quarta-feira, 30 de maio de 2012

EU Subsidiarity: Decision making at supra-national levels - Stuart Agnew

É do conhecimento geral que as bestas fascistas são difíceis de abater. É difícil determinara se a "europa" é já uma besta fascista, mas besta é certamente e para fascista não faltará muito.

De uma forma ou outra, é significativo que no Parlamento Europeu apenas uma organização, o UK Independence Party, seja capaz de chamar os bois pelos nomes provocando na assembleia sorrisos amarelo-esverdeados. Longe vão os tempos das piruetas masturbatórias barrosistas de sucesso de um bicho que nunca desse estatuto conseguiu passar.

Honra seja feita também a Václav Klaus, presidente da República Checa.

EU Secrecy: A refuge of the incompetent and the unaccountable

Napolitano: High Court Okays Double Jeopardy

Os Idiotas Úteis

OS IDIOTAS ÚTEIS
"Por vezes é quase comovente ler nos periódicos, ou nos espaços interactivos, certos textos de conspícuos comentadores, em geral imbuídos de uma filosofia de vida que se aproxima da candura de espírito. Ou, dizendo de outra forma mais carinhosa, da glamorosa ingenuidade que ostentam como aqueles velhos “leões das salas”, os quais, perdida a frescura da mocidade, substituem a musculatura outrora tersa por uma elegância conseguida nas melhores alfaiatarias.

Muitos deles, para mostrarem que são democratas, que são isentos ou qualquer outra inanidade que lhes abrilhanta o bestunto, perdem laudas a analisar as “motivações” desta ou daquela figura grada dos entrepostos comunistas, com soma de pormenores que esquecem, ou fingem que esquecem, que um militante comunista, seja de base ou dirigente, é antes de tudo uma função. Basta ter-se lido e ter-se olhado com olhos de ver o comportamento das internacionais marxianas e quem as compõe e tem composto, para se perceber isto: o que os move, antes ou depois de tudo, é deitarem abaixo o que não é deles, feito por eles ou por eles controlado."

Ao nu

Via Espectador Interessado:

ONU reconhece Mugabe como “líder para o turismo”.

Para os que mantivessem dúvidas sobre a natureza última daquela organização, espero que se tenham desfeito de vez.

Nivaldo Cordeiro sobre Gilmar Mendes e Lula da Silva





terça-feira, 29 de maio de 2012

Panico na Tv 2012 Pá Maluca

Getting the Facts out on Climate Change

Alguns momentos do último "Plano Inclinado" com Henrique Medina Carreira (Programa censurado)

Terá sido (ou não) emitido em Fevereiro de 2011.


Nota: Relativamente a ter sido censurado não tenho qualquer confirmação ou do seu contrário. É o título original.

John Stossel - PC Pressure Groups


Patrick J Buchanan joins John to discuss the chilling effect of political correctness on free speech.
http://www.LibertyPen.com

ÀS VEZES PARTEM CARTAS…

Caros confrades da revista SIBILA*

Tomei conhecimento, por leitura recente, da polémica que vem acontecendo a propósito de um texto sobre Augusto de Campos (creio que digo bem) da autoria de Luis Dolhnikoff e que despertou situações bravas...
Não vou referir-me ao cerne da questão, pois só posso aquilatar pela rama.
Mas gostaria de dizer que essas polémicas, no fundo, são produtoras de luz - uma vez que purgam os maus humores do que esteja eventualmente errado, tendo em vista a existencia salubre.
Muito diferente é o que se passa em Portugal, onde um espesso manto de silêncio vem cobrindo tudo. Os donos da aparelhagem literária/literata conseguiram criar por aqui um simulacro de "serenidade mansa e doce", em que não há sobressaltos nem pendências. E os que acaso se atrevem a tentar dizer que algo está mal, que alguns reis vão nus, são de pronto silenciados para que não causem danos eventuais à "panelinha" a que aludiu com perspicácia Eça de Queirós.
Aí haverá coisas pouco amáveis. No entanto, aqui, caminha-se a passos largos para um indubitável cripto-fascismo.
Com o selo da unanimidade e da falsa cortesia!

Saudações do

nicolau saião

*(“SIBILA - revista de Cultura”, é editada no Brasil e nos Estados Unidos e dirigida por um núcleo de autores e professores tendo no lugar de topo o juiz de Direito e escritor Régis Bonvicino).

Nivaldo Cordeiro: Gilmar Mendes desmente Lula


O blog do Josias (http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2012/05/28/em-entrevista-gilmar-conf­irma-pressao-de-lula/) trouxe agora a noite uma entrevista com o ministro do STF, Gilmar Mendes, confirmando os termos do trabalho de lobby que o ex presidente Lula tentou fazer para que ele ajudasse na procrastinação do julgamento do mensalão, fato que levaria inevitavelmente à prescrição da maioria das penas dos acusados. Lula expressou que o ex ministro José Dirceu está desesperado com a iminência do julgamento do mensalão. Mais cedo hoje Lula repudiou a versão de Gilmar Mendes, negando tudo, suportado pelas declarações anteriores de Nelson Jobim. Quem mente? Lula mente, Jobim mente. Erraram o tiro. O ministro Gilmar Mendes não é conivente com os malfeitores.

domingo, 27 de maio de 2012

Redistribuição

[Comentário que deixei no FaceBook do Prof. Ramiro Marques:]

Esta coisa das desigualdades está intrinsecamente ligada à forma como cada povo se comporta.

Não há muito tempo, alguém a quem saiu a lotaria comprou um Mercedes topo de gama, enfiou-o na garagem ... e ele lá estava. Para não descarregar a bateria a dona, de vez em quando, ia à mercearia de Mercedes.

Na minha opinião, 90% dos portugueses se puderem ganhar muito (muito mesmo) ganham e comportam-se como gente rica. Seja numa empresa, seja sabe-se lá em que empresa, é esse o comportamento genetico-económico dos portugueses. Afirmar que as igualdades ou desigualdades podem ser combatidas é uma guerra perdida.

Senão, repare. Quantos portugueses não estão neste momento encalacrados por excesso de dívidas? Já reparou que não se constroem apartamentos pequenos? Já reparou no parque automóvel? Apesar dos pesadíssimos impostos os carros topo de gama (não estou a falar das bombas) estou a falar de carros que não se vêm circular na Alemanha ou Suíça em tão grande proporção. São capitalistas exploradores? Não. São pessoas que se endividam até aos cabelos porque a ostentação faz parte da genética em Portugal. Já reparou na quantidade de excelentes carros que são espatifados nas estradas? Não lhe parece que a forma como se conduz reflecte a displicência com que se põe em causa um valor que é quase sistematicamente do trabalho proveniente?

Eu não gosto que seja assim, mas, até que não seja, resta-me resmungar mas nunca conduzir-me como se já não fosse ou pensar que tal pode ser alterado por via da dita redistribuição.

NS: Uma luz ao fundo do túnel

Escreve NS:
Como referi anteriormente, as coisas começam a suceder...É preciso que nós, portugueses de bem, "malhemos o ferro enquanto está quente", como sói dizer-se. É necessário, através dos mídias, EXIGIRMOS que o Sistema Judicial não abafe nem deixe esfumar-se a possibilidade de se fazer uma limpeza nos díscolos que têm pouco a pouco destruído o imaginário colectivo e societário nacional. Cabe-nos deixar uma nação melhor aos vindouros, iluminando ao mesmo tempo o quotidiano.

Eu não estaria tão confiante nas mídias, pelo menos nas tradicionais (eufemismo para progressistas).

As mídias foram quase completamente abocanhadas pelas ideologias indignácaras. Não lhes interessa que se faça justiça, antes, que se espalhe a confusão, se acuse a torto e a direito e se mantenha a acusação em lume brando tanto tempo quanto possível espalhando tal confusão que tudo acabe encravado.

Mas como encrava um processo na justiça? Bem, como encrava não sei, mas parece que se está a tornar hábito nada acontecer até que dado visado veja o processo arquivado no momento em que os que estão relacionados com ele voltem a ocupar o poder ou arrastado até prescrever. Parece uma forma de condenar sem condenar porque não houve tempo ou de se insinuar que não houve condenação porque chegou ao poder quem tem força para que não haja condenação.

A dúvida instala-se: ou os processos não têm pés para andar e são fretes, ou não são fretes mas o efeito prático é o mesmo. De uma forma ou outra, as aparentes casualidades de coincidência entre os percalços da justiça e os banzés indignácaros ramificados pela mídia é preocupante.

Quanto a ...
Os "chefes da banda" têm de ir para a enxovia, não por vingança mas por Justiça.

... não podia estar mais de acordo mas, atenção, a história tem demonstrado que já muito testa de ferro esteve em retiro cumprindo missão.


Nivaldo Cordeiro: Lula tentou melar o mensalão


A revista Veja noticiou a tentativa do ex presidente Lula de constranger o ministro Gilmar Mendes, do STF, a fim de adiar o julgamento do mensalão. Claro que isso implicaria em caducar todas as possíveis penas. A mão de gato não prosperou porque Gilmar Mendes agiu com dignidade, no que não foi seguido por Nelson Jobim, que negou o fato. É um perigo que o ex presidente, que não tem cargo algum, se sinta à vontade para constranger uma máxima autoridade. Mais uma vez vemos que a democracia, sob o PT, corre perigo. Os membros do partido querem ficar acima da lei, acima do bem e do mal.

Pat Condell: Can I say this?


[Não darei necessariamente atenção a comentários embora possa catrafilar quem pisar o risco.]

Documento de Estratégia Interna da UE Pede o Fim dos Subsídios para As Energias Verdes


No Terrorismo Climático:
Um documento interno de estratégia da Comissão Europeia "exige o fim dos subsídios para a energia solar e eólica pelos países da UE e que isso deve ser feito o mais rápido possível". O Comissário Günther Oettinger da UE para a Energia quer apresentar oficialmente o papel, em Bruxelas. Este, escreve o FAZ, fornecerá ao governo alemão uma cobertura para o seu plano para cortar seus próprios subsídios para a energia solar em 30%.
Apesar de todo o simbolismo e a lábia do governo de Merkel e da coalizão de apoio à energia eólica e solar, suas ações contam uma história diferente. Eles não as querem mais!

Nigel Farage Lambasts Europhile UK Mps Who Led Us into European Union

sábado, 26 de maio de 2012

Primavera árabe - Egipto

É conhecida a razão porque os governos árabes têm tido cada vez mais dificuldade em alimentar a população. O eixo da exploração de hidrocarbonetos tem-se deslocado para novas áreas geográficas e novos tipos de combustível deixando o médio oriente em dificuldade para impor o preço do petróleo. Da OPEP já pouco se ouve falar. Em dificuldade para recolherem receitas suficientes para alimentar a sempre crescente população, os respectivos governos ficam sob uma crescente pressão social por exigência de mais dinheiro. Regra geral, os países árabes nada produzem e dependem quase exclusivamente das receitas que o licenciamento da exploração petrolífera lhes proporciona.

As "primaveras" árabes, pintadas em sloganes por democracia, nada significam por aquelas paragens e o resultado tem sido inequívoco
"Tenho que escolher entre me suicidar ou pular num poço cheio de tubarões", compara Rana Gaber, 25 anos, a necessidade de optar entre o representante do antigo regime ou os islâmicos. A jovem revolucionária está decepcionada com os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais no Egito.

Ahmed Schafik, remanescente do regime Mubarak, e Mohammed Mursi Mosi, membro da Irmandade Muçulmana, conseguiram com uma diferença apertada chegar ao segundo turno do pleito, marcado para meados de junho próximo. Com essa os revolucionários não contavam. "A Irmandade Muçulmana vendeu a revolução e Schafik tem sangue nas mãos. Como é que podemos eleger alguém assim?", pergunta Rana.
Entretanto, dos indignácaros do costume e da comunicação social comprometida (quase toda), o silêncio é total. Como sempre, para eles, quanto pior, melhor.

Luiz Carlos Molion - Aquecimento Global (Dezembro de 2010 ?)

É muito interessante que tenham começado a aparecer mais frequentemente vídeos sobre este assunto em português.

Nigel Farage shouted down by Euro fanatic MEPs (07Dec11)



Em 2005 era assim:

Porque amanhã é Domingo: Carlos Moscardini

Soberbo.

"O último voo sobre Timor"


Dos cavalos, dos chevalas, das moitas e do moderno pasto em geral

Enquanto por ali o labiorioso operariado luta pelas mais amplas lamberdades ...

Crazy Horse topless dancers back on duty after strike

... por aqui, o pasto é para indignácaros fura-greves:

Do indignão fodilhado ou Do engate com cheirinho a moita

Mas [fica sempre bem mesmo que a despropósito, o que não é o caso] o pós modernismo passará certamente pela recuperação da dignidade da urtiga organizada em revolucionárias moitas.


E porque não, também, o Opuntia ficus-indica? Democracia a sério é assim:


Oh alma do diabo, este exemplar avia vári(o?)s!!

Benaventismo-Rodriguismo

No Lisboa - Tel Aviv:
Os resultados de anos e anos de ensino socialista começam a surgir: vem ai uma catástrofe nos teste intermédios de matemática. É a ressaca do 'eduquês' das competências, do ensino centrado no aluno, do ensino inclusivo, da burocracia labirintica, da indisciplina galopante, do facilitismo, da perseguição e desautorização dos professores, dos planos disto e daquilo, dos projetos de fachada, do show-off, das montanhas de papel, da relação com a comunidade, das ações de formação em dança tibetana, dos coitadinhos dos alunos, dos pais a mandar na escola, dos psicólogos a mandar nas aulas, de todos a mandarem nos professores e do direito ao sucesso.
Alguém que peça contas à parelha Ana Benavente/Lurdes Rodrigues.

Baile mandado: das trevas à modernidade

A malta do RAP pensa que inventou alguma coisa:


Acaso algum purguercista reclame tratar-se de coisa reaccionária, aqui vai a versão revolucionária:

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Lembrei-me de que me esquecera



Rodin, O Pensador

À última hora, depois de um comentário que fiz no post do Tarzan, lembrei-me ainda, no entanto, de algo a que pensei responder-lhe, mas de que acabei por me esquecer.

Quatro dias atrás, 21 de Maio, às 00:38, o Carmo da Rosa escreveu na caixa de comentários:


"Por falar em insultos e para lhe ser sincero (como de costume), a primeira vez que li um dos seus comentários em que sugeria que eu teria bebido o mesmo que o cómico que citei, eu é que fiquei pior que estragado e já me estava a preparar para lhe responder da mesma maneira, mas à minha maneira. Felizmente que não o fiz. Respirei fundo, contei até dez, reli o seu comentário e realmente você apenas sugere. Creio que lhe respondi de forma correcta, apesar de ter usado de ironia (isto já é vício), só para provar que a ofensa não passou despercebida…

Um amigo que segue o FIEL enviou-me agora um mail com um resumo da nossa discussão que poderia muito bem ter sido feito pelo Jim Jefferies: Estive a ler as “teses” do Gonsalo e as tuas respostas (sobre o stand-up australiano, que é excelente) e confirmo a minha opinião: o gajo é ………… [censurei]. Se bem o percebo, a diferença entre erótico e pornográfico é a seguinte: tudo o que nós pensamos é erótico, tudo o que os outros pensam é pornográfico..."




“Beber o mesmo que o cómico” não poderia significar, para si, uma vez que gosta dele, senão um elogio à espirituosidade, sua e dele. Mas o CdR diz que isso o deixou “pior que estragado”. E, depois de continuar, afirmando que já se preparava para me “responder da mesma maneira” mas à sua maneira, acrescenta que “felizmente” não fez. “Felizmente”, porquê? O que poderia haver de tão grave no que me quereria dizer ou no modo como o faria? Seria ofensivo? Ou porque poderia ser considerado como tal? Mas então bastaria explicar-me, a mim, que pareço ofender-me facilmente, que nada daquilo tinha intenções insultuosas. Talvez eu ainda conseguisse aprender alguma coisa, quem sabe…

“Respirei fundo, contei até dez, reli o seu comentário e realmente você apenas sugere”, continua. Sugiro, o quê? Não um insulto, com certeza. Só posso supor, pela sua reacção e atendendo ao que escrevi, que pensasse que lhe pudesse estar a chamar bebedolas. Mas isso não seria mais grave do que chamar-lhe “panilas”, e você disse ao Lidador que acharia infantil alguém que o fizesse.

No entanto, parece-me ser isso que aconteceu pelo que vem a seguir: “Creio que lhe respondi de forma correcta, apesar de ter usado de ironia (isto já é vício), só para provar que a ofensa não passou despercebida…”. A “ofensa”?! Afinal, ofendi-o ou estive quase a fazê-lo? Afinal, é possível ser violento ao ponto de ofender? Não o percebo.

Mas, à cautela, deixe-me dizer-lhe que nem considero nada de anormal escrever com uns copos no bucho nem NUNCA considerei chamar-lhe tal nem o termo “bêbado” é, no meu vocabulário, um termo pejorativo, a não ser quando representa laxismo e degradação vil. Nunca vi o meu velho defunto Luiz Pacheco como um bêbado, muito embora ele se levantasse às cinco da manhã e às nove já entaramelasse as ideias, na época em que o conheci.

Isso foi alguma coisa “subjectiva” que lhe passou pela cabeça. É verdade que o Código Penal considera o termo como injúria e eu acho muito bem que o considere enquanto termo que classifique a pessoa à qual se dirige como sendo indicativo de degradação de carácter. Ora aquilo de que eu o tenho “acusado” é de incoerência “confusionista”. Exactamente por coisas deste tipo.

Mas ainda há mais. A seguir, decide ir procurar reforço no que um seu amigo lhe escreveu a respeito das minhas “teses” — o que, com as aspas, é a típica expressão usada pelo bimbo que julga que é esperto para apoucar a pessoa de quem fala (não sei se, da parte dele, com o propósito de melhor me depreciar, mas, aleluia!, conseguiu fazer-me rir, no meio disto tudo) — e, à cautela, censura uma palavra que ele escreveu. Só posso supor que a palavra censurada me fosse dirigida, uma vez que o seu amigo demonstra apreço pelo J.J. e, nesse caso, não faria sentido suprimir um elogio, mesmo que em vernáculo. Mas, então, porquê? Porque era ofensiva? Ou porque o meu espírito retrógrado e preconceituoso poderia considerá-lo como tal? Nesse caso, mais uma vez, não seria uma óptima oportunidade para me revelar a Luz da Contemporaneidade?

Olhe, CdR, essa de ir buscar os amigos para ajudar a dar porrada no meco, é que me desmanchou definitivamente em gargalhadas. Lembrou-me a infância, o que é que quer? Jamais me passaria pela cabeça uma dessas. Por acaso, tive umas quantas opiniões de amigos, em especial de UMA amiga de há muitos anos, daquelas tão, mas tão livres que faria corar uma dos sítios onde você anda (sabe, em Portugal também as há e são mais do que você imagina), mas não as vou trazer para aqui. Em privado, sim, em são convívio (eu, que prefiro bezanas tropicais, não prescindo das minhas caipirinhas). Agora aqui… Meu caro, seria de mau gosto.

Mas traga, traga um amigo também. Esse é que acho que não, porque, na minha cabeça, perante a conclusão que ele apresenta sobre o que leu, só me ocorreu, na sequência do gargalhar, a hipótese humorística de instituir, a exemplo do que acontece com a condução automóvel, a necessidade de tirar uma carta de condução de leitura e compreensão de texto. É que o homem é um perigo público, com uma inépcia tão clara em manter os pensamentos a direito...!

Mas isso é lá consigo. Eu, não censuro a presença de ninguém.

Então, até daqui a quinze dias.

Quanto mais estado mais dinheiro torrado

As zenitais políticas socialistas de "virtuosos" investimentos pela batuta estatal. Adolfo Mesquita Nunes enumera algumas das falhadas na totalidade:
Planos para crescimento económico
Plano estratégico do sector têxtil
Plano tecnológico da educação
Plane de grandes investimentos e infraestruturas (manada de elefantes brancos)
Plano estratégico nacional de turismo
Plano estratégico para a indústria de molde se ferramentas especiais
Programa de modernização do comércio
Programa de apoio aos investimentos na produção de energia (que nos deixou a pagar a energia 6x mais cara)
Programa de apoio à indústria
Plano de financiamento das SCUTS
Plano para o Oeste
Plano para o aeroporto de Beja
Plano para plataformas logísticas
Plano Nacional de Promoção da Bicicleta e Outros Modos de Transportes Suaves. (Via Lisboa - Tel Aviv) 


Enfim, quanto mais estado mais dinheiro torrado.

MEC tarda em restaurar a autoridade dos professores e em eliminar a burocracia

No ProfBlog:
A propósito do post "Fraco desempenho dos alunos ou testes demasiado exigentes", o colega Fernando Roriz fez este oportuno comentário:
Já todos percebemos que o MEC está a regressar ao patamar dos anos 90.
Só que, nessa época, o "eduquês" , na sua versão lurdista, ainda não fazia mossa e a indisciplina obscena ainda não tinha nascido. O estatuto do aluno era outro, era decente. Hoje, o estatuto do aluno é "obsceno" para a escola pública e está ao serviço da indisciplina reinante.
Portanto está aqui uma boa equação para resolver (bem difícil por sinal): como conciliar o novo grau de exigência que se pretende nas escolas com a indisciplina e o eduquês reinantes?
É que, na escola pública, está tudo como Maria de Lurdes Rodrigues quis. Ou não está?
Assim, regressar aos anos 90, por mim está bem desde que todas as "dimensões" da escola pública regressem também. Caso contrário, a equação acima referida bem que poderá ser designada por "equação utopia".
Fernando Roriz
Bem visto. Nuno Crato faz bem em ajustar em alta os níveis de exigência dos testes intermédios, provas de aferição e exames mas para que a equação não seja utópica tem também de fazer regressar outras variáveis aos níveis de exigência e rigor dos anos 80 do século passado. E isso tarda para desespero dos professores.
E a reforma do Estatuto do Aluno, prometida há longos meses, tarda em ser aprovada. A prometida restauração da autoridade dos professores corre o risco de não passar de uma promessa. E a anunciada eliminação da burocracia inútil parece conhecer o mesmo caminho: adiamento.

Liberdade de expressão, insultos e a prova dos nove.

Tudo começou quando resolvi apagar uns comentários insultuosos e chocarreiros que, num poste do Carmo da Rosa, me eram dirigidos.
Na vida real a injúria é crime e o ofendido pode processar o agressor. Todos os ordenamentos jurídicos dos estados de direito, punem tal crime com penas que vão de multa a prisão.
O que é lógico. Os seres humanos indignam-se, tanto mais quanto mais dignos são, e a história e as histórias, demonstram que das agressões verbais às físicas, vai um passinho, que muitas vezes é dado em questões de segundos. 
Muita gente morreu e morre, em questiúnculas que começam por um simples remoque verbal. Guerras foram já desencadeadas por insinuações injuriosas.
Duelos, à espada, à pistola e à bengalada, se livraram e livram por coisas tão comezinhas como suscitar dúvidas sobre a menor ou maior promiscuidade da mãe de alguém.
Na verdade, esta susceptibilidade à injúria é uma medida da nossa humanidade. Os cães, os bodes, os frangos, os asnos,  não se indignam se os injuriamos. Os seres humanos reduzidos à escravidão ou com as suas faculdades diminuidas, também não se indignam.
Só os dignos se indignam e, como diz o povo, quem não se sente não é filho de boa gente.


No mundo dos blogues, o insulto surge frequentemente.  As pessoas sentem-se protegidas pelo interface virtual e fazem  como nos estádios de futebol, a coberto do anonimato da multidão: exorcizam as suas frustrações, chamando nomes ao árbitro.
No mundo dos blogues, não existe Código Penal, não existe juiz, e não se pode bengalar o agressor, que está longe e é desconhecido.
As respostas possíveis à agressão verbal são, responder à letra, ignorar, apagar (se tiver poder), ou mudar de sítio.


Responder na mesma moeda parece ser, aos olhos de alguns, a melhor coisa a fazer. Discordo completamente.
Por formação profissional tenho algumas luzes teóricas sobre gestão da violência e por prática e feitio,  alguns saberes de experiência feitos.
Responder a um ataque com um ataque semelhante só é efectivo se o adversário ficar absolutamente convencido que tenho a capacidade e a vontade para o esmagar. É, mutatis mutandis, um tiro de aviso. O adversário sabe que eu o posso atingir a sério.
Mas se ele pensar que se trata de mera bravata, segue-se uma escalada, eu insulto, tu insultas, eu empurro, tu empurras, eu dou-te um soco, tu dás-me um soco  e acaba-se por subir aos extremos, com maiores prejuizos mútuos.


Num blogue, responder à violência verbal com violência verbal, é um jogo inútil, cujo único resultado é fazer perder tempo e matar a credibilidade do blogue.
Ignorar, é dar palco a quem não está interessado em debater, mas tão só em ajavardar.
Na situação em apreço, usei uma arma definitiva: apaguei as  injúrias,  desarmando o troll e mantendo, segundo o meu ponto de vista, a credibilidade do espaço de discussão. O Carmo da Rosa insurgiu-se e disse que, para ele, aquilo era apenas liberdade de expressão e que não aceitava censura.
A sua opinião era que tudo se podia dizer.
Procurei fazer-lhe ver que:


1- Não se tratava de censura, porque as pessoas tinha liberdade de se expressar.
2-Apagar  os comentários com insulto é, por um lado responsabilizar quem insulta, aplicar-lhes uma pena, digamos e, por outro lado, uma medida profilática que visa manter um ambiente civilizado e cordato, no qual seja possível trocar e confrontar ideias.


A minha argumentação esbarrou com  a inflexibilidade do Carmo da Rosa que continuou a garantir que sancionar linguagem insultuosa era atacar a  liberdade de expressão. E de caminho, misturou coisas  como ofensas a pessoas, e ofensas a ideias, conceitos, ou crenças.
Tentei fazer-lhe ver que as pessoas têm personalidade jurídica, são sujeitos de direitos e deveres, ao passo que as  ideias, crenças e ideologias, não, em principio.
Se bem que em alguns países ocidentais se esteja a fazer um caminho perigoso de criminalizar a crítica a sistemas de ideias (em Portugal é crime exprimir ideias fascistas, na Holanda pode-se ser preso por criticar religiões, etc), prevalece a distinção fundamental: pode-se dizer o que se quiser sobre crenças, ideologias, etc, é-se responsabilizado por agressões verbais a pessoas concretas.


O Carmo da Rosa, compenetrado da sua razão, não parece ter atentado nestas subtis diferenças e todos os meus argumentos foram inúteis para vencer a muralha que construiu, do alto da qual tudo lhe parece claro: ou há liberdade de expressão, ou não há, e liberdade de expressão implica (para ele)  a liberdade de insultar outrem.
De caminho, outros parceiros de blogue juntaram-se no apoio a este conceito. O RB e o Tarzan intervieram basicamente para subscrever o ponto de vista do CdR.


Uma vez que não posso estar constantemente a repetir argumentos que não são digeridos pelos interlocutores, resolvi experimentar uma velha táctica.


Há tempos discutia com um amigo a questão da pena de morte. Esse meu amigo mostrava-se inflexível. Era contra, era contra e era contra, por questões de progresso, civilização, ética, enfim, era contra. E criticava acerbamente os americanos, por terem a pena de morte.
Uns tempos mais tarde, estávamos em pleno Verão, a zona onde ele tem a sua casa, foi ameaçada por um gigantesco incêndio. Os bombeiros falaram de mão criminosa e, no calor da luta, o meu amigo, em fúria e assustado, não se coibia de dizer, com toda a convicção, que estes criminosos deviam ser amarrados às arvores  a que deitavam fogo.
Ou seja, uma clássica variação do velho tema de São Tomás, ouve o que ele diz, não faças o que ele faz e que os nossos irmãos brasileiros gostosamente traduzem por "picante no rabo do outro, para mim é refresco".


Adiante!
Já que os meus comparsas de blogue eram da opinião que insulto (aos outros) e liberdade de expressão eram indistinguíveis  e basicamente fruto de interpretações subjectivas,  resolvi levar o argumento ao extremo e fazê-lo recair sobre eles mesmo, porque nisto, como no poker, as coisas só funcionam quando são a sério.
Informei o RD do que ia fazer, para a malta não ficar a pensar que ensandeci, e passei a incluir remoques, dichotes e injúrias avulsas, nas minhas respostas aos três bloguistas em questão, exactamente a situação de que  eu era alvo nos postes do Carmo da Rosa.
O resultado fala por si:


O RB nem respondeu e saíu, o Carmo da Rosa não tardou também a sentir-se e a responder de forma azeda, e o Tarzan idem. Instalou-se um ambiente letal, hostil e impróprio para debater o que quer que seja.


As reacções não podiam ser mais demonstrativas da razão que me assiste e provam que as justificações construídas pelo Carmo da Rosa, não se sustentam quando passa a ser ele o alvo do insulto.
Como é boa gente sente-se e responde. 
E prova o meu argumento de que insulto é uma coisa, liberdade de expressão é outra e nada como senti-lo na pele, para perceber o suco da barbatana da questão.


Dito isto, encerro a minha argumentação com três  conclusões e um pedido de desculpa:
A 1ª conclusão é que aceitar insultos pessoais num blogue conduz à sua implosão. Logo, não devem ser aceites e devem ser imediatamente apagados.
A 2ª conclusão é que temos de ser capaz de  agir com empatia e colocarmo-nos no lugar do outro, quando o picante que o faz bufar, nos parece refresco.
A 3ª é que sem regras mínimas de cortesia, boa educação e respeito pelos outros, não é possível qualquer interacção social.


E um pedido de desculpas, enorme e sentido,  pela linguagem baixa e insultuosa que me vi obrigado a usar para colocar à prova o meu argumento.
São coisas que obviamente não penso e não uso, exactamente pelas razões que ficam patentes neste poste.

Qual desemprego?

[Comentário que deixei algures]

Não se pode afirmar se o desemprego sobe ou desce. O que se pode afirmar é que deixou de ser possível manter os empregos alimentados à custa do aumento de dívida.

Como nos antigos paraísos socialistas em que não havia desemprego, tudo era artificial pela simples razão de parte do emprego não corresponder à verdade da economia. Já sem a almofada do aumento exponencial da dívida, já não há forma de manter postos de trabalho que eram directa ou indirectamente suportados por esse dinheiro.

O que se passa neste momento é um retorno a realidade há muito tempo estabelecida mas disfarçada pelo dinheiro proveniente de empréstimos. Se para além disso há perca ou ganho em termos de emprego, é coisa que ainda ninguém aborda e é, provavelmente, difícil de saber até que se afaste, no tempo, o efeito do aumento de dívida (que, aliás, continua, mas muito atenuado).

UN says case for saving species 'more powerful than climate change'

Já é oficial: O aquecimento global já não interessa e as alterações climáticas já não são importantes. O que é agora urgente? Salvar as espécies.


Pelo andar da carruagem a espécie humana é a única isenta de ser salva (uma direito e mais valia).

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Em Portugal, até o abardinanço puxa à lágrima


Não se pode esperar nada de um país que pega no que seria um saudável e demolidor abardinanço para o transformar em faduncho desgraçado. Não há pachorra! Assim, até consigo compreender os gajos do PSD! Carmo da Rosa, é a sua oportunidade: mostre que é homem e desanque-os comigo à cachaporrada (verbal, verbal...).

Ora leia-me lá esta merda que apanhei no DN de hoje:

Site do PSD atacado com imagens de teor sexual
O site do PSD de Lisboa foi hoje alvo de uma sabotagem por 'hackers' que colocaram na página da distrital imagens de teor sexual, uma ação que já mereceu a reprovação do presidente Miguel Pinto Luz.
"Já não é a primeira vez que isto acontece, portanto só temos de banalizar. Como estrutura partidária estamos sujeitos a estes ataques. Vamos estudar soluções de segurança que estejam dentro das nossas possibilidades, mas ter a página blindada implicaria um grande investimento e essa não é a nossa prioridade", afirmou à agência
Ao início da tarde, no site do PSD de Lisboa (www.psdlisboa.net) podiam ver-se três imagens de teor sexual, uma com o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, outra com a ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, Assunção Cristas e outra com os ministros da Economia e das Finanças, Álvaro Santos Pereira e Vítor Gaspar.
As três imagens eram encabeçadas por uma mensagem: "A nossa política é desumana porque despede os pais e recusa o emprego aos filhos". Os autores ainda não reivindicaram o ataque.
Em novembro e dezembro do ano passado, o site do PSD já havia sido alvo de uma tentativa de sabotagem, mas os hackers' não conseguiram entrar na página, uma vez que a segurança da página tinha sido reforçada.
O site ficou inacessível a partir das 15:30.

Então, isto atura-se? Oh que c...!!!

Liberdade, igualdade, normalidade



Alberto Gonçalves, a 13 de Maio, no DN:


Enquanto obedece à tradição local e enche a boca de fanfarra nacionalista para falar de "la France", François Hollande gosta de se proclamar "um homem normal". A imprensa, por lá e por cá, gostou do auto-retrato e, decerto para evitar canseiras, desatou a usá-lo com abundância nas manchetes da vitória: "uma presidência 'normal'"; "um senhor 'normal' no Eliseu"; "a vitória de um homem 'normal'", etc. O adjectivo define menos o sr. Hollande do que a concepção que o sr. Hollande e, pelos vistos, boa parte dos jornalistas têm da normalidade.

Basta espreitar o currículo do sujeito. Em 1974, ainda estudante universitário, o sr. Hollande voluntariou-se para a campanha de François Mitterrand. Mal se licenciou, conseguiu emprego numa comissão governamental. Aos 25 anos, inscreveu-se no Partido Socialista. Aos 27, concorreu ao Parlamento nacional. Não ganhou, mas viu o esforço recompensado com um cargo de conselheiro do então recém-eleito Mitterrand. Em 1983 foi vereador de uma cidadezinha do interior e, em 1988, chegou enfim a deputado, posto que perdeu em 1993 e recuperou em 1997. Pelo meio, divertiu-se em tricas partidárias e Lionel Jospin escolheu-o para porta-voz do PS. Nem de propósito, em 1997 tornou-se líder do PS, honra que lhe caberia por mais de uma década. Em 2001, pairou pela autarquia de Tulle. Desde 2008, o sr. Hollande prosseguiu o tirocínio numa presidência regional. Agora, é presidente da República.

Um homem normal? Normalíssimo, se a palavra definir as criaturas que passam a vida inteira sem, digamos, trabalhar. Esta linha de pensamento olha de viés os que algum dia arriscaram colocar o pé fora da política e experimentaram uma profissão a sério. O sector privado é coisa de excêntricos e, convenhamos, de excêntricos pouco confiáveis. Na França e aqui, o Estado é a norma.

As ideias do sr. Hollande também são normais. Naquilo que nos toca, conheço-lhe uma: a austeridade é má. E não custa nada encontrar gente, igualmente normal, que partilha a opinião. Só em Portugal, Francisco Louçã reclama o fim da austeridade, Mário Soares jura que a austeridade não faz sentido e António José Seguro, que naturalmente tomou o triunfo do sr. Hollande a título pessoal, acha a austeridade excessiva e dispõe-se a sair à rua em protesto.

É inacreditável como é que ninguém se lembrou disto antes. Afinal, a solução não passa por apertos que nos atormentam a bolsa e a existência: passa, obviamente, pelo crescimento, definição lata para a estratégia que consiste em gastar acima das possibilidades, viver de prometidos mundos e fundos, contemplar a descida das promessas à Terra, acumular dívida, rebentar com estrondo e atribuir a culpa de tudo às agências de rating, à sra. Merkel e, grosso modo, ao capitalismo selvagem.

Para surpresa de uns poucos (muito poucos), a solução dos problemas implica o regresso ao estilo descontraído que alimentou os problemas. E se a solução talvez não seja o sr. Hollande, entretanto já empenhado em desmentir os delírios de campanha e prevenir os franceses para as maçadas que os esperam, é garantido que a solução virá, no mínimo espiritualmente, de França. Chama-se José Sócrates e é, para sermos educados, outro homem normal.

UE: especialista em financiar a corrupção em terceiros países

Como se garante financiamento e a sedimentação da corrupção em países "democráticos"? Despejando-lhes dinheiro em cima por causa da "ênfase dada aos direitos humanos". É a especialidade da CE. Está a aprender com eles e, já bastante avançada na arte, juntar-se-lhes-á em breve.



Yet more British taxpayers money down a slush fund

Remove red tape to reduce unemployment - Derek Clark

terça-feira, 22 de maio de 2012

The Heartland Institute’s Seventh International Conference on Climate Change (ICCC-7)

Atenção ao directo das conferências aqui e ao arquivo aqui.

Paulinho da Viola - Quando bate uma saudade

O bacalhau roubado

Foi hoje preso em Vila Nova de Famalicão um homem de 37 anos, depois de ter sido apanhado em flagrante de delito a roubar duas embalagens de bacalhau no valor total de 13,98 euros.

Pobre homem, afinal de contas apenas queria apenas chegar a casa com duas embalagens de bacalhau, uma vez que tinha prometido à mulher que o jantar seria bacalhau à zé do pipo (um prazer burguês, nos dias de hoje). O que ele não estaria certamente à espera era de ser apanhado pela PSP que, surpreendentemente, parece andar bastante preocupada com estes delitos menores que, obviamente, são indesculpáveis e devem ser punidos. Surpreende-me, no entanto, que outras entidades criadas supostamente em prol do bem-comum, não protejam o português comum residente fora de Lisboa de outros roubos: nomeadamente, dos 18 mil euros gastos anualmente em arranjos florais para o Conselho de Ministros. Tenho ligeira suspeita que o dono desta empresa seja, no entanto, um qualquer membro dos três partidos que nos vêm desgovernando desde 1974. Nada de surpreendente.

Compreendo que a PSP tenha prendido este senhor: afinal de contas, aquilo que ele andava a fazer era roubar o Estado. Vejamos: as barreiras alfandegárias, dependendo da proveniência do bacalhau, asseguram lucro à administração central; se o barco fosse Português, o empresário dono do barco tinha certamente o seu navio registado em Portugal, pelo que está a ser taxado absurdamente para se manter no activo e empregar os seus trabalhadores; se o trabalhador que o pescou fosse Português, está também certamente a descontar para a segurança social e a pagar os seus impostos, pelo que desta forma o Estado está também a lucrar; o estabelecimento comercial de venda do bacalhau também paga os seus impostos; no final, como o bacalhau é um artigo de luxo, ainda é taxado a 23%. Segundo as minhas contas, pelo menos 7euros deste bacalhau seriam do Estado.

Compreendo a frustração deste senhor. Afinal de contas, também ando a ser roubado todos os dias.

Instrumento do capitalismo assassino


É impressão minha ou é este o tenebroso instrumento do capitalismo que está a ameaçar a vida selvagem na terra?


Farage: Break up the euro and restore human dignity

Direito ao mau gosto


Recentemente assisti a uma típica cena "Diácono Remédios" na nossa rádio pública. Ia no carro a ouvir o  programa do provedor do ouvinte e este relatava um caso passado no programa "prova Oral" de Fernando Alvim na Antena3. Nele o provedor repudiou (durante 10 minutos) uma piada de mau gosto dita no programa e pôs no ar o acto penitencial pedido de desculpas do director de programas e locutor do programa. Também não se cansou de repetir que não estava em causa a liberdade de expressão e reubeubeu. Resultado: eu - e imagino que mais umas centenas de ouvintes - foram aos arquivos do programa "Prova Oral" ver que grave atentado à decência era esse (últimos minutos do programa). Caso o Provedor não tivesse dito nada, a piada teria permanecido na obscuridade. No final tratou-se de uma piada que o humorista tratou de repetidas vezes avisar que era a piada mais negra e de mau gosto de sempre e de avisar os ouvintes mais sensíveis. O que me desiludiu é que apesar de ser de mau gosto nem sequer é das piores que já ouvi num programa de TV/rádio.

Este caso é sintomático da ameaça mais constante à liberdade e que se traduz no lema : a tua liberdade acaba onde começa a minha sensibilidade. E não interessa se as pessoas são avisadas ao que vão nem se existem dezenas de outros canais para onde mudar. Os tiranetes do bom gosto exigiram e conseguiram a censura destes momentos daqui em diante (e respeitinho é que é preciso).

Quem é a favor da liberdade de expressão tem de ser capaz de suportar as suas consequências (salvaguardando que ninguém seja obrigado a ver/ouvir o que não quer). O resto é hipocrisia.

Energia verde promove desmprego, desindustrialização e a estagnação

O acidente de Fukushima acaba de provocar o fecho de uma fábrica de alumínio na Alemanha. O preço da energia verde vai promover a exportação de mão de obra alemã. Não se devem preocupar os clientes da fábrica de alumínio porque os chineses têm material para entrega.
Voerde Aluminium announced its insolvency on 8 May due to lowering prices for aluminium combined with rising production costs. This was "an indicator of the gradual process of de-industrialization," said Ulrich Grillo, president of Germany's trade body for the metal industry, WirtschaftsVereinigung Metalle (WVM).
"Production of metals, particularly aluminum, is at risk in Germany due to high electricity prices that are no longer internationally competitive," said Grillo.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Medina Carreira - Maria do Carmo Vieira - Ensino - OnO34

Buraco Obama's flying shoe



Correr com os Gregos



É o título deste texto de Alberto Gonçalves, no DN, que transcrevo de seguida:

A Grécia entrou no euro com estatísticas falsificadas? O que importa é Aristóteles. A Grécia aumentou paródica e exponencialmente o funcionalismo público? O que importa é Platão. A Grécia torrou mundos e sobretudo fundos em aumentos salariais, subsídios e benesses diversas? O que importa é Homero. A Grécia aproveitou a integração europeia para, afinal, cometer uma imensa fraude e desgraçar-se no caminho? O que importa é Sócrates (o autêntico).


Nos últimos tempos, é impossível constatar a sepultura que os próprios gregos cavaram sem que os simpatizantes de semelhante desvario invoquem os pergaminhos civilizacionais do lugar. Grosso modo, o "argumento" é o seguinte: o comportamento do povo e dos políticos gregos não pode ser considerado patético nem perigoso na medida em que aquelas paragens foram o berço de inúmeros protagonistas da experiência ocidental. Segundo esta escola de pensamento, o passado ilustre de qualquer nação legitima as suas acções posteriores, perspectiva que, no limite, isenta os alemães da II Guerra e de Auschwitz à conta de Bach e Kant.


No mínimo, por maioria de razão, os alemães ficam automaticamente ilibados de deixarem a Grécia cumprir o seu miserável destino. Ao contrário do que a expectativa face às próximas eleições locais possa sugerir, a Grécia não tem grande escolha. A Alemanha e, se apreciarmos o formalismo, a Europa, sim.


Nas "legislativas" de Junho, a população vai teoricamente optar entre o Syriza e a Nova Democracia. O primeiro partido é uma agremiação da extrema-esquerda com um chefe folclórico e uma mensagem: só pagaremos o dinheiro que nos emprestaram se continuarem a emprestar-nos mais. Chamem-lhe ameaça, chantagem ou pura e simples declaração de guerra, a verdade é que o sr. Tsipras confia no medo da Europa (e da Alemanha) para, caso chegue ao governo, intensificar a farsa em que o seu país se transformou.


A Nova Democracia é, juntamente com o PASOK, defensora em teoria do estado actual das coisas. Por outras palavras, finge suportar a austeridade e confia no medo dos cidadãos para, caso forme governo, manter a farsa à espera não se percebe bem do quê.


Em suma, os radicais querem largar o euro por amor ao caos garantido, os moderados querem servir-se do euro na ilusão de uma cura mítica. A verdade é que enquanto poucos gregos advogam o abandono da moeda, quase nenhum reconhece a justiça dos sacrifícios a que o submeteram, uma mistura em constante iminência de explosão em Junho, Agosto ou Outubro. Na democracia ateniense não impera a sensatez: os resultados eleitorais apenas distinguirão os loucos dos apavorados. Se as sondagens iniciais acertarem e o Syriza vencer, o problema estará resolvido por natureza. Se o acerto couber às sondagens recentes, que atribuem a vitória à Nova Democracia, cabe à Europa (ou à Alemanha) resolver o problema e organizar na pacatez possível a saída da Grécia do euro e, escusado protelar, da UE.


Custos? Imensos, mas relativamente mensuráveis e, com sorte, controláveis. Já aguentar a Grécia a qualquer custo é uma loucura que não se mede nem controla. De loucuras basta a que converteu a livre circulação de pessoas e bens numa máquina produtora de "integração" política e monetária forçada a que os ingénuos chamam Europa e os malucos desejam "solidária". Aliás, correr com os gregos é menos uma fatalidade do que uma homenagem: além da filosofia, eles não inventaram o atletismo?

Global Warming Skeptic Bell: CO2 Hoax Biggest Climate Change Lie

Olavo de Carvalho: Marx e Satan

Gerard Batten: EU creating its very own police state

Pergunta mais-que-pertinente

De facto, o que preocupa na história entre Miguel Relvas e O Público é a razão porque o primeiro perde tempo com o segundo.

Gerard Batten: Canada's realistic view falls foul of the EU - Gerard Batten

Nivaldo Cordeiro: O medo do julgamento do mensalão

Ventos de discórdia


Anda aqui, no blogue, um vento de discórdia.
Discórdia mesmo, que é diferente de discordância.
Quando discordamos, trocamos argumentos sobre ideias e factos, sempre com cortesia e educação, evitando entrar em remoques sobre as pessoas e as suas características, reais ou imaginadas.


Eu gosto de discordância. Gosto de  estar sentado num café, a discutir e a argumentar sobre as mais variadas coisas, com pessoas capazes de debater.
Mas detesto a discórdia.
Detesto quando eu digo que a cadeira é azul e o meu interlocutor, em vez de me fazer ver que  me parece azul porque há uma lâmpada azul no tecto, me chama burro, ou me responde em tom chocarreiro.
Recordo-me de uma longa discussão que tive  num café de Bruxelas, com um amigo, elemento do Comité Central do PCP, de quem tudo me separa em termos de ideias. E de como essa discussão foi agradável, com umas cervejas pelo meio, sem que algum de nós alguma vez entrasse pela chocarreirice, insulto ou pelo remoque.


 Aqui, a discussão - interessante, sublinhe-se- que levou à discórdia, foi sobre as relações entre sexos, progresso, feminismo, etc.
O Carmo da Rosa tem uma opinião diferente da minha e da do Jose Gonsalo, o que é natural e saudável.  Obviamente todos achamos que temos razão e argumentamos em defesa da nossa posição. E consultamos, e lemos, e confrontamos a solidez do que pensamos.
Pelo meio há algumas subtis alfinetadas, mas nada que faça perder o verniz. Eu, por exemplo, sugeri , porque acredito nisso, que o CdR está, nesta matéria, doutrinado e cego, fechado numa certa maneira politicamente correcta de ver o mundo e fui ao extremo de lhe referir os fundamentos dessa doutrina.
O CdR pareceu ter algum dificuldade na refutação dos fundamentos ideológicos e enveredou pelo clássico esquema de tentar fazer humor com o argumento. Pelo meio foi sugerindo que eu tinha uma mentalidade do séc XIX, o que, sublinhe-se, é já entrar num campo algo movediço. É basicamente rotular-me de retrógrado, retardado, enfim, coisas pouco agradáveis e, ainda por cima,  razoavelmente falsas, como pode atestar quem me conhece.


Mas, de um modo geral, a discussão continuou a situar-se no plano das ideias, que é onde gosto que ela decorra.
Infelizmente o CdR alberga nos seus domínios um troll que tem a desagradável mania de, em vez de se limitar à discordância, entra a pés juntos no ataque pessoal, escrevendo em tom chocarreiro cuja única finalidade é ofender e diminuir o oponente.


Este é o tipo de conversa que não me interessa. Não posso descer ao nível do troll e como o CdR não lhe limita a actuação, invocando princípios para ele importantes, torrna-se impossível discutir ideias.
É como estar em casa de um amigo a trocar ideias com um grupo de pessoas, e uma delas estar sistematicamente, aproveitando-se da hospitalidade do anfitrião, a insultar-nos, sem que o anfitrião lhe chame a atenção.


É óbvio que  não tardamos a levantar-nos,  ou para propinar um soco na tabuleta do insolente ou, se isso não for possível,  para ir à nossa vida, em busca de paragens mais agradáveis.
É só por isso que eu deixei de comentar  nos postes do CdR. Porque sou alvo de ataques pessoais e  não quero entrar nesse tipo de "argumentação".


Com o José Gonsalo, a troca de mimos está a entrar numa outra dimensão. Uma dimensão bastante mais desagradável.
Porque se trata de duas excelentes pessoas, inteligentes, conviviais, sensatas e maduras, deixo aqui o meu apelo à contenção, à educação e à cortesia.
Sem isto não passamos de selvagens.

Václav Klaus:

só mudanças fundamentais poderão retirar a Europa da crise em que está mergulhada

Se tiver tempo voltarei a este assunto.

domingo, 20 de maio de 2012

Muçulmanos Radicais à Conquista da Europa - Salafistas pregam a sua Hegemonia


Este o título de um texto de António Justo, que transcrevo a partir daqui:


Muçulmanos salafistas usam uma estratégia de infiltração eficiente em diversos meios, especialmente, na arte, Internet e juventude para uma islamização sistemática na região dos “incrédulos” (“Kuffar). Com a sua guerra santa pretendem fomentar o Islão com a Sharia (direito muçulmano) na Europa, querendo que a Europa volte à idade Média. Querem, distribuir gratuitamente na Alemanha, Áustria e Suíça, alegadamente 25 milhões de livros do Corão. Esta inventiva Árabe visa radicalizar especialmente muçulmanos moderados (na Alemanha há um número superior a 4 milhões de muçulmanos) e recrutar principalmente jovens europeus desorientados.

Em acções de dois fins-de-semana, em Zonas de peões da Alemanha, já distribuíram 300.000 livros. Os resultados da agressão ideológica já se fazem sentir no radicalismo de manifestações na rua.

Emigram para um mundo que consideram inimigo e vêem-no como sua zona de combate. “Lutam por uma espécie de califado europeu, onde não se deve aplicar o direito ocidental mas sim o da Sharia”(in Der Spiegel n° 17/23.4.12); organizam-se em redes como a “Millatu-Ibrahim” (Comunidade de Ibrahin) na Alemanha, fundada por Mahmoud e pelo ex-rapper Cuspert; tornam-se muito eficientes através da infiltração em mesquitas moderadas. Com os seus songs, Cuspert consegue atingir os sentimentos da juventude em textos como “O teu nome corre no nosso sangue” referentes a seus ídolos, entre eles, Bin Laden. Muitos vivem da ajuda assistência social do estado como refere o Jornal Stuttgarter Nachriten no caso do pregador salafista Ibrahim Abou-Nagie que receberá para ele e família entre 2.300 e 2.500 euros por mês. Ele terá sido, segundo afirmou, o iniciador da acção da distribuição dos livros do Corão.

Os Salafistas usam o âmbito da liberdade europeia para missionar uma sociedade que consideram incompatível com a sua e em que a sua fronte de guerra é o mundo cristão. “A nossa arma é a Internet” afirmam salafistas que se consideram a elite da religião maometana. Na Alemanha há entre 3.000 e 5.000 salafistas, recrutados geralmente da segunda e terceira geração de emigrantes. Têm figuras ideais como o ex-pugilista Pierre Vogel e personalidades ligadas à Al-Qaida. Tal como os extremistas nazis encontram-se sob observação do Estado.

O Estado sente-se de mãos atadas perante adversários da sociedade ocidental, como os salafistas. Desde que saibam empacotar a sua mensagem de maneira a não apelar directamente à violência, as autoridades não podem fazer nada, embora conheçam a cena de extremistas que preparam atentados como o de Frankfurt em que dois soldados americanos foram mortos por um companheiro de Mahmoud. Der Spiegel cita Mahmoud, o qual afirma que a diferença entre os seus inimigos e e os muçulmanos crentes, é: “Eles amam a vida e nós a morte”.

Os salafistas são a ponta de lança dos Wahabis da Arábia Saudita. Por toda a parte se observa o aumento da radicalização de grupos islâmicos que antes eram mais tolerantes.

O povo indonésio que antes tinha uma tradição pacífica tem sido influenciado por forças muçulmanas radicais árabes. Tem-se observado, nas últimas décadas, uma radicalização da sociedade indonésia em que muçulmanos que tinham nomes hindus abdicam do seu nome de tradição hindu para assumirem nomes árabes, e aniquilam indígenas de Papua, transplantando muçulmanos para esta região, seguindo a política de colonos como faz a China no Tibet. É preocupante observar como tradições culturais de zonas geográficas amenas abdicam da sua alma afável para adquirirem a aspereza cultural nómada do deserto. Por todo o mundo muçulmano se tem observado uma contínua radicalização. A Arábia Saudita, o Irão, o Paquistão e o Afeganistão têm sido os maiores incrementadores do extremismo árabe.

São tendências que a História corrige mas a custo de grande tributo. Segundo previsões do CBN, no ano 2030, a maioria da população de Bruxelas será muçulmana. Aber Imran, chefe do grupo “Sharia 4 Belgium” afirma: “Democracia é contrária ao Islão” e Allah é quem diz “o que é proibido e o que é permitido”.

Grupos moderados muçulmanos não se levantam contra os salafistas nem contra terroristas muçulmanos porque estes se fundamentam no Corão e para os contradizerem entrariam em contradição com o Corão.

Os salafistas no Egipto (“Partido da Luz”) conseguiram 30% dos votos. Todo o norte de África se encontra a caminho duma radicalização nunca vista.

As diferentes civilizações ainda se encontram muito subdesenvolvidas e primitivas no que toca ao seu estádio espiritual. Só uma atitude de respeito de todo o Homem e de toda a cultura para com o Homem e para com a natureza poderão levar à paz. De momento, o extremismo ideológico político-religioso e o extremismo económico dominam os povos. 

Olavo de Carvalho: Moral, Ética e Justiça

Nação valente e imortal









Texto: António Lobo Antunes na Revista Visão de 05.04.2012
Fotografia: Carmo da Rosa

 Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara

Agora que há sol na rua a fim de me melhorar a disposição,  vou-me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos.

Deixam de ser ministros e a sua vida é um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade. O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade as vezes é hereditário, dúzias deles.

 
Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito. Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio.

Já o estou a ver:

- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro,
- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima,
- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo.

É o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.


As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.

Vale e Azevedo para os Jerónimos, já! Loureiro para o Panteão já! Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já! Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha.

Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram. Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis.


 Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho. Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar. Abaixo o Bem-Estar.

Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.

Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.


 Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.