quarta-feira, 30 de junho de 2010

"Os animais são nossos amigos"... desde que não tenham fome.

O Governo usou hoje a ‘golden share’ do Estado português para vetar a venda da participação da PT na brasileira Vivo. Esta é uma decisão oca e bacoca que está em linha com outras decisões provincianas deste Governo como, por exemplo, construir linhas de TGV porque é “moderno” com total indiferença pelos prejuízos decorrentes de construir ou sustentar tais coisas.

Entretanto prevê-se que o Tribunal Europeu de Justiça decida contra Portugal já no próximo dia 8 declarando ilegais os poderes atribuídos às “golden share” detidas pelo Estado. Segue-se uma previsível multa de milhões (a pagar em Portugal pelos do costume) e o sucesso da compra da Vivo pela Telefonica que mantém a oferta mesmo depois de conhecer o veto do Governo português.

Moral da estória: quanto a PT se associou à Telefonica na Vivo, os dirigentes da PT, primeiro, e o governo espanófilo de José Socrates, depois, imaginaram que aquilo de os animais serem nossos amigos também se aplicava a espanhóis. Mas não, não se aplica a espanhóis nem a animais. Os animais, como os espanhóis ou quaisquer outros, só são nossos amigos quando não têm de competir connosco por comida, os primeiros, ou domínio, os segundos. E só os tontos os podem censurar ou ficar desiludidos.

"Somos Todos Paraguaios"

Depois da decepção queiroziana restam-me duas esperanças: que o Brasil ganhe o caneco e que a Espanha seja afastada o mais rápido possível do campeonato. O que pode acontecer já no próximo sábado nos quartos de final frente ao Paraguai. É por isso que todos nós, bons patriotas, somos chamados a torcer pelos paraguaios.

Acontece que para alguns o patriotismo é um fraco motivador. Portanto, suborne-se os mais reticentes: a mocinha da foto abaixo promete despir-se ‘in loco’ se o Paraguai passar às meias-finais:


(Para informações mais detalhadas sobre o evento clicar aqui.)



A partir de agora quem não estiver com o Paraguai na próxima eliminatória é mau português e pandula.

Pior do que perder a final do campeonato do mundo…

Pior do que perder uma final do campeonato do mundo… é perder com a Espanha. E foi o que nos aconteceu nos oitavos de final.

Para o triste facto, contribuíram:

- a seleção ser orientada por um treinador incapaz de tomar uma decisão acertada (o escalonamento inicial da equipa e as substituições do Portugal-Espanha foram apenas mais um exemplo);

- a Espanha jogou muito melhor que nós;

- os espanhóis estragaram o Ronaldo (o rapaz tinha sido avisado que a ida para o Real Madrid iria fazer esmorecer as suas qualidades de bom jogador);

- o árbitro argentino beneficiou os espanhóis, e;

- "Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay!!!", o que no caso é como quem diz: até no futebol o Sócrates dá azar.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Dos "lucros" da furibunda banca

A Banca Portuguesa em debate com António Sousa, Presidente da Associação Portuguesa de Bancos.

Entretanto, um vendedor de banha da cobra dos nossos "ministros" acha que se os portugueses acreditarem muito que o futuro será risonho ... o futuro será risonho.

Capitalismo vs capitalismo…



Como toda a gente sabe a capitalista FIFA impõe aos países organizadores do Mundial medidas vergonhosamente dracónicas para proteger as marcas patrocinadoras – e vão muito longe nesta tarefa… Por exemplo, a cerveja americana Budweiser, que é água com gás tingida de amarelo, era a única que podia ser anunciada, bebida e vendida durante o Mundial de futebol na África do Sul...

Mas uma pequena marca de cerveja holandesa da província de Brabante, a Bavaria, demonstrando que capitalismo também é inovação e uma grande dose de imaginação, fintou as medidas da FIFA e tornou-se mundialmente conhecida de um dia para o outro sem vender uma caneca de cerveja durante o Mundial.

A Bavaria encomendou numa fábrica de roupa da mesma região uns vestidos baratos mas bem curtinhos, giros, sexy e obrigatoriamente cor de laranja que oferecem na compra de uma caixa de cervejas. A seguir contactaram duas holandesas loirinhas, espertalhonas, mas sobretudo mesmo muito boas, que na África do Sul arranjaram, através de agências locais de casting, mais uma trintena de mulheres igualmente muito bem amanhadas para executarem um plano previamente concebido nos escritórios da cervejeira holandesa.

Aqui podem ver em vídeo O Plano na prática: no dia do jogo Dinamarca-Holanda as raparigas entraram no estádio vestidas como torcedoras da Dinamarca. No momento que julgaram ideal, as duas boazonas holandesas deram o sinal a todas as outras para levantarem a divinal bunda e iniciarem um gracioso ‘striptease’ gingando com as belas ancas ao mesmo tempo que despiam o equipamento dinamarquês, ficando à vista dos expectadores do mundo inteiro o tal vestidinho cor de laranja da Bavaria que nem tudo cobre nem descobre…

Imediatamente os esbirros de Dom Sepp Blatter, o capo da máfia fifesca, intervieram e, sem dó nem piedade, nem maneiras, expulsaram as raparigas do Estádio e mandaram prender as duas holandesas organizadoras. Resultado, a Bavaria pagou uma multa à FIFA evitando que as raparigas fossem violadas numa esquadra da polícia Sul Africana. Por outro lado a Bavaria ficou a ser mundialmente conhecida…

Quando é que os nossos ‘captains of industry’ ou então a nossa juventude tão de esquerda, tão progressista, acorda do atavismo em que está enterrada e em vez de repetir ad infinitum slogans marxistas do século 19, ou, pior ainda, exegeses islâmicas ainda mais arcaicas, se lembram de imaginar destes truques lúdicos para promover mundialmente a nossa BROA DE AVINTES, VINHO VERDE TINTO ou QUEIJO DA SERRA porra…

P.S. Vamos lá ver se o Cristiano Ronaldo logo à noite está em forma para a ver se a gente pelo menos ganha outra vez a batalha de Aljubarrota… É o que nos resta!

domingo, 27 de junho de 2010

Da conveniência como suporte da mediocridade


Vasco Pulido Valente, hoje, no PÚBLICO:

Saramago

O prémio Nobel não garante a importância literária de ninguém. Basta ver a longa lista de mediocridades que o receberam. Pior ainda, o prémio Nobel é atribuído muitas vezes por razões de nacionalidade ou pura política, sem relação alguma com a obra, que num determinado ano a Academia Sueca resolveu escolher. Que Saramago fosse o único escritor de língua portuguesa a receber essa mais do que duvidosa distinção não o acrescenta em nada, nem acrescenta em nada a língua portuguesa. Só a patriotice indígena (de resto, interessada) a pode levar a sério e protestar agora indignadamente porque o Presidente da República se recusou a ir ao enterro do homem. Por mais que se diga, e até que se berre, Saramago não era uma glória nacional indiscutida e universalmente venerada.
Pelo contrário, desde sempre que viveu do escândalo e da polémica. Devoto do Partido Comunista e ateu militante, não lhe custou muito. E Sousa Lara, com ignorância contumaz da nossa direita, acabou lhe dar uma grande ajuda. O Evangelho segundo Jesus Cristo, qualquer que seja o seu mérito literário (e, para mim, é pouco) não passa de um repositório de lugares-comuns sobre o Cristianismo (alguns dos quais do século III), que não revela sombra de pensamento original e só pode perturbar um analfabeto. Para defender a sua fé, ao que parece acrisolada, Sousa Lara teria feito melhor em proibir A Relíquia e O Mandarim, dois livros de facto subversivos, que justamente não incomodaram a burguesia de uma época em que o Catolicismo era a religião de Estado.
De qualquer maneira, a fama de incréu beneficiou Saramago. Como também a fama de comunista, adquirida no DN em artigos que suavam ódio e, mais tarde, num ou noutro romance em que mitificou o povo à boa maneira neo-realista. Mas nem essa fidelidade à esquerda e ao PC merece muita consideração. Ele, que denunciava tão depressa tanta gente, nunca condenou a sério os crimes sem nome (e sem número) do “socialismo real” e, no fim da vida, gostava de se apresentar como um campeão dos direitos do homem, um exercício para que obviamente lhe faltava toda a autoridade. Apesar disso, o Estado democrático, manifestamente impressionado com o Nobel, não o tratou mal. Instalada na Casa dos Bicos, mesmo no centro da Lisboa antiga, a Fundação Saramago é homenagem bastante.

Mitos Climáticos

Lamento informar que faleceu o Engenheiro Rui Moura, eminente ex-professor do Instituto Superior Técnico e que, nos últimos tempos, deu a cara, no blogue Mitos Climáticos, pela clarificação e desmontagem científica da teoria do "global warming".
Deixa-nos uma inteligência superior, um homem sério e bom, pai de um grande amigo meu.

Paz à sua alma!

Faleceu Rui G. Moura

Faleceu hoje Rui G. Moura

Das "causas" da esquerdalha






Via O Cachimbo de Magritte

BRASIL: 0 - PORTUGAL: 0

Em reposta a uma pobre jornalista brasileira (Sandra Cohen) que se encontra aqui numa briga tremenda para perceber as diferenças no glossário de futebol entre Portugal e o Brasil.

A mim não me chateia nada que os brasileiros digam goleiro - mesmo que incomodasse não adiantava nada - mas, diga-se o que se disser, guarda-redes é uma designação mais lógica, porque a função do "keeper" é precisamente essa, guardar as redes.

Assim como um artífice que faz panelas é um paneleiro e não uma bichona do camandro, na mesma lógica quem faz pão é padeiro. Goleiro seria uma designação mais apropriada para um indivíduo que marca golos (ou gols, como dizem os nossos irmãos tropicais) mas nunca para quem os anula ou evita...

Os adeptos serem torcedores, porque não? Não me digam é que
no contexto de um jogo de futebol é preciso uma formação académica para perceber, o que significa adepto! Já torcedor, quando ouvido ou lido pela primeira vez, necessita no máximo de 2 segundos de reflexão… Mas em relação a ZAGUEIRO um lusitano até precisa de mais tempo de reflexão para chegar à conclusão que os brasileiros estão a falar do defesa, e não do meio-campista, do centro-avante ou de qualquer outra função fora dos limites do relvado...

Mas tudo bem cara, agora não me lixem, o Cristiano Ronaldo não rematou ao poste contra a Costa do Marfim mas sim à trave, e não foi no final mas sim no início do jogo. E não creio que haja qualquer confusão entre Portugal e o Brasil entre trave e poste! Pelo menos, normalmente não deveria haver, é preciso apenas perceber que uma baliza é constituída por dois postes (ao alto) onde assenta uma trave!

Também é verdade que o brasileiro bandeirinha é bem mais bonito e mais curto do que a nossa pedante designação fiscal de linha, mas FORA DE JOGO parece-me mais racional que IMPEDIMENTO!!! E o fiscal de linha não ‘marca’ o ‘impedimento’ mas assinala o ‘fora de jogo’…

E convém não confundir balneário com vestiário! Porque, como a palavra indica, VESTIÁRIO é um local onde as pessoas se vestem normalmente, mas nem sempre, depois de terem passado pelo BALNEÁRIO, onde tomaram banho…

E si não ganhá o escrete lusitano, qui está mesmo merecendo ganhá alguma coisa porra, qui ganhi o divinal canarinho, porqui também fala português…

Anonimoose:


Pelo tom da resposta, acho que não deverá estar impaciente. Afinal, já saberá o que dizer ao que eu possa vir a escrever. Na parte 3 ou na 4. Aliás, falar da FC como fardamento, depois de eu lhe ter dito o que disse e da proposta que fiz, é indicativo, ou não?
Portanto, não fique impaciente. Eu, pela minha parte, perdi definitivamente a minha, para si e para os seus comparsas.
E, para que fique claro, de uma vez por todas, não dou cobertura a ninguém nem existe unanimidade de opiniões neste blog sobre todas as matérias nem sobre todos os pontos. Aquilo que temos em comum, porém, é muito mais vasto e importante do que questões de pormenor ou outras, de carácter pessoal e subjectivo, passíveis de discussão serena e risonha entre amigos. Não "colam", portanto, algumas tentativas, já expressas, de me considerar um pouco como um caso um pouco à parte dos restantes, na intenção de criar atritos. Talvez pela minha maior paciência para aturar o inaturável.
Desistam, por aí não vão lá.
Para terminar, resta-me, por isso, dizer agora, com o mesmo espírito com que, até hoje, fui suportando os desvarios daqueles, anónimos, que têm vindo a espraiar a sabujice, grunhindo na caixa comentários de modo sub-humano, alguns de forma pretensamente ilustrada, como é o seu caso, que VÃO PARA AS PUTAS QUE VOS PARIRAM.
E que, obviamente, não haverá, futuramente, da minha parte qualquer resposta a qualquer comentário de gente que eu não conheça. Até porque se deu, a certa altura, um caso, muito divertido!, com um anónimo, bem revelador da laia de quem anda por aqui. Revelá-lo-ei proximamente.

Propaganda politicamente correcta

A RTP, departamento de propaganda do alarmismo climático, voltou ontem novamente a noticiar que "os cientistas prevêem que 2010 vai ser o ano mais quente de sempre".

A RTP anuncia isto todos os anos, mas convém recordar que, desde que há registo directo, o ano mais quente foi 1934 seguido de 1998.
Por cálculos indirectos, para não ir mais longe, há cerca de 1000 anos atrás terá havido quantidades infindáveis de anos mais quentes que 1934.

sábado, 26 de junho de 2010

Das coisas insustentáveis


Para terminar - 2


João Barreiros (clicar aqui, para mais informações) é o nosso escritor de FC mais publicado e reconhecido, dentro e fora do país, com traduções em inglês, francês, espanhol, italiano e sérvio, tendo-lhe sido atribuído, por duas vezes, o prémio brasileiro Nova, destinado ao melhor conto publicado na América do Sul.
Com obras editadas, entre outras, pela Caminho e pela Presença, saiu recentemente um sétimo livro, Se Acordar Antes de Morrer, pela Gailivro (editora associada da Leya) uma compilação dos diversos contos que escreveu desde há vinte anos, alguns dos quais entretanto publicados em revistas portuguesas e estrangeiras. De um deles, “O Teste”, que pôde ser lido pela primeira vez no jornal Combate, onde publicou ainda outros, transcrevo um pedaço da nota introdutória que o acompanha e, em seguida, a parte final do texto.
Porque achei interessante, na continuação da minha, ainda inacabada, reflexão sobre José Saramago e, em simultâneo, na sequência do livro, publicado há pouco, de Maria do Carmo Vieira sobre o ensino do português e da sua crítica aos exames deste ano, que vão, curiosamente, no mesmo sentido da metáfora de João Barreiros, até há poucos meses professor do Ensino Secundário.

Trata-se, neste conto, “de uma vivência quase autobiográfica, pois eu próprio, na minha actividade docente já passei por experiências muito semelhantes. Se a FC é uma metáfora do tempo presente, aqui não poderia estar mais próxima da realidade. O TESTE foi publicado pela primeira vez nas páginas do jornal COMBATE, algures no final dos anos oitenta. Ao relê-lo, descubro, com uma pitadinha de horror, que criei um futurível, pois a educação em Portugal não melhorou com a passagem do tempo, antes se aproxima, cada vez mais, do pesadelo sofrido por José Esteves. A iliteracia funcional foi-se aproximando com passinhos de lã e agora habita entre nós, num estado de exultante alegria. Enquanto a avaliação dos docentes ganha aspectos de monstruosa complexidade, os discentes vivem no doce paraíso da anomia cognitiva. Não acredito, tal como julgava Bradbury, que seja necessário, num futuro próximo, queimar todos os livros “politicamente incorrectos”. Não é necessário, porque não haverá ninguém para os ler. De facto, Bradbury também afirmava que escrevia sobre mundos futuros horríveis, para que as pessoas, ao lerem os seus contos, se esforçassem para que eles nunca viessem a acontecer. Haja esperança.


"(...) Após dez minutos de combate campal, entra a coxear na turma. Depois de duas quedas, receia ter fracturado a rótula. Sangue escorre devagarinho de uma lesão no cotovelo esquerdo. Um traço vermelho junto ao pulso revela todo o tipo de tentativas infrutíferas para lhe roubarem a pasta. Do outro lado da rede, a turma inteira ulula: "Não queremos teste", "Greve! Greve ao ponto!", "O profe está dois minutos atrasado", "Não há tempo. Não há tempo..."
"Nem se atrevam..." grita-lhes José Esteves com o bastão a faiscar na mão direita. "Lembrem-se que ainda não cumpri a minha cota de abate este ano. Lembrem-se que ainda posso dar cabo de um ou dois de vocês com o máximo de prejuízo... E que não me importo nada de começar hoje mesmo..."
A maior parte da turma acalma-se. Os mais sensíveis ao stress trituram a ponta das canetas com os dentes. Outros entretêm-se a esfarelar os tampos das carteiras ou a arrancar os tacos do chão.
Devagarinho, com todo o cuidado para não sujar de sangue o questionário, o professor passa as resmas de papel através do orifício na rede e vai sentar-se à secretária, completamente esgotado.
Na outra ponta da sala, os alunos começam a ganir perante a dificuldade das perguntas. Um deles chega a devorar o enunciado. Três outros penduram-se na rede e proferem, em voz baixa, ameaças de morte e mutilação, não vão elas ser gravadas pelo sistema de segurança da Escola que, de facto, nunca chegou a funcionar.
Inseguro, José Esteves passa os olhos pelas primeiras questões:
Leia atentamente o seguinte texto:
"Conhece-te a ti mesmo, assim diz a citação e assim eu próprio vos digo!", afirma SÓCRATES.
1. A quem pertence a citação: A: Sócrates. B: Mager. C: O nosso PM
2. Partindo do princípio que a filosofia implica reflexão
Pergunta: Poderá haver filosofia espontânea? A: sim. B: Não
3. "O mundo nasceu da água" TALES
A afirmação de Tales pretende significar que A: o mundo nasceu da água. B: da terra. C: do ar. D: de lado nenhum.

No fundo da sala de aula, os gritos de fúria e frustração aumentam de intensidade. José Esteves começa a tremer. Afinal elaborou um teste demasiado difícil. A taxa de insucesso vai revelar-se gigantesca. O que implica visita de Inspector e tudo o resto. Quem sabe se mais um processo disciplinar e uma suspensão das actividades lectivas, por provada crueldade mental. E, como se isso não bastasse, uma espera feita pelos alunos, algures, fora dos terrenos da Escola.
O suor escorre-lhe em bica pela fronte. Não pode fazer nada senão recolher a maioria dos testes, ainda em branco ao fim de duas horas ou atravancados de graffiti insultuosos. E, depois, aguardar que a sala se esvazie e entre nova remessa. Pois este é apenas o primeiro teste do dia. Como ele, ainda faltam mais cinco.
O discreto logótipo que orla o cabeçalho lembra-lhe o horror que seria uma transferência vergonhosa para uma Instituição menos creditada do que esta: ESCOLA SANTO MAGER PARA ALUNOS EXCEPCIONAIS E SOBREDOTADOS....
Ainda há gente que não sabe a sorte que tem!
"

(continua)

Educação sexual modelo futuro radioso

Não é claro se haveria reciprocidade entre 'parceiros'.

Bem afinfado


O gritante

[...]

José Sócrates é o tipo de figura pública que, pela sua natureza, transforma inevitavelmente um uso num abuso. É um homem que degrada aquilo em que toca.

[...]

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Mistérios (intervalo místico no "caso Saramago")


Se a gente deste blog é tão mentalmente indigente, se a sua estupidez é tão obviamente patente, se é tão parola no falseamento e distorção de dados que realiza, se é tão longínqua e improvável a sua conversão à razão e à boa-fé, e se, além disso, tão irrisórios são os seus dislates no imenso éter da blogosfera, tão insignificante o seu peso, tão ignoto o seu lugar,
porque há tanta gente superiormente inteligente, tanta alma próxima da perfeição, tantos espíritos largamente abrangentes do saber, tanto empenhamento sincero e devotado às causas mais nobres,
que desperdiça de tal modo o seu tempo connosco, apesar de reconhecer tudo isto?
Será que pensa que, cuidando de nós, gravará, indelevelmente e para sempre, o seu nome no Grande Livro da Revolução, como mártir a cujo túmulo os Vindouros peregrinarão? Mas não estará, afinal e mau-grado a sua grandeza, ainda presa de uma intolerável preguiça, que a leva a pensar que, fustigando uns pobres e desgraçados medíocres, logrará tal recompensa? Não virá a perder-se pela sua mesma injustificada ambição e pequenez do esforço?
Meditemos, pois,
irmãos.
Nota final
À hora a que escrevo a esta nota, todos os comentários anónimos afinam pelo mesmo diapasão: a de que não há nada de mais divertido e estimulante do que ver a desgraça alheia e que, por isso, se lhes torna irresistível vir aqui. Como alguém que assume como seu divertimento a marreca ou a deficiência mental de alguém
A justificação que dão, em tom de paródia, revela, afinal, o carácter moral desta gente, bem como a sua estupidez. Ninguém moralmente bem-formado daria tal justificação, mesmo que metaforicamente. Nem nenhum perverso com dois dedos de testa.
Cuidado, portugueses, o social-fascismo continua por aí.
Sem olhar a meios.
Sem escrúpulos.
Pisando tudo e todos com a mesma bota arrogante de sempre.

O sugador

"Muitas vezes sinto-me sozinho a puxar pelas energias do país" diz o Primeiro Ministro, mas nada puxa. Suga.

Diz estar sozinho, mas não está. Ele e os seus acólitos sugam(*) o suficiente para deixar o país de rastos.

O inefável dirigente tem o complexo do grande timoneiro da classe operária. Lembra o colosso Arnaldo Matos.

E acrescenta: "O que o país precisa de saber é que nos primeiros três meses o crescimento da economia portuguesa foi muito positivo, [...]". Também o crescimento da dívida e do juro foram muito positivos. Muito mais positivos que o crescimento, o que transforma o puxar de energias em absoluta mentira.

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(*) Impostos que torram.

Prémio Saramago


Nunca, pelo menos de há 50 anos, tivemos um Primeiro Ministro tão trafulha quanto o actual.

Para agraciar este tipo de distinta personagem devia ser instituído o prémio Saramago.
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O pior cego é o que não quer ver

Sobre Cuba, diz Aac:

"O pior cego é o que não quer ver, meu caro."

O mundo tem uns seis mil milhões de pessoas de pessoas distribuídas por um batatal de países. Entre outros casos, dois deles não se podem ver: Cuba e os Estados Unidos da América. Qualquer deles resta mantém (em linhas quase gerais) relações com a generalidade do mundo.

Um deles, Cuba, passa mal e está dependente da generosidade do mundo. O outro, os Estados Unidos, vive infinitamente melhor que Cuba. Para a esquerdalha a razão parece óbvia: o sucesso dos Estados Unidos deve-se ao ódio que Cuba lhe demonstra, a medicidade de Cuba deve-se ao "bloqueio" que os Estados Unidos lhe "aplicaram".

Mas o regime cubano é, entre outras coisas, "inteligente".

Rick Wakeman "Catherine Howard" Live at BBC 73

Amanhã, dia de arrrrrranque para o fim de semana. O meu dia vai ser loooooongo.



A banda sonora está um bocado chorada (provavelmente VHS), e é playback.

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quinta-feira, 24 de junho de 2010

Mais um porco voador


Afinal o petróleo que se está a espalhar no Golfo do México é equiparado a leite.
[...] the Environmental Protection Agency (EPA) is classifying milk as oil because it contains a percentage of animal fat, which is a non-petroleum oil.

Um porco a voar

Não é girérrimo?
Havana, June 22, (RHC).- Cuba was elected for the vice-presidency of the United Nations Human Rights Council, which is the principle international organization that addresses Human Rights issues. The members of the council voted for the Cuban ambassador Rodolfo Reyes Rodríguez in Geneva.

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Não digam bobagens sobre o que não conhecem

Pedindo desculpa pela demora, por me parecer bem esgalhado (independentemente de concordar, ou não, pelo todo ou em parte) e pelo trabalho que ele teve, aqui fica o comentário do leitor Aprendiz.

Não digam bobagens sobre o que não conhecem.

Os tais "esquadrões da morte" não foram nenhuma instituição da ditadura. Existem desde muito e tempo e CONTINUAM EXISTINDO, no Brasil todo, membros das Policias Militares e, em menor escala, nas Polícias Civis, que participam de atividades criminosas. Devo esclarecer que essas tais "Policias Militares" são as polícias ostensivas dos estados da federação e as "Polícias Civis" são as polícias investigativas, também estaduais. Que o nome não confunda ninguém. E deve ser bem esclarecido, que apesar dessas polícias serem estaduais, seus membros são lotados fixamente em cada município (a não ser por remoção, pedido de transferências, etc) e suas eventuais ações criminosas são sempre ligadas ao ambiente local.

Há policiais envolvidos nos seguintes tipos de atividades ilegais:

1.Policiais que complementam seu salário, em horários de folga, fazendo bicos como seguranças. Todos os brasileiros sabem, todos fazem vista grossa. Sendo o país mais violento do mundo (em tempos de "paz"), existem muitos assaltos violentos e morrem meliantes e seguranças. Se acontecer de algum meliante morrer numa troca de tiros com um "segurança" que não podeira, por lei, ter sido contratado, procurarão esconder isso. Também podem ocultar a noticia de que determinado policial morreu fazendo um bico.

2.No país mais violento do mundo, é muito comum que bandidos, por razões diversas, não sejam presos. Freqüentemente por ligações políticas dos chefes do tráfico (na época do governador Leonel Brizola, no Rio de Janeiro, que veio a ser candidato a vice de Lula, essas ligações eram mais públicas e notórias do que costumam ser), outras vezes por disfuncionalidade das instituições. Há policiais que deixaram de crer nas instituições e agem por conta própria, ao arrepio da lei. Não queiram viver num país onde a situação chegou a tal ponto.

3.Em muitos lugares, pequenos comerciantes pagam "justiceiros" para matarem assaltantes do bairro. Alguns desses "justiceiros" são policiais, ou ex-policiais.

4.Por causa de uma personagem específica, há quem ligue os "esquadrões da morte" (uma atividade tão comum no Brasil, embora com vários nomes) a um governante militar (não sei se foi na época do presidente Geisel, eu era criança, não lembro, e não tenho paciência de procurar). Um delegado de polícia chamado Fleury se envolveu em crimes. Andou, junto alguns de seus subordinados, eliminando alguns criminosos, em vez de leva-los à justiça. Ocorre que o homem tinha amizades entre políticos e militares, e aliviaram a barra dele, de modo que nunca foi preso. Coisa entre amigos.

5.É de notar-se que só um ignorante pode julgar que isso tenha sido um fato incomum, que marcou uma época. As ligações entre crime e poderosos no Brasil são extensas. Se alguém tiver curiosidade, investigue quem era o secretário de transportes da ex-prefeita Marta Suplicy, em São Paulo. O governo dela foi marcado por uma entranhada relação com o maior grupo criminoso da capital paulista, o PCC. Vejam também quem é Fernandinho Beira-Mar, e porque motivo seu silêncio é precioso para o partido que governa o Brasil.

6.Ao levantar essa questão dos "esquadrões da morte", como se fosse uma questão política, e como se essa relação promíscua entre bandidos, policiais, políticos e judiciário fosse uma coisa apenas da época, o anônimo apenas tentou desviar o foco da questão. Tentou jogar sobre os militares algo que é comum no Brasil (e, cada vez mais comum). O nome que as coisas tem não importa, o que importa são seus efeitos. Durante o governo lula, tem morrido umas 50.000 pessoas por ano, vítimas de homicídios (oficialmente acho que são por volta de 40.000, mas TODOS os especialistas em segurança pública asseguram que são bem mais). As taxas de homicídio (por 100.000 habitantes) são as maiores onde o PT ou seus aliados governam. Talvez por isso, seu partido arrisca-se a não eleger governador nenhum. Eu, e muitas pessoas, odiamos o PT, acima de tudo, pelas sua relação íntima com o tráfico, e também pelo extenso uso da máquina policial e judiciária, para proteger seus crimes a atacar adversários. Sobre nenhum outro presidente do Brasil, pode se dizer que foi sócio do tráfico de cocaína. Sobre nenhum outro presidente, pode-se dizer que corrompeu tão profundamente a polícia e o judiciário. Sobre nenhum outro grupo, que não os petistas, pode-se dizer que mandava matar não só adversários, mas até os prefeitos do próprio partido, para queimar arquivos. Estalinistas é o que são, e sempre foram. Só no estado de São Paulo, mandaram matar dois prefeitos (Municípios de Campinas e Santo André, se alguém quiser pesquisar), e inúmeras testemunhas.

7.Nenhum idiota venha aqui dizer que, por ter sido Fleury amigo do Golbery, os militares são os responsáveis pela existência de promiscuidade na polícia e na justiça, que já existia antes, e só tem se acentuado até hoje. Mas isso faz-me lembrar outra coisa. O próprio lula não seria nada, sem uma mãozinha do Golbery...

8.Finalmente, toda essa estória da carochinha, sobre a suposta especifidade da corrupção da polícia, na época dos militares, é só cortina de fumaça para esconder alguns fatos muito simples:

Os terroristas brasileiros não queriam implantar democracia nenhuma aqui, queriam implantar um regime semelhante ao que vigorou na Albânia ou ao que existe na Coreia do Norte. Todos os documentos escritos pelos terroristas na época, provam isso. Apenas estudem e não falem bobagens.

O terrorismo no Brasil não trouxe, pelo contrário, atrasou a redemocratização do país. Apenas bem depois dos terroristas terem sido esmagados (mortos, presos, ou fugidos) é que os militares negociaram com a OPOSIÇÃO INSTITUCIONAL a redemocratização do país.

Embora o Brasil tenha sido uma ditadura, não foi em momento nenhum um estado totalitário. Fazia-se oposição legalmente, e essa não era demonizada. Milhares de jornalistas, políticos e professores falavam contra o governo. Havia alguma censura, mas nada que possa nem de longe se comparar à que existe, por exemplo, em Cuba.

O número de mortos pelos militares foi infinitamente menor do que os mortos pelo regime cubano. Via de regra, apenas as pessoas diretamente ligadas a grupos terroristas foram mortas e presas pelos militares. Ao contrário do que ocorreu e ocorre em Cuba, onde as pessoas tem sido presas, torturadas e mortas apenas por se oporem ao regime.

As histórias, no Brasil, são muito mais complicadas do que sonha a vossa vã filosofia.

This(*) isn't working



(*) União das Repúblicas Socialistas da Europa
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quarta-feira, 23 de junho de 2010

AFOGADOS EM OURO...



Renato Teixeira diz no 5dias:

O modo de produção capitalista tem nos diferentes governos dos EUA e nos quadros das principais multinacionais os seus grandes obreiros. Ao longo dos últimos dois séculos e superada que foi, há demasiadas décadas, a batalha produtiva, toda a responsabilidade deve ser atribuía aos que fazem da corrida ao lucro o seu modo de vida. É uma corrida irremediavelmente perdida.

(…) um verdadeiro presságio sobre os contornos do genocídio que nos espera se ninguém for capaz de travar a gula de quem prefere morrer cedo desde que afogado em ouro.


Afogados em ouro é naturalmente exagero, mas é verdade que se os portugueses rejeitarem o modo de produção capitalista, recusando ao mesmo tempo, para serem minimamente consequentes, os subsídios vindos dos países capitalistas do norte da Europa, vão ser obrigados a moderar os seus hábitos.

É evidente para toda a gente que num sistema socialista vai ser difícil continuar a manter em média dois carros e 7 telelés por família, levar e buscar diariamente os meninos à escola de carro, ir igualmente de carro comprar tabaco a 200 metros de casa, comprar de seis em seis meses o último modelo de computador, televisão e sapatos com berloques. Uma visita à manicura sem o cartão do partido não será mais possível, assim como férias no All Garve, que agora estarão apenas ao alcance dos jogadores de futebol dos grandes clubes da primeira-divisão. Comer fora nem pensar, a restauração em Portugal vai ser definitivamente substituída pelos frangos no churrasco de levar para casa. Marisco? Só na televisão. Os subsídios de férias, o 13º mês e as reformas aos 50 anos tornar-se-ão rapidamente impagáveis, já para não falar nos subsídios de desemprego.

(Em meu nome e restantes familiares queria desde já ‘agradecer’ aos meus amigos de esquerda, que com as suas ideias malucas me querem privar num futuro próximo da pequena parte que me cabe neste luxo...)

Não quero de maneira nenhuma parecer pessimista, entre mortos e feridos alguém há-de escapar, os albaneses durante a época do Enver Hoxha também se desenrascaram. E hoje em dia os norte-coreanos têm realmente que fazer das tripas coração (isto literalmente) para não morrer de fome, mas é um facto que conseguem sobreviver e ao mesmo tempo manter um exército de 1 milhão de homens armados até aos dentes. E ainda arranjam uns tostões para torpedos e armas nucleares e para enviar uma equipa de futebol ao Mundial e ainda lhes sobra dinheiro para pagar a adeptos chineses - à falta de nacionais com passaporte - para torcerem pela selecção durante o Mundial de futebol…

Contra a selecção portuguesa isto não serviu de nada, e é aqui precisamente que reside O ERRO dos sistemas comunistas. Erro esse que na minha modesta opinião convém evitar caso queiramos ter pelo menos uma selecção de futebol decente. Se não vejamos, a Coreia do Norte, em vez de pagar aos seus jogadores - como nós fazemos e na minha opinião até demais - que na realidade são quem tem que dar o corpo ao manifesto e correr atrás do Meireles e do Simão, distribuíram o carcanhol por adeptos estrangeiros (chineses) pouco motivados!!!

Não pense o leitor menos avisado que esta treta só tem a ver com bola! Não, não e não. Isto é sintomático dos países comunistas como a Coreia do Norte, isto faz parte do plano orçamental: distribui-se primeiro o bago irmãmente pelos quadros do partido e o pouco que sobra é, mais tarde, ideologicamente cedido para quem verga a mola, os trabalhadores. Mas o que sobra nunca é muito, porque os tipos do politburo são maus em capitalismo e além disso gastam grande parte da massa em ‘dachas’ (montes alentejanos mas na Rússia) e Mercedes último modelo para os seus membros. É por esta razão e não outra que a malta trabalhadora da Coreia do Norte tem muita pena de não ter nascido mais a Sul, na parte má e capitalista da Coreia...

Mas o mais triste para os pobres jogadores coreanos é saberem que além da pesada derrota sofrida, há ainda portugueses que expressam em público, mesmo que anonimamente, o desejo sádico que eles voltem para a sua terra e acabem os dias num campo de concentração! Exagero? Não seria a primeira vez...

Para terminar - 1


Embora tenha absoluta consciência de que é totalmente inútil escrever o que se segue, o sentimento do dever leva-me a que o faça. Fica, pois, aqui, uma primeira parte daquilo com que encerrarei o assunto.
Primeiro:
Não tem sido tão pouco frequente assim a Academia atribuir, para grande espanto da própria "comunicação social", o Nobel a escritores de menor notoriedade, cuja escrita, ainda por cima, não é, de todo, a de melhor qualidade. Os critérios que levam a Academia a fazê-lo são, por vezes, insondáveis... ou nem por isso. Saramago é, para mim, um desses casos, pertencente ao grupo dos do "nem por isso" pelas razões já apontadas.
Segundo:
Nenhum criador genuíno se envaidece pela obra que realizou, muito menos publicamente, pela simples razão de que todo o criador genuíno sabe que aquilo que concretiza fica sempre aquém daquilo que vai dentro de si (Querendo, quero o infinito/Fazendo, nada é verdade - Fernando Pessoa dixit). Saramago, quando veio aLisboa, recentemente, a convite dos seus camaradas, disse estar convencido de que merecia o prémio por razões estéticas. Em alto e bom som, na televisão. O que o define, desde logo, como um "habilidoso" e não como um artista (e "habilidoso", no caso, em mais do que um sentido).
Terceiro:
Nenhum artista genuíno alguma vez ligou a prémios e condecorações: na maioria dos casos, detesta-os; por vezes, aceita-os, outras, recusa-os, mas nunca se vangloria deles. Um artista sabe que cria não determinada, mas pulsionalmente. Um acto determinado, voluntário, é susceptível de prémio, castigo ou indiferença; a mera satisfação de uma necessidade pessoal é apenas isso mesmo. Daí o seu não-apreço a algo que nada tem a ver com o que passou dentro dele. Quanto mais dizer, como Saramago, "mereci o prémio"...!
Quanto às "lições estéticas" de Saramago, falaremos num segundo post.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Aac:


"O-Lidador, diga lá então de sua justiça. Quem são os para si os grandes escritores contemporaneos em lingua portuguesa?"

Eu, por mim, posso dizer-lhe: em termos de prosa, o Miguel Torga ou o Vergílio Ferreira, por exemplo. Vivo, infelizmente, nenhum.
Mas, se for para a poesia, é só escolher: Herberto Helder, António Gedeão, Jorge de Sena (este, também pela prosa), Mário Cesariny, o próprio Miguel Torga... E, se quiser gente enfileirada no PC, Armindo Rodrigues, hoje esquecido. Todos eles, menos, talvez, este último, alteraram substancialmente a arte de escrever em português na segunda metade do século XX. Qualquer deles teria muito mais direito ao prémio Nobel SE ele fosse dado por mérito literário. E todos eles se situaram, politicamente à esquerda, pelo menos durante uma parte da sua vida. Ou não?
Herberto Helder está vivo, os restantes, não. Mas esse não é o problema, pois não? Já se deram Nobeis a título póstumo. Ou não é? Ou convinha que fosse um tipo qualquer, vivo, para se poder falar da "actualidade da sua mensagem" e ele poder fazer escarcéu, mesmo que dizendo disparates ou enormidades, em favor da "causa"?
E Agostinho da Silva? Alguém viu o que ele fez, pela escrita e pela prática, não só por Portugal como pelo Brasil e pelo chamado 3º Mundo, em geral? O que lhe deve o Brasil, enquanto fundador e dinamizador de unversidades e a África, enquanto encarregado pelo presidente mais à esquerda que o Brasil teve, Jânio Quadros, de definir a política brasileira em relação ao continente africano?
Já lhe chega ou quer peidar-se a seguir, como é costume? Veja lá, não faça cerimónia, somos todos bons rapazes, não estamos cá para outra coisa.

Bloqueador de Pensamento



Na imagem o Rolls Royce Ghost 2010.

Aviso de Segurança: está demosntrado em saramagos de laboratório que a visualização por períodos superiores a 5 segundos da imagem acima tem efeitos perversos no pensamento.

Saramagal desbloquedor de pensamento

“Ou o pai é prepotente ou a mãe esméril, por isso não há transcendência”
Este desbloqueador de pensamento é mesmo à Saramago. É capaz mesmo de desbloquear várias outras coisas.

Desbloqueadores do pensamento


Frases reais, escritas por pessoas reais, todas elas "intelectuais" de letras (pessoal que escreve e/ou estuda na Universidade). Esclarece-se que não se trata de erros de sintaxe, de ortografia, do que quer que seja, mas sim de umas novas técnicas de expressão escrita que agora há e que se chamam "desbloqueadores de pensamento", ou melhor " dezbluceadores de pemçamentu"


1-A Gazeta da Restauraçao, tal como o nome indica vei-o Restaurar, restaurar o povo que naquela altura era muito alfebetizado, pelo qual este periódico se dedicava uma pequena população;

2-O Enciclopedismo foi o período das ‘luzes’, do Iluminismo, foi o período que tudo era fácil, tudo lhes parecia fácil. De aprenderem as coisas com um grande facilitismo;

3-Para Salazar, Deus era a única pessoa que estava acima dele, que lhe era superior;

4-,Vai ficar cego, Não,logo que a vida estiver normalizada, que tudo comece a funcionar, opero-o, será uma questão de semanas, Por que foi que cegámos,Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos,

5-No Estado Novo, havia o lápis lazuli que era uma forma de censura, muitas imprensas assumia, fechavam primeiro antes que o lápis lazuli fosse fechá-las;


Enfim os Saramagos são como fungos...nascem em todos os recantos onde abundam a humidade da estupidez e o húmus da burrice.

[Guess who] Spearheads Raids as Food Prices Skyrocket

... lá venho eu com Thatcher outra vez.

Europa: quem dá o pão, dá o páu

SELECÇÃO DAS QUINAS 7 – AMIGOS DO SARAMAGO 0



Antes de ontem foram colocados SEIS postes e ontem TREZE! Eh pá, isto assim é impossível de comentar ou de seguir seja o que for…. E como depressa e bem há pouco quem, isso repercute-se imediatamente no nível dos comentários, que, salvo raras excepções, não ultrapassa o SMS message (de miúdas de 12 anos com problemas de menstrua).

Sim, a morte do Saramago é importante, e acho muito bem que se discuta o Saramago, mas será preciso dedicar-lhe tanto post? Ou melhor, também acho muito bem e interessante que se discuta o Saramago sob todos os pontos de vista possíveis e imaginários, mas não seria mais razoável a coisa ser mais espaçada, digamos um ponto de vista de dois em dois dias?

Eh pá, é que eu, como não tive nenhum trauma durante a minha infância – fora o marxismo - preciso de um pouco mais de tempo para acompanhar a minha SANTA BOLINHA! Ou só as outras religiões, as que outrora fizeram e as que ainda hoje fazem correr rios de sangue, é que são importantes, é que se respeitam?

E no entanto a minha religião não faz mal a ninguém, pelo contrário, por exemplo a Selecção das Quinas teve esta tarde uma papel histórico e importantíssimo na futura democratização da Coreia do Norte. De comparar com a nomeação de Karel Woytila como Papa, para que a Polónia de Lech Walesa tivesse enfim direito a um sindicato livre, e certamente muito mais do que a aparição de Nossa Senhora de Fátima na Cova de Iria em 1917, para que a Rússia não virasse comunista…

Vejam lá o azar do regime do Kim filho: nunca transmite jogos em directo – só o faz depois de terem censurado todas as capitalistas muito boas que se vêm de vez em quando nas bancadas – mas desta vez parece que transmitiram mesmo! Resultado, não se espantem se dentro em breve mais uma ditadura do proletariado for pró maneta… Viva Portugal e vai mais um copo de tinto à saúde do Fábio Coentrão, do Raúl Meireles e do Tiago - OS MELHORES DO MUNDO PORRA…

BP



A BP meteu a pata na poça. Por algumas coisas que li e que ouvi de ex-trabalhadores, transparece o desleixo pela segurança.

Se a BP for à falência, que vá. Mas parece-me que muita gente insuspeita reza para que assim não seja. A BP é (era, suponho) considerada pela verdelhada como uma empresa verde. Verdinha.

Começam a aparecer referências a "projectos" em larga escala com as mais diversas ramificações ao cancro verde deixando claro como era constituída a almofada que permitia o desleixo. Um estranho silêncio tem brotado dos "ecologistas" da treta.

A falência da BP pode assim ser uma excelente solução. Se a sua falência despachar a verdelhada para os abismos onde mora a plataforma afundada, de alguma coisa terá valido o sacrifício do aço.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O rubro Rúben


Rúben de Carvalho, militante do PCP é, politicamente, o que é de esperar: um militante da esquerda Cro-Magnon, de um partido morcela queimada pela história que lhe aplicou ainda um par de valentes e merecidos coices.

Mas aqui fica uma homenagem ao seu programa de rádio, Crónicas da Idade Média na Antena 1. Ouvi, muito embora sem possibilidade de lhe dispensar devida atenção, uns 3 programas e, tirando uma tremenda dose de verborreia debitada pela sua 'partener' e uns quantos apartes mais ou menos apalermados do dito, é um programa a ouvir.

Qual é o espanto?

O dirigismo socialista, aquele que tudo entende melhor que ninguém porque comporta as mais sólidas bases culturais, dá nestas coisas.

... mas atenção. Isto não deu bota porque o que importa são as intenções. Sim, porque nisto de cultura o que interessa são as ideias. A realidade, isso é com os comedores de coiratos que insistem em ler os livros que os cultivados decretam não projectarem Portugal.

Homenagem Póstuma a Um Escritor

Lembro uma entrevista concedida por Jorge Amado à RTP pouco antes de falecer. Havia anos que o autor brasileiro era apontado como provável vencedor do próximo Nobel da literatura. A dada altura foi colocada a pergunta inevitável: iria ser ele o primeiro escritor de Língua portuguesa a ganhar o Nobel? A resposta veio em duas partes: achava que não, não lhe iria ser atribuído o prémio, mas suspeitava que Saramago um dia seria galardoado (hipótese improvável ao tempo).

A idade traz lucidez a alguns. Amado sabia que os critérios políticos em vigor na atribuição do prémio eliminavam um apóstata do comunismo, que ele era. Pelo contrário, um crente, como Saramago, ainda que medíocre escritor, estaria bem colocado para o ganhar. Não se enganou.


"É doce morrer no mar", mote de Dorival Caymmi, poema de Jorge Amado

domingo, 20 de junho de 2010

É uma casa portuguesa, com certeza


As luminárias da "Europa" tiveram mais uma ideia

El peligro salafista

Por Pilar Rahola
El peligro salafista
Nunca habíamos tenido, solo en Cataluña, a más de 100.000 personas convencidas de la bondad de la ideología totalitaria.

"Esto es Goebbels con internet". Con esta alarmante frase un experto resumió el reto a que está sometida la humanidad por parte del fundamentalismo islámico. La cita era en París, en un congreso en el que tuve el honor de participar. A pesar de que han pasado años, no cambiaría ni el título –"La democracia herida"–, ni el sentido de mi conferencia. Goebbels con internet. Es decir, ideología totalitaria, masivamente conectada gracias a la tecnología moderna. ¿Significa que todo el fenómeno ideológico asesina personas? Claro que no. Pero, si bien la mayoría de los fundamentalistas no matan a nadie, forman parte de un virulento ejército de ideas antidemocráticas cuyo objetivo es destruir las sociedades libres.

Otra suerte de muerte, aunque se trate de la muerte de las ideas. ¿Cuántos son en el mundo? Es decir, ¿cuántos millones de personas militan en el proyecto de imponer un modelo feudal islamista a todo el planeta? Dicho así parece un cuento de niños. Pero cuando aterrizamos en nuestro país y el CNI habla de un 20% de extremismo islámico en España y más de un 25% en Catalunya, el cuento de niños se convierte en un relato terrorífico. Pongamos cifras. Si en Catalunya viven 400.000 musulmanes, y los servicios de inteligencia dicen que el 25% pertenecen al radicalismo, estamos hablando de 100.000 personas vinculadas a una ideología que quiere destruir nuestro modelo social. Los tres principales movimientos son el salafismo, Tabligh, y Justicia y Caridad. En Catalunya es tan fuerte el salafismo que se ha convertido en el epicentro de congresos europeos.

Por supuesto, allí donde dominan a sus comunidades, la radicalización es palpable, incluso visualmente. Así pues, y con los datos policiales confirmados, también podemos confirmar la brutal magnitud del problema: nunca antes habíamos tenido a más de 100.000 personas convencidas de la "bondad" de una ideología totalitaria. Es decir, nunca antes habíamos tenido un ejército de extremistas tan numeroso, tan hábil en el manejo de los resortes democráticos, tan generosamente financiado por países extranjeros y tan lesivo para la libertad. Ríanse ustedes del famoso oro de Moscú…

Cien mil personas, pues, que creen que Dios es la fuente de la esclavitud, que la democracia es una maldad que hay que combatir, que las mujeres no tienen derechos, que Occidente es el territorio por conquistar y que la tecnología moderna sirve para volver a la edad media. Y todo ello, amparado por despistados de izquierdas, administraciones buenistas y la propia fragilidad del sistema. El problema es monumental. Y mientras tanto, algunos sabios que han declarado la guerra a la inteligencia, hablan de multiculturalidad y libertad de culto. La cuestión no es que sean tan obtusos. La cuestión es que los otros se aprovechan de tanta tontería nuestra. Porque puede que sean fanáticos, pero son muy listos.

Pilar Rahola
La Vanguardia. Barcelona.
08/06/2010

O Nobel idiota útil


Quatro excelentes textos de Olavo de Carvalho que abordam (alguns tagencialmente) José Saramago.
Discípulos de Saramago - 24 de Novembro de 2001
Saramago e os judeus - 2o de Abril de 2002
O sonho de Saramago - 19 de Abril de 2003
Em nome dos cadáveres - 27 de Fevereiro de 2004

Bigeard


Morreu o General Bigeard, figura lendária dos para-quedistas franceses e um autêntico mito dos militares de escol de todo o mundo ocidental.

Este sim, merece o meu respeito, a minha admiração e a minha consideração.

Paz à sua alma.


Porque o ocidente é superior ....

... mais um episódio na caça ao nosso Super Monstro das BolacHas.



Äntligen!

“Äntligen!” significa “Até que enfim!” em sueco.

Farto de ver o prémio Nobel da Literatura ser atribuído por critérios políticos a “escritores” de que ninguém ouviu falar, o apresentador de rádio sueco Gert Fylking iniciou a excelente tradição, que ainda hoje perdura, de gritar “Até que enfim!” na cerimónia de anúncio do prémio, a cada nova canonização de mais um obscuro comuna terceiro-mundista.

Neste vídeo, da cerimónia de 2005, é possível ouvir claramente a exclamação, no minuto 00:15. Em 2006 não se consegue ouvir o grito no video, mas vê-se claramente o pessoal a partir-se a rir. Um ingénuo comentador no youtube acha que são “gritos extasiados de alegria” pelo anúncio da atribuição do prémio a Orhan Pamuk. Aquilo devia estar cheio de turcos, certamente.

Na imagem: o herói da classe operária José Saramago curva-se respeitosamente perante o monarca sueco Carl XVI Gustaf, enquanto recebe das suas mãos o prémio Nobel da Literatura de 1998.

Por fim e face ao panegírico instituído da figura de Saramago ...

... convém lembrara que ser escrito, pintor, artista não é um certificado de bom comportamento ou de cidadania. Frequentemente é precisamente o inverso que acontece. Meteu-se na cabeça das pessoas, em boa parte por culpa dos jornalistas, que os artistas e intelectuais são pessoas interessantes e cidadãos exemplares. Alguns sê-lo-ão mas muitos não o são. Nem têm de ser. A não ser para os marxistas leninistas que apenas aceitavam a arte e o artista politicamente comprometidos, a arte vale por si.
Aqui.

A busca da verdade (e Saramago)

Da mentira estructural - Do gayzismo

Às armas, às armas

sábado, 19 de junho de 2010

A loucura suicidária do “mais Europa”

Está neste momento em curso na União Europeia um golpe de Estado antidemocrático e, aparentemente, ninguém se incomoda com isso. Em Portugal e na quase totalidade dos países europeus. Só no Reino Unido, cuja democracia é a mais antiga e a mais enraizada, há quem proteste e resista.

Para terminar, por hoje e pela minha parte, o assunto...

René Magritte, O Duplo Segredo


... transcrevo ainda este outro comentário, colocado há pouco por Nicolau Saião:

Eu, nisto tudo, importo pouco. O que importa é esclarecer isto e peço um pouco de atenção aos leitores: foi para que os ratões amáveis como o Anónimo anónimo pudessem invocar o argumento de autoridade, que os apaniguados, com influência em Estocolmo, deram o prémio a Saramago. Ou seja: Saramago tem servido, fundamentalmente, para que certo tipo de gente possa dizer imperativamente: tu, que contestas o "comunismo" (na verdade capitalismo de Estado) cala-te e curva a espinha - pois temos aqui ao lado um estadulho, o prémio nobel Saramago. Tu não existes, pois a existência de Saramago é a prova disso.
Para que nós possamos ser remetidos, como se fazia aos judeus, para o nada, é preciso que Saramago seja o tudo. Por isso é que eu disse que a existência de Saramago nobel explica o lacaio mental Anónimo.
Era asim que na URSS e em todos os paraísos criminais de Leste se podia prender e sufocar Isaac Babel ou Bulgakov - porque havia um Cholokov nobelizado (que, como hoje se sabe, roubou a um preso no gulag o "seu" livro galardoado).
Saramago serviu, e serve, para que um desqualificado cinzento como Harold Bloom possa dizer do alto da sua cátedra meio-imposta: "Saramago é o maior escritor do mundo". Ele, que disse outra inanidade semelhante: "Yates é o maior poeta dos tempos modernos". Yates (!!!).
E é gente desta que Saramago consola literariamente...
Ou seja: Saramago como exemplar adequado para o extermínio moral/artístico/cultural/societário.
E depois vem um Anónimo desta qualidade chamar nomes a O-Lidador?
Proh pudor!
E não é desesperante, em tempos de contemporaneidade, termos de nos ocupar de coisas assim sórdidas?

ns

Dize tu direi eu, a propósito de um texto de Nicolau Saião


Anónimo disse...
Você considera a escrita do Saramago limitada? Quem é você? Não será adequado perguntar-se se não será você um pouco… limitado? Este sim parece-me um comentário suficientemente pedante e envinagrado de alguém que aparenta perceber português desde que com menos de quatro sílabas. Quanto ao resto, é o habitual e tradicional ódio anti-comunista. Como citou o seu Lidador, atrás, citando Sartre, é o ódio próprio dos cães. Nada mais.


Digo eu
Meu caro anónimo:
Em primeiro lugar, aconselho-o a ler com mais atenção, antes de desatar a disparar histericamente em todas as direcções. É que o texto não é meu, é de Nicolau Saião, cuja biografia poderá ler se clicar em cima do nome. Limitei-me a transcrever o que ele escreveu no PÚBLICO. É o ponto de vista dele e manifesta-o, enquanto homem livre. E eu achei, no exercício da minha liberdade, que não alieno, dar-lhe voz aqui. Se concordo com ele ou não, darei conta publicamente se tal me apetecer.

Mas mesmo que tivesse sido eu a afirmar que a escrita de Saramago é limitada, o que é que isso pode ter a ver com uma eventual limitação minha? Armindo Rodrigues, esse grande poeta, decano dos poetas do PC, falecido em 1992, considerava António Gedeão como um poeta pouco mais que medíocre; Fernando Pessoa abominava Manuel Bandeira e não apreciava partcularmente a Geração de 70; Chesterton criticava ferozmente Bernard Shaw, de quem, alás, era amigo; Antero de Quental arrasou António Feliciano de Castilho; José Régio foi atacado pelos neo-realistas; e poderia dar aqui não dezenas, mas centenas de exemplos. Quem era limitado?
Há múltiplos aspectos sob os quais se pode detestar ou gostar de um escritor e, em geral, de um artista sem se ser, por isso, pedante ou envinagrado. E pode-se gostar de um artista pelo que reflecte na sua obra da condição humana, descontando o que se relaciona com o que consideremos aspectos errados ou mesmo condenáveis da sua postura e acção públicas. Ou pode pensar-se que nada nele se salva. Ou que é um artista mediano,mas uma grande figura cívica.
E então?
O seu comentário é que me parece estranho a tudo isso. Parece-me envinagrado, não pedante, mas provinciano, vindo de alguém que sabe de enciclopédias e de academismos, e pouco de criação estética ou, pelo menos, que a mistura em excesso com política e, pior, com interesses partidários de circunstância.
Mas deixe estar, vou escrever qualquer coisa sobre o Saramago um dia destes para que o meu amigo, se assim o entender, possa limpar a face da argolada que deu ou enterrar-se de vez.

Anónimo disse...
Em nenhuma parte do meu comentario sugeri wue tinha sido voce o autor do comentario, Gonsalo. Por isso a primeira parte da minha resposta nao era para si. Apesar de considerar que a opiniao que retransmite no blog nao foi escolhida por acaso. De qualquer forma, e resumidamente, que tem o desacordo e as ciumeiras de autores e artistas a ver com a validade de consideracoes acerca dos limites criativos e da qualidade da producao artistica? É esse o seu criterio? Nao disparei em lado nenhum, simplesmente é uma imbecilidade. Se fosse o Lobo Antunes a dizer que a escrita do Saramago era limitada, compreendia-se com um sorriso. E vice-versa do Saramago acerca do Lobo Antunes. Agora assim, sabe, parece... gratuito (…)

Digo eu
Caro anónimo:
Se reler o primeiro comentário que fez, facilmente verificará que todo ele aponta para mim. Enganou-se? Tudo bem.
Mas, uma vez mais, o meu amigo cai no argumento de autoridade. Se fosse o Lobo Antunes e o Saramago a mandarem setas envenenadas um ao outro, você compreenderia a ciumeira literária e sorriria... mas aceitaria, porque, a seu ver, se trata de dois grandes escritores. Eu, a quem a ciumeira artística faz vomitar, até porque a considero um sintoma da presença do que impede a total criação estética (sempre resultante de um diálogo) fá-lo-ia, para a devida limpeza do fígado. Mas a sua aceitação tem por base considerá-los como grandes. Da mesma forma que, por exemplo, os admiradores daquele que foi, para a elite intelectual da I República, o enorme escritor e erudito Júlio Dantas se escandalizaram com escritores menores como Almada, Pessoa, Sá-Carneiro ou António Botto que o consideravam, sem autoridade que se visse, um escritor medíocre, promovido pelo regime. O único livro que Pessoa viu publicado, como sabe, foi o 2º prémio que obteve no concurso do S.N.I.. Os restantes textos que publicou, foram-no em revistas literárias que, hoje consideradas decisivas, eram, à época, meramente marginais. Quanto aos outros, foi o que se sabe.
O meu amigo considera, de facto, sem que nada lhe possa conferir autoridade para o afirmar, que Nicolau Saião é movido, naquilo que escreve, por algo estranho aos aspectos literários. É você quem diz isto: “Você considera a escrita do Saramago limitada? Quem é você? Não será adequado perguntar-se se não será você um pouco… limitado? Este sim parece-me um comentário suficientemente pedante e envinagrado de alguém que aparenta perceber português desde que com menos de quatro sílabas.”. Não sou eu. Ora Nicolau Saião é um homem que, além de também ele já premiado (se isso para si for importante, embora menos do que Saramago), desenvolve uma actividade literária intensa, quer em Portugal quer no estrangeiro. Não tem direito a dar a sua opinião? O feitiço volta-se contra o feiticeiro: e quem é você para o dizer? Que o meu caro riposte e procure fazer valer o seu ponto de vista, acho que é normal, legítimo e bem-vindo. Que diga o que disse, já não.
Já agora, todos ouvimos falar em anti-comunismo primário. Mas, atenção, também existe o anti-anti-comunismo tão primário como ele. Algo que tem vindo a encher as caixas de comentários deste blog.
Entretanto, enquanto eu redigia isto, Nicolau Saião escreveu na caixa de comentários:
Creio que não precisava de responder ao cobarde anónimo (anónimo porque cobarde?), mas por uma questão de respeito pelos leitores deste blog e pela verdade histórica e literária, respondo.
Quem eu sou mostra, com modéstia mas digna altivez, o que está patente seja na Net seja nos jornais e revistas e livros. Eu não preciso de um Nobel para me acalentar.
Até hoje, nenhum anónimo ou sem ser anónimo, cobarde ou não, me achincalhou nesse plano - não teria credibilidade.Você ou é um inculto ou um iletrado. Ou as duas coisas.
Sem dúvida, é um desonesto intelectualmente. E ponto.
Mas o que importa é dizer: Saramago, que Csezlaw Milozs (este também era invejoso?) classificou e muito bem como um escritor de segunda ordem alcandorado pela nova diplomacia, serviu apenas para trazer ao redil da doçura os estalinistas que sobravam (que sobram). Foi um prémio de consolação aos implodidos.
Não é por ser comunista, um mau comunista convenhamos, que Saramago não me interessa. Se Você não fôsse um primário saberia que tanto em Portugal como no estrangeiro (e não somente em jornais ou revistas pequenas, mas nalgumas onde o próprio Saramago escreveu tb) que autores como Aragon, Enrique Moriel ou Cesare Pavese os tenho epigrafado como geniais e significativos (que o eram).Você, como filho espiritual de Beria, não consegue ver além disto.
E a finalizar: o tentar amesquinhar-me, sem pelos vistos nunca me ter lido, é galardão que me dá. Pois foi também contra os tipos do seu jaez que fui construindo o que escrevo e faço.
Não é com desprezo que o encaro - mas com simples comiseração. Pois Saramago "explica" gente como Você.
nicolau saião

Dos esquerdopatas

Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil

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Das jangadas que faltavam aos "habitantes" dos Gulags

sexta-feira, 18 de junho de 2010

No Forum do PÚBLICO...

(
(imagem obtida aqui)
... escreveu hoje Nicolau Saião:

Da hipocrisia como uma das Belas Artes

Morreu Saramago e, como sempre, os habituais hipócritas ou interesseiros vêm-lhe festejar o cadáver. Nunca o apreciaram, mas dizem-se pesarosos. É o habitual. Eu também nunca o apreciei - quer como escritor, quer como pessoa. Como escritor, a despeito dos galardões, achei-o sempre limitado. Como pessoa era envinagrado e pedante (leiam-se as memórias do comunista, mas consistente, Orlando Neves, um dos melhores poetas lusos, e ficar-se-á esclarecido sobre a personagem). Mas nunca o ofendi, como muitos que agora fingem desgosto. Outros, por dever militante, tentam forçá-lo a prestar um último serviço... à "causa". Chamam-lhe homem livre. De facto, foi um estalinista, um apreciador de ditadores (quem esqueceu o elogio a Fidel e a Stalin, que segundo ele foi um homem de pulso?) e um homem de obediências cegas.
Mas era um ser humano, que merecia que não lhe babujassem o cadáver com fingimentos.

José Saramago

José de Sousa Saramago (1922-2010)

Relação entre criminalidade e estrangeiros na Holanda.


Uma lição em manipulação de números sob a pressão do politicamente correcto. Desta maneira os inúmeros problemas são varridos para debaixo do tapete até que as dimensões do tapete já não dê para mais, e depois não há outra solução, vota tudo no Wilders…

Tal como o autor deste artigo (a vermelho), passo a usar a palavra “autóctone” para designar os nacionais holandeses e “alóctone” para os “estrangeiros”. Não gosto da expressão mas tem realmente uma conotação ligeiramente diferente e é, sobretudo neste caso preciso, muito importante. Já vão perceber porquê.

A relação entre criminalidade e estrangeiros na Holanda: Eduard den Hollander.

Sempre existiu um tabu acerca desta problemática. As autoridades e os sociólogos sempre tentaram banalizar ou mesmo negar a criminalidade relacionada com estrangeiros, mas actualmente isso é cada vez menos possível. Assim é que a partir de um estudo do criminólogo Prof. Bovenkerk [na Holanda o grande especialista na matéria] ficamos de repente a saber que 30% dos turcos em Amesterdão directa ou indirectamente estão implicados na venda de droga. Uma percentagem desconcertante, que ele mais tarde e sob pressão política substituiu por “uma parte considerável”. Por outro lado, o comissário da polícia de Utreque confessou publicamente que 80% da criminalidade da cidade é causada por jovens marroquinos!

Apesar desta temática hoje em dia já não ser tão tabu como era antes (há uns anos atrás eu teria sido perseguido juridicamente por escrever este artigo!) continua a ser muito difícil conseguir dados fiáveis. Qualquer pessoa que viva ou visite frequentemente um bairro onde vivem muitos estrangeiros pressente instintivamente - não são precisos relatórios científicos - que a criminalidade é substancialmente mais alta entre estrangeiros do que entre autóctones. Mas será muito mais alta? É disto que trata este artigo.

Vejamos os números:

No ano passado foram proferidas 200.495 sentenças na Holanda. Dos condenados, 138.146 eram autóctones. Os restantes 62.449 eram alóctones e repartiam-se entre os seguintes grupos étnicos: marroquinos 12.243; turcos 8.052; antilhanos 7.981; surinames 14.824 e 19.339 restantes alóctones. A partir destes números podemos concluir que 31% dos condenados são de origem alóctone. E isso corresponde a um relatório do Ministério do Interior de 1998. Na altura o Ministério teve medo de o publicar porque achava estas percentagens demasiadamente altas. Mas se calcularmos estes números em função da densidade populacional de cada grupo, vemos que os marroquinos são condenados 4,9 vezes mais do que holandeses autóctones, os turcos 2,7, os antilhanos 9,4, os surinames 5,6 e os restantes alóctones 1,9.

Mas mesmo estes números não contam toda a verdade. Constatamos que no relatório uma grande percentagem de condenados é abusivamente considerada como AUTÓCTONES (holandeses). O sistema de registo da polícia assinala apenas o local de nascimento e a nacionalidade do suspeito. Conclusão, um alóctone da segunda geração que tenha sido naturalizado vai dilatar os números de condenados autóctones!!! Isto provoca uma enorme deformação nos dados, e ainda não vimos as diferenças entre os diferentes grupos (praticamente todos os surinames e antilhanos têm a nacionalidade holandesa, e neste caso a deformação é maior), mas fazendo uma média de todos os grupos étnicos, registamos uma deformação de 40%. Quer isto dizer que apenas 60% dos condenados alóctones são REGISTADOS como tal.

Se corrigirmos estes números – sem ter em conta as tais diferenças entre grupos que acabei de assinalar, fazendo uma média – temos o seguinte panorama: da totalidade dos condenados 20.405 são marroquinos, 13.420 são turcos, 13.152 são antilhanos, 24.707 são surinames e 32.232 são os restantes alóctones. Neste caso os autóctones (holandeses de origem) cometeram 96.580 delitos e todos os alóctones juntos 103.915. Com base no número total de condenações vemos que os alóctones, em números absolutos, cometeram mais delitos que os alóctones, apesar de representarem apenas 12% da população! Estes números são em si suficientemente desconcertantes e batem certo com uma notícia da revista Elsevier, que dizia que nas prisões os alóctones já são a maioria...

Se relacionarmos estes números com a percentagem populacional dos diferentes grupos étnicos obtemos os seguintes dados: Os marroquinos (em média) são 11,6 mais vezes condenados que os autóctones holandeses, os turcos 6,5 vezes mais, os antilhanos 22,3 vezes mais, os surinames 13,4 vezes mais e os restantes alóctones 4,4 vezes mais.

Mas provavelmente nem sequer estes números reflectem a dura realidade. Porque só a primeira geração de alóctones é registada como tal nas estatísticas sobre criminalidade, e grande parte dos delitos são cometidos pela segunda geração e estes não aparecem nas estatísticas. Não é preciso ser doutor em sociologia para notar que é precisamente a segunda geração quem pior se comporta. Sobretudo os jovens marroquinos e antilhanos. Mas também já há grupos étnicos menos numerosos, como por exemplo da Somália, que começam a dar que falar.

Talvez mesmo estes cálculos sejam demasiadamente indulgentes. Como já aqui referi, o comissário da polícia de Utreque afirmou que 80% da criminalidade na cidade é cometida por jovens marroquinos. Se tivermos em conta que eles representam 8,5% da população, e se compararmos com a percentagem de autóctones residentes na cidade, é fácil de calcular que os marroquinos de Utreque se comportam 65 vezes mais de forma criminosa do que os autóctones que lá vivem.

Como se vê, arranjar dados acerca da criminalidade relacionada com estrangeiros é como caminhar em areia movediça. É complicado e não se encontra apoio em lado nenhum. Os dados que normalmente nos apresentam são a maior parte das vezes manipulados porque os números reais são demasiadamente chocantes. Eu fiz estes cálculos a partir de uma recolha de muitos artigos de jornais e revistas, mas provavelmente ninguém sabe precisamente, nem mesmo a polícia, a dimensão real da criminalidade. Estes números, mesmo sendo já mais altos do que os que o leitor normalmente poderia ler na imprensa, até podem na prática ser ainda mais dramáticos. O dia a dia oferece-nos indicações suficientes para aquilo que acabo de dizer. Um amigo meu, depois de ter feito uma visita a uma prisão em Haia, garantiu-me que os únicos holandeses que lá encontrou eram os carcereiros….

Eduard den Hollander

P.S. Na Dinamarca a situação é muito parecida. Em Fevereiro de 2009 o psicólogo dinamarquês, Nicolai Sennels, publicou o livro Among Criminal Muslims: A Psychologist’s Experience from Copenhagen. (e parece que por causa disso foi despedido da prisão onde trabalhava!).

Neste artigo ele afirma que: “Currently 70 percent of the prison population in the Copenhagen youth prison consists of young man of Muslim heritage.” Isto são números muito parecidos com os da penitenciária de Amesterdão (Bijlmerbajes).