sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Respostas (em atraso) prometidas a comentários


Post Legionários de Abril

Holandês Voador:

“Não se percebe lá muito bem o que é que a capa do disco do José Afonso tem a ver com o título do "post".”

Eu é que não percebo o seu comentário! Pois se, no texto, até faço referência directa à canção com o mesmo título…!

Ok, distraiu-se. Quanto ao resto, obrigado pelo apreço.

Defunto Anónimo:

AnónimoEstou dividido: ou isto é o Saramago ao contrário, para muito melhor;
ou é o contrário do Saramago, para melhor ainda.”

É consigo. Se for um elogio, não chega a ser um insulto para mim, mas as coisas irão mal para si; se for um insulto, nem chega a ser uma medalha para mim, mas, por isso, continuará mal para os seus lados. De qualquer modo, é-me indiferente, não pretendo tocar no que diz. Afinal de contas, você já se terá ido há muito tempo. E um cadáver exposto é um perigo para a saúde pública.

Post sobre Fidel

António Silva:

“Texto bem escrito e análise bem feita que, com algumas modificações de pormenor, poderia ser aplicado a muitos homens fortes da política e da história, que a "direita" admira.

Mais uma vez esta página reflecte um sectarismo bacoco.”

Sem dúvida que o que digo de Fidel Castro poderia ser aplicado a ditadores do lado oposto. E esta página, se por acaso não chegou apenas agora, tem-no feito. A começar por mim, como facilmente verificará. Mas, já agora, gostaria que me citasse um texto, publicado em livro ou on-line, de tendência ou assumidamente de esquerda, que faça o elogio de alguém de direita.

Sectarismo bacoco da esquerda? Não, mera táctica de “chico esperto”. Porque a esquerda auto-assume-se como o destino da humanidade que a direita só tem de e que reverenciar. É cá um lustro ao ego… bacoco!

Lembra-se desse modelo da luz da humanidade futura que foi o sr. Vladimir Ilyich Ulianov, mais conhecido por Lenine? De duas frases da sua autoria, ornamentando as paredes e os muros do nosso país em 1975? Uma: “Só a verdade é revolucionária”; e a outra, que esclarecia o que entendia por verdade: “A verdade é o que convém à classe operária”. Ora como o que convém à classe é, por definição, o que a “sua vanguarda” entende como tal… hmm? E quem é a vanguarda, quem é, quem é, quem é…?

Jorge de Sena dizia, no primeiro discurso que proferiu em Portugal quando voltou do exílio, que “ser fascista e inteligente é algo inconciliável”. Não posso estar mais de acordo. E a esquerda não é mais, nas suas concepções políticas, do que uma das correntes ditatoriais europeias, do final do século XIX, cuja “pata do futuro” foi imposta, no decorrer do século XX, por diferentes tipos de iluminados aos desgraçados que tiveram que suportar-lhes os egos à custa todos sabemos de quê.

Posts sobre Alberto João Jardim e a questão dos ciganos

Breve:

Experimentei colocar dois textos, sem lhes colocar qualquer apreciação pessoal. Não disse que concordava com o homem forte da Madeira nem com a expulsão dos ciganos de França. De imediato, a pocilga anónima despejou a sua torpeza, como se eu tivesse afirmado a minha concordância com Jardim ou com Sarkozy. Estão aqui para grunhir e babujar-se. À conta do seu pobre ego ou do ego alheio. Cumprem a sua função de João Pateta, é isso que os amigalhaços lhes pedem, confiando na sua perpétua e moldável ignorância. Estudar e pensar exigem esforço e eles, como bons preguiçosos, alimentam-se do fast-food das ideologias e do prospecto do partido. Todos eles. À esquerda e à direita. E nem lêem o que se escreve, soletram metade do que está à sua frente e progridem na compreensão de que vislumbraram ao ritmo simplex a que a economia portuguesa avança, uns zero vírgula qualquer coisa por cento. São o reflexo do país que temos e do país que seremos.

Um país cada vez mais triste. Um país de legionários.

Vicente, obrigado. Apesar de eu ter algumas coisas a acrescentar, sempre me deu alguma esperança de haver alguém com quem se possa dialogar.

Ana Cristina Leonardo, respondi-lhe há bocadinho, na caixa de comentários.

StreetWarrior, fica para a próxima.

Rio d’Oiro e Carmo da Rosa, obrigado pelo trabalho que me pouparam, respondendo como eu poderia responder.

Até segunda-feira.

36 comentários:

Anónimo disse...

é de rir

Anónimo disse...

E isto é que são os comentarios aos cometarios, o homem continue pateta.

Anónimo disse...

O gonçalinho voce é uma criança que quer dar ares de adulto. Alguém aqui comentou os seus posts implicando o seu racicionio como concordante com o jardim ou o sarkozy? Ò homem trate-se, o que se comentou aqui foi o texto dos postes, e os comentários que iam surgindo, que por acaso não eram seus, o senhor nunca entrou na discussão , o senhor parece que se sentiu atacado no seu alter ego,qual seria o motivo, trate-se que não vale nada para perder tempo com o que diz.

Depois vem falar dos ciganos e diz banalidades,que correm o mundo popular, acerta acerca do ano dos ciganos em portugal. Anos depois de se instalarem em Portugal,no seculo XV já os ciganos estavam identificados com a imagem negativa tal como os judeus e que irá perdurar até aos nossos dias e que continuamente será evocada para os reprimir ou expulsar. A comunidade cigana resistiu a tudo e aqui permaneceu. Hoje enfrentam um novo e decisivo desafio: a integração imposta em nome do progresso e dos direitos humanos numa europa unida

Gil Vicente, caricaturou-os na farsa dos ciganos onde ja nesta altura, são identificados como comunidade de gente nómada que se dedica a roubar num sítio aquilo que vão vender no outro. Dominam o comércio das cavalgaduras, em especial aquelas que se encontram doentes fazendo-as passar por animais de boa saúde. celebrizaram-se também por se dedicaram às práticas de feitiçaria, quiromancia e cartomancia., ler a sina, disto o senhor percebe e roubavam as criancinhas também nos meios rurais, ui que medo. D. João III, proibiu-os de entraram em portugal, ordenando a expulsão de todos os que aqui viviam. Ao longo dos séculos são inúmeras as leis promulgadas com idêntica finalidade. Sempre mais severas, mas sempre inúteis.

Anónimo disse...

As últimas, sãode D. João V. A partir do seculo XIX, o estado deixou de colocar a questão da expulsão dos ciganos, passando a considerá-los cidadãos portugueses, embora soubesse que estes se auto-excluem de prestar qualquer serviço à comunidade, nem se manifestam dispostos a aceitarem as suas leis. enquanto portugal permaneceu um país essencialmente rural, os ciganos continuaram a ser nómadas, dedicando-se ao comércio ambulante. O abandono dos campos e a concentração da população portuguesa nas cidades, acabou por forçar os ciganos a sedentarizarem-se, tendo a maioria deles fixando-se nas períferias das cidades, onde continuaram a dedicaram-se à venda ambulante, nomeadamente de produtos contrafeitos. As tendas foram substituídas por bairros de barracas., as carroças puxadas por mulas foram substituídas por carrinhas. Nos anos oitenta , um crescente número de ciganos envolvem-se no comércio de droga. Famílias e famílias de ciganos e não ciganos são destruídas por este negócio que marcará esta comunidade. Este comércio acaba por reacender por todo o país as manifestações racistas tendo como alvo os ciganos. Face ao eclodir de milícias populares para lincharem estas comunidades ciganas, em 1991, o governo português lança finalmente um vasto programa de apoio à sua integração social, O que não resulta cá, mas se estiver interessado estude o caso da integração dos ciganos no lado espanhol e verá.

O que esta em causa neste caso da europa e que o goncalinho não consegue ver sem uma fotografia, são principios, quaisquer principios que atentem contra uma etnia colectivamente, porque abrindo mão destes principios hoje são ciganos amanha são pretos depois são arabes depois são latinos depois deficientes e por ai fora, Não ponha fotografias em principios discuta-os em abstracto sem fotografias, de maneira que qualquer um possa prencher a fotografia sem ser perseguido ou descriminado.

O seu comentario aos comentarios é de risos.

Anónimo disse...

Ó caro anónimo não diga mal do nosso sábio Gonsalo, que lhe belisca o alter-ego. Aguarde por segunda-feira e vai ver o que é "sabedoria" da boa, daquela que nos faz rir muito.
Também a propósito, quero dizer-lhe que aprecio a sua escrita à Saramago. Aposto que é para irritar o mestre-escola Gonsalo.

o holandês voador disse...

Gonsalo,
A canção "Os Vampiros" data dos anos sessenta e foi escrita num contexto histórico específico, como saberá: durante a ditadura salazarista.
Trata-se de uma metáfora sobre a polícia política (PIDE) e o clima de denúncia existente à época.
Ilustrar um "post", que tem como objectivo último criticar os anónimos que aqui comentam, com a capa desse disco de José Afonso, dando-lhe o título "Legionários de Abril" é subverter a mensagem do Zeca que tinha como destinários os polícias secretos da ditadura. Não vejo qual a relação da capa com o que pretende provar...

José Gonsalo disse...

Holandês Voador:
Então não percebeu o que escrevi. O meu texto compara os papéis e funções desempenhados pelos comentadores que infestam este e outros blogs com os papéis e funções desempenhados pelos legionários, antes do 25 de Abril. São semelhantes na indigência mental e moral, no labreguismo e na ignorância, na agressividade apatetada e no debitar de chavões de cujo significado real não têm consciência. E são os actuais vampiros e eunucos, perigosos na medida em que minam e procuram dominar todas as organizações e iniciativas, a mando dos novos donos do povo, que não querem correr riscos ou que pretendem pô-las ao seu serviço, como mais uns quantos tentáculos de influência, ou mesmo anulá-las. São, tal como aqueles, uns pobres tristes, convencidos de que são alguém, porque repetem o que supõem que devem repetir e fazem parte da "situação".
São, portanto, os legionários da pequenez da nossa (cada vez menos) suposta democracia, os guardiães das portas travessas que Abril também abriu, parafraseando o pobre do Ary, que tanto quis acreditar no povo a quem se dedicou.
O meu texto não pretende criticá-los, nem isso me passaria pela cabeça. Porque, infelizmente para eles, pouco têm de gente (no sentido de autonomia intelectual e anímica), pouco mais são do que reflexos, embora agentes, do que se passa. Limitei-me a aproveitar a sua presença aqui para dar conta do que penso a respeito do estado em que Portugal está.
Ainda não ficou esclarecido?

Anónimo disse...

Era bluf, afinal regressou mais cedo.

RioD'oiro disse...

JG:

"Ainda não ficou esclarecido?"

:)

.

Anónimo disse...

O gonçalinho é mesmo uma criancinha (pensamento infantil) a querer parecer adulta, a criatura tem vistas curtas e afuniladas por isso não consegue fazer pensamentos abstractos e apanhar e discutir ideias, o mundo dela de vistas curtas é so feita de exemplos concretos a frente dos olhos por isso diz:

“O meu texto compara os papéis e funções desempenhados pelos comentadores que infestam este e outros blogs com os papéis e funções desempenhados pelos legionários, antes do 25 de Abril.”
“São semelhantes na indigência mental e moral, no labreguismo e na ignorância, na agressividade apatetada e no debitar de chavões de cujo significado real não têm consciência. E são os actuais vampiros e eunucos, perigosos na medida em que minam e procuram dominar todas as organizações e iniciativas, a mando dos novos donos do povo”

O gonçalinho não diz nada de nada o que ele admite:

“Eu eu, que não percebo nada disto, limito-me a dar conta do que presenciei”

O que já de si não é de desvalorizar, pois isso da imenso que pensar, mas ate no antigo regime os agentes mais rascas da pide faziam isso relatórios. Mas quem não foi capaz de marcar a sua posição de dizer se era contra ou a favor dessas medidas qual a sua posição a sua opinião, não o gonçalinho responde aos comentários classificando os comentadores não discutindo ideias, e como qualquer idiota só confirmou a regra que as pessoas pequeninas discutem coisinhas.

E perdeu o fim de semana para isto.

José Gonsalo disse...

Rio D'Oiro:
O que se lê (?) nesta e nas restantes caixas de comentários é a medida do estado a que o ensino chegou em Portugal: a-ssus-ta-dor!
Pouco ultrapassam o puro analfabetismo e, mentalmente, a primeira fase da adolescência.
Uma tristeza. E o problema é que eles não têm maturidade para perceber porquê.

RioD'oiro disse...

JG:

"Pouco ultrapassam o puro analfabetismo"

Não é analfabetismo porque é militante. É o resultado de uma limitação auto-imposta. Como aqueles gajos que querem que lhes cortem as próprias pernas por sentirem que não lhes pertencem.

Deve ser um bug do ADN.

Anónimo disse...

Bela argumentação que este tipo tem,pedindo o apoio e solidariedade do outro burradas.

RioD'oiro disse...

Caro anónimo,

O FI não é uma tribo. Cada um pensa por si sem ter que pedir autorização ao comité central cujos membros só opinam em função do ladrar do chefe da matilha.

Anónimo disse...

pronto pronto, burradase burradas lda

Anónimo disse...

O gonçalo fugiu com o rabo entre as pernas e refugiou-se na lenga lenga do costume os erros a educação, mas o resto zero.
De facto quem baptizou a empresa de burradas não esta mal pensado.

o holandês voador disse...

Gonsalo,
Percebi muito bem o que quis dizer. Não concordo é com a utilização do exemplo apresentado (no caso a canção "Os Vampiros") que foi escrito num ambiente de ditadura e censura, muito diferente do actual. Naquela época, os legionários eram, de facto, "bufos" do regime e as pessoas podiam ir para a prisão por simples delação. Hoje, goste-se ou não, a crítica é livre. A sua comparação é, por isso, coxa. Os donos do blogue podem não gostar dos "anónimos" e, em última análise, podem impedir a publicação dos seus comentários. Não devemos comparar coisas incomparáveis. Se pretende criticar a "mentalidade" vigente (seja lá o que isso for) então poderá sempre utilizar uma imagem condizente (por exemplo, a capa do livro do José Gil, "Portugal hoje: o mêdo de existir"). É mais apropriado.
É só isso, mais nada. Mas, já percebi que tem dificuldades na interpretação de símbolos. Uma questão de semiótica, sei lá...

RioD'oiro disse...

HV:

"Naquela época, os legionários eram, de facto, "bufos" do regime"

Una bons anos mais tarde veio-se a saber que a lista de bufos tinha sido encontrada nos arquivos do KGB e que a URSS tinha forçado uma quantidade substancial deles a trabalhar para eles sob pena da divulgação, na praça pública, dos seus nomes. Naturalmente que o PCP estava na jogada.

Isto deixa em boa parte em maus lençóis o seu comentário.

José Gonsalo disse...

HV:
Essa seria a SUA imagem, jamais seria a minha. Talvez porque o meu amigo tenha uma abrangência de interpretação simbólica menos lata do que a minha. Ou porque a sua compreensão do que eu quis dizer no texto seja menos abrangente do que aquela que ele pretende. Ou talvez ainda porque tenha uma consideração pelo que diz o José Gil de que eu não partilhe. Sei lá.
Mas, por agora, desejo-lhe um bom fim-de-semana.

Anónimo disse...

Patético este post. Alguém tem que saber o que os comentadores comentam ou a opinião que se tem dos comentadores? É como se um jornal colocasse a secção dos leitores na primeira página, simplesmente patético.

o holandês voador disse...

RdO,
Está enganado. O meu comentário não fica em maus lençóis, pela simples razão que sei da existência dessas listas. De resto, jà à época se sabia que o PCP (que guardou a sede da PIDE nos dias imediatos ao 25/4) tinha furtado dezenas de fichas de militantes seus e de colaboracionistas do regime para, eventualmente, fazer chantagem. Não sabemos.
Mas isso só comprova o que eu quis dizer. A mentalidade de delação faz parte de uma longa tradição na sociedade portuguesa e não começou com o fascismo (que de resto tem as costas largas). Não se esqueça que antes dos 50 anos da ditadura Salazar/Caetano tivemos 350 anos de Inquisição. Se calhar já teria começado aí...pelo menos é o que o José Gil dá a entender...
Daí a minha sugestão de ilustrar um "post" sobre a delação com outro símbolo que não os "Vampiros", que é sobre a repressão. Percebe a diferença: delação versus repressão?

Gonsalo,
Posso perceber que não goste do José Gil, mas eu conheci pessoalmente o José Afonso e conversámos muito sobre as metáforas por ele usadas. Os "Vampiros" é sobre a PIDE, não sobre anónimos em democracia. Dar o título "Legionários de Abril" (e ilustrá-lo com uma canção de José Afonso) a um "post" que tem por fim denunciar os anónimos que escrevem neste "blog", é um exercício demasiadamente rebuscado que, para si, pode fazer todo o sentido, mas que para um leitor neutral não faz qualquer sentido. Por isso eu escrevi que gostei do texto (estilo literário) mas não compreendia o simbolismo utilizado.

RioD'oiro disse...

HV:

"O meu comentário não fica em maus lençóis, pela simples razão que sei da existência dessas listas."

Então a coisa piora.

RioD'oiro disse...

"Patético este post. Alguém tem que saber o que os comentadores comentam ou a opinião que se tem dos comentadores? É como se um jornal colocasse a secção dos leitores na primeira página, simplesmente patético. "

Já percebi. Haveria que consultar o comité central.

Era só o que faltava.

o holandês voador disse...

RdO,

"Então a coisa piora"(!?).

Pode explicar essa sua observação, não percebi.

RioD'oiro disse...

Caro HV,

Tenha paciência porque eu estou com falta dela.

o holandês voador disse...

RdO,
É fácil fazer comentários. É mais difícil fundamentá-los. Explique-se e deixe-se de merdas.

José Gonsalo disse...

HV:
Passei ainda uma última vez por aqui, antes de segunda-feira. E, já agora, respondo-lhe.
1. Que a delação seja uma constante do "modus vivendi" português desde, pelo menos, a institucionalização como instrumento do poder real, no final do reinado de D. João III, é um facto. Até o celebrado e, proclamadamente, iluminado anticlerical Marquês de Pombal, subiu na vida à custa dela (há documentos escritos e assinados pelo seu punho).
2. Que eu não gosto do José Gil é um facto, do mesmo modo que não gosto do falecido irmão Fernando. Mas isso pertence a outro campeonato das ideias.
3. Que o meu amigo tenha falado com o José Afonso e eu também, são dois outros factos. Eu não falei com ele sobre metáforas, mas falei do que ele pensava daquilo em que se tornara a mentalidade dos operários da Margem Sul, alguns anos após o 25 de Abril, bem como sobre as transformações da mentalidade "revolucionária" . E garanto-lhe que não era lisonjeiro para nenhum deles.
4. Que as fronteiras entre "delação" e "repressão" são muito ténues, são outro facto. Não é preciso usar o chicote, a navalha ou a pistola para se ser repressivo. Quanto mais insidiosa é a repressão tanto menos se nota. A repressão pós-25 de Abril faz-se pelo boicote, pelo isolamento, pelo impedimento, pela "desconversa", pelo achincalhamento, pela "democraticidade" da disciplina partidária e da respectiva maioria. Já não se apodrece na prisão, apodrece-se em casa ou na profissão, apodrece-se no café ou no blog. Em geral, com cada vez mais álcool.
Os vampiros continuam a sobrevoar os horizontes, os eunucos a guinchar as palavras do dono. E a capa do disco a fazer todo o sentido porque, ao contrário das aparências, ainda não mudámos de ano.
Bom fim-de-semana.

RioD'oiro disse...

"É fácil fazer comentários. É mais difícil fundamentá-los. Explique-se e deixe-se de merdas."

A pedido de várias famílias, então cá vai.

Os bufos bufam para onde está a dar. Bufavam para Salazar porque dava, para a URSS porque dava e para a esquerdalha porque dá.

Há um continuado de bufaria. Os bufos são os mesmos e gostam de pertencer à tribo que reina. Não lhes interessa quem reina, interessa-lhes que alguém reine e seja receptivo aos seus serviços.

Pouco mudou nestes últimos 50 anos e quase sempre os bufos tiverem emprego.

São os gajos que se especializam no encosto. Na providencial teta.

E é preciso explicar tudo isto a uma não criancinha?

o holandês voador disse...

RdO,
Então, estamos de acordo. Não vejo o que é que isto tenha a ver com a observação que fiz e que lhe mereceu o comentário "então ainda pior". Obviamente que toda a gente sabia (era um segredo público) que, da mesma forma que no dia 25 de Abril a maioria dos portugueses passaram a ser "democratas", também o PCP desviou os ficheiros da PIDE para sua utilização.
Mutatis, mutandis: o fascismo ao contrário, se quiser.
Isto leva-nos a outra questão que é a ignorância e o medo interiorizado na população portuguesa. Daí à "bufaria" vai o passo de um anão. Neste aspecto estou de acordo com o Gonsalo. Estamos a pagar a factura da ignorância cultivada nas escolas, na comunicação social e não só...
Só não estou de acordo que comentários "anónimos" sejam, necessariamente, um reflexo da mesma mentalidade. São coisas diferentes quanto mais não seja porque são reflexo de uma realidade completamente diferente daquela que vivemos há 37 anos. Quem não gosta de comentários "anónimos" tem bom remédio: eliminá-los ou sujeitá-los a uma identificação prévia. Simples.

RioD'oiro disse...

HV,

"Então, estamos de acordo. Não vejo o que é que isto tenha a ver com a observação que fiz e que lhe mereceu o comentário "então ainda pior"."

Porque o caro parece não ter ainda percebido que a canção do Zeca tanto se aplicava aos bufos de então como aos de agora.

O HV parece-me ter-se feito 'desapercebido' não querendo entender que a toada geral continua na mesma.

Mas o seu desapercebimento fez-se em duas fases. Na primeira pretendendo haver uma ruptura temporal como se a pretensão da aplicabilidade da música do Zeca fosse um anacronismo, depois continuando sem perceber que havia uma continuidade mesmo concedendo que entre o então e o agora a continuidade se deu pela KGB.

"Obviamente que toda a gente sabia (era um segredo público) que, da mesma forma que no dia 25 de Abril a maioria dos portugueses passaram a ser "democratas", também o PCP desviou os ficheiros da PIDE para sua utilização."

Mas os portugueses em geral não vieram debitar catilinárias morais sobre si próprios. O PCP e a esquerda em geral fazem-no ainda hoje.

"Mutatis, mutandis: o fascismo ao contrário, se quiser."

Pois, mas não quero exactamente porque não é o contrário. Mas não faz mal, porque neste momento é capaz de não valer a pena desbroncar sobre isso.

"Isto leva-nos a outra questão que é a ignorância e o medo interiorizado na população portuguesa. Daí à "bufaria" vai o passo de um anão."

Não, meu caro. A bufaria não surge pelo medo, o medo surge porque o poder com tiques mais que evidentes de fascismo auto-instituído em superior moral socialista se arroga ao superior direito moral de avaliar o pensamento alheio aplicando penas sempre que pode.

"Neste aspecto estou de acordo com o Gonsalo. Estamos a pagar a factura da ignorância cultivada nas escolas, na comunicação social e não só... "

A ignorância não é apenas cultivada, é semeada diariamente por mentes que se arvoram timoneiros da classe operária. Gente "defensora das liberdades", da "cultura" politicamente correcta, uma forma atenuada da campainhada pidesca às 4 da manhã.

"Só não estou de acordo que comentários "anónimos" sejam, necessariamente, um reflexo da mesma mentalidade."

Podem não ser necessariamente mas são claramente (quase sempre).

"São coisas diferentes quanto mais não seja porque são reflexo de uma realidade completamente diferente daquela que vivemos há 37 anos."

Mas eu acho que nos últimos 10-15 anos se regrediu significativamente. Aqui em Portugal, na "Europa" em geral e nos Estados Unidos, para não falar nos "fulgurosos" afloramentos socialistas. Mas em Portugal sente-se uma atmosfera de anos 60 sem que, aparentemente, haja qualquer raio de sol entra a parafernália de forças políticas. Há uns lampejos esparsos mas nada mais.

"Quem não gosta de comentários "anónimos" tem bom remédio: eliminá-los ou sujeitá-los a uma identificação prévia. Simples."

Dá muito trabalho com alta probabilidade de efeitos secundários. É mais fácil ignorá-los.

RioD'oiro disse...

... o eco-fascismo que por aí anda, larvar, pretende, por exemplo (Greenpeace e seus acólitos) aplicar penas de prisão a quem duvidar das suas teorias.

... já lhe dou um link.

RioD'oiro disse...

..

http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&videoid=18550970

Isto é puro fascismo nazi. Nunca a PIDE foi tão longe.

Isto é mostrado nas escolas (não sei em que densidade mas é e não é pouco).

Diga lá que este convite à bufaria usando crianças não vai muito, mas muito para além daquilo que alguma vez a PIDE se lembrou.

Isto é o que 'tá a dar'.

o holandês voador disse...

RdO,
A ignorância e o medo, vêm de longe, não são uma descoberta do PCP, que tem 90 anos de existência. Estamos a falar de 450 anos de história. Logo, depois do 25/4, a maioria da população não podia ser democrata de um dia para o outro. A intolerância era geral e encontrava-se à esquerda e à direita do spectrum partidário. Sim, os tiques permanecem, mas não foram adquiridos no 25 de Abril.
Eu não sei se o Zeca escreveria hoje aquela canção. Provavelmente não, porque está datada. Essa é a razão porque as suas canções foram tendo outros temas, adequados às situações (basta dar uma olhadela à sua discografia e ler os seus textos).
Resumindo, o Zeca é só um, mas as canções vão evoluindo, são diferentes. Como os tempos da censura e da bufaria eram diferentes da era da internet e dos blogues. Digamos que as vantagens da net são as suas desvantagens. Vale mais ter "anónimos" e podermos escrever do que não haver essa possibilidade. É a vida...

RioD'oiro disse...

HV:

"Sim, os tiques permanecem, mas não foram adquiridos no 25 de Abril."

Eu não afirmei que foram criados no 25 de Abril.

Não estou em condições para falar da bufaria antes do botas, mas daí para a frente a bufaria apenas mudou no acessório.

Zeca poderia não escrever a música em função da bufaria de agora mas isso interessa pouco. O que interessa é que a canção em causa tem exacta aplicação hoje, regra geral com as luminárias que a PIDE combatia (que, regra geral, defendia um regime bem pior que o do botas).

É esta a forma como entendo o que o JG escreveu e não custou muito perceber.

Anónimo disse...

Há colaboracionismo e ha delatores ou informadores, a repressão e a delação são coisas diferentes . A repressão parte do poder, de quem detém poder, o colaboracionismo e a delação pode partir de quem quer obter vantagens, pensa obter vantagens, agradar ao poder ou quer prejudicar outros. Mas a historia da denúncia como instrumento de política repressiva é uma prática muito, mas muito antiga e universal, não sendo unica de estados totalitarios. Na civilização grega antiga a delação era um acto cívico, para proteger a comunidade de comportamentos desviantes. Na ex urss um rapaz denunciou ao nkvd o pai por este vender alimentos sem autorização, o pai foi deportado para um campo de concentração , a familia da criança para evitar a continuação da delação, mataram a criança, Estaline elevou-o a herói soviético , A stassi ex rda alemã tinha um dos mais amplos corpos de denunciantes, Em portugal havia aquelas pessoas que ofereciam informações às autoridades voluntariamente, colaborando formal ou informalmente com a repressão salazarista e actuando como traidores das causas e dos movimentos de oposição com os quais ocasionalmente se haviam cruzado,assim como é natural que os vencidos uma vez no poder se apropriem dos arquivos dos vencedores . È um facto que a delação na maior parte dos portugueses foi estimulada pela inquisição, A inquisição era um tribunal religioso mais que perverso, porque punia não por causa dos erros ou das acções dos réus mas por causa das suas crenças não demonstradas mas presumidas e sacadas sob tortura.ou por testemunhos falsos.

Anónimo disse...

Os pensamentos, as crenças são invisíveis o tribunal do santo oficio começava assim os processos a partir de uma impossibilidade, e porque existia essa impossibilidade os religiosos inquisidores faziam o que muito bem lhes apetecia até sacarem a confissão pretendida por meio de tortura e falsos testemunhos, eram movidos pelo fanatismo religioso.As pessoas, atormentadas pela acusação de morrer na fogueira, desciam as maiores indignidades, nomeadamente acusando-se tudo e todos, instigava-se o delator, e a entregar a inquisição todos os que se não gostasse, ninguém morria pela sua fé,eram assassinados pela inquisição, Na espanha nacionalista, muitos padres e freiras foram mortos no tempo da republica recentemente muitos foram beatificados, mas os falangistas iam as pequenas aldeias bater na porta da Igreja. Nas perguntas da praxe o padre dizia quem é sindicalizado onde estava o que fazia, os padres ja tinham a lista completa. São os delatores, esta mentalidade tão tipica nossa era e é a nova inquisição. Nos regimes fortemente autoritários a atitude passou a ser sistematicamente enaltecida, sendo os traidores e os delatores promovidos frequentes vezes a heróis. Mas isto é uma coisa e outra é a idiotice de vir comparar comentários anonimos sem qualquer cariz politico ou organizativo, como se de tal se tratasse, isso é de quem não consegue pensar sem ser em estruturas politicas a guiar os cidadãos, isso é de quem me parece que vive do estado e como o estado não é da mesma cor esta mal na vida. Mas quem se dedica a uma profissão com empenho e trata da sua vida não pensa em bufarias e consegue progredir, outros estão sempre a queixar-se a a lamuriar-se por aqui e por ali, das bufarias.. Como povo de indiferentes, só sabemos o que o acaso nos obriga a aprender. São os vencidos da vida. Se fosse a uma tasca não ouvia pior.