Depois da visita da
rainha Beatriz de abaya e véu às mesquitas de Abu Dhabi e de Oman, gerou-se uma
crise governamental à volta de um twit de Geert Wilders, onde ele dizia que
"isto não era uma contribuição para a emancipação da mulher em países
muçulmanos." A rainha, que normalmente não pode responder – isso está a
cargo do Primeiro-Ministro -, desta vez não se pode conter e, quebrando a constitucionalmente exigida neutralidade, e fazendo claramente parte da campanha anti-Wilders, afirmou perante
jornalistas holandeses “que é um disparate dizer que o véu islâmico oprime a mulher”.
E disse mais, “vejam a quantidade de mulheres aqui [em Oman – cdr] a
trabalhar.”
O país ficou imediatamente dividido em dois
campos: pró e contra a monarquia, polémica nos jornais, entrevistas e debates
na TV e os partidos a tentar tirar partido da situação…
Afshin Ellian, um refugiado político persa que
é actualmente professor de Coesão Social, Cidadania e Multiculturalismo na universidade de Leiden, publicou o
seguinte:
A visita da rainha Beatriz à mesquita foi uma
provocação. Não me compreendam mal: eu sou um adepto da
família real e é por isso que estou preocupadíssimo com a atitude da rainha. Uma vista de olhos nesta notícia:
“A rainha Beatriz, o príncipe Willem-Alexander
e a princesa Máxima visitam no Domingo a Mesquita Cheik Zayed bin Sultan Al
Nahayan no emirato árabe Abu-Dhabi. Durante a visita a rainha Beatriz e a
princesa Máxima estarão cobertas dos pés à cabeça como mandam os preceitos
muçulmanos.”
Abaya
A rainha ia vestida de abaya! Todas as
mulheres árabes na região do Golfo, e sobretudo na Arábia Saudita, são
obrigadas a vestir uma abaya. A pergunta que se coloca imediatamente é, obrigar as mulheres a vestir uma abaya e um véu para cobrir a cabeça pode ou não ser interpretado como um símbolo da opressão da mulher?
Temo que sim. Caso contrário teriam dado às
mulheres o direito de elas próprias escolherem a maneira de como se vestir.
O que é que a rainha pensa disto? Não consigo
imaginar que ela pense de outra forma.
Será que a rainha está de acordo que as mulheres sejam obrigadas a
vestir uma abaya, véu e luvas no calor sufocante das Arábias? Não, não creio. A
rainha Beatriz é uma mulher moderna e emancipada.
Em Roma sê romano
Um jornalista com razão lança a pergunta: “Mas
o que é que a rainha e a princesa deveriam ter feito nesta situação? Numa
visita ao estrangeiro a regra é: em Roma sê romano. E Wilders sabe isso muito
bem.” Será que havia outra opção? Sim, uma opção
muito simples: não era preciso ir à mesquita. Não acredito que o Sultão tenha
proposto à rainha Beatriz uma visita à mesquita. Será que a ideia partiu da
rainha?
O interesse dos empresários
Nós certamente julgamos que uma visita à
mesquita vai possivelmente facultar mais contratos para as empresas holandesas.
Quem isto afirma, desconhece os milionários árabes. Eu conheço-os bem. Vão
muito raramente à mesquita. Sabem onde os podemos encontrar? Em bares,
discotecas e outros locais muito ocidentais. Eles apenas querem ganhar
dinheiro. Nem mais nem menos. E é precisamente por isso que o Irão e a Al Qaida
consideram estes regimes [Emiratos Árabes – cdr] como sendo infiéis.
Contratos de milhões
Caro leitor, você acha realmente que um
milionário árabe vai assinar um contrato de milhões com o porto de Roterdão
porque a rainha visitou a mesquita vestida de abaya e de véu? Se esta teoria
fosse correcta, toda a gente iria voluntariamente à mesquita! Não nos iludamos,
os dirigentes árabes não pediram à rainha para ela visitar a mesquita. Isso foi
proposto pela Casa Real, ou por certos círculos próximos do Ministério dos Negócios
Estrangeiros. Eles é que gostam de visitar mesquitas. Fantástico, que o façam
durante o tempo livre, para isso existe o conceito férias, mas não dissimulado
numa visita formal do Chefe de Estado.
Provocar
Mas então, porque razão a rainha o fez? Para
provocar. A visita a uma mesquita num país longínquo era um sinal dirigido à
política interna [faz parte da campanha contra Wilders – cdr]. O círculo
restrito da rainha foi quem engendrou esta provocação. E por causa desta
provocação o Chefe de Estado é agora tema para todo o tipo de troça – tal como
a ‘persiflage’ que foi feita pela Lucky TV.
O que é que ganharam com isso? Nada. Não exageremos a parte informal de uma visita estatal deste tipo. Não
tomemos os dirigentes e milionários árabes como pessoas emocionalmente débeis.
Eles são em primeiro lugar homens de negócio, e se eles vêm oportunidades
lucrativas ou geopolíticas, estarão certamente interessados em nos contactar.
Mas para isso não é preciso a presença da rainha Beatriz. A rainha, devido à
sua posição, pode eventualmente facilitar os contactos. Mas contactos não são
contratos, para isso é necessário haver razões económicas imperativas de ambos
os lados.
Hilversum [cidade de onde se emite e se fazem
os programas da TV-holandesa – cdr]
A comitiva real que fabricou esta provocação,
são os mesmos que endoutrinam a população a partir de Hilversum. Como se os
árabes, sem esta provocação, não estariam dispostos a assinar contratos com as
empresas holandesas! As vezes julgo que os nossos regentes pensam que os seus
súbditos são todos estúpidos.
A monarquia tem que ser protegida contra a
corte e os amigos da rainha. É estranho ver a rainha como Chefe de Estado
constantemente a exigir tolerância e respeito pelos direitos humanos ao povo
holandês, enquanto que ela está disposta a honrar os mais desprezíveis símbolos
e países.
12 comentários:
Bons tempos em que a critica religiosa era um passatempo de esquerda.
Caro CdR, por falar em sociedades livres, isto talvez lhe interesse: O serviço secreto alemão, está a desenvolver activamente trabalho para conter a critica ao islão. www.stonegateinstitute.org...
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Mais non, n'est pas possible,
they are so many.
É uma Europa de cócoras ao Islão que na própria Europa vive do dinheiro dos nossos impostos, não deixa as raparigas irem à escola, viola as nossas jovens, impede os carteiros de distribuir correspondência, não deixa actuar os bombeiros nos seus guetos que só lá entram com a polícia e remete para a reclusão (na própria Europa) os homens que escrevem coisas que ele não gosta.
O verdadeiro teste a esta rainha, era convidá-la para visitar, por exemplo, a comunidade haredim de Jerusalém, e pedir-lhe que se comportasse segundo o estatuto que esta variante do judaismo ortodoxo, reserva às mulheres.
Seria capaz de apostar, dobrado conra singelo, que recusaria indignadamente. ( e bem, digo eu)
Porquê?
POrque o credo multiculturalista só é fashion relativamente a certas culturas.
Aquelas culturas que a esquerda pós marxista identifica como "oprimidos", "explorados" e "injustiçados"
No fundo esta rainha é apenas o resultado de uma paulatina doutrinação que nos leva a odiar o que somos e a babar-nos de "respeito" e admiração pelas mais anedótias aberrações de certas culturas seleccionadas.
Se com essa comparação genial pretende provar que o sionismo é abjecto, estou consigo. E digo mais, abjecto, genocida e algo primitivo, nos entretantos.
Não é difícil encontrar em Israel um paralelo com os macacos fardados americanos que urinam em prisioneiros ou em mortos.
É naturalmente uma evidência da superioridade moral das democracias ocidentais. Está a tombar, Gonçalo Mendes, está a tombar…
Não vejo onde está o problema. Se a Rainha estava de visita a um país muçulmanos, como é óbvio devia entrar na mesquita coberta, assim como se entra nos templos japoneses (e nas mesquitas também, já agora) descalço, ou como o Papa Bento XVI entrou em sinagogas de kippah. Ainda por cima, numa visita oficial, a última coisa que se espera é que um monarca desrespeite os locais.
Discordo CdR, sionismo e anti-semitismo são abjectos e imbecis em partes iguais. Aliás a História coloca-os lado a lado com os nazis.
Quanto às estratégias de terror em conflitos, que referiu, muito haveria a ser dito. Em algumas terá a sua razão, outras não. Neste caso, na minha opinião, há uma profunda diferença entre uma estratégia psicológica de terror e uma postura moral que oscila entre o bárbaro, o ébrio e o amacacado. De qualquer forma, conforme as conveniências, os americanos fazem-no com enorme tranquilidade, desde a destruição dos índios que têm vindo a adquirir um assinalável fair play nas formas de matar. Aplicam-nas em "povos inferiores" com uma criatividade semelhante à do III Reich.
Epá, CdR, uma outra coisa.
Já ando há algum tempo para lhe dizer isto.
Ficou uma questão por responder quando trocámos ideias sobre a prática desportiva com utilização de instrumentos de pancada. Quando lhe disse que não tinha um cotovelo à altura do meu jeito para o ténis estava a falar-lhe de epicondilite precoce. Nada mais.
Queria esclarecer-lhe isto antes que o Rio D'Oiro acorde e comece já a cortar a torto e a direito.
Quer dizer que os sionistas negociaram com os nazis a administração do território da Palestina, por exemplo, e venderam uns judeus para o extermínio, enfim, coisa pouca.
Lá vem você com esta visão maniqueísta da sociedade com os americanos bons de um lado e as civilizações inferiores do outro…
Ouça, CdR, mas que guarda-costas? Isto é gente que fez guerra de ocupação e agressão por este mundo fora, que experimentou e utilizou todas as formas possíveis e imaginárias de matar, desde o nuclear à guerra química e biológica. Você diz que tudo se justifica por estarem a defender o mundo dos maus e dos bárbaros. Eu digo-lhe que as sucessivas guerras foram e são fundamentais para manter o nível de vida que ostenta o Sonho Americano e o seu franchising pelo mundo.
Como referi num delicioso post (sim, alguma presunção) que o khmer vermelho Rio D'oiro diligentemente apagou, o Sonho Americano gasta 40 litros aos 100, é preciso estar sempre a dar-lhe gás…
De forma que se me pergunta se esta é a civilização que gostaria de ver colonizar o planeta, digo-lhe já que não.
Mas não estou grandemente preocupado porque não creio sequer que tal seja possível. O que lamento são os banhos de sangue dos entretantos. Mas como a morte é de seres inferiores ninguém se preocupa muito com isso. Será a limpeza necessária, segundo O Lidador, para garantir vida longa ao Novo Mundo.
Mas sabe, aquilo do Novo Mundo é de facto gente muito novinha, e gente muito novinha e com pouca cabeça mas com muitas armas na mão normalmente dá mau resultado.
Sabe que há quem diga que se pode avaliar o grau de desenvolvimento de uma civilização pelos seus heróis: ora do Rambo ao GI Joe está tudo dito.
Hasta la vista.
PS (E olhe que essa tese de que os americanos ajudaram à derrota dos nazis só dá mesmo no Saving Private Ryan ou no D-Day…)
Ouça, epicondilite é o termo médico para a inflamação específica na zona do cotovelo. Precoce só porque – sendo comum em tenistas – apareceu muito antes do que estava à espera.
O maior tenista de todos os tempos era o Edberg. :)
Moralismo? Não encontra moralismo em nenhuma das afirmações que por aqui fui deixando.
Ao contrário, a sua tese supõe a inevitável inferioridade de todas as culturas não-atlantistas. A começar pelo elementar facto de achar normal que o nível de vida que tanto gaba esteja suportado no sub-desenvolvimento de milhares de milhões de pessoas. As que têm de se privar de condições básicas de vida para que outros vivam à grande e à americana.
Claro que depois distribui-se uns sacos de farinha aos pretinhos de África e fica tudo na paz do senhor. É sempre a ideologia de quem está do lado de cá do saco de farinha.
Como não falta dinheiro, chega de sobra para pagar a canalha, as petromonarquias e os esquadrões da morte para manter os pobres na ordem e o petróleo a rolar.
A perpetuação desta ordem é algo que considero, digamos… bárbaro. Pode ter a certeza que o meu rabo não gosta de seringas mas se é de rótulos que anda à procura dificilmente há-de entender o meu ponto de vista. E considero aliás este género de rotulagem um exercício algo tribal que não me encanta nada.
Goste ou não, porque me parece que você sabe mais do que um adolescente pasmado com o hollywood de domingo à tarde na SIC, saberá que quem derrotou o nazismo foi o comunismo soviético.
E pode perorar sobre a influência soviética no centro da Europa e tal mas não imputará nunca aos soviéticos nada que se assemelhe aos milhões de mortos que os americanos enterraram em guerras de agressão e ocupação de países soberanos.
E note, a mim nem sequer me incomoda a questão da violência, é inevitável em qualquer transformação com significado. Agora a violência para perpetuar uma ordem anti-humana é que não… e é nessa ordem em que se insere, mesmo que ache que o salário que ganha vale a pena o sacrifício. Olhe, o meu nem isso.
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