terça-feira, 17 de abril de 2012

Ron Paul, o Cartaginês

As primárias republicanas nos EUA estão adiantadas e Romney deverá ser o escolhido para ir a votos com Obama em novembro.

Assim mesmo, é bem possível que Ron Paul decida concorrer às presidenciais como candidato independente. Ron Paul é perseverante, tem um pensamento político sólido e tem somado aderentes à esquerda e à direita.

Uma eventual eleição de Ron Paul teria a inestimável vantagem de iniciar a saída dos EUA de permanente endividamento e a interrupção das sessões contínuas da impressão daquele tipo especial de papel a que chamamos dinheiro.

Já no que respeita à política externa, o homem é um pacifista, logo, é tão perigoso como células T que decidem ser amigas das outras todas.

O discurso pacifista de Paul assenta em dois pilares:
-se nos comportarmos bem com os outros, os outros também  se vão comportar bem connosco;
-a visão que os outros têm do mundo é igual à nossa.
Numa frase, “Se eu não andar a assaltar casas, de certeza que também ninguém vai assaltar a minha casa.”.

Para ilustrar a ingenuidade, ou outra coisa, de Paul, leia-se este pequeno extrato, já com alguns anos, mas que reflete bem o pensamento de sempre de Paul sobre o assunto: “
“Let other nations always keep the idea of their sovereign self-government associated with our republic and they will befriend us, and no force under heaven will be of power to tear them from our allegiance”

Se Ron Paul viesse a ser eleito, a América arriscaria ser transformada na Cartago do século 21 (*).

Sugestão de leitura a Ron Paul, The Punic Wars.


(*)

Os cartagineses estavam convencidos de que poderiam viver em paz e prosperar a par dos povos vizinhos em resultado dos benefícios mútuos que o estabelecimento de feitorias no Mediterrâneo trazia a todos. Sendo uma civilização essencialmente marítima e comercial, o poder estava pouco estruturado, era descentralizado, e em tempo de paz tinha um exército fraco. Em tempo de guerra conseguia reunir os meios para ter um exército forte, ainda que essencialmente composto por mercenários.

Roma era em tudo o oposto de Cartago. A prosperidade de Roma baseava-se na conquista e submissão dos vizinhos. Com os tributos cobrados, Roma sustentava um exército forte e bem treinado a todo o tempo. Por inveja ou não, Roma não podia tolerar um rival cuja prosperidade assentava no bom trato com os povos onde estabelecia colónias, rigorosamente o contrário do que faziam os romanos.

Roma submeteu militarmente Cartago por duas vezes, e por duas vezes Cartago retomou a sua soberania e prosperidade. À terceira, Roma destruiu Cartago para sempre. Não restaram sequer os documentos que permitiriam conhecer hoje a visão cartaginesa de um conflito que durou mais de um século.

4 comentários:

José Gonsalo disse...

Bom post!
Com muita pena minha, ainda não consegui o tempo necessário para lhe responder, mesmo que brevemente, às suas observações quanto ao acordo ortográfico.
Mas não está esquecido.
Abraço

RioD'oiro disse...

http://espectadorinteressado.blogspot.pt/2012/04/ron-paul-politica-externa-e-israel.html

O-Lidador disse...

Excelente.

Como dizia o outro, quem não conhece a História, está condenado a repeti-la.

Paulo Porto disse...

@JG
Meu caro, com ou sem AO, o q eh preciso eh q volte a tempo inteiro; pra intermitencias basto eu.


@RoD
O nosso amigo Eduardo F. estah como o Ron Paul. Tem uma fantástica visão do que deve ser a economia, mas acha que todos os animais são nossos amigos desde q lhes façamos festas. Naturalmente que isto inclui as tarântulas, as matilhas de hienas e leoas que não comem ha dois dias.


@Lidador
Sobre a história, acho mm q não eh por acaso q eh ensinada como um repositório de lugares comuns em vez de uma didática.