terça-feira, 3 de abril de 2012

SEGREGACIONISMO VOLUNTÁRIO



No blogue Cachimbo de Magrite Pedro Picoito escreveu um artigo que se pode resumir nesta frase: (…) Candace McCullough, é surda e vive com outra mulher, também surda, que se submeteu a inseminação artificial a fim de conceber uma criança com surdez. 
RioD’oiro coloca no FIEL um link e dá-lhe um título que aponta para novos desígnios multiculturalistas”. E eu pergunto-me se isto não terá mais a ver com o contrário? Segregacionismo voluntário.

E porquê?

Porque o artigo de Pedro Picoito lembra-me um documentário que vi há uns anos atrás, também sobre este assunto mas sem gays à mistura. E ainda bem, porque pelos vistos as inclinações sexuais de cada um continuam a confundir e a atrapalhar o raciocínio de muitos. 

The setting 

Um jardim com a relva bem aparada algures num subúrbio americano durante o verão.  Os homens, como é da praxe, grelhavam em calções hamburguesas enquanto bebiam cerveja. As mulheres ocupavam-se das saladas e das crianças. Uma família tradicional americana como tantas outras tinha convidado os amigos. A única diferença com outros casais americanos ‘normais’, é que não se ouvia uma palavra. Toda esta gente era surda-muda e falavam através de sinais.

O casal anfitrião debatia-se com um terrível dilema e discutia o assunto acaloradamente com os amigos presentes entre salsichas e cerveja. Uma pequena operação poderia devolver o ouvido a um dos filhos e ele ficar ‘normal’, a ouvir. Esta era a razão e o tema do documentário.

À primeira vista poderia pensar-se que os pais estariam contentíssimos com a ideia: o filho vai conseguir ouvir. Mas não! Como nunca tinha pensado no assunto, fiquei por momentos bastante surpreendido: os pais não estavam assim tão contentes! Diria mesmo que ambos estavam bastante renitentes em relação à intervenção cirúrgica. Depois do primeiro momento de surpresa, compreendi a razão e dei-me rapidamente conta que este dilema não se confina ao mundo dos surdos.

O resto do documentário são os pais a explicar (por gestos) a razão do dilema em que se encontravam: de momento que o filho passasse a ouvir, era bem possível que se desligasse da ‘tribo’ de surdos-mudos a que, sem a hipotética intervenção cirúrgica, toda a vida iria pertencer… O medo dos pais era perder o filho, que no futuro correria o ‘risco’ de se juntar ao mundo dos ouvintes.

O mesmo fenómeno acontece com os ciganos, que preferem (instintivamente) que os filhos não saiam demasiadamente dos trilhos. Não sendo estimulados -- salvo raras excepções -- a seguir uma carreira académica que igualmente os  poderia desligar da caravana, à procura de um ‘network’ mais a condizer com o novo estatuto social. 

Também se nota este fenómeno em certas famílias de imigrantes : o medo que os filhos se ocidentalizem (demasiadamente), leva-os a prenderem-se  a tradições do país de origem, tornando-se mais papistas que o Papa… (E eu que o diga: só bebo tinto do Douro ou Alentejo) Ou seja, conseguem ser por exemplo mais intolerantes que as gentes lá da terra de onde vieram em relação a inclinações sexuais divergentes…

38 comentários:

O-Lidador disse...

Sim, mas é exactamente a isto que, por exemplo, Amartya Sen, um reconhecido homem do mundo, que não é suspeito de xenofobia, chama de "encarceramento civilizacional".

É este o tipo de multiculturalismo que aqui se combate, aquele em que o individuo fica preso nos limites do seu grupo cultural, aquele em que a sua vontade fica limitada ao horizonte dos valores da cultura onde teve a sorte ou o azar de nascer e crescer.

É este o tipo de multiculturalismo que a esquerda mais entranhada defende.

Obama tem um episódio destes, na 1ª universidade onde andou. É ele próprio que relata que interpelou iradamente uma rapariga com ascendentes irlandeses, africanos e indios, sobre a razão pela qual ela não se identificava com os brothers.

Ela disse-lhe que ela era ela, e que se definia pela sua individualidade e não pelo grupo.

Toda uma lição...

RioD'oiro disse...

Fico muito contente por ver que o CdR acha normal que quando um grupo portador de uma qualquer deficiência defende que a sua prole viva não só no mesmo ambiente mas forçosamente com a mesma deficiência à coisa se possa chamar segregacionismo.

A ser assim haverá um direito da criança em viver em normalidade.

Por razões que não vêm ao caso conheço uma infinidade de gente cega que, quase sempre, sabendo, antes de já terem filhos, que têm uma deficiência grave, optam por não ter filhos para evitar a altíssima probabilidade de os fazer passar pelo mesmo.

O mesmo parece passar-se com a comunidade portadora de paramiloidose.

Quando alguém portador de deficiência grave decide ter filhos, regra geral informa-se o melhor possível para pesar os riscos que corre (fará correr). Se o risco for claramente demasiado as pessoas torcem o nariz. O caso que o CdR refere é, claramente, uma aberração e ninguém se coíbe de o declarar. No caso dos homossexuais, qualquer dúvida que lhes seja levantada leva logo o carimbo de xenofobia aplicado pela esquerda... o que não surpreende porque se trata de gente xenófoba ao ponto de pretender que a sua prole seja portadora das mesmas deficiências que eles próprios.

Carmo da Rosa disse...

Lidador disse: ”Amartya Sen, (...), chama de "encarceramento civilizacional".

E eu quero que ele se foda, eu chamo a isto segregacionismo voluntário e continuo a achar que corresponde perfeitamente aquilo que eu quero dizer.

Lidador disse: Ӄ este o tipo de multiculturalismo que aqui se combate, aquele em que o individuo fica preso nos limites do seu grupo cultural,".

Certo. Mas eu, desta vez, não queria combater coisa nenhuma e não vejo porque razão o caralho do sexo e a ideologia, e o Obama (já faltava cá este!) têm que ser aqui metido à pressão, quando se trata de um fenómeno que atinge uma porrada de grupos sociais completamente diferentes, em países diferentes, com inclinações sexuais também completamente diferentes.

Os meus surdos-mudos americanos não eram de esquerda nem eram gays. Os ciganos não são de esquerda nem de direita, mas serão gays? Aiiiiiiiiiiiiii Lello, ná digas issúúú, eu cago nos teus mortuuuuuunnns. Os imigrantes podem ser quase tudo: surdos, mudos, maricas, machões, esquerdistas, conservadores...

O grande Pim Fortuijn levava na peida e foi na Holanda o grande adversário do tipo ”de multiculturalismo que a esquerda mais entranhada defende.” E por causa disso levou um tiro nos cornos de um....... esquerdista.

Lidador disse: ”Obama tem um episódio...”

Quantos episódios vão ser precisos para Obama conseguir ser pior espingarda que o Santorum? Talvez dando em paneleiro, anti-cristo e surdo-mudo. Mas já falta tão pouco tempo. Mudo seria a única garantia, porque a discursar o Obama mete todos os republicanos num bolso.

PS Vocês sabem que o meu corrector de texto (FLIP Mac) é de direita, então o cabrão não me diz que ‘paneleiro’ é erro? E não adianta nada eu carregar em ADD de ‘additional’. Faz de conta que não percebe…

Carmo da Rosa disse...

RioD’oiro disse: ”Fico muito contente por ver que o CdR acha normal que quando um grupo portador de uma qualquer deficiência defende que a sua prole viva não só no mesmo ambiente mas forçosamente com a mesma deficiência à coisa se possa chamar segregacionismo.”

Leia com mais atenção! Onde é que eu disse que achava NORMAL isto ou aquilo?

Não fiz julgamento de valores nem tomei partido por coisa nenhuma. Apenas tentei (debalde) demonstrar que o fenómeno não se limita a duas lésbicas surdas, invariavelmente de esquerda e adeptas do Obama para o quadro ficar completo. Para mim (para si começo a ter algumas dúvidas!) um indivíduo que toca à punheta com a mão esquerda não é eternamente suspeito de ser um adepto da ditadura do proletariado.

Segregacionismo é uma palavra portuguesa que neste caso me parece corresponder ao fenómeno.

RioD’oiro disse: ”A ser assim haverá um direito da criança em viver em normalidade.”

Rio, isto é uma pergunta?

De qualquer forma os meus tiveram azar coitadinhos. Todos os domingos às 19 horas em ponto não havia cá programas infantis na TV para ninguém. Silêncio que se vai cantar o ‘fado’. A SANTA BOLINHA ia começar. Um deles ficou portador das mesmas deficiências que a minha pessoa.

O-Lidador disse...

" eu chamo a isto segregacionismo voluntário"

E chama mal, porque o sujeito do direito não é o que escolhe. Quem escolhe por ele são os outros, no caso que descreve, os pais.



" e não vejo porque razão o caralho do sexo e a ideologia, e o Obama (já faltava cá este!) têm que ser aqui metido à pressão"

Não é à pressão. Esta visão das culturas é uma marca retinta da esquerda. Você dá-me um gajo que defenda isto e eu devolvo-lhe um esquerdista. Ou sofisticado, os gurus das coisa, os ideólogos, ou um gajo que nem sabe que é esquerdista, mas é. O CdR já devia ter percebido que a esquerda tende a agrupar as pessoas em classes herméticas. O operário, o burguês, o explorado, o explorador, a minoria étnica, etc. O indivíduo que transita entre estas classes, é o vendido, o vira-casaca.

Obama vem aqui a talhe de foice porque ele cresceu nesta visão comunitarista, ele mesmo se definia como um "organizador comunitário".
E isso prova que é um esquerdista, ainda que o sistema de checks and balances não lhe permita fazer aquilo em que realmente acredita.



"O grande Pim Fortuijn levava na peida e foi na Holanda o grande adversário do tipo ”de multiculturalismo que a esquerda mais entranhada defende.”"

Mas o que é que uma coisa tem a ver com a outra?

" para Obama conseguir ser pior espingarda que o Santorum?"

É pior. O que fez fala por ele.
O Santorum não fez nada.
POde ser que até fizesse pior do que o Obama, nas mesma funções, mas isso não se sabe. O que se sabe é que o Obama é uma nódoa, do meu ponto de vista, claro. Um gajo que vai dizer ao Putin que lhe abrirá as pernas, mal seja reeleito, é do piorio, desculpe lá.

"porque a discursar o Obama mete todos os republicanos num bolso."

Com teleponto e discurso escrito pelo seu famoso speechwriter. Sem isso, é confrangedor e repetitivo.
Ora veja aqui

http://www.youtube.com/watch?v=erYpXzE9Pxs

Carmo da Rosa disse...

Lidador disse: ”E chama mal, porque o sujeito do direito não é o que escolhe. Quem escolhe por ele são os outros, no caso que descreve, os pais.”

Precisamente, quem escolhe são os pais. E quem havia de ser? Só no seio de famílias de ‘esquerda’ hippies meias amalucadas é que existe (existia. São cada vez menos) a democracia total, onde os filhos também têm voto em quase todas as matérias. Porque são avessos a autoritarismo (uma coisa muito fáxista), que consideram muito mau para o desenvolvimento das criancinhas.

Em famílias ‘normais’ são sempre os pais que acabam por decidir para o bem e para o mal a sorte dos filhos. O segregacionismo voluntário parte de quem está em estado de decidir: dos pais surdos-mudos, ciganos, emigrantes, muçulmanos, mormões, judeus ortodoxos etc. Eles é que decidem voluntariamente viver em sociedade paralela por várias razões. Razões que muito pouco têm a ver com ideologia e muito menos com o Obama.

Lidador disse: ”O CdR já devia ter percebido que a esquerda tende a agrupar as pessoas em classes herméticas. O operário, o burguês, o explorado, o explorador, a minoria étnica, etc..”

E percebi. Estou de acordo que a esquerda (tradicional) queira virar o operário surdo contra o patrão surdo, e o cigano trabalhador (uma força de expressão!) contra o patrão dos mendros. Mas nem a esquerda, nem o Obama, querem que os filhos dos surdos continuem surdos, nem que os filhos de ciganos deixem de ir à escola. Qual o interesse ideológico?

Lidador disse: ”E isso prova que é um esquerdista [Obama], ainda que o sistema de checks and balances não lhe permita fazer aquilo em que realmente acredita...”

Esta coisa do Obama ser de esquerda (ou de direita) depende muito a partir de onde se observa, mas daria pano para mangas e isto já está muito longo. Fica para outra altura.

Lidador disse: ”Mas o que é que uma coisa tem a ver com a outra?...”

Fortuijn, um neo-marxista católico pertencente ao grupo hermético dos maricas que alinhavam em todas, não ia lá muito à bola da defesa incondicional de culturas estranhas que ameaçam à nossa liberdade.

Lidador disse: ” O Santorum não fez nada.

Tirando umas bocas absurdas sobre eutanásia, ainda não fez nada, é verdade.

Lidador disse: ”Um gajo que vai dizer ao Putin que lhe abrirá as pernas, mal seja reeleito, é do piorio, desculpe lá.”

Sinceramente não achei nada de grave! Ele apenas disse que depois das eleições terá mais margem de manobra, o que é perfeitamente normal. Mas nem era preciso dizer porque os russos não são parvos. Além disso os russos já não fazem parte do eixo do mal, são nossos aliados no combate ao terrorismo.

Lidador disse: ” Com teleponto e discurso escrito pelo seu famoso speechwriter.”

Eu disse que o Obama era um grande orador, não disse que era um grande escritor. Além disso, todos os presidentes do mundo inteiro usam speechwriters – menos os líderes muçulmanos que apenas recitam o Corão. Porque razão apontar este facto como um defeito somente a Barack Obama?

RioD'oiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
RioD'oiro disse...

CdR,

Já percebi. O CdR defende que os pais devem poder decidir se querem filhos surdos ou não, cegos ou não, manetas ou não, com uma, duas ou 3 cabeças ou, até, sem cabeça, com as pernas trocadas pelos braços ...

Deixe-me adivinhar ... talvez se devam ter cauda como os crocodilos, bico como os galinácios ...

É portanto aos pais que compete decidir daquilo a que se chama 'brincar a Deus'.

José Gonsalo disse...

Carmo da Rosa:

Julgo que toda esta discussão assenta num mal-entendido. Ambos, o Rio d'Oiro e o Carmo têm razão (deixando de lado agora o que disse o Lidador, a quem, aliás, ainda não dei os parabéns pelos 3 ou 4 excelentes posts que aqui publicou recentemente).
O Carmo da Rosa tem toda a razão quando classifica o que se passou como auto segregacionismo, com base no medo (ou cobardia de rebanho?). Mas o Rio d'Oiro também a tem, quando aponta para o facto de esse medo pretender "salvar a face" apresentando-se como cultura minoritária, isto é, aspirar à respeitabilidade pela institucionalização. E isto é que é perigoso, na medida em que adopta a máscara da luta pela liberdade. Pior: constitui-se, na prática, como a maior das arbitrariedades, porque pretende condicionar os limites da experiência vivencial. Ao mesmo nível dos que praticam a excisão do clítoris para não correrem o risco de haver mais mundo para as mulheres do que aqueles que eles conseguem suportar.
Aquelas lésbicas são, afinal, nesse sentido, islamitas avant la lettre.
E, com este toque de poliglota, despeço-me com um abraço a todos.
Até já.

Carmo da Rosa disse...

Rio D’oiro disse: ” Já percebi. O CdR defende que os pais devem poder decidir se querem filhos surdos ou não…”

O CdR defende que se o Rio D’oiro quer realmente uma resposta às suas perguntas, devia primeiro responder às perguntas iniciais feitas por CdR. Porque os imigrantes originários do norte do país deviam ser tratados com o mesmo respeito que os habitantes da Capital do Império, que parece que já se esqueceram que foram os habitantes do norte que em 1147 libertaram a cidade do jugo muçulmano.

Carmo da Rosa disse...

José Gonsalo disse: ” Julgo que toda esta discussão assenta num mal-entendido.”

Eu não julgo, tenho a certeza. E são dois mal-entendidos e não um. O primeiro mal-entendido assenta na tentativa desesperada de classificar todos os fenómenos sociais a partir de uma dicotomia esquerda vs direita – e depois dar a culpa disto tudo ao Obama!!!

O segundo é pensar que eu quero que as crianças sejam surdas ou que os ciganos não se escolarizem, quando apenas observo, registo, e estabeleço paralelos entre fenómenos sociais que me parecem idênticos… Mais nada, de resto estava mais preocupado com o Benfica – e com razão…

RioD'oiro disse...

CdR,

"O CdR defende que se o Rio D’oiro quer realmente uma resposta às suas perguntas"

O CdR pretende que sejam respondidas perguntas elaboradas por cima e na sequência de problemas não resolvidos. Chama-se a isso elaborar no erro.

"segregacionismo voluntário" aplica-se ao próprio (voluntário), não se aplica aos outros (forçado). Os filhos dos próprios não são os próprios mas outros.

Uma ideia torna-se de esquerda ou de direita não pela tendência política de quem a defende mas pela aceitação em defesa (ou não) de estruturas políticas significativas de esquerda ou de direita e de um número significativo de pessoas de esquerda ou de direita.

No caso presente (e parecidos) a ideia (criança surda) é rejeitada pela direita mas aceite pela esquerda. É isso que faz com que o assunto seja político e não apenas do foro do indivíduo. Acresce ainda que a direita rejeita esse tipo de 'modernidades' mas a esquerda aceita. É, portanto, de esquerda que uma criança possa ser um gato com dedos de gente e não o é de direita.

Voltando ao caso do "voluntário", trata-se também de uma falácia a que a esquerda recorre com muita frequência (é falácia pelas razões explicadas) e é com base nela que a esquerda pretende que 'o outro' seja sua propriedade. O CdR elabora (provavelmente alinha) também nesse erro.

A defesa do aborto é coisa de esquerda não porque a minha vizinha que é de direita o defende mas porque a esquerda, regra geral, o defende. A direita, regra geral, não o defende.

Obama é de esquerda (e não apenas ligeiramente) porque defende a generalidade das posições da esquerda (mesmo que ele esperneie em sentido contrário).

RioD'oiro disse...

CdR,

"O CdR defende que se o Rio D’oiro quer realmente uma resposta às suas perguntas"

O CdR pretende que sejam respondidas perguntas elaboradas por cima e na sequência de problemas não resolvidos. Chama-se a isso elaborar no erro.

"segregacionismo voluntário" aplica-se ao próprio (voluntário), não se aplica aos outros (forçado). Os filhos dos próprios não são os próprios mas outros.

Uma ideia torna-se de esquerda ou de direita não pela tendência política de quem a defende mas pela aceitação em defesa (ou não) de estruturas políticas significativas de esquerda ou de direita e de um número significativo de pessoas de esquerda ou de direita.

No caso presente (e parecidos) a ideia (criança surda) é rejeitada pela direita mas aceite pela esquerda. É isso que faz com que o assunto seja político e não apenas do foro do indivíduo. Acresce ainda que a direita rejeita esse tipo de 'modernidades' mas a esquerda aceita. É, portanto, de esquerda que uma criança possa ser um gato com dedos de gente e não o é de direita.

Voltando ao caso do "voluntário", trata-se também de uma falácia a que a esquerda recorre com muita frequência (é falácia pelas razões explicadas) e é com base nela que a esquerda pretende que 'o outro' seja sua propriedade. O CdR elabora (provavelmente alinha) também nesse erro.

A defesa do aborto é coisa de esquerda não porque a minha vizinha que é de direita o defende mas porque a esquerda, regra geral, o defende. A direita, regra geral, não o defende.

Obama é de esquerda (e não apenas ligeiramente) porque defende a generalidade das posições da esquerda (mesmo que ele esperneie em sentido contrário).

RioD'oiro disse...

CdR, repare nesta sua frase:

"Precisamente, quem escolhe são os pais. E quem havia de ser? Só no seio de famílias de ‘esquerda’ hippies meias amalucadas é que existe (existia. São cada vez menos) a democracia total, onde os filhos também têm voto em quase todas as matérias."

O CdR refere a democracia total dos hippies exactamente no contexto em que a criança, que ainda não existe, não se pode manifestar (dando de barato que isso faria sentido).

O CdR volta a misturar planos e a tentar que se elabore sobre eles como se não estivessem feridos de morte. O CdR pretende que se elabora na ideia de democracia em que a criança escolhe, no exacto caso em que a criança não pode escolher porque alguém pretende escolher por ela.

RioD'oiro disse...

CdR, repare nesta sua frase:

"Precisamente, quem escolhe são os pais. E quem havia de ser? Só no seio de famílias de ‘esquerda’ hippies meias amalucadas é que existe (existia. São cada vez menos) a democracia total, onde os filhos também têm voto em quase todas as matérias."

O CdR refere a democracia total dos hippies exactamente no contexto em que a criança, que ainda não existe, não se pode manifestar (dando de barato que isso faria sentido).

O CdR volta a misturar planos e a tentar que se elabore sobre eles como se não estivessem feridos de morte. O CdR pretende que se elabora na ideia de democracia em que a criança escolhe, no exacto caso em que a criança não pode escolher porque alguém pretende escolher por ela.

Carmo da Rosa disse...

RioD’oiro disse: ”O CdR pretende que sejam respondidas perguntas elaboradas por cima e na sequência de problemas não resolvidos.”

Rio, você acha que eu pretendo isto?

Fantástico! Acha que é possível uma pessoa pretender algo que não entende, que desconhece a existência? Filosoficamente interessante! mas deixemos isto para mais tarde e responda primeiro às minhas perguntas iniciais da forma mais simples que lhe for possível.

Acerca das crianças surdas ou cegas, onde é que eu disse que achava NORMAL isto ou aquilo?

É simples, não creio que seja preciso elaborar seja o que for por cima ou por baixo na sequência de isto ou daquilo – só há duas possibilidades, ou disse, ou não disse. Se disse, gostaria de saber onde?

Depois terei todo o gosto em responder tintim por tintim às suas perguntas e esclarecer os mal-entendidos.

RioD'oiro disse...

CdR,

"Acerca das crianças surdas ou cegas, onde é que eu disse que achava NORMAL isto ou aquilo?"

Se o caro CdR chama voluntário a uma caso de coisa forçada de forma prepotente, pretende explicar o caso como do foro da decisão própria (se eu quiser pôr 'phones' aos berros e ficar surdo é comigo) e não do foro da super-prepotência, (vamos fazer os possíveis para gerar um ente surdo) o caso em causa, é incontornável que concorda o que originalmente de discute.

Foi justamente para evitar ter que lho dizer tão claramente que publiquei este outro artigo: http://fiel-inimigo.blogspot.pt/2012/04/mais-segregacionismo-voluntario.html

RioD'oiro disse...

Eu dou uma chapada ao meu vizinho e repondo à polícia que também dou chapadas em mim próprio.

Isto significa, para qualquer alma, que eu não vejo qualquer problema relevante em dar porrada ao vizinho.

Go_dot disse...

Uma síntese brilhante, do que consigo perceber desta conversa , é o comentário do José Gonsalo, (4 de Abril de 2012 16:06 ) que o caro CdR aparentemente não achou digno de resposta mais cuidadosa ou não reparou, mas que me deixou curioso.

Antes que a conversa fique entalada em postes repetidos, ou divague para o disse que disse.

Volto a repetir a parte do comentário do José Gonsalo, que me deixou mais curioso da sua resposta. (o negrito é meu)
[...] E isto é que é perigoso, na medida em que adopta a máscara da luta pela liberdade. Pior: constitui-se, na prática, como a maior das arbitrariedades, porque pretende condicionar os limites da experiência vivencial. Ao mesmo nível dos que praticam a excisão do clítoris para não correrem o risco de haver mais mundo para as mulheres do que aqueles que eles conseguem suportar.

Suprimir a liberdade com a mascara da luta pela liberdade, é aqui que a porca torce o rabo. É esta a traição da esquerda, ou não?

Lura do Grilo disse...

É por isso que admiro a malta mais à direita: procura sempre o melhor para os filhos nem que deixe a pele das mãos agarrada à enxada.

Carmo da Rosa disse...

Rio D’oiro disse: ”Se o caro CdR chama voluntário a uma caso de coisa forçada de forma prepotente,…”

A pergunta era disse ou não disse (que achava normal), mas em vez de responder muito simplesmente sim ou sopas, você continua a andar às voltinhas apoiado numa linguagem rebuscada de político de esquerda (just kidding) para voltar a dizer o mesmo, que “é incontornável que concorda o que originalmente [se] discute.”.”

Já lhe disse há dois dias que (vou fazer copy paste): Não fiz julgamento de valores nem tomei partido por coisa nenhuma. Apenas tentei (debalde) demonstrar que o fenómeno não se limita a duas lésbicas surdas, invariavelmente de esquerda e adeptas do Obama para o quadro ficar completo.

E chamo voluntário porque estou a raciocinar a partir da família. Já disse isto também num comentário ao Lidador, vou ter que voltar a fazer copy paste:

Em famílias ‘normais’ são sempre os pais que acabam por decidir para o bem e para o mal a sorte dos filhos. O segregacionismo voluntário parte de quem está em estado de decidir: dos pais surdos-mudos, ciganos, emigrantes, muçulmanos, mormões, judeus ortodoxos etc. Eles é que decidem voluntariamente viver em sociedade paralela por várias razões. Razões que muito pouco têm a ver com ideologia e muito menos com o Obama.

Em que país é que você vive?

No Portugal que eu conheço são os pais até uma idade bem avançada – todos eles, os de esquerda e os de direita - quem decide praticamente tudo sobre a vida dos filhos. As boas e as más decisões...

Acerca disto arranjei para o Lidador um exemplo engraçado e verídico mas largamente minoritário - volto ao copy paste:

Só no seio de famílias de ‘esquerda’ hippies meias amalucadas é que existe (existia. São cada vez menos) a democracia total, onde os filhos também têm voto em quase todas as matérias. (note que coloquei esquerda entre aspas!)

E você tira uma conclusão totalmente obtusa! ”O CdR refere a democracia total dos hippies exactamente no contexto em que a criança, que ainda não existe…”

Mas qual não existe? Mas qual contexto? Eu apenas queria dar um exemplo de uma situação familiar ‘anormal’, atípica (com filhos existentes), onde há uma tentativa, na minha opinião errada, de dar às crianças o mesmo poder de decisão que os adultos.

Mas não sou a favor, apesar de que por vezes tenho grandes dúvidas sobre o poder de raciocínio dos pais!

Por exemplo, dos pais portugueses que contam petas aos filhos desde a mais tenra idade acerca da existência do Espírito Santo e da Santíssima Trindade e outros sobre paraisos socialistas; dos pais americanos estilo Santorum que mentem descaradamente aos filhos, dizendo-lhes que o Sol gira à volta da Terra e que o homem não descende do macaco, mas que foi modelado por um Deus que falava inglês pelo nariz e era muito família e nunca dava uma trancada por fora; dos pais muçulmanos e judeus por fazerem judiarias aos filhos, cortando-lhes a pichota e proibindo-os durante toda a vida de comer uns secretos ou presunto pata-negra e de beber um bom vinho tinto (isto só para citar as coisas piores).

Carmo da Rosa disse...

Go_dot disse: ”Suprimir a liberdade com a mascara da luta pela liberdade, é aqui que a porca torce o rabo. É esta a traição da esquerda, ou não?”

Mas o problema é definir o que é precisamente de esquerda ou de direita. É aqui que a porca torce o rabo, porque a coisa não é tão simples como muitos julgam. E misturar paneleiros, circuncisões, Obama, lésbicas, eutanásia e surdos-mudos não ajuda, pelo contrário, só complica.

E o CdR é o único que faz questão em responder a toda a gente que deixa a sua opinião na caixa de comentários dos seus posts – e não usa máscara…

RioD'oiro disse...

Caro Carmo da Rosa,

Tem pouca relevância que o CdR afirme que não disse quando o afirma no desenvolvimento. Senão repare:

"Em famílias ‘normais’ são sempre os pais que acabam por decidir para o bem e para o mal a sorte dos filhos."

O CdR continua a misturar escolhas em termos de educação com escolhas em termos da constituição física da pessoa. Nunca, à excepção de umas quantas parvoeiras na Alemanha Nazi e nos paraísos socialistas, se tentou interferir directamente na constituição física das pessoas e os casos excepcionais vão em sentido contrário, ou seja, vão no sentido, por exemplo, no caso do aborto por mal-formações, de interromper a gestação por haver justamente mal-formações. Nunca se pôs o caso de militar na mal-formação.

Relativamente a escolhas em educação em em sentido lato toda a gente concorda que seja assim. Quando o Carmo da Rosa mete no mesmo caldeirão a educação e a tentativa de forçar um nascimento com uma mal-formação está a arrastar a sua anunciada ausência de concordância para o cenário de uma incontornável e implícita concordância.

Quanto à esquerda e direita, é capaz de encontrar uma declaração de alguma estrutura significativa de esquerda "indignado" com este tipo de coisas? Ou vai dizer que, coitados, não deram por isso mas que nunca afirmaram estar de acordo?

http://www.theatlantic.com/technology/archive/2012/03/how-engineering-the-human-body-could-combat-climate-change/253981/

Pois estas coisas são justamente o que a Coreia do Norte vem fazendo por via da "educação" sem que, também aqui, a esquerda de indigne. A esquerda, sistematicamente simpatizante destes regimes, esquece-se sempre de repudiar comportamentos que, no caso, têm vindo a precisamente fazer encolher a população por via de a fazer passar fome ... a questão "cultural" recorrendo à selecção natural* para 'fazer' seres que venham ao encontro dos desígnios culturais ...???

"Mas qual não existe? Mas qual contexto?"

Porra! Caro Carmo da Rosa. O que a coisa inicial refere é uma manobra para gerar (note bem, gerar, ele não existe antes de ser gerado) um ser deficiente, no caso um ser surdo. Podia ser cego, maneta, ter duas cabeças, ... trata-se de gerar um ser surdo por questões ... "culturais". Porque os 'artistas' pretendem seringar o futuro ser com uma anomalia e invocam questões que apenas se aplicam após nascimento, o CdR vai atrás e morde o isco?

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* Selecção natural porque os que melhor se adaptarem a passar fome serão os que mais provavelmente deixarão descendência também mais adaptável.

Go_dot disse...

Não me recordo de alguém sugerir que o assunto fosse simples.
Estou de acordo, que talvez a airosa picardia, com que o CdR nos brinda, nos seus singulares comentários, neste caso, terceiro “thread” derivado da mesma conversa. Tem ajudado a baralhar o assunto.
Agora, à pala da mascara, continua sem referir o brilhante dilema que o José Gonsalo aqui colocou.

“... a excisão do clítoris para não correrem o risco de haver mais mundo para as mulheres do que aqueles que eles conseguem suportar. Aquelas lésbicas são, afinal, nesse sentido, islamitas avant la lettre.”

Que eu saiba é só a esquerda desnorteada, que defende este folclore.
Ultimamente, tenta até, misturar o assunto dos “paus cortados,”que já referiu de passagem, com o argumento, se é autorizado para o menino, também deverá ser para a menina. Nem que seja só um cortezinho, para salvar a face do rebanho.
Resumindo, mutilar e segregar em nome da liberdade, para tornar a imbecilidade respeitável.

Carmo da Rosa disse...

RioD’oiro disse: ”O CdR continua a misturar escolhas em termos de educação com escolhas em termos da constituição física da pessoa.”

Não senhora. A primeira escolha tem a ver com segregacionismo voluntário do núcleo familiar. A segunda é uma perversão.

RioD’oiro disse: ” Nunca, à excepção de umas quantas parvoeiras na Alemanha Nazi e nos paraísos socialistas, se tentou interferir directamente na constituição física das pessoas.”

Pois, mas agora as possibilidades técnicas são muito maiores. Já há actualmente gente a experimentar com chips metidos no corpo para melhorar o funcionamento de este ou de aquele músculo. E na caixa dos pirolitos já se consegue localizar estímulos. Mais dia menos dia e Deus está ultrapassado – e ainda bem, para o serviço que fez!

MAS, MAIS UMA VEZ, ISTO NÃO SIGNIFICA QUE ESTEJA INTEIRAMENTE DE ACORDO, EU QUE NEM SEQUER UMA ASPIRINA TOMO E JÁ É A SEGUNDA VEZ QUE ME PIRO DE UM HOSPITAL ANTES DE SER OPERADO…

RioD’oiro disse: ” Quanto à esquerda e direita, é capaz de encontrar uma declaração de alguma estrutura significativa de esquerda "indignado" com este tipo de coisas?.”

É claro que há! O problema é que você julga que A ESQUERDA, é apenas uns tipos em Lisboa… e esquece-se que se uma pessoa se deslocar 320 km para norte, os conceitos e as pessoas também mudam. Por exemplo, a gente no Porto não gosta da merda do pão (os famosos papos-secos), nem do vinho verde branco à pressão de Lisboa. Preferimos broa de Avintes e verde tinto bebido por uma malga, coisa que a maioria dos alfacinhas nem sabe o que é! Nem broa de Avintes, nem verde tinto, nem malga…

RioD’oiro disse: ” Pois estas coisas são justamente o que a Coreia do Norte vem fazendo por via da "educação"

O quê? A Coreia do Norte defende o direito dos homossexuais, promove o sexo livre e facilita o uso de droga leve? Muito me conta…

RioD’oiro disse: ”A esquerda, sistematicamente simpatizante destes regimes, esquece-se sempre de repudiar comportamentos"

Esta afirmação é tão redutora e tão falsa como as dos esquerdistas, quando a torto e a direito acusam a direita de islamofobia e racismo por dá cá aquela palha. Há realmente uma esquerda que simpatiza com este tipo de regimes, mas a maioria já não simpatiza assim tanto – mesmo em Lisboa. Por cá, em todo o país, devem ser uns 134 maluquinhos.

Carmo da Rosa disse...

Go_dot disse: ”Não me recordo de alguém sugerir que o assunto fosse simples.”

Mas isso é porque já nem tempo se perde a sugerir!

O meu colega RioD’oiro, por exemplo, antes mesmo de haver discussão, chama Esquerda Estúpida a gente ou comportamentos que acha desviantes, estranhos, esquisitos ou atípicos. E assim a Esquerda Estúpida pode ser um militante do PCP que visita a festa do Avante, mas também um parlamentário do VVD (direita liberal holandesa) que frequenta um campo de nudistas durante as férias.

Go_dot disse: ” Estou de acordo, que talvez a airosa picardia, com que o CdR nos brinda, nos seus singulares comentários, neste caso, terceiro “thread” derivado da mesma conversa.”

Qual conversa? O que é um ‘thread’?

“... a excisão do clítoris para não correrem o risco de haver mais mundo para as mulheres do que aqueles que eles conseguem suportar. Aquelas lésbicas são, afinal, nesse sentido, islamitas avant la lettre.”

Por muita boa vontade que tenha não vejo qualquer tipo de relação entre lésbicas que fazem uma escolha aberrante, com raparigas menores a quem, sem a sua autorização, lhes é cortado o clítoris! Por isso não respondi, simplesmente por não entender.

Go_dot disse: ” Que eu saiba é só a esquerda desnorteada, que defende este folclore..”

Só!

Há realmente uma esquerda desnorteada que defende folclores desnorteados, assim como há uma direita desnorteada que defende as patacoadas do Rick Santorum e da Fox News…

P.S. Como de costume, o que não respondi, é porque não percebi.

RioD'oiro disse...

CdR,

"A primeira escolha tem a ver com segregacionismo voluntário do núcleo familiar. A segunda é uma perversão."

Não é verdade. Não é segregacionismo voluntário porque ainda não há voluntário, ainda não nasceu. É apenas tudo perversão.

"Mais dia menos dia e Deus está ultrapassado – e ainda bem, para o serviço que fez!"

Curiosamente o CdR não encontrou um exemplo em que a intenção seja de reduzir capacidade. Depois diga que estão a pôr palavras na sua boca quando lhe chamam a atenção que está a misturar alhos com bugalhos e, implicitamente, a justificar o injustificável.

"Preferimos broa de Avintes"

Mais uma. Alhos com bugalhos. Experimente a nacionalização dos meios de produção, a captura dos bens dos capitalistas, etc.

"O quê? A Coreia do Norte defende o direito dos homossexuais, promove o sexo livre e facilita o uso de droga leve?"

Mas alguma vez nalgum sítio alguma esquerda quando no poder autorizou uma coisa dessas? Não está ao corrente que a esquerda se está absolutamente nas tintas para esses "direitos" e que os atropela imediatamente assim que chega ao poder? Não conhece o termo 'ideita útil'?. Alguma vez, alguma esquerda, quando no poder, permitiu um sindicato não controlado (como, aliás, ela tenta fazer em democracia)? Acaso o Carmo da Rosa está convencido que esta esquerda, no poder, permitiria que alguém militasse no sentido de se produzirem "operários defeituosos? Está convencido que a esquerda, no poder na Coreia do Norte, está preocupada com os raquíticos que produz? É que me pareceu que o CdR defenderia a multiplicação do raquitismo na Coreia do Norte como resultante de um novo ship avant la lettre.

"Esta afirmação é tão redutora e tão falsa como as dos esquerdistas, quando a torto e a direito acusam a direita de islamofobia e racismo por dá cá aquela palha."

A esquerda acusa sistematicamente tudo e todos e a torto e direito de tudo o que ela faz (ou pretende fazer) ou, quando o não faz, é por apenas tacticismo. Houve algum regime de esquerda, dos verdadeiros, que não perseguisse tudo o que é religião? A esquerda está de olho com carne com o Islão para chatear quem tem razão porque uma vez no poder faria a Islão o que fez em toda a parte a tudo o que é religião.

Carmo da Rosa disse...

RioD’oiro disse: ”É apenas tudo perversão.”

Tudo? Não posso abrir uma pequena excepção para o vinho tinto, o futebol e para a vizinha do terceiro andar e continuar a ser um gajo porreiro?

RioD’oiro disse: ”Curiosamente o CdR não encontrou um exemplo em que a intenção seja de reduzir capacidade..”

Reduzir a capacidade de quê?

RioD’oiro disse: ” Experimente a nacionalização dos meios de produção, a captura dos bens dos capitalistas, etc.”

Se você soubesse o que Geert Wilders, Marine Le Pen e Eric Zemmour afirmam sobre este assunto ficaria surpreendido, e dar-se-ia rapidamente conta que a divisão direita-esquerda do século 19 já não serve actualmente. É apenas isso que eu tento demonstrar.

RioD’oiro disse: ”Mas alguma vez nalgum sítio alguma esquerda quando no poder autorizou uma coisa dessas?.”

É claro que não, por isso é que a minha frase tinha um ponto de interrogação no fim! Uma frase com um ponto de interrogação no fim deixa imediatamente de ser uma afirmação para se tornar numa pergunta (retórica ou não). Queria apenas demonstrar que a Esquerda também é de Direita e vice-versa.

RioD’oiro disse: ” É que me pareceu que o CdR defenderia a multiplicação do raquitismo na Coreia do Norte.”

Não, mas o nudismo em massa defenderia - a marchar naquelas enormes praças, deveria ser um espectáculo bem mais interessante que a Festa do Avante.

RioD’oiro disse: ”Houve algum regime de esquerda, dos verdadeiros, que não perseguisse tudo o que é religião?.”

E depois, o que é que eu tenho a ver com o assunto? Alguma vez disse que eles defendem religiões? (tirando a deles!)

RioD’oiro disse: ” A esquerda está de olho com carne com o Islão para chatear quem tem razão…..”

Está outra vez a ser redutor! Nem toda a Esquerda é unha com carne com o Islão, assim como certa direita tolera e até diz que o Islão é uma religião de paz. Dê uma vista de olhos, mas desta vez com atenção, no Congresso Internacional contra a Islamização da Europa, vai ver que é incontestável a presença de oradores de esquerda.

http://fiel-inimigo.blogspot.com/2010/12/o-congresso-de-paris.html

P.S. Ainda não me disse nada sobre a fotografia?

Go_dot disse...

O que é um Thread? Confesso que hesitei quando escrevi a palavra, mas não encontrei na anemia do meu vocabulário nem na wiki_pt, nenhum termo que cubra o conteúdo da palavra original. Segundo a wikipedia : A group of linked messages posted on the Internet that share a common subject or theme.
Coisas de americanos estúpidos. Obrigado ‪Jimmy Wales e ‪Larry Sanger‬ ‬.

Ora bem, um “Thread” será portanto o fio da conversa (tema assunto) que se estava a debater, o qual o caro CdR já alegremente quebrou por três vezes.
Uma espécie de, baralha e torna a dar. Sempre com magnificas imagens, que são um prazer para os olhos e me tiram o sono, e acompanhadas de um vernáculo que me arrepia de saudades.

Adiante. Se bem me recordo o assunto era a indescritível estupidez do Santorum e da Fox News. “Tão estúpidos que nem dá para discutir.” Isto gerou um par de comentários: que talvez o CdR, devesse abrandar um pouco, o seu entusiasmo em relação à estupidez dos americanos.

Eu entre outros, pelo prazer do debate, apontei-lhe um par de pintelhices que me pareciam relevantes.
Debalde, o CdR, apesar da riqueza do seu luso vocabulário, não hesita em distribuir Goodwins* (Ui! Mais um termo que não sei em português) a torto e a direito, quando lhe põe as suas convicções em risco.
Compreendo que seja aborrecido não estar tudo de acordo consigo, mas é a vida.
Boa Pascoa.

* Mike Godwin. Mais um imbecil americano, não sei se fala pelo nariz, mas é provável. É Texano. Um pequeno comentário do imbecil:

"One of the difficulties we face now, and the cause of a backlash of fear of the medium, is the problem of pluralism. Most of us don't have to deal with the full range of opinions and ideas - from the inspiring to the obnoxious - that exist in the American landscape because the mainstream mass media filter them out. When you spend time on the Net, you discover that people are hungry to read and talk and that the political landscape is a lot richer than you ever thought it was.”

Carmo da Rosa disse...

Go_dot,

Isto é fantástico! O Rio acha que eu pretendo coisas que desconheço a existência e você diz que ando a quebrar ‘threads’! Pode saber-se como, quais e quando?

Go_dot disse: ”Coisas de americanos estúpidos.”

Você não consegue ser irónico sem ser cínico, é uma pena…
Sobre os americanos eu há quatro anos pensava realmente que eles eram burros, leia aqui:

http://fiel-inimigo.blogspot.com/2008/09/os-americanos-so-mesmo-burros.html

mas mudei gradualmente de opinião e hoje acho apenas chato eles falarem inglês pelo nariz. Mas os cubanos também falam castelhano pelo mesmo orifício e são bastante inteligentes – em Havana até mesmo as prostitutas têm um nível académico. Por isso, não há mais razão para afirmar que os americanos são burros e, por conseguinte, também não há mais razão para você me ‘dar o chá’…

Go_dot disse: ” Se bem me recordo o assunto era a indescritível estupidez do Santorum e da Fox News. “Tão estúpidos que nem dá para discutir.”

Em relação ao Santorum e à Fox peço desculpa mas não vou abrir uma excepção, não há nada a fazer: eram e continuam estúpidos. Ou então, para ser mais preciso, mentem tão descaradamente e distorcem factos de tal maneira, que talvez não seja só estupidez mas muita má fé à mistura…

Go_dot disse: ” apontei-lhe um par de pintelhices que me pareciam relevantes. Debalde, o CdR, apesar da riqueza do seu luso vocabulário, não hesita em distribuir Goodwins a torto e a direito, quando lhe põe as suas convicções em risco..”

Se com as suas pentelhices se refere ao facto de Rick Santorum se ter ‘enganado’, ao dizer que havia pulseiras com o texto “don’t eutanise me”, quando na realidade era o contrário, gostaria ainda de acrescentar três coisas em abono das minhas convicções.

A ser verdade (a afirmação de Rick Santorum) seria muitíssimo grave, quase inacreditável, e os informadores do senador deveriam ter tido o cuidado de verificar convenientemente antes de ele abrir a boca. Se o tivessem feito, rapidamente se dariam conta do disparate e procurariam outra baboseira canónica (menos espectacular) para chatear o Obama.

Depois da asneira dita e depois dos protestos de membros do parlamento holandês (Frans Timmermaans), Santorum tão pouco teve a delicadeza de pedir desculpa. Continuamos à espera – talvez depois das eleições…

Mas neste caso quem espera vai mesmo desesperar. Rick Santorum não vai pedir desculpa nenhuma porque se ‘enganou’ prepositadamente, ideologicamente…

O-Lidador disse...

Se bem percebi, o CdR é cobras e lagartos com o Santorum porque ele falou da eutanásia na Holanda, de um modo que o CdR acha errada. E é contra a Fox News porque "distorce", ao passo que parece acreditar na imaculada virgindade dos media que estão do outro lado do espectro ideológico.

E incensa o Obama porque sim, porque é o "chosen one".

E exige desculpas ao Santorum por causa de uma pulseiras.

Bem, e que tal exigi-las ao Obama por ter negociado e se preparar para negociar ainda mais, deixar a Europa, à mercê de mísseis balísticos vindos lá dos Lestes?
Ou por andar na converseta amigável com a Irmandade Muçulmana?

É que entre uma conversa de pulseiras e a cabeça a descoberto relativamente a misseis balisticos, a questão dos mísseis parece-me ligeiramente mais grave.

Mas se calhar sou eu que estou a ver mal.
Se calhar andei a ver a Fox News em vez da BBC...

É que entre uma

Carmo da Rosa disse...

Lidador,

passei para cima para poder colocar uma fotografia muito gira na minha resposta.

Go_dot disse...

...Com isto não quero de maneira nenhuma ganhar o debate, quero apenas tentar mostrar que com retórica tudo é possível.

Esclarecedor. Mas, na minha opinião está redondamente enganado.
Para citar mais um americano: “You can fool all the people some of the time, and some of the people all the time, but you cannot fool all the people all the time.
O fanhoso do Bob Dylan tem uma magnifica interpretação deste tema.

Quanto ao alegado cinismo, é como dizem os holandeses:

“Elk vogeltje zingt zoals het gebekt is.” .

Ou seja. Cada pássaro tem a sua lábia.

Carmo da Rosa disse...

Go_dot disse: ”Esclarecedor. Mas, na minha opinião está redondamente enganado…”

Estarei?

Dou-lhe um link onde passei horas a defender os americanos contra os seus detractores, os que realmente acham que eles são estúpidos. Tudo provado com estatísticas que igualmente me deram uma trabalheira filha-da-puta para as encontrar na net, e você, disto tudo, apenas retirou este meu desabafo à ML:

Com isto não quero de maneira nenhuma ganhar o debate, quero apenas tentar mostrar que com retórica tudo é possível.

Não estará desta forma a correr o risco que eu possa pensar que você, há força de tantas vezes ver a Fox News, esteja inconscientemente a copiar-lhes os métodos? Nomeadamente o da citação parcial…

Você poderia ter alegado que realmente eu defendi com vigor os americanos, mas isso data de há 4 anos, e em quatro anos muita coisa pode acontecer… Poderia entretanto ter sucumbido aos charmes do SP (Bloco de Esquerda holandês)! Poderia, depois da minha recente viagem a Marrocos, ter virado muçulmano! O que explicaria melhor a minha predilecção pelo “chosen one” Barack Obama…

Tá ver, uma coisa assim do género… Tudo menos citação MUITO parcial…

Go_dot disse...

Precisamente o desabafo para com a ML, pareceu-me bem esclarecedor da maneira que o CdR tem abordado este assunto.

Reage só ao que lhe interessa, mistura alhos com bugalhos, condimenta, com muita picardia e de passagem, vai distribuindo etiquetas, a torto e a direito, como é que os outros deviam ou não observar os assuntos que o
CdR considera, deter, não só o fio-de-prumo, mas também o parecer final.
Se isso lhe dá gozo por mim esteja à vontade.

Não estará desta forma a correr o risco que eu possa pensar que você...

Ora essa CdR. Mais uma vez. Pense o que lhe der na realíssima gana. Para mim a liberdade de expressão, só não é sagrada porque não sou crente. Mas olhe que anda lá perto. Pense o que quiser, escreva o que lhe apetecer, ofenda quem não lhe não lhe cair no goto. Desde que não me atice os cães, ou a matilha dos gajos que sabem melhor do que eu, o que é bom para mim, está tudo bem.

Divirta-se, aproveite o tal Laureano enquanto dura.

Carmo da Rosa disse...

Go_dot disse: ”Reage só ao que lhe interessa, mistura alhos com bugalhos,…”

Depende com quem estou a discutir. Quando debato com esquerdistas declarados, escrevo precisamente da mesma maneira e o meu caro amigo é só elogios! Por isso, é só esperar que apareça um a jeito, tenho a certeza que a sua opinião sobre os meus comentários vai melhorar…

Obrigadinho por me ter falado do Laureano, já me tinha esquecido que só restam três garrafas, vou ter que ir outra vez ao escocês…

Go_dot disse...

Aqui, o CdR, é capaz de ter razão. Apanhou-me desprevenido.
Não estava habituado, a ver os gajos da casa a partir a mobília.
Vou tentar estar mais atento.

Carmo da Rosa disse...

Comentadores do mundo inteiro, partam a mobília, para que as IKEA's do mundo inteiro voltem aos dias de antes da crise...