Teste

teste

sábado, 30 de agosto de 2008

Eleições Norte-Americanas XIX


A eleição deste ano para a Presidência dos Estados Unidos da América continua absolutamente fantástica. Agora foi a vez de John McCain surpreender com a escolha de Sarah Palin para a vice-presidência dos Estados Unidos da América.

A maioria das casas de apostas dava claro favoritismo a Mitt Romney, que também concorreu para a Presidência este ano. Eu também esperava Romney no ticket e até era esta a opção que mais me agradava: Romney é muito popular nos Estados Unidos da América, captaria o voto evangélico (é Mormon), traria, pelo menos, um estado importante em disputa (Michigan, pois a sua família é muito conhecida neste estado) e arranjaria mais fundos para a campanha.

Em segundo lugar nas casas de apostas aparecia Tim Pawlenty. Seria também ele uma escolha positiva, por agradar à parte mais conservadora do partido e por ser relativamente novo.

No entanto, John McCain escolheu outra pessoa: Sarah Palin, governadora do estado do Alaska. Romney foi provavelmente descartado porque trazia inconvenientes (campanha ríspida pela nomeação Republicana) enquanto Tim Pawlenty não captaria tantos votos como o desejado, porque as hostes mais conservadoras do partido já declararam, na maioria, o apoio a John McCain, tal é o sentimento anti-Obama.

A campanha de Barack Obama apressou-se a comentar, afirmando que John McCain já não pode criticar Obama por falta de experiência: Palin está há apenas dois anos como governadora do estado do Alaska, pese embora conte com um cargo de Mayor e com uma larga experiência em matéria energética. A governadora tem apenas 44 anos.

A crítica em si não tem razão de ser pois, como sabemos, o vice-Presidente nos Estados Unidos é uma figura com um poder apenas em potência. Não participa no exercício do poder, não toma qualquer decisão, nem tão pouco possui autoridade sobre os secretários ou sobre a Administração.

O vice-Presidente é apenas uma cara que pode adquirir visibilidade se o Presidente lhe conceder missões importantes. Na maior parte dos casos, o vice limita-se a representar o Presidente em algumas cerimónias protocolares.

Mesmo preferindo a segurança dada por Mitt Romney, tenho que reconhecer que Sarah Palin pode ser uma escolha interessante. Substancialmente mais nova que o candidato para a Presidência, mãe de 5 filhos (um deles está, neste momento, a servir o país no Iraque), casada há já longos anos, anti-aborto e anti-casamento entre pessoas do mesmo sexo, muito religiosa (católica), mulher e com experiência na área energética, ou não fosse ela proveniente do rico estado do Alaska.

Toda a gente, sem excepção, ficou surpreendida com a escolha: na CNN recordou-se uma entrevista de Palin em Junho passado, na qual dizia que nunca estaria interessada no cargo.

No discurso de apresentação, Sarah Palin mostrou uma segurança invejável, não ao nível de Barack Obama como é óbvio (para isso era preciso trazer apitos para a plateia...). Piscou de imediato o olho ao eleitorado Hillary, referindo a fantástica campanha que teve em 2008, elogiou rasgadamente John McCain e não falou sobre Obama. Pareceu-me acérrima defensora da autonomia dos estados, bastante crítica, com espírito jovem, com grande imagem. Talvez aquilo que muitos dizem faltar a John McCain.

As possíveis vantagens na escolha de Sarah Palin são óbvias: poderá chamar o eleitorado feminino no geral, poderá chamar o eleitorado feminino de Hillary, poderá chamar gente jovem, vem dar segurança no estado do Alaska que poderia ser perdido este ano para os Democratas, vem dar um impulso à política energética de John McCain (de longe melhor que a de Barack Obama) e poderá chamar a descontente direita que elegeu Bush.

Será que vai aparecer o fenómeno Palin? Não vem isto também demonstrar a grande “singularidade” de candidatura de John McCain?

Pelos vistos não: no noticiário da SIC de ontem, pouca importância foi dada á escolha de John McCain. Limitaram-se a colocar uns pequenos clips da governadora, enquanto que o pivot afirmava: “isto pode ser um revés para McCain, que está sempre a falar da falta de experiência de Obama.” Obrigado pela redundância, o Português medíocre agradece. Para Obama tudo, para McCain nada.

Enquanto isto, no 5dias há quem se divirta a dizer que John McCain é o terceiro mandato Bush, que ele é uma figura ligada a muitos esquemas em Washington, que é demasiado velho, que a sua campanha é muito “negativa”, que ele não é in e que não fumou marijuana nem bebeu uns canecos como Obama fez enquanto era jovem.

A malta prepara-se para engolir uns sapos em Novembro ou, no máximo, a partir de Janeiro de 2009, quando Barack Obama demonstrar que não é a “mudança que o mundo precisa”.

14 comentários:

Anónimo disse...

Uma senhora que não se opõe ao ensino do creacionismo nas escolas... mas opõe-se à qualquer restrição contra o uso de armas nos EUA.

Ou seja: deixem que as escolas ensinem cretinices e que os criminosos possam comprar AK-47...

http://www.boston.com/news/local/articles_of_faith/2008/08/sarah_palin_on.html

Para não falar no seu curriculum político recheado de falcatruas…

http://online.wsj.com/article/SB122002615833483595.html?mod=googlenews_wsj

RioDoiro disse...

Gazua,

Não se opor ao criacionismo ...

http://range-o-dente.blogspot.com/2005/11/informao-da-rtp-e-propaganda.html

... não é problema de maior. Eu também não me oponho a que se ensine catolicismo, pastafarismo, etc, desde que seja facultativo e prevendo a possibilidade em escolas onde tal faça parte do currículo obrigatório em países onde as escolas possam optar (opta a escola, não opta o aluno).

O que não é aceitável é que essa ou outra religião qualquer seja ensinada como ciência, e julgo que o link é esclarecedor (como quem diz 'já dei para esse peditório').

.

RioDoiro disse...

Achega:

"What is your take on global warming and how is it affecting our country?

A changing environment will affect Alaska more than any other state, because of our location. I'm not one though who would attribute it to being man-made. "

http://www.newsmax.com/headlines/sarah_palin_vp/2008/08/29/126139.html

Via
http://ecotretas.blogspot.com/

.

Anónimo disse...

É extraordinário como o sectarismo e a estreiteza de visões impera nos média nacionais.

Para os nossos "jornalistas", maioritariamnete dominados por interesses da esquerda, apenas existe um candidato às eleições americanas.

Nada tenho contra Obama, mas também nada tenho contra McCainn,e penso que nenhum deles irá alterar significativamente o que Bush tem feito - embora pense que se usará outro estilo, naturalmente.

Contudo, fico banzado com o completo alheamento e com a hostilidade manifestadas contra o candidato republicano aqui em Portugal, por "comentadores" inócuos que fazem coro no politiucamente correcto esquerdalho moderno, e que se babam pavlovianamente quando se ouve o nome Obama...

Digo eu...

Saloio

Anónimo disse...

"As possíveis vantagens na escolha de Sarah Palin são óbvias: poderá chamar gente jovem."

Não me levem a mal, mas gotava de saber como. A sério, para mim é um mistério...

Obrigado.

Carmo da Rosa disse...

”Nada tenho contra Obama, mas também nada tenho contra McCainn,e penso que nenhum deles irá alterar significativamente o que Bush tem feito - embora pense que se usará outro estilo, naturalmente.”

Saloio,

Também penso que sim.

”Não me levem a mal, mas gotava de saber como.”

DS2,

A governadora tem apenas 44 anos, não precisa de meias-solas e até já foi miss Wasilla.

Anónimo disse...

Carmo, não creio que isso vá atraír muitos jovens... pensei que fosse mais alguma coisa...

Obrigado pelo esclarecimento.

Remelas disse...

Sapo?!
Trespassa-se cabeçalho de blog!

ml disse...

muito religiosa (católica)

Apesar de tudo tanto também não, caro RB, temos que ser justos para com a igreja católica, que não se deixa encurralar com palermices como o criacionismo e sustenta tratar-se de uma metáfora bíblica como tantas outras. Lá nisso aguçou-se-lhes o engenho quando começaram a perder terreno.

Isso é obra dos fundamentalistas cristãos, evangélicos, que é o caso da Palin, com especiais responsabilidades neste caso. Tem sido uma longa luta, com avanços e recuos, por parte da Associação Nacional dos Professores de Ciências, apoiada por instituições científicas, para combater as pressões que essa gente exerce sobre as escolas para que seja ensinado, se não exclusivamente o intelligent design, pelo menos que se trata de uma teoria em pé de igualdade com o evolucionismo.

Enfim, é difícil perceber que um país topo de gama na área científica viva problemas tão básicos, apesar de os tribunais terem explicitamente banido o criacionismo dos currículos escolares com o fundamento de que é religião e não ciência. Cerca de 16% dos professores de biologia inquiridos recentemente acredita piamente que Adão e Eva deram origem à espécie humana há cerca de 10 000 anos, e não é fácil pô-los a ensinar os conteúdos curriculares. Há mesmo uma percentagem que se recusa a fazê-lo, apesar das indicações expressas.

Contra as crenças de cada um nada a obstar, mas ponham essa gente a milhas das salas de aula. Já nem é só o ensino da biologia que está em causa, é também o da história. 10 000 anos! Coitados dos caçadores-recolectores, passaram-lhes por cima da tumba.

Quando o Clinton esteve em Portugal há uns anos, foi-lhe colocada a questão do ensino do evolucionismo nos Estados Unidos e ele limitou-se a responder que era ‘a very serious problem’, difícil de compreender mesmo dentro dos EU.

Resumindo: acha mesmo que quem ia votar na Hillary se deixa fascinar por um produto tão diferente? Parece que a imprensa americana não acredita muito nisso.
Se me disser que uma percentagem qualquer de democratas nunca se reconhecerá num negro como presidente, ainda vá que não vá. Agora a Palin ser um sucedâneo credível da Hillary, só por piada, já que a categoria ‘mulher’ não me parece uma ideologia partidária.


A malta prepara-se para engolir uns sapos em Novembro

Então imagine os sapos que a ‘malta’ engole se ganha uma tal de Palin bíblica.
Vou ficar a assistir de camarote. Qualquer das hipóteses tem os seus encantos.

EJSantos disse...

"Contra as crenças de cada um nada a obstar, mas ponham essa gente a milhas das salas de aula."

Cara ML, parece me que acertou em cheio.
Um País que deixe a religião manietar o ensino e a investigação cientifica, não vai longe.

Renato Bento disse...

Cara ml, bons olhos a vejam, espero que tenha tido umas boas ferias

acha mesmo que quem ia votar na Hillary se deixa fascinar por um produto tão diferente?

Fascinar nao direi. Mas considero provavel que muitas mulheres se sintam motivadas a votar em John McCain por causa de Sarah Palin. Ela tem boa imagem, e jovem e vai explorar muito os assuntos relativos as mulheres. Por isso eu acho que McCain pode ganhar votos com ela.

Peco desculpa por alguns erros ortograficos, mas este teclado nao reune as condicoes. Para alem disso, o tempo escasseia. Quando poder postarei sobre os inconvenientes e convenientes de Palin.

ml disse...

Um País que deixe a religião manietar o ensino e a investigação cientifica, não vai longe.

É verdade mas também é verdade que os EU continuam na linha da frente da investigação genética, indiferente a estas tolices. São dois mundos num mesmo país e essas patetices a que Sagan chamava ‘demónios’ têm sido uma das bandeiras republicanas. Têm-lhes dado uma força tal que, apesar da proibição dos tribunais em relação ao ensino, apenas cerca de 40% dos americanos aceita o evolucionismo. E por incrível que pareça devido aos avanços da ciência e ao aumento da escolaridade, o número de ‘evolucionistas’ diminuiu nos últimos anos.
Aquilo está-lhes mesmo enquistado nos genes.

ml disse...

RB, as ‘muitas mulheres’ que transferirão o seu voto são como ‘muitos homens’, uma percentagem pequena que se movimenta para aqui ou para ali por motivações parapolíticas, sem uma ideologia muito definida. São sempre muito cobiçados pois podem ser o ponto de viragem em votações rés-vés, mas não me parece que a grande massa de eleitoras americanas seja captável por simples ‘questões femininas’. E o enquadramento que a Hillary dá a essas questões e que terá conquistado uma certa percentagem do eleitorado feminino, nada tem a ver com a visão de uma iluminada fundamentalista sobre os mesmos assuntos.

Haverá deslocação de votos, não tenho dúvidas, mas não serão as 'mulheres Clinton' em bloco que o farão, as movimentações terão por base os motivos mais variados. Democratas que não se reconhecem num presidente negro, criacionistas que vêem uma nova oportunidade de manter a pressão sobre a educação e a ciência, pietistas que se babam perante públicas virtudes, etc.

As sondagens mostram nova subida de Obama. Será o rescaldo de Denver, a probabilidade de a Palin ser demasiado pesada para muitos estômagos ou o facto de a realidade raramente confirmar aquilo que se quer vender?

Nenhum candidato dá um passo sem consultar os ‘astros’, mas um deles anda enganado ou fez mal os cálculos.

Tive boas férias, agradeço e espero que as suas continuem agradáveis. E não se irrite com os teclados da estranja, poucas línguas acumulam tantos sinais gráficos como a nossa.

Anónimo disse...

Meus sinhores, eu pormeti ós meus culegas da classe de aduteros, que escreberia aqui nestas paiginas tâo iruditas.
Mas na berdade num sei como dijer o que quer que seija.
As aulas de cumputadores pra adulteros cumeçaro faz dois mêss aqui em alhões de Monte Muro.
Já nos insinaro a intrar nos beloques mas aqui em Alhões na serra do Monte Muro num á jurnais e por isso os meus sinhors faço o fabor de falar coisas cagente intenda safaxabor. Ubrigadinha.

Adelaide Manquinha - refrumada