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domingo, 27 de setembro de 2009

Obama, e o mundo a mudar de direcção


O discurso de Obama na Assembleia Geral das Nações Unidas foi, como já é costume, muito elogiado, e há que reconhecer que o jovem que lhe escreve os discursos é um verdadeiro artista, não só na mestria com que apela à emotividade, mas sobretudo na perfeita sintonia com os dons declamatórios de Obama no uso do Teleponto.

O discurso foi grandioso, como é costume nestas ocasiões, e informou o mundo, também como é costume, que há grandes desafios pela frente. Afirmou mesmo que “ É chegado o tempo de o mundo se mover numa nova direcção”.

Até aqui tudo normal. Está no Manual do bom líder avisar sempre que há grandes desafios até porque se não houver ninguém necessita dele. De modo que há sempre grandes desafios que têm de ser enfrentados com inadiáveis urgências. De facto não se vislumbra maior e mais urgente desafio que não seja mover o mundo numa nova direcção, o que quer que isso signifique.

As pessoas ficam alarmadas pelo desafio, mas não têm uma ideia concreta de como é que isso se faz, pelo que o líder normalmente informa logo a a seguir que só ele tem a visão certa para vencer os tais grandes e urgentes desafios.

Foi aqui que Obama inovou, ao apresentar-se como apenas mais um dos gajos formidáveis que vão defrontar e vencer os grandes e urgentes desafios, nomeadamente ajudar o mundo a mudar de direcção, que parece ser o mais importante.

Se repararmos na frase, não é ele que vai mover o mundo na nova direcção. Nem sequer nós. É o próprio mundo que se vai mover, porque, segundo Obama, (ou o rapaz que lhe escreve os discursos), está escrito algures que é chegado o momento de o mundo mudar de direcção.

Pormenorizando os aspectos mecânicos da coisa, Obama explica que “ nenhuma ordem mundial que eleve uma nação sobre outras, poderá ter sucesso”.

Claro que o facto de a nação que ele representa, ter direito de veto no Conselho de Segurança, não afecta minimanente esta grandiosa visão obâmica de um mundo sem pólos de poder.

Nesta nova direcção que o mundo vai tomar de forma espontânea, todos agem em simultâneo, segundo uma táctica nova que Obama patenteou com o nome de Acção persistente”.

E que acções são essas? Cimeiras, conferências, negociações, consultas, etc, nas quais “ a América não perderá de vista os seus objectivos, ou seja, não- polar e tal, mas nós trataremos do nosso, ou , como pormenoriza Obama, “ iremos desenvolver iniciativas regionais com particiação multilateral, em simultâneo com negociações bilaterais."

Em resumo, a "acção persistente", parece ser basicamente um conjunto de tertúlias.

Um pouco confuso, mas nesta altura já ninguém está a esmiuçar os pormenores das lateralidades.

A verdade é que o discurso de Obama agradou aos outros líderes que são agora, a bem dizer, colegas. Os aplausos foram constantes e até Chavez bateu palmas e se manifestou tocado pela visão obâmica, pouco faltando para derramar uma sentida lágrima.

Claro que a lógica não tem nada a ver com isto, e só assim se pode aceitar a contradição inerente ao facto de Obama, do alto do seu poder polar, declarar um mundo não-polar, isto é, decretar a partir do facto de presidir à nação mais poderosa do globo que, a partir de agora não haverá nações mais poderosas que outras.

Fica-se com a impressão de que se fosse o Rei de Vanuatu a decretar tal coisa, haveria colegas a cair de cu, de tanto rir.


4 comentários:

Diogo disse...

Bom post Lidador. Por fim, de acordo!

RioDoiro disse...

O companheirão em governança inclusiva.

http://www.youtube.com/watch?v=Xmn0AZzRJ9U

.

Eurico Moura disse...

http://www.newsweek.com/id/216264

Eurico Moura disse...

Receba mais munições. São de graça!

http://www.commentarymagazine.com/viewarticle.cfm/the-age-of-nice--or-politics-as-psychiatry-15235