A expressão gaélica 'Erin Go Bragh' significa ‘Irlanda Livre para Sempre’. Ontem os Irlandeses deram corpo a este moto pelo seu país e pela restante Europa amordaçada pelos burocratas e políticos europeus.Até agora o Tratado de Lisboa só tinha sido aprovado através de votações parlamentares. Isto na sequência do não cumprimento da promessa da generalidade dos partidos políticos de poder na Europa de referendar o Tratado. O TL também foi aprovado no Parlamento europeu. Da votação de Estrasburgo só nos chegaram as ‘boas’ notícias e as imagens de satisfação. Mas aqui pode ver-se algo mais do que aconteceu então com especial relevância para o discurso do notável Nigel Farage do UKIP britânico e dos incidentes subsequentes
Os irlandeses foram o único povo europeu que teve a possibilidade de referendar o Tratado de Lisboa. Não porque essa fosse a vontade generalidade dos seus políticos, mas sim por imposição constitucional. Aliás, o Governo irlandês fez algumas manobras para facilitar o ‘sim’, tais como mudar a data inicialmente prevista de realização do referendo de Maio para Junho, em pleno campeonato europeu de futebol, assim como nomear um Primeiro Ministro pró-Lisboa mais popular a meio do mandato.
Em consequência da consulta popular na Irlanda, os neo-iluministas da UE foram derrotados, tal como tinham sido derrotados nas outras poucas ocasiões em que submeteram as tentativas de construir um novo império europeu. Mas desta vez foi mais grave. Nunca a mentira, o embuste e a opacidade das práticas de fraude política do eurocentrismo tinham ido tão longe, pelo que nunca a sua derrota foi tão clamorosa.
Do lado do ‘sim’ esteve a generalidade do poder político euro-alinhado e da comunicação social subserviente. Do lado do ‘não’ estiveram vários sectores da sociedade irlandesa, da esquerda à direita, com o apoio de apenas um partido. Ergueram-se e organizaram-se pela Irlanda e pela Liberdade, contra a euro-fraude do Tratado de Lisboa. E ganharam.
A campanha pelo ‘não’ assentou sobretudo nas linhas seguintes:
- A Irlanda iria perder peso na Comissão Europeia e no Parlamento;
- O Tratado de Lisboa aumenta em muito o peso e a importância das decisões políticas que passavam a ser tomadas pelos eurocratas não eleitos de Bruxelas, em lugar de serem decididas pelos próprios irlandeses;
- O Tratado é ininteligível; se algo é ininteligível então deve ser recusado; (aqui o relato das ordens de um dos mais interessados e interesseiros mandantes do Tratado de Lisboa);
Entre os argumentos inválidos do 'sim' destaca-se um: o Tratado de Lisboa iria aumentar nível de globalização da economia europeia. A verdade é as coisas são ao contrário, a União Europeia é, e vai continuar a ser, um obstáculo à globalização da economias do centro europeu, isto é, da agricultura francesa e da indústria alemã. Exemplo: as indústrias têxtil e de calçado portuguesas ficam entregues à livre concorrência com a China, os carros alemães continuam a escapar à concorrência indiana.
O órgão de propaganda central da imposturice federal europeia, a Euronews, foi tendo uma postura de grande discrição, quase desinteresse, na contagem final para o referendo na Irlanda. No entanto, ontem e anteontem, dias de proibição de propaganda política na Irlanda, interveio em força. Perante as sondagens que davam vitória magra ao ‘não’, a dado momento era noticiado que na Grã-Bretanha o Tratado de Lisboa iria ser aprovado por via Parlamentar. (Os acontecimentos na GB interferem de modo relevante na opinião pública irlandesa, país em que estiveram integrados durante séculos.). Mas como é que a Euronews sabia isto? Essa informação, segundo a própria euronews, tinha sido fornecida por um alto-funcionário britânico. Esta é a lógica da União Europeia: os altos-funcionários decidem no lugar dos eleitores; mais, o povo deve escutar com atenção e reverência os altos funcionários na certeza de que eles sabem melhor o que é bom para ele, povo. O jacobinismo está vivo na Europa neste princípio de século.
Mas parece que a Euronews não podia estar pior informada.. Na GB está em banho-maria uma batalha entre um Primeiro-Ministro não eleito, Gordon Brown, e a oposição a respeito da aprovar por via parlamentar ou referendar o Tratado de Lisboa (ver). O certo é que muitos parlamentares trabalhistas estão contra o alinhamento de Brown com a Comissão Europeia e acham que a decisão deve ser tomada pelo povo em referendo. O feitiço virou-se contra o feiticeiro, e mais parece que o ‘não’ irlandês vai ter consequências nos parlamentares britânicos do Partido Trabalhista.
A Europa pode viver melhor sem as imposições anti-democráticas e dispendiosas de Bruxelas. Aqui fica uma visão alternativa e certamente mais livre, democrática e económica.
Diz-se que os irlandeses devem estar gratos à Europa. Em alguma medida, sim, embora não tanto quanto se diz, mas isto daria tema para um outro post. Com este NÃO ao Tratado de Lisboa os irlandeses já podem dizer que pagaram a sua dívida para com a Europa dando voz aos povos amordaçados pelos políticos federalistas. Obrigado, Irlanda.






