania por cerca de 10% (chocante); perderá New Hampshire por 10%.

Nos estados da Carolina do Norte, do Missouri e do Indiana as coisas estão muito próximas (previ que estes estados seriam, dos toss-up, aqueles em que McCain teria melhores possibilidades).

Os Estados Unidos demonstraram hoje, a meu ver, o porquê de continuarem a ser o mais avançado país do Mundo.

Veremos se se irão abrir novas páginas na Europa, no Mundo Islâmico, na América Latina e em África. Obama parte com vantagem para abrir novas páginas nestes relacionamentos. Uma vantagem que poucos Presidentes tiveram a oportunidade de gozar.

Acompanharei, pela admiração que ganhei pelo Senador McCain, a sua vida no Senado.