segunda-feira, 31 de março de 2008

Mentalidades


Regressei hoje do paraíso fiscal: volumes de tabaco a 17 euros, garrafas de vodka a 3 euros. Esta ausência de impostos foi o motivo pelo qual eu encontrei, pelas paragens de Pas de La Casa, os mais variados espécimes humanos, que de humanos têm pouco. Bebedeiras, mocas, e outros acontecimentos marcaram esta viagem de finalistas, na qual participaram alunos de todo o país. Em Lloret del Mar, onde os preços são idênticos aos de Portugal, passou-se o mesmo. O paraíso fiscal não foi, portanto, o responsável pelo panorama encontrado.

Confesso que já estava à espera de encontrar o que encontrei. As viagens de finalistas promovem a emancipação daqueles que por cá estão mais sossegados e a confirmação dos que por cá estão mais activos. Em Andorra, em Lloret del Mar, ou em outro qualquer paraíso idílico para o comum estudante Português, acaba sempre por vir ao de cima a irreverência normal da idade e a insolência, a irresponsabilidade e a ignorância típica do grosso dos jovens que um dia serão adultos neste país.

Raras são as excepções à regra e eu próprio não sou um exemplo puro. Ninguém é exemplo. No entanto, existem limites que não transponho. E existem outros tipos que, tal como eu, também não transpõem. Estes tipos são as tais excepções à regra.

Alguma coisa anda mal quando acontecem casos como a da Carolina Michaelis. Alguma coisa anda mal quando encontramos índices de criminalidade altíssimos nas escolas. Alguma coisa anda mal quando encontramos elevadíssimos índices de deliquência juvenil. Alguma coisa anda mal quando se faz aquilo que se quer dos professores. Alguma coisa anda mal quando se desrespeita todas as normas de civismo.

A culpa? Cada caso é um caso, e um cada vez mais bicudo que o outro. Pode-se atribuir culpas ao governo e às suas políticas, mas isto é o típico "sacudir água do capote". A maioria das culpas está na educação dada pelos pais, nas mentalidades e na capacidade de reagir às adversidades que o mundo actual tece.

Não existe homogeneidade nos grupos/escalões afectados. Encontra-se de tudo um pouco nesta malha: ricos, pobres, inteligentes, ignorantes, brancos, amarelos ou negros. Uns com índices maiores, é certo, mas nada de muito abismal.

Quando me desloquei a Rio de Mouro para o encontro nacional de associação de estudantes (ENAEESB), tive a oportunidade de dialogar e trocar impressões com outros colegas de diferentes pontos do país. Qual não foi o meu espanto quando me deparei com uma retórica inflamada, ao estilo festa do Avante. O encontro nacional parecia um comício do Partido Comunista Português, com alunos a pedir mundos e fundos, a reclamarem com aquilo que não tem reclamação possível e a defender o que nunca pode ser defendido. Estes alunos irão representar os alunos do Secundário junto da ministra da Educação e, salvo erro, a minha delegação foi a única que votou contra a moção apresentada, que possuía enormes parecenças com o Manifesto do PC.

Convém referir o porquê destas parecenças: as escolas de Setúbal e de Lisboa estavam em plena maioria (alunos com menos possibilidades, maior criminalidade e maiores dificuldades); o pessoal que anda no secundário gosta muito de fumar uns charros e de beber uns copos. Esperava, quando me desloquei a Rio de Mouro, que alguém tivesse uma posição semelhante àquela que defendíamos. Porém, não encontrei ninguém e, quando me retirei juntamente com os meus dois colegas, ouviram-se apupos.

Isto
porque eu próprio tenho retórica inflamada...

Deixo-vos algumas das pérolas da moção:

"os exames nacionais são um filtro ao acesso ao ensino superior" - esta malta queria que existissem 1000 advogados, mas o pior é que não há mil crimes por resolver...

"cerca de 50% dos alunos recorrem às famosas explicações, sendo que a estas só podem recorrer aqueles que possuem melhores condições económicas" Propõem que se elimine as explicações, pois nem todos têm acesso a elas.

"(acerca da educação sexual) fica demonstrada a falta de informação"

"O actual governo PS" - esta frase é repetida 4 ou 5 vezes durante toda a moção.

"(acerca das aulas de substituição) os alunos fechados numa sala de aulas, onde nem sequer estão a desenvolver trabalho produtivo para a formação pessoal" - não estão porque não querem!

"a passagem da gestão das escolas para uma empresa nunca vai resolver o problema das escolas degradadas"

"Em termos de números referentes aos exames nacionais de 12º ano, estavam inscritos 176794 estudantes, e destes apenas 113148 tiveram oportunidade de se candidatar ao ensino Superior, pois os restantes tinham menos de 9,5 valores" - Será que não percebem que nem toda a gente pode entrar na universidade? Será que os alunos que não tiram positiva num exame directamente ligado ao curso que vão tirar, podem entrar nesse curso? Será que devemos permitir a entrada de quem não "merece" nas universidades?

"e saída para o mercado de mão-de-obra pouco qualificado sendo, portanto, facilmente explorados" - a 2ª pérola das pérolas.

"O objectivo do governo é afastar do sistema de ensino os filhos das classes mais baixas" a 1ª pérola das pérolas.

"(alguém da plateia) Em Cuba a educação é grátis!"

Tudo isto para quem está de fora ter noção da malta com que estão a lidar. Este pessoal só quer regalias, não quer obrigações nem tão pouco quer mexer uma palha para mudar aquilo que está errado. A revolta anarquizante enraízada dentro das escolas é algo bem patente nos estabelecimentos de ensino nacionais. Sempre que ocorre algo do qual não gostam, a culpa nunca é deles, é sempre do professor.

As negativas são culpa do professor. Os atrasos são culpa da rigidez do professor. Os preços da cantina são culpa da escola.

Gosto muito das escolas que frequento mas também concordo que poderiam e deveriam ser melhoradas. No entanto, não entendo nem partilho da opinião do grosso dos alunos que atribuem as culpas dos maus resultados e de tudo o que lhes acontece na escola aos professores, à escola, ou à ministra.

O problema está nas mentalidades. Os alunos não sabem lidar com a liberdade e a democracia que muitos no passado não usufruíram. Muitas vezes, quando usufruem destas, é para os caminhos errados.

Como diria DLM, foi a educação que o 25 de Abril nos legou.

Paraíso socialista

Pelo último grito em paraíso socialista, uma folha de papel higiénico custa $417. Um rolo inteiro, $145,750.

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Manifestação a 2 taxis

No Abrupto pode ver-se esta piramidal foto (RM):


[clicar a imagem para ver melhor]

Não há duvida: à flamejante causa, as massas aderem a magotes.

Nota: estão todos encasacados por causa do aquecimento global.

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domingo, 30 de março de 2008

Relativismos

A propósito do "Fitna", o delírio desculpabilizador instalou-se e uma certa esquerda afadiga-se em comparar livros sagrados, pescando frases "gore", para demonstrar a razão pela qual , se formos ver bem, as religiões judaicas e cristãs ainda são piores que o islamismo.
A compulsão para a comparação de livros sagrados é recorrente e ajuda a relativizar a realidade, permitindo o exercício da "má-fé" (no sentido de Sartre).
No fundo tenta-se racionalizar uma posição que lá no fundo se sabe ser insustentável.
Não interessam as “motivações” do Wilders. Essas só ele as conhece e o que certos comentadores fazem é do mais primário em termos de agit-prop: atacar o mensageiro para descredibilizar a mensagem.
Mas quanto aos livros, a simples comparação de frases é uma palermice.
Até os Lusíadas têm coisas como:

“Daqueles reis que andaram dilatando.
A Fé, Império e as terras viciosas"
(Lvsiadas I-3)

E não menos certíssima esperança
De aumento da pequena Cristandade;
Vós, ó novo temor da maura lança.
Maravilha fatal da nossa idade,
(Dada ao mundo por Deus) que todo o mande,
Para do mundo a Deus dar parte grande;
(Lvsiadas I-6)

Em vós os olhos tem Mouro frio,
Em quem vê o seu exício afigurado;
Só com vos ver, o bárbaro Gentio
Mostra o pescoço ao jugo já inclinado;
(Lvsiadas I-16)”

E quem ler os livros de Stephen King, ainda se arrepia mais.
O problema não está nos livros em si, mas no seu estatuto. Os Lusíadas e os livros da colecção Arrepios, não são LEI para ninguém, e muito menos a referência em termos de conduta moral e social.Tampouco a Bíblia, ou a Tora, são fontes de direito em sociedades politicamente organizadas e impenetráveis à interpretação humana.
E se há algumas pessoas que os usam como norma de conduta, fazem-no no espirito do tempo, condicionados pelas normas das sociedades em que vivem e segundo interpretações exclusivistas e não revolucionárias (no sentido de querer impô-las aos outros)
E tanto a Bíblia , a Tora e outros livros sagrados, são apenas repositórios de uma Revelação. Não são “A Revelação”.
O Corão é diferente e é por isso que as comparações são absurdas. O Corão é um livro “incriado”, tem estatuto de Deus, e por isso não pode ser contrariado. É fonte de direito, é compulsivo, é literal, e é a derradeira referência em termos morais, sociais e políticos, para toda uma cultura que agora está já instalada no seio da Europa e a quer mudar.
O problema de uma certa esquerda, é que não consegue deixar de olhar para o Islão a partir do edifício mental ocidental, como “mais uma religião como as outras”, e o Corão, “mais um livro como os outros”. É por isso que equipara coisas que não são iguais, apesar de a realidade que todos os dias lhe entre pelos olhos, lhe mostrar que há ALGO que não é igual.
Na verdade a predominante visão muçulmana do mundo impõe a todo o “bom muçulmano” o DEVER de fazer respeitar pelos outros os imperativos da sua religião, enquanto eles não devem qualquer respeito às ideias dos outros porque ao fazê-lo se tornam renegados segundo a letra e o espírito do Corão.
A tolerância muçulmana tem apenas o sentido da que exige para si ou que pratica para com os que se submetem, mas que não tem de demonstrar para com mais ninguém.

E por isto tudo entristece ver esta esquerda como que convertida ao Islamismo, a relativizar o mal, e a “compreender” a sharia, em nome da “especificidade cultural”. Uma esquerda que se diz libertadora, a “compreender” um sistema retrógrado e a tentar esmagar sob o epíteto de “fássista”todos aqueles que denunciam o fascismo islâmico (na verdade a ideologia islamista cumpre quase todos os quesitos técnicos para ser considerada fascista).
A mesma esquerda que, moderada e desculpabilizadora para com o fanatismo islâmico e as suas “formas de expressão”, se mostra ela própria fanática contra quem lhe responde e denuncia a falácia dessa ideologia.
Esta esquerda deveria tentar estudar umas coisas sobre os diferentes estatutos do Corão e dos outros livros que cita superficialmente, entes de se lançar na sua comparação.
Para os muçulmanos não são iguais.
E esse é que é o problema que esta esquerda ainda não parece ter alcançado.
O Wilders já!
É por isso que é "fássista"!

sábado, 29 de março de 2008

Fascismo?

As acusações de fascismo, abjecção em corpo vinte nas paginas do publico, é pura desonestidade, o desrespeito total pelo que vem nas sebentas, ou algo pior. Talvez sinal da (i)literacia que floresce triunfante e impante tanto nos casebres como nos palácios. Que o autor da peça seja incapaz de distinguir um fascista de um libertário é uma coisa, um erro pessoal, que toda uma sociedade alinhe no delírio é outra mas nada a que nao estejamos habituados. O corao é "censurável", ponho entre aspas porque não fará sentido impor lhe o açaime da censura, mas muito menos o açaime da correcção politica, esquecer as suras do ódio, os apelos ao fanatismo, é um exercício tão irresponsável como lhe impor o silencio da clandestinidade, e é para isso que correm os tempos, tanto no publico como no arrastão, entre gritos que “vem ai os fascistas” o que interessa é defender uma visão arcaica do mundo: “nós seremos sempre os maus”.


PS O fanatismo dispensa bem os formalismos, há fanaticos tanto à esquerda, ao centro e à direita.

SERÁ WILDERS UM FASCISTA?



Como habitante da Holanda
esta temática interessa-me particularmente, como devem compreender. Por essa razão dei-me ao trabalho de traduzir nove das muitas citações de Wilders e gostaria de saber se correspondem à ideia que as pessoas têm de alguém realmente de extrema-direita, ver mesmo fascizante. Seria interessante para um próximo artigo e ficar-lhes-ia eternamente agradecidos que dessem a vossa opinião.

Para facilitar a vida dos leitores pensei neste esquema:

a. plenamente de acordo
b. de acordo, mas poderia ter sido dito de outra maneira
c. não me aquece nem arrefece
d. não concordo

e. repudio completamente esta afirmação

O leitor neste caso responde apenas por: 1c – 2a – 3d – 4e – 5c – 6b – 7e – 8d – 9b (isto é um exemplo, não é a minha opinião)

WILDERICES

1. Todas as pessoas que não partilham estas normas [ocidentais] deveriam tirar as suas conclusões fazer as malas e partir. Não se pode exigir de nós [sociedade holandesa] que respeitemos certas opiniões quando ao mesmo tempo as pessoas não têm a intenção de respeitar as opiniões dos outros.

2. Campos de reeducação [para jovens delinquentes], cortar no abono de família dos pais, mandá-los para a família em Marrocos. Todas estas medidas devem ser experimentadas.

3. Se nós rasgássemos as páginas de ódio do Corão não ficava grande coisa, uma revista do tipo Pato Donald.

4. Quando a peça de teatro sobre Aisha, mulher mais nova do profeta, foi anulada na Holanda, houve uma vereadora da câmara de Amesterdão que disse - creio que foi Fátima Elatik? [marroquina], mas as mulheres de véu parecem-se todas umas com as outras – que a liberdade de expressão na Holanda “ultrapassou os limites”. Mas não o suficiente para ela poder fazer uma afirmação deste tipo.

5. Os muçulmanos há muito que fazem parte dos ‘bons selvagens’ do PvdA [Partido Trabalhista social-democrata]. Dito de outra forma, os animais estão para o partido de Marianne Thieme [Partido de Protecção aos Animais] assim como os muçulmanos estão para o Partido Trabalhista. Um perfeito ecrã para projectar meiguice e infinita compreensão multicultural. Uma perigosa forma de sentimentalismo…

6. [Depois de uma visita a Marrocos]. O primeiro marroquino que me venha com histórias sobre xenofobia, imprensa racista e subsídios de desemprego muito baixos dou-lhe um raspanete. E os insurrectos de Amesterdão [marroquinos] deviam cumprir a sua pena aqui [em Marrocos]. Todos os dias a pão e água a escovar sapatos, ou trabalhar como pedreiros a €4 à hora, acarretar com pedras debaixo de um sol escaldante, assim é que eles aprendiam.

7. Os judeus que escaparam da tragédia do Holocausto fizeram com que o mundo os respeitasse com os seus conhecimentos, não com o seu terror, com o seu trabalho, não com a sua gritaria e choraminguice.

8. Os fundamentalistas cristãos provocam dores de cabeça ao mundo, é verdade, mas os fundamentalistas islâmicos cortam-nos a cabeça…

9. Se a sociedade acha que precisa tanto de trabalhadores estrangeiros, devia ter optado por contratos a curto prazo com trabalhadores solteiros, ou com trabalhadores que estivessem dispostos a ficar algum tempo sem a companhia dos seus familiares.

sexta-feira, 28 de março de 2008

É o desensino, estupido

Antes de começar aconselho-vos as seguintes leituras no blog do Luiz Sarmento e no Dragoscopio. Vi extasiado o vídeo, mais extasiado fiquei com “a rebelião das massas”, e extasiado ando desde então. Se Hegel retirava coelhos metafísicos da cartola, Ortega y Gasset tirou da cartola metafísica o homem-massa. Um homem vulgar, ser amorfo com os apetites do Olimpo e as entranhas das bestas. Se o fordismo fabricava maquinas standarizadas, as linhas de montagem da sociedade fabricam almas com o mesmo denodo que as de Detroit. Almas infinitamente medíocres, miseravelmente confiantes na sua distinção, o cume da historia, saídos do ventre da civilização presumem-se filhos de pais anónimos, frutos espontâneos de uma arvore etérea, como a civilização, como levá-las além do redil das bestas? Naquela sala de aulas, vemos um novo homem-massa, um homem que não é homem, pois vedado pela biologia, mas ele não quer saber nada disso, “tá-se” nas tintas, acredita-se venerável, invulnerável, alcandorado à nobreza pelos os seus iguais, é a glória da Humanalidade – onde é que podemos fazer reset àquelas alimárias? Com 14, 15 anos, meados anos 90, o prof, quando não era o inimigo, o intruso que arrombava horas de sono e salas de aula, o cafre que quis o espírito das leis e o musculo do continuo nos pusesse no olho da rua, ainda era o adulto, criatura dois degraus acima dos infra-humanos, asseguro-vos que tínhamos professor – homem solitário, sem ambições, rendido aos tempos – que deve hoje perorar de sofá em sofá o seu stress pós-traumático, enfim, uma sala de orangotangos, como entre as bestas a historia começava connosco, já se tinha dado o assalto vertical dos bárbaros. Volvida uma década, nota-se que a barbárie ainda é mais negra e mais funda, ou mais alta como quiserem ler, é o ensino condenado a um aviltamento sem tréguas. Regresso a Gasset, este apelava há 80 anos a uma aristocracia, uma aristocracia de almas, mas como hoje? Quando o saber, o veiculo, é levado ao chão entre a galhofa e o escárnio? Como é que se dão dois estalos metafísicos?

Fitna



Via De Parte Incerta.

FITNA

O filme mais discutido nos últimos tempos foi ontem finalmente apresentado às 19:00 através do site LiveLeak. Nenhum canal de televisão holandês se atreveu a sair com o filme que apenas é uma colagem de acontecimentos conhecidos relacionados com muçulmanos e com a jihad islâmica. Acontecimentos que já tinham sido antes transmitidos pela TV holandesa. Mas o valor do filme não é o filme em si, mas o que já provocou e o que ainda vai provocar no seio da política holandesa de integração.

E outra coisa que o filme demonstrou, é que não cabia a Wilders, como membro do parlamento, de fazer este filme, mas à inteligência engajada deste país. Mas como a inteligência não ata nem desata, Wilders tomou felizmente a iniciativa. Uma parte da inteligência (tanto de esquerda como direita) passa o santo tempo a diabolizar cobardemente Wilders, e a outra parte tem medo! O único intelectual (Theo van Gogh) que poderia ter feito este filme, e não tinha medo, foi assassinado há quatro anos na sua própria cidade por um seguidor de Alá.

Mas foram precisos dois assassinatos, uma porrada de gente protegida pelo estado e um FILME para as coisas mudarem, muito devagarinho. Finalmente há já cada vez mais muçulmanos a pensar que Wilders não poderia ter feito o mesmo filme sobre portugueses ou polacos… Não parece mas isto é um grande passo em frente. Tudo isto graças à teimosia e coragem de pessoas como Geert Wilders, Ayaan Hirsi Ali e ..... Achmed Aboutaleb.




Achmed Aboutaleb, marroquino, muçulmano e secretário de estado pelo partido social-democrata, disse ontem na TV que ‘atingimos um período importante de introspecção para os muçulmanos: Como foi possível nos últimos anos os problemas terem atingido estas proporções? Temos alguma coisa a ver com o assunto? Fizemos algo para melhorar a situação? Não fazer nada é, neste caso, tomar uma posição – quem cala consente…’

O entrevistador (de esquerda) em pânico: ‘quem cala consente! O que é que eles poderiam ter feito?’

Aboutaleb: 'a comunidade muçulmana sempre se calou em momentos cruciais. Não há muito tempo, quando jovens marroquinos em Slotervaart incendiaram carros e um posto da polícia, esperara-se uma reacção mais firme de parte da comunidade! Deviam ter tomado a iniciativa do debate, fazer algo para dar uma imagem diferente da comunidade.

Nos últimos anos foi derramado muito veneno no seio da comunidade islâmica, e estou convencido que só a própria comunidade pode produzir o antídoto. Este filme serve precisamente para isso, para obrigar aqueles que por um falso sentimento de solidariedade étnica não conseguem ainda ver-se ao espelho.


Houve um tempo em que os políticos deste país, eu faço parte dessa categoria, pensavam que construindo casas, escolas e hospitais para todos, isso seria suficiente para afastar a inquietação que as pessoas sentem acerca dos problemas de integração que realmente existem.

Nos últimos anos aprendi que isso, infelizmente, não é verdade. Cheguei à conclusão que é preciso ter em conta também o desassossego, a fitna, de todos: tanto dos estrangeiros como dos nacionais, dos que votam em Wilders. E o pior que se pode fazer é banalizar os problemas, varrê-los para debaixo do tapete. Foi assim que nós, esquerda, criamos um espaço vazio que facilmente pode ser preenchido por outros..

A sociedade holandesa pode ser um paraíso, eu luto por esse paraíso: lembro-me bem dos homossexuais que nos anos 60 participavam em massa em manifestações de solidariedade pelos direitos do meu pai, e hoje em dia, os mesmos homossexuais são agredidos na rua por jovens marroquinos…'

quarta-feira, 26 de março de 2008

Mediação em porradaria

De chorar a rir:
"As escolas com problemas graves de indisciplina podem apresentar ao Ministério da Educação uma proposta para a contratação de técnicos como psicólogos e mediadores de conflitos, anunciou hoje o secretário de Estado da Educação."
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Adenda:

Recomendo vivamente uma visita ao blog As Minhas Leituras.

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EU, MOHAMMED EL-KAIM, FAÇO PARTE DOS ACUSADOS…


Um muçulmano holandês serviu-se Sábado passado no diário NRC do famoso J’ACCUSE (acuso), que em 1898 já tinha servido ao romancista francês Emile Zola (contemporâneo de Eça) para acusar as autoridades do seu país no célebre caso Dreyfus.

Mohammed El–Kaim, um muçulmano anónimo, deu uma bofetada magistral em todos aqueles que esta semana demonstraram contra Wilders em Amesterdão, mas sobretudo no conhecido apresentador da TV Harry de Winter, que pagou dez mil euros do seu bolso para publicar este anúncio no diário Volkskrant :

“Se Wilders dissesse a mesma coisa sobre os judeus (e sobre o Antigo Testamento) que os disparates que diz agora sobre muçulmanos (e o Corão), já tinha sido há muito ignorado e condenado por anti-semitismo.”

Comparação idiota, os judeus por cá não ameaçam políticos, colunistas, artistas de teatro ou cineastas, e também não cometem atentados terroristas!!!

J’accuse…

- A sociedade holandesa porque só vê em nós e na nossa religião o mal. E esquece o muçulmano decente e trabalhador que não faz mal a ninguém. E este também existe e até é a maioria.

- Todos os muçulmanos na Holanda e no mundo inteiro que não aceitam críticas ao Islão. Durante séculos foram chacinados todos aqueles que criticaram a Thora e a Bíblia. Só quando isto cessou é que a religião se transformou num amparo para os seus crentes, em vez de um instrumento de opressão e de abuso de poder da elite.

- Os muçulmanos que desacreditaram o nosso nome e não querem integrar-se na sociedade abusando ao mesmo tempo da hospitalidade e da segurança social holandesa.

- O governo e as autoridades holandesas que durante tantos anos tornaram as coisas tão fáceis para nós que a integração não era necessária, mas sim fraudar e rebaixarmo-nos à criminalidade.

- Geert Wilders que não quer dar uma oportunidade aos bons muçulmanos e parece que só acredita no mau do Islão e quer assim limitar os direitos e liberdades fundamentais dos muçulmanos, enquanto que para si exige toda a liberdade. Mas invejo a sua coragem para exprimir a sua crítica. Porque na realidade são os espíritos críticos que nos obrigam a pensar e que modernizam e reformam as ideias. Mas se o fizesse de uma maneira mais simpática e construtiva não seria pior.

- Os políticos de esquerda neste país porque silenciam os problemas com medo de discriminar e desta forma perderam completamente o controlo dos acontecimentos. Crianças criminosas não se devem mimar. Fraudar não é correcto.

- A mim próprio por não ter aberto a boca há mais tempo e não ter dado um murro na mesa.

Tenhamos um momento de reconsideração e unamos as mãos para tentar juntos resolver estes problemas. Recompensar os bons e julgar os maus, como deve ser. Vamos ter que nos aceitar de novo e não devemos desprezar-nos. Liberdade é o maior bem, e temos que a conceder a todos nós.

Por essa razão Wilders tem que poder apresentar o seu filme em toda a liberdade e segurança. Se ele ultrapassar certas marcas fazemos um apelo ao tribunal.

Mas eu quero sobretudo garantir-lhe liberdade e segurança, porque isso significa também liberdade e segurança para MIM.

terça-feira, 25 de março de 2008

O canivete

Este link, no Insurgente, lembrou-me que talvez até ao 4º ano (8º de hoje) andei sempre com um canivete no bolso.

Porque carga de água, perguntarão alguns. Porque, no campo (província), o canivete era uma ferramenta.

Andava com ele no bolso e não o trazia escondido. Estava colocado no porta chaves e usava-o nas aulas, por exemplo, para afiar lápis.

O canivete foi-se tornando maior à medida que fui crescendo e nem assim houve alarme.

A medida do retrocesso em insegurança é patente no alarme dado sempre que se detecta um aluno com um canivete.

Nos anos 60, um canivete era uma ferramenta e outra coisa não passava pela cabeça de nenhum de nós. Andei à porrada com muitos colegas, mas nunca puxei o canivete. Aliás, nunca um me foi puxado.

Com a "aceitação da diversidade" deixou de ser observada uma regra, não escrita, mas clara para todos: um canivete era uma ferramenta. Deixou de se usar canivete porque passou a aceitar-se que um canivete poderia não ser apenas uma ferramenta.

Os canivetes quase desapareceram, mas os que se usam têm uma utilização mais 'diversa'.

Também se brincava com pistolas de plástico, algumas em antimónio(?) sem que algum mal viesse ao mundo. Brincar com pistolas passou a ser coisa "feia" e as verdadeiras perigo real.

Rio de Mouro, onde passei alguns anos, era um local por onde se podia deambular a qualquer hora do dia ou de noite, sozinho ou com outras crianças, rapazes ou raparigas. Não me refiro à zona urbana propriamente dita. Aliás, a zona urbana era muitíssimo mais pequena. Falo em andar pelas matas da Rinchoa, pelo eucaliptal onde está hoje o acesso à IC-19. Mercês, Rio-de-Mouro velho, Mem Martins, eram locais que corríamos sem que alguma vez tivesse sentido ou me tivessem feito sentir qualquer problema de segurança. O único perigo que me apontavam, à altura, era o de me perder ou de encontrar algum cão perigoso (o que me obrigava a andar com um pau).

Na linha de Sintra, hoje, só de dia e acompanhado poderia andar. Brincar no mato?

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segunda-feira, 24 de março de 2008

Como se lhes faz a folha



Parece que anda toda a gente à procura disto ou, se calhar, não procura porque desconhece a sua existência.

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Prisao domiciliaria

Preso desde ontem a noite, por meio metro de neve que foi caindo, com as pistas cerradas,o tempo dilata-se e ate um computador sem acentos, me serve. O PP nao gosta de espanhois, mas eu acho-os iguais a nos e aprecio esta malta. Na questao dos acentos, eles e que estao bem. Porque as suas vogais teem sempre o mesmo som, ao passo que as nossas apresentam infinitas variacoes. E por isso que necessitamos de acentos e e tambem por isso que nos os entendemos e eles nao nos entendem a nos.
Mas ontem, em viagem atribulada, passei pelo Pais Basco e reparei que ate na estradas a sinalizacao ja vem em basco. Tudo com muitos erres e kapas. No El Mundo de ontem vinha um estudo que mostra que nas autonomias as linguas locais ja sao usadas em cerca de 80% das escolas e que o castelhano e visto como um lingua colonial.
No Pais Basco o lendakari prepara-se para avancar com um referendo sobre algo que se pode qualificar como independencia de facto e Zapatero, que abriu a Caixa de Pandora, esta refem dos nacionalistas para poder governar. Tem de pagar um preco, evidentemente.
Muitos comentadores por aqui acham que se a Espanha se vir confrontada com uma crise economica grave, tudo isto pode explodir em cacos.
E as 'dramatizacoes" introduzidas por Zapatero, reavivaram feridas que muitos ja haviam esquecido.
Para nos nao e bom que a Espanha esteja mal. Esta fantastica liberdade que me permite vir aqui como vou a cafe da esquina, nao e uma dadiva divina, nem um "direito adquirido".
Esperemos que Zapatero nao consiga arrastar Espanha para a "balcanizacao".
E eu espero tb que deixe de nevar para poder ir fazer umas "negras"

domingo, 23 de março de 2008

É QUASE TUDO HARAM…

Que mosca mordeu uma mulher holandesa da classe média para um dia resolver ser professora numa escola islâmica? Durante seis anos foi o que Fenny Brinkman fez por idealismo, para ajudar os muçulmanos a melhor se integrarem na sociedade holandesa.

Em 1998 demitiu-se da As-Siddieq, uma escola primária islâmica no bairro De Baarsjes em Amesterdão. A direcção da escola impunha normas islâmicas cada vez mais rigorosas. Segundo ela uma ideologia extremista começou a ser predominante. Só agora [2005] é que Brinkman escreveu um livro sobre este assunto. - Quem é que me acreditaria se eu tivesse publicado isto em 1998? diz ela. Texto de Annelies van der Veer no blogue holandês Hoei Boei.

Nos primeiros cinco anos Fenny trabalhou numa dependência em que todos os professores eram a bem dizer mulheres, e apesar de todas as manhãs ao chegar à escola ter de mudar de roupa: saia comprida preta e véu também preto, acreditava no seu trabalho. As crianças eram adoráveis, tinha colegas simpáticas e o facto de não poder usar batom não a afectava muito.

Quando no sexto ano a direcção da escola (constituída exclusivamente por homens) começou a controlar directamente o andamento da escola, ela apercebeu-se gradualmente que se encontrava num ambiente de trabalho assaz intolerante. A uma certa altura uma colega mais íntima faz esta observação eles [muçulmanos] não se querem integrar, é trânsito num só sentido’.

Quase tudo relacionado com a sociedade holandesa é visto como haram (pecado): o Natal por exemplo, mas também uma flor que uma criança faz em trabalhos-manuais é haram, porque a direcção da escola vê nisso um símbolo cristão. Curioso, aplaudir também é haram, em vez de bater palmas o muçulmano deve exclamar Allah u Akbar quando quer demonstrar o seu apreço. Uma vez ela sentou-se numa mesinha por falta de cadeira vaga e isso deu origem a um enorme escarcéu. É obrigada a levantar-se: ‘Tu não sentar aí, mesinha do corão’ berra-lhe Mehmet o contínuo. Fenny tinha-se sentado na mesinha reservada ao corão! Isso é pecado mortal, só a parte de cima do corpo pode estar em contacto com o corão, abaixo do umbigo é haram…

Finalmente toma consciência que só a aceitaram nesta escola por falta de professores muçulmanos, e não porque ela fosse uma professora qualificada. O que significa que é apenas tolerada e nunca será aceite. As mães das crianças são geralmente holandesas convertidas que trazem as suas crianças à escola vestidas de Nikab (roupa preta que cobre inteiramente o corpo, só deixando ver os olhos).

Fenny Brinkman é obrigada a engolir muita coisa porque quer continuar a acreditar na sociedade multicultural, e porque felizmente pode refugiar-se depois de um dia de trabalho no mundo normal, onde atrás de uma cerveja pode esquecer os momentos mais tristes e rir juntamente com um colega acerca das humilhações e dos momentos difíceis que tem suportado. A total falta de humor na escola é um ponto de ruptura. O facto de uma colega ter sido obrigada a negar a perseguição dos judeus é para ela a fronteira crítica que não se pode ultrapassar. Tem a sensação que defende uma causa injusta e não quer mais continuar.

Fenny recusa-se a aceitar a ideia de que todos os muçulmanos sejam tão extremos na doutrina. Ela ainda acredita na sociedade multicultural, mas a esperança de poder mudar algo, de obter mais compreensão de parte da direcção da escola para a opinião dos holandeses, já a perdeu completamente. Assim é que decide mudar de escola. De vez em quando ainda encontra os antigos colegas que lhe dizem que tudo continua na mesma, o que não a surpreende. No epílogo do livro que escreveu sobre este assunto diz Fenny:

"Eu já estava há meses a escrever o meu livro quando Theo van Gogh foi assassinado. Este acontecimento convenceu-me ainda mais que deveria contar esta história. Ainda hoje há juntas de freguesia incautas que firmam ‘gentlemen’s agreements’ com direcções de escolas islâmicas. Não consigo compreender isto. É um perigo que nos ameaça. Um certo número de muçulmanos não quer outra coisa senão eliminar a sociedade ocidental e tranformar a Holanda numa república islamita."

Aos Meus Comparsas Ateus, em Dia de Páscoa

Como os visitantes do Fiel Inimigo sabem, pelo menos os mais assíduos sabem, estou rodeado aqui no blog por impenitentes e empedernidos ateus, seguidores de quase todas as versões que o ateísmo pode assumir. Vale que as versões letais estão ausentes.

Assim, e porque hoje é dia de Páscoa, resolvi pregar-lhes uma desfeita. Lembrei-me de lhes pôr uns versículos alusivos, mas depois eles não liam. Então, lembrei-me de alguma coisa escrita daquele modo que impede quem lê de parar de ler, aquela escrita que empurra o leitor de uma palavra a ler a palavra seguinte, e a outra, e as outras, e a ficar contente porque a seguir ao parágrafo que acaba vem outro. Portanto, ponho-lhes Eça. Eça de Queiroz, o tal que se dizia ateu quanto mais não fosse para não ser ostracizado pela corrente intelectual dominante em Portugal à época que, não por acaso, tem demasiadas semelhanças com a de hoje. Aqui fica o final do ‘Suave Milagre’.

"Ora entre Enganin e Cesareia, num casebre desgarrado, sumido na prega de um cerro, vivia a esse tempo uma viúva, mais desgraçada mulher que todas as mulheres de Israel. O seu filhinho único, todo aleijado, passara do magro peito a que ele o criara para os farrapos da enxerga apodrecida, onde jazera, sete anos passados, mirrando e gemendo. Também a ela a doença a engelhara dentro dos trapos nunca mudados, mais escura e torcida que uma cepa arrancada. E, sobre ambos, espessamente a miséria cresceu como bolor sobre cacos perdidos num ermo. Até na lâmpada de barro vermelho secara há muito o azeite. Dentro da arca pintada não restava um grão ou côdea. No Estio, sem pasto, a cabra morrera. Depois, no quinteiro, secara a figueira. Tão longe do povoado, nunca esmola de pão ou mel entrava o portal. E só ervas apanhadas nas fendas das rochas, cozidas sem sal, nutriam aquelas criaturas de Deus na Terra Escolhida, onde até às aves maléficas sobrava o sustento!

Um dia um mendigo entrou no casebre, repartiu do seu farnel com a mãe amargurada, e um momento sentado na pedra da lareira, coçando as feridas das pernas, contou dessa grande esperança dos tristes, esse rabi que aparecera na Galileia, e de um pão no mesmo cesto fazia sete, e amava todas as criancinhas, e enxugava todos os prantos, e prometia aos pobres um grande e luminoso reino, de abundância maior que a corte de Salomão. A mulher escutava, com os olhos famintos. E esse doce rabi, esperança dos tristes, onde se encontrava? O mendigo suspirou. Ah esse doce rabi! quantos o desejavam, que de desesperançavam! A sua fama andava por sobre toda a Judeia, como o sol que até por qualquer velho muro se estende e se goza; mas para enxergar a claridade do seu rosto, só aqueles ditosos que o seu desejo escolhia. Obed, tão rico, mandara os servos por toda a Galileia para que procurassem Jesus, o chamassem com promessas a Enganim; Sétimo, tão soberano, destacara os seus soldados até à costa do mar, para que buscassem Jesus, o conduzissem, por seu mando, a Cesareia. Errando, esmolando por tantas estradas, ele topara os servos de Obed, depois os legionários de Sétimo. E todos voltavam, como derrotados, com as sandálias rotas, sem ter descoberto em que mata ou cidade, em que toca ou palácio, se escondia Jesus.

A tarde caía. O mendigo apanhou o seu bordão, desceu pelo duro trilho, entre a urze e a rocha. A mãe retomou o seu canto, a mãe mais vergada, mais abandonada. E então o filhinho, num murmúrio mais débil que o roçar duma asa, pediu à mãe que lhe trouxesse esse rabi que amava as criancinhas, ainda as mais pobres, sarava os males, ainda os mais antigos. A mãe apertou a cabeça engelhada:
- Oh filho! e como queres que te deixe, e me meta aos caminhos, à procura do rabi da Galileia? Obed é rico e tem servos, e debalde buscaram Jesus, por areais e colinas, desde Chorazim até ao país de Moab. Sétimo é forte e tem soldados, e debalde correram por Jesus, desde Hébron até ao mar! Como queres que te deixe? Jesus anda por muito longe e nossa dor mora connosco, dentro destas paredes e dentro delas nos prende. E mesmo que o encontrasse, como convenceria eu o rabi tão desejado, por quem ricos e fortes suspiram, a que descesse através das cidades até este ermo, para sarar um entrevadinho tão pobre, sobre enxerga tão rota?

A criança, com duas longas lágrimas na face magrinha, murmurou:
- Oh mãe! Jesus ama todos os pequeninos. E eu ainda tão pequeno, e com um mal tão pesado, e que tanto queria sarar!
E a mãe, em soluços:
- Oh meu filho como te posso deixar! Longas são as estradas da Galileia, e curta a piedade dos homens. Tão rota, tão trôpega, tão triste, até os cães me ladrariam da porta dos casais. Ninguém atenderia o meu recado, e me apontaria a morada do doce rabi. Oh filho! Talvez Jesus morresse... Nem mesmo os ricos e os fortes o encontram. O Céu o trouxe, o Céu o levou. E com ele para sempre morreu a esperança dos tristes.
De entre os negros trapos, erguendo as suas pobres mãozinhas que tremiam, a criança murmurou:
- Mãe, eu queria ver Jesus...
E logo, abrindo devagar a porta e sorrindo, Jesus disse à criança:

- Aqui estou."


Fica ainda, em jeito de blasfémia final, uma saudação popular de dia de Páscoa tradicional em algumas partes do mundo cristão:
"
-Cristo ressuscitou.
-Sim, na verdade ressuscitou.
"


Boa Páscoa.

sábado, 22 de março de 2008

Obama e o Reverendo

Há tempos reli “A Fogueira das Vaidades” obra de Tom Wolfe que deu um excelente filme com Tom Hanks.
A obra era atravessada pela questão racial e uma das figuras centrais era o “Reverendo Bacon”, um negro de palavra fácil e olho para o negócio da fé, e que, pastoreando uma seita religiosa, manipulava a “pressão das ruas” do Bronx, arrecadando bons capitais e vivendo como um nababo.
A imagem acudiu-me imediatamente, ao ver esse outro “Reverendo”, do qual Obama é amigo e ovelha, e que está agora na ordem do dia.
A semelhança é impressionante. O Reverendo Wright parece um clone do Reverendo Bacon.
A mesma compulsão para usar o púlpito mais para a luta política do que para a divulgação do Evangelho, e transformar missas em comícios; a desbocada agressão à raça branca; a mesma retórica de vitimização racial e de pregação do ódio aos “poderosos”, aqui sinónimo de indivíduos de pele branca; a sempiterna condenação da América, como estrutura ao serviço dos “poderosos” ( os brancos) e apostada em esmagar os fracos (os negros).
O Reverendo Bacon era um desenho. Na realidade há inúmeros Reverendos Wright por toda a América negra, pregando, em Igrejas e Mesquitas os mesmos sermões de hipócrita anti-americanismo, as mesmas imbecis teorias da conspiração o mesmo ódio ao outro.
Esta gente, presa na retórica dos anos 60, recusa aceitar que a situação dos negros na América nada tem a ver com o que era naqueles tempos. Se dúvidas houvessem bastaria atentar na candidatura do próprio Obama e na relevância nacional de figuras como Colin Powel, Condolezza Rice, etc.
O que deveras espanta é que Barack Obama, que durante anos frequentou a igreja do Reverendo Wrigt, nunca tenha reparado na mensagem de ódio que ele pregava nos seus inflamados sermões. Ou não ouviu, ou não percebeu, ou ouviu e percebeu e fez de conta que não.
Em minha opinião ouviu, percebeu e fez de conta que não. A sua mulher, menos dada à subtileza politica, já se descaiu e disse há tempos que “só agora, pela 1º vez, estava orgulhosa da América”. Agora, entenda-se, que o seu marido tem estado a recolher boas votações. Até aqui a América, na qual a senhora Michelle vivia ( e bastante bem, como se sabe) , era apenas motivo de desprezo. É impossível não ver aqui a influência do “pensamento Wright”.
Por outro lado, se Obama ouviu e disse ámen durante anos a fio, não pode também ter passado imune pela lavagem ao cérebro.
Talvez seja essa a razão pela qual não corta imediatamente com uma congregação que prega o ódio racial, o ódio à América e teorias lunáticas que nada têm a ver com os ensinamentos de Cristo.
Sob a batuta de um homem que é seu amigo, seu mentor, padrinho dos seus filhos e que já atribuiu prémios de mérito a Louis Farrakhan, o controverso líder da Islam Nation, conhecido pelo ódio aos judeus e aos brancos de um modo geral.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Ateismo?

Não sou religioso, recuso as teses que destinam Deus à cova idealizada pelo recuo da religião, quem sou eu se não mero grão de nada num universo de trevas? Vejo na religião a utilidade das ideias que não morrem, um bálsamo para as aflições colectivas, um manual de instruções para o desespero, lançados à vida estamos todos destinados à morte, ante o abismo do fim a ciência queda muda. A religião sempre ofereceu refugio, significado ao homem. Justificou sua existência ao sossegar o demónio da solidão, levando ao reconhecimento de que não estava só no universo, havia deus para amar e uma tribo onde ser amado. Uma ideia perene. Tanto as ideias fazem os homens como os homens fazem as ideias, carregamos no bojo a barbárie, mais depressa damos nos sob o canto da sereia de quem clama por vendetta do que aos apelos para a clemência. Terá sempre uma vocação tribalista, entendo lhe a tentação totalitária, a pulsão colectivista. É isto que se enfrenta nas ruas de Amsterdao, mais do que um livro uma ideia. Neste lado do mundo conseguimos mal ou bem domá-la. Daquele lado pequenos tiranos lêem os desígnios de Deus e determinam como devemos morrer ou viver. É grave que ainda haja quem não o tenha compreendido.

Anónimos



"Pela sua forma andrajosa de trajar se via que eram indígenas daquelas terras incultas"

James Fenimore Cooper - "O Último dos Moicanos"

"Reconheço-o pelo português execrável, pelo estilo confuso, de quem não pensa de maneira lógica e por certas expressões peculiares."

Comunicação interna do Fiel Inimigo, interceptada pela CIA e pela Mossad.

Torpor

O vídeo, com declarações patéticas do Professor João Formosinho, (Prós & Contras de Janeiro de 2008) é um excelente exemplo de pantanal em que o ensino, a que se insiste chamar "educação", se encontra.

Não é educação, não é sequer ensino. É um torpor pantanoso.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Poder a todos

Acabei de ver na TV (RTP1) D, Januário Torgal Ferreira debitar esta frase lapidar (citando de memória):
"Todos os partidos têm o direito de exercer o poder, mas alguns nunca o exerceram".
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Terra de ninguém

A propósito desta cena macaca, transcrevo parte de algo que escrevi há mais ou menos um ano:
Imaginemos que dois alunos, de 14 anos, desatam à porrada. Que é suposto acontecer? É suposto acontecer que qualquer funcionário ou professor que depare na cena se interponha para acabar a bulha.

Que acontece na prática? Todos evitam o risco de se encontrarem perante a necessidade de intervir, evitando zonas onde potenciais problemas possam ocorrer: professores e funcionários afastam-se dos recreios, mantêm-se em locais mais recatados ou em zonas mais sossegadas.

Caso o não consigam, assobiam para o lado.

Porquê? Porque frequentemente só é possível parar a violência usando de alguma, e isso é proibido. Os alunos sabem isso e ...

Como se consegue evitar que um aluno que insiste em pontapear tudo e todos possa ser travado sem lhe torcer um braço ou provocar alguma dor de alguma forma? Chama-se a polícia? Diz-se-lhe, simplesmente, "isso é feio"? Se o aluno for pequeno a coisa é mais fácil por razões óbvias. Mas, sendo maior, como é? Gás mostarda? Aliás, gás mostarda também já circula, aqui e ali, entre alunos.

Como forma de se armarem em gente mais papista que o Papa, há professores e funcionários que acusam colegas de usarem violência em excesso, e há conselhos directivos que encontram um nicho para exercício de poder salazarista ameaçando, mais ou menos veladamente, quem tenha tido a ousadia de fazer o que todos deveriam fazer.

Claro que a porrada se vai generalizando, sabendo-se (quem quiser saber) que até já há preocupantes sinais de tentativa de violação dentro das escolas.
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Esquerdalha


Após cinco anos de presença militar Norte-Americana no Iraque, a Europa e os seus cidadãos continuam a olhar para esta invasão como um "capricho Norte-Americano". Enganam-se os pobres estúpidos. Custa-me, a mim pessoalmente, ver uma Europa disposta a sofrer as consequências de uma governação influenciada pelas esquerdas estúpidas Europeias. Eles andam aí, manifestam-se nos jornais, nas televisões, nas rádios, nas revistas, nas conversas de rua, nos blogs e nas caixas de comentários do fiel-inimigo. Convém lembrar que esta esquerda recebe, actualmente, o efusivo apoio das massas. Eles renasceram do mausoléu de Lenine, eles batem palmas ao pobre do Marx, eles fornicam com a sobrinha-bisneta do Engels.

Eles andam aí. Eles recitam bem alto um senso comum vazio e falacioso. Eles afirmam: "Pobres Americanos, merecem o 2º Vietname", "Deixem lá, estes tipos querem é o petróleo e estão a ter o que merecem", "Morte ao sistema capitalista vigente". Eles encontram-se tristes, alheios da realidade, agarrados ao livrinho do Mao e babam-se quando se fala em Estaline. Enfim, pobres cegos.

Convém, em primeiro lugar, estabelecer uma ligação: esquerda estúpida ocidental e Islão. Uma união que, apesar de não ser de facto, para lá caminha. Eles andam juntos atrás do mesmo fim: destruir o neo-liberalismo e acabar com a hegemonia Norte-Americana. No entanto, enquanto uns (radicais Islâmicos) têm como objectivo submeter todo o mundo ao Islão, outros (esquerda estúpida) têm como objectivo submeter todo o mundo à ditadura do proletariado, à classe operária, às foices e aos martelos. Ora, os primeiros foram derrotados mal se armaram em expansionistas, e foram, à pala disso, circunscritos ao local de onde vieram, nos séculos XI, XII, XIII, XIV, XV, XVI e XVII. Agora voltam a atacar. Os segundos foram derrotados nos anos 90 do século transacto e, agora, mordem a mão a quem lhes deu de comer. Ou será que preferiam viver num campo colectivizado da antiga URSS? Pobres traidores.

A ignorância é o mal desta gente. Se, para os Islâmicos em geral esta ignorância é pura, visto que as suas sociedades são extremamente opressoras e recusam de forma bastante forte a cultura ocidental, cultura essa que preza os valores da sabedoria, da liberdade e da iniciativa, no caso dos esquerdalhos estes regem-se por uma ignorância inteligente, visto que manuseiam a seu bel prazer as informações e as oportunidades que lhes são concedidas pelo sociedade ocidental.
Uns (os Islâmicos) são ignorantes porque são submetidos a uma única leitura, a do Corão, que, como todos nós sabemos, tem várias interpretações. Os outros são ignorantes porque, apesar de poderem ler tudo aquilo que lhes dá na real gana, se recusam a ler aquilo que é do "mal".

Existem excepções de homens que foram capazes de sair do buraco em que estavam metidos. Destacam-se muitos dos imigrantes Islâmicos residentes no ocidente, que adoptaram e adaptaram os nossos valores aos seus. Continuaram a ser Islâmicos, o que prova que o Corão é um livro de diversas interpretações. Existem outros tipos, provenientes da esquerda estúpida, que começam a cortar os laços com esta. Mas estes tipos são poucos e andam escondidos.

A Europa e os Europeus têm de perceber que os nossos aliados e amigos são os Norte-Americanos, e não os Islâmicos radicais. Será o orgulho de ser Europeu e independente assim tão grande para se desejar o mal a quem nos salvou por duas vezes?

Olho impávido e não sereno para os noticiários nacionais dos últimos dias. Cada vez que se fala de George W. Bush fala-se com um risinho irónico, irritante e escarninho no rosto. Tanto os repórteres, como os pivôts, como os apresentadores, aqueles que deveriam ser, supostamente, imparciais. Mas eles não se conseguem livrar da teia da estupidez. Quando se fala de W. Bush fala-se no rancheiro do Texas, num tipo ignorante, num tipo duro e radical.

George W. Bush defende os interesses dos seus compatriotas e, dessa forma, defende também muitos dos meus. Defende a supremacia da sua nação, defende uma melhor vida para os Americanos, defende a liberdade e a democracia. Eu sei que isto custa muito a reconhecer, e sei que, por mais que isto doa a muitos, os Estados Unidos da América estão a fazer-nos mais um favor. Eles investem e perdem vidas humanas. Eles têm de tirar os dividendos: o petróleo. Se fosse para trabalhar de borla, tinha ido a Organização das Nações Unidas para o Iraque, algo que foi recusado pelos parvos do Jacques Chirac e do Gerhard Schroeder.

A guerra foi desencadeada com o pressuposto de que o Iraque possuía armas nucleares. Tal ainda não foi provado, porque ainda não se encontraram armas no terreno. Mas isso não quer forçosamente dizer que elas não existiam/existam. E, não é por ter partido de um pressuposto supostamente errado, que a guerra deixa de ter razão. A guerra é a última forma de fazer política.

Os Estados Unidos da América retiraram do poder um líder sunita radical que perseguia minorias étnicas (e até maiorias, os xiitas). Os Estados Unidos da América deram a democracia aos pobres dos Iraquianos. Os Estados Unidos da América desenvolveram infra-estruturas, capacidades humanas e económicas do país. Os Estados Unidos da América combateram o terrorismo e a doutrinação jihadista que existia no Iraque. Os Estados Unidos da América tiraram milhões de pessoas da opressão, da ignorância, da fome e da sede. Os Estados Unidos da América retiraram Ali o Químico do poder. Os Estados Unidos da América deixaram entrar a ajuda internacional no país, algo que estava bloqueado por Saddam.

A guerra foi um fracasso?

Agora, e depois de uma fase mais conturbada, os Norte-Americanos começam a ganhar a guerra. Isto por mais que nos queiram iludir com um 2º Vietname e coisas do género. O Vietname, já por si, é uma história muito mal contada. O Iraque, neste momento, é outra história mal contada, excepto em alguns meios de comunicação social Norte-Americanos e Europeus.

Quando Osama bin Laden nos ameaça mais uma vez, os Europeus fingem que não ouvem. Quando os Chineses andam a dar cachaporra no Tibete, nós viramos a cara.

Quando George W. Bush fala, todos assobiam e vaiam. Quando se fala do Iraque, todos acusam. Quando se fala do estado da economia mundial, todos atiram os papéis ao ar e chamam isto e aquilo ao capitalismo.

Os valores ocidentais têm estes efeitos dúbios, que permitem aos estúpidos ganharem terreno. Mas não é por isso que deixam de ser os meus valores.

Olhemos para os Estados Unidos da América como os nossos grandes amigos. Olhemos para o próximo presidente Norte-Americano, o republicano John McCain, como nosso amigo.

Esta é a única forma da Europa continuar a estar no topo do mundo.

John Howard

O leitor JT deu a conhecer um texto de John Howard, ex-primeiro ministro australiano, datado de ontem, dia 19 de Março de 2008, em que este invectiva a arrogância dos imigrantes islâmicos.
É um texto tão interessante que resolvi traduzi-lo.


“Estou cansado das preocupações sobre se o que esta nação faz ou deixa de fazer, ofende alguns indivíduos ou a sua cultura. Desde os atentados terroristas em Bali, o patriotismo está a crescer entre os australianos. Todavia, ainda não tinha assente o pó das explosões, e já a multidão do “politicamente correcto” se estava a queixar acerca da possibilidade de o nosso patriotismo poder ofender outros.
Eu não sou contra a imigração, nem sinto hostilidade para com aqueles que procuram na Australia uma vida melhor.
Mas há algumas coisas que aqueles que imigraram recentemente para o nosso país e outros que ja cá nasceram, precisam de compreender. A ideia da Austrália como "comunidade multicultural" tem servido essencialmente para diluir a nossa soberania e a nossa identidade nacional. Como australianos, temos a nossa própria cultura, a nossa própria sociedade, a nossa própria língua e o nosso próprio modo de vida.
Esta cultura foi decantada ao longo de 2 séculos de lutas, travadas e ganhas por milhões de homens e mulheres que queriam ser livres.
Nós falamos maioritariamente inglês, não espanhol, libanês, chinês, japonês, russo ou qualquer outra língua. Por isso, se querem fazer parte da nossa sociedade, comecem por aprender a nossa língua.
A maioria dos australianos acredita em Deus. Trata-se de um facto. Esta nação foi fundada por pessoas cristãs e que tinham princípios cristãos. É por isso natural que o facto esteja assinalado nas paredes das nossa escolas. Se Deus vos ofende, então sugiro que considereis ir viver para outra parte do mundo, porque Deus faz parte da nossa cultura.
Nós aceitamos as vossa crenças e não as questionamos. Exigimos apenas que não questioneis as nossas.
Se o Cruzeiro do Sul vos ofende ou “A Fair Go" vos incomoda, então deveis considerar seriamente partir para outra parte do planeta. Nós estamos contentes com a nossa cultura, não a queremos mudar e não nos interessa absolutamentte nada como fazeis as coisa nos sítios de onde vindes. Conservai a vossa cultura, se quiserdes. mas não a tenteis impor aos outros.
Este é o nosso país, a nossa terra, o nosso modo de vida, e estamos prontos a conceder-vos a oportunidade de também a desfrutar. Mas, uma vez que tendes queixas e reclamações, e vos indignais com a nossa bandeira, o nosso juramento, as nossas crenças e o modo como vivemos, encorajo-vos a exercer uma das grandes liberdades que temos aqui na Australia: o direito de ir embora.
Se não sois felizes aqui, ide-vos. Não vos forçámos a vir para cá. Fostes vós que pedistes para vir . Por isso aceitai como é, o país onde quisestes viver.

Altamente



A escola, a que alguns chamam de "sistema educativo" e a imbecilidade a que chegou.

Tenha-se atenção à voz do bovino que empunha a câmara.

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quarta-feira, 19 de março de 2008

Direita V

Bastas vezes encalho no casamento entre as palavras “liberal” e “conservador”, adivinho-lhe o conflito ideologico e as desavenças fatais de um matrimónio sinuoso. Um liberal ergue o seu edifício filosófico sobre o terreno pantanoso da liberdade – independentemente da sua natureza “positiva” ou “negativa”. Faz da liberdade o cume moral do seu sistema politico. Um conservador acredita que a sociedade é percorrida por vários valores em perpétua tensão e fiscalização. Como Isaiah Berlin, sabe que liberdade é apenas liberdade, “não é igualdade, nem equidade, nem justiça, nem cultura, nem felicidade humana, nem uma consciência tranquila.” O liberal acredita numa engenharia social saudável, não com a dimensão revolucionária de um soviete que levanta uma nova sociedade a partir dos destroços da velha, mas numa articulação prudente e gradual, suspeitando das frágeis mãos humanas que comandam o colossal navio da sociedade. Na esteira de Oakeshott, o conservador prefere viver no único tempo que lhe é dado a viver. Não que seja contrario à mudança, mas porque prefere o conhecido ao desconhecido, o presente ao futuro, o presente ao passado. Sabe que há perdas e ganhos no progresso que lhe vendem e que não os pode calcular antecipadamente

Direita IV

As raízes ideológicas do islamismo-Qutb e o Ocidente

Sayyid Qutb, nome incontornável para quem pretende conhecer os fundamentos do islamismo, foi o ideólogo da Irmandade Muçulmana, organização multinacional que subjaz a quase todos os grupos terroristas islâmicos (o nº 2 da Al Qaeda saíu dos seus quadros e foi esta organização que matou Sadat, por exemplo).
As suas ideias anti-ocidentais estão na ordem do dia, não só nos países sunitas, mas também na diáspora muçulmana nos países ocidentais.
Qutb encarava a Civilização Ocidental, como um inimigo monolítico, independentemente do aparente antagonismo entre as diferentes visões ideológicas.
Em plena Guerra-Fria, Qutb colocava sem qualquer problema o socialismo comunista e a democracia capitalista liberal no mesmo barco:

“Não nos devemos deixar iludir pela aparentemente dura e amarga luta entre os campos oriental e ocidental. São apenas filosofias materialistas da vida e [...] não há diferença entre os seus princípios […]. A verdadeira luta é entre o Islão, por um lado, e […] a força da filosofia materialista professada igualmente pela Europa, América e Rússia “
(Sayyid Qutb, Social Justice in Islam, Nova Iorque, Islamic Publications International, 2000,)

Sendo a Civilização Ocidental, essencialmente o sucedâneo da chamada “Cristandade”, Qutb descreve a incapacidade do Cristianismo para inverter o materialismo da Europa, da América e da Rússia, tarefa para a qual, na sua opinião, só o Islão estaria à altura por ser uma religião superior:
“ [O] Cristianismo […] é uma fé individualista, isolacionista e negativa. [...] é incapaz, excepto pela intriga, de competir com os sistemas económicos e sociais que se estão a desenvolver, pois não tem nenhuma filosofia essencial do presente, da vida prática. Por outro lado, o Islão é perfeitamente praticável em si próprio; tem crenças, leis, e um sistema social e económico que está sob controlo da consciência e da lei [...] e oferece à humanidade uma teoria perfeitamente abrangente do universo, da vida, da humanidade, uma teoria que satisfaz as necessidades intelectuais do homem” .

A vocação totalizante da Sharia e da fé islâmica, a estreita simbiose entre a vida, a politica e a religião, é vista por Qutb como algo muito positivo e demonstrativo da superioridade islâmica face a outras teorias religiosas e ao secularismo.
A separação entre César e Deus, que o Ocidente decantou a ferro e fogo no seguimento do Tratado de Westefalia, e que está no cerne da nossa organização política, jurídica e social,e da maneira como vemos o mundo, é rejeitada liminarmente pelo islamismo e considerada um handicap face à “superioridade” da visão politico-religiosa do Islão.
É aliás esta ideia que permite entender a indisfarçada simpatia com que determinados indivíduos e grupos religiosos no Ocidente, encaram o islamismo. No fundo sentem-no como aliado na luta cósmica contra o secularismo e o materialismo.

Arthur C. Clark



Arthur C. Clark (16 December 1917 - 19 March 2008).

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terça-feira, 18 de março de 2008

Maluco de Teerão


Toda a gente já ouviu falar, certamente, do maluco de Teerão. Exacto caro leitor, é mesmo esse em que está a pensar. Aquele homem que nega o Holocausto com unhas e dentes, aquele que afirma, e passo a citar: "Não existe nenhum país no mundo onde a mulher seja tão bem tratada como no Irão" ou "No Irão não existem homossexuais". Estas afirmações já eram mais que motivo suficiente para atirar Mahmoud Ahmedinejad para um qualquer hospital psiquiátrico em Teerão.

No entanto, Mahmoud Ahmedinejad não se limita a tecer afirmações que consideramos chocantes, sendo o presidente Iraniano, a meu ver, o sucessor de Jay Leno na NBC. Há tempos afirmou que se os Estados Unidos da América tomarem alguma iniciativa contra o Irão, estes saberão exactamente como responder. Afirmou, também, que não utilizará a já conhecida e mastigada arma do petróleo. O que pensa então Mahmoud Ahmedinejad fazer se os Estados Unidos da América acharem por bem tomar alguma iniciativa contra o Irão? Será que este indivíduo pensa que pode ombrear com o poderio militar dos Estados Unidos da América? Obviamente que não. Só encontro, portanto, uma solução para o grande Mahmoud: o recurso ao nuclear.

Já conhecemos muitas das teorias deste homem que, apoiado por Ali Khamenei, faz as delícias dos guerrilheiros do Hamas, do Hezbollah e da Al-Qaeda: divulga, pelo Médio Oriente e pelo mundo, teorias de conspiração anti-semitas, mascaradas de anti-sionistas; atira as culpas do mal do mundo, e do Médio Oriente em concreto, para os Norte-Americanos; considera a globalização como mais um objecto Americano, que engole a perfeita cultura Islamita. Todas estas ideias são obviamente partilhadas por Kim Jong-il, Chávez, Fidel Castro, Osama Bin Laden, Nasrallah, Haniyah e Bashar al-Assad.

Não creio que os Estados Unidos da América possam tomar mais alguma medida contra o Irão, pelo menos num futuro próximo. Isto porque, apesar de toda a gente saber qual é a intenção de Mahmoud Ahmedinejad num futuro próximo (destruição de Israel), a União Europeia e a Rússia continuam a dar-lhe espaço de manobra. O que os Estados Unidos da América têm tentado fazer até a esta data, é manter um certo clima de optimismo, muito em voga na União Europeia, de que tudo se resolverá por bem.

Mas o dia chegará. E, nessa altura Israel terá, mais uma vez, uma vitória estrondosa.

Retirado e adaptado do "Estado das Coisas"

BRAÇO DE FERRO ENTRE MAOMÉ A. E MAOMÉ B.





Na altura do processo do assassino de Theo van Gogh em Amesterdão, o jornal NRC publicou a 6 de Fevereiro de 2006 esta curta carta de um leitor (M. de Korte) com uma lógica de ferro.

Muçulmanos espalhados pelo mundo inteiro estão novamente revoltados acerca da publicação de uma série de cartoons num jornal dinamarquês de pequena expansão. [E vão estar de novo muito em breve com o filme de Wilders FITNA]

A fúria não se refere somente ao facto de Maomé ter sido desenhado, mas dirige-se sobretudo contra o cartoon em que se representa Maomé de turbante preto e com uma bomba prestes a explodir.


A identificação do fundador da segunda religião mundial com o terrorismo é para muitos um exagero. Seja.

No processo contra o grupo terrorista à volta de Mohammed Boueri (o assassino de Theo van Gogh), declarou este último no tribunal de Amesterdão que 'aqueles que dizem que o profeta Mohammed era um pacifista são mentirosos e ignorantes. O profeta deu ordem para matar os infiéis'.

Visto isto temos duas hipóteses. Mohammed Boueri tem razão e o Islão é realmente uma religião terrorista. Ou então Mohammed Boueri fez uma caricatura da sua própria religião, do Islão.

Mas se a segunda hipótese é verdade, onde estão os muçulmanos que se insurgem contra ele, que deitam fogo ao seu retrato, que o amaldiçoam para sempre?

M. de Korte

As raízes ideológicas do islamismo-Mawdudi e o Estado Islâmico

Quanto à jihad, a concepção de Mawdudi enfatiza o combate contra aqueles que obstruem o caminho do Islão, face aos esforços de pureza espiritual, ou seja a pequena jihad é mais importante que a grande jihad.
Fica assim completa a amálgama que junta a fé, o ganho espiritual, o poder terreno, a salvação da alma e a utopia social (o Estado Islâmico).
Mawdudi, tal como os totalitarismos comunistas, não consegue contudo escapar à legitimidade universal da palavra “democracia”, e, tal como os comunismos, é obrigado a recorrer à novilíngua, para lhe alterar o conceito subjacente.
Considera assim que o Estado Islâmico é democrático, e para tal registou os conceitos de «califado democrático» e de «teodemocracia». Para Mawdudi, o Estado islâmico ideal não é aquele que dispõe da máquina governativa mais eficiente, mas o que consegue criar as melhores condições para a vida islâmica.
Na verdade considera que «o Estado não seria autoritário nem democrático, no sentido ocidental da palavra, uma vez que num regime livre de injustiças e no qual tanto os governantes como os governados vivessem sob a infalível lei divina, não existiriam problemas com direitos democráticos e procedimentos. A questão da democracia não se levantaria uma vez que a população não se sentiria oprimida».
Este tipo de argumentação é praticamente decalcado, mutatis mutandis, do argumentário comunista.
É óbvio para nós que esta concepção de que a soberania pertence a Deus ou a uma estrutura, e não aos homens, está nas antípodas da democracia, mas isso não impede Mawdudi de defender as virtudes democráticas do seu Estado, apresentando como verdadeira democracia aquilo que o Ocidente vê como teocracia.
Resumindo, para Mawdudi, o Estado islâmico, teodemocrático, tem como característica estruturante a absoluta soberania de Alá que é simultaneamente o legislador e o chefe da ordem sociopolítica. O executivo do Estado islâmico seria apenas uma espécie de grão-vizir de Alá (interpretação política da crença islâmica de que o homem é khalifatullah -vice-regente de Deus na terra [Corão, 2: 29]. )
Assim sendo, Alá é a razão, a garantia e parte integral da ordem sociojurídica. Sendo o Estado Islâmico o único meio de interacção entre Alá e o homem, está completamente posta de parte a concepção ocidental de separação entre a religião e o estado.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Abaixo a amigdalite

Partilho do espanto do ruicarmo. Pergunto-me se alem do pranto e desmaios não houve comas profundos? Será que – estou angustiado – finou pita alguma de desespero? Houve apoplexias? Suicídios no rio Tejo? As fontes de informação não adiantam mais detalhes. Mistério. Os pais indignaram-se, bateram com os calcanhares, e querem justiça e vacinas. A amigdalite como se sabe é patifaria a pedir tribunais e os respectivos anticorpos. Numa época em que o cancelamento de um concerto – oh tragedia, oh vil condição humana – ressoa a tortura medieval, a infelicidade é uma vergonha e uma proibição a qual os miúdos reagem em histeria e os pais com processos judiciais

As raízes ideológicas do islamismo-Mawdudi e o Hezbollah

Um dos principais assuntos deste blogue é o choque entre o islamismo, enquanto ideologia e praxis político-social, e a democracia liberal, entendida na sua forma mais lata como o sistema formal no qual assentam os valores que definem a chamada “Civilização Ocidental”, isto é, o individualismo, o Estado de Direito, a liberdade individual, etc.
O islamismo não é apenas uma sucessão de conflitos surgidos no rescaldo de uma imaginária “luta de classes” à escala mundial, como parece entender uma certa esquerda formatada nas interpretações marxistas do mundo; não é também o resultado de nenhuma “justa luta”, contra as injustiças e o Bush e o “neoliberalismo”, como argumentam alguns indivíduos mais dados à casuística do seu horizonte imediato; muito menos se trata de uma “reacção” ao “problema palestiniano” e às “atrocidades israelitas”, como garantem os velhos anti-semitas e os novos “anti-sionistas”.

Não, o islamismo não é essa espuma.
O islamismo é uma ideologia coerente com uma base intelectual bem definida.
Os seus mais importantes ideólogos foram o paquistanês Sayyid Mawdudi (1903-1979) e o egípcio Sayyid Qutb (1906-1966) que estão para o islamismo, como Marx e Engels para o marxismo.
Darei conta das suas doutrinas ao longo de próximos postes.
São postes menos ligeiros, mas que podem ajudar à compreensão do fenómeno, para quem estiver interessado em olhar não apenas para as simplificadas narrativas do fast-food politicamente correcto.

Começo por Mawdudi,
Mawdudi
escreveu, entre outros, o incontornável livro “O Modo de Vida Islâmico” (1948).(Sayyid Mawdudi, The Islamic Way of Life, Leicester, The Islamic Foundation,1986)
Nesse livro começa por dizer que “A característica mais importante do Islão é que não faz distinção entre o espiritual e o secular. O seu objectivo é configurar quer as vidas individuais quer a sociedade no seu conjunto, de forma a assegurar que o Reino de Alá possa ser efectivamente estabelecido na terra e que a paz e a felicidade, possam preencher o mundo”.

Esta ideia absolutamente incompatível com os valores ocidentais, não surge de geração espontânea na cabeça de Mawdudi. Todos os islamistas se esforçam sempre por fundamentar no Corão as suas ideias e Mawdudi remete para surata do «Arrependimento» (9: 111):
Alá comprou aos crentes as suas almas e as suas riquezas porque lhe pertence o Paraíso: combatem na senda de Alá e matam ou são mortos. É uma promessa d´ Ele [...] Alegrai-vos pelo contrato que com Ele haveis concluído!”

Para Mawdudi este versículo configura a relação de Alá com o indivíduo. O contrato estipula que Alá compra a vida e a propriedade dos crentes, em troca da recompensa do Paraíso, após a morte. É um pacto com importantes consequências: desde logo a ideia de que tudo pertence a Alá e que o homem não é sequer dono de si. Com o pacto, Alá apenas pretende que o indivíduo reconheça voluntariamente a sua subordinação, condição sinequanon da eterna felicidade.
A pessoa que faz tal contrato é um crente. Quem o recusa é um infiel. Quem o denuncia é um apóstata.
O modo de vida islâmico, segundo Mawdudi, abrange a esfera privada e a esfera pública. Daí que as repercussões políticas ultrapassem a mera crença pessoal e privada, razão pela qual a ordem política deverá ser uma clara manifestação da soberania de Deus
Porquê?
Porque, garantia Mawdudi, sem o Estado Islâmico, o Islão nunca será completamente implementado e tenderá a ser marginalizado.
Ao longo do tempo, Mawdudi interpretou cada vez mais a fé como um processo na procura de uma ordem virtuosa onde a umma, a comunidade dos crentes, se converteria no Hezbollah, partido de Deus, organização da verdadeira fé.
«O nosso partido não é um partido de intelectuais ou de missionários religiosos. É um partido de soldados de Deus. Por isso, este partido não tem outra opção se não tomar o controlo político» . (Sayyid Mawdudi, op. cit. ant. pag.13.)

Multiplex 10%

A Rádio Europa Lisboa é uma rádio dedicada a tudo quanto é giro, tudo quanto é europeu, tudo quanto é caviar, tudo quanto é anti-sulfuroso.

Tem debates com colecções de cromos que dize coisas de mijar a rir e tem, provavelmente, a melhor música ligeira (um bocado tosca, apesar de tudo).

De qualquer forma, ouvi hoje uma de banzar. Parece que o estado tem uma central de comprar qualquer onde estão inscritas umas quantas empresas. A lista de empresas mantem-se inalterada há anos e algumas delas já deixaram de fornecer ao estado. Deixaram de fornecer, quer dizer, deixaram de fornecer mercadoria própria, fornecendo mercadoria de outros fornecedores não inscritos, pelo módico imposto de 10%.

... ou não será de imposto que estamos a falar?

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domingo, 16 de março de 2008

Quem tem pescoço tem medo


Eh pá, péra aí, pá. Manda-lhe um recado, pá.


Os imbecis locais, pendurados em agências de perfeitos idiotas sul-americanos, têm vociferado que o recente ataque da Colômbia em território equatoriano, de que resultou a morte do terrorista Raul Reyes, terá sido feito ao arrepio do direito internacional.

Porque terá ofendido o direito? Porque não foi efectuada uma derradeira tentativa de resolução pacífica do problema: o pedido de deportação dos guerrilheiros em causa.

...

As FARC, guerrilha equatoriana, opera na região há uns 40 anos. Durante 40 anos tem raptado, produzido droga, negociado carne humana, produzido droga, raptado ...

Durante 40 anos tem-no feito em território colombiano e tem-se servido das zonas fronteiriças dos territórios dos países vizinhos e, pasme-se, sem que os governos dos países vizinhos se tenham apercebido disso.

Mais recentemente, o idiota-mor de serviço, Hugo Chavez, resolveu valorizar a sua acção “humanitária” no negócio de carne humana “facilitando” a negociação com as FARC de forma a obter a libertação de alguns reféns.

Como se antevia, as FARC trocaram alguns reféns debilitados por uns quantos dólares e, aproveitando os “lugares” deixados vagos, raptaram mais uns quantos, fresquinhos. Hugo Chavez e as agências locais de idiotas sul-americanos rejubilaram perante a “prova” da bondade moral do acto das FARC e do próprio Hugo Chavez.

Todo isto teve lugar sem que Hugo Chavez se tenha apercebido que as FARC operavam nos territórios vizinhos da Colômbia, nomeadamente o seu próprio território e no do Equador.

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Acossado pela pressão do exército colombiano, um grupo de terroristas das FARC refugiou-se no Equador. O exército despachou-lhes una “bélinha” que, abrindo uma bela cratera no solo, lhes permitiu a passagem ao sublime além. Do lado de cá, bordejando a cratera como uma flor, ficaram batatais de metralhadoras que, por terem estado à guarda das FARC, teriam sido apenas usadas por causa dos mosquitos.

HEREZIA, BLASFÉMIA, VIOLAÇÃO DO DIREITO INTERNACIONAL, ACTO BÉLICO, ecoam as agências locais dos perfeitos idiotas sul-americanos.

HAVIA QUE PEDIR A DEPORTAÇÃO DOS GERRILHEIROS, zurram os estúpidos por entre salvas de gafanhotadas.

Eu iria até mais longe. A Colômbia deveria ter enviado uma assistente social reformada ao Equador para encontros bilaterais com outras assistentes sociais reformadas equatorianas, no sentido de as tentar sensibilizar para a necessidade de exercitarem um magistério de influência, face às suas colegas no activo, conducentes à dinamização de uma missão de paz junto das árias de fronteira com a Colômbia, com o intuito de dizer aos “supostos” malandrecos que “aquilo de que os acusavam” (a ser verdade) seria "feio”.

Evidentemente que a defesa de tal missão nunca poderia ser vista como uma manobra para permitir que os guerrilheiros de deslocassem para fora da trajectória da belinha, nem com a potenciação da possibilidade de exercitação de novas acções de troca de acervo humano por dividendos monetários e políticos (estou a falar bem?).

O envio de pedido de deportação, segundo os imbecis primos do zenital imbecil Chavez, não seria apenas mais uma manobra que permitiria que os seus imbecis primos acoitados na selva continuarem a negociar em carne humana mas “apenas” uma derradeira (até à seguinte) manobra destinada a evitar “a violência”!!!.

... e toda a pérfida manobra, tresandando a sulfores bushistas, imperialistas, anti-alter-globaistas, a lobi norte-americanos armamentista, a reaccionários grupelhos de anti-novos-amanhãs-cantantes, foi feita, pelo exército e governo colombianos nas costas dos dirigentes dos países vizinhos, aproveitando um dos seus múltiplos momento de introspecção pelo pacifismo.

A prova final do que “já se sabia” aí está. O governo colombiano nem se dignou a avisar os governos seus vizinhos que os marotos estavam escondidos do outro lado de uma tal fronteira “mais ou menos”.

Eu, quando era puto, também brincava às escondidas.

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Um Vagabundo em Lisboa

Desço as escadas rolantes para a loja da Fnac do Chiado e já se percebe que há música ao vivo. Lá dentro a barulheira de qualquer coisa que supostamente tem a ver com jazz é desconfortante. Antecipo a saída; desta vez não vou passar por lá a meia-hora do costume vasculhando as prateleiras onde estão os temas preferidos.

Desço outra vez, agora a Rua do Carmo. Primeiro uns alternativos com cães e pífaros. Felizmente não estão a tocar nem a pedinchar para poderem continuar a viver sem trabalhar. Depois o calhambeque dos discos de fado que já passou a imóvel da rua.

Ao início do Rossio a banca da senhora dos autocolantes, pinos e bandeiras do PSD. Também vende carteiras e bolsas. Há quantos anos assenta ela banca por ali? Talvez desde 1974.

Passo pelo Nicola mas não entro. A última vez que o fiz pensei que estivesse em Ayamonte, ou Gibraleon, ou Sevilha tal era má a qualidade do 'espresso'

A 'Atlântico', que não comprei na Fnac, vende-se nas bancas do Rossio; nada mal.

Vou à net no Rossio, ao lado do Gelo. A fauna humana é diversificada e uma espécie de resumo do próprio Rossio.

Atravesso a praça. Uns índios, ou mascarados disso, 'tocam' música de índios. À sua volta uma dezena de indigenas e turistas escutam embevecidos a música até porque estão convencidos que aqueles movimentos que vêem os índios fazendo aos instrumentos musicais são a origem do som. Desta vez o CD não riscou, a aparelhagem de som portátil não falhou, e os espetadores devem ter ido para casa contar as coisas lindas e diferentes que viram e ouviram ao vivo.

Na Suíça, um funcionário que de ouvir e ver se percebe que está bem acima da generalidade dos clientes da pastelaria, atende e indispõem-se com uns clientes espanhóis. Perceberam perfeitamente o ralhete em português, ao contrário do que nós costumamos pensar, e deixaram de falar aos gritos. Por uns instantes não se portaram como espanhóis.

Vou embora. Já estou na Rua do Ouro (Rua Áurea, na toponímia oficial). Vejo mais à frente um pedinte sentado no chão, contra a parede. Parece ser velho e está sujo, deve ser mais um sem-abrigo de Lisboa. Vou passar por ele e já tenho a jeito a moeda que lhe vou deixar. O homem tem vestida uma gabardina clara mas encardida. O cabelo e a barba comprida estão desgrenhados e grossos da sujidade. Estende a mão suja, negra de tão suja. Ponho-lhe a moeda na mão e oiço um ‘obrigado’ dito de modo tão inesperado que me faz deixar de olhar para a mão dele, parar e fixá-lo com atenção. Confirmo que só pode ser um vagabundo, impossível tentar adivinhar quando foi a última vez que se lavou, por opção ou possibilidade. O mesmo com a roupa. Mas o timbre daquela voz no 'obrigado' que disse era de uma frescura notável. Não era a voz arrastada, ou fraca, ou grosseira, ou envelhecida dos vagabundos. Aquele ‘obrigado’ soou com elevação e sem um vestígio do jeito calão do falar lisboeta. Aquela voz talvez fosse a último vestígio de outra vida na vida daquele homem.

"A distância que vai de um homem comum a um vagabundo é curta e percorre-se com uma brevidade que o homem comum não suspeita". Quem o diz são os próprios vagabundos, os sem abrigo, que quase todos foram um dia gente comum. Este homem mudou-me o dia. A música alta na Fnac que não respeita quem visita a loja, o café espanhol do Nicola de que me lembrei a tempo de escapar, os trapalhões que enganam os incautos no centro da Lisboa, tudo perdeu importância. Ficou só a voz de um homem que talvez tenha sido alguém distinto não há muito tempo e que agora é um vagabundo.

zc contra os fachistas

sábado, 15 de março de 2008

Islamofilia

Excelente o vídeo de Pat Condell postado pelo Luis Oliveira.
O problema reside claramente no facto de o Islão ser o que sempre foi e o Ocidente, minado pelo marxismo cultural que se entrincheirou nas universidades, no discurso politicamente correcto e nos media, ter vergonha do seu passado, dos seus valores e da sua História.
O Islão não é pacífico nem avançado, nem tolerante.
O Islão é intrinsecamente violento e essa violência releva não só do Corão, nomeadamente dos chamados "versículos da espada", mas também das interpretações dominantes que dele se fazem.
Esperar-se-ia que as pessoas normais encarassem esta religião como perigosa e criassem anticorpos.
Infelizmente tal não está a acontecer e este padrão repete o que se passou com o comunismo durante quase todo o século XX.
A generalidade das pessoas segue a sua vida, razoavelmente inconsciente da magnitude das forças que moldam o seu mundo. Mas as vanguardas, hoje constituídas por uma estranha aliança de islamistas e de activistas de esquerda, continua a usar as velhas tácticas da agit-prop e denuncia constantemente a “islamofobia” e o " racismo".
Estes rótulos são atirados à cara de quem quer que ouse sequer pronunciar-se sobre o Islão (ver a resposta de Paulo Tunhas a um artigo de um "orientalista"), descarada táctica de manipulação que visa castrar moralmente as pessoas, inibindo-as de esboçar qualquer gesto de indignação e desconforto para com uma ameaça concreta e abertamente declarada à sua cultura, valores, vida e modo de vida.
Para a esquerda "progressista" trata-se apenas de mais uma forma de praticar a idiotia útil e de lutar contra a “sociedade burguesa”.
E assim, por não querer parecer “islamófoba”, a Europa agacha-se e torna-se islamófila. Os resultados deste suicídio entram-nos todos os dias pelos olhos dentro, através das notícias da Dinamarca, da Holanda, da França, da Alemanha, do Reino Unido, da Espanha, etc.
A táctica resulta sempre.
Várias sondagens indicam que uma grande percentagem de europeus “compreende” o terrorismo suicida islamista e acha, paradoxalmente, que os grandes perigos para a Europa são os judeus e os americanos, tal como há 3o anos achavam que o perigo vinha dos EUA e não da URSS.
Não, o problema da Europa não é a islamofobia até porque, como diz Pat Condell, compreender a verdadeira natureza da ameaça islâmica não é uma "fobia", porque nada tem de irracional.
O nosso problema é, pelo contrário, uma islamofilia paralisante a que somos conduzidos por medo, por preconceito, por querer parecer "tolerantes, ou, em suma, por absoluta, e irrecuperável estupidez.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Apaziguar o Islão

Como o Carmo da Rosa anda a dormir na forma e não postou ainda por aqui o último e excelente video do Pat Condell, aí fica ele, 8 minutos que resumem tudo o que de essencial há para dizer sobre este tema.

Goebbels revisitado

Começa-se sempre por demonizar!
Na narrativa nazi dos anos 30, os judeus eram os óbvios culpados pelo envenenamento moral e pela exaustão material da orgulhosa nação germânica.
Nas narrativas islâmica e da esquerda moderna, sofisticadas ou primárias, o minúsculo estado de Israel é também a origem de todos os males, e todas as guerras do nosso tempo.
A demonização é necessária e, porque nada tem a ver com racionalidade, admite infinitas variações e contradições.
Há dias Amadinejad descrevia os judeus como vermes e micróbios. Vermes e micróbios são parasitas minúsculos que se exterminam com DDT ou se esborracham com o polegar.
É uma visão. A outra, anunciada logo a seguir, é a de que estes “vermes”, são afinal uma poderosa força internacional, prestes a dominar o mundo.
Trata-se por um lado de gente que detém um imenso poder, capaz de conquistar o mundo, mas incapaz de deter uns míseros rockets e à beira de desaparecer do mapa, como garante, com igual convicção, e sem perceber a contradição, o Sr Amadinejah.
O período nazi já não faz parte da memória colectiva, mas aqueles que estudaram a época e estão atentos ao que acontece nos nossos dias, não podem deixar de notar as inquietantes semelhanças entre a propaganda nazi e a propaganda islâmica.
Na verdade o Hamas, o Irão e o Hezbolah, usam a terminologia nazi quando se referem aos judeus e não é por mero acaso.
A Alemanha nazi fez um esforço apreciável por cooptar os árabes para a causa anti-judaica e fez publicar e difundir em arábico quantidades impressionantes do Mein Kampf e dos Protocolos dos Sábios de Sião. Livros que são usados ainda hoje para doutrinar gerações de muçulmanos no irredutível satanismo dos judeus.
Afinal de contas o Mufti de Jerusalém tinha escritório em Berlim, assessorava o III Reich na implementação da solução final e acabou condenado em Nuremberga.
A campanha de demonização está novamente em curso e, como tb já é habitual, conta com novos sonderkommandos colaboracionistas, como Chomsky, Finkelstein e outros judeus.
Este absoluto apelo ao ódio galvaniza os árabes que, acreditando estar a cavalgar uma vaga de fundo conducente a outra solução final, perdem a vontade de fazer a paz com Israel.
Afecta também os israelitas minando a sua vontade para fazer concessões negociais, uma vez que cada acordo com os palestinianos é visto como sinal de fraqueza e propicia uma nova vaga de ódio e hostilidade.
Tal como nos anos 30, a canpanha anti-judaica espalha-se pelo mundo e os judeus são cada vez mais alvos de ataques físicos, boicotes e insultos.
Como dizia Jorge Santayana, "Quem não recorda o passado está condenado a repeti-lo."