Teste

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domingo, 6 de abril de 2008

Sem titulo

A vida é um palco de velhacarias e misérias, aos 15 suspeitamos, aos 25 sabemos de mão certa. Não se joga em escolhas epicamente livres, herança infantil do século XX, lobriga-se ecossistema onde os organismos se canibalizam entusiasticamente, assegura-se tirania sem remissão. Se há lição a retirar do voo de Ícaro é essa, a vil condição de ácaros, incorrigíveis escravos de incorrigíveis carências. Lançado a nave do navio ao gigantesco oceano levá-lo a bom porto, não está apenas nas nossas mãos, melhor, não está nas nossas mãos, repousa, tremulo, vacilante, volátil sob os cascos dos deuses pagãos. Uma regressão infinita que liga o futuro ao passado. A fenda ilude-nos a continuar. A vida é naufrágio a prazo, ou vários. Estamos todos em transito. Sentido único, como no mar, o vento sopra de este para oeste, que importa navegar em direcção contrária? E assim vamos, entre tribulações até a derradeira tribulação. De que serve acreditar que a perspectiva do abismo é pessoal? De que ao abismo e aos vales encrespados lhe antecedem os planaltos? Não conhecem os planaltos a fúria dos elementos. Pior do que viver debaixo dos deuses pagãos, que se estimam perpétuos e merecedores do Olimpo, viver sob deuses menores que orçam na casa dos 20 e com o espírito dos mastins. Não é o espírito do tempo, é o espírito de todos os tempos. Todos contra todos, e a mais das vezes, todos contra um, para refazer a fraseologia hobbesiana. Se nas sociedades pré-modernas o berço continha toda a narrativa, injusto oh céus, hoje o berço é o prelúdio de todas as injustiças. E se tudo começa no berço tudo acaba no abate, a morte sabendo se único remédio pisa com os mesmos pés os bem e mal amados.


PS 3 da manha, rambling thoughts

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Prós e Contras

Eraserhead descarapuçado


"Por favor, Senhor Ministro, ajude a resolver, de uma vez por todas, o problema do mercado de distribuição e exibição em Portugal, e ajude a capital deste país a ter de volta uma rede condigna e valiosa de salas de cinema."




"Mòrmente o esforço daqueles que bem servem a Nação no exercício dos mais elevados cargos teria neste particular uma decisiva influência. É que temos visto, com vivo pesar, que em contravenção da aflitiva realidade desta situação, de uma evidência constringente, muitas personalidades de relevo, inclusivé mentores dos destinos económicos do país, se apresentam em público sem chapéu."

Na foto: Os cabelos em pé são um sinal evidente da apreensão que domina este industrial de chapelaria.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

A esquerda estúpida, a autoridade e o poder

A esquerda estúpida dificilmente convive com a palavra autoridade. Para esta esquerda (e em parte para a restante), autoridade é uma coisa que apenas e sempre se conquista pela luta em defesa de “causas superiores”(de esquerda). Evidentemente que se as causas não forem de esquerda, o indígena bem se pode esfalfar que nunca haverá causa nem autoridade.

Poder é coisa blasfema. Coisa de unilateralista, coisa que cheira a enxofre.

Para a esquerda, a autoridade é uma coisa que “tem que ser permanentemente posta em causa”. Parece tratar-se do velho discurso de desafio ao poder. Parece mas não é.

Se a autoridade for de esquerda, basta o passa-palavra entre irmãos de sangue e a autoridade estará, naturalmente, isenta de ser testada. Se a autoridade não for de esquerda o desafio à idoneidade da autoridade serve apenas como chavão para a condenação daquele que está à partida queimado.

Poder é coisa que a esquerda diz renegar mesmo quando o tem e exerce impiedosamente, e que imputa sistematicamente, como nuvem negra, fascista, não só a quem o exerce às claras mas mesmo a quem, não sendo de esquerda o não pretenda exercer.

Entre iguais, a autoridade pode ser exercida sem recurso a poder desde que seja naturalmente aceite. Se não for naturalmente aceite, a coisa turva-se.

Na escola, por muito que a esquerda estúpida insista, professor e alunos não são iguais e a autoridade não pode frequentemente ser exercida sem recurso a poder.

Claro que a esquerda se está nas tintas para a realidade, porque lhe basta o que vai na cabeça dela. Em último caso, se o bicho homem não se lhe adaptar a culpa é dele, ficando ao alcance de um poder infinito que já dizimou milhões de pessoas.

A esquerda, paulatinamente acompanhada por uma direita envergonhada, tem vindo a retirar ao professor não só poder como mesmo autoridade. Começou por retirar ao professor, directamente ou por via de labirínticas burocracias, o poder que lhe permitia manter as hostes suficientemente sossegadas para que pudessem ouvir, participar disciplinadamente e aprender. Depois inventou a aberração “escola democrática” que coloca professor e aluno ao mesmo nível. Em resultado, o poder, dentro da sala de aula e, por arrastamento, em toda a escola, caiu à rua.

O poder caiu à rua e a esquerda rejubilou. Estava para sempre afastada a ferramenta opressiva da besta fascista.

O problema é que quando o poder cai à rua pode ser apanhado por qualquer um. Pode demorar mais ou menos tempo, mas acabará por ser apanhado e exercido por alguém.

De mãos atadas em novelos ideológicos cujos nós foram sendo convenientemente desenhados por sindicatos a preceito, os professores, mesmo nos poucos casos em que a aceitação da democracia na sala de aula foi rejeitada, foram incapazes de levantar um dedo.

Caído à rua, o poder não ficou órfão. Inicialmente, indiferentes aos ideais da esquerda estúpida, os alunos foram abocanhando, cada um para seu lado, o bocadinho que achavam que tinham direito. Posteriormente foram-se formando gangs, alguns de rebentos militantes em causas da esquerda estúpida.

O Ministério da “Educação” não se alarmou. Tratava-se apenas de criativas formas de interacção enquadradas informalmente. O solipsismo é meta estável e, portanto, as tribos são coisas giras, informais.

Os chefes tribais, de pendor evidentemente caudilhista, estabelecem-se e controlam o território. A escola está por conta deles. Em miríades de pequenos grupos substancialmente guerreiros (também entre eles) controlam as salas de aula, por vezes a 2 ou 3 por turma. Pouco a pouco vão conquistando território a outros grupos e “interactivando” com estruturas de idêntico pendor fora da escola, vão estendendo os tentáculos a outras escolas.

Estamos portanto perante um cenário em que dentro da escola há nichos de poder de todos os tipos e para todos os gostos, nenhum deles exercido por quem de direito: o professor.

Perante a hecatombe, eis como o sistema se prepara para se subalternizar face aos novos e radiosos poderes:



A nova onda possa por se subalternizar o professor e a escola face a gangs. O que está a dar é conquistar gangs para se poder dar aulas. O gang já nada tem a conquistar, já tem poder e, por arrastamento, autoridade. O caudilho do gang manda, escudado pelo resto da tribo ou, se se quiser, por uma "informal" tropa de choque.

Enfim, uma escola fascista como nunca terá passado pela cabeça a Salazar.

Viva a esquerda.

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Medo

O RB disse-me há tempos que o medo é racional e natural, no ser humano.
Eu não acho que o medo seja “racional”, no sentido de se tratar de uma atitude originada na razão, isto é, pensada e planeada.
O medo é, a meu ver, uma reacção instintiva, animal, decantada ao longo de milénios de evolução, e essencial para a sobrevivência individual. Todos os mamíferos sentem medo e por isso existem. É portanto "natural", e não depende da razão.
Compreender e vencer o medo, isso sim, implica um essencial esforço da razão.
Se assim não fosse, nenhuma sociedade humana teria sucesso, porque nenhum homem ou mulher correria riscos individuais para salvaguardar uma abstracção (um futuro desejável).
O especialista em Hegel é o DLM, que me corrigirá se estiver errado, mas o bom do Friedrich, quando não estava virado para o historicismo, achava que tanto os homens como os animais desejam instintivamente a preservação do próprio corpo, mas o homem, em particular, deseja algo para além da pura sobrevivência física. Até Hobbes, todo dado aos instintos, encontrava na natureza humana a "glória", susceptível de levar o Homem a arriscar a vida por ideias abstractas, símbolos e bandeiras.
Que eu saiba, nenhum outro animal faz isso. Eu, pelo menos, ainda não vi um único porco a manifestar discordâncias profundas com a PAC, ou com a magna questão do método eleitoral.
Voltando ao medo, Hegel imaginou a metáfora de dois homens no início da História, apostando as suas vidas numa batalha mortal pela honra, prestígio ou superioridade.Quando um deles se submete, cedendo ao medo físico, ao medo da morte, surge uma relação de poder. Cede aos instintos e por isso submete-se a outrem. Perde a sua liberdade porque os seus instintos o dominaram antes. O outro, que deliberadamente contraria os seus instintos de sobrevivência, é livre e ganha poder.A lição é óbvia: só pode ser livre quem não cede ao medo animal e admite morrer na luta.
A capacidade de lutar por símbolos e de levar a luta aos extremos, é portanto condição sinequanon da liberdade humana. É por isso que discordo da opinião do RB nesta matéria. E é também por isso que penso que o desejo de rendição, apaziguamento e acomodação que perpassa importantes sectores do Ocidente, relativamente ao choque com o Islão, é uma atitude irracional, animal e, a prazo, perigosa.
Porque jamais foi livre uma sociedade que não se dispusesse a lutar.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Turmas de gangs

Acabei de ver o Prós e Contras de 2ª feira passada.

Se tiver tempo, sou capaz de verter aqui uns clipzitos de algumas passagens, umas acertadas outras hilariantes.

Deste último grupo vem-me à memória a declaração de um psicólogo, segundo a qual cada professor deve negociar com os chefes de gang que houver em cada turma, não só o indispensável sossego como também a possibilidade de chegar aos subordinados do caudilho.

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RIP Atlantico?

Teremos sempre o Pacifico blogueiro

Geert Wilders é deputado holandês, preparou - prepara? - filme que terá, presumo, estreia clandestina pela mesma altura que este artigo sair nas bancas. O filme, contam fontes mal informadas, versa denunciante e directo sobre o Islão. Irascível e irrequieto a pedido de muitas famílias. Até agora só se lhe conhece o actor principal, a toleima islâmica, e que bem pode ser o único mas já promete sucesso explosivo e luminoso na tela - e fora dela. No fundo, o filme lembra aos holandeses, à Europa, ao mundo, que o convívio apertado com dementes e fanáticos é tão desejavel e alucinante como viver em regime de união de facto com um tigre siberiano adulto lá em casa - à mesa, na cama, no chuveiro A holanda, tomada de medo, estima a entrada em "alerta máximo", caem sáplicas sobre Wilders, lamenta-se a desfaçatez do realizador, abana-se a medrosa cabeça. A época pede cobardia na atitude, silêncio no trato, capitulação no discurso, enfim, um ecrã vazio. A liberdade está fora de moda. Abaixo do mar negro, espera-se negros tumultos e violência ainda mais negra. Em Amsterdão, em Haia, em Utrecht, espera-se pirotecnia vária e tiro ao alvo. Os tempos convocam os dementes e os fanáticos. Popper, quando o apocalipse nuclear ameaçava desabar sobre a civilização, perguntava-se, perguntava à plateia, indagava o Ocidente, humilde e sem pose de profeta, a saber se o Ocidente devia ceder à chantagem das bombas. Era conflito mais grave, o inimigo identificável, a ameaça clara, as regras ainda mais claras, havia uma história filosófica comum, marchava-se pelo progresso, eram os filhos do iluminismo. Hoje as trevas, a distopia medieval, escrita ainda a rota da seda ritmava os tempos, quando as constipações acabavam com os homens ao segundo espirro, no universo que as ameias dos castelos davam a conhecer, o ventre serôdio deste aglomerado de dementes e fanáticos pede triunfante a submissão incondicional. Fomos à lua, descobrimos o átomo, descodificámos o genoma humano, bom, isto tudo e cercados por tecnologia por todos os lados, mas emudecemos e caímos aos pés de tiranos que vicejam na idade média. A loucura é uma questão de perspectiva.

1€

Esta manhã, suponho que na Antena 1, um idiota cascava num supermercado por ter movido um processo a uma velhota na sequência dela ter, hipoteticamente, roubado um creme no valor de 1€.

O argumentista reclamava que a velhota era velhota, que o valor do creme era apenas de 1€, que o supermercado teria gasto uma fortuna em advogados e que o Estado teria gasto um batatal de massa em geringônciais manobras de tribunal.

O trambolho argumentou isto tudo mas esqueceu-se de dizer que pensaria ele dever fazer-se perante a percepção generalizada de que o supermercado nunca levantaria processos para roubos inferiores a 1€.

Dever-se-ia retirar do supermercado tudo o que custasse menos de 1€? Dever-se-ia deixar roubar tudo o que custasse menos de 1€?

E porquê 1€? Porque não 5, 10, 100, 1000? Dever-se-ia apenas levantar processos nos casos em que o roubo fosse superior ao somatório de todos os custos judiciais?

De acordo com o pensamento do artista deveria ser esta última a via a seguir, muito embora não se tenha percebido quantos seriam, na cabeça do palermoide, os artigos de supermercado que ultrapassam 1000€ ou se ele defenderia a retirada de todos o artigos de valor inferior.

Enfim, coisas giras, coisas caviar, coisas ao nível de inteligência Neandertal (não desfazendo).

A propósito: qual o preço do kaviar?

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terça-feira, 1 de abril de 2008

O estado da oposição


Hoje soube-se que os prejuízos da RTP aumentaram, em 2007, 46,2% face ao ano de 2006.

Quando ouvimos dizer, da boca do líder do maior partido da oposição, que caso fosse eleito a RTP ficaria sem publicidade, vemos o estado em que está a oposição em Portugal.

Caso para dizer: "Dedica-te à medicina, ó Menezes!"

Aguentem-se à bronca

Anda por aí aos trambolhões a acusação de que a RTP privilegia o governo em detrimento da oposição.

Mas qual governo e qual oposição? Porquê a dicotomia? Que tem o governo a ver com a oposição?

O governo tem uma legitimidade própria e não há organismo alternativo.

A oposição é oposição ao partido que suporta o governo. O partido que suporta o governo tem oposição. Aliás, todos os partidos são oposição uns aos outros.

O governo deve ter tempo informativo de acordo com o que se achar apropriado e ponto final.

A oposição é oposição por não ter legitimidade para ser governo. Não tem legitimidade para ser governo e não tem peso específico para ser colocada ao mesmo nível.

Que a RTP privilegie o PS em detrimento da oposição poderá (ou não) ser coisa que mereça análise, mas, cada macaco no seu galho.

O Bloco de Esquerda tem muitíssimo mais tempo do que merece em função do seu peso eleitoral. Porque carga de água se tem que aturar uma lavagem ao cérebro de meia dúzia de marmelos em pé de igualdade com um partido que é suportado por muito mais gente?

Eu percebo que a coisa não deve apenas ser proporcional. Mas colocar nos pratos da mesma balança o governo e a oposição?

Rebéubéu que o PS se mistura com o governo. Mistura? Se fulano for membro do governo em funções governamentais é governo. Se não for o caso, é partido.

O governo (este ou outro qualquer) tem legitimidade própria e deve fazer chegar a sua mensagem aos portugueses. Os partidos, da oposição ou não, devem ter o mesmo direito, mas equitativo entre partidos, sem misturas, porque o governo é o governo.

Manifestação por autoridade

Miguel Júdice, RDP1, Conselho Superior, 24 de Março de 2008, acerca dos bezerros e das manifestações.

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segunda-feira, 31 de março de 2008

Mentalidades


Regressei hoje do paraíso fiscal: volumes de tabaco a 17 euros, garrafas de vodka a 3 euros. Esta ausência de impostos foi o motivo pelo qual eu encontrei, pelas paragens de Pas de La Casa, os mais variados espécimes humanos, que de humanos têm pouco. Bebedeiras, mocas, e outros acontecimentos marcaram esta viagem de finalistas, na qual participaram alunos de todo o país. Em Lloret del Mar, onde os preços são idênticos aos de Portugal, passou-se o mesmo. O paraíso fiscal não foi, portanto, o responsável pelo panorama encontrado.

Confesso que já estava à espera de encontrar o que encontrei. As viagens de finalistas promovem a emancipação daqueles que por cá estão mais sossegados e a confirmação dos que por cá estão mais activos. Em Andorra, em Lloret del Mar, ou em outro qualquer paraíso idílico para o comum estudante Português, acaba sempre por vir ao de cima a irreverência normal da idade e a insolência, a irresponsabilidade e a ignorância típica do grosso dos jovens que um dia serão adultos neste país.

Raras são as excepções à regra e eu próprio não sou um exemplo puro. Ninguém é exemplo. No entanto, existem limites que não transponho. E existem outros tipos que, tal como eu, também não transpõem. Estes tipos são as tais excepções à regra.

Alguma coisa anda mal quando acontecem casos como a da Carolina Michaelis. Alguma coisa anda mal quando encontramos índices de criminalidade altíssimos nas escolas. Alguma coisa anda mal quando encontramos elevadíssimos índices de deliquência juvenil. Alguma coisa anda mal quando se faz aquilo que se quer dos professores. Alguma coisa anda mal quando se desrespeita todas as normas de civismo.

A culpa? Cada caso é um caso, e um cada vez mais bicudo que o outro. Pode-se atribuir culpas ao governo e às suas políticas, mas isto é o típico "sacudir água do capote". A maioria das culpas está na educação dada pelos pais, nas mentalidades e na capacidade de reagir às adversidades que o mundo actual tece.

Não existe homogeneidade nos grupos/escalões afectados. Encontra-se de tudo um pouco nesta malha: ricos, pobres, inteligentes, ignorantes, brancos, amarelos ou negros. Uns com índices maiores, é certo, mas nada de muito abismal.

Quando me desloquei a Rio de Mouro para o encontro nacional de associação de estudantes (ENAEESB), tive a oportunidade de dialogar e trocar impressões com outros colegas de diferentes pontos do país. Qual não foi o meu espanto quando me deparei com uma retórica inflamada, ao estilo festa do Avante. O encontro nacional parecia um comício do Partido Comunista Português, com alunos a pedir mundos e fundos, a reclamarem com aquilo que não tem reclamação possível e a defender o que nunca pode ser defendido. Estes alunos irão representar os alunos do Secundário junto da ministra da Educação e, salvo erro, a minha delegação foi a única que votou contra a moção apresentada, que possuía enormes parecenças com o Manifesto do PC.

Convém referir o porquê destas parecenças: as escolas de Setúbal e de Lisboa estavam em plena maioria (alunos com menos possibilidades, maior criminalidade e maiores dificuldades); o pessoal que anda no secundário gosta muito de fumar uns charros e de beber uns copos. Esperava, quando me desloquei a Rio de Mouro, que alguém tivesse uma posição semelhante àquela que defendíamos. Porém, não encontrei ninguém e, quando me retirei juntamente com os meus dois colegas, ouviram-se apupos.

Isto
porque eu próprio tenho retórica inflamada...

Deixo-vos algumas das pérolas da moção:

"os exames nacionais são um filtro ao acesso ao ensino superior" - esta malta queria que existissem 1000 advogados, mas o pior é que não há mil crimes por resolver...

"cerca de 50% dos alunos recorrem às famosas explicações, sendo que a estas só podem recorrer aqueles que possuem melhores condições económicas" Propõem que se elimine as explicações, pois nem todos têm acesso a elas.

"(acerca da educação sexual) fica demonstrada a falta de informação"

"O actual governo PS" - esta frase é repetida 4 ou 5 vezes durante toda a moção.

"(acerca das aulas de substituição) os alunos fechados numa sala de aulas, onde nem sequer estão a desenvolver trabalho produtivo para a formação pessoal" - não estão porque não querem!

"a passagem da gestão das escolas para uma empresa nunca vai resolver o problema das escolas degradadas"

"Em termos de números referentes aos exames nacionais de 12º ano, estavam inscritos 176794 estudantes, e destes apenas 113148 tiveram oportunidade de se candidatar ao ensino Superior, pois os restantes tinham menos de 9,5 valores" - Será que não percebem que nem toda a gente pode entrar na universidade? Será que os alunos que não tiram positiva num exame directamente ligado ao curso que vão tirar, podem entrar nesse curso? Será que devemos permitir a entrada de quem não "merece" nas universidades?

"e saída para o mercado de mão-de-obra pouco qualificado sendo, portanto, facilmente explorados" - a 2ª pérola das pérolas.

"O objectivo do governo é afastar do sistema de ensino os filhos das classes mais baixas" a 1ª pérola das pérolas.

"(alguém da plateia) Em Cuba a educação é grátis!"

Tudo isto para quem está de fora ter noção da malta com que estão a lidar. Este pessoal só quer regalias, não quer obrigações nem tão pouco quer mexer uma palha para mudar aquilo que está errado. A revolta anarquizante enraízada dentro das escolas é algo bem patente nos estabelecimentos de ensino nacionais. Sempre que ocorre algo do qual não gostam, a culpa nunca é deles, é sempre do professor.

As negativas são culpa do professor. Os atrasos são culpa da rigidez do professor. Os preços da cantina são culpa da escola.

Gosto muito das escolas que frequento mas também concordo que poderiam e deveriam ser melhoradas. No entanto, não entendo nem partilho da opinião do grosso dos alunos que atribuem as culpas dos maus resultados e de tudo o que lhes acontece na escola aos professores, à escola, ou à ministra.

O problema está nas mentalidades. Os alunos não sabem lidar com a liberdade e a democracia que muitos no passado não usufruíram. Muitas vezes, quando usufruem destas, é para os caminhos errados.

Como diria DLM, foi a educação que o 25 de Abril nos legou.

Paraíso socialista

Pelo último grito em paraíso socialista, uma folha de papel higiénico custa $417. Um rolo inteiro, $145,750.

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Manifestação a 2 taxis

No Abrupto pode ver-se esta piramidal foto (RM):


[clicar a imagem para ver melhor]

Não há duvida: à flamejante causa, as massas aderem a magotes.

Nota: estão todos encasacados por causa do aquecimento global.

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domingo, 30 de março de 2008

Relativismos

A propósito do "Fitna", o delírio desculpabilizador instalou-se e uma certa esquerda afadiga-se em comparar livros sagrados, pescando frases "gore", para demonstrar a razão pela qual , se formos ver bem, as religiões judaicas e cristãs ainda são piores que o islamismo.
A compulsão para a comparação de livros sagrados é recorrente e ajuda a relativizar a realidade, permitindo o exercício da "má-fé" (no sentido de Sartre).
No fundo tenta-se racionalizar uma posição que lá no fundo se sabe ser insustentável.
Não interessam as “motivações” do Wilders. Essas só ele as conhece e o que certos comentadores fazem é do mais primário em termos de agit-prop: atacar o mensageiro para descredibilizar a mensagem.
Mas quanto aos livros, a simples comparação de frases é uma palermice.
Até os Lusíadas têm coisas como:

“Daqueles reis que andaram dilatando.
A Fé, Império e as terras viciosas"
(Lvsiadas I-3)

E não menos certíssima esperança
De aumento da pequena Cristandade;
Vós, ó novo temor da maura lança.
Maravilha fatal da nossa idade,
(Dada ao mundo por Deus) que todo o mande,
Para do mundo a Deus dar parte grande;
(Lvsiadas I-6)

Em vós os olhos tem Mouro frio,
Em quem vê o seu exício afigurado;
Só com vos ver, o bárbaro Gentio
Mostra o pescoço ao jugo já inclinado;
(Lvsiadas I-16)”

E quem ler os livros de Stephen King, ainda se arrepia mais.
O problema não está nos livros em si, mas no seu estatuto. Os Lusíadas e os livros da colecção Arrepios, não são LEI para ninguém, e muito menos a referência em termos de conduta moral e social.Tampouco a Bíblia, ou a Tora, são fontes de direito em sociedades politicamente organizadas e impenetráveis à interpretação humana.
E se há algumas pessoas que os usam como norma de conduta, fazem-no no espirito do tempo, condicionados pelas normas das sociedades em que vivem e segundo interpretações exclusivistas e não revolucionárias (no sentido de querer impô-las aos outros)
E tanto a Bíblia , a Tora e outros livros sagrados, são apenas repositórios de uma Revelação. Não são “A Revelação”.
O Corão é diferente e é por isso que as comparações são absurdas. O Corão é um livro “incriado”, tem estatuto de Deus, e por isso não pode ser contrariado. É fonte de direito, é compulsivo, é literal, e é a derradeira referência em termos morais, sociais e políticos, para toda uma cultura que agora está já instalada no seio da Europa e a quer mudar.
O problema de uma certa esquerda, é que não consegue deixar de olhar para o Islão a partir do edifício mental ocidental, como “mais uma religião como as outras”, e o Corão, “mais um livro como os outros”. É por isso que equipara coisas que não são iguais, apesar de a realidade que todos os dias lhe entre pelos olhos, lhe mostrar que há ALGO que não é igual.
Na verdade a predominante visão muçulmana do mundo impõe a todo o “bom muçulmano” o DEVER de fazer respeitar pelos outros os imperativos da sua religião, enquanto eles não devem qualquer respeito às ideias dos outros porque ao fazê-lo se tornam renegados segundo a letra e o espírito do Corão.
A tolerância muçulmana tem apenas o sentido da que exige para si ou que pratica para com os que se submetem, mas que não tem de demonstrar para com mais ninguém.

E por isto tudo entristece ver esta esquerda como que convertida ao Islamismo, a relativizar o mal, e a “compreender” a sharia, em nome da “especificidade cultural”. Uma esquerda que se diz libertadora, a “compreender” um sistema retrógrado e a tentar esmagar sob o epíteto de “fássista”todos aqueles que denunciam o fascismo islâmico (na verdade a ideologia islamista cumpre quase todos os quesitos técnicos para ser considerada fascista).
A mesma esquerda que, moderada e desculpabilizadora para com o fanatismo islâmico e as suas “formas de expressão”, se mostra ela própria fanática contra quem lhe responde e denuncia a falácia dessa ideologia.
Esta esquerda deveria tentar estudar umas coisas sobre os diferentes estatutos do Corão e dos outros livros que cita superficialmente, entes de se lançar na sua comparação.
Para os muçulmanos não são iguais.
E esse é que é o problema que esta esquerda ainda não parece ter alcançado.
O Wilders já!
É por isso que é "fássista"!

sábado, 29 de março de 2008

Fascismo?

As acusações de fascismo, abjecção em corpo vinte nas paginas do publico, é pura desonestidade, o desrespeito total pelo que vem nas sebentas, ou algo pior. Talvez sinal da (i)literacia que floresce triunfante e impante tanto nos casebres como nos palácios. Que o autor da peça seja incapaz de distinguir um fascista de um libertário é uma coisa, um erro pessoal, que toda uma sociedade alinhe no delírio é outra mas nada a que nao estejamos habituados. O corao é "censurável", ponho entre aspas porque não fará sentido impor lhe o açaime da censura, mas muito menos o açaime da correcção politica, esquecer as suras do ódio, os apelos ao fanatismo, é um exercício tão irresponsável como lhe impor o silencio da clandestinidade, e é para isso que correm os tempos, tanto no publico como no arrastão, entre gritos que “vem ai os fascistas” o que interessa é defender uma visão arcaica do mundo: “nós seremos sempre os maus”.


PS O fanatismo dispensa bem os formalismos, há fanaticos tanto à esquerda, ao centro e à direita.

SERÁ WILDERS UM FASCISTA?



Como habitante da Holanda
esta temática interessa-me particularmente, como devem compreender. Por essa razão dei-me ao trabalho de traduzir nove das muitas citações de Wilders e gostaria de saber se correspondem à ideia que as pessoas têm de alguém realmente de extrema-direita, ver mesmo fascizante. Seria interessante para um próximo artigo e ficar-lhes-ia eternamente agradecidos que dessem a vossa opinião.

Para facilitar a vida dos leitores pensei neste esquema:

a. plenamente de acordo
b. de acordo, mas poderia ter sido dito de outra maneira
c. não me aquece nem arrefece
d. não concordo

e. repudio completamente esta afirmação

O leitor neste caso responde apenas por: 1c – 2a – 3d – 4e – 5c – 6b – 7e – 8d – 9b (isto é um exemplo, não é a minha opinião)

WILDERICES

1. Todas as pessoas que não partilham estas normas [ocidentais] deveriam tirar as suas conclusões fazer as malas e partir. Não se pode exigir de nós [sociedade holandesa] que respeitemos certas opiniões quando ao mesmo tempo as pessoas não têm a intenção de respeitar as opiniões dos outros.

2. Campos de reeducação [para jovens delinquentes], cortar no abono de família dos pais, mandá-los para a família em Marrocos. Todas estas medidas devem ser experimentadas.

3. Se nós rasgássemos as páginas de ódio do Corão não ficava grande coisa, uma revista do tipo Pato Donald.

4. Quando a peça de teatro sobre Aisha, mulher mais nova do profeta, foi anulada na Holanda, houve uma vereadora da câmara de Amesterdão que disse - creio que foi Fátima Elatik? [marroquina], mas as mulheres de véu parecem-se todas umas com as outras – que a liberdade de expressão na Holanda “ultrapassou os limites”. Mas não o suficiente para ela poder fazer uma afirmação deste tipo.

5. Os muçulmanos há muito que fazem parte dos ‘bons selvagens’ do PvdA [Partido Trabalhista social-democrata]. Dito de outra forma, os animais estão para o partido de Marianne Thieme [Partido de Protecção aos Animais] assim como os muçulmanos estão para o Partido Trabalhista. Um perfeito ecrã para projectar meiguice e infinita compreensão multicultural. Uma perigosa forma de sentimentalismo…

6. [Depois de uma visita a Marrocos]. O primeiro marroquino que me venha com histórias sobre xenofobia, imprensa racista e subsídios de desemprego muito baixos dou-lhe um raspanete. E os insurrectos de Amesterdão [marroquinos] deviam cumprir a sua pena aqui [em Marrocos]. Todos os dias a pão e água a escovar sapatos, ou trabalhar como pedreiros a €4 à hora, acarretar com pedras debaixo de um sol escaldante, assim é que eles aprendiam.

7. Os judeus que escaparam da tragédia do Holocausto fizeram com que o mundo os respeitasse com os seus conhecimentos, não com o seu terror, com o seu trabalho, não com a sua gritaria e choraminguice.

8. Os fundamentalistas cristãos provocam dores de cabeça ao mundo, é verdade, mas os fundamentalistas islâmicos cortam-nos a cabeça…

9. Se a sociedade acha que precisa tanto de trabalhadores estrangeiros, devia ter optado por contratos a curto prazo com trabalhadores solteiros, ou com trabalhadores que estivessem dispostos a ficar algum tempo sem a companhia dos seus familiares.

sexta-feira, 28 de março de 2008

É o desensino, estupido

Antes de começar aconselho-vos as seguintes leituras no blog do Luiz Sarmento e no Dragoscopio. Vi extasiado o vídeo, mais extasiado fiquei com “a rebelião das massas”, e extasiado ando desde então. Se Hegel retirava coelhos metafísicos da cartola, Ortega y Gasset tirou da cartola metafísica o homem-massa. Um homem vulgar, ser amorfo com os apetites do Olimpo e as entranhas das bestas. Se o fordismo fabricava maquinas standarizadas, as linhas de montagem da sociedade fabricam almas com o mesmo denodo que as de Detroit. Almas infinitamente medíocres, miseravelmente confiantes na sua distinção, o cume da historia, saídos do ventre da civilização presumem-se filhos de pais anónimos, frutos espontâneos de uma arvore etérea, como a civilização, como levá-las além do redil das bestas? Naquela sala de aulas, vemos um novo homem-massa, um homem que não é homem, pois vedado pela biologia, mas ele não quer saber nada disso, “tá-se” nas tintas, acredita-se venerável, invulnerável, alcandorado à nobreza pelos os seus iguais, é a glória da Humanalidade – onde é que podemos fazer reset àquelas alimárias? Com 14, 15 anos, meados anos 90, o prof, quando não era o inimigo, o intruso que arrombava horas de sono e salas de aula, o cafre que quis o espírito das leis e o musculo do continuo nos pusesse no olho da rua, ainda era o adulto, criatura dois degraus acima dos infra-humanos, asseguro-vos que tínhamos professor – homem solitário, sem ambições, rendido aos tempos – que deve hoje perorar de sofá em sofá o seu stress pós-traumático, enfim, uma sala de orangotangos, como entre as bestas a historia começava connosco, já se tinha dado o assalto vertical dos bárbaros. Volvida uma década, nota-se que a barbárie ainda é mais negra e mais funda, ou mais alta como quiserem ler, é o ensino condenado a um aviltamento sem tréguas. Regresso a Gasset, este apelava há 80 anos a uma aristocracia, uma aristocracia de almas, mas como hoje? Quando o saber, o veiculo, é levado ao chão entre a galhofa e o escárnio? Como é que se dão dois estalos metafísicos?

Fitna



Via De Parte Incerta.

FITNA

O filme mais discutido nos últimos tempos foi ontem finalmente apresentado às 19:00 através do site LiveLeak. Nenhum canal de televisão holandês se atreveu a sair com o filme que apenas é uma colagem de acontecimentos conhecidos relacionados com muçulmanos e com a jihad islâmica. Acontecimentos que já tinham sido antes transmitidos pela TV holandesa. Mas o valor do filme não é o filme em si, mas o que já provocou e o que ainda vai provocar no seio da política holandesa de integração.

E outra coisa que o filme demonstrou, é que não cabia a Wilders, como membro do parlamento, de fazer este filme, mas à inteligência engajada deste país. Mas como a inteligência não ata nem desata, Wilders tomou felizmente a iniciativa. Uma parte da inteligência (tanto de esquerda como direita) passa o santo tempo a diabolizar cobardemente Wilders, e a outra parte tem medo! O único intelectual (Theo van Gogh) que poderia ter feito este filme, e não tinha medo, foi assassinado há quatro anos na sua própria cidade por um seguidor de Alá.

Mas foram precisos dois assassinatos, uma porrada de gente protegida pelo estado e um FILME para as coisas mudarem, muito devagarinho. Finalmente há já cada vez mais muçulmanos a pensar que Wilders não poderia ter feito o mesmo filme sobre portugueses ou polacos… Não parece mas isto é um grande passo em frente. Tudo isto graças à teimosia e coragem de pessoas como Geert Wilders, Ayaan Hirsi Ali e ..... Achmed Aboutaleb.




Achmed Aboutaleb, marroquino, muçulmano e secretário de estado pelo partido social-democrata, disse ontem na TV que ‘atingimos um período importante de introspecção para os muçulmanos: Como foi possível nos últimos anos os problemas terem atingido estas proporções? Temos alguma coisa a ver com o assunto? Fizemos algo para melhorar a situação? Não fazer nada é, neste caso, tomar uma posição – quem cala consente…’

O entrevistador (de esquerda) em pânico: ‘quem cala consente! O que é que eles poderiam ter feito?’

Aboutaleb: 'a comunidade muçulmana sempre se calou em momentos cruciais. Não há muito tempo, quando jovens marroquinos em Slotervaart incendiaram carros e um posto da polícia, esperara-se uma reacção mais firme de parte da comunidade! Deviam ter tomado a iniciativa do debate, fazer algo para dar uma imagem diferente da comunidade.

Nos últimos anos foi derramado muito veneno no seio da comunidade islâmica, e estou convencido que só a própria comunidade pode produzir o antídoto. Este filme serve precisamente para isso, para obrigar aqueles que por um falso sentimento de solidariedade étnica não conseguem ainda ver-se ao espelho.


Houve um tempo em que os políticos deste país, eu faço parte dessa categoria, pensavam que construindo casas, escolas e hospitais para todos, isso seria suficiente para afastar a inquietação que as pessoas sentem acerca dos problemas de integração que realmente existem.

Nos últimos anos aprendi que isso, infelizmente, não é verdade. Cheguei à conclusão que é preciso ter em conta também o desassossego, a fitna, de todos: tanto dos estrangeiros como dos nacionais, dos que votam em Wilders. E o pior que se pode fazer é banalizar os problemas, varrê-los para debaixo do tapete. Foi assim que nós, esquerda, criamos um espaço vazio que facilmente pode ser preenchido por outros..

A sociedade holandesa pode ser um paraíso, eu luto por esse paraíso: lembro-me bem dos homossexuais que nos anos 60 participavam em massa em manifestações de solidariedade pelos direitos do meu pai, e hoje em dia, os mesmos homossexuais são agredidos na rua por jovens marroquinos…'

quarta-feira, 26 de março de 2008

Mediação em porradaria

De chorar a rir:
"As escolas com problemas graves de indisciplina podem apresentar ao Ministério da Educação uma proposta para a contratação de técnicos como psicólogos e mediadores de conflitos, anunciou hoje o secretário de Estado da Educação."
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Adenda:

Recomendo vivamente uma visita ao blog As Minhas Leituras.

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EU, MOHAMMED EL-KAIM, FAÇO PARTE DOS ACUSADOS…


Um muçulmano holandês serviu-se Sábado passado no diário NRC do famoso J’ACCUSE (acuso), que em 1898 já tinha servido ao romancista francês Emile Zola (contemporâneo de Eça) para acusar as autoridades do seu país no célebre caso Dreyfus.

Mohammed El–Kaim, um muçulmano anónimo, deu uma bofetada magistral em todos aqueles que esta semana demonstraram contra Wilders em Amesterdão, mas sobretudo no conhecido apresentador da TV Harry de Winter, que pagou dez mil euros do seu bolso para publicar este anúncio no diário Volkskrant :

“Se Wilders dissesse a mesma coisa sobre os judeus (e sobre o Antigo Testamento) que os disparates que diz agora sobre muçulmanos (e o Corão), já tinha sido há muito ignorado e condenado por anti-semitismo.”

Comparação idiota, os judeus por cá não ameaçam políticos, colunistas, artistas de teatro ou cineastas, e também não cometem atentados terroristas!!!

J’accuse…

- A sociedade holandesa porque só vê em nós e na nossa religião o mal. E esquece o muçulmano decente e trabalhador que não faz mal a ninguém. E este também existe e até é a maioria.

- Todos os muçulmanos na Holanda e no mundo inteiro que não aceitam críticas ao Islão. Durante séculos foram chacinados todos aqueles que criticaram a Thora e a Bíblia. Só quando isto cessou é que a religião se transformou num amparo para os seus crentes, em vez de um instrumento de opressão e de abuso de poder da elite.

- Os muçulmanos que desacreditaram o nosso nome e não querem integrar-se na sociedade abusando ao mesmo tempo da hospitalidade e da segurança social holandesa.

- O governo e as autoridades holandesas que durante tantos anos tornaram as coisas tão fáceis para nós que a integração não era necessária, mas sim fraudar e rebaixarmo-nos à criminalidade.

- Geert Wilders que não quer dar uma oportunidade aos bons muçulmanos e parece que só acredita no mau do Islão e quer assim limitar os direitos e liberdades fundamentais dos muçulmanos, enquanto que para si exige toda a liberdade. Mas invejo a sua coragem para exprimir a sua crítica. Porque na realidade são os espíritos críticos que nos obrigam a pensar e que modernizam e reformam as ideias. Mas se o fizesse de uma maneira mais simpática e construtiva não seria pior.

- Os políticos de esquerda neste país porque silenciam os problemas com medo de discriminar e desta forma perderam completamente o controlo dos acontecimentos. Crianças criminosas não se devem mimar. Fraudar não é correcto.

- A mim próprio por não ter aberto a boca há mais tempo e não ter dado um murro na mesa.

Tenhamos um momento de reconsideração e unamos as mãos para tentar juntos resolver estes problemas. Recompensar os bons e julgar os maus, como deve ser. Vamos ter que nos aceitar de novo e não devemos desprezar-nos. Liberdade é o maior bem, e temos que a conceder a todos nós.

Por essa razão Wilders tem que poder apresentar o seu filme em toda a liberdade e segurança. Se ele ultrapassar certas marcas fazemos um apelo ao tribunal.

Mas eu quero sobretudo garantir-lhe liberdade e segurança, porque isso significa também liberdade e segurança para MIM.

terça-feira, 25 de março de 2008

O canivete

Este link, no Insurgente, lembrou-me que talvez até ao 4º ano (8º de hoje) andei sempre com um canivete no bolso.

Porque carga de água, perguntarão alguns. Porque, no campo (província), o canivete era uma ferramenta.

Andava com ele no bolso e não o trazia escondido. Estava colocado no porta chaves e usava-o nas aulas, por exemplo, para afiar lápis.

O canivete foi-se tornando maior à medida que fui crescendo e nem assim houve alarme.

A medida do retrocesso em insegurança é patente no alarme dado sempre que se detecta um aluno com um canivete.

Nos anos 60, um canivete era uma ferramenta e outra coisa não passava pela cabeça de nenhum de nós. Andei à porrada com muitos colegas, mas nunca puxei o canivete. Aliás, nunca um me foi puxado.

Com a "aceitação da diversidade" deixou de ser observada uma regra, não escrita, mas clara para todos: um canivete era uma ferramenta. Deixou de se usar canivete porque passou a aceitar-se que um canivete poderia não ser apenas uma ferramenta.

Os canivetes quase desapareceram, mas os que se usam têm uma utilização mais 'diversa'.

Também se brincava com pistolas de plástico, algumas em antimónio(?) sem que algum mal viesse ao mundo. Brincar com pistolas passou a ser coisa "feia" e as verdadeiras perigo real.

Rio de Mouro, onde passei alguns anos, era um local por onde se podia deambular a qualquer hora do dia ou de noite, sozinho ou com outras crianças, rapazes ou raparigas. Não me refiro à zona urbana propriamente dita. Aliás, a zona urbana era muitíssimo mais pequena. Falo em andar pelas matas da Rinchoa, pelo eucaliptal onde está hoje o acesso à IC-19. Mercês, Rio-de-Mouro velho, Mem Martins, eram locais que corríamos sem que alguma vez tivesse sentido ou me tivessem feito sentir qualquer problema de segurança. O único perigo que me apontavam, à altura, era o de me perder ou de encontrar algum cão perigoso (o que me obrigava a andar com um pau).

Na linha de Sintra, hoje, só de dia e acompanhado poderia andar. Brincar no mato?

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segunda-feira, 24 de março de 2008

Como se lhes faz a folha



Parece que anda toda a gente à procura disto ou, se calhar, não procura porque desconhece a sua existência.

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Prisao domiciliaria

Preso desde ontem a noite, por meio metro de neve que foi caindo, com as pistas cerradas,o tempo dilata-se e ate um computador sem acentos, me serve. O PP nao gosta de espanhois, mas eu acho-os iguais a nos e aprecio esta malta. Na questao dos acentos, eles e que estao bem. Porque as suas vogais teem sempre o mesmo som, ao passo que as nossas apresentam infinitas variacoes. E por isso que necessitamos de acentos e e tambem por isso que nos os entendemos e eles nao nos entendem a nos.
Mas ontem, em viagem atribulada, passei pelo Pais Basco e reparei que ate na estradas a sinalizacao ja vem em basco. Tudo com muitos erres e kapas. No El Mundo de ontem vinha um estudo que mostra que nas autonomias as linguas locais ja sao usadas em cerca de 80% das escolas e que o castelhano e visto como um lingua colonial.
No Pais Basco o lendakari prepara-se para avancar com um referendo sobre algo que se pode qualificar como independencia de facto e Zapatero, que abriu a Caixa de Pandora, esta refem dos nacionalistas para poder governar. Tem de pagar um preco, evidentemente.
Muitos comentadores por aqui acham que se a Espanha se vir confrontada com uma crise economica grave, tudo isto pode explodir em cacos.
E as 'dramatizacoes" introduzidas por Zapatero, reavivaram feridas que muitos ja haviam esquecido.
Para nos nao e bom que a Espanha esteja mal. Esta fantastica liberdade que me permite vir aqui como vou a cafe da esquina, nao e uma dadiva divina, nem um "direito adquirido".
Esperemos que Zapatero nao consiga arrastar Espanha para a "balcanizacao".
E eu espero tb que deixe de nevar para poder ir fazer umas "negras"

domingo, 23 de março de 2008

É QUASE TUDO HARAM…

Que mosca mordeu uma mulher holandesa da classe média para um dia resolver ser professora numa escola islâmica? Durante seis anos foi o que Fenny Brinkman fez por idealismo, para ajudar os muçulmanos a melhor se integrarem na sociedade holandesa.

Em 1998 demitiu-se da As-Siddieq, uma escola primária islâmica no bairro De Baarsjes em Amesterdão. A direcção da escola impunha normas islâmicas cada vez mais rigorosas. Segundo ela uma ideologia extremista começou a ser predominante. Só agora [2005] é que Brinkman escreveu um livro sobre este assunto. - Quem é que me acreditaria se eu tivesse publicado isto em 1998? diz ela. Texto de Annelies van der Veer no blogue holandês Hoei Boei.

Nos primeiros cinco anos Fenny trabalhou numa dependência em que todos os professores eram a bem dizer mulheres, e apesar de todas as manhãs ao chegar à escola ter de mudar de roupa: saia comprida preta e véu também preto, acreditava no seu trabalho. As crianças eram adoráveis, tinha colegas simpáticas e o facto de não poder usar batom não a afectava muito.

Quando no sexto ano a direcção da escola (constituída exclusivamente por homens) começou a controlar directamente o andamento da escola, ela apercebeu-se gradualmente que se encontrava num ambiente de trabalho assaz intolerante. A uma certa altura uma colega mais íntima faz esta observação eles [muçulmanos] não se querem integrar, é trânsito num só sentido’.

Quase tudo relacionado com a sociedade holandesa é visto como haram (pecado): o Natal por exemplo, mas também uma flor que uma criança faz em trabalhos-manuais é haram, porque a direcção da escola vê nisso um símbolo cristão. Curioso, aplaudir também é haram, em vez de bater palmas o muçulmano deve exclamar Allah u Akbar quando quer demonstrar o seu apreço. Uma vez ela sentou-se numa mesinha por falta de cadeira vaga e isso deu origem a um enorme escarcéu. É obrigada a levantar-se: ‘Tu não sentar aí, mesinha do corão’ berra-lhe Mehmet o contínuo. Fenny tinha-se sentado na mesinha reservada ao corão! Isso é pecado mortal, só a parte de cima do corpo pode estar em contacto com o corão, abaixo do umbigo é haram…

Finalmente toma consciência que só a aceitaram nesta escola por falta de professores muçulmanos, e não porque ela fosse uma professora qualificada. O que significa que é apenas tolerada e nunca será aceite. As mães das crianças são geralmente holandesas convertidas que trazem as suas crianças à escola vestidas de Nikab (roupa preta que cobre inteiramente o corpo, só deixando ver os olhos).

Fenny Brinkman é obrigada a engolir muita coisa porque quer continuar a acreditar na sociedade multicultural, e porque felizmente pode refugiar-se depois de um dia de trabalho no mundo normal, onde atrás de uma cerveja pode esquecer os momentos mais tristes e rir juntamente com um colega acerca das humilhações e dos momentos difíceis que tem suportado. A total falta de humor na escola é um ponto de ruptura. O facto de uma colega ter sido obrigada a negar a perseguição dos judeus é para ela a fronteira crítica que não se pode ultrapassar. Tem a sensação que defende uma causa injusta e não quer mais continuar.

Fenny recusa-se a aceitar a ideia de que todos os muçulmanos sejam tão extremos na doutrina. Ela ainda acredita na sociedade multicultural, mas a esperança de poder mudar algo, de obter mais compreensão de parte da direcção da escola para a opinião dos holandeses, já a perdeu completamente. Assim é que decide mudar de escola. De vez em quando ainda encontra os antigos colegas que lhe dizem que tudo continua na mesma, o que não a surpreende. No epílogo do livro que escreveu sobre este assunto diz Fenny:

"Eu já estava há meses a escrever o meu livro quando Theo van Gogh foi assassinado. Este acontecimento convenceu-me ainda mais que deveria contar esta história. Ainda hoje há juntas de freguesia incautas que firmam ‘gentlemen’s agreements’ com direcções de escolas islâmicas. Não consigo compreender isto. É um perigo que nos ameaça. Um certo número de muçulmanos não quer outra coisa senão eliminar a sociedade ocidental e tranformar a Holanda numa república islamita."

Aos Meus Comparsas Ateus, em Dia de Páscoa

Como os visitantes do Fiel Inimigo sabem, pelo menos os mais assíduos sabem, estou rodeado aqui no blog por impenitentes e empedernidos ateus, seguidores de quase todas as versões que o ateísmo pode assumir. Vale que as versões letais estão ausentes.

Assim, e porque hoje é dia de Páscoa, resolvi pregar-lhes uma desfeita. Lembrei-me de lhes pôr uns versículos alusivos, mas depois eles não liam. Então, lembrei-me de alguma coisa escrita daquele modo que impede quem lê de parar de ler, aquela escrita que empurra o leitor de uma palavra a ler a palavra seguinte, e a outra, e as outras, e a ficar contente porque a seguir ao parágrafo que acaba vem outro. Portanto, ponho-lhes Eça. Eça de Queiroz, o tal que se dizia ateu quanto mais não fosse para não ser ostracizado pela corrente intelectual dominante em Portugal à época que, não por acaso, tem demasiadas semelhanças com a de hoje. Aqui fica o final do ‘Suave Milagre’.

"Ora entre Enganin e Cesareia, num casebre desgarrado, sumido na prega de um cerro, vivia a esse tempo uma viúva, mais desgraçada mulher que todas as mulheres de Israel. O seu filhinho único, todo aleijado, passara do magro peito a que ele o criara para os farrapos da enxerga apodrecida, onde jazera, sete anos passados, mirrando e gemendo. Também a ela a doença a engelhara dentro dos trapos nunca mudados, mais escura e torcida que uma cepa arrancada. E, sobre ambos, espessamente a miséria cresceu como bolor sobre cacos perdidos num ermo. Até na lâmpada de barro vermelho secara há muito o azeite. Dentro da arca pintada não restava um grão ou côdea. No Estio, sem pasto, a cabra morrera. Depois, no quinteiro, secara a figueira. Tão longe do povoado, nunca esmola de pão ou mel entrava o portal. E só ervas apanhadas nas fendas das rochas, cozidas sem sal, nutriam aquelas criaturas de Deus na Terra Escolhida, onde até às aves maléficas sobrava o sustento!

Um dia um mendigo entrou no casebre, repartiu do seu farnel com a mãe amargurada, e um momento sentado na pedra da lareira, coçando as feridas das pernas, contou dessa grande esperança dos tristes, esse rabi que aparecera na Galileia, e de um pão no mesmo cesto fazia sete, e amava todas as criancinhas, e enxugava todos os prantos, e prometia aos pobres um grande e luminoso reino, de abundância maior que a corte de Salomão. A mulher escutava, com os olhos famintos. E esse doce rabi, esperança dos tristes, onde se encontrava? O mendigo suspirou. Ah esse doce rabi! quantos o desejavam, que de desesperançavam! A sua fama andava por sobre toda a Judeia, como o sol que até por qualquer velho muro se estende e se goza; mas para enxergar a claridade do seu rosto, só aqueles ditosos que o seu desejo escolhia. Obed, tão rico, mandara os servos por toda a Galileia para que procurassem Jesus, o chamassem com promessas a Enganim; Sétimo, tão soberano, destacara os seus soldados até à costa do mar, para que buscassem Jesus, o conduzissem, por seu mando, a Cesareia. Errando, esmolando por tantas estradas, ele topara os servos de Obed, depois os legionários de Sétimo. E todos voltavam, como derrotados, com as sandálias rotas, sem ter descoberto em que mata ou cidade, em que toca ou palácio, se escondia Jesus.

A tarde caía. O mendigo apanhou o seu bordão, desceu pelo duro trilho, entre a urze e a rocha. A mãe retomou o seu canto, a mãe mais vergada, mais abandonada. E então o filhinho, num murmúrio mais débil que o roçar duma asa, pediu à mãe que lhe trouxesse esse rabi que amava as criancinhas, ainda as mais pobres, sarava os males, ainda os mais antigos. A mãe apertou a cabeça engelhada:
- Oh filho! e como queres que te deixe, e me meta aos caminhos, à procura do rabi da Galileia? Obed é rico e tem servos, e debalde buscaram Jesus, por areais e colinas, desde Chorazim até ao país de Moab. Sétimo é forte e tem soldados, e debalde correram por Jesus, desde Hébron até ao mar! Como queres que te deixe? Jesus anda por muito longe e nossa dor mora connosco, dentro destas paredes e dentro delas nos prende. E mesmo que o encontrasse, como convenceria eu o rabi tão desejado, por quem ricos e fortes suspiram, a que descesse através das cidades até este ermo, para sarar um entrevadinho tão pobre, sobre enxerga tão rota?

A criança, com duas longas lágrimas na face magrinha, murmurou:
- Oh mãe! Jesus ama todos os pequeninos. E eu ainda tão pequeno, e com um mal tão pesado, e que tanto queria sarar!
E a mãe, em soluços:
- Oh meu filho como te posso deixar! Longas são as estradas da Galileia, e curta a piedade dos homens. Tão rota, tão trôpega, tão triste, até os cães me ladrariam da porta dos casais. Ninguém atenderia o meu recado, e me apontaria a morada do doce rabi. Oh filho! Talvez Jesus morresse... Nem mesmo os ricos e os fortes o encontram. O Céu o trouxe, o Céu o levou. E com ele para sempre morreu a esperança dos tristes.
De entre os negros trapos, erguendo as suas pobres mãozinhas que tremiam, a criança murmurou:
- Mãe, eu queria ver Jesus...
E logo, abrindo devagar a porta e sorrindo, Jesus disse à criança:

- Aqui estou."


Fica ainda, em jeito de blasfémia final, uma saudação popular de dia de Páscoa tradicional em algumas partes do mundo cristão:
"
-Cristo ressuscitou.
-Sim, na verdade ressuscitou.
"


Boa Páscoa.

sábado, 22 de março de 2008

Obama e o Reverendo

Há tempos reli “A Fogueira das Vaidades” obra de Tom Wolfe que deu um excelente filme com Tom Hanks.
A obra era atravessada pela questão racial e uma das figuras centrais era o “Reverendo Bacon”, um negro de palavra fácil e olho para o negócio da fé, e que, pastoreando uma seita religiosa, manipulava a “pressão das ruas” do Bronx, arrecadando bons capitais e vivendo como um nababo.
A imagem acudiu-me imediatamente, ao ver esse outro “Reverendo”, do qual Obama é amigo e ovelha, e que está agora na ordem do dia.
A semelhança é impressionante. O Reverendo Wright parece um clone do Reverendo Bacon.
A mesma compulsão para usar o púlpito mais para a luta política do que para a divulgação do Evangelho, e transformar missas em comícios; a desbocada agressão à raça branca; a mesma retórica de vitimização racial e de pregação do ódio aos “poderosos”, aqui sinónimo de indivíduos de pele branca; a sempiterna condenação da América, como estrutura ao serviço dos “poderosos” ( os brancos) e apostada em esmagar os fracos (os negros).
O Reverendo Bacon era um desenho. Na realidade há inúmeros Reverendos Wright por toda a América negra, pregando, em Igrejas e Mesquitas os mesmos sermões de hipócrita anti-americanismo, as mesmas imbecis teorias da conspiração o mesmo ódio ao outro.
Esta gente, presa na retórica dos anos 60, recusa aceitar que a situação dos negros na América nada tem a ver com o que era naqueles tempos. Se dúvidas houvessem bastaria atentar na candidatura do próprio Obama e na relevância nacional de figuras como Colin Powel, Condolezza Rice, etc.
O que deveras espanta é que Barack Obama, que durante anos frequentou a igreja do Reverendo Wrigt, nunca tenha reparado na mensagem de ódio que ele pregava nos seus inflamados sermões. Ou não ouviu, ou não percebeu, ou ouviu e percebeu e fez de conta que não.
Em minha opinião ouviu, percebeu e fez de conta que não. A sua mulher, menos dada à subtileza politica, já se descaiu e disse há tempos que “só agora, pela 1º vez, estava orgulhosa da América”. Agora, entenda-se, que o seu marido tem estado a recolher boas votações. Até aqui a América, na qual a senhora Michelle vivia ( e bastante bem, como se sabe) , era apenas motivo de desprezo. É impossível não ver aqui a influência do “pensamento Wright”.
Por outro lado, se Obama ouviu e disse ámen durante anos a fio, não pode também ter passado imune pela lavagem ao cérebro.
Talvez seja essa a razão pela qual não corta imediatamente com uma congregação que prega o ódio racial, o ódio à América e teorias lunáticas que nada têm a ver com os ensinamentos de Cristo.
Sob a batuta de um homem que é seu amigo, seu mentor, padrinho dos seus filhos e que já atribuiu prémios de mérito a Louis Farrakhan, o controverso líder da Islam Nation, conhecido pelo ódio aos judeus e aos brancos de um modo geral.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Ateismo?

Não sou religioso, recuso as teses que destinam Deus à cova idealizada pelo recuo da religião, quem sou eu se não mero grão de nada num universo de trevas? Vejo na religião a utilidade das ideias que não morrem, um bálsamo para as aflições colectivas, um manual de instruções para o desespero, lançados à vida estamos todos destinados à morte, ante o abismo do fim a ciência queda muda. A religião sempre ofereceu refugio, significado ao homem. Justificou sua existência ao sossegar o demónio da solidão, levando ao reconhecimento de que não estava só no universo, havia deus para amar e uma tribo onde ser amado. Uma ideia perene. Tanto as ideias fazem os homens como os homens fazem as ideias, carregamos no bojo a barbárie, mais depressa damos nos sob o canto da sereia de quem clama por vendetta do que aos apelos para a clemência. Terá sempre uma vocação tribalista, entendo lhe a tentação totalitária, a pulsão colectivista. É isto que se enfrenta nas ruas de Amsterdao, mais do que um livro uma ideia. Neste lado do mundo conseguimos mal ou bem domá-la. Daquele lado pequenos tiranos lêem os desígnios de Deus e determinam como devemos morrer ou viver. É grave que ainda haja quem não o tenha compreendido.

Anónimos



"Pela sua forma andrajosa de trajar se via que eram indígenas daquelas terras incultas"

James Fenimore Cooper - "O Último dos Moicanos"

"Reconheço-o pelo português execrável, pelo estilo confuso, de quem não pensa de maneira lógica e por certas expressões peculiares."

Comunicação interna do Fiel Inimigo, interceptada pela CIA e pela Mossad.

Torpor

O vídeo, com declarações patéticas do Professor João Formosinho, (Prós & Contras de Janeiro de 2008) é um excelente exemplo de pantanal em que o ensino, a que se insiste chamar "educação", se encontra.

Não é educação, não é sequer ensino. É um torpor pantanoso.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Poder a todos

Acabei de ver na TV (RTP1) D, Januário Torgal Ferreira debitar esta frase lapidar (citando de memória):
"Todos os partidos têm o direito de exercer o poder, mas alguns nunca o exerceram".
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Terra de ninguém

A propósito desta cena macaca, transcrevo parte de algo que escrevi há mais ou menos um ano:
Imaginemos que dois alunos, de 14 anos, desatam à porrada. Que é suposto acontecer? É suposto acontecer que qualquer funcionário ou professor que depare na cena se interponha para acabar a bulha.

Que acontece na prática? Todos evitam o risco de se encontrarem perante a necessidade de intervir, evitando zonas onde potenciais problemas possam ocorrer: professores e funcionários afastam-se dos recreios, mantêm-se em locais mais recatados ou em zonas mais sossegadas.

Caso o não consigam, assobiam para o lado.

Porquê? Porque frequentemente só é possível parar a violência usando de alguma, e isso é proibido. Os alunos sabem isso e ...

Como se consegue evitar que um aluno que insiste em pontapear tudo e todos possa ser travado sem lhe torcer um braço ou provocar alguma dor de alguma forma? Chama-se a polícia? Diz-se-lhe, simplesmente, "isso é feio"? Se o aluno for pequeno a coisa é mais fácil por razões óbvias. Mas, sendo maior, como é? Gás mostarda? Aliás, gás mostarda também já circula, aqui e ali, entre alunos.

Como forma de se armarem em gente mais papista que o Papa, há professores e funcionários que acusam colegas de usarem violência em excesso, e há conselhos directivos que encontram um nicho para exercício de poder salazarista ameaçando, mais ou menos veladamente, quem tenha tido a ousadia de fazer o que todos deveriam fazer.

Claro que a porrada se vai generalizando, sabendo-se (quem quiser saber) que até já há preocupantes sinais de tentativa de violação dentro das escolas.
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Esquerdalha


Após cinco anos de presença militar Norte-Americana no Iraque, a Europa e os seus cidadãos continuam a olhar para esta invasão como um "capricho Norte-Americano". Enganam-se os pobres estúpidos. Custa-me, a mim pessoalmente, ver uma Europa disposta a sofrer as consequências de uma governação influenciada pelas esquerdas estúpidas Europeias. Eles andam aí, manifestam-se nos jornais, nas televisões, nas rádios, nas revistas, nas conversas de rua, nos blogs e nas caixas de comentários do fiel-inimigo. Convém lembrar que esta esquerda recebe, actualmente, o efusivo apoio das massas. Eles renasceram do mausoléu de Lenine, eles batem palmas ao pobre do Marx, eles fornicam com a sobrinha-bisneta do Engels.

Eles andam aí. Eles recitam bem alto um senso comum vazio e falacioso. Eles afirmam: "Pobres Americanos, merecem o 2º Vietname", "Deixem lá, estes tipos querem é o petróleo e estão a ter o que merecem", "Morte ao sistema capitalista vigente". Eles encontram-se tristes, alheios da realidade, agarrados ao livrinho do Mao e babam-se quando se fala em Estaline. Enfim, pobres cegos.

Convém, em primeiro lugar, estabelecer uma ligação: esquerda estúpida ocidental e Islão. Uma união que, apesar de não ser de facto, para lá caminha. Eles andam juntos atrás do mesmo fim: destruir o neo-liberalismo e acabar com a hegemonia Norte-Americana. No entanto, enquanto uns (radicais Islâmicos) têm como objectivo submeter todo o mundo ao Islão, outros (esquerda estúpida) têm como objectivo submeter todo o mundo à ditadura do proletariado, à classe operária, às foices e aos martelos. Ora, os primeiros foram derrotados mal se armaram em expansionistas, e foram, à pala disso, circunscritos ao local de onde vieram, nos séculos XI, XII, XIII, XIV, XV, XVI e XVII. Agora voltam a atacar. Os segundos foram derrotados nos anos 90 do século transacto e, agora, mordem a mão a quem lhes deu de comer. Ou será que preferiam viver num campo colectivizado da antiga URSS? Pobres traidores.

A ignorância é o mal desta gente. Se, para os Islâmicos em geral esta ignorância é pura, visto que as suas sociedades são extremamente opressoras e recusam de forma bastante forte a cultura ocidental, cultura essa que preza os valores da sabedoria, da liberdade e da iniciativa, no caso dos esquerdalhos estes regem-se por uma ignorância inteligente, visto que manuseiam a seu bel prazer as informações e as oportunidades que lhes são concedidas pelo sociedade ocidental.
Uns (os Islâmicos) são ignorantes porque são submetidos a uma única leitura, a do Corão, que, como todos nós sabemos, tem várias interpretações. Os outros são ignorantes porque, apesar de poderem ler tudo aquilo que lhes dá na real gana, se recusam a ler aquilo que é do "mal".

Existem excepções de homens que foram capazes de sair do buraco em que estavam metidos. Destacam-se muitos dos imigrantes Islâmicos residentes no ocidente, que adoptaram e adaptaram os nossos valores aos seus. Continuaram a ser Islâmicos, o que prova que o Corão é um livro de diversas interpretações. Existem outros tipos, provenientes da esquerda estúpida, que começam a cortar os laços com esta. Mas estes tipos são poucos e andam escondidos.

A Europa e os Europeus têm de perceber que os nossos aliados e amigos são os Norte-Americanos, e não os Islâmicos radicais. Será o orgulho de ser Europeu e independente assim tão grande para se desejar o mal a quem nos salvou por duas vezes?

Olho impávido e não sereno para os noticiários nacionais dos últimos dias. Cada vez que se fala de George W. Bush fala-se com um risinho irónico, irritante e escarninho no rosto. Tanto os repórteres, como os pivôts, como os apresentadores, aqueles que deveriam ser, supostamente, imparciais. Mas eles não se conseguem livrar da teia da estupidez. Quando se fala de W. Bush fala-se no rancheiro do Texas, num tipo ignorante, num tipo duro e radical.

George W. Bush defende os interesses dos seus compatriotas e, dessa forma, defende também muitos dos meus. Defende a supremacia da sua nação, defende uma melhor vida para os Americanos, defende a liberdade e a democracia. Eu sei que isto custa muito a reconhecer, e sei que, por mais que isto doa a muitos, os Estados Unidos da América estão a fazer-nos mais um favor. Eles investem e perdem vidas humanas. Eles têm de tirar os dividendos: o petróleo. Se fosse para trabalhar de borla, tinha ido a Organização das Nações Unidas para o Iraque, algo que foi recusado pelos parvos do Jacques Chirac e do Gerhard Schroeder.

A guerra foi desencadeada com o pressuposto de que o Iraque possuía armas nucleares. Tal ainda não foi provado, porque ainda não se encontraram armas no terreno. Mas isso não quer forçosamente dizer que elas não existiam/existam. E, não é por ter partido de um pressuposto supostamente errado, que a guerra deixa de ter razão. A guerra é a última forma de fazer política.

Os Estados Unidos da América retiraram do poder um líder sunita radical que perseguia minorias étnicas (e até maiorias, os xiitas). Os Estados Unidos da América deram a democracia aos pobres dos Iraquianos. Os Estados Unidos da América desenvolveram infra-estruturas, capacidades humanas e económicas do país. Os Estados Unidos da América combateram o terrorismo e a doutrinação jihadista que existia no Iraque. Os Estados Unidos da América tiraram milhões de pessoas da opressão, da ignorância, da fome e da sede. Os Estados Unidos da América retiraram Ali o Químico do poder. Os Estados Unidos da América deixaram entrar a ajuda internacional no país, algo que estava bloqueado por Saddam.

A guerra foi um fracasso?

Agora, e depois de uma fase mais conturbada, os Norte-Americanos começam a ganhar a guerra. Isto por mais que nos queiram iludir com um 2º Vietname e coisas do género. O Vietname, já por si, é uma história muito mal contada. O Iraque, neste momento, é outra história mal contada, excepto em alguns meios de comunicação social Norte-Americanos e Europeus.

Quando Osama bin Laden nos ameaça mais uma vez, os Europeus fingem que não ouvem. Quando os Chineses andam a dar cachaporra no Tibete, nós viramos a cara.

Quando George W. Bush fala, todos assobiam e vaiam. Quando se fala do Iraque, todos acusam. Quando se fala do estado da economia mundial, todos atiram os papéis ao ar e chamam isto e aquilo ao capitalismo.

Os valores ocidentais têm estes efeitos dúbios, que permitem aos estúpidos ganharem terreno. Mas não é por isso que deixam de ser os meus valores.

Olhemos para os Estados Unidos da América como os nossos grandes amigos. Olhemos para o próximo presidente Norte-Americano, o republicano John McCain, como nosso amigo.

Esta é a única forma da Europa continuar a estar no topo do mundo.

John Howard

O leitor JT deu a conhecer um texto de John Howard, ex-primeiro ministro australiano, datado de ontem, dia 19 de Março de 2008, em que este invectiva a arrogância dos imigrantes islâmicos.
É um texto tão interessante que resolvi traduzi-lo.


“Estou cansado das preocupações sobre se o que esta nação faz ou deixa de fazer, ofende alguns indivíduos ou a sua cultura. Desde os atentados terroristas em Bali, o patriotismo está a crescer entre os australianos. Todavia, ainda não tinha assente o pó das explosões, e já a multidão do “politicamente correcto” se estava a queixar acerca da possibilidade de o nosso patriotismo poder ofender outros.
Eu não sou contra a imigração, nem sinto hostilidade para com aqueles que procuram na Australia uma vida melhor.
Mas há algumas coisas que aqueles que imigraram recentemente para o nosso país e outros que ja cá nasceram, precisam de compreender. A ideia da Austrália como "comunidade multicultural" tem servido essencialmente para diluir a nossa soberania e a nossa identidade nacional. Como australianos, temos a nossa própria cultura, a nossa própria sociedade, a nossa própria língua e o nosso próprio modo de vida.
Esta cultura foi decantada ao longo de 2 séculos de lutas, travadas e ganhas por milhões de homens e mulheres que queriam ser livres.
Nós falamos maioritariamente inglês, não espanhol, libanês, chinês, japonês, russo ou qualquer outra língua. Por isso, se querem fazer parte da nossa sociedade, comecem por aprender a nossa língua.
A maioria dos australianos acredita em Deus. Trata-se de um facto. Esta nação foi fundada por pessoas cristãs e que tinham princípios cristãos. É por isso natural que o facto esteja assinalado nas paredes das nossa escolas. Se Deus vos ofende, então sugiro que considereis ir viver para outra parte do mundo, porque Deus faz parte da nossa cultura.
Nós aceitamos as vossa crenças e não as questionamos. Exigimos apenas que não questioneis as nossas.
Se o Cruzeiro do Sul vos ofende ou “A Fair Go" vos incomoda, então deveis considerar seriamente partir para outra parte do planeta. Nós estamos contentes com a nossa cultura, não a queremos mudar e não nos interessa absolutamentte nada como fazeis as coisa nos sítios de onde vindes. Conservai a vossa cultura, se quiserdes. mas não a tenteis impor aos outros.
Este é o nosso país, a nossa terra, o nosso modo de vida, e estamos prontos a conceder-vos a oportunidade de também a desfrutar. Mas, uma vez que tendes queixas e reclamações, e vos indignais com a nossa bandeira, o nosso juramento, as nossas crenças e o modo como vivemos, encorajo-vos a exercer uma das grandes liberdades que temos aqui na Australia: o direito de ir embora.
Se não sois felizes aqui, ide-vos. Não vos forçámos a vir para cá. Fostes vós que pedistes para vir . Por isso aceitai como é, o país onde quisestes viver.

Altamente



A escola, a que alguns chamam de "sistema educativo" e a imbecilidade a que chegou.

Tenha-se atenção à voz do bovino que empunha a câmara.

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quarta-feira, 19 de março de 2008

Direita V

Bastas vezes encalho no casamento entre as palavras “liberal” e “conservador”, adivinho-lhe o conflito ideologico e as desavenças fatais de um matrimónio sinuoso. Um liberal ergue o seu edifício filosófico sobre o terreno pantanoso da liberdade – independentemente da sua natureza “positiva” ou “negativa”. Faz da liberdade o cume moral do seu sistema politico. Um conservador acredita que a sociedade é percorrida por vários valores em perpétua tensão e fiscalização. Como Isaiah Berlin, sabe que liberdade é apenas liberdade, “não é igualdade, nem equidade, nem justiça, nem cultura, nem felicidade humana, nem uma consciência tranquila.” O liberal acredita numa engenharia social saudável, não com a dimensão revolucionária de um soviete que levanta uma nova sociedade a partir dos destroços da velha, mas numa articulação prudente e gradual, suspeitando das frágeis mãos humanas que comandam o colossal navio da sociedade. Na esteira de Oakeshott, o conservador prefere viver no único tempo que lhe é dado a viver. Não que seja contrario à mudança, mas porque prefere o conhecido ao desconhecido, o presente ao futuro, o presente ao passado. Sabe que há perdas e ganhos no progresso que lhe vendem e que não os pode calcular antecipadamente

Direita IV

As raízes ideológicas do islamismo-Qutb e o Ocidente

Sayyid Qutb, nome incontornável para quem pretende conhecer os fundamentos do islamismo, foi o ideólogo da Irmandade Muçulmana, organização multinacional que subjaz a quase todos os grupos terroristas islâmicos (o nº 2 da Al Qaeda saíu dos seus quadros e foi esta organização que matou Sadat, por exemplo).
As suas ideias anti-ocidentais estão na ordem do dia, não só nos países sunitas, mas também na diáspora muçulmana nos países ocidentais.
Qutb encarava a Civilização Ocidental, como um inimigo monolítico, independentemente do aparente antagonismo entre as diferentes visões ideológicas.
Em plena Guerra-Fria, Qutb colocava sem qualquer problema o socialismo comunista e a democracia capitalista liberal no mesmo barco:

“Não nos devemos deixar iludir pela aparentemente dura e amarga luta entre os campos oriental e ocidental. São apenas filosofias materialistas da vida e [...] não há diferença entre os seus princípios […]. A verdadeira luta é entre o Islão, por um lado, e […] a força da filosofia materialista professada igualmente pela Europa, América e Rússia “
(Sayyid Qutb, Social Justice in Islam, Nova Iorque, Islamic Publications International, 2000,)

Sendo a Civilização Ocidental, essencialmente o sucedâneo da chamada “Cristandade”, Qutb descreve a incapacidade do Cristianismo para inverter o materialismo da Europa, da América e da Rússia, tarefa para a qual, na sua opinião, só o Islão estaria à altura por ser uma religião superior:
“ [O] Cristianismo […] é uma fé individualista, isolacionista e negativa. [...] é incapaz, excepto pela intriga, de competir com os sistemas económicos e sociais que se estão a desenvolver, pois não tem nenhuma filosofia essencial do presente, da vida prática. Por outro lado, o Islão é perfeitamente praticável em si próprio; tem crenças, leis, e um sistema social e económico que está sob controlo da consciência e da lei [...] e oferece à humanidade uma teoria perfeitamente abrangente do universo, da vida, da humanidade, uma teoria que satisfaz as necessidades intelectuais do homem” .

A vocação totalizante da Sharia e da fé islâmica, a estreita simbiose entre a vida, a politica e a religião, é vista por Qutb como algo muito positivo e demonstrativo da superioridade islâmica face a outras teorias religiosas e ao secularismo.
A separação entre César e Deus, que o Ocidente decantou a ferro e fogo no seguimento do Tratado de Westefalia, e que está no cerne da nossa organização política, jurídica e social,e da maneira como vemos o mundo, é rejeitada liminarmente pelo islamismo e considerada um handicap face à “superioridade” da visão politico-religiosa do Islão.
É aliás esta ideia que permite entender a indisfarçada simpatia com que determinados indivíduos e grupos religiosos no Ocidente, encaram o islamismo. No fundo sentem-no como aliado na luta cósmica contra o secularismo e o materialismo.

Arthur C. Clark



Arthur C. Clark (16 December 1917 - 19 March 2008).

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terça-feira, 18 de março de 2008

Maluco de Teerão


Toda a gente já ouviu falar, certamente, do maluco de Teerão. Exacto caro leitor, é mesmo esse em que está a pensar. Aquele homem que nega o Holocausto com unhas e dentes, aquele que afirma, e passo a citar: "Não existe nenhum país no mundo onde a mulher seja tão bem tratada como no Irão" ou "No Irão não existem homossexuais". Estas afirmações já eram mais que motivo suficiente para atirar Mahmoud Ahmedinejad para um qualquer hospital psiquiátrico em Teerão.

No entanto, Mahmoud Ahmedinejad não se limita a tecer afirmações que consideramos chocantes, sendo o presidente Iraniano, a meu ver, o sucessor de Jay Leno na NBC. Há tempos afirmou que se os Estados Unidos da América tomarem alguma iniciativa contra o Irão, estes saberão exactamente como responder. Afirmou, também, que não utilizará a já conhecida e mastigada arma do petróleo. O que pensa então Mahmoud Ahmedinejad fazer se os Estados Unidos da América acharem por bem tomar alguma iniciativa contra o Irão? Será que este indivíduo pensa que pode ombrear com o poderio militar dos Estados Unidos da América? Obviamente que não. Só encontro, portanto, uma solução para o grande Mahmoud: o recurso ao nuclear.

Já conhecemos muitas das teorias deste homem que, apoiado por Ali Khamenei, faz as delícias dos guerrilheiros do Hamas, do Hezbollah e da Al-Qaeda: divulga, pelo Médio Oriente e pelo mundo, teorias de conspiração anti-semitas, mascaradas de anti-sionistas; atira as culpas do mal do mundo, e do Médio Oriente em concreto, para os Norte-Americanos; considera a globalização como mais um objecto Americano, que engole a perfeita cultura Islamita. Todas estas ideias são obviamente partilhadas por Kim Jong-il, Chávez, Fidel Castro, Osama Bin Laden, Nasrallah, Haniyah e Bashar al-Assad.

Não creio que os Estados Unidos da América possam tomar mais alguma medida contra o Irão, pelo menos num futuro próximo. Isto porque, apesar de toda a gente saber qual é a intenção de Mahmoud Ahmedinejad num futuro próximo (destruição de Israel), a União Europeia e a Rússia continuam a dar-lhe espaço de manobra. O que os Estados Unidos da América têm tentado fazer até a esta data, é manter um certo clima de optimismo, muito em voga na União Europeia, de que tudo se resolverá por bem.

Mas o dia chegará. E, nessa altura Israel terá, mais uma vez, uma vitória estrondosa.

Retirado e adaptado do "Estado das Coisas"

BRAÇO DE FERRO ENTRE MAOMÉ A. E MAOMÉ B.





Na altura do processo do assassino de Theo van Gogh em Amesterdão, o jornal NRC publicou a 6 de Fevereiro de 2006 esta curta carta de um leitor (M. de Korte) com uma lógica de ferro.

Muçulmanos espalhados pelo mundo inteiro estão novamente revoltados acerca da publicação de uma série de cartoons num jornal dinamarquês de pequena expansão. [E vão estar de novo muito em breve com o filme de Wilders FITNA]

A fúria não se refere somente ao facto de Maomé ter sido desenhado, mas dirige-se sobretudo contra o cartoon em que se representa Maomé de turbante preto e com uma bomba prestes a explodir.


A identificação do fundador da segunda religião mundial com o terrorismo é para muitos um exagero. Seja.

No processo contra o grupo terrorista à volta de Mohammed Boueri (o assassino de Theo van Gogh), declarou este último no tribunal de Amesterdão que 'aqueles que dizem que o profeta Mohammed era um pacifista são mentirosos e ignorantes. O profeta deu ordem para matar os infiéis'.

Visto isto temos duas hipóteses. Mohammed Boueri tem razão e o Islão é realmente uma religião terrorista. Ou então Mohammed Boueri fez uma caricatura da sua própria religião, do Islão.

Mas se a segunda hipótese é verdade, onde estão os muçulmanos que se insurgem contra ele, que deitam fogo ao seu retrato, que o amaldiçoam para sempre?

M. de Korte

As raízes ideológicas do islamismo-Mawdudi e o Estado Islâmico

Quanto à jihad, a concepção de Mawdudi enfatiza o combate contra aqueles que obstruem o caminho do Islão, face aos esforços de pureza espiritual, ou seja a pequena jihad é mais importante que a grande jihad.
Fica assim completa a amálgama que junta a fé, o ganho espiritual, o poder terreno, a salvação da alma e a utopia social (o Estado Islâmico).
Mawdudi, tal como os totalitarismos comunistas, não consegue contudo escapar à legitimidade universal da palavra “democracia”, e, tal como os comunismos, é obrigado a recorrer à novilíngua, para lhe alterar o conceito subjacente.
Considera assim que o Estado Islâmico é democrático, e para tal registou os conceitos de «califado democrático» e de «teodemocracia». Para Mawdudi, o Estado islâmico ideal não é aquele que dispõe da máquina governativa mais eficiente, mas o que consegue criar as melhores condições para a vida islâmica.
Na verdade considera que «o Estado não seria autoritário nem democrático, no sentido ocidental da palavra, uma vez que num regime livre de injustiças e no qual tanto os governantes como os governados vivessem sob a infalível lei divina, não existiriam problemas com direitos democráticos e procedimentos. A questão da democracia não se levantaria uma vez que a população não se sentiria oprimida».
Este tipo de argumentação é praticamente decalcado, mutatis mutandis, do argumentário comunista.
É óbvio para nós que esta concepção de que a soberania pertence a Deus ou a uma estrutura, e não aos homens, está nas antípodas da democracia, mas isso não impede Mawdudi de defender as virtudes democráticas do seu Estado, apresentando como verdadeira democracia aquilo que o Ocidente vê como teocracia.
Resumindo, para Mawdudi, o Estado islâmico, teodemocrático, tem como característica estruturante a absoluta soberania de Alá que é simultaneamente o legislador e o chefe da ordem sociopolítica. O executivo do Estado islâmico seria apenas uma espécie de grão-vizir de Alá (interpretação política da crença islâmica de que o homem é khalifatullah -vice-regente de Deus na terra [Corão, 2: 29]. )
Assim sendo, Alá é a razão, a garantia e parte integral da ordem sociojurídica. Sendo o Estado Islâmico o único meio de interacção entre Alá e o homem, está completamente posta de parte a concepção ocidental de separação entre a religião e o estado.