Teste

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domingo, 19 de outubro de 2008

Eleições Norte-Americanas XXVI


Colin Powell, antigo Secretário de Estado de George W. Bush (2001-2005), declarou, em entrevista, que vai votar em Barack Obama. Há quem considere este endorsment uma autêntica surpresa, mas, convém frisar, a maior parte da comunicação social Norte-Americana já sabia que a posição de Colin Powell seria esta.

Aliás, aquilo que os orgãos de comunicação social Norte-Americanos se limitaram a fazer foram contas. Se 99% dos Afro-Americanos vão votar no candidato Afro-Americano, apenas 1% deles vai votar em John McCain. A probabilidade de Colin Powell votar em Barack Obama era, portanto, de 99 em 100.

Esta coisa do racismo, mania Europeia de qualificar o indíviduo da classe média-alta e alta Americana (especialmente os Brancos), tem destas coisas. Quem é racista agora? A enorme quantidade de cidadãos da classe média e alta Americanos que vão votar em Obama ou os afro-Americanos que vão votar no Messias porque têm o mesmo tom de pele que eles?

O voto de Colin Powell vem quebrar dois mitos, existentes durante toda esta campanha eleitoral: o primeiro prende-se com o suposto apoio de praticamente todos os ramos do exército dos Estados Unidos a John McCain (a grande maioria apoia o Republicano, de facto, mas a expressão não é tão abismal como querem fazer parecer); o segundo prende-se com o suposto 3º mandato George W. Bush, que seria assegurado por John McCain. Não seria de prever que o Secretário de Estado do primeiro mandato Bush, um dos mais altos responsáveis Americanos da altura e, portanto, responsável, entre outras, pelas políticas Norte-Americanas no Iraque, no Afeganistão e em todo o Médio Oriente, estivesse com o candidato do sistema?

Isto deve fazer imensa confusão ao Obamaníaco estúpido. É afro-Americano, tudo bem. É moderado, tudo bem. Agora trabalhou para Bush? Mas o que é que vem a ser isto!!! Na visão do Obamaníaco estúpido seria no minímo de esperar que Obama fizesse uma declaração a repudiar este endorsment.

Está bem abelha. No site de Obama a notícia foi logo publicada, como forma de tentar ir buscar uns votos aos Republicanos e aos Independentes. Nem uma palavra sobre a política conduzida por Colin Powell durante os 4 primeiros anos do Presidente Bush na Casa Branca, nem uma palavra sobre o Afeganistão, nem uma palavra sobre o Iraque, nem uma palavra sobre a Al-Qaeda ou sobre Bin Laden.

A malta abrirá os olhos mais à frente, caso Obama seja eleito, e aí o ídolo passará a Diabo.

Enquanto isto, a ACORN continua a fazer das suas, o FBI começa a fazer o cerco e a comissão de eleições também começa a achar estranho. Para se ter noção, desde o início deste ano, no crucial estado do Ohio, por exemplo, foram registados quase oitocentos mil novos votantes. Isto num estado que conta com onze milhões de habitantes...

Aliás, os contornos do processo de registo de votantes para esta eleição, uns certamente inscritos devidamente, outros inscritos sob coacção, outros inscritos quatro vezes, são tão suspeitos que estados como o Indiana e a Carolina do Norte, ganhos facilmente por Bush, se encontram agora ao alcance de Obama. A Carolina do Norte por força da demografia, que favorece claramente Obama; o Indiana por força da expansão dos subúrbios do estado de Illinois, de onde Obama foi eleito Senador. A maior parte destes deveriam ser votantes em Illinois, mas foram sabiamente colocados em Indiana.

A geografia eleitoral deste ano encontra-se cheia de pequenos mas grandes novos factos. Barack Obama e a sua campanha criaram estes factos, muitos deles com a ajuda de organizações como a ACORN, que foi, como sabemos, financiada por Obama.

A eleição de Novembro próximo é em tudo singular. Outro aspecto importantíssimo é a lógica capitalista da eleição: Obama fez milhões atrás de milhões, rejeitou o fundo federal para o financiamento de campanhas eleitorais (pela primeira vez na história alguém o fez) quando prometeu aceitá-lo (o que ditava que não poderia arrecadar nem mais um tostão privado para a sua campanha). Encheu a TV Americana de anúncios (média de 3 anúncios Obama para 1 de McCain) e até jogos de computador e de consola levam com anuncios de Obama.

Obama gerou uma máquina que, para além da retórica, contou com o necessário e indispensável dinheiro proveniente dos capitalistas (dinheiro esse que Obama pretende "redistribuir" por toda a população, para mal dos Joes canalizadores Americanos). Entre esses doadores encontram-se nomes capitalistas bem conhecidos da esquerda Mundial, mas também tipos com nomes esquisitos (apsdoas, ç-ççççasdkaso, pepqweq, etc.)...

Jethro Tull


Living in the past


Life is a Long Song


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sábado, 18 de outubro de 2008

Já nem é preciso cansar os dedos







A felicidade final, ou "Multivac, what do you yourself want more than anything else?"

Vitoria gloriosa do imperio

Há quem imagine a blogosfera como diario, instrumento ludico, quanto muito ferramenta informativa, há até patifes que vislumbram trunfo infalivel para conquistar mulherio de boa cepa, eu - temente de adam smith - diviso-o genuino campo de batalha, uma guerra implacavel de trincheiras entre inimigos jurados que ante cada adversario tombado avançam ladinos e satisfeitos para a profanaçao da tumba, e quando a armada vai ao fundo a satisfação sobe ao everest - o inimigo agudiza? o apocalipse espreita? nós esvaziamos o jack daniels. A etiqueta estupidos ja acusa orfandade e o latifundio segurança. Mas nada de dormir em serviço, a reacçao e o capitalismo selvajem contam connosco e a vanguarda já conta as kalashnikovs

PS LR abre um blog, that's an order

Inovação


A Acorn continua a inovar, demonstrando a possibilidade de eleitores estarem registados, simultaneamente, (pelo menos) como homem e mulher.

A mesma Acorn continua a inovar, demonstrando a possibilidade de eleitores estarem em dois locais ao mesmo tempo ... oops ... inovação?

A Acorn, em cuja Mocidade Portuguesa militou Buraco Obama, continua a inovar, demonstrando a possibilidade de eleitores estarem não em um, não em dois, mas em três locais ao mesmo tempo.

A Neutrik recebeu um prémio pela inovação de ter desenvolvido uma ficha XLR, usada habitualmente em ligações de áudio, que pode ser convertida de macho para fêmea, e vice-versa, apenas pelo deslizar de um cursor. Não há dúvida: o casamento e a vida em família (ligações intra-familiares) precisam uma redefinição radical no sentido da inovação - todas as outras vias são neo-liberais, cheiram a crude, a Bush, a ácido sulfúrico, a juro positivo, a educação sem Magalhães, a professor que manda estar-se calado.

O nosso Ministro das Finanças, estabeleceu o Estado Português como fiador das operações de financiamento inter-bancário. A vasta maioria dos nossos brilhantes deputados aprovou por aclamação a inovante medida. Após a aprovação, os mesmos inovantes deputados da oposição que tinham acabado de votar favoravelmente a inovante medidas, voltam a inovar exigindo, “garantias de bom uso do dinheiro dos contribuintes e mais transparência no processo”. Nada há de mais inovador que estar-se de acordo com uma coisa para de seguida se pôr a coisa em causa.

Vem entretanto a saber-se, que o Ministro das Finanças apenas fiará as operações bancárias mediante garantias prestadas pela banca. Mais outra inovação: exigir garantias a quem, por não as ter, procura fiador.

O Presidente Sarkosi (França), é também um inovador: vai redesenhar o capitalismo. Os capitalistas incapazes de esperar sem ânsias pelas inovações anunciadas, já transferiram todo o seu capital para a Europa. Também na senda da inovação, Durão Barroso anunciou que tudo isto vai ser conseguido, “sem protecionismos”.

Entretanto António Vitorino vem chamar a atenção que o buraco financeiro encontrado no sistema bancário europeu já ultrapassou, em muito, o milhão de milhões de Euros (1€ = 1.35$), e que continuará a subir. Escusado será apontar uma nova inovação: mesmo com “mecanismos de controlo” por todo o lado, a Europa consegue ter os tomates mais afundados no negócio hipotecário de habitação que os próprios americanos. Não há dúvida que a Europa se tornou especialista em comprar crédito mal parado. Há até quem diga que, em matéria de alta-finança, a Europa se rendeu à inovação final: o juro negativo.

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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Sheik Carlos


Ricardo Coração de Leão revolve-se na tumba.
Passou a vida a rachar cabeças islâmicas, part-time que lhe agradava especialmente, e lá do além contempla agora as apagadas e vis intimidades de alguns dos seus degenerados descendentes com o figadal inimigo maometano.
Já não bastava o Londonistão e os públicos apalpanços de cu entre o ex-mayor Ken Livingstone e a récua de islamistas que o acompanhavam e com ele louvavam o bombismo suicida.
Não bastava o intragável George Galloway e o seu azougado partido Respect, albergue espanhol onde se acoitam esquerdistas cheios de ideias “avançadas” e avinagrados islamistas.
Não bastava Diana, a loiríssima Princesa de Gales, a fugir do palácio de Buckingham para se meter debaixo de vários filhos de Mafoma, desde paquistaneses a egípcios, com a desculpa de que queria aprender a tocar gaita de foles, à procura do Graal debaixo dos albornozes
Não bastava o Arcebispo da Cantuária vir baixar as calças em público, para recomendar a introdução da sharia no corpo legislativo inglês.
Como um mal nunca vem só, soou agora aos ouvidos do fero cruzado que o herdeiro do Trono, o Príncipe de Gales, se terá secretamente convertido ao islamismo.
Este príncipe Carlos é um caso triste e que leva muita gente a repensar a posição filosófica sobre o aborto.
Além de cretino, nasceu com umas orelhas estranhas e, a partir de certa altura, tornou-se impossível disfarçar o ar de parvo com que passeava pelas Highlands, de saias aos quadradinhos e agarrado a um varapau,
Pouco dado ao elemento feminino, há até quem diga que é misógino, foi com alguma dificuldade que lhe meteram a pobre Diana na cama, para ver se cumpria ao menos a função patriótica de dar um herdeiro à Coroa, já que a Rainha Isabel cedo percebeu que dificilmente podia contar com o cu do pastelão para limpar o pó do trono.
Cumprida essa parte sacramental, a princesa percebeu logo que dali não levava mais nada e, rapariga com certas necessidades, tratou da vida por outro lado.
Acabou mal infelizmente, Alá não lhe foi misericordioso.
Mas o pior estava para vir. Carlos deve ter metido na cabeça (se se pode chamar cabeça aquela abóbora com asas) alguma maluqueira sobre a obcecação de Diana com machos muçulmanos e ter-se-á convertido ao islamismo.
Daniel Pipes fala abundantemente desta história e à luz dela contextualiza várias palermices que Carlos vem dizendo e fazendo nos últimos anos.
Ignoro se o boato tem algum fundo de verdade, mas não me admiraria. E provavelmente isso ajudará também a explicar porque razão tem havido apelos para ser retirado da linha de sucessão, em favor do príncipe William.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

0-0

A esta hora estou mesmo a imaginar o brasuca a dizer. “E depois eu é que sou burro, né?”

Quem teve a ideia de escolher Carlos Queiroz para selecionador nacional deve um pedido de desculpas aos milhões de portugueses que gostam de futebol. Eu faço parte. E acho isto desde que ele começou a treinar adultos.

Queiroz é uma espécie de Pedro Santana Lopes do futebol, isto é, 'muita parra e pouca uva'.

Tudo indica que se vai repetir o que já tinha acontecido numa qualificação anterior para um campeonato do mundo: não nos vamos qualificar e no fim o incapaz Queiroz vai dizer, irado, que a culpa é dos outros.

O contrato parece que inclui cláusulas milionárias em caso de rescisão antecipada. Pode ser que alguns não percebam que Queiroz é um mau treinador. Mas ele, pelo menos, está consciente das suas limitações e tratou de se precaver para os previsíveis momentos difíceis. Logo, ao pedido de desculpas há que acrescentar uma indemnização aos contribuintes a pagar pela FPF.

Até pode acontecer que Portugal ainda se consiga qualificar. Seria bom. Nessa altura direi que nos qualificámos apesar do treinador.

Queiroz está para o futebol como o SNS está para a saúde: é ineficiente, é caro, mas há sempre alguém que acha que é bom. Infelizmente a FPF também achou.

Eleições Norte-Americanas XXV


John McCain acaba de fazer a sua melhor performance em todos os debates Presidenciais.

McCain dominou surpreendentemente economia (e o tema energético...), estando Obama melhor na segunda parte do debate, quando se abordou, entre outros, os temas da Saúde e do aborto.

"Eu não sou o Presidente Bush. Se o Senador Obama queria concorrer contra o Presidente Bush, deveria tê-lo feito há 4 anos atrás".

Notou-se um Obama demasiado obcecado em conectar McCain a Bush, enquanto que o candidato Republicano marcou o Democrata nos impostos.

São apenas algumas ideias chave do debate. Continuarei sintonizado na CNN, trazendo amanhã mais notícias.

Será o regresso de McCain?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Nuvens negras no horizonte obâmico

As sondagens estão a dar vantagens significativas a Obama, o sol brilha, o futuro parece radioso, "change" e "hope" desabrocham nas montanhas e nas pradarias.

Mas (há sempre um mas), algumas nuvens negras pontilham o horizonte obâmico.

1-Um advogado do Partido de Obama, um tal Berg, processou Obama e o Partido Democrátco, alegando que Obama não é elegível para a Presidência dos EUA. Parece que não há, até ao momento, provas claras de que seja um cidadão americano, uma vez que poderá ter nascido no Quénia e sido registado pela mãe no Hawai. Tendo sido adoptado por um indonésio, poderá ter adquirido a nacionalidade indonésia e, de regresso aos EUA, não terá regularizado a situação.
O caso está para decisão, Obama e o Partido já tentaram obstaculizar o processo, há rumores de que o juiz que está com o caso é democrata, mas parece que já há outros processos idênticos a darem entrada noutros tribunais e o Sr que instaurou o processo garantiu que irá até ao Supremo, se fôr necessário.

2-A organização ACORN, aparentemente ligada a Obama, está a ser investigada por gigantesca fraude no registo de eleitores. Obama já veio a público dizer que afinal não precisa da ACORN para ganhar, e que a sua ligação à organização é superficial e antiga.

Mudam os Tempos e a Beatice Também

Os tempos mudam, a realidade muda, a opinião dos beatos muda. Só o espírito da beatice permanece o mesmo.

Por exemplo, uma beata de há 50 anos venerava a aliança que uma mulher trazia no dedo. O marido era um bandalho? Dava-lhe cargas de pancada? Dormia fora de casa quando lhe dava jeito? Que interessava isso. Para a beata o que contava era uma mulher adulta estar casada, o resto era vergonha. Alcançado esse lugar ao sol trazido pelo casamento as sombras eram detalhes, por mais que cobrissem tudo. Para a beata de há cinquenta anos, o brilho do ouro da aliança no dedo de uma qualquer desgraçada era suficiente para lhe iluminar a negrura da vida e declará-la ‘feliz’.

Os tempos hoje são mais de repúdio que de casamento, logo, a beatice de hoje venera o repúdio e os seus bispos, como antes venerou outros bispos e o casamento.


Vejamos algumas outras crenças dos beatos dos nossos dias.

Os políticos trapalhões e a Euronews dizem que a culpa da crise financeira global é toda da América? Sim, é.
Pouco importa que na origem de tudo esteja o facto de o governo americano ter obrigado a banca a financiar crédito insustentável por questões políticas sócio-raciais.
Esqueça-se que a solidez financeira dos Bancos de vários países europeus está mais afetada pelo crédito malparado interno do que pela aquisição de ativos do outro lado do Atlântico (a este respeito, Portugal é um excelente exemplo).

Os beatos atuais decretaram que a culpa é da América em geral e da falta de regulação neo-liberal em particular. Para os beatos, a realidade que lhes desmente a crença deve ser omitida como antes deviam ser omitidas referências às 'amigas' do marido.


A crença ideológica e a leitura simplista das estatísticas dizem que os SNS são muito bons e a saúde nos EUA é má? Sim, é.

Pouco importa que o uso de tecnologia clínica de ponta esteja generalizado nos EUA, ao contrário do que acontece nos SNS.
Não interessa que o estilo de vida de faixas importantes da população degradem estatísticas.
É irrelevante que os políticos que defendem a existência de SNS não ponham lá os pés e recorram à medicina privada.
É tolice pensar que morrer nas filas de espera dos SNS signifique que o sistema não presta.

Para a beatice atual, o que importa é que se tem um SNS “universal”, ponto. Tal e qual como no tempo em que a beatice achava que o importante era usar aliança, ainda que o marido não praticasse dentro de casa.


O governo socialista e de esquerda diz-nos que a escola pública está cada vez melhor?
Sim, está.

É irrelevante que os professores das escolas públicas tenham uma taxa de absentismo superior a qualquer outra profissão.
Não faz mal que a média das notas nacionais suba na proporção em que a dificuldade das provas desce.
Pouco importa que pais e alunos batam nos professores à vontade.
Não interessa o bullying descontrolado nos recreios das escolas públicas.
Não há conclusões a tirar de o mais conhecido político de esquerda português ser proprietário de uma escola privada ou de os políticos de esquerda porem os filhos em escolas privadas.

Para o beatério destes dias, o que importa é que as estatísticas nos mostram que Portugal é dos países que gasta mais dinheiro do PIB em “educação”. Acresce que a escola pública, multicultural e sem 'repetências' , é um avanço social por definição, assunto fechado. Esta sacralidade moderna é uma metamorfose de sacralidades matrimoniais públicas e obrigatórias de outros tempos, só a beatice é a mesma.


Para o beato de todos os tempos, a realidade que questiona o preconceito é maldosa e enganadora. Há que não querer saber dela ao mesmo tempo que se ostraciza os seus transmissores desalinhados. Chamar-lhes nomes ajuda a resolver o problema (incréu, judeu - antes - bushista e neocon - hoje).

Portanto, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, mas o espírito beato está vivo, de boa saúde e ‘a la page’ com as crenças dos tempos que correm.

Tratem-se


Um dos estribilhos favoritos dos esquerdistas palonços é o de que “as pessoas não são números”. Não são rendimentos, produtividade, número de carros, conta no banco. Têm dignidade, direitos, competências, sonhos, e tal e tal.

A não ser, claro, que “os números” pareçam confirmar a sua tonta mundivisão. Aí pelam-se por estudos e estatísticas. Percorrem os quatro cantos da internet, trocam com os amigos, emolduram e penduram na sala.

O passatempo preferido dos comentaristas ml e Stran nos últimos dias tem sido coligir estudos que “provam” que o sistema de saúde americano é mau.

O fio condutor nestes estudos é sempre o mesmo: comparam-se vários indicadores em que se verifica que os EUA obtêm resultados semelhantes aos outros países ou um pocuo piores e no fim comparam-se as despesas respectivas. E põe-se a bold, itálico, sublinhado, imprime-se e pinta-se com o marcador amarelo: Os EUA gastam o dobro dos outros para obter os mesmos resultados.

O último que a ml arranjou, foi este (não cita a fonte):

“2008. Dados comparativos. Ou como os SNSs e um pobre país que mata os cidadãos à porta dos hospitais públicos são esmagados pela eficácia dos mais endinheirados.


a. Suécia / b. Canadá / c. RU / d. Portugal / e. EU


1) Expectativa de vida h/m

a. 79/83

b. 78/83

c. 77/81

d. 75/82

e. 75/80


2) Expectativa de vida saudável h/m

a. 72/75

b. 70/74

c. 69/72

d. 67/72

e. 67/71


3) Probabilidade em 1 000 de morrer antes dos cinco ano

a. 4

b. 6

c. 6

d. 4

e. 8


4) Probabilidade em 1 000 de morrer entre os 15/60 anos, h/m

a. 78/49

b. 89/55

c. 98/61

d. 133/53

e. 137/80


5) Despesas per capita

a. 3,012

b. 3,452

c. 2,598

d. 2,034

e. 6,347”


Suponho que o intróito seja da autoria da ml. Como se pode observar, comparam-se alguns indicadores de saúde na Suécia, Canadá, Reino Unido, Portugal, e EUA. A Suécia, o farol da social-democracia, já se sabe que nunca poderia faltar. Reparem também na ordem em que são apresentados os países.

Na Suécia vive-se entre entre 79 e 83 anos, nos EUA entre 75 e 80. Na Suécia a probabilidade de morrer antes dos 5 anos é 0,4%, nos EUA 0,8%.

E no final lá está, inevitável e triunfante, a punchline: gastos com saúde per capita na Suécia 3000 USD, nos EUA 6000 USD.

Eat this!, seus liberais friedmanitas de meia tigela!

No entanto, há um pormenor importante que este pessoal se esquece sempre convenientemente de mencionar, que é o facto de na Suécia a quase totalidade da despesa em saúde ser estatal, enquanto nos EUA a proporção é de 50%.

Sim, porque parece que afinal, na terra do Bush, o estado também gasta dinheiro em saúde. E não é pouco: o Medicaid e o Medicare são sorvedouros de dinheiro que deveriam ser o orgulho de qualquer social-democrata que se preze! E são programas destinados aos pobres e idosos, vejam bem (sendo que ser pobre nos EUA é ter uma casa, um carro, microondas, etc, mas enfim...)! Vão ao google, eu sei que contado ninguém acredita.

Ou seja, a despesa pública per capita com saúde nos dois países é praticamente igual, à volta dos 3000 USD, sendo que os cidadãos dos EUA não abrangidos pelos programas mencionados gastam ainda outro tanto para os mesmos fins. Como diria a ml: “Porque são ricos, sei lá...”

Posto isto, percebe-se que enquanto na Suécia é possível atribuir as responsabilidades pelos indicadores inteiramente ao sistema público de saúde, nos EUA isso não é assim. Neste caso, em que medida é que o sistema público e os cuidados privados contribuirão para os números expressos nos indicadores?

Tomemos como exemplo a mortalidade infantil. Na Suécia é 0,28%, nos EUA 0,69%.

Trágico, não é? Mas vamos considerar que as clínicas Mayo conseguem performances pelo menos tão boas quanto as do sistema de sáude sueco (afinal os equipamentos que usam neste momento são os que irão ser usados na Suécia daqui a 20 anos). É fácil compreender quem faz derrapar as estatísticas.

Os liberais querem clínicas Mayo em todos os cantos do mundo; os socialistas querem hospitais de Santa Maria.

Para o bom povo, obviamente, que eles quando estão à rasca tratam-se bem.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Nacionalizações

A actual crise tem feito as delícias de uma certa esquerda herdeira de Marx, por via directa ou através de Bernstein. Numa espiral de estupidez, os felizes oráculos desencadeiam-se em paralogismos delirantes, disfarçados em argumentos que, na sua perspectiva, são inquestionáveis.
Não falta quem veja na crise financeira o tão profetizado fim do capitalismo, a vitória final do socialismo, a ressurreição de Marx, finalmente vingado das humilhações que o séc XX lhe impôs, enfim o enterro definitivo e apoteótico do “neoliberalismo” que, de caminho, se identifica com “o Bush”, apesar de este ser um “conservador compassivo”, a largas milhas do pensamento liberal (no sentido europeu).
Todo este delírio se baseia na caricatura do liberalismo como anarco-capitalismo, e do capitalismo como a aura sacra fames de todos os tempos, ou seja, um sistema teórico em que o Estado não existe e apenas a ganância impera.
Um homem de palha!
Ora no mundo real, o liberalismo e o capitalismo não só exigem o Estado, como exigem um Estado de Direito, forte nas nas suas funções de garante das regras do sistema e apto a intervir nas externalidades a que a normal gesticulação dos interesses individuais não dá resposta óptima.
Não há capitalismo nos países onde o estado não existe (ou onde existe em demasia).
Os mais histéricos falam nas “nacionalizações” e exigem o regresso ao passado ou seja, um estado que tenha na sua mão todas as forças produtivas ou as "estratégicas" (como se sabe, o conceito de "sector estratégico", não tem uma delimitação objectiva, correspondendo geralmente ao que cada um tem na cabeça) .
A alegação é simples: se os estados estão a “nacionalizar” largos sectores da banca (na prática estão a comprar os prejuízos) então é porque o caminho da virtude é o regresso às nacionalizações.
O paralogismo é estúpido, mas aparece como argumento “inquestionável”, na boca dos Jerónimos, Louçãs e respectivos fiéis.

Façamos um paralelismo com a democracia e a ditadura.
A democracia é um sistema político que pressupõe a liberdade individual e um extenso rol de direitos individuais . O estado tem de garantir o exercício dessa liberdade e desses direitos, mas não é o seu detentor. A ditadura não garante nada disso.
Todavia, em situações de crise, todas as democracias podem instaurar uma ditadura temporária. Em Portugal chamamos-lhe “estado de sítio” e está previsto na Constituição.

O facto de o Estado instaurar uma ditadura temporária em determinadas circunstâncias, não significa que viver em ditadura seja melhor e que , uma vez que foi preciso suspender a democracia para resolver um problema, a partir de agora a democracia está morta.

Mutatis mutandis, é este o raciocínio que se tem de fazer na actual crise. Os Estados intervieram (se fizeram bem ou mal, é outra conversa) numa situação excepcional e pelo tempo necessário para que tudo volte ao normal.
E o “normal”, não são as patetices cretássicas dos Chavez, dos Jerónimos e dos Louçãs, mas sim a economia de mercado.

sábado, 11 de outubro de 2008

Os Querubins - VI

Staring:
Hussein Hope Barack Change Obama

... e os 'episódios' seguintes (o link de ligação aparece no fim dos vídeos).

Newt Gingrich:
Estou convencido que os democratas entraram na reunião convencidos quer teriam um acordo. Que a administração lhes iria dar o dinheiro que queriam como preço para que a administração obtivesse o dinheiro que queria.

Já na sala, repararam que John Beiner, lider parlamentar dos republicanos, estava sentado ao lado de John McCain.

Quando falou, Beiner disse "nós, republicanos, não alinhamos. Não vamos dar 20 mil milhoes de dólares a grupos de esquerda, não concordamos com todo este gasto, não o vamos fazer sem controlo muito apertado. E McCaine disse simplesmente .. estou com Beiner."
Bret Baier
O Congresso rejeitou a acção de emergência por 228/205. Os republicanos opuseram-se à medida por 133/65. Mas os democratas estavam longe de estar unidos, apenas suportando [a medida] 140/95. Os democratas culparam os republicanos por não terem conseguido votos suficientes em apoio da medida avançada pelo presidente republicano [Bush]. Mas os Democratas controlam o Congresso e poderiam ter feito passar a medida sem qualquer voto republicano. Na verdade, bastaria que apenas mais 12 democratas tivessem apoiado a medida, ela teria sido aprovada.
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Os Querubins - V

Os Querubins - IV



Os idiotas que tudo fizeram para fazer crescer a bolha venenosa, vieram depois dizer que a coisa se deu por falta ... de reguladores.

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Os Querubins - III

Oa malandros dos laboratórios

Os estúpidos de serviço no governo resolveram obrigar os laboratórios que produzem genéricos a baixar os preços. Fazem muito bem. Há procura e oferta.

Mas, porque carga de água teria a coisa que ser feita a mata-cavalos? A coisa teria, fosse como fosse, de ser efectuada em pouco tempo e os medicamentos teriam, obrigatoriamente, que ser remarcados.

Nas farmácias há, de momento, uma terrível falta de genéricos porque ... foram retirados, quase todos de uma vez, para serem remarcados.

Acabo de dar uma volta por várias farmácias e o panorama é o mesmo. "Só teremos alguns desse medicamentos dentro de alguns dias porque foi retirado para ser remarcados" respondem-me.

Não poderiam os estúpidos ter feito umas contas de merceeiro e perceber que demora tempo a recolher, transportar, colar etiquetas (a mão), voltar a transportar e voltar a colocar nos armários milhões de embalagens de medicamentos?

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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Os querubins - II




Complemento (Walter Wendy Carlos, a 9ª de Bethoven, Clockwork Orange, Stanley Kubrik).
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Os querubins

No Abrupto.
E’ curioso que ha’ varias coisas que nao se escrevem sobre esta crise financeira. A maior e’ que o grande responsavel por esta crise e’ sem mais nem menos o partido Democrata. Foi o partido democrata que incentivou a Fannie Mae e Freddie Mac a oferecer credito a pessoas que claramente nao o podiam pagar. Tudo isto feito em nome do chamado “affordable housing” , outra forma de dizer socialismo ‘a americana. Quando a administracao Bush chamou a atencao para isto, os democratas rejeitaram a nocao que o mercado imobiliario e os emprestimos da Fannie Mae e Freddie Mac tivessem qualquer tipo de problema. Em 2005, Barney Frank (D) e o senador Schumer (D) diziam que estava tudo bem, e que tudo nao passava de uma tentativa de Bush para “bater” nos pobres.

E’ sem surpresa que vejo agora Barney Frank, Schumer e Obama entre outros virem dizer que eles sao os herois e Bush o vilao nesta situacao.

E’ tambem sem surpresa que vejo os media e governos europeus virem agora ostracizar o capitalismo e os EUA. E’ de morrer a rir a afirmacao que os bancos europeus sao menos gananciosos, ou que os europeus tenham alguma superioridade moral no que diz respeito ao credito financeiro… se e’ assim entao porque e’ varios bancos europeus estao agora em sarilhos? Porque e’ que a Islandia esta’ na bancarrota? Parece-me a mim que nao se atirar pedras quando se tem telhados de vidro. Os bancos europeus tinham as suas maos cheias destes chamados “investimentos toxicos”.

(Carlos Carvalho)
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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Eleições Norte-Americanas XXII


Hoje escrevo o artigo 22 sobre as eleições Norte-Americanas deste ano. Já não me lembro do que escrevi no artigo 8, mas sei que a minha opinião sobre os protagonistas (ambos os candidatos), sobre os possíveis resultados das eleições, entre outras coisas, se alteraram ao longo dos meses que passaram.

Não encarei a figura de ambos os candidatos e as suas respectivas ideias como algo absoluto ou imutável. Nem era de todo coerente fazê-lo pois, tanto McCain ao longo das mais de duas décadas de Senado, como Obama ao longo desta campanha eleitoral, demonstraram não ser pessoas de ideias fixas. Nesta campanha tanto Obama como McCain ficaram conhecidos por serem flip-floppers derivado à mudança de algumas das suas opiniões (lembro-me, de cabeça, da posição de Obama no que toca ao Iraque).

Apesar disto, não deixei de ficar surpreendido com aquilo que Obama fez depois da vitória nas Primárias. Barack transfigurou-se, tornou-se um homem com ideias e soube transmiti-las (tanto nos debates como em entrevistas) e abandonou (embora que não completamente) a política populista que alimentou a sua nomeação.

Este abandonar da estratégia que o levou a vencer as Primárias, tornou-o um candidato mais forte para a Casa Branca. Como já aqui frisei no blog, Barack Obama não teria a mínima hipótese se continuasse a fazer o tipo de política que derrotou Hillary: o eleitorado das eleições gerais é substancialmente maior e mais diverso do que o das Primárias Democratas, exigindo dessa forma mais atenção aos tópicos e menos à palhaçada.

Após algumas hesitações iniciais, a escolha de Joe Biden demonstrou que Obama ia mudar de estilo. Já a escolha de John McCain para a vice-Presidência obrigou Barack a dar a ruptura total.
Obama tinha a necessidade de se afirmar como um candidato astuto e capaz, o contrário da ingenuidade que lhe era atribuída como característica.

O desviar das atenções para Palin foi muito importante para Obama conseguir fazer esta transformação, lentamente, sem ninguém dar por isso. Não deixou, dessa forma, de contar com o apoio dos jovens que são, como sabemos, a principal base de apoio do Democrata (mas também a mais frágil...).

No primeiro debate foi totalmente visível esta nova posição de Obama, a sua perspectiva mais realista dos Estados Unidos e do Mundo sem, no entanto, dar um arzinho da sua graça aqui e ali. Temas económicos foram dominados pelo afro-americano, pese embora fosse visível uma resposta muito capaz de John McCain, ao contrário do que seria, para muitos, de prever.

O "velhote" portou-se muito bem neste aspecto, mas foi na política externa que se destacou. Conhecedor dos palcos de guerra em que os Estados Unidos combatem hoje, com uma visão geo-estratégica absolutamente incrível, com um conhecimento abrangente em todas as áreas de relevo no domínio da política externa, McCain demonstrou que tem um conhecimento ímpar do Globo. Obama deixou-se ir atrás da onda neste debate, repetindo several times: "John is right. John is right".

McCain foi para mim o vencedor deste primeiro debate, mas a diferença entre ele e Obama não foi o que ele esperava. Talvez por isso o empate técnico é o defendido pela maioria dos analistas.

Voltando agora um pouco atrás, o mapa das eleições sofreu, nas últimas semanas, mudanças importantes, na sua maioria em favor de Obama, não só pelo acabar do fenómeno Palin (que se revelou éfemero e não trouxe, pelo menos nas sondagens, o voto feminino) mas também pela tal mudança estratégica de Obama e ainda pela crise económica Global.

Tenho algumas reticências em encarar esta viragem de Obama como uma estratégia, pois acho que aquilo que ele fez nas Primárias é que foi uma estratégia. Obama, ele próprio, agora sim, revelou-se.

Assim sendo, estados divididos começaram a virar Obama, sem que se torne irreversível este facto, como é óbvio. Florida, Ohio, North Carolina, Virginia, New Hampshire, Missouri, Colorado e Indiana serão os estados que vão decidir esta eleição. Basta a Obama ganhar um dos grandes estados em disputa (Florida, Ohio ou North Carolina) para gameover.

Mantenho a convicção que McCain ainda pode ganhar a eleição, com os votos dos indecisos e com os votos maciços dos religiosos.

No debate vice-Presidencial, Joe Biden demonstrou toda a sua categoria, saber e experiência. Profundamente conhecedor do Mundo que nos rodeia este homem poderia ser, perfeitamente, o nomeado dos Democratas para esta eleição. Esteve muito bem em todo o debate, dominando economia, saúde, relações externas.

Joe Biden ganhou o debate a Sarah Palin, mas nem por isso pode estar muito contente: a mulher do Alaska superou as expectativas para 90% das pessoas que viram o debate e aguentou-se muito bem nele, sem uma única gaffe de relevo.

No segundo debate Presidencial, decorrido ontem, a história foi diferente: surpreendentemente, Obama esteve a um nível estratosférico, contrastando com um McCain bom, mas que, a precisar de uma vitória esmagadora no debate, fez pouco por isso.

Digo surpreendentemente porque o conteúdo das frases de Obama demonstraram um homem que, nos próximos 4 anos, passará, provavelmente, de ídolo a odiado pela esquerda Mundial. Directo nas respostas, afirmou que os Estados Unidos não têm, de longe, a obrigação de esperar pelas Nações Unidas para actuar quando acharem que isso é o melhor a fazer. O Irão para Obama deve, literalmente, bater a bola baixa. Quanto ao Iraque, Obama falou de uma política consciente, levando a crer que aquela coisa de definir uma meta rígida já lá vai.

Obama parecia defender uma política bem mais interventiva dos Estados Unidos no Mundo, bem mais belicista até (muito para além do humanitarismo de Clinton)...

Algo de extraordinário tem que fazer a máquina Republicana para inverter uma situação que está algo negra para John McCain. O tempo escasseia, McCain tem as suas possibilidades, mas as coisas estão bem difíceis.

PS: Que tal meter a Palin na Playboy? (being sarcastic).

Os especialistas

Apesar de Obama (hope) sempre ter perdido votos cada vez que falou sobre o Iraque, a esquerda estúpida sempre insistiu 'Iraque, Iraque, Iraque', como razão pela qual McCain viria a perder as eleições.

Deu-se o trambolhão dos bancos e McCain perdeu votos.

Entretanto é giro ver Obama (change) declarar que, se ganhar as eleições, marchará rapidamente e em força para o Paquistão e Afeganistão.

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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Outra vez o "casamento gay".

A causa “fracturante”

Uma das cíclicas “causas fracturantes” da esquerda pós-moderna, é a dos “direitos” dos homossexuais, especialmente, nos últimos tempos, o direito ao casamento.
A luta pela causa tem episódios aceitáveis, que passam pela afirmação do direito à diferença e pela rejeição de acções intolerantes que ataquem os elementares direitos de cidadania do cidadão homossexual e hoje, tirando alguns trogloditas, no Ocidente quase ninguém preconiza que se espanquem ou internem homossexuais. A ideia prevalecente é a de que a vida particular de cada um só a ele diz respeito.
Assim sendo, qualquer homossexual é livre de viver a sua vida como bem entender, com quem entender, e o estado ocidental não se posta à cabeceira da alcova, para inspeccionar e sancionar os pormenores íntimos da questão.
Ou seja, neste particular, tanto os homossexuais, como os heterossexuais são livres como os passarinhos.
Mas a “causa fracturante” mantém-se, porque se deve à necessidade que a esquerda tem de arremeter contra homens de palha e moinhos de vento, uma vez que se vê a si própria como vanguarda revolucionária, como elite cultural cuja missão histórica é orientar as massas ignaras no caminho do progresso.
Os que duvidam da sua auto-atribuída iluminação são evidentemente ignorantes ou malévolos, incapazes de ver aquilo que para a elite é de uma evidência cartesiana: os direitos dos homossexuais são condição sinequanon da modernidade e do progressismo.

Sugerir ou afirmar qualquer discordância, implica o anátema e o ódio devido aos hereges “homofóbicos”. A vanguarda revolucionária, ao mesmo tempo que derrama sobre os ímpios as suas indignadas condenações morais e éticas, actua, qual Tribunal do Santo Oficio, insultando com o látego dos cismáticos.

E de uma aceitável condenação das acções concretas contra os homossexuais rapidamente escala para a pretensão totalitária de fiscalizar pensamentos e intenções, procurando castrar qualquer opinião que não coincida com a ortodoxia.

A Homossexualidade é uma “escolha”?

Aqueles que desfraldam o “orgulho gay” e abanam o rabo nas marchas do “orgulho”, garantem que sim. A ciência, pelo seu lado, parece indicar que se trate de uma condição biologicamente determinada. Por exemplo, este estudo de Ivanka Savic e Per Lindström , demonstra, sem margem para grandes dúvidas, que nos aspectos relevantes a arquitectura cerebral dos homossexuais masculinos é semelhante ao das mulheres heterossexuais e vice-versa.

Para além disso a homossexualidade existe noutros mamíferos que não apenas o homo sapiens pelo que, a menos que se trate de uma “escolha” de um certo chimpanzé, resta a biologia como explicação.

No sentido estatístico do termo é uma anormalidade, tal como o génio, também ele sustentado em cérebros com mais ou melhores conexões, ou as habilidades futebolísticas do Cristiano Ronaldo, sustentadas não sei em quê.
Nesta perspectiva, o “orgulho gay” é algo ridículo. Que um indivíduo se orgulhe de ser génio, ou meter golos como o caraças, faz algum sentido. Que se orgulhe de uma diferença que não lhe dá qualquer vantagem, não faz sentido nenhum, excepto como fuga para a frente.

É uma doença?

O fundamento biológico não torna a homossexualidade uma doença. O seu portador nasce apenas com uma característica biológica que não lhe confere vantagens reprodutivas pelo que, naturalmente, tenderá a ser “passada” cada vez menos às gerações futuras.
O que faz crescer as espécies, são pulsões sexuais puras e duras e as nossas são exactamente iguais às dos outros mamíferos. O modo como as estilizamos é que é diferente. Gostamos de embrulhar a coisa em palavras elevadas e sublimes, mas o que está lá dentro são as poderosas forças do sexo e da morte.
Eros e Tanatos, a estratégia racional, ainda que não racionalizada, de escapar à morte e ao tempo, espalhando ao máximo os genes que assegurarão a continuidade.
É uma das principais razões pelas quais desaguámos no presente como espécie bem sucedida. A cultura vem depois, para suavizar, estilizar, enfeitar, humanizar.
Paradoxalmente, o facto de haver mais homossexuais na nossa espécie, pode dever-se exactamente ao ambiente culturalmente hostil, porque durante muitos séculos a homossexualidade foi socialmente estigmatizada e poucos se atreviam a assumi-la, acabando por procriar no seio de relações hetero normais. Principalmente as mulheres que não tinham escolha.
Com a “saída do armário”, os homossexuais já não precisam de fingir pelo que as suas configurações genéticas serão cada vez menos passadas às gerações seguintes e o mecanismo darwinista remetê-los-á para a irrelevância estatística.
Assim, paradoxalmente, o orgulho “gay” terá como consequência a longo prazo, com mais ou menos complexidade, com mais ou menos factores influenciadores, o confinamento dos homossexuais a uma percentagem reduzida, semelhante à de outras espécies de mamíferos.
Não desaparecem (e ainda bem, a espécie pode vir a necessitá-los e a variedade é uma das armas da espécie) mas tornam-se marginais…, outliers, no sentido estatístico da palavra.

Preconceito

Nada há de escandaloso ou preconceituoso nisto, a não ser que se considere Charles Darwin e Mendel como maldosos homofóbicos.
Todavia eu tenho preconceitos relativamente à homossexualidade.
Tenho e reivindico o direito de os ter. Faz parte da minha liberdade básica e não penso abdicar dela.
Mas, contrariamente à correcção política vigente, penso que os preconceitos sobre a homossexualidade não são o resultado da ignorância ou da maldade. Pelo contrário, sou da opinião que as razões mergulham fundo nos nossos arquétipos colectivos, e estão presentes na maioria das pessoas.
Por uma questão de conveniência ou boa educação, controlamos o impulso de fazer chacota, disfarçamos a aversão, retocamos a máscara, tal como fazemos com pessoas estranhas, obesas, deformadas, etc.
A moral vigente dá polimento às atitudes mas na viela iluminada da nossa consciência, não podemos esconder de nós próprios o que realmente somos: velhos primatas prontos a matar e morrer, caso a natureza nos alcance.

Eu não sou hipócrita a não ser quando me convém.
Consigo conversar civilizadamente com qualquer pessoa e disfarçar o que realmente penso, em suma, agir com correcção.
Mas isso é apenas verniz social. Importante, sem dúvida, mas apenas verniz.

Para lá dele, eu penso que a homossexualidade é uma coisa estranha, e desagradam-me as suas manifestações públicas.
Reconheço às pessoas o direito de serem o que são, mas reivindico para mim o direito de gostar ou não gostar disso.
Há coisas que me desagradam e repugnam, não sei se por instinto, mas certamente para lá da racionalidade: por exemplo, ver dois tipos aos beijos.
Porquê? Ignoro!
Só sei que detesto olhar para aquilo. Há umas séries na RTP 2 que passam cenas e diálogos de gays e aquilo faz-me mudar de canal, é como mostrarem cenas de agulhas a espetarem nos braços, ou blocos operatórios, ou partos, etc. Mudo de canal porque ver aquilo incomoda-me. Não é uma questão religiosa… não acredito em Deus e estou-me nas tintas para os anjos. É algo de epidérmico. E tenho a razoável convicção de que a maioria das pessoas sente o mesmo, embora não o verbalize porque há uma pressão social que rotula tal aversão como pouco “avançada”, pouco “moderna”, pouco “sofisticada”.

Também não gosto de ver uma pessoa com um furúnculo no nariz.
Não gosto e pronto, viro a cara e olho para coisas bonitas. Mas se a pessoa insiste em vir meter-me o furúnculo à frente dos olhos, e exige o meu respeito pelo furúnculo, e esfrega-o no furúnculo de outro tipo em público e diz que tem orgulho e quer que o estado reconheça e dignidade do furúnculo, a situação torna-se irritante.
É isto que se está a passar. Há quem pense que os outros devem submeter-se à sua visão da homossexualidade como um sinal de “modernidade”, de “progressismo”.
É uma guerra cultural que tem de ser rechaçada.

Casamento homossexual

Quanto à “discriminação do casamento”, a argumentação não me convence. Até porque a malta que agora exige o “casamento gay”, é exactamente a mesma que tende a desvalorizar o casamento tradicional. Porque razão pretende esta gente estender aos homossexuais um estatuto que tanto critica, trazendo o Estado para o interior de uma relação que o não necessita, é algo que me faz torcer o nariz.

Entendo que os próprios pretendam ter acesso aos benefícios que o Estado garante aos casais heterossexuais. É racional que assim o desejem.
Ora o Estado, enquanto comunidade politicamente organizada, tem interesse em proteger e incentivar relacionamentos normais, com potenciais benefícios para a sociedade. A começar pela procriação, condição sinequanon da sobrevivência da sociedade. Mas também a família, o equilíbrio, a educação das gerações, o controle da agressividade que a testosterona provoca, (basta ver a estatística de acidentes entre homens novos solteiros e casados, ou saber que os homossexuais não fazem cavalinhos nas motas para impressionar as fêmeas, para se ter uma ideia do que isto significa), a noção de uma "razão" de vida, etc, etc, tudo boas consequências empíricas de uma relação normal.
Nem todos têm estes benefícios?
Claro que não mas isso só se sabe à posteriori.

Pelo seu lado, as relações homossexuais não são vantajosas para a espécie, até ver. Certamente que interessam a alguns indivíduos, mas há uma certa arrogância em alguém considerar que aquilo que é bom para ele, é automaticamente bom para a sociedade. A meu ver, a sociedade apenas deve “pagar” aquilo que é potencialmente do seu interesse. A homossexualidade não o é.
As sociedades humanas não necessitam de proteger juridicamente, ou incentivar a relação homossexual, porque dela não colhem quaisquer benefícios.
Pode um estado legislar sobre a relação homossexual, mas não se vêem razões de "bem geral" que o justifiquem.

De qualquer modo, se se vier a estender o contrato de casamento à relação homossexual, não se entende porque há-de parar aí. Porque não incluir também outros tipos de associações conjugais, como os serralhos, por exemplo?
Porque razão especial um homem há-de poder casar com outro homem e não com 3, 4, ou 5 mulheres e vice-versa?
Será menos digno? Menos moderno? Menos progressista? Menos "de esquerda”?

Se alguém entende que o casamento homossexual é uma coisa de tal modo importante para a sociedade, que justifica que a lei o enquadre, então o casamento poligâmico é-o por maioria de razão, porque mais natural e susceptível de gerar mais descendência.
Afinal de contas, todos os homens normais gostariam de se “pôr” no maior número possível de mulheres, e todas as mulheres normais gostariam de ser apreciadas pelo máximo possível de homens, para poderem escolher o que lhe interessa mais.
A fêmea escolhe. E é porque a fêmea escolhe que o macho se exibe e se arrisca, e quer mostrar que é melhor que o outro e que tem melhores genes.
Porque a fêmea não tem outra estratégia senão a escolha criteriosa. As suas oportunidades são finitas, tem de jogar pelo seguro. Não tem biliões de óvulos para desperdiçar e se hipoteca um, convém que valha a pena porque o vai carregar durante muitos meses e porque a cria será indefesa durante anos.
Os seus genes sobreviverão ao tempo e à morte, se a cria sobreviver. Tem de escolher bem…tem de escolher bons genes e um parceiro que proteja a cria.
Essa é a sua estratégia. Subliminar, não racionalizada, na maioria das vezes, mas que se mostra clara nos comportamentos normais.
Quase tudo se joga na biologia.
A "correcção política" é uma moda de gente mimada, numa época mimada.
Assim que a natureza reclama o seu lugar, as Sabinas voltam a ser raptadas e os homossexuais a levar com ovos na testa.

Eleições Norte-Americanas XXI


(Este artigo era para ser colocado no blog há umas semanas atrás, mas tal foi impossível.)

A esquerda tem uma particular queda para arranjar os seus ídolos, os seus rostos, as suas vozes. Nada tenho contra isso, como é óbvio, pois todas as correntes precisam, necessariamente, de ter os seus símbolos e de se reverem em alguma coisa. Mas a esquerda surpreende pelo facto de conseguir substituir os seus ídolos quando quer, de se fazer apropriar de uns quando estes não lhe dizem absolutamente nada e de descartar facilmente os seus símbolos inconvenientes.

Assim, poderemos classificar como símbolos, rostos, vozes ou ídolos da esquerda à escala Mundial figuras como Lenine (o pai do primeiro país socialista do Mundo), Trotsky (o homem que ainda dá nome a partidos…), Estaline (o homem ao qual devemos a libertação do Nazismo. Porém, Estaline viu-se despromovido, por força dos milhões de homens assassinados por sua directa responsabilidade), Brejnev (o último grande czar da URSS), Mao Tsé-Tung (o pai do comunismo Chinês e do grande salto atrás era movido por um enorme coração, que o diga o célebre livro vermelho), Símon Bolívar (o inspirador de gerações e gerações de revolucionários Latinos), Che Guevara (o bom rapaz. O homem que tentou salvar a América Latina do fundo obscuro em que se encontrava), Fidel Castro (o adorado líder do país economicamente e humanamente desenvolvido que é Cuba) e Yasser Arafat (o inimigo dos malditos sionistas. Também foi despromovido porque, ao que consta, era um vendido).

A maior parte destes homens já morreu (só Fidel Castro, supostamente, não), mas nem por isso deixaram de ser venerados pela esquerda no global e pela esquerda estúpida em particular.

Poderíamos facilmente adicionar a esta lista de nomes Sartre, para além dos actuais Noam Chomsky, Hugo Chávez e Hassan Nasrallah.

Convém frisar, para não ser mal interpretado, que considero a esquerda de hoje dividida em dois importantes grupos: a estúpida e a briosa.

A estúpida considera-se a legítima e verdadeira sucessora de todos os nomes que se conseguem ler mais atrás, acusando a briosa de ser uma vendida aos interesses capitalistas e de não procurar o bem dos pobres e oprimidos. É a esta que geralmente me refiro quando falo de esquerda, é esta a esquerda que bate palmas a Chávez, Chomsky, Morález, Putin, Bin Laden, Bashar al-Assad, Mahmoud Ahmedinejad, Haniyyah, Nasrallah e às FARC. É esta a esquerda que não quer construção de estradas que matem duas formigas, é esta a esquerda que odeia os Estados Unidos da América, é esta a esquerda anti-Globalização.

A briosa teve o brio de se desvincular da estúpida e de alguns dos dogmas antigos, embora que não totalmente, e, dessa forma, teve a oportunidade de evoluir. Não bate palmas a todos aqueles nomes, mas também é bem capaz de não se levantar para os repreender. É a esquerda que, apesar de também não ir muito à bola com os Estados Unidos, é incapaz de negar o fenómeno Globalização.

A estúpida encontra-se bem mais forte que a briosa, bem mais organizada, bem mais motivada, bem mais aguerrida. A briosa não quer perder a sua independência mas, muitas vezes, não tem outra solução do que ceder ao intenso seduzir dos estúpidos.

Barack Hussein Obama, candidato à presidência dos Estados Unidos da América pelo Partido Democrático, afro-americano, jovem, sorridente e bom falante, é, como sabemos, o mais recente ícone da esquerda Mundial.

Foi difícil para todos entender o porquê de Barack Obama ter atingido um estatuto que nunca um Norte-Americano tinha atingido entre hostes tão avessas aos Estados Unidos da América e a tudo o que o país representa. A resposta a este porquê está relacionada com o facto de Barack Obama não ser um Norte-Americano comum.

Barack Obama é afro-americano e, dessa forma, pertencente a uma minoria que todos julgam ser profundamente desprezada nos Estados Unidos. Como sabemos este mito é falso, estando os Estados Unidos, a meu ver, superiores nesse aspecto até à Europa, a inventora da escravatura e do fascismo. A esquerda ama minorias e filhos de emigrantes, fazendo gala de mostrar que todos somos iguais e que todos merecem uma oportunidade (que novidade…).

Barack Obama é jovem, um homem com “espírito aberto” e sem dogmas. Barack nasceu no Hawai, a sua mãe no estado de Kansas e o seu pai em Nairobi. Cresceu na Indonésia, fumou droga durante a juventude. É um candidato que não teve uma vida fácil, que passou por muito, que é jovem e que compreende os problemas desta faixa etária (como enrolar uma ganza; como mandar um e-mail; como engatar uma miúda, etc.). Como se isso não bastasse, é considerado por muitos como o mais liberal senador dos Estados Unidos (obrigado Diogo por me ter informado que liberal significa “de esquerda” nos Estados Unidos. As suas intervenções são sempre bastante oportunas).

Barack Obama é sorridente e bom falante, um populista moderno. Consegue ocultar todas as suas opiniões sobre os mais diversos assuntos, fazendo com que toda a gente não saiba o que ele pensa, o que vem mesmo a calhar, diga-se. Baseia-se na ideia de mudança e de esperança sem dar a conhecer como as pretende alcançar. Política não é muito com Obama, até porque toda a gente sabe o sinónimo de político nos dias de hoje.

Seria Barack Obama conhecido e venerado a nível mundial sem o apoio e idolatração da esquerda? Seria Barack Obama considerado o vector da mudança sem as insistentes frases de apoio de intelectuais da esquerda estúpida e da esquerda briosa?

A resposta é óbvia: não. Mas Barack Obama sabia perfeitamente que podia tirar proveito de todo este mediatismo, de todo este clima de mudança, de todo este clima de compaixão à sua volta. Foi graças a este clima que ele conquistou a nomeação Democrata, mas com ele de certeza que não vence as eleições Presidenciais.

Portanto, seria necessário começar a mudar: começar a falar de política e começar a atacar o adversário, deixando de falar de céus estrelados, de florezinhas e de “políticas negativas” do seu adversário.

Foi isso que Barack Obama começou a fazer, para desilusão de muita gente: mas Obama tinha que o fazer, porque o maldoso do adversário, semelhante ao Bush, andava a dizer que Obama era inexperiente. Foi, portanto, uma desilusão justificada por aquilo que se estava a passar.

Começaram os ataques: John McCain é velho; John McCain é George W. Bush (até Bush, na convenção Republicana, rebolou no chão a rir: “John McCain não é como eu. Acreditem naquilo que eu vos digo, porque eu sei bem o que sofri”.); John McCain não quer sistema de saúde e vai ajudar os ricos; John McCain tem 7 casas; John McCain nasceu fora de solo Norte-Americano e não pode ser candidato; John McCain teve dois melanomas na pele, pode morrer a qualquer momento; Sarah Palin tem uma filha de 17 anos grávida; Sarah Palin nunca saiu do país; Sarah Palin não tem experiência; Sarah Palin está envolvida em vários casos nos tribunais (em abono da verdade, ainda não foi considerada culpada).

E a campanha bondosa e singular de Barack Obama foi por água abaixo. Mas os maus e autores da campanha negativa continuam a ser John McCain e os malvados dos Republicanos.

Confesso que não morro de amores por Sarah Palin, Mitt Romney era o meu preferido para vice-Presidente, mas a mulher tem sido autenticamente chacinada em praça pública! Barack Obama chegou ao cúmulo de enviar uma equipa de investigadores para o Alaska a fim de se descobrir todos os inconvenientes de Sarah Palin.

A jogada Sarah Palin foi uma jogada com uma única função: ganhar votos. Ganhar votos entre as mulheres, recolher o apoio de todos os conservadores mais radicais e dos religiosos. John McCain não escolheu Sarah Palin para o ajudar na Casa Branca, como Obama fez com a sua escolha. John McCain escolheu Sarah Palin pelos votos que esta é capaz de trazer.

Para aqueles que fazem questão de continuamente atacar Sarah Palin e a sua escolha, é importante frisar que, nos Estados Unidos, o vice-Presidente não tem poder rigorosamente nenhum. É um corta-fitas, um inaugurador, mas apenas quando o Presidente quer que ele seja isso. Porque, na verdade, ele pode nem ser nada.

Pode ajudar o Presidente, se este assim quiser; pode inaugurar, se este assim quiser; pode representar o Presidente, se este assim quiser; pode dar a opinião ao Presidente, se este assim quiser. Comparativamente, o cargo de Secretário de Estado é bem mais importante que o cargo de vice-Presidente. Só em caso de morte do Presidente é que o vice-Presidente adquire um poder de facto, independente do Presidente. Até lá, apenas possui poderes que o Presidente lhe conceda, se este efectivamente lhos conceder, pois pode até nem o fazer.

Talvez no aspecto de possível morte, e unicamente neste, é que a escolha de Sarah Palin pode reflectir insensatez de McCain. McCain já não é novo, e poderá ver-se temporariamente ou definitivamente incapacitado de desempenhar o cargo para o qual foi eleito.

No entanto, todos os relatórios médicos de John McCain apontam para que ele seja um homem que dure até aos seus noventa e muitos anos, tal como a sua mãe que, diga-se, ainda conduz e bebe uns bons copitos.

Ronald Reagan foi eleito Presidente também numa já avançada idade e foi, talvez, o melhor presidente dos Estados Unidos da América do século XX. E morreu 16 anos depois de terminar o seu segundo mandato!

Será mesmo importante o facto de Palin ter uma experiência reduzida, equivalente à do candidato Presidencial Barack Obama? Será importante o facto de Sarah Palin ter mais votos enquanto Mayor de Wissila do que Joe Biden quando concorreu para as eleições deste ano?

Não: o importante são os candidatos a Presidente e a comparação entre ambos. O que ambos querem, o que ambos pensam, o que ambos fizeram. Isso sim deve ser levado em linha de conta.

PS: Barack Obama descolou claramente nas sondagens (nacionais e estatais), já muito perto do fim das eleições. A máquina Republicana tem que começar a trabalhar. Caso contrário, Obama será o Presidente em Janeiro.

O PLANO PAULSON...


Perfeito! Portanto, o Paulson, o Bernanke, o Bush e o resto da sua Administração são "apologistas do intervencionismo do Estado e da socialização da economia". Em todo o caso, e só para confirmar, tem de me dizer em que sessão espírita é que ele revelou tal coisa, isto porque o homem já morreu há dois anos.
Acho fantástico que se limite a rotular e a tentar desqualificar um Prémio Nobel, porque o oliveirinha também faz umas traduções muito jeitosas. Notável, a cretinização da esquerda: Não se amofine por eu ignorar o James. LOL!!! Vocês aqui são mesmo gente patusca. Alguém em seu juízo quer ser apanhado a apoiar um plano a que chama ‘trash’? A ML acha que se está a falar de MBA. De Klerk, Lech Walesa, Menachen Begin, Kissinger, Camilo Cela, Solzheinitsyn, Pasternak, Friedman, Hayek, Watson e outros de que agora não me lembro ou desconheço a orientação ideológica, são todos de esquerda? Está mais que escarrapachado que o Krugman se opunha ao Plano Paulson, e se precisar de referências similares relativamente ao Stiglitz ou ao Galbraith, é favor apitar. E já agora o meu nick é STRAN, não é Stan, não Fran é pura e simplesmente STRAN. Não foi isso que eu escrevi. Talvez perceba a diferença em relação àquilo que disse que eu escrevi. Portanto tenha tento na língua antes de falar em tolinhos. O prémio Nobel existe há 1007 anos, que enormidade do caraças... Andou, andou, catou, catou e... catrapuz. No meio disto tudo ainda não consegui perceber a sua opinião sobre o plano Paulson. o Paulson é mau, o Bush pior, mas ‘eu espero” que o plano passe.

domingo, 5 de outubro de 2008

RAMADÃO E EID AL FITR


Em Portugal quase ninguém se deu conta que o Ramadão terminou na terça-feira passada e que se vai dar início aos três dias de festa da quebra do jejum, o Eid al Fitr. Ao contrário, na Holanda, já quase totalmente islamizada, isto é notícia nacional. A Holanda totalmente islamizada? Não! um pequeno blog (Frontaal Naakt) ainda resiste, e o seu redactor em chefe, Peter Breedveld, escreveu estas palavras na sequência de um comunicado de imprensa que recebeu do Conselho Nacional dos Muçulmanos.

No âmbito do Eid al Fitr recebi um comunicado de imprensa onde o Conselho Nacional dos Muçulmanos com orgulho declarava que os muçulmanos holandeses jejuaram durante 30 dias por crença religiosa sem deixar de participar na sociedade holandesa.

Fantástico, sem dúvida, mas será que temos que ser especialmente informados sobre isto? Não será mais do que normal uma pessoa não poder deixar de participar na sociedade durante um período de 30 dias? Ou agora vamos ter que agradecer também aos muçulmanos pelo facto de eles não sobrecarregarem os seus patrões, colegas e vizinhos com os incómodos da sua crença religiosa?

Que tipo de comunicados de imprensa podemos esperar do Conselho Nacional dos Muçulmanos no futuro? Que esta manhã mais uma vez um grupo de jovens muçulmanos apanhou o autocarro sem roubar a caixa nem cuspir no condutor? Que os muçulmanos na Holanda, apesar de todas as provocações, conseguiram guardar o sangue-frio e é por isso que todas as embaixadas no país até agora não foram incendiadas?

Quando os chineses festejam o Ano Novo Chinês nós tão pouco ficamos espantados como eles mais uma vez conseguiram isso sem distúrbios? Os judeus festejam sempre a sua Festa das Cabanas (Sucot) sem que a gente sequer dê por ela? O que é na realidade a Festa das Cabanas? E os hindus tão pouco chateiam os outros com a sua Festa das Luzes (Diwali).

Por isso, muçulmanos da Holanda, peço muita desculpa mas não me vou perder em elogios pelo facto de vocês durante o Ramadão terem conseguido comportar-se como cidadãos exemplares. Sobretudo se tivermos em conta que as festividades à volta do Ramadão já são mais badaladas que as do Natal, e também fortemente subsidiadas pelo Estado. A nossa participação é desta forma bastante facilitada.

Entretanto o Ramadão já se tornou o mês da apologia do muçulmano, em que o muçulmano é bajulado pelos seus fãs ainda mais do que o habitual, e em que ele ainda com mais vigor se vangloria. “Vejam lá como a gente mortifica a carne, vejam como damos atenção a coisas do espírito!” Os muçulmanos, os muçulmanos holandeses, parecem-se cada vez mais com protestantes ortodoxos, que duas vezes em cada Domingo se colocam na fila da frente da igreja para que toda a gente veja como eles são crentes e tementes a Deus, mesmo que no resto da semana passem o tempo a fazer a vida negra ao seu semelhante.

Segundo a revista Elseviers é preciso dar um certo desconto às declarações do Conselho Nacional dos Muçulmanos, porque a participação de baixas por doença parece que sofre uma forte subida durante o período do Ramadão. Essa forte subida em relação a trabalhadores muçulmanos é no entanto comparável à que se verifica durante o Carnaval, e esta nada tem a ver com muçulmanos, só diz respeito a católicos apostólicos romanos. De qualquer forma os muçulmanos não têm muitas razões para se julgarem mais santos do que os outros, porque não são.

Que os muçulmanos demonstraram mais empenho nas suas tarefas durante o Ramadão, e que também se preocuparam mais com a sorte dos menos afortunados na Holanda, como declarou o CNM, não levo isto muito a sério, até porque no comunicado não são dados exemplos de qualquer empenho suplementar.

A última alínea do comunicado de imprensa irritou-me quanto baste:

A festa do Eid al Fitr (quebra do jejum) é também uma festa de absolvição e reconciliação. E com base neste pensamento o CNM acha que esta festa deveria ter mais apoio na Holanda, sobretudo quando se trata da relação entre muçulmanos e não-muçulmanos. E é por isso que o CNM fez um apelo aos muçulmanos para que propaguem precisamente este dois aspectos: a absolvição e a reconciliação.

Talvez eu seja picuinhas, mas não vejo em que é que os muçulmanos podem absolver os não-muçulmanos, e UMA preponderante festa religiosa de reconciliação, o Natal, é mais do que suficiente num pequeno país como a Holanda. É típico da arrogância dos religiosos pretender que podem ensinar algo aos não-religiosos acerca de humanismo. Mas humanidade é um mecanismo evolutivo de sobrevivência, não é uma virtude que caiu do Céu. Perdoar e conciliar também nós somos capazes, talvez até melhor, porque damos ouvidos à nossa consciência em vez de seguir à risca as regras de outrem.

Peter Breedveld vive uma vida hedonística sem qualquer tipo de sentimento de culpa e sem se esquivar à sua participação na sociedade holandesa.

As engrenagens europeias são infalíveis


Ouvindo as luminárias locais sobre o imbróglio dos bancos americanos fica-se a “saber” que a culpa é do “extremo” liberalismo, apelidado de neo-liberalismo, de liberalismo exacerbado, de liberalismo desenfreado, liberalismo desumano misturado com “neo-cons”, a CIA e Bush, entre outras catilinárias afins.

Os europeus é que sabem da poda e como os Estados Unidos deveriam ter feito. A receita, depois de espremida, resume-se a uma coisa: controlo.

Obviamente que há controlo para todos os gostos, sendo o mais nenufaríngeo aquele que (como lembrava um ‘jornalista’ da SIC) Lenine implementaria caso voltasse porque, afirmava, “estaria perdoado”.

Controlo, é coisa que abunda pela Europa. Em matéria de bolsas, nada de cogumelos venenosos. Na Europa, as firmes instituições, devidamente balizadas por legislação para cada tipo de coceira, asseguram ao cidadão europeu, que o futuro é mais-que-certo.

Directamente do Bulhão, dizia Ana Gomes:
Com um SIM à Constituição, seguir-se-ia derrotar a direita em 2007 e mandatar quem ganhasse para trabalhar por uma Europa mais integrada, mais forte e mais eficaz a contribuir para regular a globalização.
Tsss, tsss. Ninguém a ouviu.

Num pequeno parênteses repare-se que Ana Gomes garantia que a derrota da direita seria inevitável mas, mesmo assim, assegurava que o zenital ‘mandato’ seria aplicado a “quem ganhasse”.

Como se vê, é na Europa que estão os especialistas em “regulação da globalização”, muito embora se “perceba” que não conseguiram pôr em prática as medidas de “integração” por terem sido corridos pela escumalha que insiste em votar sem dar ouvidos a Ana Gomes.

O que não se percebe é porque carga de água há bancos europeus a tombar como baralhos de cartas.

Há instituições reguladoras para todos os gostos e, mesmo assim, havia cogumelos a circular dentro de portas?

E, além de termos pago a regulação, vamos também pagar a não regulação? E, depois, uma nova regulação? Ou, talvez, a regulação dos reguladores?

Aposto que haverá floribeloides a garantir que os bancos europeus se desmoronaram por causa dos malandros dos americanos. A mim parece-me que poder ser o sistema financeiro europeu (a Europa gosta de pensar que tem um) a abalar o americano dificilmente poderia ter lugar por falta de massa crítica para, sequer, produzir comichão.

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Os donos da Europa




Ouvi esta noite a Euronews - Emissora Nacional de Radiodifusão, anunciar "uma mini cimeira que teve como objectivo encontrar soluções consensuais para a crise financeira na Europa".

Na Europa, "democrática", as soluções consensuais são alcançadas em mini-cimeiras.

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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A crise paradoxal

Aqueles que defendem as virtudes da economia mercado e acham este sistema o menos imperfeito de todos os que se conhecem, não passam de oportunistas que, de tocaia, assim que lobrigam uma oportunidade (uma catástrofe, uma crise, etc.) a utilizam logo como pretexto para reforçar as políticas “neoliberais”.
Quem o afirma, é a esquerdista Naomi Klein (NK) no seu livro, “The Shock Doctrine”.
NK diz que a prova está num texto de Milton Friedman, no qual ele afirmava que as mudanças de paradigma tendem a acontecer no rescaldo de eventos significativos, porque as pessoas estão mais predispostas a aceitar como inevitável aquilo que antes era impensável.
Isto parece-me genericamente verdade. Eu próprio considero impensável beber água ao almoço, mas numa certa situação dei por mim a emborcar água pútrida de uma poça, unicamente porque estava com uma sede das caraças.
O corolário de NK é triunfante: a direita, os capitalistas enfim, adoram as catástrofes e as crises, porque as aproveitam em seu benefício. É atávico, por assim dizer, está na sua natureza.

De facto a esquerda tem afirmado que as políticas liberais (flexibilização, etc) têm sido impostas aos cidadãos, assustando-os com a globalização dos mercados, a competição asiática (uma variação do “perigo amarelo de há 30 anos), etc.

Mas esta crise financeira que vamos atravessando, abate-se sobre a esquerda com a força de um paradoxo (embora pouco lhe importe, porque convive razoavelmente bem com a incoerência). É que a crise está a servir a toda uma revoada de marxistas em estado orgásmico, para “provar” que agora é que é o fim do capitalismo, que os mercados necessitam de ser fortemente regulados e que o Estado deve intervir na economia, não apenas em situações extraordinárias, como esta, mas sistemática e continuamente, para nossa suprema felicidade. (mutatis mutandis, é como sugerir que o estado de excepção, no qual os direitos individuais estão seriamente limitados, devia ser a forma usual de governar um país).

Ou seja, traduzindo a coisa, a esquerda “progressista”, aproveita a crise para fazer exactamente aquilo que condena por ser uma conduta vil da direita e dos capitalistas (vide NK) , e de caminho declara a morte do inventor da crise como argumento.

Na verdade, o argumento de Friedman era bem mais sofisticado e tinha a ver com a transformação do pensamento politicamente incorrecto em mainstream, mas isso é música demasiado melódica para ser ouvida no meio do foguetório que nos últimos dias tem sido lançado pelas hordas de colectivistas e intervencionistas que enxameiam os media.
Há que deixar a pólvora seca estoirar por si e aos poucos a boa música far-se-á ouvir. Perceber-se-á então que nem as hipotecas subprime nem os activos tóxicos são consequência de “políticas liberais”, e que as “políticas liberais” que enchem a boca dos tontos, não passam de homens de palha que eles mesmos criam para lhes atirarem tomates e mais facilmente exorcizarem os seus maniqueísmos.
Perceber-se-á que o liberalismo se funda na lei e no direito e que num mercado livre o estado tem o insubstituível papel de garantir os direitos dos operadores.
Enfim, por muito que a esquerda tenha orgasmos com a profecia messiânica do fim do capitalismo e acredite que Marx ressuscitará ao 3ºdia, o balde de água fria que a realidade lhe despejará sobre a cabeça é uma inevitabilidade. A vantagem do sistema liberal é que não é uma ideologia tipo chave na mão, mas antes um sistema aberto que contém em si os mecanismos para se questionar e evoluir.

"Not Buying It"

$700,000,000,000.00

Vale a pena dar atenção aos argumentos dos que se opõem ao plano Paulson de injeção de 700 mil milhões de dólares no sistema financeiro americano.

Se bem que entre os políticos americanos se vá consolidando uma solução de compromisso para o assunto, entre os economistas liberais (no sentido europeu do termo) vão-se multiplicando posições contrárias ao 'bailout'.

Abaixo fica parte de um dos argumentos mais duros que se podem ler (para já) sobre o assunto:
"In the 1930s, a wave of bank failures did make it hard for borrowers and lenders to find each other, and the consequences were drastic. But times have changed in at least two relevant ways. First, the disaster of the 1930s was caused not just by bank failures, but by a 30% contraction of the money supply, which is something today's Fed can easily prevent. Second, as any user of match.com can tell you, the technology for finding partners has improved since then. When a firm wants to raise capital, why can't it just sell bonds over the web? Or issue new stock? Or approach one of the hedge funds that seem to be swimming in cash? Or borrow abroad?"
Ver completo aqui.

Este argumento e outros mais moderados na mesma linha, assentam em duas bases:
-quem gerou e financiou a 'bolha' imobiliária nos EUA tem agora de pagar pelos seus erros, desde as intervencionadas Fannie Mae e Freddie Mac (onde tudo começou) até à banca internacional (último lugar a que o refinanciamento sucessivo da bolha chegou); a ‘fatura’ é extensível aos acionistas porque, em última instância, são eles que nomeiam os gestores. Dito de outro modo, o dinheiro dos impostos de todos não deve servir resolver a vida de quem abalou a solidez do sistema financeiro com os seus erros;
-o lado real da economia não se afundará com a crise no mercado financeiro. Pode ser que o crédito fique mais caro, mas quem tiver condições para o obter continuará a consegui-lo; pode ser que o preço das casas diminuia, mas o tamanho ou a solidez material dessas mesmas casas continuarão a ser idênticos ao que tinham antes da crise.

A única coisa realmente divertida – e irónica - acaba por ser o posicionamento político sobre o assunto. Os mais liberais acham que os custos devem ser pagos pelos privados; os apologistas do intervencionismo do Estado e da socialização da economia acham que o Estado deve proteger, ajudar e, já agora, ainda pagar aos privados. É engraçado.

Ficou adiado para 6af o regresso do assunto à Câmara dos Representantes. Até lá esperemos para ver o que ainda muda.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Casamento por quotas

Este diálogo entre Alexandre Sousa Machado e Pedro Vasconcelos (por ordem de entrada) é espantoso.


Pedro Vasconcelos nega o óbvio, confirma o óbvio, volta a negar, volta a confirmar e continua a contradizer-se impávida e serenamente como se defender, simultâneamente, algo e o seu contrário, fosse coisa trivial.

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ELP


The endless enigma


Hoedown


From the beginning


Trilogy

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Divórcio e pós-modernismo

Ouvi ontem uns quantos pós-modernistas debitarem umas tantas centelhas de clarividência sobre a nova lei do divórcio.

O divórcio não nunca será declarado por decisão unilateral, muito embora seja razão suficiente que um dos cônjuges requeira o divórcio. Como assim? Bem, se um deles não está de acordo com o outro, é porque o outro não está de acordo com ele, portanto... há razões de ambos os lados para que o juiz atenda ao pedido. O juiz deve, portanto, decidir sempre a favor do divórcio.

As partilhas nunca serão efectuadas em função da eventual culpa que cada um tenha. O problema não reside na impossibilidade, numa boa parte dos casos, de se saber quem terá culpa mas na absurdez de se querer, sequer, determinar a culpa. Entretanto, as partilhas da coisa comum não serão feitas em partes iguais mas em função daquilo que cada um dedicou ao casamento. Por exemplo, se uma das partes abdicou de uma carreira para se dedicar à família, será compensada. Não foi explicado como se determina, à posteriori, qual o valor, para cada cônjuge, da “carreira” e da “dedicação à família”. Também não foi explicado como se calculará o valor de uma carreira que foi abandonada, especialmente não se sabendo se teria, ou não, pés para andar.

- Mas ele nunca trabalhou, eu trabalhei pelos dois, em 2 empregos.
- Minha ingrata. Trabalhaste sozinha porque eu abdiquei de uma carreira na NASA.
- Mas ele, de foguetões, só se for a virar panquecas pelos ares. É um inútil. E o que foi aprendendo ainda lhe pode permitir arranjar trabalho como cozinheiro. Ainda ficou a ganhar.

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