segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Das retumbantes "vitórias" socialistas

O nosso governo dos socialismos resplandecentes, na mais fina linhagem chavista, encontra, a cada passo, motivos de regozijo e sinais de vitória na batalha contra a tenebrosa cáfila dos não pagantes ao estado, muito embora a real (em significado - chapa batida) cálifa de não pagantes seja o estado.

Repare-se, por exemplo, nesta "luta" contra as farmácias. Há uns anos (e muito bem) o anterior ministro resolveu quebrar o monopólio da Associação Nacional de Farmácias (ANF), monopólio, aliás, surgido da necessidade de fazer frente ao crescente incumprimento do estado relativamente a pagamentos.

Na "luta" teria que ser vector principal a regularização do pagamento às farmácias e, por essa via, esvaziada, pelo menos em boa parte, a razão de existir da ANF. Noutro vector, o "regulador" deveria atirar-se ao monopólio como gato a bofe.

Tudo bem, tudo muito giro, tudo na mais bela linhagem da luta contra o opressor, mas o estado não cumpriu a sua parte e a dívida continuou e a ANF também.

A dívida galopou, as farmácias anunciam que vão cobrar juros (coisa que o estado faz, automaticamente, sem apelo nem agravo) e o estado resolve, unilateralmente, passar a pagar menos pelos medicamentos.

Numa sociedade livre esta forma de fazer as coisas não tem pés nem cabeça e enceta apenas uma luta entre monopólios que, a prazo, vai sair do bolso de todos os portugueses e permitir (felizmente) mais uma lança em África à malta da medicina privada.

Entretanto, hoje, mais uma "vitória" nos cai, em trambolhão, no prato da sopa: A Segurança Social recupera mais de 205 milhões.

Esta "vitória" entra em colisão com a memória, porque este tipo de vitórias, cíclicas, apenas indicam que a dívida à Segurança Social aumenta sistematicamente. Um aumento sistemático da dívida conduz, naturalmente, a um aumento das "recuperações". A "vitória" é uma derrota, a derrota de uma sociedade que se está a afogar em "vitórias" socialistas.

... "vitória", neste prisma, é também o aumento dos pagamentos aos credores de Portugal: cada vez se paga mais aos credores.O problema é que, paralelamente, muito mais e cada vez mais se pede emprestado aos credores, não só para pagar a dívida como para pagar o juro da dívida.

3 comentários:

Azrael disse...

Boa noite,

apreciei muito o post, no entanto julgo que é um erro pensar que a Associação Nacional das Farmácias.

Deixo já bem claro que não sou proprietário de nenhuma farmácia nem farmaceutico, aínda.

A palavra monopólio pressupõe que haja uma situação de concorrência imperfeita, em que uma empresa detém o mercado de um determinado produto ou serviço, impondo preços aos que comercializam (neste caso o untente). Ora acontece que, neste caso, a ANF é uma associação patronal que não detém a propriedade de nenhuma farmácia, muito menos estabelece preço. Dizer que a ANF é um monopólio não é muito diferente de dizer que a associação nacional das indústrias de conservas de peixe é também um monopólio.

Acresce a isso o facto de que as farmácias serem micro empresas totalmente independentes umas das outras, não sendo, portanto, uma entidade una.

Isto não invalidada que a ANF e as farmácias tenham de facto uma grande capacidade de concertação de esforços e de organização, muito provavelmente será devido a essa união que as pessoas a tendem a percepcionar como uma entidade homogénea sem na verdade o ser.

Para compreender este fenómeno importa conhecer as raízes da ANF (antigo grémio nacional das farmácias) e porque se teve que tornar tão poderoso, para garantir a sobrevivência das farmácias, mas isso é outra história.

continuação de bons posts!

Azrael disse...

correcção à minha primeira frase:

"apreciei muito o post, no entanto julgo que é um erro pensar que a Associação Nacional das Farmácias é um monopólio"

RioD'oiro disse...

Azrael

"Deixo já bem claro que não sou proprietário de nenhuma farmácia nem farmaceutico, aínda."

E se fosse não haveria problema.

"Ora acontece que, neste caso, a ANF é uma associação patronal que não detém a propriedade de nenhuma farmácia, muito menos estabelece preço."

Não detém a propriedade mas torna todo o corpo de farmácias extremamente coeso resultando no mesmo. Poder-lhe-ia chamar um cartel, mas isso seria injusto e raiaria o crime.

Aliás quando fala em "concertação de esforços" diz muito bem.