quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Gatos, tigres, porcos e raspadores de queijo

Quando o assunto é islamismo, é vulgar acorrer em tropel uma certa inteligentsia de esquerda, não a defender os méritos do Maomé, que isso é coutada do Dr Miguel Portas, mas a garantir que o cristianismo não é melhor e, se formos a ver bem, até é pior. Perante o nosso ar aparvalhado, segue-se uma longa diatribe sobre a Inquisição e as cruzadas, e uma série de maldade cometidas no tempo da Maria Cartuxa, pela hierarquia das igrejas cristãs.

Meus amigos, para começar, estou-me nas tintas para o que fez o Papa Nicolau não sei quantos, no tempo dos meus tataravós.
Isso não me aquece nem arrefece e, como não sou religioso, não aceito que me carreguem a albarda com pecados originais.
Para mim, as religiões não são todas iguais e encaro-as como felinos de estimação.
Tal como a religião, aparentemente têm menos serventia que um raspador de queijo.
Mas a verdade é que há milhões de pessoas que não têm raspador de queijo e são felizes proprietários de um ou mais gatos.
Parece pois evidente que os felinos servem uma finalidade qualquer, para lá da mera utilidade.
Que finalidade?
Não sei, mas tem algo a ver com a nossa humanidade, com os afectos, com a maneira como encaramos a vida, enfim dimensões que a posse de um raspador de queijo não alcança.

A religião cristã é um felino doméstico. Já foi mais selvagem do que é agora, já atirou as unhas aos olhos de muita gente, mas ao longo do tempo lá o domesticámos e, se bem que de vez em quando afie as unhas no sofá, largue alguns pêlos, mije nos cantos, mostre as unhas e nos olhe com aquele ar de enfastiada superioridade, está bem integrado cá em casa e dá-nos momentos de felicidade quando ronrona, quando se senta sobre os nossos papéis, enfim, quando nos exige carícias e atenção.

O islamismo é um tigre selvagem e está com rebarba. Não se deixa tocar, e na verdade é ele quem manda lá em casa. Os “proprietários” do felino escondem-se pelos cantos, andam aterrorizados e quando os vemos à janela, a berrar cá para fora, não é de felicidade por terem um tigre em casa, mas pelo facto de o bicho os estar nesse exacto momento a sodomizar sem anestesia.

Os agnósticos, como eu, não encontram serventia no felino de estimação, e basta-lhes o raspador de queijo, mas sentem que há ali qualquer coisa que não compreendem. Ok, não têm um felino em casa, mas vêem claramente que é melhor viver em casas com um que ronrona do que com um que arranca cabeças à patada.

Os ateus, esses detestam felinos e é por isso que pensam que são todos iguais. Se a gente lhes faz notar que um gatinho é ligeiramente diferente de um tigre de Bengala, passam-se dos carretos e recorrem à árvore genealógica dos felinos para nos provar que os ancestrais do nosso Tareco já foram uns ferocíssimos “dentes-de-sabre”
O problema dos ateus, é que têm necessidades que o raspador de queijo não soluciona. E como não gostam de felinos, adoptaram um porco racionalista como animal de estimação.
Para eles o porco é só vantagens, porque é mais inteligente, não larga pêlos, não afia as unhas, e é útil porque cheira trufas e dá uns presuntos das caraças, para além de febras e demais derivados. E também se pode acariciar, Ok, não ronrona, mas grunhe o que até nem lhes parece muito diferente.
Um animal perfeito, garantem.
Infelizmente, parece que o porco não só morde, como tem um cheiro execrável, já para não falar da bosta que larga pelos cantos e da maldita tendência para engordar como um porco.

21 comentários:

Paulo Porto disse...

Parabéns, Lidador. Para 'ler e guardar'.

Anónimo disse...

Ah, ah, ah... :-)
Já não me ria tanto há muito tempo.
Excelente texto.

Draco

-ml disse...

Tinha que ser! O bom da fita!
Nem um pingo de autocrítica lhe passa pelos neurónios.

Li o texto apenas na diagonal, adivinha-se de olhos fechados o que falta.
Veja lá o nível de exegese que é preciso. rsrsrsrs

Pois eu gosto muito de felinos. Gatos e tudo. E não estou no seu grupo (GSD).

osátiro disse...

Não creio que esteja tudo no mesmo saco.
Aquilo que a ICAR fez ao longo do tempo, em defesa dos mais pobres, supera muito-inquantificável!- o "rosnar" pontual que aconteceu numa época histórica bem definida.
Toda agente fala da Inquisição: mas esquecem-se de realçar que em 1498 a Rainha D. Leonor fundou as Misericórdias para cuidar dos mais necessitados, como faz ainda hoje.
E, por falar em cruzadas, é devido a elas que a Europa do Sul não está dominada pelo Islão.
Quanto às atrocidades do Islão, elas são mais que óbvias: só os defensores das tiranias,ontem stalinistas hoje islâmicas, as desculpam...

O-Lidador disse...

Obrigado pelas palmas, caros amigos, mas por vezes é necessário fazer desenhos para a gente perceber a equação.

Quanto ao ml, presumo, pelas patacoadas que vao aqui debitando e que muito me divertem, que tem um porco no sótão e que esta metáforazinha lhe descobriu o segredo.

Ainda bem....gosto de fazer boas acções.

Quanto à "autocrítica", vade retro satanás.
Você parece ser demasiado obtuso para saber estas coisas, mas a autocrítica era um ritual obrigatório no comunismo soviético e maoísta.
Só que, ao contrário da religião, em que o pecador bichana umas coisas ao ouvido do clérigo, no ritual comunista era um ritual público em que o indivíduo se expunha perante o colectivo, uma prática degradante e intimidatória que nunca me verá fazer.

Mas assinalo que aprecia o género. Parece que há aí um pequeno Estaline a latejar....

Em 2º lugar, as adivinhas não exigem que os olhos estejam abertos. Eu conheço muito boa gente que adivinha tão bem de olhos fechados como de olhos abertos.

Em 3º lugar, estou-me nas tintas para se tem gatos ou cães, ou cágados, ou cães de loiça.
Ninguém lhe perguntou nada, ora chegue-se para lá e vá fazer autocrítica para a mesquita do partido.

-ml disse...

Ena, ena, um post só para mim!
E eu ia dizer-lhe que 'metaforazinha' não tem acento, mas lá vem o cacarejar das fixações.
O que vindo de si é bastante curial, tem que convir!

Ninguém lhe perguntou nada
Bem, a si tb não, só que é o dono do blogue, eu sei, pode dizer tudo, até o que não sabe. Principalmente isso. Mas como o blogue está aberto a comentadores, nunca pensei que o pormenor do Salazar católico tivesse feito tanto estrago.

uma prática degradante e intimidatória que nunca me verá fazer.
Nem eu quero! Do que eu gosto mesmo é ver esse peito rasgado aberto à asneira.

Parabéns. Boa informação sobre o mundo comunista...

Rouxinol disse...

A caracterização dos ateus, para além de profundamente enviesada, carece de informação. O ateísmo e o agnosticismo respondem a questões diferentes, pelo que um agnóstico também pode ser uma ateu. Um teísta até pode partilhar o agnosticismo de um ateu.
Obviamente que a ameaça das religiões difere, consoante o peso de cada uma. O trabalho que os europeus fizeram com as suas religiões, é o mesmo que os muçulmanos vão ter que fazer nas suas respectivas casas. A diferença entre as religiões é apenas o tempo que levam de domesticação, mais nada.

osátiro disse...

Ó Rouxinol ameaça das religiões!!!
Essa é boa.
Vá dar uma volta( no bom sentido) pelos lugarejos do interior ou pelos lugares mais pobres das áreas metropolitanas e veja se não é a ICAR que salva os mais necessitados, os que são esquecidos pela sociedade e poder político!
A ameaça consiste em dar dignidade ao ser humano, em evitar que a degradação seja pior.

Range-o-Dente disse...

Rouxinol:
"[...]pelo que um agnóstico também pode ser uma ateu. Um teísta até pode partilhar o agnosticismo de um ateu. "

Adoro esta coisa de "pode ser". É a melhor ferramenta para se pretender que se tome a excepção pelo todo sem se dar o flanco e sem se correr o risco de demonstrar que não se defende coisa alguma apenas se defende que, havendo casos excepcionais, nem valerá a pena ter opinião.

Caro Rouxinol, pode ser que a coisa seja como que diz mas pode também dar-se o caso de ser apenas mais uma faceta do fim do mundo em cuecas.

Paulo Porto disse...

Caro Rouxinol

O ateismo, sempre como componente fundamental de algumas ideologias, foi a postura religiosa mais assassina dos dois últimos séculos.

E não se pense que a fé anti-religiosa foi apenas de Esquerda. Na América Latina foi de direita. Tente saber alguma coisa sobre a 'guerra cristera' no México. Alías, por motivos paralelos Portugal no tempo da I República era conhecido na Europa pelo 'Pequeno México'.

Por fim, agnosticismo e ateísmo são, pelo menos por definição, incompatíveis. O ateísmo é uma fé que tem a certeza - a certeza dos crentes - que Deus não existe, e que oposições contrárias - a dos infieis - devem ser combatidas. O agnosticismo, pelo contrário, é desprovido de fé e assume a incapacidade de se ser conclusivo sobre o assunto.

Rouxinol disse...

Caro osátiro "Vá dar uma volta( no bom sentido) pelos lugarejos do interior ou pelos lugares mais pobres das áreas metropolitanas e veja se não é a ICAR que salva os mais necessitados, os que são esquecidos pela sociedade e poder político!"

O hamas e o hezbollah também fazem caridade, e eu não vou deixar de os considerar perigosos. Pelo contrário, exige-se o dobro da vigilância ao lobo que se veste de cordeiro.

Caro range-o-dente, "Adoro esta coisa de "pode ser". É a melhor ferramenta para se pretender que se tome a excepção pelo todo"

Eu não tomei o todo pela excepção, exactamente porque o ateísmo não é um subgrupo do agnosticismo. A verdade é que a maioria dos ateus até são agnósticos.

(1) Deus existe?
(2) Acreditas em Deus?

O agnosticismo e o ateísmo, respondem a (1) e (2) respectivamente. O agnosticismo, como o definido por Huxley, é um método e não uma crença, que aceita que fiquem sem resposta as questões que nos transcendem. Esta é uma posição partilhada por muitos teístas, exactamente porque separam a crença do conhecimento, e não tomam uma pela outra. Uma crença não tem que ser demonstrada (teísmo), tal como a sua inexistência (ateísmo).
Se me perguntarem se eu acredito em Deus, eu direi que não. Serei um ateu, alguém que não tem a crença em entidades divinas. Não ter a crença numa entidade divina, não é a mesma coisa que ter a crença na inexistência de uma entidade divina (este é o busílis da questão). Por isso, ao contrário do que afirma paulo porto, eu posso ser ateu (não ter crenças) e agnóstico (deixar sem resposta as dúvidas existenciais que sustentam as crenças dos outros). É exactamente isso o que me considero.

O-Lidador disse...

"O trabalho que os europeus fizeram com as suas religiões, é o mesmo que os muçulmanos vão ter que fazer nas suas respectivas casas. "

Ah,..vão ter de.
Porquê?
Porque você acha?
Está mesmo convencido que sabe o futuro e que são as suas convioções que ditam o desfecho dos acontecimentos?

"A diferença entre as religiões é apenas o tempo que levam de domesticação, mais nada."

Acha?
Ora então faça a seguinte experiência:

Vá à rua e apanhe um gato na esquina.
Vá à ìndia e traga um tigre.

E depois proceda aos esforços de domesticação convenientes.

Tome notas, faça o devido relatório e prove que o que está em causa é apenas o tempo.

Se fizer a coisa bem feita, prometo que mudo de ideias.

Quanto ao ateísmo, sim, eu sei que os porcos existem.

O-Lidador disse...

"Se me perguntarem se eu acredito em Deus, eu direi que não".

E se lhe perguntarem se acredita que não existe?

P.S. Devo dizer-lhe que ao fazer esta afirmação, se driblou a si próprio. Uma vez que colocou a questão no campo da crença, não tem por onde fugir. Não pode provar nem uma coisa nem outra, e então diz que não acredita.

Leis de De Morgan, meu filho.
Pura lógica matemática. Negar uma afirmação é afirmar o seu contrário.
Negar um conjunto é afirmar o conjunto complementar.

Ou seja, você é ateu e acredita que o porco é melhor que o gato.

ml disse...

Caro porto

O ateísmo é uma fé que tem a certeza - a certeza dos crentes
Mas isto é muito interessante.
Quer dizer que somos todos crentes pela negativa? Quantos graus abaixo de zero? Os proporcionais à crença positiva dos crentes crentes?

E em quantos sistemas religiosos é que a nossa fé (não)acredita?

Crê em Zeus? Em Júpiter? Em Wotan? No Boi Ápis? Em Ra? Dagda? ...

Afinal, até temos alguma coisa em comum, uma fé ilimitada numa não qq coisa de que duvidamos seriamente que exista. Como os homenzinhos verdes de Marte, por exemplo. Ou o homem da lua com o feixe de lenha às costas. Verificou-se in loco que não há lá nada à vista, mas se formos por esse caminho...
E já temos agora mesmo em segundos mais uma ou duas crenças para partilhar.

carmo da rosa disse...

A apresentação esquemática que o Lidador faz das diferentes relações com o altíssimo ganha em clareza mas, como é normal numa (necessária) generalização deste tipo, peca irremediavelmente por falta de precisão. Não acho que seja grave, para ser franco, sou dos que dou mais atenção à clareza do que à precisão. Mas neste caso preciso, como a coisa me toca, gostaria apenas de dizer que não me reconheço totalmente na descrição que ele faz do ateu, graças a Deus…

É verdade que grosso modo acho os felinos em princípio todos iguais. Imagino que todos eles têm uma pequena falha na programação, no software, porque também já fui felino. Ou seja, até aos 7 anos acreditava no Pai-natal, mas depois cresci.

Mas na prática, e só a prática é que conta, a coisa é muito diferente. Detesto sim, mas só o pensamento, nunca o felino. Aliás faço a mesmíssima e rigorosa separação, entre corpo e alma, entre ideologia e o homem, em relação aos meus irmãos muçulmanos. O meu intrínseco ateísmo não me impede de maneira nenhuma de ter por agnósticos, e mesmo por certos crentes empedernidos, uma admiração bem maior do que aquela que tenho por inúmeros ateus.

Respeito pela religião? Não tenho. Tenho sim respeito pelo religioso, sobretudo aquele que não me chateia a mona, que não me persegue, que não delimita o tamanho das saias das mulheres, que não me prescreve como e com quem devo fornicar e que, por favor, santa paciência, não me venha dizer que a Terra é plana e que o Sol gira à volta dela….

O-Lidador disse...

Boa retorta, ó primo.
Mas o ponto é mesmo esse. Nem todas as religiões são iguais e há umas que são mesmo muito perigosas.

O ateísmo militante é tb muito perigoso, como a história do sec XX provou galhardamente.

E como a generalidade das pessoas necessita mesmo de um animalzinho de estimação, melhor que seja o gatito.
Pelo menos parece haver uma estranha correlação entre sociedades que têm Tarecos, liberdade e bem-estar.

Não deve ser por acaso, digo eu, que não morro de amores pela religião, sagrada ou profana e que ainda há tempos dei por mim a apoiar um indivíduo cá da terra que barafustva e bem, com o barulho do sino da igreja a todos os 15 minutos.

Agora, há um facto incontornável: o homem em geral necessita de um sistema de crença. Exige-o o facto de saber que vai morrer.

Por isso todas as sociedades humanas criaram religiões. Os gatos não.
Nem os porcos.
Nem os cães. Nem as galinhas.

Há na religião algo que é intrínseco ao ser humano e só a ele.
Por vezes dou por mim a perguntar-me, dada a minha completa falta de fé na transcendência, se não serei apenas, parafreseando o vate, um "cadávar adiado que procria".
Como as bestas!

O-Lidador disse...

Nem de propósito, estas palavras de Ian McEwan ("Expiação")
autor do livro "Expiação" cuja



" I think (religion) is ineradicable, and I think it is a terrible idea to suppress it, too. We have tried that and it joins the list of political oppression. It seems to be fairly deeply stitched into human nature. It seems to be part of all cultures, so I don't expect it to vanish. And yet at the same time, if it is built into human nature, why are there so many people who don't believe in it? I think it is important that people with no religious beliefs speak up and speak for what they value. It is a bit of a problem, the title "Atheist"--no one really wants to be defined by what they do not believe in. We haven't yet settled on a name, but you wouldn't expect a Baptist minister to go around calling himself a Darwinist. But it is crucial that people who do not have a sky god and don't have a set of supernatural beliefs assert their belief in moral values and in love and in the transcendence that they might experience in landscape or art or music or sculpture or whatever. Since they do not believe in an afterlife, it makes them give more valence to life itself. The little spark that we do have becomes all the more valuable when you can't be trading off any moments for eternity."

Este anda perto do que eu penso.
Tb encontro a transcendência numa boa escalada e num bom vinho.

Rouxinol disse...

"Ah,..vão ter de.
Porquê?
Porque você acha?"


Porque disso depende a liberdade das pessoas.

"Está mesmo convencido que sabe o futuro e que são as suas convioções que ditam o desfecho dos acontecimentos?"

São desejos, não é futurologia.

"Acha? (...) Vá à rua e apanhe um gato na esquina.
Vá à ìndia e traga um tigre. E depois proceda aos esforços de domesticação convenientes."


Não é preciso fazer isso, basta saber história e estudar os tigres que habitavam a Europa, para os saber comparar com os gatinhos que deixaram. Sim, é apenas um processo de alegorização dos disparates bíblicos, feita com complexas hermenêuticas e paciência de santo. A bíblia também condena à morte os judeus, os homossexuais, os infiéis, os ateus, os adúlteros e adúlteras and so on. Hoje ninguém liga. Ao invés, um enorme número de muçulmanos ainda liga a estes disparates. É só esse trabalho de domesticação que têm que fazer.

"E se lhe perguntarem se acredita que não existe?"

Digo que não sou de crenças.

"Leis de De Morgan, meu filho.
Pura lógica matemática. Negar uma afirmação é afirmar o seu contrário."


Temo que não tenha percebido as duas perguntas.
Eu não neguei a existência de Deus. Eu neguei a crença em Deus.

O-Lidador disse...

"Porque disso depende a liberdade das pessoas. "

Argumentação disparatada, rouxinol.
As coisas não têm de ser da maneira X ou Y, só porque você acha que é assim que deve ser.
Disso depende a liberdade? Mas que parvoíce é essa?
Você é capaz de garantir que amanhã não haverá acidentes rodoviários porque disso depende a vida das pessoas?


"São desejos, não é futurologia. "

Ah, bem, então não se pode discutir consigo. Se perante a realidade argumenta com as suas utopias, a realidade perde sempre.

" estudar os tigres que habitavam a Europa, para os saber comparar com os gatinhos que deixaram"

Não é essa comparação que lhe sugeri.
Comparar-me a si com o Cro-magnon é interessante, mas injusto para o Cro-magnon. Você tem o lastro de milhares de anos de civilização e evolução.

Pedi-lhe que comparasse espécimes contemporâneos.

Um gato é um gato e um tigre é um tigre. Não é o tempo que os separa, é o facto de serem espécimes diferentes que evoluiram de antepassados comuns.
O nosso gato não é derivado de um tigre, meu caro, é um ramo diferente de uma mesma arvore.

Acho que não compreendeu a teoria darwinista.
Talve seja essa a explicação da inaninade dos seus "argumentos".


"Digo que não sou de crenças."

Não? Mas lá atrás era.


"Eu não neguei a existência de Deus. Eu neguei a crença em Deus."

Nega a crença em Deus?
Chiça, já olhou à sua volta?
Já se apercebeu de quantas pessoas acrteditam em Deus?
Não, meu caro, você não acredita em Deus e ponto final.
É uma questão de fé, porque não sustenta essa crença em factos ou provas.

Quando muito poderia achar que é uma evidência que Deus não existe, segundo a metodologia de Descartes.
Mas não foi nesse plano que você se colocou.

rouxinol disse...

"As coisas não têm de ser da maneira X ou Y, só porque você acha que é assim que deve ser."

Foi por isso que eu disse que não estava a fazer futurologia. O que eu defendo nem sempre acontece.

"então não se pode discutir consigo. Se perante a realidade argumenta com as suas utopias, a realidade perde sempre."

O lidador é que acha que domesticar o Islão é uma utopia, eu acho que é exequível.

"Pedi-lhe que comparasse espécimes contemporâneos."

Já o fiz ao dizer que é diferente o perigo das religiões consoante o peso de cada uma. Estou naturalmente a dizer que existem religiões que atentam de uma forma mais peremptória contra a liberdades das pessoas. Só não acho que não seja possível reverter essa situação.

"Não? Mas lá atrás era."

hhmm?!

"Nega a crença em Deus?"

Sim.

"Já se apercebeu de quantas pessoas acrteditam em Deus?"

argumentum ad populum

"Não, meu caro, você não acredita em Deus e ponto final."

Está correcto, foi o que eu afirmei. Ao dizer que não acredito em Deus, não estou a afirmar que ele não existe. Foram as tais duas questões a que respondem o agnosticismo e o ateísmo, a que acima fiz referência.

"É uma questão de fé, porque não sustenta essa crença em factos ou provas."

Aplique as leis de Morgan como deve ser. O conjunto que complementa o "crentes em Deus", é o "não crentes em Deus", e não o "crentes na inexistência de Deus".
O grupo "crentes na inexistência de Deus" é um subconjunto do grupo "não crentes em Deus", mas não é desse que eu faço parte. O grupo "crentes em Xenu" também é um subconjunto do grupo "não crentes em Deus", e desse eu também não faço parte.

"Quando muito poderia achar que é uma evidência que Deus não existe, segundo a metodologia de Descartes.
Mas não foi nesse plano que você se colocou."


Exacto. Eu aceito ser incapaz de provar a sua inexistência (agnóstico), mas não é por isso que tenho que acreditar nele (ateu).

Paulo Porto disse...

Caro Rouxinol

"Ao dizer que não acredito em Deus, não estou a afirmar que ele não existe"

É aqui que vc se perde de si mesmo e sem esperança de se reencontrar. Repare que acabou de dizer 'as minhas certezas não são de fiar, até eu reconheço isso.' Considerando as coisas dessa forma, tenho de admitir que para si ateísmo e agnosticismo se sobreponham.