sábado, 18 de setembro de 2010

Equilibrismos tropicais

No Blasfémias,
O despedimento de meio milhão de funcionários públicos em Cuba está a ser muito difícil de digerir pelos comunistas e pelos bloquistas. Mais pelos primeiros. Aqui, por exemplo, o máximo que se consegue é criticar o facto de o papel dos sindicatos se reduzir a dizer amém ao partido e ao Estado. Um pouco curto, não acham? Louçã, mais habilidoso, ensaia a pirueta. Para ele há uma boa revolução cubana – “que marcou o século XX” - e uma má realidade cubana, apesar de ser “compreensível que um Estado não possa ter todos os trabalhadores como funcionários públicos”. Compreensível ou impossível?

Estes equilibrismos, que procuram negar o óbvio e não enfrentar os “idealismos” tontos dos que andam com o rosto do homem que comandava os esquadrões de fuzilamento nas t-shirt – sim, estou a referir-me a Che -, nunca tocal no essencial. E o essencial é que a revolução cubana falhou todas as suas promessas, a começar pela principal: a devolução da liberdade e da democracia à ilha. Pior: transformou o país mais desenvolvido da América Latina é num dos mais pobres, um país onde, como disse recentemente um velho comandante da revolução, “a educação não e livre e a sua qualidade é cada vez pior; a saúde está num estado deplorável e nem sequer é grátis, pois pagamo-la aceitando os salários de fome que recebemos”. Dois exemplos concretos: a falta de professores faz com que em muitas escolas se tenha adoptado o sistema que Portugal abandonou há décadas, a tele-escola, e nos hospitais os doentes têm muitas vezes de levar os seus próprios lençóis se tiverem de ficar internados.

Até Fidel tem mais razão que estes comunistas e bloquistas: aquele regime económico já nem para Cuba serve, quanto mais para outros países…

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