quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O romance da coxinha

Agora também o Provedor de Justiça opina.

Balão rebentado, rei morto rei posto. Fôlego não falta para soprar novo balão.
A partir deste corpo sólido de “factos” segue-se uma interminável discussão sobre o que o presidente fez, o que que devia ter feito, quem devia ter demitido etc.
O Presidente opinou à revelia das bússolas das redacções, novo balão é formado e mais uma corrida, nova viagem.

Das alcoviteiras e do trombone


Depois disto, alguém se atreverá a dar dicas a qualquer jornalista do Público ou do Diário de Notícias?

Tendo a montanha parido um rato, os jornalistas, qual Ana Gomes pelos "voos da CIA", vêm a cada esquina fantasmas do Presidente e disparam sobre ele de todos os becos e em todas as direcções.

Nos jornais está instalado o total putedo.

Trocas vs Sondagens: um balanço possível

Finda a experiência do Trocas de Opinão aqui fica a comparação possível dos resultados. Possível porque não assim fácil traduzir a evolução das cotações no Trocas em percentagens dada a volatilidade que alguns títulos tiveram. Vejamos:

PS
PSD

CDS

BE

CDU

Como se pode observar, existem muitos picos quer para cima quer para baixo. Estes são devidos a erros de introdução das ordens e a tentativas de influenciar significativamente as cotações. Mas o que é facto é que estas retornaram sempre ao valor médio que tinham antes destes "ataques".

Calculando a média das 100 cotações saídas de cada título, após retirar as observações anormais, chega-se aos seguintes valores arredondados.

PS: 33,6%
PSD: 29,5%
CDS: 9,3%
BE: 7,4%
CDU: 10,7%

Comparando as previsões das sondagens e do Trocas de Opinião com os resultados eleitorais temos:


O erro absoluto da média das últimas sondagens e da previsão do trocas é comparada no gráfico seguinte:



O "mercado" só conseguiu bater as sondagens no que toca às percentagens do PSD e do CDS. No PS falhou clamorosamente e na CDU igualmente e aqui sem a desculpa da volatilidade porque foi talvez o título mais estável. Não se notou que os negociantes favorecessem nenhum quadrante político em especial: asc cotações da CDU e PSD andaram sempre muito acima do resultado final e no caso do CDS um bocado abaixo. O somatório dos desvios absolutos médios das cotações do trocas cifrou-se em 2% enquanto que o das sondagens andou nos 1,2% o que dá a vitória às sondagens. Olhando para os erros clamorosos temos que as sondagens cometeram um ao sub-estimarem a votação do CDS enquanto o Trocas cometeu dois ao sobre-valorizar a CDU e sub-valorizar o BE. Mesmo em relação à margem de vitória do PS, o Trocas falhou por 4,5% enquanto que as sondagens falharam por apenas 0,8%.

No global, o Trocas de Opiniões teve um bom comportamento: a valorização dos títulos manteve-se dentro de uma banda razoável e os mecanismos naturais de correcção de irracionalidade ou de especulação agressiva funcionaram. No que me toca, limitei-me basicamente a manter posições de arbitragem e não me posso queixar - acabei entre 10º e 30º lugar nos títulos em que andei a negociar e participaram seguramente mais de 300 pessoas.

No entanto, para o Trocas de Opinião sonhar em "competir" com as sondagens tem ainda de corrigir alguns aspectos. Um deles creio ser praticamente impossível de resolver e que é o de se negociar com pontos e não com dinheiro. Com pontos é mais fácil sabotar o mercado porque não nos sai do bolso. Outro problema foi o facto das vendas a descoberto não terem qualquer custo associado. Qualquer um podia lançar e realizar negócios a descoberto sem que isso lhe custasse pontos no imediato. Nos mercados reais, quem quer fazer negócios a descoberto tem de entrar com uma caução pois, no fundo, está a pedir dinheiro emprestado ao mercado. Não havendo essa restrição torna-se fácil abrir uma conta para jogar e outra para lançar ordens a descoberto à maluca. Esperemos que nas próximas eleições haja mais liquidez no mercado porque torna o jogo mais interessante.

Nota final: não se pense que brinquedos como estes podem substituir as sondagens até porque estas servem de input na formação de expectativas dos agentes. Mas, e daí, se houvesse um número muito grande de participantes e cada um deles baseasse as suas expectativas no seu círculo de amigos e conhecidos - e não nas sondagens - talvez o resultado final acabasse por ser interessante.

Matrioshka da conspiração


Rebenta um escândalo com um negócio danoso para o estado envolvendo a compra de submarinos mas nunca mais se ouve falar do assunto até que o mais mediático envolvido passa a representar uma força relevante no Parlamento. Aqui temos duas teorias da conspiração possíveis:
a) Paulo Portas manteve o caso abafado até às eleições para não o prejudicar nas eleições;
b) O caso dos submarinos ficou "em carteira" no caso de Portas vir a representar uma ameaça ao governo/interesses instalados. A escolha é sua.

Mas independentemente da escolha a situação revela algo de muito mais grave: a não independência da justiça face ao poder político. E aqui surgem outras duas teorias da conspiração possíveis:
a) A justiça anda a brincar aos políticos;
b) Os políticos andam a condicionar a actividade da justiça;

Também aqui, independentemente da escolha, a conclusão é a de que há perigosos e preocupantes indícios da falência do Estado de Direito em Portugal. Como aliás comprovam os casos Freeport, Isaltino, Casa Pia, Felgueiras...

Do presidente que tem que vender cassetes

Que o Partido Socialista pretende controlar todo o país e colocar no cérebro de cada português a sua douta cassete já toda a gente percebeu. Mas também quase toda a gente sabe que está bastante longe de o conseguir.

A forma que o encontrou para o fazer passa pela militância da comunicação social que, entretanto ao serviço das agências de comunicação do Partido Socialista, se convenceu também ter o dever de definir os trilhos por que todo e qualquer pensamento deve circular.

Para alimentar esta maquinaria é necessário que se criem incidentes. Não é preciso coisa de maior, apenas centelhas, porque a maquinaria encarregar-se-á de os ampliar e multiplicar até que pareçam bombas nucleares.

Há que pôr o Presidente da República no saco-do-mata-esfola como se os “incidentes”, por si, constituíssem algo de que falar.

Discute-se a maleita que atacou os calos do trabalhador que atendeu o ministro quando ele tomou a bica na pastelaria da esquina porque a coisa “pode” estar na origem da decisão … e o Presidente da República tem que alinhar na palermice sem beliscar os doutos desígnios que pretendem que a cassete seja implantada na mente de todos.

O decreto-lei que redifine matemática

No Mitos Climáticos, Jorge Pacheco de Oliveira explica a funcionalidade em estatística capaz de vir a garantir, no futuro, uma geração de energia por "renováveis" superior a 100% relativamente à totalidade de energia produzida.

Como assim? Para o lado das "renováveis" fazem-se as contas com os valores actuais, para as não "renováveis" usam-se valores de ... 1997!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Da não aplicação de rolha em cagada de jornalista

Há um novo crime em Portugal: negligência em matéria de aplicação de rolhas rectais.

Uma quantidade substancial de idiotas do mundo do jornalismo (redundância, naturalmente, mas assim não fica qualquer dúvida) resolveram pegar em coisa nenhuma e congeminar uma escandaleira que metia espiões e tudo: o “caso das escutas”.

Um dos mais insignes representantes das duas referidas classes, Ricardo Costa, veio agora apontar ao Presidente da República a “responsabilidade pelo avolumar das suspeitas”.

Os “jornalistas” fazem merda, o Presidente não lhes liga nenhuma. Continuam a fazer cagada sobre cagada e depois a culpa … é do Presidente porque não lhes aplicou a rolha.

O gato atirou-se ao pau



Bomba na climatologia

À sombra de peer reviwers que a tudo, sem pestanejar, dizem amen, mais um exemplo de selecção, à pinça, dos dados que demonstram a conveniente verdade e mais uma cabazada na estratosférica invenção "Aquecimento Global".

Mesmo que as beatas tenham que dar o braço a torcer, a culpa continuará a ser do capitalismo.


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

I'll be a Marxist, a Communist....


It's all over now, Baby Blue (Bob Dylan)

Not yet Mr. Dylan, you see, we are still very busy in our country…

I've got to save the world, liberate
Eat the food that's on my plate
Recycling is really great
Whatever I can do
To get in bed with you

I'll be a Marxist, a Communist
A pacifict, an anarchist, a Democrat
Red, white, green or blue
Whatever I can do
To get in bed with you



I never knew I gave a damn
Until you told me who I am
And what to do
Whatever I can do
To get in bed with you

'Cause I know war is bad and love is really good
Taking a stand starts in your neighbourhood
I do the best I can just like you say I should
The ones who make a difference are few
So what can I do
To get in bed with you

I'd love to hear your world peace plan
Why don't you tell me in my van
We can discuss Camus
Whatever I can do
To get in bed with you

I've got to change my mind, masticate
Use condoms when I fornicate
Until I hyperventilate
Whatever I can do
Your balls are turning blue

I've got to save the world, liberate
Eat the food that's on my plate
Recycling is really great
Whatever I can do
To get in bed with you

Ufa!


Felizmente não aconteceu. A ver se se mantêm lá no seu cantinho por muitos e bons anos.

In Dylan veritas...


Come writers and critics

Who prophesize with your pen
And keep your eyes wide
The chance won't come again
And don't speak too soon
For the wheel's still in spin
And there's no tellin' who
That it's namin'.

For the loser now
Will be later to win
For the times they are a-changin'.



domingo, 27 de setembro de 2009

Hino aos Bravos

O caráter dos homens mede-se com rigor em dois momentos.
Desde logo nos excessos do álcool, daí a locução latina ‘in vino veritas’.
O outro momento são os tempos difíceis, na provação das derrotas e dos desaires.

Inícia-se hoje em Portugal mais uma fase de provação. E uma vez mais se perceberá que há sempre quem não se rende, quem não esmorece. Também se perceberá que há ideais de Liberdade e Justiça que nunca se abatem. Para muitos portugueses, para os portugueses melhores, hoje é dia de “Hymn to the Brave”

 

The battle is over, silence reigns the land
Darkness surrounds us, death is what remains
A symphony of rage is gone, dust lies on holy ground
Raise your ashes to the wind, you' re the chosen ones


Warm winds whisper tales about these times
Immortal forever, give back their souls to light
Stand up, you fighters, raise your head and brave these stormy times
Praise the Lord with all your faith, you' re the chosen ones


Brothers forever, brave at heart together we fight
Only in heaven, will we march through space and time?
Brothers forever, brave at heart together we fight
Only in heaven, will we ever hear their cry?

(Freedom Call)

Climatic Change...capitalismo...

Numa cómica reunião entre alguns países da America do Sul bolivariana e os mais inacreditáveis cromos da Africa, entre os quais Mugabe, Zuma, Kadafi, etc, que foi, basicamente, uma festa de vitimização própria e culpabilização do Ocidente, às tantas Evo Morales , com a profundidade de raciocínio que lhe é característica, fez , em forma de pergunta retórica e com o ar triunfante de quem acaba de se libertar de um problema aerofágico, a síntese habitual:

"Quem é responável [pela mudança climática] ? O capitalismo é o inimigo da humanidade"

E pronto...está lá tudo...capitalismo...americanos...brancos....mudança climática...opressores e oprimidos (esta foi do Kadafi, na mesma orgia de malucos, a descrever o Norte e o Sul.)

A amálgama dos doidos....

Obama, e o mundo a mudar de direcção


O discurso de Obama na Assembleia Geral das Nações Unidas foi, como já é costume, muito elogiado, e há que reconhecer que o jovem que lhe escreve os discursos é um verdadeiro artista, não só na mestria com que apela à emotividade, mas sobretudo na perfeita sintonia com os dons declamatórios de Obama no uso do Teleponto.

O discurso foi grandioso, como é costume nestas ocasiões, e informou o mundo, também como é costume, que há grandes desafios pela frente. Afirmou mesmo que “ É chegado o tempo de o mundo se mover numa nova direcção”.

Até aqui tudo normal. Está no Manual do bom líder avisar sempre que há grandes desafios até porque se não houver ninguém necessita dele. De modo que há sempre grandes desafios que têm de ser enfrentados com inadiáveis urgências. De facto não se vislumbra maior e mais urgente desafio que não seja mover o mundo numa nova direcção, o que quer que isso signifique.

As pessoas ficam alarmadas pelo desafio, mas não têm uma ideia concreta de como é que isso se faz, pelo que o líder normalmente informa logo a a seguir que só ele tem a visão certa para vencer os tais grandes e urgentes desafios.

Foi aqui que Obama inovou, ao apresentar-se como apenas mais um dos gajos formidáveis que vão defrontar e vencer os grandes e urgentes desafios, nomeadamente ajudar o mundo a mudar de direcção, que parece ser o mais importante.

Se repararmos na frase, não é ele que vai mover o mundo na nova direcção. Nem sequer nós. É o próprio mundo que se vai mover, porque, segundo Obama, (ou o rapaz que lhe escreve os discursos), está escrito algures que é chegado o momento de o mundo mudar de direcção.

Pormenorizando os aspectos mecânicos da coisa, Obama explica que “ nenhuma ordem mundial que eleve uma nação sobre outras, poderá ter sucesso”.

Claro que o facto de a nação que ele representa, ter direito de veto no Conselho de Segurança, não afecta minimanente esta grandiosa visão obâmica de um mundo sem pólos de poder.

Nesta nova direcção que o mundo vai tomar de forma espontânea, todos agem em simultâneo, segundo uma táctica nova que Obama patenteou com o nome de Acção persistente”.

E que acções são essas? Cimeiras, conferências, negociações, consultas, etc, nas quais “ a América não perderá de vista os seus objectivos, ou seja, não- polar e tal, mas nós trataremos do nosso, ou , como pormenoriza Obama, “ iremos desenvolver iniciativas regionais com particiação multilateral, em simultâneo com negociações bilaterais."

Em resumo, a "acção persistente", parece ser basicamente um conjunto de tertúlias.

Um pouco confuso, mas nesta altura já ninguém está a esmiuçar os pormenores das lateralidades.

A verdade é que o discurso de Obama agradou aos outros líderes que são agora, a bem dizer, colegas. Os aplausos foram constantes e até Chavez bateu palmas e se manifestou tocado pela visão obâmica, pouco faltando para derramar uma sentida lágrima.

Claro que a lógica não tem nada a ver com isto, e só assim se pode aceitar a contradição inerente ao facto de Obama, do alto do seu poder polar, declarar um mundo não-polar, isto é, decretar a partir do facto de presidir à nação mais poderosa do globo que, a partir de agora não haverá nações mais poderosas que outras.

Fica-se com a impressão de que se fosse o Rei de Vanuatu a decretar tal coisa, haveria colegas a cair de cu, de tanto rir.


Para terminar...





Andy Williams & Antonio Carlos Jobim - Girl From Ipanema

Dia de reflexão



Digam lá que não se pôs a jeito outra vez.

sábado, 26 de setembro de 2009

Back in the USSR...

Já que estamos numa onda musical, porque não postar logo os melhores...

The Blócow and the Picipi are gone a win tomorrow….


Honey disconnect the phone
I'm back in the USSR
You don't know how lucky you are, boy
Back in the US
Back in the US
Back in the USSR


Luiz Villas-Boas



Um dos homens por cujo gosto musical fui formatado foi Luiz Villas-Boas.

Recordo-o com saudade recordando o excelente Cascais Jazz 1980.

...

Não sei exactamente porquê, Villas-Boas não ia à bola com José Nuno Martins que (de memória) produzia espectáculos de música brasileira. Villas-Boas referia-se a ele como "o gajo que trás pr'a'i uns brasileiros".

Certo é que Nuno Martins inchava com facilidade e Villas-Boas só não lhe afinfava se não pudesse.

No Cascais Jazz de 1980, ano de Phil Woods, calhou José Nuno Martins como realizador(!) da gravação da RTP.

Naquela altura as cadeiras da plateia(?) do Dramático de Cascais, entretanto demolido, eram de madeira e eram simplesmente distribuídas sem estarem presas umas às outras.

Com o espectáculo montado, chega a malta e o equipamento da RTP e Nuno Martins resolve debitar exigências. Mantendo uma distância conveniente, aproxima-se de Villas-Boas e começa mandar vir. Villas-Boas abre os olhos, pega uma cadeira e, literalmente demolindo uma dúzia de outras, avança vociferando (%$# ... e o c...... que o f... #&#$) para Nuno Martins que, entretanto, rápido, cava do pavilhão.

Como alguém tinha dito anos antes, pensei: It's one of the pleasures of my life to be able to be on the stage with these people tonight.

....

Se bem me recordo, o Cascais Jazz 80 começou com uma banda indiana de percussão. Alguém sabe o nome?

Actualização:

De acordo com João Moreira Santos* (chapelada), tratava-se do grupo Jazzyatra.

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* ver comentários.

Les Valseuses

Acordei com vontade de chatear o post anterior.

Didier Lockwood Trio - Les Valseuses

Ouvi (e vi) Didier um par de vezes, suponho que ambas na Aula Magna, no tempo em que o trabalhar nestas coisas dava gozo. No primeiro espectáculo tocava com um contra-baixista gordo que usava um barretinho mas não consigo recordar o nome. No segundo tocava também com um guitarrista mas, pelo menos nessa altura, não se integrava muito bem no duo.

.. a coisa deu-se lá para os idos 70, já depois do PREC. (... nota posterior, deve ter sido no início dos 80.)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Operação Bostada

Zelaya, o cowboy bolivariano das Honduras, introduziu-se na Embaixada brasileira em Tegucigalpa e de lá apelou à "resistência", com a espantosa conivência e concordância do Brasil que, pela mão de Lula e do seu inefável Ministro dos Negócios Estrangeiros, Celso Amorim, tem vindo nos últimos tempos a mostrar a verdadeira cara da ideologia que os move. ( A título de exemplo, basta lembrar que o Brasil foi um dos apoiantes do candidato egípcio derrotado, à Presidência da Unesco, apesar de saber das ideias repressivas e antisemitas do senhor).

O plano, gizado nas tertúlias bolivarianas onde se cozinha o "socialismo do séc XXI", era obviamente de inspiração chavista. Chavez, cérebro de um falhado golpe militar no seu próprio país, parece ter-se na conta de um estratego inigualável e o seu racional para esta "Operação ", que ele próprio afirma ter planeado, é simples:

Zelaya seria transportado para a Embaixada do Brasil, e de lá apelaria à "resistência". O povo acorreria em massa, haveria gigantescas manifestações populares de apoio ao herói e as autoridades hondurenhas apenas tinham duas alternativas: claudicar ou reprimir o povo.

Se claudicassem, o objectivo estava atingido. Se usassem a força, haveria tiros, mortos, mártires da revolução e a coisa ficaria imparável, com indignações na ONU, e apelos à "justa luta". Para que isto funcionasse bem, eram precisos vários cadáveres, que iriam demonstrar que o regime é repressivo e se luta pela liberdade e patati patatá.

Zelaya disse-o a partir da embaixada do molusco: Vitória ou Morte...vitória para ele, morte para os outros, claro.

Tudo isto era coisa para 3 ou 4 dias, no máximo. A partir daí, a "Revolução" seria imparável.

Lula deve ter achado genial o plano chavista e largou a abanar o rabo atrás de Chavez, pondo em causa o prestígio do Brasil, pela prevaricação assumida e flagrante de várias normas intermacionais sobre o estatuto diplomático das embaixadas e sobre a interferência descarada nos assuntos internos de outro país.

As autoridades brasileiras apressaram-se aliás a dizer que Zelaya não estava na embaixada como candidato ao asilo político, o que os obrigaria a transferi-lo para o Brasil.

Pelos vistos o povo não reagiu como Chavez, Lula e a pandilha bolivariana acreditaram. Na verdade Zelaya não tem muitos apoiantes nas Honduras e a maioria da população não o quer ver nem pintado.

Acudiram alguns tontinhos, mas a polícia não teve qualquer dificuldade em controlá-los e neste momento a embaixada do Calamar de Brasília, está completamente cercada e controlada.

E agora?

Agora, se não acontecer nos próximos dias o tal levantamento sonhado pelos bolivarianos, a brilhante operação bolivariana terá como resultado uma monumental barracada.

Zelaya está encurralado, e só pode sair de duas maneiras: ou como refugiado directamente para o Brasil, o que desfaz as farroncas do molusco de Brasília, ou como prisioneiro.

No entretanto as coisas vão azedando no interior da Embaixada. Estão lá dezenas de pessoas, a água e a electricidade é cortada de vez em quando e esta coisa das revoluções heróicas dificilmente resiste muito tempo aos odores a axila, às cagadeiras entupidas, à comida racionada, à falta de privacidade, ao tédio, etc.

Enfim, mais uma bostada bolivariana!


A Era da Estupidez



Filipe Duarte Santos, Francisco Ferreira, José Delgado Domingos e Rui Moura debatem o Aquecimento Global as alterações climáticas.

[O debate propriamente dito começa aos 16:40. O interface parece não permitir empurrar o cursor de posicionamento de tempo mas se se esperar uns minutos após o vídeo ter arrancado, é possível avançar pela barra cinzenta que se vai formando]

Além de ficar claro neste vídeo que os alarmo-aquecimentstas Filipe Duarte Santos e Francisco Ferreira estarem e mentir e saberem estar a mentir, note-se a tendência da jornalista em censurar o diálogo no momento em que sai fora da sua capacidade de entendimento. É um dos cancros do jornalismo.

[Durante o upload houve um erro qualquer, mas não tenho agora tempo para verificar. Espero que o video esteja completo. Se não for o caso, mais logo repetirei o upload].

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Dos hospitais ...

Há uns anos, a contas com um motim nas minhas tripas, fui parar ao S. Francisco Xavier.

Na triagem dão-me a máxima prioridade (soube posteriormente) e mandam-se passar à sala ao lado para recolha de sangue. A enfermeira (?) informa-me que poderia ir descansar, talvez no carro, e voltar daí a duas horas.

Hora e meia depois volto e sou imediatamente chamado. Perguntam-me por onde tinha andado e passam-me um raspanete por ter desaparecido. Percebi então que o meu caso era considerado urgente por ter, eventualmente, apendicite (acabou por não ser o caso). Daí para a frente, por todos os gabinetes por onde passei levei o respectivo raspanete porque “os tinha forçado a andar a minha procura”. Não valeu de nada explicar que tinha sido mandado embora por um par de horas pela pessoa que me retirou sangue porque não ligaram pevide. Aposto que a dita senhora continuou a sugerir o mesmo a outros doentes.



Um par de anos depois voltei novamente ao S. Francisco Xavier com um joelho feito em fanicos. Não era questão de vida ou morte e fiquei no limbo esperando, esperando, enquanto outros doentes eram chamados a um ritmo regular. Tudo bem.

Por volta das 8:30 da noite a televisão desligou-se, por volta das 21:00 o ritmo de chamada abrandou para cerca de 1/10 do ritmo anterior.

Jantar? - perguntava alguém.
Não – sugere outrem - futebol. Os gajos devem ter ido ver a bola.

Espicaçando a memória revejo um movimento substancial de gente de bata em direcção a uma escadaria.

Dirijo-me à recepção e pergunto porque quase ninguém era chamado há que tempos. A funcionária encolheu os ombros algo comprometida.

Será que os médicos foram todos ver a bola? – pergunto. A sugestão caiu que nem uma bomba. A funcionária tremeu, ficou vermelha, engasgou-se e disse, abanando, que achava que não.

Percebendo obviamente que sim informei a moça que se dentro de 5 minutos não começassem a chamar regularmente as pessoas iria fazer tal chavascal que ocorreria um reviralho. Os doentes estavam em rasa e eu iria soprar a fogueira.

Nem 5 minutos decorreram …

...

Há um ano foi a vez do Hospital de S, José. O panorama foi este.

Das instituições e da balda

Em 2005, um Ministro da Saúde chamou a atenção que médicos e enfermeiros que lidam directamente com doentes deveriam lavar as mãos frequentemente. Caiu o Carmo e a Trindade.

A semana passada alguém resolver pôr em pratos limpos a canalhice pela qual médicos e enfermeiros vestidos com as mesmíssimas batas com que atendem todo o tipo de doentes, passeavam pelo centro comercial situado junto ao (salvo erro) Hospital de S. António no Porto. Uma câmara escondida ‘passeou-se’ pelo centro comercial onde médicos e enfermeiros coçavam o cu pelas paredes. A resposta dos crânios do hospital não se fez esperar: proibiram os funcionários de deambularem de bata pelos arredores do hospital.

De fonte segura sei de cirurgiões que abandonam o bloco operatório para vir fumar a passa à janela e, apagada a beata, entram e pegam o bisturi.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Manuel Maria Carrilho ,,,

Irina Bokova

... teve tomates. Ter desobedecido ao tiranete de serviço pode 'custar-lhe' o cargo. Aristides de Sousa Mendes passou por pior com outro mais refinado.

Entretanto, a indecência não passou. A búlgara Irina Bokova foi eleita.

Drones

Esclarecedor


O programa do Gato Fedorento tem sido bastante útil e esclarecedor. Até à 10 minutos atrás ainda tinha alguma consideração pela Joana Amaral Dias. Ela encarregou-se de a estraçalhar.

Adenda: Extractos da entrevista aqui e aqui. Obrigado ao RoD

Um progressivo regresso ao passado


Porque é que não gostaria nada de que os vermelhuscos trotskistas-estalinistas-maoistas-é-tudo-a-mesma-cambada dormissem com um sorriso nos lábios? Porque isso significaria que a extrema-esquerda (CDU, BE, PCTP/MRPP,...), considerando a média das sondagens já publicadas, representaria 20%-21% dos votos expressos e isso configuraria o panorama idêntico ao que tínhamos em 1975, quando o socialismo ainda parecia um modelo aceitável. No caso presente, espero que a maioria não se limite a ser silenciosa. No passado, teve grandes custos. Ou há dúvidas que Louçã é um Vasco Gonçalves em potência?

Apelo aos indecisos


Vão votar em quem vos apetecer mas não deixem que estes gajos se fiquem a rir no dia 27. Se isso acontecer, adivinham-se quatro anos muito difíceis por cá. Não vão faltar padrecos-progressistas a querer engordar a máquina estatal em favor da sua concepção de mundo ideal. E vão se estar nas tintas do que a maioria acha. O "controlo democrático" tudo permite.

«Pleno emprego, serviços públicos, redistribuição da riqueza e do rendimento, controlo democrático da economia fazem parte do caminho que queremos percorrer»

(in Ladrões de Bicicletas)

Vamos ver se o mercado bate as sondagens


O Pedro Magalhães e sus muchchos resolveram implementar uma ideia que, longe de ser nova, não deixa de ser muito interessante: tentar fazer previsões para as eleições criando um mercado. Exacto! No site Trocas de Opinião é possível comprar e vender títulos que terão um valor final (no dia 27 de Setembro) que corresponderá à percentagem de votos de cada partido; ou então comprar títulos cujo valor corresponde à probabilidade de eleição de um determinado partido.

A lógica subjacente é muito semelhante à da bolsa de valores. Em vez de expectativas de lucros e dividendos temos aqui expectativas de resultados eleitorais. Quem ache que um determinado título vale mais do que um determinado valor, coloca uma oferta de compra até esse valor. Se acha que vale menos, faz uma oferta de venda a esse valor. Do cruzamento das centenas/milhares/milhões de expectativas sai um preço de equilíbrio.

Infelizmente o mercado é a feijões. Digo infelizmente porque o ideal era que os "investidores" arriscassem o seu dinheiro de forma a criar alguma aversão ao risco, irracionalidade e decisões irreflectidas. Se essa condição fosse cumprida, estou seguro que o mercado seria um pouco menos volátil e os resultados mais próximos da votação final.

Mesmo a feijões, as cotações do Trocas de Opinião têm apresentado alguma consistência.

Agora que há uma liquidez considerável, aproveito para convidar os que acham que a bolsa é uma brincadeira, fácil de manipular e sujeita a especulação a demonstrarem como é fácil ganhar Trocos mandando o mercado para cima/baixo. Boa sorte!

O feiticeiro e a aprendiz

Estive a ouvir a entrevista de Maria Flor Pedroso (MFP) a José Sócrates (JS) e parece-me que as respostas de Sócrates, inclusive as invectivas a MFP eram perfeitamente razoáveis.

Em Portugal os jornalistas estão habituados a fazer perguntas pretendendo subjugar o entrevistado a premissas erradas e os políticos não têm tido coragem de romper esse arame farpado. Quando JS desmancha a armadilha lançada contra ele, MFL reage mal interrompendo, tentando que a armadilha não seja dissecada. Quado JS responde a algo que liminarmente arruma a pergunta de MFP, esta diz inopinadamente "já percebi" tentando evitar que a resposta torne claro o nível de cretinice implícito à pergunta.

José Sócrates enquanto primeiro ministro tem sido, quanto a mim, um desastre, mas a tentativa de o entalar recorrendo à mesma técnica em que ele é especialista coloca o jornalista na posição de aprendiz de feiticeiro permitindo que ele disseque o ataque e flutue como farol.

Nesta coisa de jornalismo, quem vai à guerra dá e leva ... para os dois lados.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Dos portentosos fedorentos

Escreve bem Pacheco Pereira:
Engraçadismo – Todo o jornalista a cobrir uma campanha é um Gato Fedorento em potência.

O vira-o-disco

Este post de João Miranda parece um vira-o-disco-e-toca-o-mesmo.
"Este pilar permite que no futuro possa ser possível a transição da segurança social de um sistema universal de repartição para um sistema de capitalização individual complementado por um sistema de repartição para os mais pobres."
Mas, não foi assim que o sistema começou? E não foi nos anos 70/80 que se foi consumindo todo o bago em "urgências sociais" tendo-se passado de um sistema de capitalização para um de "solidariedade"?

Não foi nos anos 80 que se consumiu a capitalização de uma geração inteira tornando necessária a implementação de um sistema em que se desconta hoje para pagar as reformas dos que já estão reformados?

E, não vai voltar a acontecer o mesmo?

sábado, 19 de setembro de 2009

Israel e o Relatório Goldstone

O Conselho da ONU para os Direitos Humanos, acaba de produzir o Relatório Goldstone, sobre os “crimes de guerra israelitas” em Gaza.

Começando pelo óbvio, o grupo encarregado de o elaborar recebeu um mandato claro: não lhe competia investigar se havia crimes de guerra, outrossim, iria investigar os crimes de guerra que à partida o mandato dava por adquirido ter havido.

Quem mandatou?

Os países que tiveram a iniciativa de propor tal “investigação”, incluem Malásia, Arábia Saudita, Bahrein, Cuba, Paquistão, etc, em resumo, países cuja autoridade moral para mandatar tarefas na Comissão dos Direitos Humanos, está na proporção directa do respeito que manifestam para com os direitos humanos no seu próprio território.

Na Comissão, dirigida pelo juiz esquerdista sul-africano, Richard Goldstone, estava também Christine Chinkin, uma professora inglesa da esquerda folclórica, conhecida pelas suas públicas declarações anti-israelitas.

A Comissão, recusada pela União Europeia, Canadá, Suíça, Japão, etc, não desiludiu os seus mandantes e produziu um Relatório que, em resumo, estabelece a seguinte estratosférica doutrina:

1-Israel, país democrático e estado de direito, está no mesmo plano ético e moral que o Hamas, grupo terrorista que é o testa de ferro do Irão em Gaza.

2- Israel é o único estado do mundo ao qual não se reconhece legitimidade para defender as suas fronteiras pelas armas.

A ONU e os seus organismos estão a degradar-se à vista desarmada, reféns de de regimes e ideologias tenebrosas.

Às teocracias e ditaduras islâmicas, a regimes tribais, a estados racistas, a ditaduras como Cuba, Venezuela e Coreia do Norte, a estados genocidas como o Sudão, etc, é reconhecido o direito de preservar o seu território.

No Sudão foram mortas centenas de milhares de pessoas, sem que tenha havido qualquer condenação.

Há tempos a Turquia invadiu e bombardeou longamente o Curdistão, com a maior normalidade. A Rússia fez o mesmo na Geórgia, no Paquistão morrem aos milhares, no Sri Lanka idem, na China, no Irão, etc, e o Conselho da ONU para os Direitos Humanos, limita-se a ignorar. Na verdade desde que existe apenas condenou um País: Israel, alvo de mais de 90% das suas "Resoluções".

Israel, o único estado democrático do Médio Oriente é furiosamente perseguido e para esta ONU em decadência moral, não está sequer autorizado a defender-se.

Ora a defesa própria expressa a soberania e é o pilar da existência de qualquer estado.

É isso que está em jogo.

Aqueles que, com argumentos aflitos e aflitivos, pretendem negar a Israel o direito de defender os seus cidadãos de um inimigo que tem como objectivo expresso, a destruição do país, mostram ao que vêm: deslegitimar a sua existência como estado soberano, primeiro passo para a almejada destruição.

A destruição do judeu, velho sonho de incontáveis doidos.

Sob a espuma da retórica floribélica e compassiva para com a “justa luta palestiniana”, sob o moralismo baboso com que se mascaram os que "não são antisemitas, mas estão contra as políticas de Israel", está o velho e irracional demónio do antisemitismo.

O judeu tem de ser expulso. Da Europa, do Médio Oriente, da Humanidade. O anti-sionismo é, tão só, a fórmula politicamente correcta de, nos tempos que correm, expressar o antigo ódio homicida.

Israel nasceu a lutar contra uma coligação de vários invasores, países muito maiores e mais poderosos que o minúsculo estado judaico.

E a lutar está de há 60 anos para cá, sem que se possa dar ao luxo de um minuto de desatenção e de fraqueza.

Uma derrota será a última.

Não há nenhum outro país do mundo que viva nesta necessidade existencial de vencer todas as batalhas.

E foram já muitas.

Em 1947, Israel aceitou, sem condições, o mapa ONU. Os árabes da Palestina, não.

Em 1948, os exércitos árabes desencadearam aquilo que para eles era umarápida operação de limpeza. Israel, sem um verdadeiro exército, mobilizou todos os cidadãos e, contra todas as expectativas, venceu.

Venceu e construiu um Estado livre e próspero, na mesma região onde os seus inamistosos vizinhos só geraram miséria e servidão.

Em 1967, Egipto, Síria, Jordânia e Iraque anunciaram que era chegado o momento de extirpar o "cancro judeu". Falharam mais uma vez.

Dois anos mais tarde, a OLP de Yasser Arafat era massacrada pelos seus irmãos jordanos e as fotos de homens da Fatah a fugirem para se acolherem sob a protecção do Exército israelita, correram mundo.

Em 1973 o Egipto e Síria tentaram de novo e falharam.

Em 1979 Sadat firmou a paz com Israel e foi morto por isso.

Em 2005, Israel desocupou Gaza e, em troca, o Hamas raptou um soldado que ninguém mais viu e lançou sobre as povoações israelitas cerca de 12 000 foguetes e granadas de morteiro.

Em 2009, Goldstone, refere no seu inenarrável Relatório que Gaza está “ocupada” e que Israel é “potência ocupante”. A realidade não parece afectar as visões do mundo desta gente.

Este tipo de Relatórios têm todavia uma virtude: deixam a nu que as ditaduras e os regimes autocráticos estão a tomar de assalto as instituições colectivas e que, mais tarde ou mais cedo, as democracias terão de acordar para o fenómeno e formar uma aliança própria.

Se não o fizerem, brevemente começarão a ser acossadas e Israel é apenas o canário da mina.

Na verdade não será especialmente difícil para os países ditatoriais, que dominam a maioria dos fóruns da ONU (até a Assembleia Geral é presidida por um esquerdista radical, grande admirador de Chavez e Castro), mandatar Relatórios “Goldstone” para o Afeganistão, ou outro qualquer local onde as democracias combatam os fascismos globais, como o comunismo, o islamismo, etc.

O idiota-útil norte-americano


Na política internacional Obama continua a marcar pontos:

- abandonar os aliados
- fortalecer os inimigos
- inferiorizar os Estados Unidos

Além dos aspectos retratados no artigo, parece-me haver aqui ainda ou outro desígnio: querem segurança? Paguem-na.

As "boas" ideias trabalham apenas num sentido

As magalhónicas e socretinas luminárias que defendem a construção do TVG gastando amanhã o que hoje não temos reclamam que, por si, o TGV “tráz desenvolvimento às nossas empresas” por “permitir “melhor acesso à Europa”.

Para ser assim, o TGV teria que fazer apenas percursos iniciados em Portugal e nunca do estrangeiro para cá. … a não ser que os restantes povos sejam estúpidos e pensem, inversamente, que os doutos e anunciados desígnios se aplicam apenas aos lusos.

Do santo imposto?


Propôs Wilders, no parlamento Holandês, um imposto sobre o véu islâmico?

(via O Insurgente)

Salvem os anacletinhos

Louçã é, afinal, mais um capitalista tentando manter e fazer crescer, o mais possível, o seu kapital.

O Bloco de Esquerda defende, agora, à revelia do que formalmente declara, uma intervenção policial musculada face à agressão. Parece que a negociação com gangs “intermediação cultural” já deu o que tinha a dar.

... entretanto ...

Do homem que não gosta das fragrâncias do peixe.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Continuo sem tempo


Por isso, vão lendo o que é o dos outros. Como, por exemplo, isto aqui.

Sobre sondagens


O JPLN, no Blasfémias, sustenta a hipótese de que as diferenças entre sondagens e resultados finais (tendo presente o recente caso das eleições europeias) têm por detrás o medo do eleitorado, em em especial o de direita, em revelar a sua intenção de voto.

Pois eu defendo outra hipótese que me parece mais plausível. As sondagens de algumas instituições entram em conta com os resultados eleitorais mais recentes. As últimas eleições antes das europeias foram as autárquicas em Outubro de 2005. Estas deram uma maioria de votos confortável ao PS e atiraram BE e CDS para o fundo da tabela.

Se bem me lembro a maioria das sondagens para as últimas europeias dava vantagem ao PS (ainda que pouco folgada) e davam resultados pouco expressivos ao BE e PP. Face aos resultados que se seguiram - PSD ganhou, BE e PP tiveram resultados bem mais expressivos que nas sondagens - parece-me que o erro se pode dever ao facto de os resultados estatísticos entrarem em linha de conta com o sufrágio anterior. Trocando por miúdos, a empresa de sondagens considera não só as respostas dadas ao inquérito em si mas acrescenta-lhes outra amostra que são os resultados eleitorais anteriores. Esta técnica - que não posso assegurar que seja efectivamente utilizada por estas empresas - permite aumentar a dimensão da amostra com um custo muito baixo e evita que as percentagens divulgadas para cada partido não tenham oscilações muito bruscas (por não serem, à partida, expectáveis).

Assim, parece-me prudente que tenhamos esta hipótese em mente quando se olha para as sondagens que forem saindo. O PSD pode não estar assim tão perto do PS e o BE pode não ser a terceira força mais votada.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Já que estamos numa de zurzir no Público


Vejam só esta notícia:

«CoRoT-7b: um exoplaneta rochoso como a Terra e quente como o "Inferno de Dante"»

Alguém se importa de explicar a estes "jornalistas" que o Inferno de Dante era gelado? Não é preciso ser um jornalista de investigação para saber isso...

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Vocabulário Europeu


Se você é europeu e advoga a redução do peso do estado na economia, da sua intervenção na sociedade e dos impostos então você tem direito a ser rotulado de «conservador» e de pertencer à «direita radical» (leia-se extrema-direita). Se você pensa que apenas tem ideias liberais, desengane-se. Os jornais confirmam: você é um extremista dos mais perigosos. Com direito a foto de um senhor de cabeça rapada no cabeçalho e tudo.

E assim se dissemina o socialismo como a ideologia política mais natural e óbvia.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Público e Haaretz


E se amanhã, quando acordassemos, o Mundo estivesse completamente diferente? Foi esta a sensação que senti hoje, quando abri a página do Público Online e dei de caras com esta notícia.


Não fiquei em nada surpreendido com mais uma das muitas traduções que o Público Online faz dos artigos do jornal Israelita Haaretz, visto que tais traduções já são hábito por aquelas bandas, parecendo o jornal Português não conhecer outro jornal Israelita que não seja o Haaretz. Não que tenha alguma coisa contra o Haaretz, cujo site faz parte dos meus Favoritos, aliás como o do Público. O que me causa uma certa estranheza é este repetir de artigos sobre o conflito Israelo-Palestiniano que parecem uma versão do Haaretz em Português. Não sei se por orientações ideológicas, se por visões comuns, se por linhas editoriais de alguma forma semelhante, mas o que é certo é que o Público Online parece não conhecer outro jornal Israelita que não o Haaretz.

Passando à frente, é fácil entender o porquê da minha surpresa. Porém, quando li melhor, apercebi-me que as informações tinham sido recolhidas junto de responsáveis Europeus e Palestinianos. Mesmo assim, analisemos o assunto como se estes responsáveis Europeus e Palestinianos tivessem razão naquilo que dizem, algo de que muito dúvido, ou não fossem as outras partes (Israel e os Estados Unidos da América) os factores mais decisivos, uma vez que os Palestinianos falam a diversas vozes e com diversas bombas.

Há dias, numa entrevista, Avigdor Lieberman, Ministro dos Negócios Estrangeiros Israelita, afirmou, citando de memória, que nem daqui a 15 anos existirá um Estado Palestiniano. Porém, aqueles que tentem chegar à paz não encontrarão em Lieberman um obstáculo, segundo o que o Ministro afirmou. Esta declaração convicta de Avigdor Lieberman tem que ser vista de duas formas: a primeira diz respeito ao facto de Lieberman ser um homem de Estado, à frente de uma pasta importantíssima como a dos Negócios Estrangeiros, sabendo portanto daquilo que está a falar; a segunda diz respeito ao pensamento de Lieberman e ao eleitorado que pensa como ele, gente obviamente céptica e, em numa pequena parte, extremamente radical.

Encaro com uma certa normalidade, apesar de andar por estas andanças ainda há bem pouco tempo, esta maneira quase teatral de relatar possíveis progressos na resolução de um conflito que merece ser tratado de diversas formas, menos com leviandade. Reconhecendo a dificuldade que a cobertura deste conflito e o seu estudo representa, tanto por imposições estatais (devido a operações secretas, reuniões secretas, actividades secretas) como por imprevisibilidade (recordar a recente operação Israelita contra um reactor nuclear em construção na Síria, a Operação Orchard), parece-me mesmo assim que a comunicação social dá tiros nos próprios pés quando aborda esta questão. Inundada na necessidade de transmitir horrores cometidos pelos Israelitas (muitas vezes mentindo se for preciso), na necessidade de fazer sempre estes os culpados e de fazer os outros inocentes e interpretando os acontecimentos de uma forma horizontal, é necessário recomendar, sem qualquer tipo de presunções, que todos tomemos cuidado quando se lê determinado tipo de notícias. Como lá diz a minha avó: "Quando a esmola é muita o pobre desconfia...".

O fenómeno tem crescido um bocadinho nos últimos tempos, graças às reconhecidas capacidades do Messias, que se encarregará de resolver uma questão com que muito poucos Presidentes Norte-Americanos conseguiram sequer lidar. A comunicação social fica em alvoroço, aliás o filho é seu e o Pai tenta sempre proteger o seu filho pródigo; o futuro será risonho, o Chumbo Endurecido foi a última barbaridade que os Israelitas fizeram, e só o fizeram porque o Messias ainda não estava no poleiro. A euforia, felizmente, não é acompanhada por todos...

Foquemos, pois, o artigo do Público. O artigo afirma que as próximas negociações entre Palestinianos e Israelitas vão ser sobre a delimitação de fronteiras, para mais à frente anunciar, citando mais uma vez o Haaretz, que as fronteiras serão as de 4 de Junho de 1967, correspondentes, como se sabe, às fronteiras resultantes da Guerra de Independência de Israel e anteriores à Guerra dos 6 Dias. Dei por mim a pensar: se as fronteiras são as de 4 de Junho de 1967, para que é que precisam de ser negociadas? Bem sei que essas fronteiras estavam longe de ser, na época, seguras e imutáveis, visto que eram baseadas unicamente nas linhas do armistício Israelo-Jordano assinado no final da Guerra de 1948-1949 e visto que o Exército Israelita, que contava na altura com o ainda jovem Ehud Barak (militar mais condecorado da história de Israel), levava a cabo diversas incurssões terrestres contra a recém criada Fatah (criada em 1958), para além da fronteira; porém, estou em crer que com um bocadinho de ajuda dos Jordanos (ou será que deva dizer Palestinianos?) é possível recordar essa fronteira, sendo dispensável qualquer tipo de negociações...

Segundo o Público, que mais uma vez cita o Haaretz estou em crer, não se exigirá de Netanyahu, para que possa ser anunciado dentro de dois anos um Estado Palestiniano, que negoceie Jerusalém. Se não está a negociar Jerusalém como é possível regressar às linhas de 1967? Alguns poderão advogar que se está a deixar o melhor e o mais difícil para o fim, o que até pode ser correcto, mas não me parece de todo coerente afirmar que as fronteiras vão ser as de 1967 sem que Jerusalém seja negociada. Convém recordar, ao menos informado leitor, que em 1967 Jerusalém se encontrava dividida em duas: a Ocidental, controlada por Israel; a Oriental, controlada pelos Jordanos. Com Jerusalém Oriental integrado em Israel as linhas não serão as de 1967, serão outras. Se a questão fosse negociar as linhas de 1967 sem falar de Jerusalém, deixando as coisas como agora estão, creio que Benjamin Netanyahu assinava o acordo já amanhã de manhã.

O Público também afirma que Netanyahu se deslocou ao Egipto para, juntamente com Hosni Mubarak, tentar relançar o processo de paz com os Palestinianos. Ora, segundo os political advisors de Netanyahu e segundo o próprio Primeiro-Ministro, a deslocação ao Cairo teve como principal objectivo tratar da questão do soldado Israelita Gilad Shalit, questão que se encontra num impasse depois de mais uma generosa oferta Israelita. Facilmente, através das ofertas, se verá o valor que cada lado atribui à vida humana...

Parece ser fácil esquecer que as linhas de 1967 são um objectivo totalmente irrealista, algo que é partilhado por diversos quadrantes da Sociedade Israelita. Colocar em prática estas linhas acarreteria uma interminável operação de remoção dos milhares de Judeus espalhados pelos considerados "colonatos" Israelitas na Cisjordânia (cerca de 500000 pessoas). Escusado será dizer que a operação, que teria como alvo muitos mais Judeus que a recente retirada de Gaza (de onde foram retirados 7000 Judeus), seria de difícil execução, pois é expectável uma resistência muito maior e muito mais árdua dos colonos, para além de exigir um deslocar de forças Israelitas em número muito superior, o que seria difícil, pois o plano não seria aprovado por muitos militares Israelitas. A Sociedade entraria em alvoroço como entrou em 2004, só que num patamar muito superior.

O cenário parece recambulesco, e parece-me que jamais será levado a cabo, não só porque os partidos passíveis de serem eleitos em Israel não o querem como também porque a pressão da população levaria, de imediato, ao cair do Governo. A proposta de Lieberman, neste aspecto, tem muito mais lógica: trocar vilas maioritariamente Muçulmanas em Israel pelos "colonatos" Israelitas. Tal tem toda a lógica no meu entender, e faz como que um dois em um: Israel fica com os seus Judeus sem que seja necessária uma complicada e arriscada operação de remoção, as terras que foram sabiamente escolhidas/organizadas/compradas/ocupadas por Judeus antes e depois de 1967 (sim, também foram expulsos Judeus do lado Jordano da fronteira de 1967, aliás como de todo o Mundo Árabe desde 1948) continuam na sua posse e Israel vê-se livre da ameaça da bomba demográfica Muçulmana; os Palestinianos vêm o seu Estado criado (mediante algumas condições), tomam posse de muitas terras perdidas aquando da Guerra da Independência e aumentam exponencialmente a sua população. Obviamente que, por motivos diversos, não será de excluir uma evacuação pontual de alguns colonatos por parte dos Israelitas, para conseguir algo em troca e para que a paz avance.

O problema para a paz não me parece ser a questão das fronteiras, problema que pode ser ultrapassado com concessões várias de parte a parte, nomeadamente através de troca de terras e de populações, como propõe Lieberman. O que é necessário é que Israel se sinta seguro quanto às fronteiras que possui, daí não querer largar os estratégicos "colonatos", escolhidos a dedo por Ariel Sharon. Os Montes Golan não se englobam obviamente neste acordo, pois aí a questão é outra, e tal terá de ser negociado com a Síria e com os diversos "colonos" e cidadãos Israelitas que vivem no local e que, curiosamente, não querem deixar de ser Israelitas. Quanto a esta última questão, é curioso ler esta notícia do Haaretz onde se conseguirá observar a tolerância Síria.


Escusado será dizer que a questão dos refugiados Palestinianos é, para mim, uma falsa questão, da qual os países árabes e a classe política Palestiniana se tentaram sempre aproveitar e não cuidar. Não é possível o retorno tal como não é possível o retorno dos milhões de Judeus que, depois da declaração de Independência de Israel, tiveram que fugir de todos os países Muçulmanos onde viviam.

O problema centra-se em Jerusalém e na confiança mútua. Escusado será dizer o que penso sobre uma coisa e outra, mas poderei pronunciar-me no futuro, se assim me for pedido.

ADENDA: Dois dias depois, outro artigo no Público: ausência de acordo Estados Unidos-Israel sobre congelamento dos colonatos. Como as coisas mudam em dois dias! Será que o Público acordou, desta feita, para a realidade?

As dificuldades não me surpreendem. Um acordo sobre esta matéria tem de ser acompanhado, obviamente, por gestos do outro lado da barricada; curioso que nada se tenha ainda pedido dos Palestinianos, com quem é difícil dialogar, pois nenhum dos seus auto-proclamados representantes parece ter a legitimidade necessária para dialogar o que quer que seja, embora eu reconheça a Mahmoud Abbas essa legitimidade. Tem-se falado, como moeda de troca, do reatar de relações comerciais/diplomáticas de Israel com diversos países Muçulmanos. Porém, os Israelitas não são burros e sabem muito bem que Barack Obama, na pessoa de George Mitchell, não fala por esses países, que já demonstraram ter sempre um comportamento imprevisível no que a esta e a outras questões diz respeito.

Assim, um compromisso Israelita numa questão tão sensível como a dos "colonatos" parece-me impossível. Não só porque o que é pedido é de difícil execução, porque limita o quotidiano das populações residentes nos "colonatos" que, recorde-se, têm a maior taxa de crescimento em todo o território Israelita, como também porque as repercussões políticas para Benjamin Netanyahu de um acordo que limitasse os "colonatos" sem qualquer tipo de coisa em troca seriam abismais.

Mas os "pacifistas" precisam mais de Benjamin Netanyahu do que este deles. Portanto é necessário que se dê qualquer coisa a Netanyahu em troca, uma vez que este não colocará em causa a sua coligação, o seu cargo de líder do Likud e a sua imagem junto dos colonos por um acordo que nada dá a Israel. Precisam-se de coisas palpáveis, não de promessas vãs.

O aceitar por parte dos Norte-Americanos da exclusão de Jerusalém Oriental (será que ainda se pode usar este termo?) de um possível acordo de paragem de construção parece-me um bom passo. Mas ainda insuficiente.