segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O BUSH ENGATOU UMA KOSOVARA MUITA BOA…



No 5Dias.net, Paulo Pinto, numa Síndrome de Jedi não resiste à infame imagem de ver “Muçulmanos a correr de bandeira americana em riste”, realment! (isto deve ser pronunciado à francesa). Vou enfiar isto como comentário no 5Dias, mas primeiro publico no FIEL INIMIGO – para ver se arranjo uns fieis amigos…

C'um carvalho, isto é de bradar aos céus!
Meu amigo, quer se goste ou não, a independência do Kosovo é tão INEVITÁVEL como o fim do Apartheid. Como o fim da guerra colonial em Angola. Como a devolução de Goa, Damão e Diu à Índia… e Macau aos chineses, ou não será assim?

É assim tão difícil de compreender que 90% das gentes que habitam o Kosovo são de origem albanesa, não são cristãos ortodoxos, e ainda por cima foram sempre muito mal tratadinhos pelos sérvios? Que culpa temos nós que os sérvios não soubessem colonizar o seu BERÇO? Que não perdessem a batalha de Polje em 1389, ora que merda….

Os sérvios, assim como os portugueses - que se recusaram na altura dar a atenção devida ao livro do Gen. Spínola, Portugal e o Futuro -, burros como um cepo, deixaram ir a coisa tão longe, tão longe, que uma solução ‘neo-colonial’ deixou de ser viável. No que nos diz respeito, houve na Índia a vergonhosa prisão das tropas portuguesas em campos de concentração durante 6 meses, em Angola, a bagunça que sabemos: a tragédia dos retornados e a destruição completa das poucas infra-estruturas que os portugueses deixaram numa sanguinária guerra civil.

E as relações (preferenciais) comerciais com o actual governo de Angola, por exemplo, vai no Batalha… Olhe, senhor Paulo Pinto, agradeça aos seus maîtres à penser Oliveira Salazar e Marcelo Caetano…


“Muçulmanos a correr de bandeira americana em riste não é, reconheça-se, imagem habitual. E, no fim de contas, cá estarão os Jedi para zelar pela paz e pela justiça no Cosmos.”

Voilá, descobriu-se a careca ao Sr. Pinto! Eu vi logo que isto cheirava a enxofre. Claro que os americanos, geneticamente maus como às cobras, são presos por ter cão e presos por não ter!!! Logo a seguir o Sr. Paulo Pinto lança a pergunta retórica com ar inteligente: "Ninguém parece perceber que o envolvimento americano na questão serve primordialmente de manobra estratégica para fazer mossa à Rússia e para criar um enclave de apoio americano na Europa Central."

Não, eu não percebi! Mais alguém percebeu?
Haverá outras razões, que não sejam estratégicas na política externa dos países?
Será que o Bush engatou para aqueles lados alguma kosovara muito boa, e quer lá passar férias sem ser incomodado pelos Cetniks, por ter bombardeado, mais uma vez ilegalmente, Belgrado?

9 comentários:

EJSantos disse...

Durante a II Guerra Mundial, os alemães fizeram grandes massacres dirigidos contra os sérvios. Algumas zonas da Sérvia, como por exemplo, o Kosovo, ficaram quase despovoadas. Os albaneses aproveitaram para emigrar para aquelas terras, com a aprovação dos asquerosos nazis.
Independencia do Kosovo: inevitável?
Eu acho triste...
Draco

Unknown disse...

Caro Cdr, inevitável só a morte as bostadas da Ml aqui no blogue.

Aqui tenho de discordar de si. Sim, é verdade que a maioria da população do kosovo é albanesa. E daí?
A maioria da população do País Basco é basca, a maioria da população do norte de Bélgica é flamenga, a maioria da população da Republica Srspka é sérvia, a maioria da população do Bairro da Bela Vista é africana, a maioria da população da Galiza é galega, a maioria da população do Algarve é algarvia e por aí adiante.

O problema está exactamente na caixa de Pandora que foi aberta e menos no caso particular do kosovo.

Não havia para ali soluções perfeitas e indolores, mas esta poderá ter repercussões do caraças.

Note que o que aconteceu nos Balcãs, é o retorno ao ciclo histórico que está na base do significado da palavra "balcanização".
E essa pode agora acontecer em milhentos locais.

A começar pela Bósnia e a acabar na Geórgia, passando pelo Líbano, Iraque, Damaia, etc.

Vai haver consequências e estas sim, eram evitáveis.

Nada a fazer agora. Mais tarde ou mais cedo o Kosovo vai unir-se à Albánia e quem triunfa afinal é a visão do Adolfo do bigodinho.

Tudo isto para dar uma canelada ao Putin que, burro como as casas, estava mesma a pedi-la.

Carmo da Rosa disse...

Caro Draco ou ejsantos, eu sei lá:

Acha triste? Então é fadistaaaaa.

Tudo isto exiiiiiiste
Tudo isto é triiiiiiiiste,
Tudo isto é faaaaaaaaado.


1918: Criação da Jugoslávia, neste momento os kosovares perdem uma porrada de direitos que tinham sob a ocupação turca-otomana.
1929: O Kosovo é dividido em ‘bantustans’ sob a pata da ditadura monárquica Serva.
1935: Os kosovares são vítimas de expropriações.
1941: Invasão dos asquerosos. Muitos colonos sérvos põem-se nas putas. Mas durante a guerra (contra os asquerosos) Tito promete para depois da guerra a criação da República do Kosovo, no âmbito da Federação Jugoslava - SE os kosovares ajudarem a combater os asquerosos, claro. Grande número de kosovares que colaboraram com os asquerosos piram-se do Kosovo em, mas também depois de, 1943.
1945: O Kosovo torna-se uma região autónoma no seio da Republica Sérvia que, por sua parte, faz parte da Federação Jugoslava.
1963: O Kosovo torna-se uma província autónoma no seio da República Serva.
1974: O Kosovo recebe completa autonomia no seio da Sérvia.
1980: Tito dá o badagaio.
1981: Os kosovares exigem para o Kosovo o estatuto de república. Início da coboiada….

O resto faz parte da história…

Caro Draco ou ejsantos, isto deu-me uma trabalheira filha-da-puta, para a próxima você fica-me a dever uma garrafa de vinho tinho - de preferência região demarcada do Alentejo ou Douro. Tá.

Carmo da Rosa disse...

Tu também, primo?

Tou feito. Deixei de falar consigo durante três semanas e você deu em esquerdista!!! Olhe, vou deserdá-lo, vou dizer ao outro para lhe oferecer só meia-caixa de Cartuxa…

Vou-lhe responder num post que estou a preparar. Vai ser um pouco mais completo, mas não muito diferente daquilo que respondi, pela segunda vez, ao Paulo Pinto no 5Dias.

Por enquanto o único bacano que vê a coisa bem (à minha maneira) é o Ezequiel. Grande resposta ao Paulo Pinto. Vá lá dar uma olhadela – o Ezequiel está mesmo em grande forma. Não seria possível comprá-lo para o nosso plantel? Nem que seja a prestações…

Caro ML,

Estava ultimamente todo na sua onda, mas você agora decepcionou-me fortemente com essa história das universidades americanas!!! Eh pá não se faz. Depois do Kosovo vou-lhe dedicar um post só para si. Vai-me dar uma trabalheira do camandro por causa dos números… mas faço por amor à camisola.

EJSantos disse...

Do Douro. Sou de lá e conheço as boas marcas...
Mas já agora, quem fecha a caixa de pandora?
Sem fadismos nem fatalismos.

Paulo Porto disse...

Caro ejsantos
"Algumas zonas da Sérvia, como por exemplo, o Kosovo, ficaram quase despovoadas. Os albaneses aproveitaram para emigrar para aquelas terras, com a aprovação dos asquerosos nazis"

Não foi assim. O afluxo de Albaneses ao Kosovo aconteceu há mais de três séculos quando os turcos se serviram deles para refrear a capacidade de revolta dos sérvios. Há mais de 300 anos que existe uma maioria albanesa no Kosovo.

EJSantos disse...

Ai, porra, só disse asneirada! É no que dá aprender História no Canal Disney!

Ok, ok, dou a mão à palmatória, espalhei-me no que toca a História (e ainda por cima é um assunto de que gosto muito!). Mesmo assim, em termos de diplomacia e direitointernacional, foi aberto um precedente grave.

Anónimo disse...

Ok, ok, dou a mão à palmatória, espalhei-me no que toca a História (e ainda por cima é um assunto de que gosto muito!). Mesmo assim, em termos de diplomacia e direitointernacional, foi aberto um precedente grave.

Ao dar a mão à palmatória, prova que é um gajo com tomates… e ganhou 10 pontos na minha consideração.

Não acredito em precedentes, porque a política não se rege por moral. Rege-se, como eu disse no post, pelo mementum político. Por outras palavras, quando estão reunidas as condições ideais para avançar com um projecto. (devia ter acrescentado isto ao meu post para a coisa ficar mais clara)

O mesmo aconteceu aos curdos no Iraque, aproveitaram o momento, a queda de Saddam, o apoio político dos EUA e são hoje de facto independentes. Os curdos da turquia têm menos sorte - não há moral nestas coisas – , porque a Turquia é, por enquanto, um aliado muito importante dos EUA… Os turcos que se lembrem de apoiar os russos ou os Talibãs contra os americanos, e não deixem Israel usar o espaço aéreo, e você vai ver como o PKK apesar de marxista-leninista terá todo o apoio americano que quiserem para se tornarem independentes também…

Anónimo disse...

Sr. carmo, pode esfalfar-se a colher números que entender porque o que contei corresponde à realidade. Não à sua onda, mas as ondas têm destas coisas, fluxos e refluxos, e isso já é um problema entre si e si. Não sei como é que simples factos o podem desiludir assim tanto, mas talvez seja porque as suas expectativas eram muito altas.

Acompanhei de muito perto o mestrado que lhe referi, e eu, que estou bastante distante daquela área, não teria tido qq dificuldade em realizar as provas finais com um pouco de estudo. E não é por acaso que uma grande fatia de americanos frequenta vários mestrados depois do bachelor degree, às vezes bastante tarde até já na vida, mestrados esses que corresponderão sensivelmente aos últimos anos da licenciatura das universidades portuguesas. Agora com o acordo de Bolonha as coisas por cá ficarão com alguma correspondência de estrutura e os mestrados é que irão de algum modo complementar as habilitações antes fornecidas pelas licenciaturas.

E o que contei, aliás, só confirmou o que se passava há muitos anos na Universidade de Coimbra e provavelmente noutras e em outras épocas, mas falo do que conheço. Só que sempre pensei que seriam questões que tinham mais a ver com a personalidade das pessoas em si do que com metodologias ou triagem de matéria.
Tive dois professores americanos, um no 1º ano, outro no 3º. Um deles, além da matéria que leccionava no meu curso, ensinava tb português a portugueses.
Eram o que hoje se chamam professores convidados, na altura não sei. Tinham os dois uma postura muito diferente da dos portugueses, o que só por si já facilitava a aproximação e não permitia perceber o que fazia a diferença, se a matéria se a maneira de a abordar.
A minha turma foi a inveja da outra, com um professor português, por ser considerada privilegiada quanto a conteúdos e avaliações.

Mais tarde, numa outra disciplina e com outro professor, foi outra surpresa ainda mais agradável. Era fácil, muito fácil e pouco extensa apesar de anual, nada a ver com o restante currículo. Seguia a planificação da universidade americana e não da portuguesa, pois pouco depois o professor publicou um livro com o curso, que teve a elegância de dedicar à nossa turma.
Todos gostámos, é mais do que evidente, assim como do professor, que era impecável no tratamento connosco, ao contrário da maioria dos portugueses. Foi uma cadeira à qual ninguém precisou de ir a exame porque a despachou com uma perna às costas logo no final do ano lectivo. Para os exames ficaram os cadeirões que levavam as férias a debulhar.


Há um famoso livro que continua a levantar grande poeira nos Estados Unidos e que foi um daqueles best-sellers que rebentam com as tabelas, “The Closing of the American Mind: How Higher Education Has Failed Democracy and Impoverished the Souls of Today's Students”.
Para lhe afastar desde já os pruridos informo-o de que o Allan Bloom era um homem de direita, ultra conservador, que atacou violentamente a universidade americana responsabilizando os conceitos de relativismo, correcção política (a outra formulação ainda não se usava nem era repetida até ao fastio), multiculturalismo, etc. As delícias bíblicas da direita. Direita essa que se agarrou ao livro como uma lapa para o brandir contra os malefícios do ensino universitário americano.

O Bloom faz uma análise muito funda e detalhada do que considera a decadência da educação universitária nos EU, afirmando que os jovens americanos, quando durante a II GG pela primeira vez chegaram à Europa, se confrontaram com o fosso entre os seus conhecimentos e os conhecimentos dos estudantes europeus, e que esse fosso continuou a alargar. E que tinha havido uma década lá pelos anos 50 durante a qual, com a entrada de crânios europeus no rescaldo da guerra, parecia que a coisa ia compor-se, mas logo logo o maldito padrão da educação liberal se insinuou no campus e a matou no ovo.

Este livro tem vinte anos, e muita água já passou entretanto debaixo das pontes, lá e cá, onde as coisas tb não têm sido gloriosas, mas pelo apego com que continua a ser estudado, sublinhado e agitado pela direita penso que a percepção que têm é de que a situação não terá mudado assim tanto. Ou pelo menos eles assim o transmitem ao vulgo e à puridade, numa lamentável atitude de antiamericanismo primário.

Há milhares de universidades, colleges, graduate schools, cursos nos Estados Unidos, embora apenas uma pequenina parte conceda licenciaturas, e são muitas as coincidências e os testemunhos que confirmam aquilo de que me apercebi. Ficam de fora as universidades de excelência, que são ainda muitas para a escala europeia, e outras que não sendo tão conhecidas praticam um ensino exigente.

Quando muito não acredita em nada do que digo mas isso já é um outro departamento rigorosamente da sua gestão pessoal.