segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

CURSOS PROFISSIONAIS, para quem não quer ser doutor...


  Até no Brasil (São Salvador da Bahia) há cursos profissionais...

Rio, a isto sou obrigado porque o post onde esta discussão teve origem há 5 dias, já foi ultrapassado por DEZASSEIS artigos! Já nem há respeito pelos dias de descanso, já nem sequer há descanso no dia do Senhor… Tudo malta que não vai à missa, não dá a mínima atenção à mulher e, mais grave ainda, nota-se que não seguem o Australian Open…

Rio disse: "enjaular" criaturas em salas contra a sua vontade para nada aprenderem e tentarem que os outros nada aprendam é, no mínimo, idiota e talvez mesmo criminoso.”  

Não digo que isto não possa ser verdade, o que digo é que não pode ser afirmado a seco, sem primeiro provar (minimamente e dentro das nossas possibilidades) que não há alternativas. E você responde que “não há cursos técnicos, não há dinheiro para pagar equipamentos para cursos técnicos,”

Tenho uma visão frouxa de Portugal, mas creio que as Caldas da Rainha fazem parte do território nacional, onde há uns anos atrás dei cursos de verão (fotografia) no ESTGAD (Escola Superior de Tecnologia, Gestão, Arte e Design) por exemplo. Sei também que existe uma Escola de Hotelaria e Turismo no Porto a funcionar desde 1969. A Escola Comercial e Industrial de Vila Nova de Gaia, onde eu andei, ainda hoje existe…

Haverá escolas profissionais suficientes? Não sei.

Será que o nosso ensino, em detrimento do ensino profissional, é demasiadamente canalizado para a formação de  doutores, com a cumplicidade dos encarregados de educação, que querem à viva força que os filhos tenham um canudo para um ‘trabalho limpinho’ e não sejam cozinheiros ou mecânicos?

Desconfio que sim, mas não tenho a certeza.

Não havendo uma explicação convincente, apoiada em números, para estas perguntas a acompanhar a afirmação: “o triplo desastre que resultará da extensão da escolaridade obrigatória até aos 18 anos de idade”, por muito verdadeira que ela seja, vai ser percebida como mais uma boca como tantas outras! Induzindo naturalmente os comentadores a fazer o mesmo: a responder com bocas sem qualquer tipo de argumentação. E o espaço deixado vago pelos argumentos vai ser rapidamente preenchido com insultos…

Se é isso que se pretende, muito bem, já não está aqui quem falou (eu até sou bastante bom a insultar)… Mas se a intenção é outra: estimular a discussão, informar, trocar ideias com outros, então é preferível não postar 197 artigos com apenas uma frase e três links, mas só 37, com argumentos e dados compreensíveis para a maioria. Assim até ficam os postes mais espaçados, dando mais tempo para que toda a gente possa ler e reagir sem deixar de ir à missa ao Domingo. Quantidade não significa qualidade, além disso a CIA, como você sabe, não nos paga por post, mas sim pelo peso e clareza dos argumentos…

P.S. E a Mossad manda dizer que um pouco mais de humor, judeu ou outro, também não faria mal nenhum, até faria subir a mesada...

23 comentários:

RioD'oiro disse...

CdR:

"Tenho uma visão frouxa de Portugal,"

A formação profissional em Portugal existe. É um curiosidade de feira de quinquilharia.

Carmo da Rosa disse...

Rio,

Quer dizer, estive eu uma hora e meia a matutar, para depois perder mais meia-hora a escrever este texto, colocando ao mesmo tempo a minha melhor fotografia sobre este tema, para você responder com outra boca?

O que vale é que tenho vinho em casa!

RioD'oiro disse...

Caro Carmo da Rosa,

Não vale a pena confabular castelos sobre alicerces de farófia.

Não há formação profissional com um mínimo de consistência e abrangência territorial em Portugal. Quer quer mais que lhe diga? Aliás, o próprio ensino clássico está, há muito, de pantanas.

RioD'oiro disse...

CdR,

Eu dou-lhe uma dica.

Ao incipiente ensino profissional existente chega gente com o 9º ano feito (antigo 5º ano) para sair com o 12º. Quando essa malta está no último ano (12º) ainda não sabem ler, não sabem escrever e é incapaz de dividir, de cabeça, 20 por 2.

Pense um pouco nisto e tente o nível de disparate e irrealismo a que se chegou.

Se seguir este link tem informação e pano para mangas para as suas preocupações: http://fiel-inimigo.blogspot.com/2012/01/profblogue.html.

A discussão existe mas, desculpe que lhe diga, o Carmo da Rosa anda distraído.

Carmo da Rosa disse...

Rio,

Você, começou por dizer que “Não há cursos técnicos, não há dinheiro para pagar equipamentos para cursos técnicos”, para depois dizer que “A formação profissional em Portugal existe. É uma curiosidade de feira de quinquilharia.” E agora conclui que “Não há formação profissional com um mínimo de consistência e abrangência territorial em Portugal.”

Estas afirmações não são muito consistentes e prestam a alguma confusão, mas eu percebo a ideia e quero evitar uma discussão semântica. Porque o busílis da questão, da SUA questão, é saber o que fazer com esta rapaziada até aos 18 anos!

No seu link alguém diz e estou absolutamente de acordo que:

”O aluno não consegue aprender a ler? Não gosta de estudar? É incapaz de aprender matemática? Terá que ter uma saída. Mas que sirva para ele. Arrastá-lo anos e anos em aulas que nunca percebe, 'obrigando' professores a 'despachá-lo para cima' porque não podem remetê-lo para trás não vale a pena. Não serve a ninguém muito menos ao próprio aluno.”

Muito bem, mas diz mais:

O ensino profissional não pode ser o caixote de lixo dos desvios sociológicos do próprio sistema.

Aqui o seu link confirma implicitamente a existência de um ensino profissional – sem dizer se é bom ou mau!

Mas se eles no ensino clássico não aprendem a ler e a escrever, e se a formação profissional não existe ou não é abrangente, e como “as empresas rastejam para se aguentar” (a frase é sua), também não vão poder empregar estes jovens.

Então, partindo do princípio que a situação é tão dramática como foi aqui esboçada, só vejo duas saídas: a rapaziada aguenta a penada até aos 18 anos na escola, pelo menos sabe-se onde estão, ou pira-se para França, como eu fiz.

Ou haverá mais opções que a minha distracção natural não me deixa ver?

RioD'oiro disse...

CdR:

"Estas afirmações não são muito consistentes e prestam a alguma confusão, mas eu percebo a ideia e quero evitar uma discussão semântica. Porque o busílis da questão, da SUA questão, é saber o que fazer com esta rapaziada até aos 18 anos!"

São além de consistentes, auto-explicativas.

"Aqui o seu link confirma implicitamente a existência de um ensino profissional – sem dizer se é bom ou mau!"

Existe ensino profissional, incipiente, ajarvardado, raro e que serve, basicamente, para evitar que uns quantos bezerros andem a roubar ... muito. Mais, sem equipamento.

O ensino profissional exige equipamento que não existe nem há dinheiro para ser comprado. E mais, nas mãos dos bezerros em causa duraria uma semana.

Sei de uma escola onde, com esforço, instalaram numa sala uma instalação eléctrica caseira para ensinar os bezerros a arte da mecânica da electricidade (só a mecânica). Numa semana os alunos roubaram o cobre.

O kaos é total e as escolas, profissionais ou não, são terra de ninguém.

"também não vão poder empregar estes jovens."

Nem esses nem nenhuns. Por isso se está à beira do precipício

"Então, partindo do princípio que a situação é tão dramática como foi aqui esboçada, só vejo duas saídas: a rapaziada aguenta a penada até aos 18 anos na escola,"

Tal só é possível em celas individualizadas.

"pelo menos sabe-se onde estão, ou pira-se para França, como eu fiz."

E há franceses que os aturem?

"Ou haverá mais opções que a minha distracção natural não me deixa ver?"

A situação é de descalabro. Toda ela é de descalabro, no ensino é de terramoto.

Se o Carmo da Rosa se der mais ao trabalho de seguir os links em particular para os blogs de professores (como o ProfBlog) poderá, com o tempo, perceber não só o descalabro que é o ensino em geral e o exíguo-profissional em particular como ainda a parvoeira socialista que grassa entre professores.

Já agora, existe ainda ensino profissional para adultos, também bastante incipiente, mas menos mau que para bezerros, mas para adultos (mesmo) é outra história porque, pelo menos, não há indisciplina = conseguem dar-se aulas.

RioD'oiro disse...

"pelo menos sabe-se onde estão, ou pira-se para França, como eu fiz."

Caro Carmo da Rosa.

A rapaziada do alter-profissional-bezerroide chega às aulas quando lhe apetece, vai à casa de banho 2 vezes por hora porque "tem que ser", goza os intervalos das aulas pelo triplo da duração, perde os livros, deita fora os cadernos, apresenta-se na sala apenas com A Bola debaixo do braço, não trás caneta, só discute futebol, entrega testes em branco ... e o estado, até ontem, não queria ouvir falar em chumbos.

Em boa verdade, como eu já afirmei várias vezes, se eles fizessem um exame de 4ª classe (nem falo da antiga 4ª classe) chumbaria metade, se fizesse de 6º ano chumbaria 80% e nenhum seria aprovado num exame de 9º ano. Esta malta é enfiada em turmas de 12º ano. Se eles chumbassem por não saber sequer 20% da matéria, ficariam eternamente a tentar acabar o 12º ano que, no ensino profissional, é um simulacro de 12º ano.

Não é possível sair-se daqui sem que se comece, finalmente, a dar aulas desde a 1ª classe e sem que os alunos se habituem que a escola não é uma extensão das suas relações de vizinhança de bairro.

Volto a afirmar que se o Carmo da Rosa pretende perceber algo a distância sobre o ensino em Portugal terá que ter muito mais trabalho do que ler o corpo dos artigos no Fiel Inimigo. Terá que seguir os links e ler as discussões nos artigos dos links. Ora, o Carmo não gosta de seguir links.

Já agora relembro que o que acabo de afirmar foi repetidamente afirmado em múltiplos artigos ao longo de anos e em milhentos comentários. Eu percebo que o que eu afirmava lhe poderia parecer inverosímil e, naturalmente, ir parar aos neurónios de reciclagem. O problema é que o que eu afirmava era verdade e essa informação, aparentemente, no que lhe diz respeito, perdeu-se.

RioD'oiro disse...

Já agora, mais uma história.

Numa escola não profissional aqui do burgo, os alunos habituaram-se a apalpar as professoras nos corredores. As participações não davam em nada porque era a palavra de vários alunos contra a professora. Neste ensino socialista a palavra de um aluno vale tanto quanto a de uma professora. Sendo vários alunos a desmentir a professora (declarando que nada se passou) tanto pior.

Um dia apalparam as mamas a uma professora grávida e ela devolveu uma chapada. A professora ia sendo despedida. Foi suspensa, acabou por ficar de baixa, por pouco não perdia o bébé, e ia sendo despedida.

Veja se percebe agora porque aparece este artigo:

http://www.profblog.org/2012/01/politicos-ingleses-querem-castigos.html

.

RioD'oiro disse...

Uma das coisas pelas quais o Carmo da Rosa peca é por ser, aparentemente, avesso a processar os sinais.

Quando uma coisa acontece, mesmo que potencialmente, faz sentido especular-se sobre as prováveis implicações, efeitos secundários, motivações, o que se quiser.

Este exercício de especulação aplicado apenas a um caso não serve de nada mas, com o tempo, aparecem, digamos 'médias' que têm significado. Evidentemente que para que o significado se revele tem que se ter trabalho, digerir informação dispersa e indirecta, matutar e tirar conclusões.

Quando eu leio um artigo de reflexão de alguém de quem nada mais li não tiro dali grande significado. Mas o que leio, subsequentemente, do mesmo autor tem o peso do que li antes. Não é necessário que um artigo tenha a integridade de um ovo para que se perceba o que vai no comboio. Os blogs têm essa vantagem mas têm que se seguir links, manter o contacto com os assuntos porque, e em particular no caso do ensino, a tramóia é gigantesca e tem sido bem urdida.

Carmo da Rosa disse...

Rio disse: ”São além de consistentes, auto-explicativas.”

Já tinha notado que dar o braço a torcer não é o seu forte! Se eu disser que na Holanda não há petróleo, para numa fase ulterior da discussão dizer que afinal há, mas é de má qualidade, isto não é um exemplo de consistência argumentativa. Não é na Holanda, na Europa, na China – bem em Portugal já não tenho bem a certeza…

Rio disse: ”Existe ensino profissional, incipiente, ajarvardado, raro e que serve, basicamente, para evitar que uns quantos bezerros andem a roubar ... muito. Mais, sem equipamento..”

Você não menciona o nome das escolas, número de escolas e mais assim uns dados que comprovem o que está a dizer. Mas seja, eu acredito perfeitamente que seja verdade e que grosso modo a situação seja esta. Mas a questão, repito, a SUA questão, é saber onde a rapaziada até aos 18 anos vai causar mais estragos:

no ensino clássico, onde já provou não ter jeito nem vontade; no ensino profissional que segundo você é muito mau e não tem equipamento, mas onde alguns deles (não todos!), já que não sabem usar uma caneta podem aprender a usar uma chave-de-fendas; o restante, que nem caneta nem martelo sabem utilizar podem emigrar, e no estrangeiro, longe da mamã e do papá, vão ser obrigados a fazer pela vida.

Rio disse: ”E há franceses que os aturem?”

Agora já não há. Antigamente ainda havia franceses de esquerda sempre prontos a aturar estrangeiros. Mas esses agora não têm mãos a medir com os muçulmanos…

Rio disse: ” Sei de uma escola onde, com esforço, instalaram numa sala uma instalação eléctrica caseira para ensinar os bezerros a arte da mecânica da electricidade (só a mecânica). Numa semana os alunos roubaram o cobre...”

Ora aqui está o que é! Isto, com mais uns dados, o nome da escola e já agora do director, mais uma anedota ilustrativa e temos aqui um excelente post que toda a gente percebe (até eu). Um link para o site da escola e outro eventualmente para o site da PORTDATA com números a apoiar a coisa, chega e sobra.

Rio disse: ”Se o Carmo da Rosa se der mais ao trabalho de seguir os links em particular para os blogs de professores?”

Para que serve então o FIEL? Só para chamar estúpidos aos gajos de esquerda?

Continua.....

Carmo da Rosa disse...

Rio disse: ” A rapaziada do alter-profissional-bezerroide chega às aulas quando lhe apetece, vai à casa de banho 2 vezes por hora…….”

Mais um excelente post. Este nem precisa de links. O poder descritivo é suficientemente convincente. Depois a discussão vai se centrar no que fazer com esta gangada…

Rio disse: ”Em boa verdade, como eu já afirmei várias vezes, se eles fizessem um exame de 4ª classe (nem falo da antiga 4ª classe) chumbaria metade,……”

Mais. Disto é que eu gosto. Mas se fizer um post sobre este aspecto, convém dar-se ao trabalho de provar isto com meia dúzia de números ou estudos já existentes. Eu acredito em si, mas a minha opinião é suspeita por três razões: faço parte do blog, sou da corda e ainda tive a sorte de ter feito a antiga 4a classe.

Rio disse: ”se o Carmo da Rosa pretende perceber algo a distância sobre o ensino em Portugal terá que ter muito mais trabalho do que ler o corpo dos artigos no Fiel Inimigo”

Não senhora, acabei agora mesmo de descobrir um método mais simples: provocar o RioD’oiro e ele espontaneamente enche a caixa de comentários com informação muito mais viva e interessante que o corpo dos artigos e os links todos juntos… J

Rio disse: ” Numa escola não profissional aqui do burgo, os alunos habituaram-se a apalpar as professoras nos corredores. (…) ”

Lá está. Se a professora fosse cigana ou muçulmana com véu, os familiares dela iam à escola e espetavam umas facadas nos gandulos e eles nunca mais voltavam a repetir a cena…

Rio disse: ” Uma das coisas pelas quais o Carmo da Rosa peca é por ser, aparentemente, avesso a processar os sinais.”

HUUUUUUM, sou avesso a quê? É capaz de me trocar isso em miúdos?

E os outros dois parágrafos, sinto muito mas também não percebi o que quis dizer-me!

RioD'oiro disse...

Caro carmo,

"Você não menciona o nome das escolas,"

Quer também uma listagem com os nomes, moradas e nºs de telefone de todos os alunos que passaram por essas escolas nos últimos 50 anos?

Mas qual nome das escolas qual carapuça. Ninguém hoje em Portugal nega que o ensino é uma catástrofe. A única coisa que anda se discute é se a culpa é de Bush ou da Mossad ou da falta de dinheiro que os especuladores roubaram.

Essa discussão teve lugar há uns anos.

RioD'oiro disse...

CdR:

" o restante, que nem caneta nem martelo sabem utilizar podem emigrar, e no estrangeiro, longe da mamã e do papá, vão ser obrigados a fazer pela vida."

Mas você está convencido que eles alguma vez na vida levantarão ferro? Só se forem deportados em alternativa a serem arrecadados.

"e já agora do director,"

Mas o Carmo está convencido que o director manda na escola? A escola é terra de ninguém. Ninguém manda nem pode mandar.

"Mas se fizer um post sobre este aspecto, convém dar-se ao trabalho de provar isto com meia dúzia de números ou estudos já existentes."

Mas o que pensa o Carmo que é Portugal? Não há uma estatística que não seja positiva embora entre pelos olhos dentro que está tudo de pantanas. Não conseguiu ainda perceber que em Portugal tudo é fachada?

Resumindo. O Carmo não lê os artigos, não lê os comentários, não visita os links, não segue as discussões nesses links e quer, à viva força ser convencido com uma tal estatística, o nome dos directores e o nome das escolas?

Acha que eu tenho pachorra para estar repetir tudo o que afirmei ao longo de anos, que o Carmo ignorou e que já apenas o Carmo põe em causa?

Venha a Portugal, apresente-se, por exemplo, num centro de formação do IEFP, dê aulas (tente, pelo menos) e ficará a saber. Quando numa reunião lhe perguntarem se não é possível dar positiva a um aluno que não se dignou a responder, num teste, a uma única pergunta, quero ver que estatística lhe acudará.

RioD'oiro disse...

... um dos cursos de grande "sucesso" no IEFP dá pelo nome (de memória) de informática para jardinagem. Nem imagina os excelente profissionais que de lá saem ... mas todos vão parar à estatística como casos de sucesso.

RioD'oiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
RioD'oiro disse...

Além do ProfBlog tem ainda este grupo do FaceBook:

http://www.facebook.com/ramiromarques2

Carmo da Rosa disse...

Rio disse: ”Quer também uma listagem com os nomes, moradas e nºs de telefone de todos os alunos que passaram por essas escolas nos últimos 50 anos?”

Só das alunas!

Mas eu, aqui a 2200 km de distância, quando você inicialmente afirmou que não existe formação profissional em Portugal, fui capaz de lhe dar três nomes e tipos de escola. A saber: A ESTGAD, onde dei aulas de fotografia durante dois verões; a Escola Comercial e Industrial de Vila Nova de Gaia, onde andei; e a Escola de Hotelaria e Turismo do Porto. É possível dar nomes…

Outro exemplo.

Eu sempre tive a impressão que em Portugal há mais farmácias que na Holanda. Mas uma coisa é a nossa IMPRESSÃO, outra coisa é a IMPRESSÃO de outrem e ainda temos a realidade. Três coisas completamente diferentes. Ora, quando eu escrevi há tempos este post:

http://fiel-inimigo.blogspot.com/2012/01/vender-doencas.html

tive que me dar ao trabalho de arranjar números - na Holanda e em Portugal (na Portdata, excelente Centro de Dados Estatísticos de António Barreto) – para provar que a minha IMPRESSÃO afinal corresponde à realidade:

que os 10.561.614 habitantes de Portugal contam com 2879 farmácias registadas, ou seja 2,7 por 10.000 habitantes. Na Holanda, com 16.612.213 de habitantes existem 1980 farmácias: 1,1 por cada 10.000 habitantes.

Sem isto, a minha impressão não passa de uma boca contra outra boca…

Outro exemplo.

Rio disse: ” se eles fizessem um exame de 4ª classe (nem falo da antiga 4ª classe) chumbaria metade,”

Esta afirmação sem estar apoiada num mínimo de dados é apenas a sua IMPRESSÃO. Também é a minha. Mas já vi muito boa gente no Arrastão ou no Jugular (!), afirmar precisamente o contrário, e a coisa estava bem escrita e parecia tudo muito lógico. É claro que eles não diziam que o ensino em Portugal é o melhor da Europa, mas afirmavam que o ensino antigamente não era melhor e que isso não passa de uma ideia romântica…

Sem o apoio de dados é a sua (e a minha) impressão contra a deles! E a deles até estava mais bem escrita e estava acompanhada de uma bela ilustração – coisa que você, já sei, não dá importância nenhuma, mas a realidade do mundo moderno é outra: o lay-out das etiquetas das garrafas de vinho é minuciosamente estudada. E é se quer vender mais litros de tinto que o vizinho.

Lembra-se ainda da discussão sobre as Universidades Americanas versus Portuguesas com a ML ?

http://fiel-inimigo.blogspot.com/2008/09/os-americanos-so-mesmo-burros.html

Que afirmava que as universidades portuguesas (ou algumas) eram melhor que as americanas - e tudo muito bem escrito. Tive na altura que me dar ao trabalho de encontrar rankings de universidades do mundo inteiro. Tive que contar os prémios Nobel. Outra maneira não há. Dá um pouco de trabalho, é verdade, mas qual é o problema, ninguém é obrigado a publicar cinco artigos por dia – um bom por semana chega e sobra…

Rio disse: ”O Carmo não lê os artigos, não lê os comentários,….”

Só não leio o que não percebo, o que é confuso e críptico! Até leio demasiadamente bem, meticulosamente bem. Esse é que é o problema, e depois, quando não percebo algo tenho lata para perguntar. Seja a quem for. Coisa que a maioria não tem, quando não percebem fazem de conta, têm medo de passar por burros. Deixam-se assim intimidar por títulos, por palavras caras ou considerações mais complexas.

Rio disse: ”Venha a Portugal, apresente-se, por exemplo,….”

Venha à Holanda e apresente-se (só em minha casa) para a gente beber uns canecos, mais não precisa, porque me dei ao trabalho de o informar convenientemente. Até me dei à pachorra de meter legendas traduzidas em vídeos de programas de televisão. Experimente uma vez enfiar legendas (sincronizadas com a voz) em português num vídeo do Pat Condell… Vai ver o que é ter pachorra…

RioD'oiro disse...

CdR:

"Esta afirmação sem estar apoiada num mínimo de dados é apenas a sua IMPRESSÃO."

Impressão o tanas. Não e muito complicado perceber que um gajo que está no 11º ano não sabe ler nem escrever o nome dele. Em 10 turmas o panorama geral é este. Metade não sabe ler nem escrever. É assim na generalidade dos centros de formação das várias estirpes.

"Só não leio o que não percebo, o que é confuso e críptico!"

Pois. Eu oiço essa frequentemente. Sempre que alguém não percebe nada acha que a culpa é dos outros. Há que investigar, lutar com o assunto e, em último caso, pedir ajuda explicando o que não se percebe. "Não percebo nada" apenas resulta numa resposta 'então tá bem'.

"Experimente uma vez enfiar legendas (sincronizadas com a voz) em português num vídeo do Pat Condell… Vai ver o que é ter pachorra…"

Já fiz isso centenas de vezes em coisas bem mais complicadas. Também já esqueceu a minha recente conversa com um leitor sobre o TDT?

Carmo da Rosa disse...

Rio disse: ” Impressão o tanas. Não e muito complicado perceber que um gajo que está no 11º ano não sabe ler nem escrever o nome dele. Em 10 turmas o panorama geral é este. Metade não sabe ler nem escrever. É assim na generalidade dos centros de formação das várias estirpes.”

Acredito que assim seja, e acredito sinceramente que no seu caso não seja apenas uma impressão. Mas enquanto não me provar o drama com dados verificáveis, nunca iria utilizar isto por exemplo num artigo para a imprensa holandesa. E como já lhe disse, TAMBÉM é a minha impressão, mas isso não chega…

Algo que poderia ser uma pequena ajuda para o que afirma é a conferência da Sandra Fisher Martins no Porto: http://www.youtube.com/watch?v=tP2y0vU7EG8

Digo “pequena” porque os adversários podem argumentar que se trata apenas de um sintoma de uma doença antiga…

Rio disse: ” Pois. Eu oiço essa frequentemente. Sempre que alguém não percebe nada acha que a culpa é dos outros.”

Tem piada, eu oiço frequentemente outra versão. Sempre que alguém escreve coisas que os outros não percebem, acha que a culpa é sempre dos outros, ou então da Merkel, ou do Sarkozy, dos Rolling Stones, do FBI, TDT, CIA, da BBC, BB King, Matt Busby… Dig it, dig it, dig it….

RioD'oiro disse...

Carmo da Rosa:

"Mas enquanto não me provar o drama com dados verificáveis,"

Mas eu não estou preocupado em provar nada a ninguém por duas razões:

1 - dados, em Portugal, é conversa que dá para todos os gostos. Nada bate certo e em tudo há salto quântico em matéria de semântica.

"nunca iria utilizar isto por exemplo num artigo para a imprensa holandesa."

Mas eu não vivo na Holanda nem estou rigorosamente nada preocupado (se calhar nem convém) com a imprensa holandesa.

"Digo “pequena” porque os adversários podem argumentar que se trata apenas de um sintoma de uma doença antiga…"

A doença continua.

"Tem piada, eu oiço frequentemente outra versão."

Então não caia no mesmo erro.

Voltando ao assunto principal, conheço professores nos 4 cantos do país e em diversos ramos de ensino. O cenário é de catástrofe e é assim até nalgumas universidades.

No caso do 12º, veja este cenário:

«Nuno Crato manda fechar 129 CNO e põe fim a mais uma bandeira socrática»

http://www.profblog.org/2012/02/nuno-crato-manda-fechar-129-cno-e-poe.html

OS CNO (Centro Novas Oportunidades) são organizações estatais paridas, regra geral, dentro das escolas estatais (também há em organizações não estatais) destinadas a distribuir canudos de 12º ano à balda.

Muitos inscreviam-se apenas para sacar um computador portátil por 150 euros. Outros pegavam nos trabalhos de outros gajos noutros centros, mudavam um pózinhos aqui e ali, entregavam o trabalho e sacavam o canudo. Ninguém perguntava se o suposto autor era capaz de explicar ou defender o que quer que fosse que constasse no trabalho. E o Carmo da Rosa vem falar em estatística? Mas o Carmo não esteve atento ao que no FI foi escrito relativamente a manipulação socialista (salto quântico / salto qualitativo) da estatística? Do redesenhar da semântica e da realidade? Andámos aqui a partir pedra durante meses relativamente ao assunto. Recordo, que o Carmo também nesse caso queria valores quantitativos de dose de socialismo. Está lembrado?

Essa fixação em valores e estatística num terreno como o que grassa em Portugal é perigosa. Há um ano a situação económica do país era brilhante, piramidal, "porreiro pá", de absoluto sucesso apenas ensombrado pelos malandros dos especuladores que insistiam em não acreditar na estatística oficial.

RioD'oiro disse...

Esta chegou à estatística.

http://www.publico.pt/Educação/professor-agredido-por-tres-homens-apos-expulsar-aluna-de-sala-de-aula-1531753

Seria bom se houvesse dados das várias polícias e derivados de polícia relativamente a intervenções nas escolas.

RioD'oiro disse...

Aqui pode ler-se:
http://www.profblog.org/2012/02/agridem-violentamente-professores-quase.html#more

P.S. Mal acabei de publicar este post recebi esta mensagem de uma professora: Sou professora e em 2006 apresentei uma queixa na polícia (GNR) por agressão física.O agrupamento fez de tudo para não a formalizar (assuntos internos) mas apresentei-a. A verdade é que a queixa (com n.º de processo e assinada) desapareceu e ninguém sabe como. É bom ser professor(a) em Portugal...

Carmo da Rosa disse...

Riod’oiro disse: ”dados, em Portugal, é conversa que dá para todos os gostos. Nada bate certo e em tudo há salto quântico em matéria de semântica.”

De acordo. E mesmo os dados fiáveis podem ser interpretados de várias maneiras: sublinha-se uma coisa, omite-se outra. Então em economia é regra geral. Mas há dados que não deixam margem para dúvidas. O Ministério da Educação pode manipular a seu belo prazer os resultados escolares - o que fazia o Sócrates - dando uma imagem fantástica do ensino, mas não pode apoiar essa imagem floribélica com prémios Nobel. Nem com invenções tecnológicas recentes. Nem com exportação de tecnologia. Mas há mais maneiras de provar a imagem que você dá do ensino em Portugal - não sou especialista, a Sandra Fisher-Martins por exemplo é…

Riod’oiro disse: ”Mas eu não vivo na Holanda nem estou rigorosamente nada preocupado (se calhar nem convém) com a imprensa holandesa..”

Conclusão absurda! Eu sei que você não vive na Holanda e nem era a minha ideia preocupá-lo com a imprensa holandesa! Quando lhe disse que não utilizaria o texto inicial para publicação na Holanda, era apenas mais um exemplo para tentar demonstrar a diferença entre uma (eventual) verdade SEM dados verificáveis, e a mesma verdade COM dados verificáveis. Uma é passível de publicação, a outra não. É só isso.

Riod’oiro disse: ”A doença continua...”

Acredito. Estava apenas a dizer-lhe o que os adversários costumam dizer. Não é a mim que você tem que convencer, é os adeptos do Sócrates e os outros que afirmam que se trata de romantismo dizer que o ensino é hoje em dia pior que no tempo da outra senhora.