sábado, 10 de outubro de 2009

Do "serviço público"

As [observações] do Instituto de Meteorologia são uma escandalosa aberração sob múltiplos aspectos. Por um lado, a obtenção daqueles valores, que é uma das suas responsabilidades legais, é financiada pelos nossos impostos e a contrapartida que dão aos que os pagam é exigir um pagamento adicional para ter acesso a eles quando se dignam responder ao pedido. De certo modo é o mesmo que pagar aos professores para ensinar e estes exigirem um pagamento adicional para revelarem as notas que deram aos alunos.

Para além desta aberração, não existe qualquer tipo de controlo externo que assegure a qualidade das medidas feitas. O mais significativo é que não só se furtam a qualquer tipo de validação externa aos dados e ao modo como estatisticamente os tratam, como ainda lhes cabe informar o mundo das alterações climáticas observadas em Portugal. Que confiança merecem? Para as simulações do comportamento térmico dos edifícios é necessário conhecer a variação horária das variáveis meteorológicas que o IM “naturalmente” não disponibiliza de modo a facilitar a utilização.
[Aqui]

Ainda:
Vale a pena também frisar que nos EUA tudo que é pago por dinheiros públicos é público e portanto gratuito, nomeadamente para os portugueses.
...
[...]temos vindo a proceder à reconstrução e validação das variáveis climáticas dos últimos anos de que já dei o exemplo da onda de calor de 2003. Poderíamos fazê-lo para os últimos 50 anos, pois temos os dados base. Mas é um trabalho moroso e dispendioso, que não prossegue ao ritmo que desejaríamos porque não só não dispõe de nenhum apoio financeiro oficial, generosamente dispensado aos apologistas do aquecimento global, como ainda suscita a animosidade dos muitos interesses instalados responsáveis pela situação em que nos encontramos.
.

4 comentários:

Joe Bernard disse...

Muito bem.
Perfeitamente de acordo!!!
Ah, e quando se escreve para esta gente, nem resposta dão.
A verdadeira soberba de funcionário públicos, mas daqueles prepotentes, mal-educados e incompetentes.

o holandês voador disse...

Em Portugal não há servidores públicos (no sentido do "public servant"). Há déspotas públicos. Na maior parte das vezes são verdadeiros grunhos. A falta de resposta da maior parte dos serviços é escandalosa e de uma arrogãncia extrema. As únicas instituições que ainda vão respondendo são as da saúde. Também aqui a falta de tradições democráticas é gritante.

Joaquim Simões disse...

Fiz uma referência ao post, lá pelas minhas bandas.
Abraço.

Carmo da Rosa disse...

@ hv: « Em Portugal não há servidores públicos (no sentido do "public servant"). Há déspotas públicos. (…) A falta de resposta da maior parte dos serviços é escandalosa e de uma arrogãncia extrema.»

Absolutamente de acordo.

Recapitulando, em Portugal não há ‘public servants’ mas sim ‘public despots’.

E no que diz respeito há falta de resposta vira milho e toca o mesmo, isso verifica-se em todos os serviços e instituições. Mesmo nos blogues mais conceituados a falta de resposta é um mal nacional…